Indústria

Máquinas antigas e juros altos pressionam a produtividade da indústria brasileira

A combinação de máquinas envelhecidas, juros elevados e dificuldades de acesso a investimentos ajuda a explicar um dos principais entraves da indústria brasileira: a baixa produtividade. Enquanto grandes empresas conseguem incorporar tecnologias avançadas, uma parcela significativa das fábricas ainda opera com equipamentos próximos do fim de sua vida útil.

Na unidade da ABB Robotics em Sorocaba, no interior de São Paulo, entre dez e 15 robôs industriais usados chegam todos os meses. Muitos passaram anos trabalhando em linhas de montagem de veículos, realizando tarefas como soldagem, pintura e movimentação de componentes.

Os equipamentos são desmontados, atualizados e submetidos a testes antes de voltar ao mercado. Um robô reformado pode custar entre 40% e 60% do valor de um modelo novo e, depois da recuperação, costuma ser vendido para indústrias de máquinas, alimentos, plásticos e autopeças.

Esse mercado de equipamentos recondicionados revela um problema mais amplo: o envelhecimento do parque industrial brasileiro.

Indústria brasileira opera com máquinas cada vez mais antigas

As máquinas utilizadas pela indústria nacional têm, em média, 14 anos. De acordo com uma sondagem da Confederação Nacional da Indústria (CNI), 38% dos equipamentos já atingiram ou estão próximos da idade considerada adequada para o fim de seu ciclo de vida pelo fabricante.

Para Rafael Cagnin, economista-chefe e diretor-executivo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI), o cenário mostra o limite ao qual parte das empresas chegou para manter equipamentos antigos em operação.

Máquinas envelhecidas tendem a apresentar mais falhas e consumir mais energia. Além disso, os recursos destinados à manutenção deixam de ser utilizados na renovação das linhas de produção.

Nesse contexto, o retrofit industrial, que consiste na modernização de equipamentos existentes, aparece como alternativa para empresas que querem avançar na automação industrial sem assumir o custo integral de uma máquina nova.

Baixa produtividade é um problema histórico

A dificuldade para disseminar tecnologia entre empresas de diferentes portes contribui para um problema que acompanha a economia brasileira há décadas: a baixa produtividade do trabalho.

Em 2025, cada hora trabalhada no Brasil gerou, em média, US$ 21,2, considerando dólares de 2021 ajustados pela paridade do poder de compra, segundo estimativas da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

O resultado correspondia a 26% da produtividade registrada nos Estados Unidos e a 62% da observada no Chile. O indicador considera não apenas as máquinas disponíveis, mas também fatores como organização da produção, qualificação dos trabalhadores e infraestrutura.

O cenário ganha importância diante do envelhecimento da população brasileira. O chamado bônus demográfico, que respondeu por aproximadamente 70% do crescimento médio do PIB per capita nos anos 1990, já deixou de impulsionar a economia.

Com uma população economicamente ativa crescendo mais lentamente, o aumento da renda dependerá cada vez mais da capacidade de produzir mais a cada hora trabalhada.

Brasil ainda utiliza poucos robôs industriais

Apesar da presença de fornecedores internacionais de tecnologia e de linhas públicas de financiamento, o Brasil continua com uma densidade relativamente baixa de robôs industriais.

O país não aparece entre os dez maiores mercados de novas instalações de robôs no levantamento mais recente da Federação Internacional de Robótica (IFR).

Em 2024, a média mundial chegou a 132 robôs em funcionamento para cada 10 mil trabalhadores da indústria manufatureira. A Coreia do Sul, líder do indicador, registrava 1.220. No México, cuja indústria automobilística está fortemente integrada às cadeias produtivas dos Estados Unidos, eram 62.

No Brasil, segundo dados da IFR citados por Adrian Covi, gerente da área de Indústrias Gerais da ABB Robotics para a América do Sul, havia 19 robôs para cada 10 mil trabalhadores. Na indústria automotiva, a proporção chegava a 139, enquanto nos demais segmentos industriais era de apenas 13.

A ABB também realiza avaliações nas fábricas para identificar processos nos quais a robotização poderia trazer ganhos iniciais de eficiência.

Grandes empresas avançam, mas tecnologia não se espalha de forma uniforme

Rafael Cagnin, do IEDI, define o cenário brasileiro como uma situação de “heterogeneidade estrutural”. O conceito descreve a convivência entre empresas altamente tecnológicas e uma grande parcela do setor produtivo que permanece defasada.

Empresas como Embraer e WEG, por exemplo, conseguem competir internacionalmente utilizando tecnologias avançadas. Ao redor delas, porém, existe uma extensa cadeia de fornecedores menores, muitas vezes mais dependentes do mercado interno e com acesso limitado ao crédito.

Essa diferença de condições ajuda a explicar por que a modernização tecnológica não ocorre no mesmo ritmo em todos os segmentos da indústria brasileira.

Juros altos dificultam investimento em máquinas

A decisão de substituir uma máquina envolve também uma comparação financeira. Para uma empresa com recursos disponíveis, investir em equipamentos significa assumir riscos e esperar anos pelo retorno.

Em um ambiente de juros altos, entretanto, aplicações financeiras de menor risco podem oferecer uma alternativa mais atraente para o capital.

Em setembro, a taxa Selic estava em 13,75% ao ano, enquanto o IPCA acumulava alta de 4,22% em 12 meses. O juro real retrospectivo ficava, portanto, próximo de 9,5%.

Na prática, um projeto de expansão ou modernização industrial precisa apresentar retorno superior ao custo de oportunidade do dinheiro para se tornar financeiramente interessante.

O problema afeta principalmente pequenas e médias indústrias. Grandes grupos têm mais facilidade para emitir dívida ou captar recursos no exterior, enquanto empresas menores dependem do crédito bancário doméstico ou do próprio caixa.

Quando as vendas diminuem ou o custo do financiamento aumenta, a tendência é postergar a compra de novos equipamentos.

Investimento em automação pode aliviar falta de mão de obra

O baixo investimento em automação industrial também interfere na capacidade de aumentar a produção por trabalhador.

À medida que a mão de obra se torna mais escassa e os salários avançam, o investimento em tecnologia pode permitir que as empresas produzam mais sem depender proporcionalmente do aumento do número de trabalhadores.

Para Cagnin, esse mecanismo é fundamental para elevar a produtividade da indústria. O obstáculo, segundo o economista, é que o elevado custo do investimento dificulta justamente essa transição.

Impostos também entram na conta da modernização

O custo da automação brasileira não é determinado apenas pelos juros. A política de importação de máquinas e equipamentos também influencia o preço final.

A unidade da ABB Robotics em Sorocaba ocupa cerca de 4 mil metros quadrados e concentra atividades como treinamento, manutenção, montagem e testes de células robotizadas. A fabricação dos braços robóticos, porém, ocorre em outras unidades da empresa.

A ABB possui fábricas de robôs na China, nos Estados Unidos e na Suécia. No mercado brasileiro, os equipamentos são principalmente importados da China. Já componentes como garras, ferramentas e sistemas de visão podem ser desenvolvidos pela engenharia local e produzidos por fornecedores brasileiros.

Em fevereiro, o governo elevou para 20% o Imposto de Importação aplicado a um conjunto de máquinas e equipamentos, incluindo braços robóticos. A reação do setor levou a mudanças ainda naquele mês: o imposto voltou a zero para mais de cem produtos e retornou ao nível anterior para outros 15.

As alterações na tributação aumentam a incerteza para as empresas que precisam calcular o prazo de retorno de investimentos em células robotizadas e outras tecnologias de automação.

China ganha espaço no mercado de máquinas e robôs

A importância da China no fornecimento de equipamentos industriais também aparece nos números globais.

Em 2024, foram instalados 542 mil robôs industriais em todo o mundo, dos quais 295 mil na China, segundo a IFR. O país asiático respondeu por 54% das novas instalações e seus fabricantes conquistaram 57% do próprio mercado.

No primeiro bimestre de 2026, a China representou 36,2% das importações brasileiras de máquinas e equipamentos. Estados Unidos, Alemanha e Itália, juntos, responderam por 29,8%, de acordo com levantamento da Abimaq.

Um exemplo está na fábrica da BYD em Camaçari, na Bahia. Cerca de 200 robôs de pintura utilizados no projeto foram fornecidos pela ABB na China. No Brasil, ficaram a instalação dos equipamentos e aproximadamente US$ 1 milhão em serviços e mão de obra.

Pela metodologia da IFR, esses robôs entram nas estatísticas de instalações realizadas no mercado brasileiro, embora tenham sido fabricados na China. O dado, portanto, registra a modernização da unidade industrial, mas não significa que a fabricação dos equipamentos tenha ocorrido no país.

Robôs usados podem levar tecnologia a empresas menores

Existe ainda outro caminho para a disseminação da automação: a revenda de equipamentos usados.

Os robôs que chegam à unidade da ABB em Sorocaba são recuperados e podem deixar o setor automotivo, onde a densidade de equipamentos é maior, para atender segmentos industriais com menor nível de robotização.

Essa circulação de máquinas reformadas pode ampliar o acesso à tecnologia industrial entre empresas que não têm capital suficiente para comprar equipamentos novos.

O desafio para o Brasil é fazer com que a modernização ultrapasse as grandes fábricas e alcance uma parcela maior do parque produtivo. Em um cenário de envelhecimento populacional, o ritmo desse processo terá impacto direto sobre quanto a economia conseguirá produzir a cada hora de trabalho.

O avanço da produtividade industrial, portanto, dependerá da capacidade de superar simultaneamente obstáculos como máquinas antigas, crédito caro, tributação e desigualdade no acesso à tecnologia. São questões que estarão entre os desafios econômicos enfrentados pelo próximo governo, independentemente de quem vencer as eleições.

FONTE: Invest News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Daniela Arbex

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Indústria

Nova parceria entre ApexBrasil e CNI investe R$ 7,1 milhões para impulsionar a internacionalização da indústria brasileira

A ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) e a CNI (Confederação Nacional da Indústria) firmaram um novo convênio no valor de R$ 7,1 milhões para expandir a presença de produtos nacionais no exterior. A assinatura ocorreu em Brasília, com a participação de lideranças industriais e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Com vigência de 12 meses, o acordo prevê o atendimento a 400 empresas brasileiras por meio de oito ações estratégicas voltadas a mercados na América Latina, Caribe, Europa, Ásia e África. O aporte financeiro será dividido igualmente entre as duas instituições, somando R$ 3,551 milhões de cada parte.

Estratégia de expansão e mercados alternativos

A iniciativa faz parte do Plano de Diversificação de Exportações e ganha ainda mais relevância diante de barreiras comerciais e tarifas impostas pelos Estados Unidos. O objetivo é mitigar impactos sobre o setor produtivo nacional, aproximando marcas brasileiras de novos compradores internacionais.

Além do convênio comercial, a cerimônia marcou a oficialização de um Acordo de Cooperação Técnica entre o MDIC e a CNI, focado no aumento da competitividade global das empresas locais.

Foco em inovação, bioeconomia e quatro frentes estratégicas

Durante o evento, os dirigentes destacaram que a meta vai além do envio tradicional de mercadorias. A proposta é consolidar o valor agregado do Brasil no exterior, destacando pilares como:

  • Bioeconomia e sustentabilidade ambiental;
  • Inteligência tecnológica e transformação digital da indústria;
  • Aproveitamento inteligente de acordos comerciais vigentes;
  • Estímulo à participação de mulheres na indústria.

A execução do projeto contará com a capilaridade da Rede Brasileira de Centros Internacionais de Negócios (Rede CIN), articulando recursos das federações estaduais e de entidades como SESI, SENAI e IEL.

Histórico de sucesso na promoção comercial

A cooperação mútua entre a ApexBrasil e a CNI não é recente: iniciada em 2008, a aliança já acumula cerca de 200 ações executadas, beneficiando mais de 7 mil companhias e gerando bilhões de dólares em expectativas de negócios ao longo dos anos.

FONTE: apexBrasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/apexBrasil

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Informação

CNI defende novo modelo de financiamento para ampliar investimentos em infraestrutura no Brasil

O Brasil precisa mais que dobrar os investimentos em infraestrutura para reduzir o déficit histórico do setor e se aproximar dos níveis observados internacionalmente. A conclusão consta do estudo Financiamento dos Investimentos em Infraestrutura no Brasil, elaborado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O levantamento faz um diagnóstico das principais fontes de recursos utilizadas no país e mostra como elas evoluíram nos últimos anos. Diante desse cenário, a entidade defende a criação de um novo regime de financiamento capaz de sustentar investimentos de longo prazo e acelerar a modernização da infraestrutura brasileira.

Brasil precisa elevar investimentos para 4,65% do PIB

Em 2024, o país destinou R$ 266,8 bilhões à infraestrutura, equivalente a 2,27% do Produto Interno Bruto (PIB). Para eliminar o déficit acumulado no setor, o estudo estima que seria necessário elevar esse volume para 4,65% do PIB, ou aproximadamente R$ 550 bilhões por ano.

De acordo com a CNI, esse nível de investimento precisaria ser mantido por pelo menos duas décadas para que o Brasil consiga superar o chamado hiato histórico de infraestrutura.

A maior parcela dos recursos já vem do setor privado. Dos investimentos realizados em 2024, R$ 188,1 bilhões, ou 70,5% do total, tiveram origem em empresas e investidores privados.

Os investimentos públicos, por sua vez, somaram R$ 78,6 bilhões, com destaque para a participação de governos estaduais e municipais.

Diversificação das fontes é considerada essencial

O estudo ressalta que nenhuma fonte de recursos, isoladamente, teria capacidade de atender à necessidade de investimentos do país. Para alcançar o patamar considerado necessário, seria preciso combinar diferentes mecanismos de financiamento, aumentar a participação privada e melhorar as condições econômicas e institucionais para projetos de longo prazo.

O presidente da CNI, Ricardo Alban, considera que um novo modelo de financiamento pode ajudar a ampliar os investimentos e, consequentemente, fortalecer a competitividade da indústria brasileira.

Entre as condições apontadas por Alban estão responsabilidade fiscal, instituições sólidas e segurança jurídica, além de um ambiente regulatório mais previsível.

Segundo o presidente da entidade, a modernização da infraestrutura exige continuidade e planejamento de longo prazo. Na avaliação apresentada, políticas permanentes de Estado seriam necessárias para gerar ganhos duradouros de produtividade e competitividade.

Alban também destacou a importância de reformas institucionais para aumentar a atração de investimentos estrangeiros. Entre as medidas citadas estão o aprimoramento do ambiente regulatório, o fortalecimento da segurança jurídica e a aproximação das práticas brasileiras dos padrões internacionais.

O que prevê o novo regime de financiamento

De acordo com a CNI, o modelo defendido pela entidade deveria se apoiar em diferentes pilares.

Entre eles estão:

  • Estabilidade macroeconômica e fiscal, para diminuir incertezas e reduzir o custo de capital;
  • fortalecimento do mercado de capitais, com maior participação de investidores institucionais e instrumentos de longo prazo;
  • expansão do crédito privado e do project finance;
  • estruturas capazes de distribuir riscos de maneira mais eficiente;
  • aumento da quantidade de projetos bem estruturados e preparados para concessões e parcerias;
  • reforço da segurança jurídica e da previsibilidade regulatória;
  • preservação da autonomia técnica das agências reguladoras.

Para a CNI, esses fatores precisam funcionar de maneira coordenada para permitir a mobilização de recursos na escala necessária.

BNDES e bancos públicos continuam relevantes

O estudo também destaca o papel do BNDES e de outras instituições públicas de desenvolvimento. A proposta não é retirar esses agentes do financiamento da infraestrutura, mas adaptar sua atuação a um modelo que permita ampliar a participação de recursos privados.

Nesse formato, os bancos públicos poderiam atuar na redução de riscos, na estruturação de projetos e na criação de condições para atrair capital privado de longo prazo.

A preparação de uma carteira maior de projetos também é apontada como necessária para melhorar o planejamento de concessões e parcerias, com participação de instituições como BNDES e Caixa.

Participação privada cresce no financiamento

O levantamento da CNI analisou dados de 2010 a 2024 e reuniu informações sobre diferentes fontes de financiamento da infraestrutura brasileira.

Entre elas estão o Orçamento Geral da União (OGU), o FI-FGTS, BNDES, bancos públicos e comerciais, instituições multilaterais, recursos próprios das empresas, Fundos de Investimentos em Participações (FIPs) e debêntures.

A análise contempla ainda os setores de transportes, energia, telecomunicações e saneamento básico, permitindo observar a composição dos recursos públicos e privados destinados a cada área.

Os números mostram uma mudança significativa na estrutura de financiamento. Em valores de 2024, a média anual das fontes privadas passou de R$ 88,6 bilhões entre 2010 e 2014 para R$ 184,5 bilhões em 2024.

No mesmo intervalo, os recursos públicos recuaram de R$ 208,5 bilhões para R$ 107 bilhões. Já as instituições multilaterais responderam por R$ 8,4 bilhões em 2024.

Fontes privadas já representam mais de 60%

Para Alex Carvalho, presidente do Conselho Temático de Infraestrutura da CNI (Coinfra/CNI) e da Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa), os dados demonstram uma transformação na maneira como a infraestrutura brasileira é financiada.

Segundo ele, a participação das fontes privadas passou de 29,3% no período entre 2010 e 2014 para 61,5% em 2024.

O desafio, de acordo com Carvalho, é ampliar essa capacidade de mobilização e diversificar os instrumentos disponíveis para acompanhar a necessidade de investimentos do país.

Experiências internacionais mostram caminhos

O estudo também avaliou modelos adotados em países como Reino Unido, Chile, Austrália, México, Espanha, Índia e França.

Embora as estruturas de financiamento sejam diferentes entre essas economias, a análise identifica alguns elementos recorrentes nos países com maior capacidade de mobilizar recursos para infraestrutura.

Entre eles estão estabilidade econômica, instituições confiáveis, previsibilidade regulatória, mercado de capitais desenvolvido, instrumentos financeiros de longo prazo e capacidade técnica para estruturar projetos.

A experiência internacional analisada pela CNI também indica que os recursos públicos permanecem importantes. A diferença está na forma de utilização: eles podem ser empregados estrategicamente para reduzir riscos, viabilizar projetos e atrair investidores privados, em vez de simplesmente substituir o capital de mercado.

Para Alex Carvalho, essa lógica pode servir de referência para o Brasil. Na avaliação do presidente do Coinfra, o investimento público continuará necessário, mas deve ampliar sua capacidade de alavancar recursos privados e contribuir para elevar o volume total destinado à infraestrutura.

FONTE: Portal da Indústria
TEXTO: Redação
IMAGEM: Iano Andrade / CNI

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Negócios

Brasil e Itália ampliam oportunidades de negócios com Acordo Mercosul-União Europeia

Brasil e Itália buscam ampliar a parceria econômica e comercial em setores estratégicos, impulsionados pelas oportunidades que podem surgir com o Acordo Mercosul-União Europeia. Representantes dos governos e do setor empresarial dos dois países se reuniram na última sexta-feira (11), na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília.

O encontro teve como objetivo aproximar empresas, estimular parcerias de longo prazo e abrir novas oportunidades em áreas como negócios, tecnologia e investimentos.

Organizado pela CNI em conjunto com a Confindustria, ApexBrasil, Agência Italiana de Comércio Exterior (ICE) e Embaixada da Itália no Brasil, o Encontro Empresarial Brasil-Itália encerrou a missão empresarial italiana pela América Latina, que também passou por Buenos Aires e São Paulo.

Acordo Mercosul-UE abre espaço para novos negócios

Na abertura do evento, o vice-presidente da CNI e presidente da Federação das Indústrias do Distrito Federal (Fibra), Jamal Bittar, destacou a importância de estreitar as relações entre os dois países diante das mudanças no cenário internacional e da necessidade de construir cadeias produtivas mais resilientes.

Bittar também mencionou uma reunião realizada anteriormente em Roma, na sede da Confindustria, e defendeu a continuidade do diálogo entre representantes dos setores produtivos brasileiro e italiano.

Segundo ele, a relevância da Itália para a indústria brasileira pode ser observada na evolução das relações comerciais ao longo dos últimos anos. O país europeu está entre os principais parceiros comerciais do Brasil dentro da União Europeia, tanto como destino de exportações quanto como fornecedor de produtos para o mercado brasileiro.

Para o executivo, a perspectiva de avanço do livre comércio entre Mercosul e União Europeia torna ainda mais importante a aproximação entre empresas dos dois lados do Atlântico.

Bittar ressaltou, porém, que a existência de um acordo comercial não garante, por si só, o aumento das transações. Na avaliação apresentada durante o evento, será necessário que as empresas encontrem oportunidades, formem parcerias e desenvolvam projetos capazes de aproveitar as condições criadas pelo tratado.

Entre os segmentos apontados como promissores estão indústria farmacêutica, tecnologia digital, energia, infraestrutura, máquinas e mineração.

Itália busca ampliar investimentos no Brasil

A vice-presidente da Confindustria para Exportação e Atração de Investimentos, Barbara Cimmino, afirmou que a participação italiana no encontro em Brasília é estratégica para acompanhar as diretrizes econômicas brasileiras e compreender as decisões que influenciam o ambiente de negócios.

A aproximação também foi destacada pelo embaixador da Itália no Brasil, Alessandro Cortese. Segundo ele, o Acordo Mercosul-UE cria uma oportunidade para aprofundar a relação bilateral e ampliar o intercâmbio entre os dois países.

Cortese também citou a criação de um grupo de trabalho formado pelos governos brasileiro e italiano. A iniciativa terá como foco o aumento do comércio bilateral e a ampliação dos investimentos entre Brasil e Itália.

Indústria brasileira apresenta cenário e oportunidades

A programação do encontro incluiu ainda uma apresentação sobre o desempenho e os principais desafios da indústria brasileira.

A gerente de Comércio e Integração Internacional da CNI, Constanza Negri, apresentou dados sobre a participação do setor na economia nacional. De acordo com os números apresentados, a indústria representa 23,4% do Produto Interno Bruto (PIB), responde por 67,7% das exportações de bens e serviços e concentra 66,8% dos investimentos empresariais em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D).

Outro dado destacado foi o efeito da atividade industrial sobre o restante da economia: para cada R$ 1 produzido pela indústria, são gerados R$ 1,44 na economia.

CNI defende medidas para aumentar competitividade

O diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI, Mario Sérgio Telles, apresentou uma agenda estratégica com prioridades para os próximos 25 anos.

Entre os pontos destacados está a necessidade de reduzir o chamado Custo Brasil, considerado um obstáculo à competitividade das empresas e à atração de novos investimentos.

Telles também defendeu o fortalecimento dos mecanismos de defesa comercial. Durante a apresentação, classificou o fim da chamada “taxa das blusinhas” como um retrocesso dentro dessa agenda.

A discussão ocorre em um momento em que Brasil e Itália buscam ampliar os negócios bilaterais e aproveitar as oportunidades associadas à aproximação comercial entre o Mercosul e a União Europeia.

FONTE: Portal da Indústria
TEXTO: Redação
IMAGEM: Gilberto Sousa / CNI

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Indústria

Brasil precisa fortalecer indústria diante do avanço das importações, defende CNI

O Brasil está diante de uma escolha estratégica: consolidar-se como uma potência industrial ou ampliar a dependência de produtos fabricados no exterior. O avanço das importações, especialmente de mercadorias de origem chinesa e de produtos que chegam ao país por meio de terceiros mercados, reacende o debate sobre a capacidade brasileira de preservar sua indústria e competir no comércio internacional.

A questão, porém, não passa por rejeitar as importações. O desafio é garantir uma inserção competitiva do Brasil no comércio global, permitindo que empresas nacionais disputem mercados externos em condições equilibradas e evitando que o país se transforme em destino de produtos que encontram restrições em outras economias.

Brasil corre risco de perder espaço na indústria

A expansão da indústria chinesa e o aumento das barreiras comerciais em diferentes mercados têm provocado mudanças nos fluxos internacionais de mercadorias. Países com grandes capacidades produtivas procuram novos destinos quando enfrentam tarifas, medidas antidumping, subsídios ou outras restrições.

Nesse cenário, o tamanho do mercado brasileiro, combinado com a abertura relativa da economia e com dificuldades de competitividade enfrentadas pela indústria nacional, pode tornar o país um destino atrativo para esses produtos.

Embora o Brasil tenha registrado recordes de exportações nos últimos anos, a indústria de transformação vem perdendo participação tanto no mercado internacional quanto no próprio mercado doméstico.

O país registra atualmente o maior déficit comercial da indústria de transformação desde 2000. A participação brasileira nas exportações mundiais de manufaturados está abaixo de 1%, enquanto os produtos importados ocupam uma parcela cada vez maior do consumo nacional.

O resultado é um cenário em que o Brasil exporta volumes maiores, mas com menor participação de produtos de maior complexidade tecnológica e valor agregado.

Importações chinesas exigem atenção aos fluxos comerciais

A China se consolidou como a principal origem das importações brasileiras, com forte presença de produtos de menor valor agregado.

Dados apresentados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) indicam que o Brasil importa aproximadamente US$ 5 bilhões por ano em produtos chineses que também são alvo de medidas relacionadas a subsídios em outros mercados.

Para a entidade, a análise do comércio exterior não deve considerar apenas o valor total importado. É necessário observar origem, preços, volumes e mudanças nas rotas comerciais, identificando movimentos que possam indicar alterações relevantes nos fluxos internacionais.

Países asiáticos já apresentam aumento das vendas ao Brasil

O crescimento das barreiras comerciais em grandes economias vem contribuindo para a reorganização das cadeias globais e para o desvio de determinados fluxos de comércio.

A CNI identificou sinais desse processo no Sudeste Asiático. Em maio de 2025, por exemplo, as importações brasileiras provenientes da Indonésia aumentaram 72,8% em relação ao mesmo mês do ano anterior. No caso da Tailândia, o crescimento chegou a 31,4%.

Para o setor industrial, a preocupação é evitar que mudanças dessa natureza sejam percebidas apenas depois de provocarem efeitos permanentes sobre a produção nacional.

Defesa comercial precisa ser preventiva

Uma das propostas defendidas é ampliar o caráter preventivo da defesa comercial brasileira. Em vez de agir somente após a entrada maciça de produtos no mercado, o país deveria acompanhar continuamente os fluxos de comércio internacional.

Entre as medidas sugeridas estão o cruzamento de informações sobre origem, preços e volumes, o monitoramento de mudanças repentinas nas rotas de importação e a investigação rápida de possíveis casos de triangulação comercial ou desvio de comércio.

A avaliação não significa presumir irregularidades, mas identificar situações que justifiquem uma investigação.

A CNI afirma ainda que qualquer medida de defesa comercial deve considerar seus impactos sobre toda a cadeia produtiva. A entidade também informa que está disposta a colaborar com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e que já iniciou tratativas para a assinatura de um acordo de cooperação.

Subsídios estrangeiros também entram no radar

Os mecanismos de defesa comercial vão além das investigações antidumping. Em 2024, foram abertas 375 investigações antidumping e 64 relacionadas a subsídios, ambos recordes históricos.

O cenário internacional mostra que grandes economias estão ampliando seus instrumentos de proteção porque a política comercial passou a ser tratada também como uma questão de segurança econômica.

Nesse contexto, as medidas compensatórias ganham importância. Enquanto ações antidumping buscam combater determinadas práticas de preços, as medidas compensatórias podem ser aplicadas diante de vantagens obtidas por empresas estrangeiras por meio de subsídios concedidos por governos.

Segundo a CNI, o Brasil ainda utiliza esses instrumentos em escala menor do que outras grandes economias, inclusive em relação a produtos chineses. Para a entidade, existe espaço para aprimorar o uso dessas ferramentas diante de distorções provocadas por políticas de apoio estrangeiras.

Competitividade deve caminhar junto com proteção comercial

A defesa da indústria brasileira não significa fechar a economia ou proteger empresas ineficientes. O setor industrial também precisa avançar em produtividade, inovação, tecnologia e inserção internacional.

Nesse processo, a redução do chamado Custo Brasil é apontada como uma das prioridades para melhorar as condições de produção e ampliar a capacidade de competição das empresas nacionais.

A estratégia, portanto, deve combinar defesa comercial e internacionalização. Enquanto mecanismos de proteção ajudam a reduzir vulnerabilidades diante de práticas consideradas desleais, a presença em mercados estrangeiros amplia oportunidades para empresas brasileiras.

Internacionalização pode ampliar oportunidades para empresas brasileiras

A expansão internacional da indústria pode contribuir para atrair investimentos, incorporar novas tecnologias, elevar a produtividade e integrar empresas brasileiras às cadeias globais de produção e inovação.

Para isso, a política brasileira deveria avançar em duas frentes: garantir condições de concorrência mais equilibradas no mercado doméstico e, simultaneamente, ampliar o acesso das empresas nacionais a mercados externos.

Entre as medidas defendidas estão a implementação dos acordos comerciais já negociados, a busca por novas parcerias estratégicas e a criação de condições para que empresas de diferentes portes possam aumentar suas exportações.

Relação com China, EUA e Europa exige equilíbrio

A ampliação das relações comerciais com a China, os Estados Unidos, a União Europeia e outros parceiros continua sendo considerada importante para o Brasil.

A questão, porém, é evitar que o mercado brasileiro seja utilizado para absorver excedentes de capacidade produtiva de outros países ou para atender a interesses geopolíticos específicos.

Também é necessário impedir que terceiros mercados sejam usados como caminhos para contornar medidas comerciais legítimas adotadas pelo Brasil.

CNI propõe nova missão para a indústria brasileira

A avaliação da CNI é que o comércio mundial atravessa uma transformação estrutural, marcada por excesso de capacidade produtiva, reorganização das cadeias globais, tensões geopolíticas e aumento das barreiras comerciais.

Diante desse cenário, a entidade defende uma política de Estado para enfrentar os novos desafios. Entre as propostas está a criação de uma sétima missão para a Nova Indústria Brasil, voltada à internacionalização da indústria, com metas, mecanismos de financiamento e coordenação entre políticas de comércio, investimento e inovação.

A CNI também coloca o combate ao Custo Brasil entre as prioridades. Segundo a entidade, os custos associados às dificuldades estruturais enfrentadas pelas empresas brasileiras chegam a aproximadamente R$ 1,7 trilhão por ano.

O objetivo, nesse contexto, não seria escolher entre abertura comercial e proteção da indústria, mas combinar as duas estratégias.

Uma indústria competitiva não depende do isolamento do mercado nacional. Ela precisa de condições internas que permitam produzir, investir, inovar e competir no mercado internacional em condições mais equilibradas.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Paulo Whitaker

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Logística

CNI critica nova lei do frete e alerta para aumento dos custos logísticos da indústria

A sanção da nova legislação que altera a Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas (PNPM-TRC) deve ampliar a pressão sobre os custos logísticos da indústria brasileira, na avaliação da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, na última quarta-feira (5), a Lei nº 15.485/2026, que modifica as regras dos pisos mínimos de frete rodoviário. Para a CNI, as mudanças mantêm problemas estruturais do modelo e podem elevar artificialmente os custos de transporte, reduzir a competitividade das empresas e aumentar a insegurança jurídica.

A entidade também alerta que parte desse impacto poderá ser repassada aos preços dos produtos, com possíveis efeitos sobre o consumidor e a inflação.

CNI pretende ampliar atuação no Judiciário

A preocupação da indústria ganhou força após a edição da Medida Provisória nº 1.343/2026, publicada em março. A MP surgiu em um período de instabilidade marcado pela oscilação dos preços dos combustíveis e pelo risco de paralisações de caminhoneiros.

Durante a tramitação no Congresso, porém, o texto recebeu alterações que, segundo a CNI, ampliaram seu alcance para além do objetivo inicialmente previsto.

Diante da nova legislação, a confederação pretende intensificar sua atuação judicial. A entidade deverá acrescentar as mudanças aprovadas pelo Congresso e sancionadas pelo governo à ADI nº 5.964, ação em que questiona a constitucionalidade da política de tabelamento do frete.

Frete já representa custo maior para as empresas

Os argumentos da CNI são respaldados por uma pesquisa realizada com o setor industrial. A Sondagem Especial da CNI sobre os pisos mínimos do transporte rodoviário de cargas ouviu 1.571 empresas de diferentes segmentos no primeiro semestre deste ano.

Segundo o levantamento, a política de pisos mínimos elevava, em média, 16,4% os custos de frete da indústria.

A pesquisa também mostrou que 94% das empresas que contratam transporte rodoviário identificavam impactos negativos provocados pela política.

Outro dado apontado pela sondagem é que aproximadamente 80% das empresas consultadas consideravam a metodologia utilizada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para calcular os pisos mínimos parcial ou totalmente distante da realidade operacional do setor.

Para a CNI, os resultados indicam a necessidade de revisão das regras e de uma metodologia que considere de forma mais adequada as condições efetivas do transporte de cargas no Brasil.

Pequenas empresas estão entre as mais afetadas

De acordo com a entidade, os efeitos da política são mais acentuados em empresas de pequeno porte, cadeias produtivas altamente dependentes do transporte rodoviário e setores que trabalham com produtos de menor valor agregado.

Também enfrentam maior impacto as operações realizadas em regiões onde os custos de logística já são elevados por fatores estruturais.

A combinação entre frete mais caro e menor flexibilidade para negociar preços pode, segundo a avaliação da indústria, pressionar as margens das empresas e elevar o chamado Custo Brasil.

Nova legislação mantém pontos criticados pela indústria

Durante a análise da medida provisória no Congresso, algumas alterações contribuíram para reduzir parcialmente os impactos previstos inicialmente.

Entre elas estão a retirada da possibilidade de desconsideração da personalidade jurídica e o estabelecimento de um teto de R$ 1 milhão para multas aplicadas em casos de reincidência no descumprimento dos pisos mínimos.

Apesar dessas mudanças, a CNI considera que a legislação sancionada preservou dispositivos que podem aumentar os custos e a complexidade das operações.

Entre os pontos citados estão o prazo máximo de 30 dias para pagamento do frete, a manutenção de sanções relacionadas a infrações cometidas antes da publicação da nova lei e a aplicação dos pisos mínimos a modalidades como o TAC-agregado e o TAC-independente.

Na avaliação da entidade, essas regras ampliam os efeitos econômicos e regulatórios da política sobre as empresas.

CNI pede regras baseadas em evidências

O diretor de Relações Institucionais da CNI, Roberto Muniz, defende que mudanças de grande impacto no setor de transporte sejam precedidas por análises de impacto regulatório, estudos técnicos e diálogo com o setor produtivo.

Para a entidade, é necessário conciliar a sustentabilidade econômica do transporte rodoviário com a competitividade da indústria brasileira, sem aumentar os custos que já pesam sobre a atividade produtiva.

Muniz afirma que transporte e logística estão entre os principais componentes do Custo Brasil e que restrições à negociação entre embarcadores e transportadores acabam afetando toda a cadeia produtiva.

Entidade quer revisão da política de frete

A CNI defende que o Supremo Tribunal Federal (STF) dê prioridade à análise da ADI nº 5.964, que questiona a constitucionalidade do tabelamento do frete.

Enquanto aguarda uma decisão definitiva da Corte, a entidade pretende continuar atuando nas áreas legislativa e regulatória para reduzir os impactos da política.

Entre as medidas defendidas estão a derrubada do veto ao dispositivo que previa anistia de sanções, além do aperfeiçoamento das normas e da metodologia utilizada no cálculo dos pisos mínimos de frete.

A CNI afirma que continuará discutindo o tema com representantes da indústria, outros setores produtivos e a ANTT, buscando um ambiente regulatório com maior segurança jurídica, previsibilidade e eficiência logística.

FONTE: Portal da Indústria
TEXTO: Redação
IMAGEM: Shutterstock

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Indústria

Mercado livre de energia cresce entre indústrias brasileiras e já atrai 41% das empresas, aponta CNI

Mais de quatro em cada dez indústrias brasileiras já migraram para o mercado livre de energia nos últimos dois anos, segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI). A pesquisa mostra que 41% das empresas passaram a negociar a compra de energia nesse modelo desde 2024, após a ampliação do acesso ao ambiente de livre contratação por uma norma do Ministério de Minas e Energia (MME).

Entre as empresas que deixaram o mercado cativo de energia, 73% afirmam ter percebido redução nos gastos com tarifas elétricas. O resultado reforça o interesse da indústria por alternativas para controlar despesas e aumentar a competitividade.

Empresas buscam reduzir custos com a conta de luz

A Sondagem Especial Indústria e Energia 2026, divulgada pela CNI, aponta que 30% dos empresários consideram a migração para o mercado livre de eletricidade a principal estratégia para diminuir os custos da energia.

O movimento ocorre em um cenário de maior instabilidade no setor elétrico, influenciado pelo crescimento da demanda mundial por energia e por fatores geopolíticos que afetam os preços. Diante desse contexto, a busca por maior previsibilidade e economia tem levado mais empresas a avaliar a mudança no modelo de contratação.

Apesar do avanço, a pesquisa indica que ainda existe espaço para crescimento. Entre as indústrias atendidas em baixa tensão que continuam no mercado regulado, 37% demonstram interesse em migrar para o ambiente livre.

Grandes empresas lideram adesão ao mercado livre

A adesão varia conforme o porte das companhias. Entre as grandes indústrias conectadas em alta tensão, 63% já compram energia no mercado livre.

Nas pequenas empresas, 22% informam que já participam desse ambiente de contratação, enquanto 45% permanecem no mercado tradicional, conhecido como mercado cativo.

O levantamento também revela a importância da eletricidade para a produção industrial: 79% das empresas afirmam que a energia elétrica é o principal insumo energético utilizado em seus processos.

“O levantamento evidencia como o custo da energia influencia a competitividade da indústria e mostra que muitas empresas têm buscado a migração para o mercado livre como alternativa para reduzir tarifas”, afirma o gerente de Energia da CNI, Roberto Wagner Pereira.

Segundo o especialista, também é necessário aprimorar o modelo de formação de preços no setor, com a adoção de tarifas dinâmicas de energia, capazes de acompanhar fatores como geração, horários de consumo e demanda. Ele ainda defende a revisão dos subsídios existentes, que contribuem para elevar o valor final da conta de luz.

Custo da energia preocupa a indústria brasileira

A pesquisa aponta que 83% dos industriais consideram o preço da energia um fator essencial para a competitividade dos negócios. Além disso, 67% afirmam que o aumento das tarifas interfere diretamente nos custos de produção.

Nos últimos 12 meses, 62% das empresas perceberam algum impacto provocado pela variação dos preços da eletricidade.

Entre os participantes, 3% relataram aumento considerado elevado na conta de luz, superior a 30%. Outros 20% classificaram o impacto como médio, com reajustes acima de 10%, enquanto 39% apontaram efeitos menores, abaixo de 10%.

Indústrias investem em eficiência energética e autogeração

Quase dois terços das empresas pesquisadas (64%) adotaram alguma iniciativa para reduzir o consumo de energia ou diminuir despesas tarifárias. A principal medida foi a migração para o mercado livre de energia, citada por 30% das indústrias.

Outras estratégias incluem investimentos em autogeração de energia e eficiência energética, apontados por 13% das empresas. Já 28% afirmaram não ter realizado nenhuma ação para otimizar o uso energético nos processos produtivos.

Setores com maior investimento em energia

A indústria de produtos de borracha apresentou os maiores índices de investimento em autogeração, com 25% das empresas adotando essa alternativa, e também teve destaque na migração para o mercado livre, com 38% de adesão.

O setor calçadista registrou a maior participação no mercado livre, com 47% das empresas migrando para esse modelo. Já o segmento de equipamentos de informática e produtos eletrônicos foi o que mais investiu em eficiência energética, com 25% das empresas adotando medidas nessa área.

A Sondagem Especial Indústria e Energia 2026 foi realizada em abril pela CNI com 1.498 indústrias dos setores extrativo e de transformação. O levantamento reuniu 601 pequenas empresas, 529 médias e 368 grandes companhias.

FONTE: Portal da Indústria
TEXTO: Redação
IMAGEM: Iano Andrade/CNI

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Agronegócio

Tarifaço dos EUA preocupa indústria e agronegócio às vésperas de decisão sobre produtos brasileiros

A expectativa em torno do novo tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros cresce com a proximidade do prazo final para a conclusão da investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR). A definição sobre a aplicação de uma tarifa adicional de 25% deve ocorrer nesta terça-feira (15) e pode provocar impactos significativos em setores estratégicos da economia brasileira.

Enquanto aguarda o desfecho, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém negociações com autoridades norte-americanas na tentativa de evitar prejuízos às exportações nacionais.

Governo busca diálogo antes da decisão

A estratégia do governo brasileiro é intensificar as tratativas diplomáticas com representantes dos Estados Unidos antes da conclusão da investigação baseada na Seção 301 da legislação comercial americana.

A expectativa é de que um grupo de trabalho entre os dois países se reúna com o chefe do USTR, Jamieson Greer, para discutir o tema e apresentar a posição brasileira. Nos últimos dias, o presidente Lula também reuniu ministros para definir a condução das negociações, mantendo a orientação de preservar o diálogo sem realizar concessões consideradas injustificadas.

Indústria prevê impacto bilionário nas exportações

Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que cerca de 4,1 mil produtos brasileiros poderão ser afetados caso as novas tarifas sejam implementadas. O volume corresponde a aproximadamente US$ 14,9 bilhões em exportações destinadas ao mercado norte-americano.

Segundo a entidade, a carga tributária sobre determinados produtos pode alcançar 37,5%, resultado da combinação da tarifa adicional de 25% com outra sobretaxa de 12,5%, relacionada a uma investigação americana sobre trabalho forçado envolvendo diversos países.

Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, a medida ameaça uma relação comercial construída ao longo de décadas e pode elevar custos tanto para empresas quanto para consumidores dos dois países, além de comprometer cadeias produtivas integradas.

Agronegócio também calcula perdas

O agronegócio brasileiro está entre os segmentos que podem sofrer impactos relevantes. Estudo da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) estima que cerca de US$ 4,2 bilhões em exportações do setor poderão ser atingidos diretamente pelas novas tarifas.

Mesmo com alguns produtos incluídos na lista de exceções, aproximadamente 36,8% das vendas do agronegócio para os Estados Unidos continuam sujeitas à sobretaxa.

Entre as cadeias produtivas mais expostas estão os produtos florestais, o sebo bovino, o complexo sucroalcooleiro e o café solúvel, que movimentou cerca de US$ 1 bilhão em exportações em 2025.

Por outro lado, itens como carne bovina, café verde e suco de laranja ficaram fora da relação inicial de produtos tarifados.

Setor madeireiro contesta proposta americana

Representantes da indústria de madeira afirmam que os produtos brasileiros não competem diretamente com a produção dos Estados Unidos e exercem papel complementar no abastecimento do mercado americano.

A Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci) apresentou defesa técnica ao governo dos EUA, argumentando que as exportações brasileiras atendem demandas específicas da indústria norte-americana e ajudam a suprir o mercado local.

Empresas apostam na ampliação da lista de exceções

Embora representantes do setor produtivo considerem pouco provável o adiamento ou a suspensão das novas tarifas, existe expectativa de que o governo americano amplie a relação de produtos isentos da sobretaxa.

Durante as audiências promovidas pelo USTR, entidades brasileiras defenderam que a manutenção das importações favorece a competitividade da indústria dos Estados Unidos e evita aumento de custos para empresas e consumidores.

Entidades defendem solução negociada

A Amcham Brasil, a CNI e a U.S. Chamber of Commerce encaminharam um documento conjunto aos governos brasileiro e norte-americano defendendo uma solução baseada no diálogo.

As entidades sustentam que negociações comerciais tendem a gerar benefícios mais duradouros do que a adoção de barreiras tarifárias, fortalecendo a cooperação econômica, a competitividade das empresas e a geração de empregos em ambos os países.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN

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Comércio Exterior

CNI defende diálogo técnico para reduzir tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, afirmou que o setor produtivo brasileiro aposta em um trabalho técnico de negociação para tentar reduzir os impactos das novas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

Durante entrevista coletiva, Alban destacou que representantes da indústria e de segmentos afetados participarão das discussões em busca de argumentos que possam convencer as autoridades norte-americanas a rever as medidas tarifárias.

Missão brasileira terá apoio de Roberto Azevêdo

Segundo o presidente da CNI, o ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, representará o Brasil nas negociações técnicas ao lado de integrantes dos setores mais impactados pelas sobretaxas.

O objetivo, de acordo com Alban, é demonstrar que as tarifas anunciadas não refletem a realidade da relação comercial entre os dois países.

“O Brasil continua registrando déficit comercial crescente com os Estados Unidos, o que mostra que não há vantagem brasileira nessa relação”, afirmou.

CNI destaca complementariedade entre as economias

Ricardo Alban ressaltou que a pauta comercial entre Brasil e Estados Unidos é marcada pela complementariedade econômica, característica que, segundo ele, diferencia a relação bilateral de outros parceiros comerciais.

O dirigente observou que, entre os principais produtos que podem ser atingidos pelas novas tarifas, o Brasil figura como principal fornecedor da economia norte-americana em 11 dos 13 itens mais relevantes.

Na avaliação da entidade, esses dados reforçam a importância de uma análise técnica da medida, reduzindo a influência de fatores geopolíticos nas decisões comerciais.

Ampliação das exceções é prioridade nas negociações

A CNI defende que, mesmo que não seja possível reverter integralmente as tarifas antes do prazo previsto, o governo brasileiro busque ampliar significativamente a lista de produtos isentos das sobretaxas.

Para Alban, o diálogo entre os dois países deve continuar mesmo após a data inicialmente prevista para a implementação das medidas.

Ele também lembrou que, no fim deste mês, expira a tarifa geral de 10% aplicada pelos Estados Unidos a diversos países, cenário que pode ampliar ainda mais a perda de competitividade dos produtos brasileiros caso permaneçam em vigor as alíquotas adicionais de 25% e 12,5%.

Indústria vê risco para exportações de manufaturados

Na avaliação da CNI, a manutenção das tarifas representa um desafio para a indústria nacional, especialmente porque os Estados Unidos são o principal destino das exportações brasileiras de produtos manufaturados.

A entidade afirma que continuará defendendo negociações técnicas e permanentes para minimizar os impactos sobre a competitividade das empresas brasileiras e preservar o comércio bilateral.

FONTE: Times Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal da Indústria

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Comércio Internacional

Tarifa dos EUA pode afetar mais de 4 mil produtos brasileiros, alerta CNI

Mais de 4 mil produtos exportados pelo Brasil podem ser impactados caso os Estados Unidos confirmem a adoção de novas tarifas sobre mercadorias brasileiras. A estimativa é da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que calcula que cerca de 4,1 mil itens, equivalentes a US$ 14,9 bilhões em exportações brasileiras, poderão ser atingidos pelas medidas.

A audiência que discute a aplicação das novas tarifas começou nesta segunda-feira (6) e segue até terça-feira (7). A decisão final do governo norte-americano está prevista para o próximo dia 15 de julho.

Tarifas podem elevar taxação para 37,5%

De acordo com a CNI, a combinação das medidas propostas pode elevar a tributação adicional sobre produtos brasileiros para até 37,5%.

Há pouco mais de um mês, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) anunciou uma proposta de tarifa extra de 25% para produtos brasileiros, com exceção daqueles enquadrados nas regras de segurança nacional.

Além disso, outra proposta prevê uma tarifa adicional de 12,5% após a conclusão de uma investigação sobre trabalho forçado em cerca de 90 países, incluindo o Brasil. Segundo o USTR, essas nações não adotariam ou aplicariam de forma eficaz restrições à importação de bens produzidos com mão de obra forçada.

Caso as duas medidas sejam implementadas simultaneamente, a taxação adicional poderá atingir 37,5%.

Produtos industriais estão entre os mais expostos

Segundo o levantamento da CNI, o Brasil é o principal fornecedor dos Estados Unidos em 11 importantes produtos industriais, o que amplia os impactos potenciais das novas tarifas.

Entre os itens mais afetados estão:

  • Ferro-gusa não ligado;
  • Açúcar de cana em forma sólida;
  • Sebo não comestível;
  • Álcool etílico não desnaturado;
  • Molduras de madeira de pinho;
  • Tabaco curado por fumaça ou processado;
  • Peptonas e derivados;
  • Compensado de pinus;
  • Granito monumental ou de construção;
  • Estacas, paliças, postes e trilhos de madeira;
  • Hidróxido de alumínio.

CNI alerta para impactos na cadeia produtiva

Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, a adoção das novas tarifas pode gerar prejuízos tanto para empresas brasileiras quanto para companhias norte-americanas.

Segundo ele, o aumento da tributação compromete uma relação comercial construída ao longo de décadas e afeta cadeias produtivas integradas, nas quais diversos insumos brasileiros são considerados estratégicos para a indústria dos Estados Unidos.

Audiência em Washington reúne representantes contrários à medida

A audiência pública realizada em Washington contará com a participação do embaixador brasileiro Roberto Azevêdo, que representará a CNI na sessão desta terça-feira (7).

Dos 80 inscritos para se manifestar durante o processo, 66 devem apresentar posicionamento contrário às novas tarifas propostas pelo governo norte-americano.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Carlos Barria

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