Comércio Internacional

Tarifaço dos EUA reduz participação americana nas exportações brasileiras e fortalece a China

Um ano depois da imposição do tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, anunciada em 9 de julho de 2025 pelo presidente Donald Trump, o comércio exterior do Brasil apresenta uma mudança significativa. A participação norte-americana nas exportações brasileiras caiu ao menor nível desde o início da série histórica da balança comercial, enquanto a China ampliou sua liderança como principal destino dos produtos nacionais.

Levantamento da Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio para o Brasil) mostra que, no primeiro semestre de 2026, a fatia dos Estados Unidos nas exportações do país recuou de 12,1% para 9,4%, uma redução de 2,7 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano anterior.

No sentido contrário, a participação chinesa aumentou de 28,9% para 31,5%, consolidando quase um terço de todas as vendas externas brasileiras.

Exportações para os EUA caem enquanto outros mercados avançam

Os embarques brasileiros destinados aos Estados Unidos somaram US$ 17,4 bilhões entre janeiro e junho de 2026, representando retração de 13% na comparação anual.

O desempenho contrasta com a expansão das exportações para outros mercados relevantes. As vendas para a China cresceram 21,9%, enquanto os embarques destinados à União Europeia avançaram 12,8%. No total, as exportações brasileiras registraram crescimento de 11,5% no período.

Mesmo permanecendo como o segundo maior parceiro comercial do Brasil, os Estados Unidos perderam espaço nas transações internacionais. A Argentina continua na terceira posição, apesar de também registrar redução em sua participação.

Outro dado apontado pelo estudo indica que o Brasil manteve déficit comercial com os Estados Unidos. No semestre, as importações superaram as exportações em aproximadamente US$ 1,5 bilhão.

Além disso, tanto as vendas quanto as compras entre os dois países recuaram 13%, reduzindo a participação norte-americana na corrente total de comércio para 11,1%, o menor índice desde 1997.

Produtos brasileiros ainda enfrentam barreiras tarifárias

Segundo o Painel de Medidas Tarifárias dos EUA, divulgado nesta semana pela ApexBrasil, cerca de 25% das exportações brasileiras para o mercado norte-americano continuam sujeitas a tarifas entre 12,5% e 25%.

Outros 20% dos produtos permanecem enquadrados na Seção 232, legislação que estabelece restrições para setores considerados estratégicos pelos Estados Unidos, como aço, alumínio, automóveis, autopeças e derivados de cobre.

Entre os segmentos mais impactados estão os de couro e revestimentos cerâmicos, além de produtos com forte dependência do mercado americano, como mel, sebo bovino, filé de tilápia e madeiras de coníferas.

Empresas ampliam presença em novos mercados internacionais

Como resposta às restrições comerciais, a ApexBrasil intensificou ações de promoção internacional.

De acordo com a agência, foram realizadas mais de 80 iniciativas de apoio às exportações ao longo do último ano, permitindo que 72% das empresas atendidas conquistassem pelo menos um novo mercado consumidor.

Além das ações comerciais, setores produtivos receberam treinamento técnico para participar de consultas públicas e apresentar defesas em processos conduzidos pelas autoridades norte-americanas.

A agência também destaca que a dependência brasileira do mercado dos Estados Unidos já vinha diminuindo nas últimas duas décadas. Em 2005, os norte-americanos absorviam 19% das exportações nacionais; em 2025, essa participação havia recuado para 11%.

Nesse mesmo período, a China tornou-se o principal parceiro comercial de 14 estados brasileiros, enquanto os Estados Unidos passaram a liderar as exportações de apenas seis unidades da federação.

Café e frutas buscam recuperar espaço no mercado americano

O café brasileiro foi um dos produtos mais afetados pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos. As exportações de café verde registraram queda de 35% no primeiro semestre.

Após negociações, o produto in natura passou a integrar a lista de exceções tarifárias no fim de 2025, enquanto o setor continua buscando o mesmo tratamento para o café solúvel.

Segundo representantes do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), existe expectativa de recuperação das vendas ao mercado americano com o avanço da colheita deste ano e a possibilidade de ampliação da lista de produtos isentos.

Ao mesmo tempo, as exportações de café para a Europa ganharam força. A participação do continente nas vendas do setor subiu de 43% para 54%, com a Alemanha ultrapassando os Estados Unidos como principal comprador.

O segmento de frutas também diversificou seus destinos. Produtores ampliaram negócios com países da Ásia, especialmente Índia e mercados do Sudeste Asiático.

Enquanto a manga obteve isenção das tarifas, as exportações de uva seguem submetidas às sobretaxas impostas pelos Estados Unidos.

Incerteza permanece nas relações comerciais

Dados da Amcham Brasil apontam que os produtos brasileiros sujeitos às tarifas registraram retração de 20,5% nas exportações nos últimos 12 meses.

No primeiro semestre de 2026, as vendas de itens sobretaxados caíram 17%, enquanto os produtos não atingidos pelas medidas tiveram redução de 9%.

Atualmente, permanecem em vigor tarifas adicionais previstas nas Seções 122 e 232 da legislação comercial norte-americana, enquanto investigações conduzidas com base na Seção 301 continuam em andamento, mantendo incertezas sobre a evolução das relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.

FONTE: O Tempo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Mandel Ngan/AFP

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Comércio Internacional

Tarifa dos EUA sobre produtos brasileiros: governo pede retirada de cobrança adicional de 12,5%

O governo brasileiro solicitou oficialmente aos Estados Unidos a retirada da proposta de aplicação de uma tarifa adicional de 12,5% sobre diversos produtos brasileiros. A manifestação foi enviada na segunda-feira (6) como resposta à investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana.

Na avaliação do Brasil, a medida teria caráter punitivo, provocaria prejuízos econômicos desnecessários e comprometeria o ambiente de cooperação entre os dois países.

Governo brasileiro contesta conclusões da investigação

A resposta brasileira foi formalizada em um documento de 13 páginas assinado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.

No texto, o Itamaraty argumenta que as conclusões apresentadas pelo USTR não podem ser consideradas arbitrárias e defende que o Brasil não deve sofrer sanções comerciais relacionadas às alegações feitas pelos Estados Unidos.

A investigação norte-americana sustenta que o Brasil, assim como outras 59 nações, não teria adotado mecanismos suficientes para impedir ou fiscalizar a entrada de produtos produzidos com trabalho infantil ou trabalho forçado.

Brasil defende cooperação em vez de medidas comerciais

Segundo o governo brasileiro, a imposição da nova tarifa não contribuiria para eliminar práticas de trabalho forçado nem fortaleceria as políticas já implementadas pelo país nessa área.

O documento também afirma que eventuais aperfeiçoamentos devem ocorrer por meio da cooperação internacional, do diálogo entre os governos e da atuação conjunta, em vez da adoção de barreiras comerciais.

Para o Itamaraty, manter a proposta de sobretaxa contraria o histórico de colaboração entre Brasil e Estados Unidos em temas ligados ao comércio e aos direitos trabalhistas.

Carta alerta para possível classificação de facções como organizações terroristas

Em outra frente diplomática, o Ministério das Relações Exteriores encaminhou à Câmara dos Deputados uma carta abordando a possibilidade de os Estados Unidos classificarem o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas estrangeiras.

O documento foi enviado em 1º de julho em resposta a um pedido de informações do deputado federal Evair de Melo (Republicanos).

Segundo o Itamaraty, embora o Brasil não tenha sido oficialmente comunicado sobre essa intenção, uma eventual decisão unilateral por parte de Washington poderia gerar consequências relevantes para as relações entre os dois países.

Itamaraty cita riscos para soberania e economia

Na avaliação apresentada pelo Ministério das Relações Exteriores, a classificação das facções como organizações terroristas poderia servir de base para medidas extraterritoriais adotadas pelos Estados Unidos.

Entre os possíveis efeitos mencionados estão ações nas áreas financeira, migratória e criminal, além da possibilidade de justificativas para operações envolvendo o território brasileiro.

O governo brasileiro também argumenta que essa medida não representaria ganhos concretos no combate ao crime organizado, destacando que Brasil e Estados Unidos já mantêm mecanismos de cooperação internacional considerados eficazes para enfrentar organizações criminosas transnacionais.

Deputado cobra esclarecimentos adicionais

Autor do requerimento de informações, o deputado Evair de Melo afirmou considerar insuficientes os esclarecimentos enviados pelo Itamaraty.

Segundo o parlamentar, a resposta do ministro Mauro Vieira não informa se as avaliações sobre os possíveis impactos da classificação das facções foram fundamentadas em pareceres técnicos, estudos especializados, notas diplomáticas ou outros documentos oficiais.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Portos

Porto de Itajaí amplia movimentação de veículos de luxo e supera 16 mil unidades em operações Ro-Ro em 2026

O Porto de Itajaí registrou mais uma importante operação de carga roll-on/roll-off (Ro-Ro) nesta terça-feira (7). O navio Brasilia Highway atracou no berço público às 13h trazendo 769 veículos de luxo, reforçando o crescimento da movimentação desse tipo de carga ao longo de 2026.

Com a chegada da embarcação, o Porto de Itajaí atingiu a marca de 16.265 veículos movimentados em operações Ro-Ro neste ano. O resultado demonstra a consolidação desse segmento no complexo portuário e evidencia o avanço da movimentação de cargas de alto valor agregado.

Ao longo de 2026, o porto recebeu diversas escalas especializadas nesse tipo de operação. Entre elas estão os navios Victoria Highway, Dover Highway, Good Wood, Grande Shanghai e BYD Changsha, responsáveis pelo transporte de milhares de automóveis importados. A mais recente atracação do Brasilia Highway acrescentou outras 769 unidades ao volume anual.

Retomada operacional fortalece competitividade

Segundo o superintendente do Porto de Itajaí, Artur Antunes Pereira, o desempenho confirma a recuperação das atividades e o fortalecimento da posição do porto no cenário logístico nacional. “Depois da retomada das operações, o Porto de Itajaí avança para uma nova etapa: a consolidação. Estamos recuperando cargas de alto valor agregado, ampliando a movimentação e demonstrando, na prática, que o porto público voltou a ser competitivo, eficiente e estratégico para a logística brasileira”, afirmou.

As operações roll-on/roll-off (Ro-Ro) são destinadas ao transporte de veículos e equipamentos com rodas, como automóveis, caminhões, ônibus e máquinas. Nesse sistema, os veículos entram e saem da embarcação utilizando seus próprios meios de locomoção, tornando os processos de embarque e desembarque mais rápidos, seguros e eficientes.

A escala do Brasilia Highway integra a programação regular desse tipo de operação no Porto de Itajaí, contribuindo para ampliar a movimentação de veículos importados e fortalecer a importância do porto público na logística brasileira.

Fonte: Porto de Itajaí.

Texto: Redação

Imagens: Porto de Itajaí

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Internacional

China amplia carga aérea internacional com 92 novas rotas no primeiro semestre

A China reforçou sua presença no mercado global de carga aérea ao inaugurar 92 novas rotas internacionais durante o primeiro semestre deste ano. A expansão acrescentou mais de 210 voos semanais de ida e volta à malha logística do país, segundo dados divulgados pela Federação Chinesa de Logística e Compras.

O avanço faz parte da estratégia chinesa de fortalecer sua infraestrutura de transporte de cargas e atender ao crescimento da demanda do comércio internacional.

Europa e Ásia concentram maior número de novas operações

Das novas rotas implantadas, 41 ligam a China a países da Ásia, enquanto outras 38 têm como destino a Europa. A expansão também contemplou 11 ligações com a América do Norte, além da abertura de uma rota para a América do Sul e outra para a África.

A ampliação da malha aérea fortalece a conectividade entre os principais mercados consumidores e amplia a capacidade de movimentação de mercadorias em escala global.

Comércio eletrônico impulsiona transporte de cargas

Entre os principais produtos transportados nas novas rotas estão mercadorias relacionadas ao comércio eletrônico transfronteiriço, além de manufaturados de alto padrão, produtos de elevado valor agregado, componentes eletrônicos e autopeças.

O crescimento desse perfil de carga acompanha a expansão das exportações chinesas e a necessidade de entregas mais rápidas para diferentes mercados internacionais.

Rede internacional segue em expansão

De acordo com a Federação Chinesa de Logística e Compras, a estrutura da rede internacional de carga aérea da China continua em ritmo acelerado de crescimento ao longo de 2026.

As companhias especializadas em transporte aéreo de cargas têm intensificado as operações nos principais corredores entre a Ásia e a Europa e ampliado, gradualmente, os serviços em rotas transoceânicas e de longa distância, fortalecendo a posição do país na logística global.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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Portos

Porto Itapoá amplia conexão internacional com nova rota direta para o Norte da Europa

O Porto Itapoá passou a integrar uma nova ligação marítima regular entre a costa leste da América do Sul e o Norte da Europa, ampliando sua participação nas principais rotas do comércio internacional. Operado pela Maersk, o serviço NEOSAMBA conecta o terminal de Santa Catarina a importantes portos europeus, como Rotterdam, Hamburgo, Antuérpia e Southampton, além de incluir escalas em Tânger, Santos, Paranaguá, Buenos Aires e Montevidéu.

A nova operação reforça a competitividade do porto e amplia as opções logísticas para importadores e exportadores que atuam entre os mercados sul-americano e europeu.

Cabotagem para Manaus amplia integração logística

Além da nova rota internacional, o terminal também contará com um serviço de cabotagem voltado para Manaus, fortalecendo a conexão com a Região Norte do país. A iniciativa amplia a integração da malha logística nacional e oferece novas alternativas para o transporte de cargas dentro do Brasil.

O avanço das operações ocorre enquanto seguem as obras de dragagem do canal de acesso à Baía da Babitonga, que já ultrapassaram 70% de execução.

Dragagem permitirá receber navios de maior porte

A expectativa é que a intervenção seja concluída ainda neste ano. Com isso, o complexo portuário estará preparado para operar embarcações de até 366 metros de comprimento e capacidade próxima de 16 mil TEUs, elevando sua eficiência operacional e sua competitividade nas rotas marítimas internacionais.

A ampliação da infraestrutura deve consolidar o Porto Itapoá entre os principais terminais brasileiros para movimentação de contêineres.

União Europeia tem participação relevante na movimentação de cargas

Dados do Porto Itapoá mostram que a União Europeia representou cerca de 19% das importações movimentadas pelo terminal em 2025, totalizando aproximadamente 285 mil TEUs. Nas exportações, o bloco respondeu por 12% do volume transportado, equivalente a cerca de 180 mil TEUs.

Entre as principais mercadorias embarcadas estão produtos florestais, eletrodomésticos, eletrônicos, máquinas e aço, refletindo a diversidade da pauta exportadora atendida pelo porto.

Expansão pode impulsionar investimentos em logística

O aumento da capacidade operacional e das conexões marítimas deve ampliar a procura por áreas de armazenagem e centros de distribuição na região próxima ao terminal.

Segundo Douglas Curi, CEO da Sort Investimentos, a combinação entre novas rotas internacionais, capacidade para receber grandes porta-contêineres e a integração com a cabotagem tende a atrair novos investimentos em condomínios logísticos ao longo do corredor formado por Itapoá, Garuva, Araquari, Joinville e São Francisco do Sul, especialmente nas áreas com acesso à BR-101.

Na avaliação do executivo, a valorização imobiliária costuma ocorrer antes mesmo da infraestrutura atingir sua capacidade máxima de operação. Por isso, empreendimentos localizados próximos ao porto e com acesso eficiente às principais rodovias tendem a concentrar a demanda por novos galpões logísticos.

FONTE: Modais em Foco
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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Logística

Maersk e Hapag-Lloyd retomam operações no Canal de Suez e Mar Vermelho e mercado reage

As gigantes do transporte marítimo Maersk e Hapag-Lloyd iniciaram o processo de retomada das operações pelo Mar Vermelho e pelo Canal de Suez, em um movimento considerado um marco para a recuperação da principal ligação marítima entre a Ásia e a Europa. A decisão ocorre após mais de dois anos de desvios pelo Cabo da Boa Esperança, adotados em razão dos riscos à segurança na região.

De acordo com a Maersk, a retomada foi autorizada após uma série de análises detalhadas sobre o cenário de segurança no Mar Vermelho. A empresa destacou que a iniciativa representa o início de um retorno gradual da sua malha de serviços utilizando novamente o Canal de Suez.

Serviço AE15 será o primeiro a utilizar a nova rota

A primeira operação beneficiada será o serviço AE15, responsável pela conexão entre a Ásia, o Mediterrâneo e diversos portos europeus. Segundo a Hapag-Lloyd, a reativação desse trajeto permitirá reduzir o tempo de viagem em cerca de quatro semanas em comparação ao percurso alternativo pelo sul da África.

O primeiro navio a realizar a mudança será o Majestic Maersk, que atualmente navega nas proximidades de Omã, conforme informações de monitoramento marítimo.

Apesar da retomada, a Maersk informou que, neste momento, os demais serviços da aliança Gemini Cooperation continuarão seguindo as rotas atuais. A ampliação das operações pelo Canal de Suez dependerá da manutenção da estabilidade na região e da ausência de novos episódios de escalada do conflito no Oriente Médio.

Crise de segurança alterou o transporte marítimo global

As principais companhias de navegação deixaram de utilizar o Mar Vermelho no fim de 2023, após sucessivos ataques de rebeldes houthis do Iêmen contra embarcações comerciais.

Embora algumas empresas tenham avaliado um retorno ao longo deste ano, o agravamento das tensões entre Irã e Israel voltou a aumentar os riscos para a navegação, adiando a normalização da rota.

Antes da crise, o Canal de Suez concentrava aproximadamente 10% do comércio marítimo mundial, sendo considerado o caminho mais rápido entre os mercados asiático e europeu.

Mercado prevê impacto nas tarifas de frete

O prolongado desvio das embarcações pelo Cabo da Boa Esperança elevou significativamente o tempo de viagem, o consumo de combustível e os custos operacionais das companhias. Além disso, parte da frota mundial permaneceu ocupada por períodos mais longos, reduzindo a oferta de capacidade.

Esse cenário, aliado ao aumento da demanda antes da alta temporada do comércio internacional, contribuiu para uma forte valorização das tarifas de frete marítimo nas últimas semanas.

Com a retomada gradual do Canal de Suez, a expectativa do mercado é de maior eficiência na utilização da frota, o que pode ampliar a oferta de transporte e pressionar os preços dos fretes nos próximos meses.

Ações de Maersk e Hapag-Lloyd recuam após anúncio

A perspectiva de normalização da rota também repercutiu no mercado financeiro. As ações da Maersk registraram queda de até 9%, enquanto os papéis da Hapag-Lloyd chegaram a recuar 4,6% após a divulgação da estratégia.

Para o analista Haider Anjum, do Jyske Bank, a decisão representa o primeiro passo para uma retomada mais ampla das operações no Mar Vermelho até o fim deste ano.

Segundo o especialista, caso a hidrovia seja totalmente normalizada e a entrada de novos navios prevista para 2027 e 2028 seja confirmada, a tendência é de aumento da capacidade global de transporte, fator que poderá reduzir as taxas de frete e pressionar a rentabilidade das companhias de navegação.

FONTE: Mundo Marítimo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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Exportação

Elas Exportam inicia nova edição com 117 empreendedoras e fortalece a internacionalização feminina

A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), em parceria com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), deu início à sexta edição do Programa Elas Exportam, iniciativa que incentiva a participação de empresas lideradas por mulheres no comércio exterior.

Nesta edição, 117 empreendedoras foram selecionadas para participar de uma jornada de capacitação e mentoria voltada ao desenvolvimento de estratégias para ampliar a presença de seus negócios no mercado internacional.

Mentorias e capacitação impulsionam empresas lideradas por mulheres

Ao longo do programa, cada participante contará com o acompanhamento de uma mentora especializada em exportação e negócios internacionais. A programação reúne conteúdos técnicos, atividades práticas e orientações estratégicas para preparar as empresas para competir em mercados globais.

Segundo a diretora de Negócios da ApexBrasil, Maria Paula Velloso, a iniciativa integra uma trilha de desenvolvimento que acompanha as empresas desde a capacitação até a promoção comercial, fortalecendo a inserção dos produtos brasileiros no exterior.

A secretária de Comércio Exterior do MDIC, Tatiana Prazeres, destacou que o programa já se consolidou como uma importante política pública para ampliar a participação feminina no comércio internacional e tornar esse ambiente mais inclusivo.

Nova edição amplia setores atendidos

Entre as novidades deste ano está a expansão da programação, que passa a oferecer mais encontros coletivos, conteúdos voltados ao desenvolvimento socioemocional e à gestão estratégica, além do fortalecimento das parcerias institucionais.

Outra inovação é a criação de vagas específicas para empresas dos setores de tecnologia da informação, audiovisual e games, ampliando o alcance da iniciativa para segmentos de alto potencial de crescimento.

Procura pelo programa cresce em todo o Brasil

O interesse pelo Elas Exportam aumentou significativamente nesta edição. O programa recebeu quase 600 manifestações de interesse de empreendedoras e contabilizou 374 inscrições para o Banco de Mentoras.

As participantes representam todas as regiões do país, sendo que aproximadamente 30% das selecionadas são dos estados das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, reforçando o compromisso com a diversidade regional.

Programa já beneficiou centenas de empresas

Desenvolvido dentro da Política Nacional de Cultura Exportadora (PNCE), o programa conta com o apoio do Banco do Brasil, Sebrae, INPI e de diversas instituições parceiras que contribuem com mentorias e capacitações.

Desde sua criação, o Elas Exportam já apoiou 219 empresas e reuniu 196 mentoras, formando uma ampla rede de incentivo ao empreendedorismo feminino e à internacionalização de pequenos e médios negócios.

Em 2025, a iniciativa recebeu reconhecimento internacional ao conquistar o Prêmio Igualdade de Gênero no Comércio, concedido pela Organização Mundial do Comércio (OMC), na categoria dedicada às mulheres empreendedoras.

Com o avanço de cada edição, o programa fortalece o ambiente de apoio às empresárias brasileiras, ampliando as oportunidades para que mais negócios liderados por mulheres conquistem espaço no mercado global.

FONTE: apexBrasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/apexBrasil

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Comércio Exterior

Austrália abre 324 oportunidades de exportação para empresas brasileiras, aponta ApexBrasil

Um estudo técnico da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) identificou 324 oportunidades de exportação para empresas brasileiras interessadas em ampliar sua atuação na Austrália. O levantamento, intitulado Perfil de Comércio e Investimentos – Austrália, apresenta um panorama de uma das maiores economias da região, com PIB de US$ 1,8 trilhão e consumo interno estimado em US$ 1,4 trilhão.

Os dados também mostram a relevância da relação comercial entre os dois países. Em 2025, a corrente de comércio alcançou US$ 1,8 bilhão, sendo que as exportações brasileiras responderam por US$ 777,4 milhões desse total.

Café brasileiro lidera as exportações

O principal produto brasileiro vendido ao mercado australiano é o café não torrado, responsável por 24,2% das exportações para o país.

O desempenho é impulsionado pelo perfil de consumo dos australianos, que apresentam forte demanda por cafés do tipo expresso e bebidas preparadas à base de café com leite.

Setor industrial também apresenta potencial de crescimento

Além do agronegócio, o estudo aponta espaço para ampliar a presença de produtos industrializados brasileiros na Austrália. Os investimentos locais em habitação e infraestrutura devem impulsionar a demanda por diferentes segmentos da indústria.

Entre os setores com maior potencial de expansão estão veículos ferroviários e rodoviários, medicamentos, equipamentos para engenharia civil, celulose, materiais de construção, máquinas elétricas, motocicletas e aeronaves.

Benefícios tarifários favorecem empresas brasileiras

Outro fator que fortalece a competitividade dos produtos nacionais é o acesso da Austrália ao Sistema Geral de Preferências (SGP), por meio do Australian System of Tariff Preferences (ASTP).

Como o Brasil está enquadrado na categoria Developing Country Status (DCS), empresas brasileiras podem obter tarifas reduzidas em determinadas linhas de importação, tornando seus produtos mais competitivos no mercado australiano.

Investimentos australianos avançam no Brasil

A relação entre os dois países também cresce na área de investimentos. Em 2024, o estoque de investimento direto da Austrália no Brasil atingiu US$ 7,2 bilhões, colocando o país como a 23ª maior origem de capital estrangeiro na economia brasileira.

Os recursos estão concentrados principalmente em projetos de mineração, transição energética, exploração de minerais estratégicos em Minas Gerais e iniciativas voltadas ao hidrogênio verde e às energias renováveis nos estados do Ceará e do Rio de Janeiro.

FONTE: apexBrasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/apexBrasil

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Indústria

Tarifa de 25% dos EUA pode atingir principalmente a indústria brasileira, aponta análise

O governo dos Estados Unidos iniciou, nesta segunda-feira (6), uma série de audiências com representantes do setor produtivo para discutir a possível aplicação de uma tarifa de 25% sobre parte das importações vindas do Brasil. Caso a medida seja confirmada, a indústria brasileira tende a ser o segmento mais afetado, segundo avaliação da editora e analista de Economia da CNN, Lucinda Pinto.

Impacto na economia brasileira deve ser limitado

Apesar da preocupação com alguns setores, a analista considera que os efeitos sobre a economia brasileira como um todo não seriam significativos.

Atualmente, apenas 10,8% das exportações brasileiras têm como destino os Estados Unidos. Além disso, a proposta de sobretaxa atingiria cerca de 31% desse volume, o equivalente a aproximadamente US$ 11,7 bilhões.

Na avaliação de Lucinda Pinto, mesmo com a cobrança da tarifa de 25%, o impacto macroeconômico tende a ser restrito devido ao alcance limitado da medida.

Outro fator que reduz os efeitos gerais é que importantes produtos da pauta de exportação brasileira, como petróleo, café, suco de laranja e carne, não fazem parte da relação de itens que poderão ser tarifados.

Produtos industrializados estão no foco da proposta

A proposta norte-americana concentra-se principalmente sobre produtos industrializados. Entre os itens citados estão madeira perfilada, sebo bovino, portas e caixilhos de madeira, mel natural, transformadores elétricos, além de espingardas e carabinas de caça.

De acordo com a análise, aproximadamente metade dos produtos incluídos na lista possui alto valor agregado e é classificada como de elevada tecnologia, o que amplia a preocupação do setor.

Regiões mais dependentes das exportações sentirão maior impacto

Embora o reflexo sobre a economia nacional seja considerado moderado, os efeitos podem ser bastante expressivos em determinadas regiões do país.

Levantamento da consultoria Integra Associados indica que estados como Santa Catarina, Alagoas e Paraíba estão entre os mais vulneráveis por apresentarem maior dependência das exportações destinadas ao mercado norte-americano. Já São Paulo, apesar do elevado volume exportado para os Estados Unidos, possui uma economia mais diversificada e menor dependência desse destino.

Redirecionamento das exportações é um dos principais desafios

Outro ponto destacado pela analista é a dificuldade enfrentada pelas empresas para encontrar novos mercados em curto prazo.

Ao contrário das commodities, que costumam ser redirecionadas com maior facilidade, muitos produtos industrializados são desenvolvidos sob encomenda para atender especificações técnicas de clientes específicos. Essa característica reduz a possibilidade de substituir rapidamente o mercado norte-americano por outros compradores.

Segundo Lucinda Pinto, máquinas e equipamentos produzidos para atender linhas de produção específicas dificilmente encontram novos destinos de forma imediata.

Especialistas ainda apostam em mudanças na proposta

Apesar do avanço das discussões nos Estados Unidos, ainda há incertezas sobre o alcance da medida e sobre os objetivos do governo norte-americano.

Especialistas ouvidos pela analista acreditam que existe a possibilidade de a tarifa não ser aplicada integralmente ou de atingir apenas parte dos produtos inicialmente previstos, reduzindo os impactos para o setor exportador brasileiro.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN

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Comércio Exterior

Balança comercial registra superávit de US$ 2,27 bilhões na primeira semana de julho

O superávit da balança comercial brasileira atingiu US$ 2,273 bilhões (cerca de R$ 11,87 bilhões) na primeira semana de julho, impulsionado pelo forte desempenho das exportações brasileiras, que cresceram 40,6% em relação ao mesmo período do ano passado.

Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (6) pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). No período, o país exportou US$ 5,891 bilhões, enquanto as importações somaram US$ 3,618 bilhões.

Indústria extrativa lidera crescimento das exportações

O avanço das exportações foi puxado principalmente pela indústria extrativa, que registrou crescimento de 81,7% na comparação anual e movimentou US$ 1,761 bilhão. A indústria de transformação também apresentou desempenho expressivo, com embarques de US$ 3,167 bilhões, alta de 39,4%. Já a agropecuária exportou US$ 947 milhões, crescimento mais moderado de 1,5%.

As importações brasileiras cresceram 10,4% frente ao mesmo período de julho de 2025. Entre os setores, a agropecuária registrou retração de 15%, totalizando US$ 75 milhões. Em contrapartida, a indústria extrativa ampliou as compras externas em 86,6%, alcançando US$ 245 milhões. A indústria de transformação respondeu pela maior parcela das importações, com US$ 3,288 bilhões, resultado 7,4% superior ao registrado no mesmo intervalo do ano anterior.

No acumulado de janeiro até a primeira semana de julho, o superávit da balança comercial chegou a US$ 44,630 bilhões, representando crescimento de 39,2% em relação ao mesmo período de 2025, quando o saldo positivo era de US$ 37,184 bilhões. O resultado reforça o desempenho positivo do comércio exterior brasileiro ao longo do ano, sustentado principalmente pelo aumento das exportações.

A expectativa do MDIC é que o superávit comercial alcance US$ 90 bilhões até o fim de 2026. Para isso, o governo estima que as exportações brasileiras totalizem US$ 394,4 bilhões no ano, enquanto as importações devem chegar a US$ 304,4 bilhões.

Fonte: Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC).

Texto: Redação

Imagem: JBS Terminais / Porto de Itajaí / Foto Tanajura

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