Comércio Exterior

Senadores dos EUA propõem suspender tarifas da era Trump sobre o Brasil

Um grupo de cinco senadores dos EUA apresentou um projeto de lei na quinta-feira (18) para cancelar as tarifas impostas pelo presidente Donald Trump sobre produtos brasileiros.

“O tarifas do presidente Trump sobre produtos brasileiros, que ele impôs para tentar barrar a acusação no Brasil contra um de seus amigos, são ultrajantes”, disse o senador Tim Kaine, democrata da Virgínia.

A proposta também foi assinada pelo líder da minoria no Senado, Chuck Schumer, pelos democratas Jeanne Shaheen e Ron Wyden, e pelo republicano Rand Paul, membro do próprio partido de Trump.

Em julho, Trump anunciou uma tarifa retaliatória de 50% sobre produtos brasileiros em resposta ao que chamou de “caça às bruxas” do Supremo Tribunal Federal (STF) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados próximos, condenados na semana passada por liderarem a tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023.

A maior parte da alíquota efetiva de 40% foi imposta com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), que dá ao presidente dos EUA autoridade para regular a atividade econômica em resposta a “ameaças extraordinárias”.

O senador Kaine afirmou que a medida faz parte “dessas guerras comerciais incompetentes e caóticas que estão tornando bens do dia a dia mais caros para os americanos que só estão tentando se virar”.

“Quando esta legislação chegar ao plenário do Senado, peço aos meus colegas de ambos os lados que defendam o princípio de que nossa política econômica deve ser elaborada em função dos melhores interesses dos americanos — não de vendetas pessoais mesquinhas”, disse ele.

O senador Schumer ecoou o colega democrata, argumentando que Trump está usando a política comercial para avançar sua agenda política.

“Trump instituiu a falsa ‘declaração de emergência’ após a acusação de seu aliado, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em uma clara extrapolação de seus poderes presidenciais. Os americanos não merecem que Trump faça política com seu sustento e seu bolso”, disse Schumer.

Até mesmo o senador Paul, que concorda com Trump que Bolsonaro está sendo perseguido politicamente, disse que o presidente dos EUA extrapolou sua autoridade ao usar a IEEPA para impor tarifas.

“O presidente dos Estados Unidos não tem autoridade sob a IEEPA para impor tarifas unilateralmente. A política comercial pertence ao Congresso, não à Casa Branca”, argumentou Paul.

Os senadores enfatizaram os fortes laços comerciais entre os dois países, destacando que os EUA têm superávit comercial com o Brasil e que o comércio bilateral sustenta cerca de 130 mil empregos americanos.

Uma guerra comercial mais profunda, alertaram, aumentaria os preços para os consumidores americanos, prejudicaria ambas as economias e aproximaria o Brasil da China.

Enquanto isso, a Suprema Corte dos EUA está analisando — em caráter acelerado — um recurso do governo contra a decisão de um tribunal inferior que concluiu que Trump excedeu sua autoridade ao impor a maior parte das tarifas com base na lei de poderes emergenciais. As tarifas permanecem em vigor enquanto o caso tramita na Justiça.

A decisão do tribunal de apelações decorre de dois processos. Um foi movido por cinco pequenas empresas importadoras de mercadorias, incluindo um importador de vinhos e licores com sede em Nova York e uma empresa de artigos de pesca da Pensilvânia.

O outro foi aberto por 12 estados norte-americanos — Arizona, Colorado, Connecticut, Delaware, Illinois, Maine, Minnesota, Nevada, Novo México, Nova York, Oregon e Vermont, a maioria governados por democratas.

A Suprema Corte também concordou em analisar um terceiro caso movido pela Learning Resources, uma empresa familiar de brinquedos.

Fonte: Valor International

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Exportação

Exportações de alimentos caem em agosto por causa de tarifaço dos EUA

Açúcares, proteínas e preparações alimentícias foram os mais afetados

Balanço da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) registrou queda de US$ 300 milhões na exportação de alimentos industrializados em agosto, equivalente a redução de 4,8% em com comparação a julho.

Segundo o levantamento, as exportações somaram US$ 5,9 bilhões em agosto. Deste volume, US$ 332,7 milhões para os Estados Unidos, o que representa uma queda de 27,7% em relação a julho e de 19,9% na comparação com agosto de 2024.

O resultado reflete o aumento das tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros, além da antecipação dos embarques em julho antes da entrada em vigor da taxação.

Em julho, os EUA haviam importado US$ 460,1 milhões em alimentos industrializados do Brasil.

Os produtos mais afetados para os EUA foram açúcares (recuo de 69,5% em agosto na comparação com julho), proteínas animais (- 45,8%) e preparações alimentícias (- 37,5%)

O desempenho das exportações nos dois últimos meses evidencia uma inflexão clara: o crescimento expressivo de julho foi seguido por ajuste em agosto, sobretudo nos EUA, impactados pela nova tarifa, enquanto a China reforçou seu papel como mercado âncora”, analisa João Dornellas, presidente executivo da ABIA, em nota. Para o representante, a queda observada em agosto mostra que o país precisa diversificar seus parceiros comerciais e aumentar sua capacidade de negociação.

A queda para o mercado norte-americano coincidiu com um aumento substancial das vendas para o México, que comprou um total de US$ 221,15 milhões (3,8% do total), principalmente de proteínas animais. 

“O avanço do México, que coincide com a retração das vendas aos Estados Unidos, indica um possível redirecionamento de fluxos e a abertura de novas rotas comerciais, movimento que ainda requer monitoramento para identificar se terá caráter estrutural ou apenas conjuntural”, explica a nota da associação.

No total, os mexicanos compraram 43% a mais de produtores brasileiros em agosto, sendo o mercado que mais aumentou a participação no período. 

perspectiva é que o impacto mais expressivo seja sentido no acumulado do ano. Segundo a ABIA, a estimativa é de que as vendas de alimentos atingidos pelo tarifaço para o mercado norte-americano acumulem, entre agosto e dezembro, queda de 80%, com perda acumulada de US$ 1,351 bilhão. 

China

A China, maior comprador de alimentos industrializados, adquiriu US$ 1,32 bilhão em produtos, alta de 10,9% em relação a julho e de 51%, em relação a agosto de 2024.  A fatia chinesa representa 22,4% do total exportado em agosto deste ano.

O mercado externo representa 28% do faturamento do setor.

Já os países da Liga Árabe reduziram em 5,2% as compras em agosto em relação a julho, que somaram US$ 838,4 milhões. A União Europeia importou US$ 657 milhões em alimentos, redução de 14,8% sobre julho e de 24,6% quando comparado com agosto de 2024.   

De janeiro a julho de 2025, as exportações gerais totalizaram US$ 36,44 bilhões, representando uma queda de 0,3% no mesmo período de 2024, em razão da diminuição de produção do açúcar na entressafra. 

Suco de laranja

Setor que não foi taxado, a indústria de suco de laranja teve crescimento de 6,8% em agosto em relação ao mesmo mês do ano passado, e queda de 11% frente a julho, em razão da antecipação de embarques.

Empregos no setor 

A indústria de alimentos registrou, em julho, 2,114 milhões de postos de trabalho formais e diretos. No comparativo interanual, foram criados, de julho de 2024 a julho de 2025, 67,1 mil novas vagas, o que representou um crescimento de 3,3%.

Neste ano, foram 39,7 mil empregos diretos novos e outros 159 mil postos abertos na cadeia produtiva, em setores como agricultura, pecuária, embalagens, máquinas e equipamentos.

Fonte: Agência Brasil

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Industria

BNDES começa hoje a liberar crédito para indústrias afetadas pelo tarifaço

Linhas estão abertas e funcionando. Empresas podem procurar seus agentes financeiros ou o próprio BNDES, informou o diretor do Banco, José Luis Gordon, durante reunião na FIESC

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) começa hoje a liberar as linhas de crédito para indústrias exportadoras afetadas pelo tarifaço. “Convido os empresários a já procurarem seus agentes financeiros ou o próprio BNDES porque as linhas já estão abertas e funcionando. Esse é o principal recado”, afirmou o diretor de desenvolvimento produtivo, inovação e comércio exterior do Banco, José Luis Gordon. Ele participou de encontro na Federação das Indústrias (FIESC), nesta quarta-feira, dia 17, e junto com técnicos do Banco apresentou detalhes operacionais de como as empresas podem acessar as linhas e as condições de acesso.

“Esse encontro foi muito importante porque as indústrias afetadas pelo tarifaço tiveram a oportunidade de conhecer as linhas de crédito e tirar dúvidas. Santa Catarina foi muito atingida, e o Plano Brasil Soberano veio numa boa hora e vai aliviar um pouco esse baque que o empresário catarinense teve”, afirmou o presidente da FIESC, Gilberto Seleme.

São R$ 40 bilhões em crédito no âmbito do Plano Brasil Soberano, dos quais R$ 30 bilhões do Fundo Garantidor de Exportações (FGE) e R$ 10 bilhões em recursos do próprio Banco. Os recursos vão financiar capital de giro e investimentos em adaptação da atividade produtiva, aquisição de máquinas e equipamentos e busca de novos mercados. Terão acesso aos recursos do FGE empresas de todos os portes que foram impactadas pela tarifa de 50% e cujo faturamento bruto com exportações aos Estados Unidos seja igual ou superior a 5% do total apurado entre julho de 2024 e junho de 2025.

Serão ofertadas quatro linhas de crédito com recursos do FGE: Capital de Giro (financiamento de gastos operacionais), Giro Diversificação (busca de novos mercados), Bens de Capital (aquisição de máquinas e equipamentos) e Investimento (inovação tecnológica, adaptação da atividade produtiva, de produtos, de serviços e de processos, e adensamento da cadeia produtiva). Os financiamentos serão realizados com cláusula contratual de compromisso de manutenção de empregos.

“Queremos viabilizar que os exportadores brasileiros consigam manter a atividade econômica, preservar e gerar empregos, diversificar mercados internacionais e modernizar e fazer a adaptação produtiva”, explicou Lívia dos Reis Rocha, superintendente de comércio exterior do BNDES.

Na reunião, técnicos do BNDES também apresentaram o Crédito Indústria 4.0, voltado para modernizar o parque industrial. São R$ 10 bilhões via BNDES e outros R$ 2 bilhões por meio da FINEP. A linha está aberta a empresas de qualquer porte. “A indústria é central para a agenda de desenvolvimento do país”, declarou Gordon.

Fonte: FIESC

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Comércio Exterior

Tarifaço: indústria nacional de madeira demite 4 mil pessoas e coloca 5,5 mil em férias coletivas

Um mês e uma semana após a entrada em vigor do tarifaço de 50% imposto por Donald Trump sobre produtos brasileiros, fabricantes de molduras, itens de marcenaria e madeira processada — que têm no mercado americano seu principal destino — já registraram 4 mil demissões, colocaram 5,5 mil funcionários em férias coletivas e suspenderam temporariamente o contrato de 1,1 mil trabalhadores, segundo levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci).

O setor emprega diretamente 180 mil pessoas no País e a maior parte dos fabricantes afetados pela sobretaxa está nos Estados do Sul, Paraná e Santa Catarina, sobretudo em pequenos municípios. Caso o tarifaço continue, a entidade prevê mais 4,5 mil demissões nos próximos 60 dias.

Segundo a Abimci, os cortes no emprego refletem a retração nas exportações de madeira industrializada para os EUA. Após o anúncio do tarifaço em julho, diz a entidade, os contratos e os embarques começaram a ser cancelados. Também houve queda no fechamento de novos contratos.

Exportações despencam

O resultado do tarifaço é que as exportações de alguns dos principais produtos de madeira processada para os Estados Unidos em agosto despencaram. Caíram entre 35% e 50% na comparação com julho, informa a entidade.

Paulo Pupo, superintendente da Abimci, diz que a entidade foi inúmeras vezes a Brasília para participar de reuniões como ministro da Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, que sempre demonstrou boa vontade, mas não houve ação efetiva para reverter a situação.

Puppo diz que o setor espera que tratativas ocorram em regime de urgência, porque é função do governo federal estar à frente nas negociações das tarifas, uma vez que é muito difícil o setor fazer inclusões nas ordens executivas. “É de responsabilidade do governo federal o avançar (nas negociações) para estacar o grande número de demissões que estamos tendo.”

No ano passado, os Estados Unidos importaram US$ 1,6 bilhão de madeira industrializada. Nesse grupo existem produtos para finalidades diferentes na construção civil, como compensado laminado, moldura muito usada nas casas americanas, madeira serrada para cerca, pellets, portas e pisos, por exemplo.

Os EUA concentram, em média, 50% das compras da produção nacional. Em alguns segmentos, a dependência é ainda maior, com 100% das vendas voltadas exclusivamente ao mercado americano.

Fonte: Estadão

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Comércio Exterior

Análise: Governo precisa de cautela em ajuda a afetados pelo tarifaço

A CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado Federal aprovou, nesta terça-feira (16), um projeto que expandi o auxílio governamental aos exportadores brasileiros impactados pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos. A medida requer uma análise criteriosa devido às limitações orçamentárias do governo. A análise é de Fernando Nakagawa no Bastidores CNN.

Setores mais vulneráveis da economia brasileira, como produtores de frutas do Vale do São Francisco e apicultores do Ceará e Piauí, já contam com linhas de crédito emergenciais a juros reduzidos.

Enquanto isso, os segmentos mais organizados da economia nacional, como as indústrias do café e da carne, têm conseguido encontrar alternativas comerciais.

O setor de carnes revisou suas projeções de prejuízo e reduziu a estimativa inicial de US$ 1 bilhão para US$ 300 milhões, uma queda de 70%.

A ampliação da ajuda governamental deve ser realizada com cautela, considerando a escassez de recursos públicos disponíveis.

É essencial direcionar o suporte financeiro para os setores que realmente necessitam, evitando destinar recursos a segmentos que já encontraram meios de minimizar os impactos das tarifas.

Fonte: CNN Brasil

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Negócios

Falta de confiança interpessoal atrapalha internacionalização das empresas brasileiras

As tarifas impostas pelos Estados Unidos mundo afora são mais uma etapa no atual ciclo de escalada de tensões geopolíticas. Como no xadrez, quem cria mais opções na área de comércio internacional e nos negócios é o mais bem-sucedido.

Brasil figura no décimo lugar da economia mundial em Produto Interno Bruto (PIB) nominal, mas ocupa a tímida 82.ª posição no ranking de globalização no Índice KOF, índice suíço que mede a integração econômica, social e política das nações. Somos uma economia voltada para o próprio umbigo, exportando 20% do PIB, enquanto outras economias da América Latina exportam, em média, 30%.

Internacionalização difere de exportação. Exportar representa uma pequena amostra da conexão com o comércio internacional. O produto enviado para fora é uma extensão do mercado doméstico. Já a internacionalização encara a competição no mercado de destino, disputando mão de obra local e se relacionando com fornecedores regionais.

Como consequência, empresas que investem nessas habilidades tornam-se mais resilientes e ganham produtividade. Temos bons exemplos, como as brasileiras WEG, de equipamentos eletrônicos, a Randon, de sistemas automotivos, e a Tramontina, de utensílios para casa, cujas frigideiras são destacadas há oito anos pela Wirecutter, seção do jornal The New York Times que avalia a qualidade de bens de consumo.

Muitos empresários brasileiros que dominam o mercado interno ainda acreditam que a complexidade operacional externa “só pode ser maior”. Ledo engano. Enquanto no Brasil empreender é um ato de fé por causa das burocracias, nos Estados Unidos, por exemplo, há brokers e especialistas em cada microssegmento da indústria. Em pouco tempo e com custo razoável, eles decodificam os segredos do mercado local.

O grande obstáculo para brasileiros, no entanto, é a baixa confiança. Uma recente pesquisa da European Values Study aponta que o índice de confiança interpessoal do Brasil alcança meros 7%, enquanto o da Noruega é de 72% e o dos Estados Unidos fica por volta de 40%.

Dado que a internacionalização começa na pessoa física e evolui para a pessoa jurídica, a busca por essa confiança e por relações inicia-se com encontros, cursos e investimentos pessoais, até chegar ao investimento offshore corporativo. Não soa coincidência que a maioria das nossas empresas internacionalizadas foi fundada por imigrantes. Como disse o cientista de computação americano Gerald Weinberg, “o truque para confiar e conquistar confiança é evitar todos os truques.”

Fonte: Estadão

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Agricultura

Agricultores franceses contra o pacto UE-Mercosul e as tarifas de Trump

O principal sindicato dos agricultores franceses, a FNSEA, convocou para o próximo 25 de setembro uma jornada nacional de protesto contra o acordo comercial UE-Mercosul, as tarifas de Donald Trump e “as importações de produtos que não respeitam a regulamentação francesa”.

Assim anunciou em entrevista ao semanário Journal du Dimanche o secretário-geral do sindicato, Arnaud Rousseau, que voltou a se mostrar especialmente hostil ao acordo por considerar que a entrada na França de produtos latino-americanos, mais baratos e com diferentes normas de produção, pode prejudicar a produção nacional.

Esse anúncio acontece em pleno período de protestos nas ruas contra a austeridade na França. No último 10 de fevereiro se manifestou o movimento social Bloqueemos tudo e, neste dia 18, está prevista uma importante jornada de greve convocada pelos sindicatos.

Os protestos acontecem também em meio a uma instabilidade política. Nesta semana, a Assembleia Nacional derrubou François Bayrou como primeiro-ministro — o segundo a cair no hemiciclo em menos de um ano — e o presidente francês, Emmanuel Macron, nomeou outro chefe de Governo, Sébastien Lecornu.

Esse aliado fiel de Macron deu sinais de querer suavizar o plano de austeridade de 2026, que havia levado as forças parlamentares a forçar a queda de Bayrou, como a retirada da polêmica supressão de dois feriados por ano. No entanto, os movimentos de protesto, como o do dia 18, continuam de pé.

A convocatória da FNSEA — um sindicato favorável à agricultura intensiva — acontece no momento em que o acordo comercial entre o bloco europeu e latino-americano (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) está em fase de ratificação nos 27 parlamentos da UE. No papel, quase todos os deputados franceses se opõem a esse acordo.

Há quase dois anos, em janeiro de 2024, houve um grande movimento de protestos de pecuaristas e agricultores franceses que, além de denunciar o acordo UE-Mercosul, reclamavam da perda de competitividade devido a normas ambientais supostamente mais rígidas na França do que em outros países e ao excesso de burocracia.

Para tentar apaziguar esse descontentamento, a Assembleia Nacional aprovou no verão uma polêmica lei, chamada “Duplomb”, que chegou a reautorizar um pesticida, mas que, em meio a uma forte mobilização ecologista contra a medida, acabou sendo modificada pelos tribunais.

Fonte: El Economista

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Portos

Governo decide leiloar canais de acesso a portos e especialistas alertam para risco de encarecer tarifas e travar comércio exterior

O governo federal anunciou que o Brasil terá, em 2025, o primeiro leilão dos canais de acesso a portos, infraestrutura até hoje custeada por recursos públicos. A medida, inserida no Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), prevê repassar à iniciativa privada a responsabilidade por dragagem, sinalização e manutenção de canais essenciais para a entrada e saída de navios.

O plano, segundo a União, busca trazer eficiência e previsibilidade, mas especialistas alertam que os custos podem ser repassados aos usuários, encarecendo tarifas e reduzindo a competitividade do comércio exterior brasileiro.

Primeiros leilões começam em outubro

O primeiro certame será realizado em 22 de outubro, com o canal do Porto de Paranaguá (PR).

Em dezembro, será a vez de Itajaí (SC), terceiro maior complexo de contêineres do país.

Os contratos terão validade de 25 anos, e o critério de vitória será o maior desconto sobre a tarifa de acesso.

O caso de Itajaí envolve ainda um desafio histórico: a remoção do navio Pallas, embarcação à vela de 1891 que naufragou durante a Revolta da Armada.

Avaliada em R$ 25 milhões, a operação será de responsabilidade da concessionária vencedora e é considerada crucial para liberar o tráfego de navios de até 400 metros.

Segundo Alex de Ávila, secretário nacional de Portos e Transportes Aquaviários, a concessão permitirá superar problemas de demora em licitações e falta de verba.

A concessão tem por objetivo elevar a eficiência, a segurança e a profundidade dos canais”, afirmou.

A expectativa do governo é que os diferentes leilões em portos como Santos (SP), Rio Grande (RS) e Codeba (BA) mobilizem mais de R$ 6 bilhões em investimentos.

Especialistas temem tarifas mais caras

Apesar do otimismo oficial, especialistas alertam que o modelo pode elevar custos logísticos.

Isso porque dragagens, manutenções e obras de alta complexidade tendem a ser repassadas aos usuários finais.

Num país onde 95% do comércio exterior depende da via marítima, qualquer aumento tarifário impacta diretamente exportadores, importadores e, em última instância, o consumidor brasileiro.

O setor agroexportador e a indústria mineral seriam os mais atingidos.

Soja, milho, carne e minério, principais itens da pauta exportadora nacional, poderiam perder competitividade diante da alta nos custos de frete.

O risco é que o Brasil perca espaço em mercados globais justamente no momento em que busca ampliar sua presença internacional.

Desigualdade regional e dúvidas de rentabilidade

Outro ponto de atenção é a concentração regional dos investimentos.

Portos do Sul e Sudeste, mais lucrativos, tendem a atrair investidores com facilidade, enquanto estruturas do Norte e Nordeste podem não ter a mesma atratividade.

Já estão no radar os futuros leilões em Suape (PE) e Itaqui (MA), mas analistas alertam que a rentabilidade limitada pode reduzir o interesse privado, gerando desigualdade no desenvolvimento logístico nacional.

Críticos destacam que, embora os leilões representem um avanço em previsibilidade, a dependência de concessões pode engessar políticas públicas, dificultando a adaptação do setor às mudanças do comércio global.

Entre eficiência e risco de perda de competitividade

O debate também carrega peso político.

No governo Jair Bolsonaro, havia propostas de privatizar integralmente portos como Santos e Itajaí, mas a atual gestão optou por manter o controle da União, concedendo apenas trechos específicos de alto custo.

Na prática, o novo modelo divide responsabilidades: o governo preserva a autoridade portuária, enquanto o setor privado assume os investimentos pesados.

A questão é se essa transferência trará ganhos de longo prazo ou apenas aumentará os custos de curto prazo.

Se por um lado a concessão pode garantir dragagem contínua e maior eficiência, por outro, o risco de tarifas mais altas é real e ameaça a competitividade das exportações brasileiras.

Fonte: Click Petróleo e Gás

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Comércio Exterior

Tarifas nas principais rotas marítimas caem 3% durante a última semana

O índice composto elaborado pela Drewry, World Container Index (WCI), apresentou uma contração de 3%, situando-se em 2.044 dólares por contêiner de 40 pés nesta semana. Com isso, já são 13 semanas consecutivas de queda.

“Pela segunda semana consecutiva, as tarifas spot nas principais rotas comerciais seguiram tendências opostas. Enquanto as tarifas de frete nas rotas transpacíficas aumentaram, as da Ásia–Europa diminuíram. As tarifas spot transpacíficas estão em alta devido aos anúncios de GRI de várias companhias de navegação”, informou a consultoria.

Em linha com isso, as tarifas spot de Xangai para Los Angeles aumentaram 6%, chegando a 2.678 dólares por FEU, enquanto as de Xangai para Nova York subiram 2%, alcançando 3.743 dólares por FEU.

“Apesar da proximidade da Semana Dourada na China, é improvável que essas tarifas se mantenham sem novos cortes na capacidade do transporte marítimo. Portanto, a Drewry prevê que as tarifas permanecerão estáveis nas próximas semanas”, destacou a consultoria.

Por sua vez, as tarifas Xangai–Roterdã caíram 10% (2.143 USD/FEU) e as Xangai–Gênova recuaram 12% (2.342 USD/FEU). “Essa diminuição ocorre em um momento em que as companhias de navegação enfrentam dificuldades para compensar o aumento de capacidade – devido à entrada de novos navios – e a queda da demanda”, explicou a entidade.

“Diante do aumento de viagens em branco antes do feriado da Semana Dourada da China, que começa em 1º de outubro, a Drewry prevê uma leve queda das tarifas nas próximas semanas”, acrescentou.

O WCI projeta que o equilíbrio entre oferta e demanda se enfraquecerá novamente no segundo semestre de 2025, o que resultará em uma contração das tarifas spot.

“A volatilidade e o momento das mudanças tarifárias dependerão das futuras tarifas de Trump e das alterações na capacidade relacionadas à introdução de sanções dos EUA contra navios chineses, cuja implementação ainda é incerta”, concluiu a Drewry.

Fonte: Portal Portuário

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Exportação

EUA retiram taxa das exportações de celulose e ferro-níquel

Em 2024, Brasil exportou quase US$ 1,84 bilhão desse grupo de produtos

A Ordem Executiva nº 14.346, divulgada pelo governo dos Estados Unidos no último dia 5, tornou livre de tarifas adicionais a maior parte das exportações brasileiras aos EUA de celulose e de ferro-níquel. Na prática, nesses produtos não incidirão nem a alíquota de 10%, anunciada em abril, nem a sobretaxa de 40%, aplicada em 30 de julho.

Em 2024, o Brasil exportou cerca de US$ 1,84 bilhão desse grupo de produtos aos EUA, o que representa 4,6% do total exportado para aquele país, com destaque para celulose, em particular pastas químicas de madeira não conífera e pastas químicas de madeira conífera, no valor de US$ 1,55 bilhão.

Com a nova exclusão, no total, chega a 25,1% o montante das exportações brasileiras aos EUA livre da alíquota de 10% e da sobretaxa de 40% impostas pelo governo estadunidense aos produtos brasileiros.

“O governo segue empenhado em diminuir a incidência de tarifas dos EUA sobre os produtos brasileiros. A mais recente ordem executiva dos EUA representa um avanço sobretudo para o setor de celulose do Brasil. Mas ainda há muito a ser feito e seguimos trabalhando para isso”, afirmou o vice-presidente e mMinistro do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin.

Dados do ministério, do último dia 11, mostram que, do total de exportações brasileiras aos Estados Unidos, que soma US$ 40 bilhões, 34,9% (US$ 14,1 bilhões) estão sujeitas às tarifas adicionais de 10% e 40% (totalizando 50%); 16,7% (US$ 6,8 bilhões), a 10%; 25,1% (US$ 10,1 bilhões) estão livres de tarifas adicionais; e 23,3% ou US$ 9,4 bilhões, sujeitas a tarifas específicas, aplicadas a todos os países.

Fonte: Modais em Foco

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