Negócios

Brasil e Itália ampliam oportunidades de negócios com Acordo Mercosul-União Europeia

Brasil e Itália buscam ampliar a parceria econômica e comercial em setores estratégicos, impulsionados pelas oportunidades que podem surgir com o Acordo Mercosul-União Europeia. Representantes dos governos e do setor empresarial dos dois países se reuniram na última sexta-feira (11), na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília.

O encontro teve como objetivo aproximar empresas, estimular parcerias de longo prazo e abrir novas oportunidades em áreas como negócios, tecnologia e investimentos.

Organizado pela CNI em conjunto com a Confindustria, ApexBrasil, Agência Italiana de Comércio Exterior (ICE) e Embaixada da Itália no Brasil, o Encontro Empresarial Brasil-Itália encerrou a missão empresarial italiana pela América Latina, que também passou por Buenos Aires e São Paulo.

Acordo Mercosul-UE abre espaço para novos negócios

Na abertura do evento, o vice-presidente da CNI e presidente da Federação das Indústrias do Distrito Federal (Fibra), Jamal Bittar, destacou a importância de estreitar as relações entre os dois países diante das mudanças no cenário internacional e da necessidade de construir cadeias produtivas mais resilientes.

Bittar também mencionou uma reunião realizada anteriormente em Roma, na sede da Confindustria, e defendeu a continuidade do diálogo entre representantes dos setores produtivos brasileiro e italiano.

Segundo ele, a relevância da Itália para a indústria brasileira pode ser observada na evolução das relações comerciais ao longo dos últimos anos. O país europeu está entre os principais parceiros comerciais do Brasil dentro da União Europeia, tanto como destino de exportações quanto como fornecedor de produtos para o mercado brasileiro.

Para o executivo, a perspectiva de avanço do livre comércio entre Mercosul e União Europeia torna ainda mais importante a aproximação entre empresas dos dois lados do Atlântico.

Bittar ressaltou, porém, que a existência de um acordo comercial não garante, por si só, o aumento das transações. Na avaliação apresentada durante o evento, será necessário que as empresas encontrem oportunidades, formem parcerias e desenvolvam projetos capazes de aproveitar as condições criadas pelo tratado.

Entre os segmentos apontados como promissores estão indústria farmacêutica, tecnologia digital, energia, infraestrutura, máquinas e mineração.

Itália busca ampliar investimentos no Brasil

A vice-presidente da Confindustria para Exportação e Atração de Investimentos, Barbara Cimmino, afirmou que a participação italiana no encontro em Brasília é estratégica para acompanhar as diretrizes econômicas brasileiras e compreender as decisões que influenciam o ambiente de negócios.

A aproximação também foi destacada pelo embaixador da Itália no Brasil, Alessandro Cortese. Segundo ele, o Acordo Mercosul-UE cria uma oportunidade para aprofundar a relação bilateral e ampliar o intercâmbio entre os dois países.

Cortese também citou a criação de um grupo de trabalho formado pelos governos brasileiro e italiano. A iniciativa terá como foco o aumento do comércio bilateral e a ampliação dos investimentos entre Brasil e Itália.

Indústria brasileira apresenta cenário e oportunidades

A programação do encontro incluiu ainda uma apresentação sobre o desempenho e os principais desafios da indústria brasileira.

A gerente de Comércio e Integração Internacional da CNI, Constanza Negri, apresentou dados sobre a participação do setor na economia nacional. De acordo com os números apresentados, a indústria representa 23,4% do Produto Interno Bruto (PIB), responde por 67,7% das exportações de bens e serviços e concentra 66,8% dos investimentos empresariais em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D).

Outro dado destacado foi o efeito da atividade industrial sobre o restante da economia: para cada R$ 1 produzido pela indústria, são gerados R$ 1,44 na economia.

CNI defende medidas para aumentar competitividade

O diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI, Mario Sérgio Telles, apresentou uma agenda estratégica com prioridades para os próximos 25 anos.

Entre os pontos destacados está a necessidade de reduzir o chamado Custo Brasil, considerado um obstáculo à competitividade das empresas e à atração de novos investimentos.

Telles também defendeu o fortalecimento dos mecanismos de defesa comercial. Durante a apresentação, classificou o fim da chamada “taxa das blusinhas” como um retrocesso dentro dessa agenda.

A discussão ocorre em um momento em que Brasil e Itália buscam ampliar os negócios bilaterais e aproveitar as oportunidades associadas à aproximação comercial entre o Mercosul e a União Europeia.

FONTE: Portal da Indústria
TEXTO: Redação
IMAGEM: Gilberto Sousa / CNI

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