Comércio Exterior

PLANO BRASIL SOBERANO traz alívio Tributário e Prioridade em Restituições para Exportadores Afetados por Tarifas dos EUA

Saiba como obter os benefícios das medidas regulamentadas.

O Ministério da Fazenda anunciou, por meio da Portaria MF nº 1.862, de 22 de agosto de 2025, um conjunto de medidas de apoio para pessoas jurídicas exportadoras de bens que forem impactadas pela imposição de novas tarifas adicionais sobre exportações aos Estados Unidos da América. As ações incluem o diferimento (prorrogação) do prazo de vencimento de tributos federais e de prestações de dívida ativa da União, além da priorização na análise de restituição de créditos tributários.

Critérios de Elegibilidade

Serão consideradas elegíveis as pessoas jurídicas de direito privado que se enquadrem cumulativamente nos seguintes requisitos:

Afetadas pelas Novas Tarifas: Empresas cujas exportações para os Estados Unidos da América sejam atingidas pela ordem executiva de 30 de julho de 2025, conforme a tabela de produtos específicos a ser publicada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Isso inclui tanto exportadores diretos quanto aqueles que fornecem seus produtos a empresas comerciais exportadoras por conta e ordem.

Dependência de Exportação: Empresas cujo percentual de faturamento bruto decorrente das exportações mencionadas no item 1, apurado no período de doze meses (julho de 2024 a junho de 2025), seja igual ou superior a 5% (cinco por cento) do faturamento total no mesmo período.

A Receita Federal informa que a implementação dessas medidas será totalmente automática. A priorização da análise dos pedidos eletrônicos de restituição e ressarcimento de tributos, bem como a prorrogação dos prazos para o recolhimento de tributos federais e de parcelamentos ou transações tributárias, ocorrerá sem a necessidade de qualquer petição ou solicitação por parte dos contribuintes.

Prazos Específicos para o Diferimento (Prorrogação)

Conforme estabelecido no Art. 4º da Portaria MF 1.862, de 2025, os prazos para o recolhimento de tributos federais administrados pela RFB e de prestações de parcelamentos ou transações tributárias celebrados com a Receita Federal ou com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) serão prorrogados para as pessoas jurídicas elegíveis da seguinte forma:

– Vencimentos de 22 a 31 de agosto de 2025: Prorrogados para o último dia útil de outubro de 2025.

– Vencimentos em setembro de 2025: Prorrogados para o último dia útil de novembro de 2025.

Esta iniciativa visa mitigar os impactos financeiros diretos sobre os exportadores brasileiros, garantindo um fôlego no fluxo de caixa e contribuindo para a manutenção da competitividade no mercado internacional.

Para emissão de DARF com prorrogação automática do prazo de recolhimento, após a transmissão da DCTFWeb, o contribuinte elegível ao benefício deverá utilizar o Portal e-CAC da RFB, em consulta à sua situação fiscal, conforme roteiro abaixo.

Passo 1. Acessar o portal e-CAC no site da Receita Federal do Brasil

Passo 2. Após logar com a conta gov.br, selecionar a opção “Certidões e Situação Fiscal”.Fig. 2Fig. 2

Passo 3. Na próxima tela, selecionar a opção “Consulta Pendências – Situação Fiscal”.Fig. 3Fig. 3

Passo 4. Na próxima tela, expandir a opção “Diagnóstico Fiscal” até a opção “Conta Corrente”, selecionar os débitos que pretende pagar e clicar no botão “Emitir Daf”.Fig. 4

Exemplo de DARF gerado com vencimento prorrogado.Fig. 5Fig. 5

Alternativamente, o contribuinte poderá utilizar o sistema SicalcWeb para geração manual de um DARF para cada débito (código de receita) que pretende pagar.

Ressalta-se que, por limitações operacionais e em razão do reduzido espaço de tempo, a DCTFWeb não será atualizada para gerar DARF/DAE com prorrogação automática. Assim, caso o contribuinte seja elegível à prorrogação do prazo de vencimento, deve utilizar uma das opções citadas acima (Situação Fiscal ou SicalcWeb).

Fonte: Receita Federal

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Comércio Exterior

China sinaliza que compras de soja dos EUA dependem da remoção de tarifas

China, o maior comprador mundial de soja, ainda não reservou nenhuma carga de soja dos EUA de sua safra de outono, disseram operadores, optando pelo fornecimento vindo da América do Sul

Os Estados Unidos devem remover o que a China descreveu como tarifas irracionais e criar condições para expandir o comércio bilateral, disse um porta-voz do Ministério do Comércio chinês nesta quinta-feira (25), quando perguntado se a China compraria soja americana.

A China, o maior comprador mundial de soja, ainda não reservou nenhuma carga de soja dos EUA de sua safra de outono, disseram operadores, optando pelo fornecimento vindo da América do Sul.

Os agricultores dos EUA podem perder bilhões de dólares em vendas de soja devido às tensões comerciais não resolvidas que interromperam as exportações para a China.

Na segunda-feira (22), o negociador sênior de comércio da China, Li Chenggang, reuniu-se com líderes políticos e empresariais do Meio-Oeste dos EUA, onde a maior parte da soja norte-americana é colhida, sinalizando que a segunda maior economia do mundo poderia comprar alguns grãos de soja dos EUA antes de negociações comerciais mais abrangentes.

No entanto, a discordância em relação aos detalhes técnicos parece estar complicando as negociações, com as autoridades comerciais da China e dos EUA devendo se reunir novamente nesta quinta-feira.

“Com relação ao comércio de soja, os Estados Unidos devem tomar medidas positivas para cancelar as tarifas não razoáveis relevantes para criar condições para a expansão do comércio bilateral”, disse o porta-voz do Ministério do Comércio da China, He Yadong, em uma coletiva de imprensa.

Fonte: CNN Brasil

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Comércio Exterior

OCDE revisa para cima previsão de crescimento global, mas alerta para tarifas dos EUA

Investimentos em IA e apoio fiscal sustentam economia dos EUA, enquanto China desacelera; política monetária deve permanecer frouxa diante da desaceleração global

O crescimento global está se mantendo melhor do que o esperado, mas o impacto total do choque das tarifas de importação dos Estados Unidos ainda não foi sentido, uma vez que o investimento em inteligência artificial (IA) sustenta a atividade econômica dos EUA por enquanto, e o apoio fiscal amortece a desaceleração da China, afirmou a OCDE nesta terça-feira.

Em seu mais recente Relatório Interino de Perspectivas Econômicas, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico destacou que o impacto total dos aumentos das tarifas dos EUA ainda está se desenrolando, com as empresas até agora absorvendo grande parte do choque por meio de margens mais estreitas e estoques de segurança.

Muitas empresas estocaram produtos antes dos aumentos das tarifas do governo Trump, que elevaram a taxa efetiva dos EUA sobre as importações de mercadorias para um valor estimado em 19,5% até o final de agosto — o mais alto desde 1933, no auge da Grande Depressão.

“Os efeitos totais dessas tarifas ficarão mais claros à medida que as empresas reduzirem os estoques acumulados em resposta aos anúncios de tarifas e à medida que as taxas tarifárias mais altas continuarem a ser implementadas”, disse o diretor da OCDE, Mathias Cormann, em coletiva de imprensa.

Previsões de crescimento da OCDE para 2025 atualizadas

O crescimento econômico global deve sofrer apenas uma pequena desaceleração, de 3,3% no ano passado para 3,2% em 2025, em comparação com os 2,9% previstos pela OCDE em junho.

No entanto, a organização sediada em Paris manteve sua previsão para 2026 em 2,9%, com o impulso da formação de estoques já se dissipando e a expectativa de que tarifas mais altas pesem sobre o crescimento do investimento e do comércio.

“Aumentos adicionais nas barreiras ao comércio ou incerteza prolongada podem reduzir o crescimento, aumentando os custos de produção e pesando sobre o investimento e o consumo”, afirmou Cormann.

A OCDE prevê que o crescimento econômico dos EUA desacelerará para 1,8% em 2025 — acima dos 1,6% previstos em junho — após crescimento de 2,8% no ano passado. A estimativa para 2026 permanece em 1,5%.

Um boom de investimentos em IA, apoio fiscal e cortes nas taxas de juros pelo Federal Reserve devem ajudar a compensar o impacto das tarifas mais altas, a queda na imigração e os cortes de funcionários federais, segundo a OCDE.

Na China, o crescimento também deve desacelerar no segundo semestre, à medida que a corrida para enviar exportações antes da implementação das tarifas dos EUA e o apoio fiscal perdem força.

No entanto, espera-se que a economia chinesa cresça 4,9% este ano — acima dos 4,7% previstos em junho — antes de desacelerar para 4,4% em 2026, revisado para cima em relação aos 4,3% anteriores.

Na zona do euro, as tensões comerciais e geopolíticas devem compensar o impulso das taxas de juros mais baixas, segundo a OCDE.

A estimativa para a economia do bloco é de crescimento de 1,2% este ano — revisado de 1,0% anteriormente — e 1,0% em 2026 — de 1,2% — à medida que o aumento dos gastos públicos na Alemanha eleva o crescimento, enquanto o aperto fiscal pesa sobre França e Itália.

Para o Brasil, a OCDE estimou expansão de 2,3% este ano e de 1,7% em 2026, ante 2,1% e 1,6% respectivamente previstos em junho.

Política monetária deverá ser frouxa

Com a desaceleração do crescimento, a OCDE espera que a maioria dos principais bancos centrais reduza os custos de empréstimos ou mantenha a política monetária frouxa ao longo do próximo ano, desde que as pressões inflacionárias continuem a diminuir.

A OCDE projetou que o Federal Reserve reduzirá ainda mais os juros à medida que o mercado de trabalho enfraqueça — a menos que tarifas mais altas desencadeiem uma inflação mais ampla.

Fonte: InfoMoney

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Comércio Exterior

Brasileiros pagaram menos por legumes, carnes e ovos após tarifas dos EUA; entenda

Estudo aponta maior oferta dos produtos para o mercado brasileiro em meio às exportações em queda

Os brasileiros pagaram menos no mês de agosto por produtos listados nas tarifas de exportação dos Estados Unidos. Ovos e carne vermelha, por exemplo, apresentaram queda de 4% e 3,4%, respectivamente, nos preços ao consumidor.

Já a categoria de legumes apresentou a maior queda do período, com preços que caíram mais de 6,7%. É o que indica o estudo “Variações de Preços: Brasil & Regiões”, da Neogrid, divulgada com exclusividade ao InfoMoney.

No caso dos legumes, além das melhores condições climáticas que favoreceram as plantações, a maior oferta interna causada pelo tarifaço de Donald Trump também foi um fator importante para a redução dos preços.

As taxas de 50% sobre importações brasileiras aplicadas pelos EUA afetaram diretamente os produtores dos itens na mira de Trump, mas aliviaram o bolso dos consumidores brasileiros, em certa medida.

Entre os produtos de origem animal, por sua vez, o quilo dos cortes bovinos passaram de R$ 38,07 em julho para R$ 36,77 em agosto — o que representa queda de 3,4% —, enquanto a carne suína caiu de R$ 19,45 para R$ 18,87 — ou seja, recuo de 3%. O preço da farinha de mandioca também registrou baixa de 2,5%.

“Como os Estados Unidos são um dos maiores compradores de carnes e derivados de soja do Brasil, o ‘tarifaço’ reduziu o volume exportado, o que elevou a oferta interna e pressionou os preços para baixo nessas categorias”, explica Anna Carolina Fercher, líder de Dados Estratégicos na Neogrid.

Fercher afirma que o efeito não fica restrito à balança comercial, pois impacta diretamente o carrinho de compras dos brasileiros. “Para os próximos meses, a expectativa é de que os preços permaneçam estáveis, refletindo uma inflação mais controlada. No entanto, o mercado segue sensível a fatores como safra, logística e câmbio”, analisa.

Produtos com aumento de preços

Em contrapartida, outras categorias registraram alta durante o período analisado, como visto para o creme dental (+1,9%), margarina (+1,7%), óleo de soja (+1,6%) e sal (+1,6%). A cerveja também apresentou elevação de 1,2%, com preço médio de R$ 13,21.

O café (em pó e em grãos) continua como líder na maior alta de preços considerando o acumulado de dezembro de 2024 até agosto de 2025.

O preço médio por quilo de café subiu de R$ 53,58 em dezembro do ano passado para R$ 73,75 em agosto deste ano, apresentando variação de 37,6%.

Na comparação anual, outros produtos que registraram aumentos foram margarina (6,3%), creme dental (5,7%), pão (2,1%) e refrigerantes (1,3%).

Fonte: InfoMoney

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Portos

APS recorre contra desconto de 34,6% em tarifas no Porto de Santos

A Autoridade Portuária de Santos (APS) entrou com recurso contra a decisão da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), que determinou a aplicação de um desconto linear de 34,6% nas tarifas da chamada Tabela III do Porto de Santos.

Conforme A Tribuna publicou no último dia 11, a medida havia sido imposta pela agência reguladora após representação feita pelo Sindicato dos Operadores Portuários do Estado de São Paulo (Sopesp), que questionou o não cumprimento de obras prometidas pela estatal.

O recurso, protocolado na quinta-feira, foi na forma de embargos de declaração. Esse instrumento jurídico é usado quando a parte entende que uma decisão contém omissões, contradições ou pontos obscuros que precisam ser esclarecidos. No pedido, a APS alega que a decisão da Antaq apresenta falhas em pontos centrais e pede que a diretoria da agência reveja os termos da determinação.

A Tabela III corresponde às tarifas cobradas pela utilização da infraestrutura terrestre do Porto, como pátios e vias de acesso. A cobrança dessa tabela é destinada a custear investimentos em obras e melhorias nessas áreas. Justamente por não ter realizado parte das obras previstas, a Autoridade Portuária foi obrigada pela Antaq a conceder o desconto nas cobranças até a conclusão da revisão tarifária extraordinária em andamento.

Argumentos

Entre os argumentos apresentados no recurso, a APS questiona a abrangência do desconto, afirmando que a medida não deixou claro se a redução beneficia apenas os associados do Sopesp ou todos os usuários do Porto. A estatal também contesta a vigência imediata da medida, alegando que a própria regulação da Antaq estabelece prazo mínimo de dez dias antes da entrada em vigor de qualquer alteração tarifária.

Outro ponto levantado pela gestora do Porto é a “ausência de fundamentação quanto à competência da Antaq para impor unilateralmente descontos tarifários”. Para a APS, a decisão impôs um percentual sem base na metodologia tarifária.

A empresa também sustenta que os investimentos não realizados corresponderiam a cerca de 8% do valor das tarifas, e não aos 34,6% fixados. Alega, ainda, que já havia adotado medidas de alívio, como a não aplicação de reajustes baseados no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado desde 2021, além de descontos comerciais e fatores de incentivo.

“O somatório desses elementos demonstra que, mesmo antes da imposição do desconto de 34,6%, a APS já promovia abatimentos equivalentes a aproximadamente 36% (20,5% relativos ao não repasse da inflação, mais 8% de descontos vigentes e cerca de 8% pelo IESP — Índice de Eficiência e Sustentabilidade Portuária)”, ressalta a companhia, sustentando que a determinação da agência reguladora impõe duplicidade de abatimentos.

No recurso, a empresa solicita efeito suspensivo da decisão até julgamento definitivo da diretoria colegiada da Antaq. A APS estima que, entre setembro e dezembro de 2025, a medida reduziria sua receita em R$ 29,1 milhões, comprometendo investimentos e o custeio de despesas correntes. Caso o pedido não seja aceito, a estatal requer que os associados do Sopesp sejam obrigados a depositar em juízo os valores correspondentes ao desconto, como caução.

Em nota, a Antaq explica que o Acórdão 559-2025 aplicou um desconto linear de 34,6% na tarifa “até que seja finalizada a revisão tarifária extraordinária, que está em andamento na Agência”. E que, ao término da revisão, “serão propostos, com a anuência da APS, novos valores para o tarifário do Porto de Santos” a serem aprovados pela diretoria da agência.

Redução da Receita

A cobrança da Tabela III destina-se a custear investimentos em obras e melhorias. Como parte das obras previstas não foi realizada, a Autoridade Portuária de Santos (APS) foi obrigada pela Antaq a conceder o desconto. A APS estima que, entre setembro e dezembro de 2025, o desconto reduzirá sua receita em R$ 29,1 milhões, fazendo a Tabela III cair de R$ 76,4 milhões para R$ 47,3 milhões, comprometendo investimentos, custeio de despesas e a sustentabilidade financeira da companhia.

Fonte: A Tribuna

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Comércio Exterior

Argentina suspende imposto de exportação sobre grãos até 31 de outubro

O governo da Argentina anunciou, nesta segunda-feira (22), que zerou as retenciones (imposto de exportação) para os grãos e derivados até o dia 31 de outubro. A medida foi informada pelo porta-voz da presidência, Manuel Adorni e visa “gerar uma maior oferta de dólares durante este período”.

A decisão afeta o comércio de soja, milho, trigo e girassol.

“A velha política busca gerar incerteza para boicotar o programa do governo. Com isso, pune o povo argentino: não permitiremos isso”, escreveu Ardoni na rede social X.

A expectativa oficial é que o setor agrícola acelere as vendas externas, o que se traduzirá em uma maior entrada de dólares no Banco Central, que está sob pressão há semanas devido à falta de reservas.

Em julho, o presidente argentino Javier Milei já havia reduzido o imposto sobre as exportações de carne bovina e de frango de 6,75% para 5%. Para o milho e o sorgo, a taxa foi de 12% para 9,3%. No caso do girassol, as retenciones passaram de 7,5% e 5% para, respectivamente, 5,5% e 4%. Já a soja, principal produto de exportação da Argentina, a alíquota foi reduzida de 33% para 26% e os subprodutos, de 31% para 24,5%.

Fonte: Globo Rural

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Comércio Exterior

Tarifaço: Governo muda regra de linhas emergenciais para reduzir penalização a exportadores

O Conselho Monetário Nacional (CMN) alterou resolução de agosto de 2025 que regulamentava as linhas de financiamento emergenciais com recursos do Fundo de Garantia à Exportação (FGE), voltadas a socorrer as empresas afetadas pelo tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.

As mudanças foram aprovadas em reunião extraordinária do CMN realizada nesta sexta-feira, 19, e, segundo comunicado do Ministério da Fazenda, têm como objetivo “corrigir imprecisões normativas”.

A Pasta disse que as alterações evitam dupla penalização de empresas beneficiadas em caso de descumprimento simultâneo dos compromissos de manutenção de empregos e de exportação, “o que poderia gerar penalização excessiva e desproporcional, além de riscos de judicialização”.

Após a alteração na resolução, foi mantida a penalidade de 2% ao ano sobre a diferença entre o valor financiado e o efetivamente exportado para mutuários com faturamento atingido em mais de 20% pelas tarifas adicionais. Por outro lado, a penalidade para mutuários com 5% a 20% do faturamento atingido pelas tarifas foi reduzida de Selic (15% ao ano) para 8% ao ano.

De acordo com a Fazenda, as penalidades definidas na resolução são pouco inferiores à praticada pelo BNDES em linhas de financiamentos de pré-embarque em caso de não comprovado o compromisso de exportação.

“A menor penalidade se justifica pelo contexto emergencial dos exportadores afetados pelas tarifas de 50%, que ainda terão incentivo ao cumprimento das metas de exportação, porém sem arcar com custos desproporcionais”, informou a Fazenda.

O texto também deixa explícito que as penalidades incidem desde a contratação do financiamento até a data da última amortização prevista ou da liquidação antecipada, o que seria um alinhamento às boas práticas do BNDES em linhas de pré-embarque.

Por fim, o governo sustentou que as alterações trazem maior proporcionalidade e segurança jurídica às regras das linhas emergenciais do FGE, incentivando a adesão das empresas atingidas pelas tarifas adicionais às linhas de crédito e estimulando a diversificação de mercados.

A resolução entra em vigor na data de sua publicação.

O socorro às companhias brasileiras afetadas pelas tarifas americanas soma R$ 40 bilhões em crédito, sendo R$ 30 bilhões com recursos do Fundo Garantidor de Exportações (FGE) e R$ 10 bilhões do próprio BNDES.

Os recursos estão disponíveis em linhas para financiamento a capital de giro e a investimentos em adaptação da atividade produtiva, aquisição de máquinas e equipamentos e busca de novos mercados.

Fonte: Estadão

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Comércio Exterior

Acordo União Europeia–Mercosul elimina tarifas em 91% dos produtos e transforma Brasil em fornecedor estratégico de alimentos

acordo União Europeia–Mercosul marca um dos maiores avanços comerciais das últimas décadas, eliminando tarifas em 91% dos produtos negociados entre os blocos. Para o Brasil, o impacto é direto: além de consolidar-se como fornecedor essencial de alimentos para a Europa, o país ganha espaço em um mercado altamente competitivo e exigente.

De acordo com analistas, esse tratado altera de forma significativa a dinâmica geopolítica do comércio global. A Europa busca reduzir sua dependência dos Estados Unidos e da China, enquanto o Mercosul garante maior estabilidade para seus principais produtos, especialmente carne, soja, açúcar e café.

Por que o acordo representa uma mudança histórica

O acordo União Europeia–Mercosul vinha sendo negociado há mais de 20 anos e enfrentava resistências internas, sobretudo da França, devido às preocupações ambientais e com a concorrência agrícola. A decisão de Bruxelas de abrir mão de barreiras tarifárias agrícolas em larga escala representa um tabu quebrado e demonstra a urgência em diversificar fornecedores diante da crise energética e das tensões comerciais globais.

Para o Brasil, que sozinho responde por cerca de 75% do PIB do Mercosul, o tratado amplia o acesso a um dos mercados mais ricos do mundo. Produtos como carne bovina, aves, arroz, mel, açúcar e derivados terão novas cotas de exportação, muitas delas com tarifas reduzidas ou até isentas.

Ganhos europeus e reação de agricultores locais

Do lado europeu, a grande conquista está na abertura do mercado sul-americano para setores estratégicos.

Carros, peças automotivas, máquinas industriais e produtos químicos terão tarifas reduzidas, o que pode recuperar parte do espaço perdido para a China no Brasil.

Para a indústria automotiva alemã, por exemplo, o acordo é visto como um movimento essencial diante da crescente presença de fabricantes chineses como a BYD.

Apesar do otimismo, agricultores europeus denunciam concorrência desleal. Eles alegam que os custos de produção no Brasil são menores e que as regras ambientais são menos rígidas.

Ainda assim, o cálculo político em Bruxelas foi claro: a necessidade de estabilidade econômica e de novos parceiros pesou mais do que as pressões internas.

O papel estratégico do Brasil no novo cenário

Mais do que apenas números de exportação, o tratado reposiciona o Brasil como ator central na segurança alimentar europeia.

A União Europeia passa a contar com o país como fornecedor confiável em um momento de instabilidade global.

Em contrapartida, abre portas para sua indústria avançada, reforçando a lógica de interdependência econômica.

A parceria também tem um componente geopolítico. Ao estreitar relações com o Mercosul, a Europa reduz sua vulnerabilidade em relação aos Estados Unidos e à China, criando um novo eixo de cooperação com a América do Sul.

Esse movimento pode redefinir fluxos de comércio globais nos próximos anos.

O acordo União Europeia–Mercosul é um divisor de águas para os dois blocos.

Para o Brasil, significa consolidar seu papel como potência agrícola mundial e fortalecer sua relevância estratégica.

Para a Europa, abre espaço para sua indústria e cria alternativas diante da crise de confiança nas relações com Washington e Pequim.

Fonte: Click Petróleo e Gás

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Economia

Projeção da Selic acumulada 2025 passa de 14,25% para 14,30%

A revisão consta do Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias

Os ministérios do Planejamento e da Fazenda aumentaram a projeção para a taxa Selic acumulada em 2025, de 14,25% para 14,30%. A revisão consta do Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias do quarto bimestre.

Na sua mais recente reunião, da última quarta-feira, 17, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve a taxa básica de juros em 15,0% ao ano, e afirmou que avalia se a manutenção da Selic neste nível por período “bastante prolongado” é suficiente para levar o IPCA à meta.

A projeção para o câmbio médio deste ano passou de R$ 5,70 para R$ 5,63. A previsão para a alta da massa salarial nominal passou de 12,08% para 12,11%. Já a estimativa para o preço médio do barril de petróleo no mercado internacional passou de US$ 68,38 para US$ 69,58.

No último dia 11, a Fazenda diminuiu a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2025, de 2,5% para 2,3%. A previsão para o IPCA passou de 4,9% para 4,8%, ainda acima do teto da meta, de 4,5%. A estimativa para a inflação medida pelo INPC, que é usado para corrigir o salário mínimo, permaneceu em 4,7%.

Fonte: Estadão Conteúdo

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Industria

Indústrias de SC demitem em massa após tarifaço e tentam se reinventar em meio à crise

Negócios começaram a derreter com o anúncio da taxação para o Brasil, feito no dia 9 de julho

O ano de 2025 entrou para a história como o que impôs o pior e mais inimaginável desafio aos exportadores de Santa Catarina e do Brasil: enfrentar um tarifaço de 50% para vender aos Estados Unidos, o maior mercado externo catarinense e o segundo brasileiro, por um motivo de polarização política. Os negócios começaram a derreter com o anúncio da taxação para o Brasil, feito no dia 9 de julho, e seguiram com a entrada em vigor da mesma em 6 de agosto.

Apesar de o governo americano ter anunciado uma lista de isenções de aproximadamente 700 produtos, quase nenhum deles é exportado por SC ao país. A economia do estado está tendo que enfrentar o problema em cheio. A lista de setores afetados inclui madeira, móveis, veículos, autopeças, máquinas e equipamentos, alimentos, produtos químicos, materiais de construção, papel e equipamentos de transporte, entre outros.

O mais afetado é o de madeira e móveis, que teve como um dos pontos mais críticos até agora as demissões de quase 400 trabalhadores pela fabricante de móveis Artefama, de São Bento do Sul, na última quarta-feira (17). Ela anunciou uma reestruturação para se ajustar ao tarifaço. Além disso, duas empresas de madeiras de SC foram fechadas — mas o setor não informou quais foram.

Desde o anúncio de Donald Trump, cada empresa tentou ser resiliente a seu modo, antecipando vendas e entregas e ajustando preços. Agora, o continua com esforços para redução de preços no Brasil e junto aos clientes dos EUA, lobby em Washington para reduzir a tarifa por setor ou empresa, corte de custos portuários, linhas de crédito, busca de novos mercados e outras medidas.

Isso porque, até o momento, não há sinais de que poderá haver um acordo entre os governos dos dois países, ainda mais após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro — a verdadeira motivação da taxação de 50%. Por isso, todas as ações dos exportadores de SC não consideram um acordo próximo. Um grupo, como o de produtores de mel no Sul do Estado, espera que a Suprema Corte dos EUA derrube as tarifas e até mesmo force o governo Trump a devolver o que está sendo cobrado. Mas a realidade da crise vai aparecendo gradativamente, pois não existem sinais de que Trump esteja disposto a negociar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Na Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), o presidente a entidade, Gilberto Seleme, também acionista de um grupo empresarial exportador, lidera a busca de alternativas para que os setores resistam a esses primeiros meses e sigam vendendo para os EUA, visando redução de tarifas mais adiante. O líder da Fiesc é um dos mais atentos à luta pela redução de custos onde for possível, incluindo até a redução de tarifas portuárias.

A análise, tanto de Seleme quanto do economista-chefe da Fiesc, Pablo Bittencourt, é que nos primeiros meses as estatísticas não refletem muito a realidade porque muitas empresas adiantaram exportações aos EUA. No setor que mostrou estar sofrendo mais, o de madeira e móveis, o saldo de empregos em julho ficou negativo em 581 postos de trabalho com carteira assinada, segundo o Caged, do Ministério do Trabalho. Agora, em setembro, houve a decisão da Artefama e do fechamento de duas empresas.

A maior cidade de SC, Joinville, encerrou mais de 800 empregos na indústria em julho, mas esse recuo, segundo análises, foi mais em função dos juros altos do que devido ao tarifaço. Este mês, os impactos, segundo informações não oficiais, estão ocorrendo mais em função da redução de atividades devido ao tarifaço.

Sobre as duas empresas de madeira que fecharam, a Fiesc recebeu informações de que elas não tinham matéria-prima própria. O custo de comprar de terceiros ficou caro demais.

Recuo das exportações é evidência da crise

O dado que mostrou com mais evidência o impacto do tarifaço de 50% dos Estados Unidos até agora foi a queda de 19,5% das exportações catarinenses em agosto frente ao mesmo mês de 2024. Isso apesar de as vendas de SC ao mercado americano já estarem em queda gradativa desde o final de 2024. Já sentiam os riscos da promessa do presidente Donald Trump de adotar restrições a importações e, depois, iniciar a taxação com alíquota de 10% em abril deste ano.

Em meio a esforços para vender mais e a suspensão de pedidos, os EUA seguiram em agosto como o maior destino das exportações do estado, com receita de 119,2 milhões de dólares, 12,3% do total obtido lá fora. Mas foi um resultado sofrido, com queda de vendas dos principais produtos.Mesmo assim, apesar do início do tarifaço, SC fechou o mês com receita de 971,4 milhões de dólares nas vendas externas — crescimento de 1,54% frente ao mesmo mês do ano passado. O resultado positivo foi alcançado graças a mais vendas para outros mercados: as maiores altas foram para o México (+47%), Chile (+30,9%) e Argentina (+21,7%), apurou o Observatório Fiesc.

De janeiro a agosto, os resultados de SC também foram positivos na balança comercial. Houve crescimento de 5,9% no faturamento de exportações frente ao mesmo período de 2024, somando 7,94 bilhões de dólares. O produto que mais colaborou para esse resultado foi proteína de ave, com alta de 8,1% e receita total no ano de 1,44 bilhão de dólares. No ano, os Estados Unidos também foram o principal destino das exportações de SC. Elas somaram 1,1 bilhão de dólares, com recuo de 1,3%, e responderam por 14,2% do total. A partir de agora, todo mês será uma incógnita, com resultados diferentes.

Maior desafio é no setor de madeira e móveis

Desde que o presidente Trump iniciou as ameaças de elevar tarifas de importações, lideranças de Santa Catarina sempre reconheceram que o maior desafio seria enfrentado pelo setor de madeira e móveis. Isso por ter boa parte de commodity, ter maior concorrência no exterior e por representar quantidade relevante. Em 2024, esse setor respondeu por 44% das exportações de SC ao mercado americano, com 768,3 milhões de dólares.

— Estamos vendo que o exportador de madeira e móveis que tem floresta própria está conseguindo lidar com o preço mais alto. Como a matéria-prima é própria, consegue atribuir um preço mais baixo para a madeira e, assim, está conseguindo negociar e manter clientes. Quem não tem essa alternativa, está sofrendo – observa o economista-chefe da Fiesc, Pablo Bittencourt.

De acordo com o economista, outro obstáculo é que a concorrência asiática já vinha crescendo frente ao Brasil nesse setor, no mercado americano

— Mas os exportadores também estão se mobilizando e buscando outros mercados. Muitos produtores estão voltando a buscar antigos clientes na Europa. Porque nos EUA pagava-se melhor. Então, eles tinham um cliente cativo e acabaram se acostumando a colocar todos os ovos numa cesta só. Agora, estão voltando a buscar clientes que pagavam menos e faziam compras menores – destaca Bittencourt.

Pacote “desTarifaço” ajuda

Após o anúncio de medidas governamentais para amenizar a crise, a Fiesc também lançou o seu pacote, denominado desTarifaço. A série de medidas inclui consultoria gratuita, ajuda para conquistar novos mercados, lobby nos Estados Unidos, apoio a trabalhadores e outras ações.

Para as lideranças da Fiesc, tanto o presidente Gilberto Seleme quanto o primeiro vice-presidente André Odebrecht, se existe um setor que pode conseguir redução de tarifa sensibilizando o governo americano é o de madeira. Isso porque é grande a quantidade de madeira brasileira usada na construção civil e, com 50% de taxa, isso vai encarecer os imóveis por lá. O setor recebendo atenção especial e, há confiança de que poderá seguir vendendo aos EUA.

Seleme fez questão de citar uma série de medidas com esse foco. As exportações de SC estão conseguindo reduzir o preço da madeira, os importadores dos EUA decidiram reduzir um pouco seus preços, existe o incentivo do Reintegra (lei brasileira) e os portos de SC reduziram as tarifas para movimentar cargas. Somando tudo isso, dá uma redução de quase 25% no preço, o que coloca SC competitiva frente aos fornecedores asiáticos. Outra novidade para a entidade é o investimento em presença na capital americana, Washington, com um escritório especializado para fazer lobby. Essa é uma atividade legal nos EUA e a indústria de SC entendeu como necessária.

Além disso, entre as ações do desTarifaço da Fiesc para ajudar as empresas estão missões no exterior para buscar novos clientes. Quem está coordenando isso é a presidente da Câmara de Comércio Exterior da entidade, Maria Teresa Bustamante. Uma missão será realizada em novembro para a Argentina, aproveitando uma exposição internacional na capital, Buenos Aires.

Fonte: NSC Total

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