Sustentabilidade

Energia renovável no Brasil: sobreoferta faz setor frear novos investimentos

O setor elétrico brasileiro vive uma mudança importante de cenário. Após anos de expansão acelerada da capacidade de geração, especialistas, órgãos reguladores, empresas, investidores e consumidores começam a questionar a necessidade de manter o mesmo ritmo de investimentos em energia renovável.

O motivo é o aumento da sobreoferta de energia, principalmente nos segmentos solar e eólico. A expansão da geração avançou em velocidade superior ao crescimento da demanda, enquanto incentivos e subsídios contribuíram para manter atrativos projetos que, diante das condições atuais do mercado, passaram a enfrentar maior dificuldade para encontrar espaço no sistema.

Sobreoferta de energia aumenta cortes na geração

O excesso de oferta já tem reflexos na operação do sistema elétrico. Em determinados períodos, usinas existentes não conseguem produzir toda a energia que poderiam fornecer.

Essa redução compulsória da geração é conhecida no setor como curtailment. O ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) determina cortes principalmente quando não há demanda suficiente para absorver toda a eletricidade disponível.

O fenômeno ganhou relevância justamente porque evidencia uma mudança na principal preocupação do setor: se antes o desafio era ampliar a oferta para garantir a segurança energética, agora também é necessário encontrar formas de aproveitar a capacidade de geração que já existe.

Aneel alerta para distorções provocadas por subsídios

O diretor-geral da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), Sandoval Feitosa, está entre os primeiros representantes do setor a defender publicamente uma revisão do ritmo de expansão.

Segundo ele, os incentivos concedidos à geração renovável alteraram os sinais econômicos que deveriam orientar as decisões de investimento.

“As empresas não respondem ao estímulo natural do mercado, mas, sim, aos subsídios que recebem”, afirmou à CNN.

A avaliação coloca em evidência uma contradição do modelo atual. Enquanto a sobreoferta de energia e o avanço do curtailment indicam a necessidade de reduzir o ritmo de novos projetos, diferentes segmentos continuam buscando preservar mecanismos de incentivo capazes de estimular a expansão.

Incentivos continuam mesmo diante dos alertas

Apesar das críticas, medidas adotadas pelo governo e pelo Congresso nos últimos anos mantiveram parte dos estímulos à expansão da geração.

Em 2024, a MP 1.212 permitiu que projetos elegíveis prorrogassem por 36 meses o prazo para entrada em operação sem perder os descontos aplicados às tarifas de uso das redes.

No mesmo ano, o governo regulamentou o acesso da minigeração distribuída ao Reidi, regime voltado a incentivos tributários para projetos de infraestrutura.

Já em 2025, a Lei 15.269 permitiu que parte desses empreendimentos adiasse, sem custos pela postergação, o início dos contratos de uso da transmissão.

Na avaliação de críticos do modelo, essas medidas mantiveram sinais favoráveis à expansão justamente quando o sistema começava a demonstrar excesso de oferta.

ONS vê pouco espaço para nova geração durante o dia

A discussão ganhou força com o posicionamento de Alexandre Zucarato, diretor de planejamento do ONS.

Em entrevista à CNN, Zucarato concordou que novos investimentos em geração de energia precisam considerar a atual capacidade excedente do sistema.

O problema, segundo ele, já não se resume à infraestrutura de transmissão. Em determinadas horas do dia, especialmente durante o período de maior geração solar, não existe consumo suficiente para absorver toda a eletricidade produzida.

“Não faz mais sentido injetar potência na rede no período diurno porque basicamente vamos colocar um megawatt novo e vai ter que deslocar um megawatt existente”, afirmou ao programa Alta Voltagem, da CNN.

Uma das alternativas apontadas pelo diretor é justamente postergar investimentos que não tenham outra justificativa operacional.

Excesso de investimento preocupa infraestrutura

O presidente da Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base), Venilton Tadini, avalia que o problema mudou de natureza.

Na visão dele, o Brasil passou de uma fase de insuficiência de investimentos privados em infraestrutura elétrica para um momento em que parte do capital está sendo direcionada para segmentos que já apresentam excesso de capacidade.

“O que estamos vivendo hoje no setor elétrico é o excesso do investimento privado mal direcionado justamente pelos sinais negativos de excesso de subsídios em segmentos que não necessitam mais, como energia solar e eólica”, afirmou ao programa Conexão Infra, da CNN.

A consequência não é apenas operacional. Os cortes na produção também começam a afetar a situação financeira dos empreendimentos.

Curtailment aumenta risco financeiro de usinas

A redução forçada da geração representa perda de receita para empresas que possuem projetos expostos ao problema. Com isso, aumenta a percepção de risco sobre ativos de energia solar e eólica.

Já existem casos de quebra de covenants, cláusulas previstas em contratos de financiamento que estabelecem determinadas condições para os devedores.

Também surgiram situações de standstill, mecanismo pelo qual algumas obrigações relacionadas a dívidas são temporariamente suspensas.

O cenário amplia a preocupação entre bancos e investidores, que precisam considerar não apenas a capacidade de geração de um empreendimento, mas também o risco de ele não conseguir produzir e vender toda a energia prevista.

Consumidores pedem revisão da expansão renovável

Os grandes consumidores também passaram a defender uma mudança no ritmo de crescimento da geração renovável.

Luiz Eduardo Barata, presidente da FNCE (Frente Nacional dos Consumidores de Energia), afirma que novos projetos solares e eólicos podem exigir investimentos adicionais em transmissão para transportar uma energia que, em determinados momentos, não encontra demanda suficiente.

O custo dessas estruturas, segundo ele, acaba sendo repassado aos consumidores.

“O processo de expansão de renováveis tem que ser feito considerando o consumo de energia que temos hoje e não apenas a vontade do investidor, que é o que está acontecendo”, disse. “Continuar do jeito que está é suicídio”.

Bancos mudam prioridade e olham para transmissão e armazenamento

A mudança de percepção também chegou às instituições financeiras.

Segundo informações da MegaWhat, o BNB (Banco do Nordeste), tradicional financiador de projetos de energia renovável, alterou temporariamente suas prioridades diante do avanço do curtailment sobre grandes empreendimentos no Nordeste.

A análise de documentos feita pelo portal especializado apontou que o banco passou a priorizar investimentos em transmissão de energia, armazenamento e instalação de grandes cargas na região, em vez de concentrar recursos na construção de novas usinas.

A mudança representa uma inversão relevante na estratégia de financiamento. O foco deixa de ser simplesmente aumentar a oferta e passa a incluir soluções capazes de aproveitar a energia que já está disponível no sistema.

Mercado de capitais reduz apetite por novos projetos

O mesmo movimento pode ser observado na avaliação dos ativos no mercado financeiro.

Anderson Brito, chefe de banco de investimento do UBS BB, afirmou que a combinação de sobreoferta, cortes de geração e incerteza sobre receitas futuras prejudica o valor de mercado das empresas e dificulta a captação de recursos.

“Neste momento, o mercado não vê racionalidade econômica em adicionar nova capacidade de geração sem que haja crescimento correspondente da demanda. O curtailment já afeta receitas, reduz o valor dos ativos e encarece o acesso a capital. Antes de construir mais, é preciso criar condições para absorver melhor a energia que já está disponível”, disse.

Importação de módulos solares recua em 2026

Os primeiros sinais concretos de desaceleração já aparecem nos dados do mercado.

Levantamento da consultoria Greener aponta que as importações de módulos solares recuaram 48% no primeiro semestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Entre os grandes projetos de geração, a queda foi ainda mais expressiva: o volume destinado às grandes usinas diminuiu 82%.

O movimento indica uma possível redução do ritmo de expansão da energia solar no Brasil, em um momento de maior cautela por parte de desenvolvedores, bancos e investidores.

Projetos solares e eólicos perdem atratividade

Além da menor entrada de equipamentos, ativos já existentes enfrentam dificuldades para encontrar compradores.

A cautela dos investidores aumentou diante da exposição dos empreendimentos ao curtailment, à redução das receitas e à incerteza sobre o desempenho financeiro futuro.

Outro reflexo é a desistência de projetos. A Aneel vem aprovando pedidos de revogação de outorgas para empreendimentos eólicos e solares de empresas como Enel, Engie, EDF e Rio Energy, entre outras.

O conjunto desses movimentos aponta para uma possível mudança de ciclo no setor elétrico brasileiro: depois de anos de forte estímulo à expansão das fontes renováveis, o desafio passa a ser equilibrar oferta e demanda de energia, ampliar a capacidade de armazenamento e transmissão e evitar que novos investimentos agravem a ociosidade existente.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reuters/Stringer

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Informação

Primeiro leilão de baterias do Brasil registra recorde de projetos cadastrados

O primeiro leilão de baterias promovido no Brasil para contratação de sistemas de armazenamento de energia alcançou um marco inédito. De acordo com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), foram cadastrados 6.091 projetos, que juntos representam uma capacidade de 296.807 megawatts (MW). O número configura o maior volume de inscrições já registrado em um certame do setor elétrico nacional.

Volume de inscrições reforça importância do armazenamento de energia

Segundo a EPE, a expressiva participação demonstra o elevado interesse dos agentes do mercado na expansão do armazenamento de energia. A estatal destaca que o resultado também evidencia a relevância estratégica das baterias para o sistema elétrico, consideradas fundamentais para ampliar a segurança, a flexibilidade e a eficiência da matriz energética brasileira.

Próxima etapa será a análise técnica dos projetos

Após o encerramento do período de cadastramento, os empreendimentos inscritos passarão pelas fases de avaliação e habilitação técnica. Somente os projetos aprovados nessa etapa estarão aptos a disputar o leilão.

FONTE: Brasil 247
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Eldson Chagara

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Indústria

Mercado livre de energia cresce entre indústrias brasileiras e já atrai 41% das empresas, aponta CNI

Mais de quatro em cada dez indústrias brasileiras já migraram para o mercado livre de energia nos últimos dois anos, segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI). A pesquisa mostra que 41% das empresas passaram a negociar a compra de energia nesse modelo desde 2024, após a ampliação do acesso ao ambiente de livre contratação por uma norma do Ministério de Minas e Energia (MME).

Entre as empresas que deixaram o mercado cativo de energia, 73% afirmam ter percebido redução nos gastos com tarifas elétricas. O resultado reforça o interesse da indústria por alternativas para controlar despesas e aumentar a competitividade.

Empresas buscam reduzir custos com a conta de luz

A Sondagem Especial Indústria e Energia 2026, divulgada pela CNI, aponta que 30% dos empresários consideram a migração para o mercado livre de eletricidade a principal estratégia para diminuir os custos da energia.

O movimento ocorre em um cenário de maior instabilidade no setor elétrico, influenciado pelo crescimento da demanda mundial por energia e por fatores geopolíticos que afetam os preços. Diante desse contexto, a busca por maior previsibilidade e economia tem levado mais empresas a avaliar a mudança no modelo de contratação.

Apesar do avanço, a pesquisa indica que ainda existe espaço para crescimento. Entre as indústrias atendidas em baixa tensão que continuam no mercado regulado, 37% demonstram interesse em migrar para o ambiente livre.

Grandes empresas lideram adesão ao mercado livre

A adesão varia conforme o porte das companhias. Entre as grandes indústrias conectadas em alta tensão, 63% já compram energia no mercado livre.

Nas pequenas empresas, 22% informam que já participam desse ambiente de contratação, enquanto 45% permanecem no mercado tradicional, conhecido como mercado cativo.

O levantamento também revela a importância da eletricidade para a produção industrial: 79% das empresas afirmam que a energia elétrica é o principal insumo energético utilizado em seus processos.

“O levantamento evidencia como o custo da energia influencia a competitividade da indústria e mostra que muitas empresas têm buscado a migração para o mercado livre como alternativa para reduzir tarifas”, afirma o gerente de Energia da CNI, Roberto Wagner Pereira.

Segundo o especialista, também é necessário aprimorar o modelo de formação de preços no setor, com a adoção de tarifas dinâmicas de energia, capazes de acompanhar fatores como geração, horários de consumo e demanda. Ele ainda defende a revisão dos subsídios existentes, que contribuem para elevar o valor final da conta de luz.

Custo da energia preocupa a indústria brasileira

A pesquisa aponta que 83% dos industriais consideram o preço da energia um fator essencial para a competitividade dos negócios. Além disso, 67% afirmam que o aumento das tarifas interfere diretamente nos custos de produção.

Nos últimos 12 meses, 62% das empresas perceberam algum impacto provocado pela variação dos preços da eletricidade.

Entre os participantes, 3% relataram aumento considerado elevado na conta de luz, superior a 30%. Outros 20% classificaram o impacto como médio, com reajustes acima de 10%, enquanto 39% apontaram efeitos menores, abaixo de 10%.

Indústrias investem em eficiência energética e autogeração

Quase dois terços das empresas pesquisadas (64%) adotaram alguma iniciativa para reduzir o consumo de energia ou diminuir despesas tarifárias. A principal medida foi a migração para o mercado livre de energia, citada por 30% das indústrias.

Outras estratégias incluem investimentos em autogeração de energia e eficiência energética, apontados por 13% das empresas. Já 28% afirmaram não ter realizado nenhuma ação para otimizar o uso energético nos processos produtivos.

Setores com maior investimento em energia

A indústria de produtos de borracha apresentou os maiores índices de investimento em autogeração, com 25% das empresas adotando essa alternativa, e também teve destaque na migração para o mercado livre, com 38% de adesão.

O setor calçadista registrou a maior participação no mercado livre, com 47% das empresas migrando para esse modelo. Já o segmento de equipamentos de informática e produtos eletrônicos foi o que mais investiu em eficiência energética, com 25% das empresas adotando medidas nessa área.

A Sondagem Especial Indústria e Energia 2026 foi realizada em abril pela CNI com 1.498 indústrias dos setores extrativo e de transformação. O levantamento reuniu 601 pequenas empresas, 529 médias e 368 grandes companhias.

FONTE: Portal da Indústria
TEXTO: Redação
IMAGEM: Iano Andrade/CNI

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Negócios

WEG firma contrato com a Engie para expansão da Hidrelétrica Jaguara em projeto de R$ 1,2 bilhão

A WEG anunciou a assinatura de um contrato com a Engie Brasil para fornecer duas unidades geradoras destinadas à ampliação da capacidade da Usina Hidrelétrica Jaguara, empreendimento localizado no Rio Grande, entre os municípios de Rifaina (SP) e Sacramento (MG).

O projeto prevê investimentos de R$ 1,2 bilhão e permitirá o acréscimo de 232 megawatts (MW) à capacidade instalada da usina. A expansão será realizada com a instalação de duas unidades geradoras de 116 MW cada, aproveitando estruturas já existentes, sem necessidade de construção de um novo reservatório.

Equipamentos devem entrar em operação em 2030

Segundo a WEG, a previsão é de que as novas turbinas iniciem operação em 2030. A empresa destaca que a modernização da hidrelétrica fortalece o papel da energia hidrelétrica na transição energética, contribuindo para atender aos momentos de maior demanda por eletricidade e ampliar a segurança do sistema elétrico brasileiro.

A utilização da infraestrutura existente também favorece a expansão da geração de energia com menor impacto ambiental, tornando o projeto mais eficiente do ponto de vista operacional e sustentável.

Projeto reforça atuação da WEG no setor elétrico

Em comunicado ao mercado, a fabricante informou que sua participação no empreendimento demonstra a capacidade da companhia em desenvolver e fornecer soluções completas para projetos de grande porte no setor elétrico, incluindo tecnologias voltadas à geração de energia.

A empresa é uma das principais fornecedoras de equipamentos para usinas no Brasil e amplia sua presença em iniciativas estratégicas voltadas ao fortalecimento da matriz energética nacional.

Engie aposta na modernização da Usina Jaguara

A Usina Hidrelétrica Jaguara integra o parque gerador da Engie Brasil, uma das maiores companhias privadas de geração de energia elétrica do país. A ampliação da capacidade faz parte da estratégia da empresa de elevar a oferta de energia utilizando ativos já implantados, reduzindo a necessidade de novas intervenções ambientais e aumentando a eficiência operacional.

Com o investimento, a expectativa é fortalecer a contribuição da usina para o abastecimento do Sistema Interligado Nacional e acompanhar o crescimento da demanda por energia nos próximos anos.

FONTE: Invest News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Invest

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Tecnologia

Leilão de armazenamento de energia em baterias marca nova etapa do setor elétrico no Brasil

O Brasil realizará, pela primeira vez, um leilão voltado à contratação de sistemas de armazenamento de energia em baterias, iniciativa considerada estratégica para ampliar a segurança e a eficiência do sistema elétrico nacional. O processo contará com uma etapa exclusiva para projetos com conteúdo nacional e dará prioridade a empreendimentos localizados no Nordeste e em Minas Gerais.

De acordo com o Ministério de Minas e Energia, a medida representa um avanço na modernização da infraestrutura energética do país, permitindo a implantação de baterias eletroquímicas em larga escala para fortalecer a operação do Sistema Interligado Nacional (SIN).

Baterias ajudarão a atender a demanda nos horários de pico

Os equipamentos contratados terão a função de armazenar energia elétrica em momentos de menor consumo e disponibilizá-la quando houver maior necessidade da rede. A expectativa é aumentar a confiabilidade do fornecimento e contribuir para o equilíbrio da oferta de energia nos períodos de maior demanda.

A iniciativa acompanha uma tendência global de expansão das soluções de armazenamento de energia, consideradas fundamentais para a integração de fontes renováveis e para a estabilidade dos sistemas elétricos.

Certame será realizado em duas etapas em dezembro

O leilão ocorrerá em duas datas distintas. A primeira disputa está marcada para 2 de dezembro e será destinada exclusivamente a projetos que cumpram os critérios mínimos de nacionalização estabelecidos pelo Sistema CFI do BNDES.

A exigência atende a uma demanda apresentada por fabricantes brasileiros do setor, entre eles a WEG, a Moura e a UCB.

Já a segunda rodada, prevista para 4 de dezembro, será aberta a todos os participantes, independentemente do índice de nacionalização dos equipamentos.

Contratos terão validade de 15 anos

Os projetos vencedores negociarão contratos de disponibilidade de potência, com prazo de fornecimento de 15 anos. O início da operação está previsto para 1º de agosto de 2028.

Pelas regras estabelecidas, os empreendimentos serão remunerados por meio de uma receita fixa, garantindo previsibilidade financeira aos investidores e operadores do setor.

Nordeste e Minas Gerais terão prioridade na seleção dos projetos

Outro diferencial do leilão será a adoção de uma bonificação por localização. Projetos instalados em áreas consideradas estratégicas terão vantagem competitiva durante a disputa, seguindo metodologia definida pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

Entre os estados apontados como prioritários estão Alagoas, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Norte, regiões que concentram pontos considerados relevantes para o reforço da rede elétrica.

A expectativa do governo é que o novo modelo impulsione investimentos em armazenamento de energia, fortaleça a segurança energética e contribua para a expansão sustentável do sistema elétrico brasileiro.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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Sustentabilidade

Brasil desperdiça 20% da energia renovável em 2025 e acende alerta no setor elétrico

O ano de 2025 marcou um contraste no setor elétrico brasileiro. Mesmo figurando entre os líderes globais em energia renovável, o país deixou de aproveitar uma parcela significativa da produção limpa. Ao longo do ano, 20,6% da geração solar e eólica foi desperdiçada, resultado de cortes operacionais e limitações do sistema — fenômeno conhecido como curtailment.

De acordo com o relatório Curtailment 2025: retrospectiva e projeção, da Volt Robotics, a energia não utilizada representou uma perda econômica superior a R$ 6 bilhões entre janeiro e dezembro.

Excesso de geração expõe fragilidades do sistema elétrico

Segundo o diretor-geral da Volt Robotics, Donato da Silva Filho, o volume desperdiçado não pode ser tratado como algo marginal. “Estamos falando de energia limpa que poderia abastecer residências, indústrias e hospitais, mas acabou sendo descartada”, afirma.

O estudo aponta que os cortes atingiram níveis inéditos em 2025, pressionando projetos renováveis e expondo fragilidades estruturais do sistema elétrico nacional. O problema ocorre, principalmente, no período da manhã, quando a geração solar atinge seu pico, especialmente entre 10h e 11h.

Curtailment cresce com expansão acelerada das renováveis

Segundo Donato, cerca de 50% dos cortes ocorreram por excesso de oferta, enquanto a outra metade foi causada por limitações da infraestrutura de transmissão. O avanço rápido da geração, sobretudo da solar distribuída, não foi acompanhado por investimentos proporcionais em redes e sistemas de escoamento.

“A geração cresceu muito rápido, mas a infraestrutura não acompanhou esse ritmo. O sistema atual não foi projetado para essa realidade”, explica.

Fenômeno estrutural e global

Para o professor Ivan Camargo, da Universidade de Brasília (UnB), o problema não é exclusivo do Brasil. “Esse é um desafio estrutural da transição energética. Está acontecendo no mundo todo”, afirma.

Dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) mostram que o país já soma cerca de 60 GW de capacidade solar e 33 GW de energia eólica, volume que supera a carga do sistema ao meio-dia. Segundo o especialista, não basta ampliar linhas de transmissão. “Não adianta levar energia para onde não há consumo naquele horário”, destaca.

Picos de corte e risco operacional

O relatório da Volt Robotics indica que os meses de agosto, setembro e outubro concentraram os maiores níveis de corte, com destaque para outubro, quando o desperdício atingiu cerca de 8.000 MW médios, equivalente à geração média da Usina de Itaipu.

Em novembro, houve alívio parcial, com redução para 4.600 MW médios, e em dezembro os cortes ficaram em torno de 1.700 MW médios. Ainda assim, o movimento foi considerado conjuntural, associado à redução da geração eólica no fim do ano.

Domingos se tornam ponto crítico do sistema

Os dados mostram que os domingos pela manhã concentram os momentos mais críticos, quando o consumo é menor e a oferta permanece elevada. Em 2025, foram identificados 16 dias críticos, nos quais mais de 80% da geração disponível chegou a ser cortada em determinados períodos.

“Existe risco real de colapso por excesso de energia. Se toda a geração centralizada for cortada e ainda houver sobra da geração distribuída, o sistema pode entrar em instabilidade”, alerta Donato.

Quem paga a conta do desperdício?

O tema ganhou destaque na reforma do setor elétrico sancionada em novembro. O debate gira em torno de quem deve arcar com os custos do curtailment. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que vetos presidenciais evitaram um repasse estimado em R$ 6 bilhões aos consumidores.

Segundo ele, apenas situações em que a energia não pode ser escoada por falhas de infraestrutura justificariam compensações aos geradores. “Quando o Estado não entrega a infraestrutura necessária, é legítimo indenizar o investidor”, declarou em entrevista ao programa Roda Viva.

Falta de sinais econômicos agrava o problema

Para o pesquisador Diogo Lisbona, da FGV-CERI, o Brasil carece de mecanismos que sinalizem corretamente onde e quando investir. “A geração distribuída não recebe sinais de preço ou localização. Isso distorce o sistema”, afirma.

Ele defende ajustes regulatórios, revisão das regras de compensação e maior integração com soluções de armazenamento de energia. “Sem essas mudanças, os cortes vão continuar crescendo”, avalia.

Medidas emergenciais e caminhos futuros

Diante do agravamento do cenário, a Aneel e o ONS aprovaram um Plano Emergencial para lidar com o excesso de geração. Entre as medidas está a ampliação da tarifa branca para grandes consumidores, incentivando o uso de energia em horários de menor custo.

A Volt Robotics destaca que a adesão ainda é baixa, mas considera o movimento um avanço institucional. Entre as soluções estruturais estão novas linhas de transmissão — especialmente ligando o Nordeste ao Sul e Sudeste — previstas para entrar em operação entre 2029 e 2030.

Além disso, o estudo aponta que mudanças simples no comportamento do consumidor, como deslocar o uso de equipamentos elétricos para o período da manhã, podem reduzir significativamente o desperdício.

“Não é consumir mais, é consumir melhor. Tarifas inteligentes, armazenamento e incentivos corretos são fundamentais para equilibrar o sistema e garantir uma transição energética segura”, conclui Donato.

FONTE: Correio Braziliense
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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