Portos

Porto 4.0: tecnologia e dados impulsionam a transformação dos portos brasileiros

A transformação digital já faz parte da rotina dos portos brasileiros. Em um ambiente onde navios, cargas, caminhões, equipamentos e sistemas produzem grandes volumes de informações, a integração e a análise desses dados ganham espaço como ferramentas para melhorar a eficiência, a segurança e o planejamento das operações.

É nesse cenário que se consolida o conceito de Porto 4.0, inspirado nos princípios da Indústria 4.0. O modelo combina tecnologias como inteligência artificial (IA), aprendizado de máquina, sensores, automação, redes de alta velocidade e plataformas de integração de dados para tornar os complexos portuários mais conectados e inteligentes.

Dados como ferramenta para a operação portuária

Mais do que incorporar novas tecnologias, o Porto 4.0 busca conectar diferentes fontes de informação. Sensores podem transmitir dados em tempo real, enquanto sistemas digitais cruzam informações e identificam padrões que auxiliam na tomada de decisões.

Entre as soluções utilizadas está o Digital Twin, ou gêmeo digital, que cria uma representação virtual de estruturas e operações físicas. A tecnologia permite acompanhar o funcionamento do ambiente real e testar diferentes cenários, contribuindo para o planejamento, a manutenção e a gestão da infraestrutura.

Outra ferramenta é o VTMIS (Sistema de Gerenciamento e Informação do Tráfego de Embarcações), voltado ao monitoramento da navegação. Por meio de radares, câmeras e sensores, o sistema acompanha a movimentação dos navios em tempo real e reúne informações para apoiar a segurança e a coordenação do tráfego marítimo.

O sistema também pode compartilhar informações com órgãos públicos, contribuindo para ações de fiscalização e para a identificação de atividades suspeitas.

Sete portos estratégicos recebem VTMIS

O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) coordena iniciativas relacionadas à transformação digital do setor. Em 2025, foi anunciada a implantação do VTMIS em Santos (SP), Paranaguá (PR), Rio de Janeiro (RJ), Rio Grande (RS), Itaguaí (RJ), Itaqui (MA) e Vila do Conde (PA).

Juntos, esses portos respondem por mais da metade da movimentação de cargas do país. A implantação dos sistemas amplia a capacidade de acompanhamento do tráfego marítimo e reúne informações que podem ser utilizadas na gestão das operações.

Porto de Santos avança na digitalização

O Porto de Santos é um dos exemplos de como diferentes tecnologias podem atuar de maneira integrada.

A implantação de uma rede privada de 5G amplia a capacidade de transmissão de dados e cria condições para aplicações que dependem de conectividade rápida e estável. Entre elas estão soluções de Internet das Coisas (IoT), automação e inteligência artificial.

Com o Digital Twin, esses dados podem alimentar uma representação virtual mais integrada do complexo portuário. Isso permite acompanhar operações, simular situações e apoiar decisões relacionadas à manutenção e à infraestrutura.

Já o VTMIS acrescenta informações sobre a movimentação de embarcações, contribuindo para uma visão mais ampla do tráfego marítimo e para a coordenação das operações.

Tecnologia conecta o navio à cadeia logística

A transformação digital dos portos não se restringe ao ambiente marítimo. Fluxos de caminhões, operações ferroviárias, movimentação de cargas e procedimentos de segurança também podem ser integrados.

Na prática, informações de diferentes etapas da cadeia logística passam a ser analisadas em conjunto. A previsão de chegada de um navio, por exemplo, pode ser relacionada à disponibilidade de cargas, pátios, acessos terrestres e outros recursos envolvidos na operação.

Um dos exemplos dessa digitalização é o Porto Sem Papel (PSP), plataforma desenvolvida pelo Serpro para o Ministério de Portos e Aeroportos. O sistema centraliza informações relacionadas à estadia dos navios e integra dados de agentes de navegação e de diferentes órgãos públicos, como Receita Federal, Polícia Federal, Anvisa e Marinha do Brasil.

A plataforma reduziu a circulação de documentos físicos e a repetição de informações em diferentes sistemas. Segundo o MPor, desde 2011 a digitalização dos processos evitou o consumo de aproximadamente 342,8 milhões de folhas de papel.

IntegraPSP amplia automação dos processos

Em 2026, o Ministério de Portos e Aeroportos e o Serpro apresentaram o IntegraPSP, ferramenta que permite conectar diretamente os sistemas das empresas ao Porto Sem Papel.

A integração ocorre por meio de APIs (interfaces de programação de aplicações), possibilitando a troca automatizada de informações. Com isso, diminui a necessidade de redigitação de dados e, consequentemente, o risco de inconsistências entre sistemas.

A iniciativa representa mais um passo na digitalização dos processos portuários e reforça a tendência de integração entre empresas, sistemas e órgãos públicos.

Transformação digital considera as características de cada porto

O Porto 4.0 não está relacionado a uma única tecnologia ou equipamento. Trata-se de um processo que combina infraestrutura, conectividade, sistemas digitais, dados e profissionais.

Além dos sete portos que estão adotando o VTMIS, o MPor acompanha estudos sobre as necessidades técnicas e possibilidades de apoio em Belém, Santarém e Vila do Conde (PA); Salvador e Aratu (BA); São Francisco do Sul, Imbituba e Itajaí (SC); Fortaleza (CE); e Manaus (AM).

As soluções são avaliadas de acordo com as características de cada complexo portuário.

Em Rio Grande (RS), por exemplo, o VTS permite monitorar embarcações e reunir informações sobre condições como vento, maré, correntes marítimas e salinidade da água. Esses dados são especialmente relevantes para a operação na Lagoa dos Patos.

No Rio de Janeiro, a implantação do VTMIS ocorre de forma gradual, envolvendo Centro de Controle Operacional, sensores, estações remotas e integração de dados.

Um novo modelo de gestão portuária

A digitalização amplia a quantidade e a qualidade das informações disponíveis para a gestão portuária. Com dados integrados, os terminais podem acompanhar operações em tempo real, identificar ocorrências, planejar intervenções e utilizar de maneira mais eficiente a infraestrutura existente.

Nesse contexto, o Porto 4.0 representa uma mudança na forma de administrar os complexos portuários: diferentes tecnologias deixam de atuar de maneira isolada e passam a formar uma rede de informações capaz de apoiar decisões ao longo de toda a cadeia logística.

Fonte: Ministério de Portos e Aeroportos (MPor)

Texto: Redação

Imagem: MPort

Ler Mais
Internacional

Canal Pinglu: China inaugura nova rota fluvial para ampliar comércio com a Asean

A China inaugurou o Canal Pinglu, uma das principais obras recentes de infraestrutura logística do país, com o objetivo de criar uma ligação mais rápida entre o sudoeste chinês e o litoral. A nova hidrovia conecta uma região distante do mar ao Golfo de Beibu, abrindo um caminho direto para os mercados internacionais e, especialmente, para os países da Asean (Associação de Nações do Sudeste Asiático).

Com investimento de 72,7 bilhões de yuans, cerca de US$ 10,75 bilhões ou R$ 55,4 bilhões, o canal tem 134,2 quilômetros de extensão. A estrutura liga Hengzhou, na Região Autônoma Zhuang de Guangxi, ao Golfo de Beibu, considerado o acesso marítimo mais próximo de boa parte do sudoeste da China.

Canal reduz mais de 560 quilômetros no trajeto

O Canal Pinglu foi incorporado ao Novo Corredor Internacional de Comércio Terra-Mar, projeto estratégico destinado a conectar o interior da China aos mercados da Asean e a outras cadeias globais de abastecimento.

A nova rota permite reduzir em mais de 560 quilômetros o percurso das embarcações entre o sudoeste chinês e o oceano, em comparação com os caminhos tradicionais que utilizam portos de Guangdong.

A hidrovia foi projetada para receber navios de até 5 mil toneladas. Segundo as autoridades, a mudança poderá diminuir entre 18% e 30% os custos logísticos, com uma economia anual superior a 5 bilhões de yuans em despesas de transporte.

Ligação entre mercado chinês e Sudeste Asiático

Para Lu Xinning, vice-presidente do governo regional de Guangxi, a infraestrutura cria uma conexão logística entre o mercado chinês, com cerca de 1,4 bilhão de habitantes, e os quase 700 milhões de consumidores dos países da Asean.

A expectativa é que a nova rota não apenas facilite o transporte de cargas, mas também estimule investimentos internacionais e fortaleça a integração das cadeias de fornecimento entre a China e o Sudeste Asiático.

O empreendimento é considerado o primeiro grande canal de integração entre sistemas fluviais e marítimos planejado e coordenado em escala nacional desde a fundação da República Popular da China, em 1949.

Obra levou mais de quatro anos

A construção do Canal Pinglu levou mais de quatro anos. Grande parte do projeto aproveitou rios e canais já existentes, que foram ampliados e aprofundados. Em determinados pontos, porém, foi necessário realizar escavações em terra, inclusive em áreas de relevo montanhoso.

Cheng Yaofei, presidente da Guangxi Pinglu Canal Construction Co., empresa responsável pela obra, afirmou que os trabalhos envolveram desafios de engenharia para os quais não havia modelos ou precedentes diretamente aplicáveis.

Um dos principais obstáculos foi superar um desnível de 65 metros entre os diferentes níveis de água. Para isso, foram construídos três complexos de navegação com eclusas duplas.

Os sistemas também receberam mecanismos de reciclagem de água, que, segundo os responsáveis pelo projeto, permitem economizar mais de 1 bilhão de metros cúbicos do recurso por ano.

Projeto inclui medidas de preservação ambiental

A construção também incorporou medidas voltadas à preservação ambiental. Mais de 98% dos aproximadamente 315 milhões de metros cúbicos de terra e rocha retirados durante as escavações foram reaproveitados na própria obra.

O canal conta ainda com uma passagem para peixes de mais de 480 metros e uma estrutura destinada à travessia de animais terrestres. Entre as espécies beneficiadas estão gatos-maracajá e esquilos.

Nova rota pode mudar logística do sudoeste chinês

A inauguração ocorre no primeiro ano do 15º Plano Quinquenal da China, que abrange o período de 2026 a 2030. O governo chinês busca, nesse ciclo, promover maior equilíbrio no desenvolvimento regional e ampliar a abertura econômica do país.

O sudoeste da China historicamente apresentou desenvolvimento inferior ao das áreas costeiras do leste e enfrentou custos mais elevados para levar sua produção aos mercados internacionais.

Com o novo canal, produtos como carvão, minérios, grãos, materiais ligados à transição energética e componentes automotivos passam a contar com uma conexão mais direta com o exterior.

Segundo Meng Shuang, professora associada da Universidade Central de Finanças e Economia, a expectativa no curto prazo é transferir parte das cargas atualmente transportadas por rodovias e ferrovias para o transporte hidroviário.

A rota também pode deslocar parte do fluxo que atualmente passa pelo Estuário do Rio das Pérolas para o Golfo de Beibu. Em uma perspectiva de longo prazo, a redução dos custos para chegar ao mar pode estimular novos investimentos no interior e influenciar a distribuição das atividades industriais ao longo da rota.

Comércio entre China e Asean supera US$ 1 trilhão

A importância do projeto também está relacionada ao crescimento das relações comerciais entre a China e os países da Asean. O intercâmbio entre os dois lados ultrapassou US$ 1 trilhão pela primeira vez no ano passado.

Nos primeiros sete meses de 2026, o comércio bilateral China-Asean alcançou US$ 744,41 bilhões, alta de 24,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. O valor correspondeu a 21,8% de todo o comércio exterior chinês no período.

Representantes do setor empresarial e do meio acadêmico destacam o potencial da nova infraestrutura para facilitar o fluxo de mercadorias.

BeBe Zhao, presidente da Singapore-China Integrated Developments (Guangxi) Pte. Ltd., afirmou que produtos dos países da Asean poderão chegar com maior eficiência ao oeste chinês, enquanto produtos manufaturados da China poderão alcançar mercados internacionais por meio de centros logísticos regionais, como Singapura.

Na avaliação de Boonsub Panichakarn, da Faculdade de Logística e Cadeia de Suprimentos Digital da Universidade Naresuan, na Tailândia, o impacto do Canal Pinglu não se limita à redução da distância percorrida. A expectativa é de diminuição dos custos logísticos, do tempo de transporte e das incertezas ao longo das cadeias de abastecimento que conectam o Sudeste Asiático ao sudoeste da China.

FONTE: Brasil 247
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Brasil 247

Ler Mais
Evento

Falta uma semana para o Meeting Comex 2026, um dos principais eventos de comércio exterior do Brasil

Falta apenas uma semana para o início do Meeting Comex 2026, que chega à sua 13ª edição com a expectativa de reunir mais de três mil profissionais ligados ao comércio exterior, logística e cadeias globais de suprimentos. O evento será realizado nos dias 22 e 23 de setembro, na Expoville, em Joinville (SC).

Promovido pela Associação Empresarial de Joinville (ACIJ), o encontro se consolidou ao longo de suas edições como um dos principais fóruns brasileiros para discutir os caminhos do comércio internacional, reunindo empresários, executivos, operadores logísticos, importadores, exportadores, especialistas e representantes do poder público.

Uma semana para conectar negócios e mercados internacionais

Entre os destaques desta edição está o fortalecimento da participação internacional. Delegações empresariais de países como Alemanha, Portugal, Espanha, Paraguai, China, Panamá, Rússia, África do Sul, Guatemala, Moçambique, Austrália, Colômbia e Marrocos já confirmaram presença.

A participação de representantes de diferentes mercados amplia a proposta do Meeting Comex de funcionar não apenas como espaço de debates, mas também como ambiente para conexão empresarial, geração de negócios e construção de novas parcerias comerciais.

A expectativa é que a presença internacional contribua para aproximar empresas brasileiras de mercados estratégicos e ampliar as possibilidades de relacionamento ao longo dos dois dias de programação.

Reforma Tributária, geopolítica e logística estão entre os temas

Com mais de 20 horas de conteúdo técnico, a programação desta edição foi estruturada a partir de temas que impactam diretamente as empresas que atuam no comércio internacional.

Entre os assuntos previstos estão os impactos da Reforma Tributária nas operações de importação, o acordo entre Mercosul e União Europeia, os efeitos da geopolítica sobre os negócios, a competitividade da logística brasileira e os cenários para o transporte marítimo e aéreo de cargas.

Também estarão em discussão questões relacionadas ao tratamento administrativo das importações e às transformações que vêm afetando as cadeias globais de suprimentos.

Especialistas e autoridades entre os palestrantes

O Meeting Comex 2026 contará com autoridades governamentais, representantes de órgãos anuentes, executivos e especialistas do mercado nacional e internacional.

Entre os nomes confirmados está o economista Marcos Troyjo, ex-presidente do Banco dos BRICS, que abordará os desafios e oportunidades do comércio exterior brasileiro diante das novas exigências globais relacionadas ao ESG.

Outro destaque da programação é o General André Novaes, que apresentará uma análise sobre o cenário geopolítico internacional e seus impactos nas estratégias das empresas que atuam no mercado global.

Feira e networking ampliam oportunidades

Além dos painéis e palestras, o evento terá feira de negócios, workshops e espaços dedicados ao networking, aproximando empresas, fornecedores, operadores logísticos, despachantes aduaneiros e representantes de instituições públicas.

A proposta é criar um ambiente que combine atualização profissional e relacionamento, permitindo que os participantes acompanhem as principais transformações do setor e, ao mesmo tempo, encontrem potenciais parceiros e oportunidades de negócios.

Ao longo de 12 edições, o Meeting Comex passou a integrar o calendário de eventos relevantes do comércio exterior brasileiro, atraindo um público formado principalmente por CEOs, diretores, gestores, profissionais de supply chain e tomadores de decisão.

Inscrições seguem abertas

Com a realização marcada para a próxima semana, os interessados ainda podem garantir participação no Meeting Comex 2026.

O ingresso dá acesso aos dois dias de programação, incluindo conteúdo técnico, workshops, painéis, feira de negócios, espaços de networking, coffee breaks, brunch oficial, Happy Comex, estacionamento durante o evento e certificado de participação.

🔗 Clique no link, garanta o seu passaporte e venha fazer negócios com a gente:

https://weox.com.br/eventos/meeting-comex-2026/19

Fonte: Associação Empresarial de Joinville (ACIJ).

Texto: Redação

Imagens: Meeting Comex 2025

Ler Mais
Negócios

Brasil e Itália ampliam oportunidades de negócios com Acordo Mercosul-União Europeia

Brasil e Itália buscam ampliar a parceria econômica e comercial em setores estratégicos, impulsionados pelas oportunidades que podem surgir com o Acordo Mercosul-União Europeia. Representantes dos governos e do setor empresarial dos dois países se reuniram na última sexta-feira (11), na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília.

O encontro teve como objetivo aproximar empresas, estimular parcerias de longo prazo e abrir novas oportunidades em áreas como negócios, tecnologia e investimentos.

Organizado pela CNI em conjunto com a Confindustria, ApexBrasil, Agência Italiana de Comércio Exterior (ICE) e Embaixada da Itália no Brasil, o Encontro Empresarial Brasil-Itália encerrou a missão empresarial italiana pela América Latina, que também passou por Buenos Aires e São Paulo.

Acordo Mercosul-UE abre espaço para novos negócios

Na abertura do evento, o vice-presidente da CNI e presidente da Federação das Indústrias do Distrito Federal (Fibra), Jamal Bittar, destacou a importância de estreitar as relações entre os dois países diante das mudanças no cenário internacional e da necessidade de construir cadeias produtivas mais resilientes.

Bittar também mencionou uma reunião realizada anteriormente em Roma, na sede da Confindustria, e defendeu a continuidade do diálogo entre representantes dos setores produtivos brasileiro e italiano.

Segundo ele, a relevância da Itália para a indústria brasileira pode ser observada na evolução das relações comerciais ao longo dos últimos anos. O país europeu está entre os principais parceiros comerciais do Brasil dentro da União Europeia, tanto como destino de exportações quanto como fornecedor de produtos para o mercado brasileiro.

Para o executivo, a perspectiva de avanço do livre comércio entre Mercosul e União Europeia torna ainda mais importante a aproximação entre empresas dos dois lados do Atlântico.

Bittar ressaltou, porém, que a existência de um acordo comercial não garante, por si só, o aumento das transações. Na avaliação apresentada durante o evento, será necessário que as empresas encontrem oportunidades, formem parcerias e desenvolvam projetos capazes de aproveitar as condições criadas pelo tratado.

Entre os segmentos apontados como promissores estão indústria farmacêutica, tecnologia digital, energia, infraestrutura, máquinas e mineração.

Itália busca ampliar investimentos no Brasil

A vice-presidente da Confindustria para Exportação e Atração de Investimentos, Barbara Cimmino, afirmou que a participação italiana no encontro em Brasília é estratégica para acompanhar as diretrizes econômicas brasileiras e compreender as decisões que influenciam o ambiente de negócios.

A aproximação também foi destacada pelo embaixador da Itália no Brasil, Alessandro Cortese. Segundo ele, o Acordo Mercosul-UE cria uma oportunidade para aprofundar a relação bilateral e ampliar o intercâmbio entre os dois países.

Cortese também citou a criação de um grupo de trabalho formado pelos governos brasileiro e italiano. A iniciativa terá como foco o aumento do comércio bilateral e a ampliação dos investimentos entre Brasil e Itália.

Indústria brasileira apresenta cenário e oportunidades

A programação do encontro incluiu ainda uma apresentação sobre o desempenho e os principais desafios da indústria brasileira.

A gerente de Comércio e Integração Internacional da CNI, Constanza Negri, apresentou dados sobre a participação do setor na economia nacional. De acordo com os números apresentados, a indústria representa 23,4% do Produto Interno Bruto (PIB), responde por 67,7% das exportações de bens e serviços e concentra 66,8% dos investimentos empresariais em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D).

Outro dado destacado foi o efeito da atividade industrial sobre o restante da economia: para cada R$ 1 produzido pela indústria, são gerados R$ 1,44 na economia.

CNI defende medidas para aumentar competitividade

O diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI, Mario Sérgio Telles, apresentou uma agenda estratégica com prioridades para os próximos 25 anos.

Entre os pontos destacados está a necessidade de reduzir o chamado Custo Brasil, considerado um obstáculo à competitividade das empresas e à atração de novos investimentos.

Telles também defendeu o fortalecimento dos mecanismos de defesa comercial. Durante a apresentação, classificou o fim da chamada “taxa das blusinhas” como um retrocesso dentro dessa agenda.

A discussão ocorre em um momento em que Brasil e Itália buscam ampliar os negócios bilaterais e aproveitar as oportunidades associadas à aproximação comercial entre o Mercosul e a União Europeia.

FONTE: Portal da Indústria
TEXTO: Redação
IMAGEM: Gilberto Sousa / CNI

Ler Mais
Importação

Cronograma de ligamento da Duimp: entenda a ativação no Portal Único Siscomex

O cronograma de ligamento da Duimp estabelece como será feita, de forma gradual, a disponibilização de determinadas operações de importação no Portal Único Siscomex.

Ativação ocorre de forma escalonada

A programação contempla operações de importação que envolvem a participação de órgãos anuentes ou que apresentam características específicas ainda não disponíveis no sistema.

Nesses casos, a entrada em funcionamento da Duimp (Declaração Única de Importação) será realizada em etapas, conforme o cronograma definido para a implantação das novas funcionalidades.

O que prevê o cronograma da Duimp

O processo busca ampliar progressivamente as operações que podem ser realizadas por meio do Portal Único de Comércio Exterior, permitindo a integração de procedimentos e órgãos envolvidos no despacho aduaneiro.

Dessa forma, o ligamento da Duimp representa uma etapa da modernização dos processos de importação, com a inclusão gradual de operações que ainda não estão habilitadas na plataforma.

FONTE: Siscomex
TEXTO: Redação
IMAGEM: Magnific

Ler Mais
Comércio Exterior

Balança comercial brasileira registra superávit de US$ 3,36 bilhões até a 2ª semana de setembro

A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 3,36 bilhões até a segunda semana de setembro de 2026, resultado 193,8% superior ao registrado no mesmo período de 2025. O desempenho foi impulsionado principalmente pelo avanço das exportações, que cresceram em ritmo mais acelerado que as importações.

Entre o início de setembro e a segunda semana do mês, o Brasil exportou US$ 14,25 bilhões, alta de 28,5% na comparação com setembro de 2025. As importações somaram US$ 10,89 bilhões, crescimento de 9,5%.

Com isso, a corrente de comércio, que reúne exportações e importações, alcançou US$ 25,14 bilhões, aumento de 19,5% na comparação anual.

Exportações avançam em setembro

O crescimento das exportações brasileiras foi observado nos três principais setores da economia. A Indústria Extrativa apresentou a maior expansão, com alta de 70,5% e vendas externas de US$ 4,19 bilhões. A Indústria de Transformação cresceu 17%, alcançando US$ 7,14 bilhões, enquanto a Agropecuária avançou 16,5%, com US$ 2,83 bilhões exportados.

Entre os produtos que contribuíram para o resultado positivo estão centeio, aveia e outros cereais não moídos, cujas vendas dispararam 39.529,5%, além de café não torrado, com alta de 35%, e soja, que cresceu 19,2%.

Na Indústria Extrativa, destacaram-se os minérios de cobre e seus concentrados, com aumento de 39,5%; outros minérios e concentrados de metais de base, com alta de 172,2%; e óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos, que avançaram 126,2%.

Já na Indústria de Transformação, os principais destaques foram os farelos de soja e outros alimentos para animais, com crescimento de 90,7%; celulose, com alta de 49,6%; e ouro não monetário, que registrou avanço de 80%.

Produtos que tiveram queda nas exportações

Apesar do crescimento geral das vendas externas, alguns produtos registraram retração. Na Agropecuária, as quedas mais relevantes ocorreram nas exportações de sementes oleaginosas, que recuaram 71%; especiarias, com redução de 21,9%; e milho não moído, cuja queda foi de 3,7%.

Na Indústria Extrativa, as exportações de minérios de níquel e seus concentrados caíram 100%, enquanto linhita e turfa recuaram 67,8% e minério de ferro e seus concentrados tiveram redução de 4,4%.

Entre os produtos da Indústria de Transformação, houve queda nas vendas externas de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada, de 23%; produtos semiacabados, lingotes e outras formas primárias de ferro ou aço, de 37,2%; e veículos automóveis de passageiros, de 29,1%.

Importações crescem 9,5%

As compras brasileiras no exterior também apresentaram crescimento na segunda semana de setembro. A Indústria de Transformação concentrou a maior parcela das importações, com US$ 10,17 bilhões e alta de 9,2%.

A Agropecuária registrou crescimento de 13,7%, somando US$ 200 milhões, enquanto a Indústria Extrativa avançou 13,5%, chegando a US$ 470 milhões.

Entre os produtos que tiveram maior aumento nas compras externas estão pescado inteiro vivo, morto ou refrigerado, com alta de 41%; frutas e nozes não oleaginosas, frescas ou secas, com crescimento de 29,1%; e soja, que avançou 50,9% na Agropecuária.

Na Indústria Extrativa, chamou atenção o crescimento das importações de minério de ferro e seus concentrados, que aumentaram 1.886.114,4%. Também houve alta de 78,6% nas compras de outros minérios e concentrados de metais de base e de 52,3% nas aquisições de óleos brutos de petróleo ou minerais betuminosos.

Na Indústria de Transformação, os destaques foram os óleos combustíveis de petróleo, com crescimento de 81,2%; válvulas, tubos, diodos e transistores, com alta de 92%; e veículos automóveis de passageiros, cujas importações cresceram 146%.

Quais produtos tiveram queda nas importações?

Alguns grupos de produtos apresentaram redução nas compras brasileiras. Na Agropecuária, as importações de cevada não moída caíram 36,4%, enquanto centeio, aveia e outros cereais não moídos recuaram 54,3%. As compras de trigo e centeio não moídos tiveram queda de 10,9%.

Na Indústria Extrativa, houve redução de 59,9% nas importações de gás natural, de 22,7% nos fertilizantes brutos e de 7,5% no carvão não aglomerado.

Na Indústria de Transformação, as principais retrações ocorreram nas compras de plataformas, embarcações e outras estruturas flutuantes, com queda de 98,2%; motores e máquinas não elétricos e suas partes, com redução de 76,3%; e adubos ou fertilizantes químicos, que recuaram 16,9%.

Acumulado do ano mostra saldo positivo

Considerando o período de janeiro até a segunda semana de setembro de 2026, as exportações brasileiras somaram US$ 265,10 bilhões, crescimento de 11,1% em relação ao mesmo período de 2025.

As importações alcançaram US$ 206,43 bilhões, alta de 5,4%.

O resultado é um superávit comercial acumulado de US$ 58,67 bilhões, crescimento de 36,9% sobre o registrado no período correspondente do ano anterior.

No mesmo intervalo, a corrente de comércio chegou a US$ 471,53 bilhões, avanço de 8,5%.

Os números mostram um cenário de expansão do comércio exterior brasileiro em 2026, com as exportações crescendo em ritmo superior ao das importações e contribuindo para a ampliação do saldo positivo da balança comercial.

Fonte: MDIC

Texto: Redação

Imagem: Arquivo ReConecta News

Ler Mais
Importação

Medicamento experimental é liberado em poucos minutos após chegada ao Brasil

A chegada de um medicamento experimental ao Brasil exigiu uma operação logística coordenada e de alta velocidade no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. Importada dos Estados Unidos, a carga destinada ao tratamento do influenciador Lito Sousa teve o despacho aduaneiro concluído em poucos minutos após o desembarque, permitindo que o produto fosse encaminhado imediatamente ao hospital onde será utilizado.

A operação envolveu a Receita Federal e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que atuaram de forma integrada para antecipar os procedimentos necessários à entrada da carga no país.

Importação foi planejada antes da chegada da carga

A agilidade na liberação foi resultado de um planejamento prévio entre os órgãos responsáveis pelo controle da importação. Como o medicamento possui caráter experimental e seu potencial terapêutico pode ser comprometido pela passagem do tempo, a operação exigia que as etapas de fiscalização e desembaraço fossem realizadas com a maior rapidez possível.

O medicamento ALN-6457, produzido pela Regeneron Pharmaceuticals, ainda está em fase pré-clínica e não possui registro comercial ou representante legal no Brasil. No dia 4 de setembro, a Anvisa autorizou sua importação excepcional para uso compassivo no caso de Lito Sousa.

A carga chegou ao aeroporto de Guarulhos na madrugada de sábado (12), em um voo procedente de Nova York. Após o desembarque, o produto passou pelo procedimento de despacho aduaneiro, etapa fundamental para a regularização da entrada de mercadorias importadas no território nacional.

Da aeronave ao hospital

Após a liberação, a logística foi realizada de forma direta. O medicamento foi retirado da aeronave e encaminhado para um helicóptero, que fez o transporte até seu destino final, o Hospital Israelita Albert Einstein. A estratégia eliminou etapas intermediárias no deslocamento da carga e reduziu o intervalo entre a chegada do medicamento ao Brasil e sua disponibilização para uso hospitalar.

O caso demonstra como o planejamento antecipado pode ser determinante em operações de importação de produtos sensíveis, especialmente quando envolve medicamentos, vacinas e outros insumos de saúde que dependem de condições específicas e possuem caráter emergencial.

Integração entre órgãos reduz tempo na importação

A atuação conjunta entre Receita Federal, Anvisa, Ministério da Saúde e operadores logísticos faz parte de uma estrutura utilizada em situações que demandam maior agilidade na entrada de produtos essenciais no país.

Durante a pandemia de Covid-19, por exemplo, a integração entre os órgãos foi fundamental para acelerar a liberação de vacinas, medicamentos e outros insumos utilizados no enfrentamento da emergência sanitária.

Além da fiscalização e do controle das mercadorias que entram no território nacional, a Aduana brasileira exerce papel estratégico na cadeia de suprimentos de saúde. O desafio está em conciliar segurança, cumprimento das exigências regulatórias e velocidade no desembaraço.

No caso do medicamento destinado a Lito Sousa, a operação evidencia como a preparação antecipada e a integração entre diferentes instituições podem reduzir significativamente o tempo de uma importação, especialmente quando cada hora pode fazer diferença para o destinatário final.

Fonte: G1, com informações sobre a operação da Receita Federal e da Anvisa.

Texto: Redação

Imagem: Ilustrativa / Reprodução Internet

Ler Mais
Exportação

Exportações da Argentina para o Brasil crescem 6,9% em agosto de 2026

As exportações da Argentina para o Brasil avançaram 6,9% em agosto de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano anterior, segundo dados da Câmara Argentina de Comércio e Serviços (CAC). O resultado representa o sexto mês consecutivo de crescimento das vendas argentinas ao mercado brasileiro.

O comércio bilateral entre Argentina e Brasil movimentou US$ 2,578 bilhões em agosto. O valor ficou 3,2% abaixo dos US$ 2,663 bilhões registrados em agosto de 2025. Em relação a julho deste ano, porém, houve alta de 0,3%.

Argentina aumenta vendas ao mercado brasileiro

As exportações argentinas somaram US$ 1,099 bilhão em agosto, enquanto as compras de produtos brasileiros chegaram a US$ 1,479 bilhão.

Com isso, a Argentina registrou déficit comercial de US$ 380 milhões no intercâmbio com o Brasil durante o mês.

O crescimento das vendas argentinas foi impulsionado principalmente por produtos como polímeros de etileno em formas primárias, veículos destinados ao transporte de mercadorias e a usos especiais, leite, creme de leite e outros produtos lácteos, além de óleo combustível derivado de petróleo.

Na direção contrária, a queda de 9,6% nas importações argentinas provenientes do Brasil esteve relacionada principalmente à redução das compras de veículos rodoviários, peças e acessórios para automóveis e veículos destinados ao transporte de passageiros.

Déficit comercial argentino diminui em 2026

Considerando os oito primeiros meses de 2026, o comércio bilateral gerou um saldo negativo de US$ 1,635 bilhão para a Argentina.

Apesar de permanecer deficitário, o resultado representa uma melhora expressiva em relação ao mesmo período de 2025. Entre janeiro e agosto do ano passado, o déficit argentino havia alcançado US$ 4,103 bilhões.

Ainda assim, agosto manteve a trajetória negativa iniciada em janeiro de 2026. Segundo o levantamento da CAC, o resultado também se deteriorou em relação aos quatro meses anteriores.

Argentina ganha espaço entre fornecedores do Brasil

A Argentina ficou na quarta posição entre os principais fornecedores do Brasil em agosto, considerando o valor das importações brasileiras.

A liderança ficou com China, Hong Kong e Macau, com US$ 6,609 bilhões, seguidos pelos Estados Unidos, com US$ 4,014 bilhões, e pela Alemanha, com US$ 1,411 bilhão.

Do lado das exportações brasileiras, a Argentina ocupou a terceira colocação entre os principais mercados compradores no mês.

China, Hong Kong e Macau lideraram, com US$ 8,340 bilhões em compras, enquanto os Estados Unidos ficaram em segundo lugar, com US$ 3,190 bilhões.

Exportações brasileiras também crescem

O desempenho do comércio exterior do Brasil apresentou expansão em agosto. As exportações brasileiras para o mercado internacional passaram de US$ 29,559 bilhões em agosto de 2025 para US$ 33,158 bilhões no mesmo mês de 2026, uma alta de 12,2%.

As importações também aumentaram. O valor subiu 9,3%, de US$ 23,578 bilhões para US$ 25,763 bilhões na comparação anual.

Com exportações superiores às importações, o Brasil encerrou agosto com superávit comercial de US$ 7,395 bilhões. Foi o 18º mês consecutivo em que a balança comercial brasileira apresentou resultado positivo.

FONTE: Cámara Argentina de Comercio y Servicios
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CAC

Ler Mais
Internacional

Marrocos deve fornecer 3,8 milhões de toneladas de fertilizantes ao Brasil

O Brasil está prestes a firmar um acordo com o Marrocos para ampliar o fornecimento de fertilizantes, em uma tentativa de reduzir os riscos de desabastecimento provocados pelas guerras na Ucrânia e no Oriente Médio.

O compromisso deverá ser formalizado pelo ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, durante viagem a Rabat, no início da próxima semana. A previsão é de que os primeiros embarques ocorram já nos próximos dias.

Pelo entendimento, o país africano deverá garantir o fornecimento de 3,8 milhões de toneladas de fertilizantes fosfatados ao Brasil. O volume corresponde a aproximadamente 76% do déficit de 5 milhões de toneladas estimado pelo governo brasileiro para a safra 2026/27.

Primeiro embarque de fertilizantes deve ocorrer na próxima semana

A expectativa do governo é que o acordo tenha efeitos imediatos sobre o abastecimento de fertilizantes no Brasil. De acordo com André de Paula, a primeira carga marroquina deve ser enviada ao país já na próxima semana.

A missão brasileira contará com representantes de 12 entidades do agronegócio, entre elas Aprosoja e Abramilho.

O ministro afirmou que o risco de falta do insumo está afastado e destacou que a busca por fornecedores ganhou importância diante dos problemas logísticos provocados pelos conflitos internacionais.

Cerca de 92% dos fertilizantes utilizados pela agricultura brasileira são importados, o que deixa o país exposto a interrupções nas cadeias globais de fornecimento.

Guerras aumentam preocupação com oferta de fertilizantes

Os conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio afetaram rotas estratégicas de transporte e elevaram a preocupação dos países importadores com a disponibilidade de insumos agrícolas.

No caso brasileiro, a questão é especialmente relevante porque o calendário de plantio depende da chegada dos fertilizantes às regiões produtoras.

Diante desse cenário, o governo adotou uma estratégia baseada em duas frentes. A primeira é encontrar fornecedores capazes de atender à demanda no curto prazo. A segunda envolve ampliar a produção nacional de fertilizantes para diminuir a dependência do mercado externo no longo prazo.

Petrobras retoma produção nacional

Como parte da estratégia de redução da dependência externa, o governo trabalha na retomada de unidades de produção de fertilizantes no Brasil.

Três fábricas da Petrobras já foram reabertas, enquanto uma quarta unidade, localizada em Mato Grosso do Sul, ainda está em processo de retomada.

O aumento da produção doméstica deve contribuir para reduzir a vulnerabilidade brasileira, mas não eliminará a necessidade de importações. Isso ocorre principalmente em relação a produtos que têm produção limitada ou inexistente no país, como determinados fertilizantes fosfatados.

A Rússia continua entre os principais fornecedores internacionais do insumo para o Brasil.

China também amplia fornecimento ao agronegócio

Antes do acordo com o Marrocos, a China já havia aumentado os envios de fertilizantes para o mercado brasileiro.

Segundo André de Paula, uma missão realizada no início do ano ajudou a consolidar a ampliação do fornecimento de fertilizantes nitrogenados e NPK.

Agora, o governo busca estabelecer uma parceria semelhante com o Marrocos, país que possui grandes reservas de fosfato e vem sendo procurado por outras nações interessadas em garantir o abastecimento.

Brasil também negocia tarifa zero para carne bovina

A agenda da missão brasileira no Marrocos inclui ainda uma negociação para ampliar o acesso da carne bovina brasileira ao mercado daquele país.

Representantes de importantes entidades do setor acompanharão a viagem, incluindo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec).

Embora o mercado marroquino esteja formalmente aberto ao produto brasileiro, uma tarifa de importação de 220% torna as vendas praticamente inviáveis. A negociação prevê a retirada dessa cobrança, o que aumentaria a competitividade da carne brasileira.

Mercado marroquino pode abrir portas na África

O Ministério da Agricultura e Pecuária estima que o Marrocos tenha demanda anual de aproximadamente 100 mil a 150 mil toneladas de carne bovina.

Apesar de ser um mercado menor quando comparado a outros grandes compradores internacionais, o governo brasileiro considera o país estrategicamente importante por sua localização e pelo potencial de servir como porta de entrada para outros mercados africanos.

Dados do Agrostat mostram que o Brasil exportou 9,5 mil toneladas de carne para o Marrocos em 2025, gerando receita de US$ 27,7 milhões.

Brasil busca diversificar mercados para o agronegócio

Para o governo brasileiro, a importância da aproximação com o Marrocos vai além do volume de fertilizantes ou do tamanho do mercado de carne.

A estratégia faz parte de um esforço para ampliar a presença do agronegócio brasileiro em novos mercados e reduzir a dependência de parceiros específicos, especialmente em um momento de incertezas no comércio internacional.

Segundo André de Paula, a abertura de novos destinos comerciais é uma forma de diversificar as exportações brasileiras e diminuir a exposição a eventuais restrições ou dificuldades em mercados tradicionais, como a União Europeia.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN

Ler Mais
Internacional

Itália defende diálogo após suspensão da carne brasileira pela União Europeia

A Itália pretende trabalhar pela redução de barreiras comerciais e pela facilitação das relações com o Brasil após a suspensão das importações de carne brasileira pela União Europeia. A posição foi apresentada nesta quarta-feira (9) pelo ministro das Relações Exteriores italiano, Antonio Tajani.

Segundo o chanceler, eventuais divergências entre os dois lados devem ser tratadas por meio de diálogo diplomático e técnico, sem aumento das tensões políticas.

A União Europeia suspendeu as compras de carne e de outros produtos de origem animal do Brasil. O bloqueio entrou em vigor na quarta-feira (3) e está relacionado a critérios sanitários, incluindo normas europeias de controle e questões envolvendo o uso de antimicrobianos na produção pecuária.

Itália quer facilitar comércio com o Brasil

Ao comentar a suspensão, Tajani afirmou que o governo italiano está disposto a conversar com as autoridades brasileiras em busca de uma solução para o impasse.

Na avaliação do ministro, problemas relacionados a regras sanitárias podem criar obstáculos às relações comerciais, mas as diferenças podem ser enfrentadas por meio de negociações.

A Itália, segundo ele, pretende contribuir para superar as dificuldades, desde que sejam mantidas as exigências estabelecidas pelo bloco europeu.

“Se pudermos dar uma mão ao Brasil, o faremos sempre respeitando as regras europeias”, afirmou Tajani durante conversa com jornalistas antes do início de um encontro na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Bloqueio europeu afeta produtos de origem animal

A suspensão das compras europeias envolve a carne brasileira e outros produtos de origem animal. A medida está em vigor desde 3 de setembro e tem como base exigências sanitárias adotadas pela União Europeia.

O cenário cria um novo ponto de atenção para o comércio exterior brasileiro, especialmente para os setores ligados à produção e exportação de proteína animal.

Apesar do bloqueio, a manifestação do governo italiano indica disposição para buscar uma saída negociada, conciliando a manutenção das normas sanitárias europeias com a tentativa de reduzir obstáculos ao comércio.

Missão italiana reúne 100 empresas no Brasil

Tajani está no Brasil acompanhado de uma delegação formada por aproximadamente 100 empresas italianas. A missão empresarial chegou ao país nesta quarta-feira (9), depois de passar pela Argentina.

A visita ocorre em meio ao debate sobre o acesso de produtos brasileiros ao mercado europeu. Nesse contexto, a defesa do diálogo feita pelo chanceler italiano ganha relevância para as relações comerciais entre Brasil e Itália.

A posição de Roma combina o interesse em ampliar e facilitar as relações comerciais com o Brasil com a necessidade de seguir as regras sanitárias e regulatórias estabelecidas pela União Europeia.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Canal Rural Mato Grosso

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook