Indústria

Mercado livre de energia cresce entre indústrias brasileiras e já atrai 41% das empresas, aponta CNI

Mais de quatro em cada dez indústrias brasileiras já migraram para o mercado livre de energia nos últimos dois anos, segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI). A pesquisa mostra que 41% das empresas passaram a negociar a compra de energia nesse modelo desde 2024, após a ampliação do acesso ao ambiente de livre contratação por uma norma do Ministério de Minas e Energia (MME).

Entre as empresas que deixaram o mercado cativo de energia, 73% afirmam ter percebido redução nos gastos com tarifas elétricas. O resultado reforça o interesse da indústria por alternativas para controlar despesas e aumentar a competitividade.

Empresas buscam reduzir custos com a conta de luz

A Sondagem Especial Indústria e Energia 2026, divulgada pela CNI, aponta que 30% dos empresários consideram a migração para o mercado livre de eletricidade a principal estratégia para diminuir os custos da energia.

O movimento ocorre em um cenário de maior instabilidade no setor elétrico, influenciado pelo crescimento da demanda mundial por energia e por fatores geopolíticos que afetam os preços. Diante desse contexto, a busca por maior previsibilidade e economia tem levado mais empresas a avaliar a mudança no modelo de contratação.

Apesar do avanço, a pesquisa indica que ainda existe espaço para crescimento. Entre as indústrias atendidas em baixa tensão que continuam no mercado regulado, 37% demonstram interesse em migrar para o ambiente livre.

Grandes empresas lideram adesão ao mercado livre

A adesão varia conforme o porte das companhias. Entre as grandes indústrias conectadas em alta tensão, 63% já compram energia no mercado livre.

Nas pequenas empresas, 22% informam que já participam desse ambiente de contratação, enquanto 45% permanecem no mercado tradicional, conhecido como mercado cativo.

O levantamento também revela a importância da eletricidade para a produção industrial: 79% das empresas afirmam que a energia elétrica é o principal insumo energético utilizado em seus processos.

“O levantamento evidencia como o custo da energia influencia a competitividade da indústria e mostra que muitas empresas têm buscado a migração para o mercado livre como alternativa para reduzir tarifas”, afirma o gerente de Energia da CNI, Roberto Wagner Pereira.

Segundo o especialista, também é necessário aprimorar o modelo de formação de preços no setor, com a adoção de tarifas dinâmicas de energia, capazes de acompanhar fatores como geração, horários de consumo e demanda. Ele ainda defende a revisão dos subsídios existentes, que contribuem para elevar o valor final da conta de luz.

Custo da energia preocupa a indústria brasileira

A pesquisa aponta que 83% dos industriais consideram o preço da energia um fator essencial para a competitividade dos negócios. Além disso, 67% afirmam que o aumento das tarifas interfere diretamente nos custos de produção.

Nos últimos 12 meses, 62% das empresas perceberam algum impacto provocado pela variação dos preços da eletricidade.

Entre os participantes, 3% relataram aumento considerado elevado na conta de luz, superior a 30%. Outros 20% classificaram o impacto como médio, com reajustes acima de 10%, enquanto 39% apontaram efeitos menores, abaixo de 10%.

Indústrias investem em eficiência energética e autogeração

Quase dois terços das empresas pesquisadas (64%) adotaram alguma iniciativa para reduzir o consumo de energia ou diminuir despesas tarifárias. A principal medida foi a migração para o mercado livre de energia, citada por 30% das indústrias.

Outras estratégias incluem investimentos em autogeração de energia e eficiência energética, apontados por 13% das empresas. Já 28% afirmaram não ter realizado nenhuma ação para otimizar o uso energético nos processos produtivos.

Setores com maior investimento em energia

A indústria de produtos de borracha apresentou os maiores índices de investimento em autogeração, com 25% das empresas adotando essa alternativa, e também teve destaque na migração para o mercado livre, com 38% de adesão.

O setor calçadista registrou a maior participação no mercado livre, com 47% das empresas migrando para esse modelo. Já o segmento de equipamentos de informática e produtos eletrônicos foi o que mais investiu em eficiência energética, com 25% das empresas adotando medidas nessa área.

A Sondagem Especial Indústria e Energia 2026 foi realizada em abril pela CNI com 1.498 indústrias dos setores extrativo e de transformação. O levantamento reuniu 601 pequenas empresas, 529 médias e 368 grandes companhias.

FONTE: Portal da Indústria
TEXTO: Redação
IMAGEM: Iano Andrade/CNI

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