Indústria

Fim da escala 6×1 pode impactar 97% das indústrias brasileiras, aponta pesquisa da CNI

Uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) revela que uma eventual mudança na jornada de trabalho, com o fim da escala 6×1 ou a redução da carga horária semanal, poderá afetar 97% das indústrias brasileiras. O levantamento também mostra que 73% das empresas do setor são contrárias à redução da jornada de 44 para 40 horas por meio de legislação.

Entre os principais efeitos apontados pelas indústrias estão o aumento dos custos operacionais, a redução da competitividade e possíveis perdas na capacidade de produção.

Pesquisa ouviu mais de 1,6 mil empresas

A sondagem “Jornadas e Escalas de Trabalho na Indústria” foi realizada entre os dias 2 e 11 de março e contou com a participação de 1.664 empresas, sendo 1.366 das indústrias extrativa e de transformação e 298 da construção civil, incluindo negócios de pequeno, médio e grande porte.

Os dados mostram que a jornada semanal de 44 horas continua sendo a mais adotada no país, presente em 85% das empresas consultadas. Outras 12% operam com carga horária entre 40 e 44 horas. Apenas 2% trabalham com jornadas entre 36 e 40 horas, enquanto 1% utiliza modelos diferentes para os profissionais diretamente ligados à produção.

Maioria da indústria rejeita mudanças na legislação

O levantamento aponta resistência significativa às propostas em discussão sobre a jornada de trabalho.

Segundo a pesquisa, 73% das indústrias são contrárias à redução da jornada semanal de 44 para 40 horas por determinação legal. Já o fim da escala 6×1 é rejeitado por 57% das empresas consultadas.

Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, mudanças dessa natureza podem gerar impactos em toda a cadeia produtiva.

“Quando a indústria aponta esses impactos, não está falando apenas da realidade do empresário, está falando sobre a viabilidade do negócio. Esses custos tendem a se espalhar pela cadeia produtiva, afetando fornecedores, investimentos e a competitividade das empresas. E perda de competitividade significa menor capacidade de disputar mercados, produzir e crescer, o que vai se refletir na economia do país e na vida do consumidor”, afirmou.

Negociação coletiva tem papel importante na definição da jornada

A pesquisa também destaca que a negociação coletiva já é amplamente utilizada para definir jornadas de trabalho em diferentes segmentos da indústria.

Atualmente, 37% das empresas estabelecem a carga horária semanal por meio de acordos entre empregadores e trabalhadores. Entre as empresas de médio porte, esse percentual chega a 40%, enquanto nas grandes indústrias alcança 39%.

Além disso, 62% das empresas acreditam que mudanças como a redução da jornada ou a proibição da escala 6×1 podem comprometer benefícios conquistados em convenções e acordos coletivos. Apenas 20% discordam dessa avaliação, enquanto os demais adotaram posição neutra.

CNI defende debate baseado em dados

De acordo com Ricardo Alban, a entidade considera que qualquer alteração nas regras da jornada de trabalho deve ser discutida com base em estudos técnicos e respeitando as particularidades de cada setor produtivo.

Na avaliação do dirigente, a negociação coletiva já oferece mecanismos para que empresas e trabalhadores construam soluções adaptadas às diferentes realidades econômicas, preservando benefícios e garantindo maior flexibilidade nas relações de trabalho.

FONTE: Portal da Indústria
TEXTO: Redação
IMAGEM: Gabriel Pinheiro / CNI

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