Internacional

Acordo UE-Mercosul ainda enfrenta desafios, admite ministro da Alemanha

O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, reconheceu que o acordo UE-Mercosul ainda enfrenta obstáculos antes de sua implementação completa. Apesar disso, ele afirmou que as pendências podem ser solucionadas ao longo do processo de consolidação do tratado.

Durante entrevista coletiva realizada em Buenos Aires, ao lado do ministro das Relações Exteriores da Argentina, Pablo Quirno, Wadephul destacou que a entrada em vigor definitiva do acordo ainda exigirá tempo. Segundo ele, embora existam questões pendentes, os avanços conquistados até agora são suficientes para permitir que os países envolvidos encontrem soluções para os desafios restantes.

Avanços após a cúpula do Mercosul

A declaração foi feita um dia após a 68ª Cúpula do Mercosul, realizada em Assunção, que reuniu representantes de Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e países associados. O encontro teve como foco o fortalecimento da integração regional, a ampliação do comércio entre os integrantes do bloco e o avanço de pautas sociais e de desenvolvimento econômico.

O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia é considerado um dos maiores tratados de livre comércio do mundo, criando acesso a um mercado com mais de 700 milhões de consumidores e ampliando as oportunidades para exportadores brasileiros.

Resistência de países europeus continua

Apesar do avanço nas negociações, o tratado ainda enfrenta resistência em alguns países da Europa. Parte dos críticos teme que produtos sul-americanos, com custos mais competitivos, prejudiquem agricultores e setores produtivos europeus.

Entre os principais opositores está a Polônia. Em abril, o vice-primeiro-ministro Wladyslaw Kosiniak-Kamysz anunciou que o país pretende recorrer ao tribunal superior da União Europeia para contestar o acordo. A França também mantém posição crítica, alegando possíveis impactos negativos para os produtores rurais do continente.

Enquanto avalia os próximos passos relacionados ao tratado de livre comércio, o Parlamento Europeu aprovou, em junho, o acordo comercial firmado entre a União Europeia e os Estados Unidos. O pacto prevê redução de tarifas para diversos produtos industriais e agrícolas norte-americanos, após negociações conduzidas no ano passado com o governo de Donald Trump.

Implementação provisória prevê redução de tarifas

O acordo UE-Mercosul começou a ser aplicado de forma provisória em 1º de maio, encerrando um processo de negociações que durou cerca de 25 anos. Nesta etapa inicial, as medidas são implementadas gradualmente, principalmente no que diz respeito à redução de tarifas de importação e exportação.

De acordo com estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), mais de 80% das exportações brasileiras destinadas ao mercado europeu já passam a contar com tarifa zero. Entre os produtos beneficiados estão café solúvel, frutas frescas, óleos vegetais e diversos itens agroindustriais.

Outros produtos, como aves e açúcar, passam a operar dentro de sistemas de cotas com tarifas reduzidas. Já a carne bovina enfrenta incertezas após a União Europeia impor restrições às importações de cortes brasileiros por motivos sanitários.

No sentido inverso, produtos europeus como vinhos, queijos, azeites, chocolates, máquinas industriais, produtos químicos e automóveis terão redução gradual das tarifas para ingresso no mercado brasileiro, conforme os prazos estabelecidos no tratado.

Aprovação definitiva ainda depende de novas etapas

Mesmo com a aplicação provisória em andamento, o acordo de livre comércio ainda precisa cumprir etapas políticas e jurídicas em alguns países da União Europeia. Além da análise de pontos específicos pelo Parlamento Europeu, questionamentos apresentados por grupos contrários ao tratado continuam sendo avaliados pelas instâncias competentes.

FONTE: Veja
TEXTO: Redação
IMAGEM: Boris Roessler/picture alliance/Getty Images

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Internacional

USMCA: governo Trump muda estratégia e prevê negociações anuais do acordo comercial

O governo do presidente Donald Trump decidiu alterar a forma de revisão do USMCA, acordo comercial que reúne Estados Unidos, México e Canadá. Em vez de seguir o modelo de renovação automática previsto no tratado, a Casa Branca pretende adotar negociações anuais, aumentando a pressão sobre seus principais parceiros comerciais.

O anúncio foi feito pelo representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, e indica uma mudança na política comercial americana. Embora o acordo permaneça em vigor, a nova estratégia amplia a incerteza para empresas que dependem das cadeias produtivas integradas da América do Norte.

Nova política amplia poder de negociação dos Estados Unidos

O USMCA entrou em vigor em 2020 para substituir o antigo Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta), após uma renegociação conduzida por Donald Trump durante seu primeiro mandato.

Na ocasião, o presidente classificou o tratado como um dos mais importantes já firmados pelos Estados Unidos. Agora, a administração americana pretende utilizar as revisões periódicas como instrumento permanente para renegociar regras comerciais e buscar novas concessões de México e Canadá.

Na prática, temas como tarifas, regras de origem, cadeias de suprimentos e exigências de conteúdo regional poderão ser discutidos todos os anos, afetando setores estratégicos como a indústria automobilística, agricultura e energia.

Empresas podem adiar investimentos

A mudança reduz a previsibilidade para empresas que organizaram sua produção de forma integrada entre os três países.

Especialistas avaliam que a possibilidade de alterações frequentes nas regras comerciais pode levar companhias a postergar investimentos até que haja maior clareza sobre tarifas, exigências regulatórias e acesso aos mercados.

A estabilidade proporcionada pelo tratado vinha sendo considerada um dos principais fatores para estimular novos projetos industriais na região.

Bloco comercial movimenta mais de US$ 1,6 trilhão

O impacto da decisão alcança um dos maiores blocos econômicos do mundo.

Juntos, Estados Unidos, México e Canadá respondem por cerca de um terço do Produto Interno Bruto (PIB) global. Em 2024, o comércio entre os três países superou US$ 1,6 trilhão, crescimento significativo em relação aos aproximadamente US$ 1 trilhão registrados em 2020.

A integração econômica consolidou cadeias produtivas compartilhadas, nas quais um mesmo produto é fabricado em diferentes etapas nos três países. Um veículo produzido nos Estados Unidos, por exemplo, pode utilizar motores fabricados no México e componentes eletrônicos desenvolvidos no Canadá.

Casa Branca endurece postura com parceiros comerciais

A adoção de negociações anuais reforça uma característica recorrente da política comercial de Donald Trump: utilizar possíveis mudanças tarifárias como ferramenta de negociação.

Segundo o governo americano, o atual formato do USMCA limita a capacidade dos Estados Unidos de aplicar tarifas e não foi suficiente para reduzir os déficits comerciais com seus vizinhos.

Enquanto mantém diálogo com o governo mexicano, Washington passou a adotar uma postura mais rígida em relação ao Canadá. Trump tem criticado a estratégia do primeiro-ministro Mark Carney de ampliar relações comerciais com outros mercados e reduzir a dependência da economia americana.

Neste ano, o presidente norte-americano chegou a ameaçar impor tarifas de até 100% sobre produtos canadenses caso Ottawa aprofundasse sua cooperação econômica com a China.

China ganha protagonismo nas negociações

Embora o tratado envolva apenas os três países norte-americanos, a China tornou-se um dos principais fatores que influenciam as discussões.

O crescimento dos investimentos chineses na região e a expansão de montadoras do país aumentaram as preocupações de Washington com o chamado transshipment, prática em que componentes produzidos na China entram nos Estados Unidos por meio de terceiros países para contornar restrições comerciais.

Diante desse cenário, o governo americano pretende endurecer as regras de origem dos veículos e ampliar a exigência de componentes fabricados na própria América do Norte.

Além disso, a Casa Branca busca maior alinhamento de México e Canadá em relação aos investimentos chineses considerados estratégicos para a segurança nacional.

Setor privado demonstra preocupação

Representantes da iniciativa privada receberam a mudança com cautela.

Entidades empresariais como a Câmara de Comércio dos Estados Unidos e a Business Roundtable defendem a preservação do acordo e alertam que alterações frequentes nas regras podem reduzir a confiança dos investidores.

A preocupação é que empresas deixem de anunciar novos projetos enquanto aguardam definições sobre o futuro das relações comerciais entre os três países.

Em maio, associações ligadas à indústria automobilística solicitaram ao governo americano a manutenção do tratado. No mês seguinte, dezenas de representantes do setor estiveram no Capitólio defendendo uma revisão rápida e previsível do acordo.

O que muda para o futuro do USMCA

Apesar da nova estratégia anunciada pela Casa Branca, o USMCA continua em vigor.

Pelas regras atuais, Estados Unidos, México e Canadá têm até 2036 para alcançar um entendimento durante o processo de revisão previsto pelo tratado. Caso não haja consenso até esse prazo, o acordo poderá perder sua validade.

Com a decisão do governo Trump, no entanto, o cenário passa a ser de negociações contínuas. A estratégia sinaliza que Washington pretende utilizar o acesso ao mercado americano como instrumento permanente de negociação, tanto nas relações com seus vizinhos quanto na disputa econômica global envolvendo a China.

FONTE: Veja
TEXTO: Redação
IMAGEM: KENT NISHIMURA/AFP

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Comércio

Brasil critica restrições da União Europeia ao aço e cobra compensações comerciais

O governo brasileiro manifestou preocupação com as novas medidas adotadas pela União Europeia para limitar as importações de aço e afirmou que continuará buscando compensações e uma solução negociada para o impasse comercial.

Em nota conjunta, os ministérios das Relações Exteriores e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) avaliaram que as mudanças reduzem o acesso dos exportadores brasileiros ao mercado europeu e não atacam a principal causa do problema: o excesso de capacidade da indústria siderúrgica mundial.

Governo brasileiro contesta novas regras da UE

De acordo com o Executivo, o bloco europeu passou a impor restrições quantitativas mais rígidas para a entrada de produtos siderúrgicos, além de aumentar as tarifas aplicadas às importações que ultrapassarem os limites estabelecidos pelas cotas.

Na avaliação do Brasil, as novas regras atingem diversos parceiros comerciais da União Europeia e ampliam as barreiras às exportações, mesmo após o encerramento do regime de salvaguardas criado em 2018.

O governo também ressaltou que o país sofre os impactos da sobreoferta global de aço e continuará defendendo soluções multilaterais para enfrentar esse cenário em organismos internacionais. Segundo a nota, restringir o comércio de países que não são responsáveis pelo excesso de produção tende a agravar as tensões comerciais e incentivar novas medidas de defesa entre os mercados.

Brasil cobra compensações previstas em acordo internacional

Outro ponto destacado pelo governo é a ausência de entendimento com a União Europeia sobre compensações relacionadas às novas tarifas, conforme previsto no Artigo XXVIII do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio (GATT).

Para o Brasil, o novo sistema de cotas foi implementado de forma unilateral e, por isso, não pode ser considerado uma compensação ao país.

Apesar das divergências, o Executivo informou que manterá o diálogo com o bloco europeu em busca de uma solução que atenda aos interesses de ambas as partes.

União Europeia reduz cotas e dobra tarifa sobre excedente

As novas regras anunciadas pela Comissão Europeia diminuem em 47% o volume de aço que poderá ingressar no bloco sem incidência de tarifas. Com isso, o limite anual passa para 18,3 milhões de toneladas.

Quando a cota for ultrapassada, será aplicada uma tarifa de 50% sobre o excedente em 26 categorias de produtos siderúrgicos. Na prática, os exportadores terão um volume menor para comercializar sem custos adicionais e enfrentarão uma tributação mais elevada caso excedam o limite permitido.

O modelo prevê ainda que metade das cotas seja destinada a países que possuem acordos de livre comércio com a União Europeia. O restante ficará disponível aos demais parceiros comerciais, enquanto alguns exportadores terão limites específicos definidos conforme o histórico de vendas ao bloco.

Comissão Europeia justifica medidas para proteger indústria

Segundo a Comissão Europeia, as alterações são necessárias para fortalecer a indústria siderúrgica europeia diante da crescente sobreoferta mundial de aço, que pressiona os preços internacionais e reduz a competitividade das empresas do setor.

O órgão também aponta a ocorrência de dumping — prática de exportar produtos abaixo do custo de produção — como um dos fatores que justificam as restrições. A expectativa é elevar a utilização da capacidade das siderúrgicas do bloco de cerca de 65% para aproximadamente 80%.

As medidas substituem o sistema de salvaguardas em vigor desde 2018. Antes, as importações que excediam as cotas eram tributadas em 25%. Com as novas regras, a tarifa sobe para 50%, enquanto o volume permitido sem cobrança é reduzido quase pela metade.

A Comissão Europeia informa ainda que o setor perdeu aproximadamente 100 mil postos de trabalho desde 2008 e considera as novas restrições fundamentais para conter os impactos da sobreoferta global. Em 2025, os principais fornecedores de aço para o bloco foram Turquia, Coreia do Sul, Indonésia, China, Índia, Ucrânia e Taiwan.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reuters/JEFF KOWALSKY/EFE

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Internacional

Trump ameaça impor tarifa de 100% a países europeus que adotarem imposto sobre serviços digitais

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que poderá aplicar uma tarifa de 100% sobre produtos importados de países europeus que decidirem instituir ou ampliar impostos sobre serviços digitais cobrados de empresas norte-americanas de tecnologia.

A declaração foi publicada nas redes sociais e ocorre em meio às discussões de diversos países da Europa sobre a adoção desse tipo de tributação, voltada principalmente às grandes plataformas digitais.

Segundo Trump, qualquer país que avance com a medida será alvo imediato de uma tarifa adicional sobre todos os bens exportados para os Estados Unidos.

Tarifas poderão prevalecer sobre acordos comerciais

Na publicação, o presidente afirmou que a sobretaxa seria aplicada independentemente da existência de acordos comerciais firmados entre os Estados Unidos e os países envolvidos.

De acordo com Trump, a nova tarifa entraria em vigor imediatamente caso os governos decidam implementar os chamados impostos sobre serviços digitais, que, na visão da Casa Branca, atingem de forma desproporcional empresas norte-americanas.

Tributação mira gigantes da tecnologia

Os impostos digitais têm sido adotados por diversos países como forma de ampliar a arrecadação sobre grandes empresas de tecnologia que operam globalmente.

Entre as companhias frequentemente afetadas por esse modelo de tributação estão Apple, Amazon e Meta, que concentram parte significativa das receitas obtidas com publicidade, comércio eletrônico e serviços digitais em diferentes mercados.

Governos favoráveis à medida argumentam que ela busca adequar a tributação das chamadas Big Techs às receitas geradas em seus territórios.

Ameaça pode dificultar negociações entre EUA e União Europeia

A nova manifestação de Trump ocorre em um momento delicado das negociações comerciais entre os Estados Unidos e a União Europeia.

Dias antes, os países do bloco europeu haviam aprovado um acordo para reduzir tarifas sobre produtos industriais norte-americanos e parte dos produtos agrícolas. Em contrapartida, os Estados Unidos limitariam a maior parte das tarifas aplicadas aos produtos europeus a 15%.

A nova ameaça pode aumentar a tensão nas conversas e comprometer o avanço das negociações comerciais entre as duas economias.

Comissão Europeia defende autonomia regulatória

Em resposta, a Comissão Europeia reafirmou que os países do bloco possuem o direito soberano de definir suas próprias políticas econômicas e regulatórias.

O órgão também alertou que eventuais medidas unilaterais contra legislações consideradas legítimas poderão receber uma resposta rápida por parte da União Europeia.

Além disso, a Comissão reiterou seu apoio à construção de um modelo internacional para a tributação da economia digital, alinhado às discussões conduzidas pelos ministros das Finanças do G7.

Outros países também enfrentaram pressão dos EUA

A estratégia de utilizar tarifas como instrumento de pressão já foi adotada anteriormente pelo governo Trump em negociações envolvendo tributação digital.

O Canadá, por exemplo, revisou sua proposta de imposto sobre serviços digitais após ameaças tarifárias dos Estados Unidos. Mais recentemente, o país também sinalizou a possibilidade de rever regras que obrigariam plataformas de streaming a destinar parte de sua receita ao financiamento de conteúdos locais.

O Reino Unido também tem defendido a manutenção de sua política de tributação sobre empresas digitais, mesmo diante das críticas do governo norte-americano.

FONTE: Politico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Andrew Harnik/Getty Images

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Agronegócio

Acordo Mercosul-Canadá avança e pode ampliar exportações do agronegócio brasileiro

As tratativas para um acordo comercial entre Mercosul e Canadá avançaram durante a mais recente rodada de negociações realizada em Toronto. O encontro resultou em progressos em cinco capítulos considerados essenciais para a ampliação das relações econômicas entre os dois mercados.

Os avanços envolvem temas como barreiras tarifárias, regras de origem, medidas sanitárias e fitossanitárias, facilitação de comércio e acesso a insumos produtivos. O cenário é visto como positivo para o fortalecimento das trocas comerciais e para a expansão das exportações do bloco sul-americano.

Agronegócio brasileiro pode ser um dos principais beneficiados

Entre os setores com maior potencial de ganho está o agronegócio brasileiro, especialmente devido às discussões relacionadas às exigências sanitárias e fitossanitárias.

Essas normas são determinantes para a entrada de produtos agropecuários em mercados internacionais e influenciam diretamente a comercialização de itens como carne bovina, frango, grãos e frutas.

Com a possível conclusão do acordo, exportadores brasileiros poderão ter acesso facilitado ao mercado canadense, considerado um dos mais relevantes devido ao seu elevado poder de consumo.

Redução de tarifas pode aumentar competitividade das commodities

O Canadá mantém demanda constante por produtos alimentícios, proteínas animais e commodities agrícolas. Nesse contexto, um entendimento comercial entre os blocos pode reduzir ou até eliminar tarifas aplicadas atualmente sobre diversos produtos exportados pelo Mercosul.

A medida beneficiaria especialmente as vendas externas de soja, carnes e produtos processados, ampliando a competitividade dos produtores brasileiros em um mercado estratégico da América do Norte.

Carne bovina e frango estão entre os produtos mais impactados

As negociações também concentram atenção nas tarifas que incidem sobre a carne bovina brasileira e a carne de frango. Atualmente, esses encargos são considerados obstáculos relevantes para o aumento da participação brasileira no mercado canadense.

Caso haja redução ou eliminação dessas barreiras, os exportadores nacionais poderão competir em condições mais favoráveis com fornecedores já consolidados, como Estados Unidos e Austrália, ampliando oportunidades para o setor pecuário brasileiro.

Expectativa é de fortalecimento do comércio internacional

O avanço das negociações reforça a perspectiva de um acordo capaz de impulsionar o comércio exterior, diversificar mercados e criar novas oportunidades para produtores e empresas dos países integrantes do Mercosul.

Além de ampliar o fluxo comercial, o entendimento pode contribuir para reduzir custos de importação de insumos agrícolas e fortalecer a integração econômica entre os dois blocos.

FONTE: Space Money
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Space Money

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Comércio Internacional

Acordo Mercosul-UE entra em vigor provisoriamente e inicia nova fase do comércio internacional

O acordo Mercosul-UE passa a valer de forma provisória a partir desta sexta-feira (1º), marcando um avanço nas relações comerciais entre os dois blocos.

A formalização no Brasil foi concluída com a assinatura do decreto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, encerrando a etapa de incorporação ao ordenamento jurídico nacional. Com isso, as regras começam a ser aplicadas gradualmente entre os países envolvidos.

Expectativas e divergências entre países europeus

Apesar de ser considerado estratégico, o tratado de livre comércio ainda gera divergências dentro da União Europeia. Países como Alemanha e Espanha defendem que o acordo pode fortalecer exportações e reduzir impactos de medidas protecionistas dos Estados Unidos.

Por outro lado, nações como França demonstram preocupação com o aumento das importações de produtos agrícolas, como carne bovina e açúcar, que poderiam afetar produtores locais. Já organizações ambientais alertam para possíveis impactos sobre florestas tropicais.

Impacto econômico deve ser limitado no curto prazo

Especialistas apontam que os ganhos econômicos tendem a ser moderados. Mesmo com novos acordos comerciais, a União Europeia pode não compensar totalmente as perdas causadas por tarifas impostas pelos Estados Unidos.

A previsão é de que o tratado com o Mercosul eleve o PIB europeu em cerca de 0,05% até 2040, indicando efeitos positivos, porém graduais e de longo prazo.

Aprovação definitiva ainda depende do Parlamento Europeu

Embora já esteja em aplicação provisória, o acordo ainda precisa passar pelo Parlamento Europeu. Em janeiro, parlamentares decidiram questionar o tratado judicialmente, o que pode prolongar a decisão final por até dois anos.

Mesmo assim, a Comissão Europeia optou por iniciar sua implementação, apostando que os benefícios práticos fortaleçam o apoio político ao longo do tempo.

Pressão global acelera novos acordos comerciais

O cenário internacional tem impulsionado a União Europeia a buscar novos parceiros. Além do Mercosul, negociações com Índia, Indonésia, Austrália e México avançaram nos últimos meses.

Esses movimentos ocorrem em meio a tensões comerciais globais, incluindo tarifas internacionais e restrições à exportação de minerais estratégicos, que têm pressionado o comércio mundial.

Concorrência chinesa desafia empresas europeias

Outro fator relevante é o avanço da China em mercados internacionais. Empresas europeias enfrentam crescente concorrência, especialmente em setores como máquinas e veículos — áreas em que o bloco busca expandir suas exportações.

Embora a redução de tarifas prevista no acordo possa melhorar a competitividade europeia, especialistas avaliam que o desafio vai além do comércio, envolvendo investimentos e a transição energética global.

Necessidade de ajustes internos na União Europeia

Analistas destacam que acordos comerciais, por si só, não devem resolver a perda de espaço no mercado internacional. Reformas internas e maior eficiência do mercado único europeu são apontadas como essenciais para fortalecer a economia do bloco.

Atualmente, cerca de 60% das exportações da União Europeia ocorrem entre os próprios países membros, o que reforça a importância de melhorias estruturais.

FONTE: G1
TEXTO: Redação
IMAGEM: AFP

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Exportação

Exportações do Brasil para os EUA caem 25,5% em janeiro e déficit bilateral aumenta

As exportações brasileiras para os Estados Unidos registraram queda de 25,5% em janeiro de 2026 na comparação com o mesmo mês de 2025, totalizando US$ 2,4 bilhões, segundo dados da Amcham Brasil. Este é o sexto mês consecutivo de retração.

No mesmo período, as importações do Brasil vindas dos EUA caíram 10,9%. Como a redução nas exportações foi mais acentuada, o déficit comercial bilateral atingiu cerca de US$ 0,7 bilhão, mais que o triplo do registrado em janeiro de 2025.

“Os dados confirmam que o início de 2026 segue marcado por pressões significativas sobre o comércio bilateral”, afirmou Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil. Ele destacou que a combinação entre queda das exportações brasileiras e tarifas elevadas, especialmente sobre bens industriais, tem ampliado o desequilíbrio na balança comercial.

Produtos e setores mais impactados

O recuo das exportações brasileiras foi fortemente influenciado pelos óleos brutos de petróleo, que caíram 39,1% na comparação anual. Além disso, produtos sujeitos a sobretaxas adicionais tiveram retração média de 26,7%, incluindo itens afetados pela Seção 232 da Lei de Expansão Comercial dos EUA.

Entre os produtos com maior impacto negativo estão semiacabados de ferro e aço, sucos, elementos químicos inorgânicos e combustíveis derivados de petróleo.

Segundo a Amcham Brasil, itens sujeitos a sobretaxas de 40% e 50%, como cobre e produtos siderúrgicos, tiveram queda acima da média geral, reforçando a pressão das barreiras tarifárias sobre o fluxo comercial.

Setores que resistem

Apesar do cenário desafiador, alguns produtos brasileiros mantiveram desempenho mais robusto. Entre os dez principais itens exportados para os EUA em janeiro, seis registraram resultados superiores ao desempenho em outros mercados, incluindo café não torrado, carne bovina, aeronaves, celulose e equipamentos de engenharia.

Por outro lado, produtos com maior retração no mercado americano apresentaram desempenho melhor em outros destinos, indicando uma mudança na dinâmica geográfica das exportações brasileiras.

Perspectivas para o comércio Brasil-EUA

A Amcham Brasil ressaltou que, mesmo com o aumento do déficit dos EUA no comércio global, o Brasil continua entre os poucos países com os quais os americanos mantêm superávit relevante.

“O comércio bilateral é sustentado por cadeias produtivas integradas, investimentos cruzados e geração de empregos em ambos os países. Avançar no diálogo econômico de alto nível é essencial para restaurar previsibilidade, reduzir barreiras e permitir a retomada do fluxo comercial ao longo de 2026”, afirmou Abrão Neto.

FONTE: Estadão Conteúdo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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Internacional

União Europeia prepara entrada em vigor de acordo com Mercosul apesar de resistências

A União Europeia deve avançar, nos próximos meses, com a implementação do acordo de livre comércio com o Mercosul, mesmo diante da oposição de alguns países-membros e de questionamentos judiciais. A sinalização foi feita nesta sexta-feira pelo comissário europeu de Comércio, Maros Sefcovic.

Acordo pode eliminar bilhões em tarifas

O tratado firmado entre o bloco europeu e os países do Mercosul — Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai — prevê a eliminação de cerca de 4 bilhões de euros (aproximadamente US$ 4,7 bilhões) em tarifas sobre exportações europeias.

Se efetivado, o acordo se tornará o maior já negociado pela UE em termos de potencial redução tarifária, ampliando o acesso de empresas europeias ao mercado sul-americano e fortalecendo as relações comerciais entre as regiões.

O texto foi concluído em janeiro, após 25 anos de negociações entre as partes.

França lidera oposição dentro da União Europeia

Apesar do avanço institucional, o tratado enfrenta resistência política relevante. França tem se posicionado de forma contrária ao acordo, alegando que a ampliação das importações de produtos agrícolas do Mercosul — especialmente carne bovina e açúcar — pode prejudicar produtores locais.

Por outro lado, Alemanha e Espanha figuram entre os principais defensores da iniciativa, argumentando que o acordo amplia oportunidades comerciais estratégicas para o bloco europeu.

Contestação judicial pode atrasar processo

Além do embate político, há também um impasse jurídico. No mês passado, o Parlamento Europeu aprovou uma medida para levar o acordo ao tribunal superior da União Europeia, movimento que pode retardar sua implementação em até dois anos e até comprometer sua viabilidade.

Mesmo assim, a Comissão Europeia ainda pode optar pela aplicação provisória do acordo antes da conclusão da análise judicial, acelerando sua entrada em vigor.

FONTE: Forbes
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Forbes

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Comércio Internacional

Déficit comercial dos EUA chega a US$ 901 bilhões em 2025 mesmo com tarifas de Trump

Os Estados Unidos encerraram 2025 com um déficit comercial de US$ 901,5 bilhões — um dos maiores já registrados desde 1960. O resultado foi contabilizado apesar da política de aumento de tarifas implementada pelo presidente Donald Trump ao longo do ano.

Somente em dezembro, o saldo negativo nas trocas de bens e serviços atingiu US$ 70,3 bilhões, acima do mês anterior, consolidando um período de forte instabilidade no comércio exterior americano.

Tarifas elevadas não reduziram desequilíbrio

A estratégia da Casa Branca priorizou o aumento de tarifas sobre diversos parceiros comerciais, com foco especial na China. A iniciativa buscava reduzir a dependência de importações e fortalecer a indústria doméstica.

Mesmo assim, o impacto sobre o déficit agregado foi limitado. Avaliações de mercado indicam que, apesar da volatilidade gerada pelos anúncios tarifários, o desequilíbrio nas contas externas permaneceu praticamente inalterado no acumulado do ano.

Enquanto isso, a China — principal alvo das medidas — encerrou 2025 com superávit superior a US$ 1 trilhão, o maior já registrado por um país. Ainda que as exportações chinesas para os EUA tenham diminuído, o país asiático ampliou vendas para outros mercados, sobretudo na Ásia, redirecionando fluxos comerciais.

Volatilidade nas importações e exportações

Ao longo de 2025, os dados mensais mostraram oscilações expressivas, refletindo a reação de importadores norte-americanos aos sucessivos anúncios de tarifas.

Empresas anteciparam compras de itens como ouro e produtos farmacêuticos antes da entrada em vigor de novos tributos, provocando picos temporários nas importações.

Em dezembro, as importações avançaram 3,6%, impulsionadas por acessórios de informática e veículos automotores. Já as exportações recuaram 1,7%, pressionadas principalmente pela queda nos embarques de ouro.

A leitura superou a maior parte das estimativas do mercado compiladas pela Bloomberg.

Impacto sobre o PIB e projeções revisadas

Antes da divulgação dos números oficiais, o modelo GDPNow, do Federal Reserve Bank of Atlanta, estimava que as exportações líquidas acrescentariam cerca de 0,6 ponto percentual ao crescimento do quarto trimestre, projetado em 3,6%.

Com os dados consolidados, economistas passaram a revisar as projeções, indicando contribuição menor do setor externo para o Produto Interno Bruto (PIB).

Em termos reais, descontada a inflação, o déficit de mercadorias alcançou US$ 97,1 bilhões em dezembro, o maior nível desde julho. O comércio de ouro para fins não industriais não entra no cálculo oficial do PIB norte-americano.

Analistas apontam que, apesar do saldo externo negativo, as importações de bens de capital, especialmente equipamentos ligados à inteligência artificial (IA), sinalizam investimento doméstico robusto no fim do ano.

Disputa comercial e decisão da Suprema Corte

A política tarifária defendida por Donald Trump tem como objetivo estimular a produção interna, proteger empregos industriais e reduzir a dependência de produtos estrangeiros. O governo também contesta estudos que indicam que consumidores americanos absorveram parte relevante do custo das tarifas.

Um ponto ainda pendente é a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos sobre a autoridade presidencial para impor tarifas amplas com base em legislação de emergência. O tribunal pode se pronunciar nos próximos dias.

Mudança no mapa dos déficits bilaterais

No recorte por países, o déficit com a China caiu para aproximadamente US$ 202 bilhões, o menor patamar em mais de 20 anos.

Por outro lado, os déficits com México e Vietnã atingiram níveis recordes, indicando reconfiguração das cadeias de fornecimento. O saldo negativo com Taiwan também alcançou máxima histórica, de US$ 146,8 bilhões, enquanto o déficit com o Canadá recuou.

Os dados sugerem que, embora a política tarifária tenha alterado a geografia do comércio, o impacto estrutural sobre o déficit total dos Estados Unidos foi limitado em 2025.

FONTE: Brasil 247
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Mike Blake

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Comércio

UE e Índia firmam acordo histórico e criam uma das maiores áreas de livre comércio do mundo

A União Europeia (UE) e a Índia formalizaram nesta terça-feira (27) um acordo comercial de grande alcance que cria uma zona de livre comércio envolvendo aproximadamente 2 bilhões de pessoas. O pacto encerra quase 20 anos de negociações e passa a figurar entre os maiores acordos comerciais globais em termos de população e peso econômico.

O entendimento surge em um contexto de instabilidade geopolítica, com o objetivo de reduzir impactos da concorrência chinesa e das tensões geradas pela guerra tarifária dos Estados Unidos.

Acordo representa fatia expressiva da economia global

Antes do encontro com o presidente do Conselho Europeu, António Costa, e com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, destacou a dimensão econômica do pacto. Segundo ele, o acordo responde por cerca de 25% do PIB mundial e aproximadamente um terço do comércio internacional.

Ursula von der Leyen afirmou que o tratado marca um momento histórico na relação entre os dois blocos, ao estabelecer uma área de livre comércio com potencial de ganhos mútuos em escala global.

Redução de tarifas deve impulsionar comércio bilateral

Os últimos impasses foram resolvidos na segunda-feira, permitindo a conclusão do texto final. A expectativa é de que o acordo estimule o comércio bilateral por meio da redução de tarifas em diversos setores estratégicos.

De acordo com Bruxelas, a diminuição das tarifas indianas sobre produtos europeus pode gerar uma economia de até 4 bilhões de euros por ano para empresas da UE. A Alemanha classificou o pacto como um vetor relevante de crescimento econômico e geração de empregos.

Automóveis, vinhos e alimentos entre os setores beneficiados

Com a entrada em vigor do acordo, as tarifas indianas sobre automóveis europeus cairão de 110% para 10%. No setor de bebidas, a taxa sobre vinhos será reduzida de 150% para 20%.

Já os impostos aplicados a massas e chocolates, atualmente em torno de 50%, serão completamente eliminados, segundo autoridades europeias. A UE avalia que poderá dobrar suas exportações para o mercado indiano, tradicionalmente protegido.

Índia aposta em exportações e modernização

Do lado indiano, o governo espera ampliar as vendas externas de têxteis, joias, pedras preciosas e produtos de couro. Em 2024, o comércio de mercadorias entre as partes alcançou 120 bilhões de euros, enquanto o setor de serviços somou 60 bilhões de euros, conforme dados oficiais da UE.

Bruxelas vê na Índia uma oportunidade estratégica, diante do mercado de 1,5 bilhão de habitantes e do crescimento econômico acelerado, que atingiu 8,2% no último trimestre.

Índia deve ganhar espaço no ranking das maiores economias

Segundo projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI), a Índia deve ultrapassar o Japão ainda neste ano e se tornar a quarta maior economia do mundo, atrás apenas de Estados Unidos, China e Alemanha. O governo indiano projeta que o país poderá alcançar a terceira posição antes de 2030.

Para Nova Délhi, a Europa é vista como uma fonte estratégica de tecnologia, investimentos e inovação, fundamentais para acelerar a modernização econômica e a criação de milhões de empregos.

Cooperação vai além do comércio

Além do livre comércio, UE e Índia pretendem avançar em acordos sobre circulação de trabalhadores temporários, intercâmbio de estudantes, pesquisadores e profissionais qualificados, além de cooperação nas áreas de segurança e defesa.

Na área militar, a Índia vem diversificando seus fornecedores e reduzindo a dependência da Rússia, enquanto países europeus buscam estratégia semelhante em relação aos Estados Unidos.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reuters

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