Portos

Dragagem no Porto de Itajaí: canal abaixo da cota mínima ameaça operações

O canal de acesso ao Porto de Itajaí opera abaixo da cota mínima de profundidade e acendeu o sinal de alerta entre armadores e operadores logísticos. Sem empresa contratada há cerca de duas semanas para executar a dragagem de manutenção, o complexo portuário perdeu parte do calado, o que pode comprometer a segurança da navegação.

A responsabilidade pela contratação é da Companhia Docas do Estado da Bahia, que ainda não havia formalizado o contrato emergencial. Na terça-feira, o Porto de Itajaí informou que o resultado da licitação seria publicado nesta quarta-feira no Diário Oficial.

Relatório técnico aponta risco imediato

Parecer da gerência de infraestrutura da Codeba classificou o cenário como preocupante e defendeu medidas urgentes para evitar restrições operacionais no complexo portuário de Itajaí e Navegantes.

O documento sugere a contratação imediata da Van Oord, responsável pela dragagem até 15 de fevereiro e que mantém a draga Njord na cidade. Segundo os técnicos, a situação não comporta aguardar a tramitação de recursos administrativos, já que uma nova empresa poderia levar até 30 dias para mobilizar equipamentos, conforme previsto em projeto.

Levantamentos hidrográficos realizados entre 23 e 25 de fevereiro registraram perda de 1,2 metro de profundidade na bacia de evolução e de 50 centímetros no canal interno. Os índices estão abaixo das cotas mínimas estabelecidas, elevando o risco à segurança da navegação e podendo limitar operações de navios de maior porte.

O parecer também destaca a previsão de chuvas intensas até abril, fator que pode acelerar o assoreamento e reduzir ainda mais o calado caso a dragagem não seja retomada com urgência.

Disputa entre empresas trava contrato emergencial

A Van Oord apresentou proposta de R$ 42,5 milhões para um contrato de seis meses e participou da cotação emergencial, ofertando R$ 45,8 milhões — o segundo menor valor.

A escolhida no processo foi a DTA Engenharia, com proposta de R$ 44,7 milhões. No entanto, o andamento foi interrompido após recurso apresentado pela Jan De Nul contra a desclassificação de sua proposta. Os questionamentos seguem sob análise da Codeba, atrasando a emissão da ordem de serviço.

De acordo com o processo, a DTA informou que poderia mobilizar a draga TSHD Hang Jun em até 10 dias e outros três equipamentos em até 30 dias. A empresa também mencionou a possibilidade de deslocar a draga Amazone, atualmente empregada em obras de alargamento de faixa de areia em Balneário Piçarras.

Técnicos da Codeba ressaltaram que a Van Oord mantém equipamento já disponível na cidade e poderia iniciar imediatamente a dragagem do canal de acesso, reduzindo o impacto às operações portuárias.

Dragagem será retomada na próxima semana

Em nota, o Porto de Itajaí comunicou que o Consórcio DTA–CHEC, formado pela DTA Engenharia Ltda e pela CHEC Dredging Co. Ltda, foi declarado vencedor da licitação para executar a dragagem de manutenção do canal de acesso aquaviário.

A publicação do resultado no Diário Oficial da União está prevista para esta quarta-feira. Segundo a autoridade portuária, a draga já se encontra posicionada no canal e a operação deve ser retomada no início da próxima semana.

O contrato mensal foi firmado no valor de R$ 7.464.028,16. De acordo com o superintendente do Porto de Itajaí, João Paulo Tavares Bastos Gama, a dragagem é estratégica para manter a competitividade do terminal, assegurando previsibilidade, segurança e continuidade às operações logísticas.

FONTE: Diarinho
TEXTO: Redação
IMAGEM: João Batista

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Portos

Portos do Sudeste movimentam quase 700 milhões de toneladas em 2025 e reforçam protagonismo logístico

Os portos do Sudeste consolidaram sua posição estratégica ao movimentar 699,8 milhões de toneladas em 2025. O volume representa crescimento de 7,52% em relação ao ano anterior, segundo dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários, compilados pelo Ministério de Portos e Aeroportos.

O avanço foi puxado principalmente pelas exportações, que registraram alta de 10,15% no período.

Granéis lideram expansão da movimentação portuária

O desempenho regional foi sustentado pelo aumento no transporte de granéis sólidos e granéis líquidos.

  • Granéis sólidos: 366,4 milhões de toneladas (+8,25%)
  • Granéis líquidos: 226,1 milhões de toneladas (+9,22%)
  • Cargas em contêineres: 72,4 milhões de toneladas (+1,53%)

O resultado reflete a força de cadeias produtivas estratégicas como mineração, energia e agronegócio, concentradas na região.

Crescimento atinge portos públicos e privados

O Sudeste abriga três dos cinco maiores portos do país em volume movimentado e registrou expansão em todos os seus terminais.

Entre os portos públicos, o destaque é o Porto de Santos, que alcançou 142,8 milhões de toneladas em 2025, alta de 2,98%, com forte participação de contêineres, soja, açúcar e milho.

O Porto de Itaguaí somou 62,8 milhões de toneladas (+3,55%), sendo o minério de ferro responsável por mais de 90% da movimentação.

Nos terminais privados, o Terminal de Tubarão registrou 87,4 milhões de toneladas, crescimento de 12,9%, também impulsionado pelo minério de ferro.

Já o Terminal Aquaviário de Angra dos Reis movimentou 70,4 milhões de toneladas (+12,28%). O Porto do Açu apresentou o maior avanço percentual da região: 20,31%, totalizando 60,4 milhões de toneladas, com operações concentradas em petróleo e derivados.

Minério e petróleo lideram cargas

Entre os principais produtos escoados pelos portos do Sudeste, o minério de ferro liderou com 239,1 milhões de toneladas. Na sequência aparecem petróleo e derivados, que somaram 217,1 milhões de toneladas.

A soja também teve papel relevante, com 39,6 milhões de toneladas embarcadas ao longo do ano.

Os números reforçam a posição do Sudeste como eixo central do escoamento mineral e energético do Brasil, além de corredor logístico para a produção agroindustrial.

Forte integração com o mercado internacional

Do total movimentado em 2025, 531,2 milhões de toneladas foram transportadas por longo curso, modalidade que conecta portos brasileiros a mercados internacionais.

A cabotagem também registrou crescimento de 5,91%, alcançando 137,4 milhões de toneladas e ampliando a integração marítima ao longo da costa brasileira.

O desempenho confirma o protagonismo logístico do Sudeste e a consolidação de um ambiente favorável à expansão da infraestrutura portuária e à competitividade do país no comércio exterior.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Vosmar Rosa/MPor

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Portos

APM Terminals Pecém bate recorde de movimentação em 2025

A APM Terminals Pecém alcançou, em 2025, o maior volume de movimentação de sua história. O terminal registrou 706.524 TEUs ao longo do ano, impulsionado pela criação de uma nova rota marítima de longo curso ligando a Ásia ao Ceará e pelo aumento consistente das cargas.

O desempenho consolida o melhor resultado já obtido pela unidade instalada no Complexo do Pecém.

Nova rota com a Ásia impulsiona crescimento

A entrada de um novo serviço conectando o porto asiático ao terminal cearense ampliou o fluxo de contêineres e fortaleceu o papel estratégico do porto do Pecém nas rotas internacionais.

Além disso, o volume total de cargas avançou ao longo do ano, com aceleração no segundo semestre. A partir de julho, as exportações passaram a superar, de forma contínua, os números registrados em 2024.

Safra de frutas e cabotagem fortalecem operações

O resultado também refletiu o bom desempenho da safra de frutas do Nordeste, tradicionalmente relevante para as exportações da região.

Outro destaque foi a cabotagem, que cresceu 16% em 2025. Os desembarques aumentaram 18%, enquanto os embarques avançaram 16%, reforçando o transporte marítimo entre portos brasileiros.

Crescimento em dois principais fluxos de carga

As operações do terminal se dividem em dois grandes segmentos:

  • Cargas destinadas a outros portos do país, com destaque para o Porto de Manaus
  • Mercadorias com origem ou destino no Ceará e estados vizinhos, como Rio Grande do Norte, Piauí e Maranhão

No primeiro grupo, o crescimento foi de 15%. Já no segundo, que envolve cargas regionais, o avanço chegou a 51%.

Mais operações e recorde no CFS

O aumento da movimentação impactou diretamente o número de operações portuárias. Em 2025, foram realizadas 517 operações de navios, alta de 6,8% frente às 484 registradas no ano anterior.

O CFS Porto, área destinada à consolidação e desconsolidação de cargas, contabilizou 13.143 serviços — o maior volume anual já registrado — com crescimento de 25% em relação a 2024.

Os serviços acessórios, como estufagem, desova de contêineres e inspeções logísticas, também acompanharam o ritmo, com expansão de 25%.

Segundo semestre consolidou melhor desempenho

De acordo com Daniel Rose, diretor-presidente da APM Terminals Suape e Pecém, houve uma mudança significativa no fluxo de cargas a partir do meio do ano.

Após um primeiro semestre mais estável, o terminal passou a registrar alta mensal contínua na segunda metade de 2025, superando as projeções internas. No último trimestre, a manutenção de volumes elevados, aliada à estabilidade operacional e à previsibilidade logística, consolidou o melhor desempenho da história da companhia na região.

FONTE: Modais em Foco
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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Portos

Megaleilões impulsionam expansão dos portos brasileiros com R$ 15 bilhões em investimentos

O Brasil vive um novo ciclo de megaleilões portuários. Nos últimos três anos, foram realizados 26 certames que somam mais de R$ 15 bilhões em investimentos contratados. Entre eles, quatro projetos ultrapassam individualmente a marca de R$ 1 bilhão e concentram, juntos, cerca de R$ 12 bilhões.

Os destaques incluem o ITG02, no Porto de Itaguaí, o Túnel Santos-Guarujá no Porto de Santos, além do canal de acesso e três terminais no Porto de Paranaguá.

As iniciativas, concentradas nas regiões Sul e Sudeste, integram a estratégia do Ministério de Portos e Aeroportos para modernizar a infraestrutura portuária, reduzir gargalos logísticos e fortalecer a relação entre porto e cidade.

Itaguaí consolida polo de minério no Rio

O terminal ITG02 foi o primeiro do ciclo a superar R$ 1 bilhão. Arrendado pela Cedro Participações, o projeto prevê R$ 3,5 bilhões em investimentos ao longo de 35 anos.

Com área de 348,9 mil m² e capacidade estimada em 20 milhões de toneladas por ano, o terminal reforça o papel estratégico do Porto de Itaguaí na exportação de minério de ferro. A expectativa é gerar cerca de 2.800 empregos indiretos na implantação e aproximadamente 2 mil postos diretos e indiretos na fase operacional.

Túnel Santos-Guarujá terá impacto logístico e urbano

Considerada a maior obra do Novo PAC, a ligação submersa entre Santos e Guarujá receberá R$ 6,8 bilhões em aportes, em parceria entre o governo federal e o Estado de São Paulo. O projeto será executado pela portuguesa Mota-Engil.

Primeiro túnel imerso da América Latina, a estrutura reduzirá o tempo de travessia de 50 para cinco minutos. Com seis faixas de tráfego, ciclovia, passagem de pedestres e espaço para VLT, a obra deve beneficiar mais de 720 mil pessoas e gerar cerca de 9 mil empregos. Além da mobilidade urbana, o projeto amplia a eficiência logística do maior porto da região.

Paranaguá inaugura novo modelo de concessão

O leilão do canal de acesso do Porto de Paranaguá marcou a primeira concessão de canal público no país. Realizado em outubro de 2025, o contrato prevê R$ 1,23 bilhão em investimentos por 25 anos.

A iniciativa inclui dragagem para ampliar o calado de 13,5 metros para 15,5 metros, permitindo a operação de navios de maior porte. O contrato também contempla manutenção contínua, sinalização náutica e gestão integrada do tráfego aquaviário, elevando o padrão de segurança e previsibilidade operacional.

O modelo poderá ser replicado em outros portos estratégicos, como Itajaí, Santos e unidades do Rio Grande do Sul.

Terminais ampliam escoamento agrícola

No Porto de Paranaguá, os terminais PAR14, PAR15 e PAR25 consolidaram um pacote integrado para expansão da movimentação de granéis sólidos vegetais.

O PAR14, arrematado pela BTG Pactual Commodities Sertrading, prevê R$ 1,01 bilhão em investimentos, incluindo implantação de nova área e construção do Píer em “T”, com quatro berços adicionais. O projeto também prevê integração ao Moegão, ampliando a capacidade ferroviária. A estimativa é de mais de 1,6 mil empregos diretos e 3,4 mil indiretos.

O PAR15, vencido pela Cargill Brasil, contará com R$ 604 milhões em aportes e capacidade para cerca de 4 milhões de toneladas por ano.

Já o PAR25, arrematado pelo Consórcio ALDC, formado por Louis Dreyfus Company e Amaggi, prevê R$ 565 milhões em investimentos, reforçando a infraestrutura logística e ampliando o potencial de escoamento da safra agrícola.

Planejamento de longo prazo

Segundo o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, a agenda coloca a infraestrutura logística no centro do desenvolvimento econômico. Já o secretário nacional de Portos, Alex Avila, afirma que os projetos consolidam um planejamento de longo prazo, com foco em eficiência operacional e modernização regulatória.

O novo ciclo de concessões sinaliza uma mudança estrutural na gestão portuária brasileira, ampliando a capacidade operacional, atraindo investimentos privados e fortalecendo a competitividade do país no comércio exterior.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Claudio Neves

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Portos

Colisão no Porto de Santos reacende debate sobre VTMIS e gestão do tráfego marítimo

A colisão entre o navio Seaspan Empire e duas balsas, registrada em 16 de fevereiro, voltou a colocar em evidência um problema estrutural no Porto de Santos: a ausência de um sistema moderno de gerenciamento do tráfego de embarcações e a limitação de vagas para atracação.

O cargueiro chegou a ingressar no canal com autorização, mas precisou deixar a área portuária por falta de espaço disponível no terminal. Durante a manobra de retorno, ocorreu o acidente.

Especialistas avaliam que o episódio reforça a necessidade urgente de implantação do Sistema de Gerenciamento e Informações do Tráfego de Embarcações (VTMIS), tecnologia que permite monitorar, coordenar e organizar o tráfego marítimo em tempo real.

Maior porto do Hemisfério Sul opera no limite

Com movimentação anual próxima de 200 milhões de toneladas e mais de 50 terminais compartilhando o mesmo canal de navegação, o Porto de Santos é o maior do Hemisfério Sul.

Para o engenheiro Luis Claudio Montenegro, mestre em Engenharia de Transportes pelo Instituto Militar de Engenharia, o complexo portuário já opera próximo do limite. Segundo ele, mesmo com ampliações em cais e áreas de armazenagem, os acessos marítimos e terrestres seguem pressionados.

Montenegro destaca que o único porto brasileiro com VTMIS completo em operação é o de Porto de Vitória. Na avaliação dele, a falta de prioridade ao tema em Santos amplia o risco de incidentes e compromete a eficiência operacional.

Gargalo gera prejuízo bilionário

Além das questões de segurança, o gargalo logístico tem impacto financeiro significativo. De acordo com o especialista, o Porto de Santos perde cerca de R$ 3 bilhões por ano em multas por sobre-estadia — cobradas quando navios permanecem atracados além do prazo contratado.

O consultor em projetos logísticos Marcos Fernandez Nardi reforça que a quantidade de terminais é insuficiente para o volume movimentado e que falhas operacionais, especialmente em cargas a granel, afetam diretamente as janelas de atracação.

A soma de ineficiência operacional, limitação de berços e ausência de um sistema integrado de tráfego amplia os riscos e encarece a operação portuária.

APS aguarda aval do TCU

A Autoridade Portuária de Santos (APS) informou que concluiu a etapa sob sua responsabilidade no processo licitatório para implantação do VTMIS. No momento, aguarda posicionamento do Tribunal de Contas da União para dar andamento à contratação.

Segundo a autoridade portuária, o projeto prevê prazo total de cinco anos, sendo dois destinados à implantação da infraestrutura física e tecnológica e três voltados ao Suporte Logístico Integrado, que inclui manutenção e consolidação operacional.

Como funciona a autorização de entrada

A APS esclarece que a programação de entrada de navios é validada após a embarcação obter autorizações da Capitania dos Portos, Polícia Federal, Receita Federal, Anvisa e Vigiagro.

No cais público, a autoridade verifica se o comprimento do navio é compatível com o espaço disponível no berço. Já nos Terminais de Uso Privado (TUPs), essa validação é feita pelo próprio operador. O caso do Seaspan Empire ocorreu em um TUP administrado pela DP World.

Após a liberação, a manobra é agendada junto à Praticagem, com definição do horário pelo agente marítimo.

Tecnologia como prioridade estratégica

Para especialistas, a implementação do VTMIS no Porto de Santos é considerada estratégica para aumentar a segurança da navegação, reduzir custos e melhorar a fluidez logística.

Sem um sistema próprio de controle de tráfego marítimo, o maior porto da América Latina segue vulnerável a congestionamentos, atrasos e acidentes — cenário que tende a se agravar com o crescimento contínuo da movimentação de cargas.

FONTE: G1
TEXTO: Redação
IMAGEM: Arquivo AT

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Portos

China anuncia ação judicial para recuperar controle de portos no Canal do Panamá

O governo da China informou que adotará medidas legais para defender os interesses de sua empresa de Hong Kong que administrava os portos de Balboa e Cristóbal, no Canal do Panamá, após a revogação da concessão pelas autoridades panamenhas.

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Mao Ning, declarou em Pequim que o país atuará para proteger os direitos legítimos de suas companhias e assegurar segurança jurídica aos investimentos em infraestrutura estratégica.

Disputa envolve concessão bilionária

Os terminais de Balboa e Cristóbal eram operados há mais de 25 anos pela empresa CK Hutchison Holdings, por meio da subsidiária Panama Ports Company.

Ao longo desse período, foram investidos mais de US$ 1,8 bilhão em infraestrutura portuária, modernização de guindastes e sistemas de movimentação de carga. Os dois terminais estão posicionados em áreas estratégicas nas entradas do canal, considerado uma das rotas marítimas mais relevantes do planeta.

Após decisão da Suprema Corte do Panamá apontar supostas irregularidades contratuais, o governo local assumiu temporariamente o controle das operações e transferiu a concessão para operadores europeus.

Portos passam a operadores europeus

O terminal de Balboa passou à gestão da APM Terminals, ligada ao grupo dinamarquês Maersk. Já o porto de Cristóbal foi concedido à Terminal Investment Limited, empresa associada à suíça MSC.

A mudança administrativa coloca em risco os investimentos chineses acumulados ao longo de décadas e amplia a tensão diplomática em torno do controle de ativos estratégicos no comércio marítimo internacional.

Canal do Panamá no centro da geopolítica

O episódio reforça a crescente disputa geopolítica em torno do Canal do Panamá, responsável por cerca de 5% a 6% do comércio marítimo global. A via é essencial para as rotas entre Ásia, América e Europa.

A China figura entre os principais usuários do canal, respondendo por aproximadamente 21% do volume de cargas transportadas. O governo chinês sustenta que a ação judicial não busca apenas proteger uma empresa específica, mas garantir previsibilidade jurídica para investimentos internacionais em infraestrutura crítica.

Analistas avaliam que pressões ligadas a interesses dos Estados Unidos podem ter influenciado a decisão panamenha, refletindo a tradicional influência de Washington sobre projetos estratégicos na América Latina.

Crescente presença chinesa na América Latina

A disputa ocorre em um contexto de expansão da presença econômica chinesa na região. Entre 2003 e 2022, os investimentos da China na América Latina superaram US$ 187 bilhões, abrangendo portos, energia, telecomunicações e obras de infraestrutura.

O intercâmbio comercial entre a China e os países latino-americanos ultrapassa US$ 500 bilhões, consolidando o país asiático como parceiro estratégico. Atualmente, Pequim representa cerca de 16,9% do comércio total da região com o mundo, superando a União Europeia e aproximando-se da participação norte-americana.

O caso dos portos panamenhos evidencia que a disputa vai além do campo empresarial, envolvendo interesses geopolíticos, influência estratégica e controle de rotas fundamentais para o comércio global.

FONTE: Brasil de Fato
TEXTO: Redação
IMAGEM: AFP

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Porto de Natal: empresa arremata terminal e prevê investimento de R$ 55 milhões para exportação de minério de ferro

O primeiro leilão do Porto de Natal foi realizado nesta quinta-feira (26), na B3, em São Paulo. O certame oficializou o arrendamento do terminal Pátio Norte (NAT01), voltado à movimentação de granéis sólidos, e marca uma nova fase na gestão da infraestrutura portuária do Rio Grande do Norte.

Terminal será operado por grupo com projeto mineral no RN

A área foi arrematada pela Fomento do Brasil Mineração, subsidiária do grupo indiano Fomento Resources. A empresa desenvolve o Projeto Ferro Potiguar, localizado no município de Tangará (RN), com foco na produção de minério de ferro.

O valor de outorga foi fixado em R$ 50 mil, e o contrato de arrendamento, com duração de 15 anos, prevê R$ 55,17 milhões em investimentos no período. O terminal NAT01 foi estruturado para ampliar o escoamento de cargas minerais, fortalecendo a vocação exportadora do porto.

Capacidade de movimentação deve quadruplicar

De acordo com a Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern), o arrendamento pode multiplicar por quatro o volume de cargas movimentadas no Porto de Natal.

Segundo o diretor-presidente da Codern, Paulo Henrique Macedo, o avanço resulta de articulação conjunta entre a estatal, o Ministério de Portos e Aeroportos e o governo estadual. Ele ressaltou que os investimentos recentes em logística portuária têm elevado a atratividade do terminal potiguar.

Entre as melhorias citadas estão obras de dragagem, reforço das defensas da Ponte Newton Navarro, substituição de dolphins de atracação, modernização de galpões e armazéns e implantação de energia fotovoltaica.

Governo projeta impacto positivo na economia

Durante a cerimônia, o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, destacou o papel dos investimentos em infraestrutura para impulsionar o crescimento econômico. Ele afirmou que os próximos anos devem apresentar melhora nos indicadores, com aumento de aportes privados, geração de empregos e redução de juros.

A sessão pública foi conduzida pelo Ministério de Portos e Aeroportos, em parceria com a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e a B3, reunindo representantes do setor público e investidores da área portuária.

Outros terminais também foram leiloados

Além do NAT01, o leilão incluiu o terminal MCP01, no Porto de Santana, e o POA26, no Porto de Porto Alegre, ampliando a agenda federal de concessões no setor.

A expectativa é que os novos contratos fortaleçam a competitividade dos portos brasileiros e ampliem a capacidade de exportação de minério de ferro e outros granéis sólidos.

FONTE: Agora RN
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação

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ANTAQ moderniza controle patrimonial dos portos organizados com novo manual e sistema SisPAT

A Agência Nacional dos Transportes Aquaviários (ANTAQ) aprovou a criação do Manual de Inventário e Lista de Bens Reversíveis e a reformulação do Sistema de Controle Patrimonial dos Portos Organizados (SisPAT). A decisão foi publicada no Diário Oficial da União em 11 de fevereiro e marca um avanço na modernização do controle patrimonial dos portos organizados.

O novo manual, elaborado com apoio da Superintendência de Fiscalização e Coordenação das Unidades Regionais (SFC), será apresentado em transmissão no canal oficial da agência no YouTube, em data a ser divulgada.

Manual padroniza inventário de bens da União

Com cerca de 70 páginas, o documento estabelece critérios técnicos e metodológicos para o controle patrimonial de bens da União nos portos organizados, incluindo os chamados bens reversíveis.

O texto detalha requisitos mínimos de identificação, descrição, mensuração, classificação e avaliação dos ativos, em conformidade com a Resolução ANTAQ nº 43/2021. A padronização busca garantir maior uniformidade e segurança jurídica no envio das informações à agência reguladora.

Prazo para atualização anual dos inventários

A Resolução ANTAQ nº 75/2022 determina que autoridades portuárias e arrendatários devem encaminhar a atualização anual dos inventários até o dia 30 de abril.

Para esclarecer dúvidas, a agência disponibilizou o canal permanente de atendimento pelo e-mail inventario@antaq.gov.br.

SisPAT reformulado traz integração via API

A atualização do SisPAT foi desenvolvida para atender integralmente às normas vigentes e às diretrizes estabelecidas no novo manual. A principal inovação é a possibilidade de integração automática de dados por meio de API (Interface de Programação de Aplicações).

Com isso, os próprios regulados poderão cadastrar bens diretamente no sistema da ANTAQ ou sincronizar suas bases internas de dados com a plataforma da agência. A medida aumenta a celeridade, a rastreabilidade e a confiabilidade das informações patrimoniais.

Redução de custos e mais eficiência regulatória

O sistema permite tanto o preenchimento manual, com campos padronizados e validações automáticas, quanto o envio automatizado de grandes volumes de dados. A integração direta elimina a necessidade de inserção individual de cada bem, reduzindo erros operacionais e retrabalho.

Segundo a ANTAQ, a automatização também contribui para a redução do custo regulatório, uma vez que diminui a necessidade de mobilização periódica de equipes apenas para alimentação do sistema. Após a implementação da conexão via API, as atualizações podem ocorrer de forma recorrente e automática.

A iniciativa busca tornar o processo mais moderno e eficiente, permitindo que autoridades portuárias e arrendatários concentrem esforços em suas atividades principais, sem prejuízo do cumprimento das obrigações regulatórias.

FONTE: ANTAQ
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/ANTAQ

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Santos Brasil amplia rotas internacionais com novo serviço Ásia–América do Sul no Tecon Santos

A Santos Brasil iniciou uma nova operação regular de longo curso no Tecon Santos, em parceria com a sul-coreana HMM. A escala inaugural do serviço FIL2 foi realizada nesta segunda-feira (23), com a atracação do navio Privilege.

O serviço conecta portos da Ásia à Costa Leste da América do Sul, ampliando a oferta de transporte marítimo entre os continentes. A operação será compartilhada entre a HMM e a Ocean Network Express (ONE).

Capacidade e frequência do novo serviço

O FIL2 contará com 11 navios, cada um com capacidade para até 6 mil TEUs — unidade equivalente a um contêiner de 20 pés. A rotação completa da linha terá duração de 77 dias.

A expectativa é movimentar até 2.700 TEUs por escala semanal, alcançando aproximadamente 140 mil TEUs ao ano. O novo serviço reforça a presença da companhia no comércio marítimo internacional e amplia a previsibilidade logística para exportadores e importadores.

Com essa inclusão, a Santos Brasil passa a atender os dez maiores armadores globais no Tecon Santos, localizado na margem esquerda do Porto de Santos — o maior complexo portuário da América do Sul.

Segundo Danilo Ramos, diretor Comercial de Operações da empresa, a entrada da HMM consolida mais uma rota estratégica na malha do terminal, ampliando a capacidade ofertada e garantindo maior eficiência nas operações logísticas.

Investimentos em modernização e sustentabilidade

O avanço operacional é acompanhado por um amplo programa de modernização. Em janeiro, o terminal recebeu dois novos portêineres (guindastes de cais) e oito RTGs elétricos (guindastes de pátio), totalizando agora 16 unidades desse modelo.

Os equipamentos são de última geração e operados remotamente — tecnologia implantada de forma pioneira pela companhia no Brasil no fim de 2024. O investimento nos dez novos guindastes soma R$ 300 milhões.

Nos próximos anos, a empresa prevê a aquisição de mais 30 RTGs elétricos, substituindo gradualmente os modelos movidos a diesel. Cada equipamento convencional trocado por um elétrico reduz cerca de 20 toneladas de emissão de CO2 por mês, reforçando o compromisso com a descarbonização e a logística sustentável.

Expansão bilionária até 2031

O projeto de ampliação do Tecon Santos teve início em 2019 e prevê aportes de aproximadamente R$ 3 bilhões até 2031. Desse total, cerca de R$ 2 bilhões já foram investidos.

A meta é elevar a capacidade operacional para 3 milhões de TEUs até o fim deste ano. O plano de crescimento está alinhado ao Plano de Transição Climática da companhia, que estabelece a meta de neutralidade de carbono (net zero) nos próximos anos.

FONTE: Santos Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Guia Marítimo

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TCP recebe primeiro navio a operar com novo calado máximo de 13,30 metros

Navios podem transportar mais cargas por viagem após ampliação

A TCP, empresa que administra o Terminal de Contêineres de Paranaguá, recebeu, na última semana de janeiro, o navio MSC Bianca, primeiro porta-contêineres a operar com o novo calado operacional (profundidade entre a parte mais baixa do navio a linha d’água) do canal de acesso ao Porto de Paranaguá, de 13,30 metros.

Com 328 metros de comprimento (LOA), 48 metros de largura (boca) e capacidade para transportar mais de 11 mil TEUs (medida equivalente a um contêiner de 20 pés), a atracação do navio marca o início de uma nova etapa para o Terminal após a atualização dos parâmetros de profundidade.

Segundo Carolina Merkle Brown, gerente comercial de armadores da TCP, a operação do primeiro navio sob as novas dimensões traduz, na prática, os benefícios do avanço para clientes e armadores.

“Com o novo calado, os navios podem otimizar e aumentar o volume de embarque em desembarque em nosso porto, reduzindo limitações operacionais e aumentando a previsibilidade das operações. Na prática, isso se traduz em melhor utilização da capacidade das embarcações e ganhos reais de eficiência. O resultado é mais competitividade para os armadores, exportadores e importadores que utilizam o Terminal, com potencial para redução de custos logísticos e maior segurança no planejamento das cadeias de suprimento”, explica.

Desde 2024, o calado operacional do canal de acesso ao porto vem sendo ampliado de forma gradativa, e a revisão mais recente, homologada pela Portos do Paraná e aprovada pela Marinha do Brasil e pela Praticagem, permite ganhos de capacidade conforme a janela de maré e o porte das embarcações: para navios de até 300 metros de comprimento, o calado a maré zero passa de 12,80 para 13,00 metros, podendo chegar a 13,30 metros com 30 centímetros de maré positiva.

Já os navios de 336 a 366 metros mantêm o limite de 12,80 metros em maré zero, mas passam a operar com 13,10 metros com 30 centímetros de maré positiva e com o calado máximo de 13,30 metros quando a maré alcançar 50 centímetros. Considerando esse acréscimo nas condições em que o calado máximo é aplicado, estima-se que os navios porta-contêineres possam transportar aproximadamente 400 TEUs cheios adicionais por viagem, com impacto direto na eficiência logística e no volume movimentado pelo Terminal.

De acordo com Rafael Stein Santos, superintendente institucional e jurídico da TCP, “o aprofundamento do canal de acesso é um catalisador para a economia da região e do país, porque com o ganho de capacidade operacional todas as atividades econômicas que estão ligadas ao porto, de forma direta ou indireta, também crescem no mesmo ritmo. Os esforços empregados, especialmente pela Autoridade Portuária, para a melhoria de condição de acesso ao Porto são fundamentais para que a TCP se mantenha na vanguarda das operações portuárias no Brasil”.

Pioneira na operação de embarcações de grande porte, a TCP foi o primeiro terminal portuário do Brasil a receber navios de 366 metros de comprimento. Com os novos parâmetros de calado, essas embarcações passam a utilizar o Terminal com ainda mais eficiência e capacidade, reforçando a posição de Paranaguá como um hub estratégico para rotas de longo curso.

O Terminal de Contêineres de Paranaguá é o maior concentrador de linhas marítimas da costa brasileira, com 23 escalas fixas semanais entre operações de longo curso e cabotagem.

FONTE: TCP
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/TCP

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