Comércio Exterior

EUA retiram tarifas agrícolas, mas Brasil segue em desvantagem

A decisão dos Estados Unidos de suspender as tarifas recíprocas de 10% para 238 itens agrícolas deve favorecer outros países exportadores, enquanto o Brasil permanece com desvantagem competitiva. A avaliação é da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que lembra que os produtos brasileiros continuam enfrentando uma sobretaxa de 40% no mercado americano, mesmo após o anúncio da Casa Branca.

Para o presidente da entidade, Ricardo Alban, a revisão parcial não muda a realidade atual. Segundo ele, países não afetados pela sobretaxa tendem a ampliar suas vendas aos EUA. Alban defende que o Brasil busque rapidamente um acordo para restabelecer condições mais equilibradas de competição em seu principal destino de exportações industriais.

Produtos beneficiados e limitações do recuo
Uma análise preliminar feita pela CNI indica que a retirada da tarifa de 10% se aplica a 80 produtos brasileiros, entre os 238 listados pelos EUA. Entre os beneficiados estão carne bovina, tomates, café, bananas e outros itens do agronegócio. No entanto, apenas quatro produtos – três tipos de suco de laranja e castanha-do-pará – ficarão totalmente livres de tarifas.

Os demais 76 itens, incluindo setores nos quais o Brasil possui forte presença internacional, como carne bovina e café não torrado, continuarão sujeitos à tarifa de 40% para entrar no mercado americano. Em 2024, as exportações desses 80 produtos somaram US$ 4,6 bilhões, cerca de 11% do total enviado pelo Brasil aos Estados Unidos.

FIEMG vê avanço tímido e impacto ainda incerto
A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) reconhece que o gesto dos EUA representa um avanço, mas ressalta que seus efeitos são limitados para os exportadores brasileiros. A entidade destaca que persistem dúvidas relevantes sobre a manutenção da sobretaxa de 40%, que continua prejudicando segmentos como carnes e café, fundamentais para a competitividade industrial mineira.

Para o presidente da FIEMG, Flávio Roscoe, o movimento americano demonstra disposição ao diálogo, mas ainda está longe de garantir condições adequadas de concorrência. Ele defende que as negociações avancem para eliminar barreiras adicionais e recuperar a competitividade dos produtos brasileiros no mercado dos EUA.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM:  Alex Wong/Getty Images

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Exportação

Brasil perde US$ 700 milhões em vendas de carne para os EUA: entenda o impacto

As exportações brasileiras de carne bovina fecharam outubro com faturamento de US$ 1,897 bilhão, avanço de 37,4% na comparação com outubro de 2024. O volume embarcado também cresceu: foram 360,28 mil toneladas, alta de 12,8%. Mesmo com a perda estimada de US$ 700 milhões entre agosto e outubro nas vendas para os Estados Unidos, outros mercados compensaram a queda.

Segundo a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), que analisa dados da Secex/MDIC, os números incluem carne bovina in natura, industrializada, miudezas comestíveis, sebo bovino e demais subprodutos da cadeia.

Receita recorde no acumulado do ano

De janeiro a outubro, o Brasil registrou recorde histórico de receita: US$ 14,655 bilhões, um crescimento de 36% sobre o mesmo período do ano anterior. O volume exportado também atingiu marca inédita, chegando a 3,148 milhões de toneladas, aumento de 18%.

Queda forte nas vendas aos Estados Unidos

Embora seja o segundo maior comprador da carne brasileira, os Estados Unidos reduziram as importações após o tarifaço. Em outubro, as compras de carne bovina in natura recuaram 54%, somando US$ 58 milhões. A carne industrializada caiu 20,3% (US$ 24,9 milhões), enquanto sebo e gorduras bovinas despencaram 70,4% (US$ 5,7 milhões).

No acumulado de janeiro a outubro, porém, ainda há avanço: as vendas totais de produtos bovinos para os EUA cresceram 40,4%, atingindo US$ 1,796 bilhão — reflexo do ritmo forte antes da aplicação das tarifas.

Entre agosto e outubro, período em que as tarifas estiveram válidas, as exportações para o mercado norte-americano caíram 36,4%, resultando na perda de aproximadamente US$ 700 milhões.

A Abrafrigo avalia que, apesar de o aumento das vendas para outros países ter compensado o prejuízo, o Brasil poderia ter registrado desempenho ainda maior sem as tarifas impostas por Washington.

China mantém liderança e UE amplia compras

A China segue como principal destino da carne bovina brasileira. De janeiro a outubro de 2025, o país asiático gerou US$ 7,060 bilhões em receita e importou 1,323 milhão de toneladas, altas de 45,8% e 21,4%, respectivamente.

A União Europeia, tratada como mercado único, foi o segundo maior destino em outubro, com crescimento de 112% em relação ao mesmo mês do ano anterior. O faturamento atingiu US$ 140 milhões. No acumulado do ano, as compras do bloco somaram US$ 815,9 milhões, avanço de 70,2%. O preço médio da carne bovina in natura enviada à região chegou a US$ 8.362 por tonelada.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Amanda Perobelli

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Comércio Exterior

Setor do café diz que medida dos EUA “piorou para o Brasil” e aumenta pressão por fim da tarifa de 40%

A retirada das tarifas recíprocas de 10% anunciada pelos Estados Unidos para 238 produtos agrícolas elevou a pressão sobre o Brasil nas negociações para eliminar a sobretaxa de 40%, aplicada exclusivamente às exportações brasileiras.

Entidades veem vantagem a concorrentes

A CNI (Confederação Nacional da Indústria) e o Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil) avaliam que a nova decisão amplia a competitividade de países que disputam espaço com o Brasil no mercado norte-americano, destino central das exportações industriais nacionais.

Em nota divulgada neste sábado (15.nov.2025), o presidente da CNI, Ricardo Alban, afirmou que a manutenção da tarifa adicional reduz a competitividade de produtos importantes como carne bovina e café, enquanto concorrentes não afetados pela sobretaxa passam a ter acesso privilegiado aos EUA.

Apenas quatro produtos ficam totalmente livres de tarifas

Uma análise inicial da CNI mostra que a retirada do imposto de 10% beneficia 80 produtos brasileiros exportados em 2024, somando US$ 4,6 bilhões — cerca de 11% das vendas do Brasil para os EUA. Apenas quatro itens ficaram totalmente isentos: três tipos de suco de laranja e a castanha-do-pará.

Outros 76 produtos seguem sujeitos à tarifa de 40%, como café não torrado, carne bovina e cera de carnaúba.

Setor do café demonstra preocupação

O Cecafé afirmou que o Brasil continua submetido à taxa-base de 10% e ao adicional de 40% previsto no Artigo 301. A entidade ainda analisa se o novo ato dos EUA altera uma ou ambas as cobranças.

“O cenário favoreceu nossos concorrentes e prejudicou o Brasil”, disse ao g1 o diretor-geral do Cecafé, Marcos Matos. O café brasileiro, antes taxado em 50%, agora paga 40%, enquanto grandes concorrentes — como Colômbia e Vietnã — tiveram tarifas zeradas.

Carne bovina tem avaliação mais positiva

A Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) adotou um tom diferente. Para a entidade, a redução tarifária sobre a carne bovina brasileira demonstra confiança no diálogo técnico entre os dois países e devolve maior previsibilidade ao setor. Os EUA são hoje o segundo maior mercado da carne brasileira.

Segundo a Abiec, a mudança reforça a relação bilateral e cria ambiente mais favorável à retomada estável das exportações. A entidade afirma que seguirá trabalhando com autoridades dos dois países para ampliar acesso e consolidar o Brasil como fornecedor competitivo.

Exigência de avanço nas negociações

Apesar do alívio parcial, a CNI destaca que o cerne do problema permanece: a nova decisão norte-americana não modifica a ordem executiva que sustenta o adicional de 40% exclusivo ao Brasil. Para a entidade, o governo brasileiro precisa avançar com urgência nas negociações para restabelecer condições equitativas de comércio e evitar perda de mercado para rivais internacionais.

FONTE: Diário do Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Poder 360

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Comércio Exterior

EUA reduzem tarifas sobre produtos agrícolas brasileiros e aliviam impacto do “tarifaço”

Os Estados Unidos anunciaram a redução de tarifas aplicadas a diversos produtos brasileiros, incluindo carne bovina, café, açaí, frutas tropicais e castanha-do-pará. A medida, assinada pelo presidente Donald Trump, retira esses itens da cobrança de 50% que estava em vigor desde abril.

Redução tarifária após negociações diplomáticas

A decisão ocorre após uma rodada intensa de tratativas entre Brasília e Washington. O tema ganhou força depois do encontro entre Lula e Trump, em 26 de outubro. Desde então, as discussões passaram a ser conduzidas diretamente pelo chanceler Mauro Vieira e pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, durante reuniões paralelas ao encontro do G7 no Canadá.

Segundo o Itamaraty, o Brasil enviou aos EUA, no dia 4 de novembro, uma nova proposta para avançar no acordo comercial. A iniciativa segue a orientação dos presidentes, que trataram do assunto durante reunião recente na Malásia.

Casa Branca revisa escopo de produtos taxados

Em comunicado, Trump justificou a decisão afirmando que considerou recomendações técnicas, o andamento das negociações com parceiros comerciais, a demanda interna norte-americana e a capacidade de produção. Com isso, determinou que determinados produtos agrícolas deixem de integrar a lista de itens sujeitos ao tarifaço previsto na Ordem Executiva 14257.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços informou que está avaliando a nova ordem assinada por Trump.

Antecedentes do tarifaço

O encontro entre Trump e Lula ocorreu durante a 47ª Cúpula da Asean, na Malásia, e durou cerca de 50 minutos. Na conversa, Lula defendeu que não havia motivo para tensões comerciais com os EUA e pediu a suspensão imediata das sobretaxas impostas às exportações brasileiras.

O tarifaço de 50% havia sido anunciado em julho e afetava todos os produtos exportados pelo Brasil. A medida foi acompanhada ainda de restrições a autoridades brasileiras, como a revogação de vistos. Lula afirmou recentemente que voltaria a ligar para Trump caso não houvesse avanços até o fim da COP30, em Belém.

Produtos que terão redução das tarifas

  • Carnes
  • Café
  • Chá e ervas
  • Frutas
  • Vegetais
  • Tubérculos
  • Açaí
  • Castanhas e sementes
  • Especiarias e condimentos
  • Cereais

FONTE: Diarinho
TEXTO: Redação
IMAGEM: João Batista

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Internacional

Estados Unidos e Argentina anunciaram o acordo comercial e de investimento: os detalhes

Os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Argentina, Javier Milei, anunciaram a criação de um Marco para um Acordo sobre Comércio e Investimento Recíprocos, com o objetivo de fortalecer a relação econômica bilateral, estimular a abertura de mercados e promover a cooperação em áreas estratégicas.

O acordo busca estabelecer condições claras, estáveis e baseadas em regras para o comércio e os investimentos entre os dois países, apoiando-se nas reformas que a Argentina já colocou em prática para modernizar sua economia. A iniciativa inclui benefícios tarifários, abertura de mercados agrícolas e industriais, padrões regulatórios comuns, proteção da propriedade intelectual e cooperação em áreas como trabalho, meio ambiente e comércio digital.

Entre os principais pontos, destaca-se que a Argentina oferecerá acesso preferencial a produtos dos EUA, como medicamentos, máquinas, tecnologias da informação e produtos agrícolas. Por sua vez, os Estados Unidos eliminarão tarifas para certos recursos naturais argentinos e para medicamentos não patenteados, e levarão em conta o impacto do acordo ao aplicar medidas comerciais relacionadas à segurança nacional.

No setor agrícola, ambos os países se comprometeram a melhorar as condições de acesso aos mercados de carne bovina e de aves, além de facilitar o comércio de produtos como miudezas, carne suína e laticínios. Também foi acordado não restringir o uso de determinados termos relacionados a carne e produtos lácteos.

Eliminação de barreiras

O documento destaca que a Argentina eliminará barreiras não tarifárias, como licenças de importação e formalidades consulares, e se comprometeu a desmantelar gradualmente o imposto estatístico sobre produtos dos EUA. Além disso, passará a se alinhar a padrões internacionais em vários setores e reconhecerá certificações de órgãos norte-americanos como a FDA.

Em relação à propriedade intelectual, a Argentina avançará no combate à falsificação e à pirataria e trabalhará para alinhar sua legislação a padrões internacionais, atendendo observações feitas no Relatório Especial 301 do governo dos EUA.

O acordo também inclui compromissos para proibir a importação de bens produzidos com trabalho forçado, combater o desmatamento ilegal, promover o uso eficiente de recursos e aplicar normas internacionais sobre subsídios à pesca.

Os dois países concordaram em cooperar em segurança econômica para enfrentar práticas comerciais distorcivas de terceiros países, alinhar políticas de controle de exportações, investimentos e evasão tarifária, e fortalecer o comércio de minerais críticos. Além disso, a Argentina revisará o papel de suas empresas estatais e os subsídios industriais.

No que diz respeito ao comércio digital, será criado um marco legal que facilite a transferência transfronteiriça de dados pessoais com os EUA, evitando discriminações contra serviços digitais norte-americanos e reconhecendo a validade de assinaturas eletrônicas emitidas sob a legislação dos EUA.

Estados Unidos e Argentina trabalharão para concluir o texto final do acordo e cumprir os procedimentos internos necessários para sua entrada em vigor. Também se comprometeram a supervisionar sua implementação por meio do marco do Acordo TIFA e do Fórum de Inovação e Criatividade para o Desenvolvimento Econômico.

FONTE: Comercio y Justicia
IMAGEM: Reprodução/Comercio y Justicia

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Sem Categoria

México impõe tarifas de até 210% sobre importações de açúcar para proteger a indústria nacional

O México impôs tarifas de até 210% sobre as importações de açúcar provenientes de países com os quais não possui acordos comerciais, segundo publicação no diário oficial do governo. A medida, que entra em vigor nesta terça-feira, inclui tarifas de 156% e 210% sobre açúcar de cana, açúcar líquido refinado, açúcar de beterraba e xaropes. O governo afirmou que a ação busca evitar “distorções” no comércio internacional e proteger a indústria nacional da queda nos preços.

Anteriormente, o governo aplicava tarifas de cerca de US$ 0,36 por quilo em algumas importações de açúcar. Em nota publicada no X (antigo Twitter), o Ministério da Agricultura informou que a atualização das tarifas foi feita “diante da queda dos preços internacionais e do excesso de oferta, e em conformidade com os compromissos internacionais do país”, com o objetivo de proteger empregos e fortalecer a produção interna.

A estratégia para o açúcar faz parte do “Plano México”, programa da presidente Claudia Sheinbaum que visa estimular o crescimento econômico por meio do fortalecimento da produção local. As novas tarifas se aplicam a países sem acordos comerciais com o México, incluindo o Brasil, um dos principais exportadores de açúcar para o país.

A medida ocorre enquanto o México se encontra nas etapas finais de negociações comerciais com os Estados Unidos, antes da revisão do acordo de livre comércio EUA-México-Canadá (USMCA), prevista para o próximo ano. A economia mexicana, afetada pela incerteza e pelas tarifas intermitentes dos EUA sobre aço, automóveis e outros produtos não cobertos pelo USMCA, apresentou leve contração no terceiro trimestre, levantando preocupações sobre uma possível recessão.

No fim do mês passado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prorrogou a suspensão de tarifas adicionais sobre produtos mexicanos, o que gerou esperança de um acordo mais amplo com Sheinbaum. Enquanto isso, um plano separado da presidente mexicana para impor altas tarifas sobre importações chinesas foi adiado pelo menos até dezembro, devido à oposição do setor privado e de membros do partido governista, o que paralisou o debate no Congresso. Fabricantes mexicanos afirmam que as tarifas propostas aumentariam significativamente os custos de produção, já que muitas indústrias dependem de maquinário, componentes e matérias-primas chinesas.

FONTE: Index Box
IMAGEM: Reprodução/Index Box

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Exportação

Exportações do Brasil crescem e compensam perdas com tarifas impostas por Trump

Mesmo com a queda nas exportações do Brasil para os Estados Unidos após o tarifaço imposto por Donald Trump, o país conseguiu compensar as perdas ampliando as vendas para outros mercados. Entre agosto e outubro de 2025, o valor total perdido nas exportações para os americanos foi mais do que recuperado pelo aumento das receitas com os mesmos produtos enviados ao restante do mundo.

De acordo com levantamento do Valor Econômico com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), as exportações de 1.503 produtos afetados pelo tarifaço renderam US$ 1,58 bilhão a menos para os EUA em comparação com o mesmo período de 2024. Em contrapartida, os embarques desses itens para outros países aumentaram em US$ 3,1 bilhões, superando a perda.

Brasil mantém desempenho positivo apesar das tarifas de Trump

A análise considerou produtos em que os EUA representavam ao menos 5% das exportações brasileiras no mesmo trimestre de 2024 — um grupo que responde por 96% do valor total atingido pelas tarifas.

Segundo o economista-chefe do Iedi, Rafael Cagnin, o impacto do tarifaço foi limitado. “No agregado, o tarifaço americano não é uma hecatombe. Há uma boa capacidade de redirecionamento das exportações”, afirmou. Ele explica que setores mais voltados a bens intermediários e matérias-primas conseguiram se adaptar com mais facilidade, enquanto segmentos mais dependentes do mercado americano ainda enfrentam dificuldades.

Exportações aos EUA recuam, mas outros mercados absorvem mais

Nos três meses analisados, 24,2% dos produtos exportados aos EUA registraram aumento no valor embarcado. Já em 30% dos itens, houve queda tanto nas vendas aos americanos quanto ao restante do mundo. Em outros 27,6% dos produtos, o ganho com novos destinos superou a perda com os EUA.

No total, os bens afetados pelo tarifaço somaram US$ 3,76 bilhões em exportações aos EUA, contra US$ 5,3 bilhões no mesmo período de 2024. Para outros mercados, o montante subiu para US$ 18,2 bilhões, crescimento de 20% na comparação anual.

A exportação brasileira geral para os Estados Unidos — incluindo produtos isentos e não isentos — caiu 24,9% no trimestre até outubro. A retração foi mais acentuada entre os itens atingidos pelo tarifaço, com queda de 29,6%.

Lula e Trump discutem tarifaço em encontro na Malásia

No fim de outubro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com Donald Trump na Malásia para discutir formas de reduzir o impacto das tarifas americanas sobre produtos brasileiros.

Para a economista Lia Valls, da FGV Ibre, a diversificação dos destinos mostra a resiliência da pauta exportadora brasileira. “O mercado americano continua relevante, mas o efeito do tarifaço foi menor do que se esperava, o que fortalece o Brasil nas negociações”, avaliou.

Setores mais afetados e produtos em destaque

Entre os 1.503 produtos analisados, o ferro e aço semimanufaturados lideram as exportações atingidas. As vendas ao mercado americano caíram 16,4%, totalizando US$ 491,3 milhões, enquanto os embarques para o resto do mundo cresceram 27,2%. Mesmo assim, a dependência dos EUA — que absorvem 65,7% das vendas brasileiras desse item — impediu uma compensação completa das perdas.

O cenário é diferente para o café brasileiro, que reduziu as vendas aos EUA em 16,7%, mas ampliou 14,5% para outros mercados. A perda de US$ 71,2 milhões nas exportações aos americanos foi compensada com folga por um ganho de US$ 409,4 milhões em outros destinos.

A carne bovina congelada seguiu a mesma tendência: queda de 60,5% nos embarques aos EUA e alta de 64,3% para o restante do mundo. A perda de US$ 165,2 milhões com os americanos foi mais do que compensada por US$ 1,7 bilhão adicionais em outros países. A participação dos EUA nas exportações de carne caiu de 9,3% para 2,4% em um ano.

De acordo com André Valério, economista do Inter, o México foi um dos principais destinos que absorveram a carne antes enviada aos EUA, com alta de 174,3% nos embarques. A China, principal parceira comercial do Brasil, também ampliou suas compras em 66,3% no período.

Alguns setores, porém, não conseguiram realocar a produção — como os de madeira e armamentos, que permanecem mais dependentes do mercado americano.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Leo Pinheiro/Valor

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Comércio Exterior

Trump anuncia corte nas tarifas do café e pode impulsionar exportações do Brasil

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que pretende reduzir tarifas sobre o café, uma das principais exportações do Brasil. A declaração foi feita durante entrevista ao programa The Ingraham Angle, da Fox News.

Segundo Trump, a medida será aplicada “em breve” e pode impactar diretamente os preços da bebida no mercado americano. “Vamos baixar algumas tarifas sobre o café e garantir que o produto volte a entrar nos EUA. Vamos resolver isso rapidamente, de forma cirúrgica”, declarou o republicano, destacando que o custo de vida no país “está bem menor”.

Tarifas de 50% reduziram as exportações brasileiras

Desde agosto, o café brasileiro vem sendo taxado em 50% para entrar no mercado americano, o maior consumidor mundial do produto. O Brasil é responsável por cerca de um terço do café consumido nos EUA, com exportações de US$ 1,96 bilhão em 2024, segundo dados da International Trade Administration. A Colômbia aparece em segundo lugar, com US$ 1,48 bilhão no mesmo período.

As tarifas impostas pela gestão Trump afetaram importadores e consumidores, causando estoques parados, cancelamentos de contratos e uma alta média de 40% nos preços ao consumidor. Em setembro, os preços registraram a maior alta mensal do século, com avanço de 3,6%, e em outubro o café ficou 19% mais caro que no mesmo mês de 2024.

Conversas entre Trump e Lula indicam possível acordo

Em outubro, Trump se reuniu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na Malásia, para discutir a remoção de tarifas sobre produtos brasileiros. O encontro pode abrir caminho para um novo acordo comercial que reduza os preços do café nos Estados Unidos.

Dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (CeCafé) apontam que as exportações brasileiras para os EUA caíram 52,8% em setembro de 2025 em comparação ao mesmo mês de 2024, totalizando 332,8 mil sacas. Mesmo assim, os Estados Unidos seguem como principal destino do café brasileiro no acumulado de janeiro a setembro, com 4,36 milhões de sacas, o equivalente a 15% dos embarques totais.

Setor de café especial sofre com tarifas e clima

Entre janeiro e outubro, o café não torrado representou 5,3% das exportações brasileiras para os EUA, somando US$ 1,7 bilhão, conforme o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) — acima dos 4,7% registrados em 2024.

Além das tensões comerciais, o setor cafeeiro enfrenta desafios climáticos. Desde 2020, secas recorrentes têm reduzido a oferta global, elevando os preços futuros do arábica em 40% e do robusta em 37% desde agosto.

De acordo com a Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), os embarques de cafés finos para os EUA caíram 67% após o início das tarifas. Antes das taxações, cerca de 150 mil sacas eram enviadas mensalmente para Califórnia, Nova York e Oregon, número que despencou para 50 mil.

Esses cafés, que podem ultrapassar R$ 3 mil por saca de 60 quilos, foram destaque durante a Semana Internacional do Café (SIC), em Belo Horizonte, onde produtores relataram perdas expressivas e esperam que o corte anunciado por Trump reacenda as exportações brasileiras e estabilize o mercado americano.

FONTE: Brasil 247
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reuters

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Agronegócio

Acordo entre Estados Unidos e China pode causar impacto maior no agronegócio brasileiro do que o tarifaço

O novo acordo comercial entre Estados Unidos e China, anunciado nesta quinta-feira (30), pode representar um desafio para o agronegócio brasileiro. O entendimento prevê a retomada das compras de soja americana pelo país asiático — uma decisão que tende a reduzir a demanda pela commodity produzida no Brasil. Especialistas avaliam que o efeito pode ser mais negativo ao agro nacional do que o recente tarifaço imposto por Donald Trump sobre produtos brasileiros.

China volta a comprar soja dos EUA

Durante declaração a jornalistas, o presidente Donald Trump afirmou que a China se comprometeu a adquirir “quantidades enormes de soja e outros produtos agrícolas” dos Estados Unidos. Segundo ele, as compras devem começar imediatamente. O anúncio foi feito a bordo do Air Force One, após encontro com o presidente Xi Jinping em Busan, na Coreia do Sul.

“Estamos de acordo em muitos pontos. Grandes quantidades, quantidades enormes de soja e outros produtos agrícolas serão compradas imediatamente, a partir de agora”, declarou Trump.

O acordo marca uma mudança significativa nas relações comerciais entre as duas potências, que vinham travando uma guerra tarifária desde o início do ano.

Brasil pode perder espaço no mercado chinês

Com o agravamento da disputa comercial entre EUA e China nos últimos meses, os chineses haviam suspenso totalmente a compra de soja americana, o que beneficiou diretamente o Brasil, principal fornecedor do grão ao mercado global. A abertura do mercado chinês aos produtos norte-americanos pode, portanto, reduzir o volume de exportações brasileiras e pressionar os preços internos.

Analistas do setor destacam que a China é o maior comprador de soja do mundo, e qualquer mudança em sua política de importação tem impacto direto sobre o agronegócio brasileiro, especialmente nos estados produtores como Mato Grosso, Paraná e Rio Grande do Sul.

A retomada das importações de soja dos EUA, aliada ao aumento da oferta global, pode provocar queda nas cotações internacionais e afetar a rentabilidade dos produtores brasileiros.

Efeitos no comércio agrícola internacional

O acordo também tem potencial para reconfigurar o comércio mundial de commodities agrícolas, alterando o equilíbrio de forças entre os grandes exportadores. O Brasil, que se consolidou como principal fornecedor de soja à China durante o período de tensões comerciais, pode ver sua participação no mercado asiático diminuir caso os chineses ampliem as compras dos EUA.

Enquanto isso, os agricultores brasileiros acompanham com cautela as negociações e aguardam detalhes sobre os volumes e prazos de compra previstos no acordo. A expectativa é de que o impacto seja sentido nas próximas safras, caso os embarques norte-americanos se intensifiquem.

FONTE: Diário do Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Gazeta do Povo

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Internacional

Trump faz concessões a Xi Jinping e analistas apontam vitória diplomática da China

O encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping, resultou em uma série de concessões concretas de Washington, incluindo redução de tarifas e suspensão de novas sanções comerciais. Já as promessas de Pequim foram descritas como vagas e temporárias, levando analistas a concluir que a China saiu fortalecida nas negociações.

Segundo o Ministério do Comércio da China, os EUA concordaram em diminuir em 10% a tarifa aplicada como punição pelo tráfico de fentanil e suspender uma nova tarifa de 100%, que começaria em 1º de novembro. Além disso, a trégua tarifária entre os países foi prorrogada por mais um ano — uma das maiores desescaladas desde o início da guerra comercial entre EUA e China.

Em contrapartida, Pequim aceitou manter temporariamente a suspensão dos controles de exportação de terras raras, insumos essenciais para a indústria tecnológica e militar. Trump, no entanto, reconheceu que o acordo precisará ser renegociado ao final do prazo.

China explora vantagem em terras raras

Para especialistas, a China soube usar seu domínio sobre as terras raras como instrumento de pressão. O pesquisador Jonathan Czin, do Brookings Institution, afirmou ao The New York Times que Pequim “orquestrou com sucesso um jogo de ‘whack-a-mole’ com a administração Trump”, reagindo estrategicamente a cada movimento americano.

O colunista Nicholas Kristof, também do New York Times, observou que o resultado da reunião “parece um retorno ao status quo, mas na prática representa uma rendição americana”, já que as tarifas impostas por Trump acabaram fortalecendo a posição chinesa no mercado global.

De forma semelhante, Joe Mazur, analista da Trivium China, disse à Reuters que o encontro confirmou a estratégia de Pequim de “nunca atacar primeiro, mas sempre contra-atacar”, classificando o controle chinês sobre as terras raras como “o maior trunfo da China”, diante da falta de alavancagem dos EUA.

Analistas veem pausa, não avanço

Outros especialistas consideram que o acordo adiou uma nova crise comercial, mas sem representar um avanço real. “Foi menos um progresso do que uma pausa para respirar”, avaliou Craig Singleton, da Foundation for Defense of Democracies, em entrevista ao Politico. Já a revista The Economist descreveu o encontro como “mais um grande bazar do que um grande acordo”.

Conversas continuam em clima cauteloso

Apesar de Trump ter classificado a reunião como “incrível” e nota “12 em uma escala de 1 a 10”, o tom do comunicado chinês foi mais diplomático. Pequim destacou que as equipes “devem continuar o diálogo com igualdade, respeito e benefício mútuo”.

Entre os temas paralelos discutidos, estão o aumento das importações chinesas de soja, petróleo e gás, a possível venda da TikTok e restrições à exportação de chips semicondutores americanos. Trump comentou sobre a venda de chips: “isso cabe a vocês e à Nvidia — somos apenas árbitros”.

Em postagem posterior, o republicano afirmou que a China comprará “quantidades enormes” de soja e pode realizar uma “grande compra” de petróleo e gás do Alasca. O governo chinês, por sua vez, declarou que pretende expandir o comércio agrícola e resolver adequadamente as questões envolvendo o TikTok.

Trump também suavizou sua exigência para que Pequim reduzisse as compras de petróleo russo, admitindo que “não há muito mais que eles possam fazer” sobre a relação com Moscou.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: XINHUA NEWS AGENCY via GETTY IMAGES

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