Internacional

África registra crescimento econômico mesmo com redução da ajuda internacional

A redução da ajuda internacional por parte dos Estados Unidos, após a decisão do presidente Donald Trump de encerrar a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), gerou preocupação global. A medida, adotada no ano anterior, praticamente interrompeu programas de cooperação e financiamento que somavam mais de US$ 80 bilhões em 2024.

Diante desse cenário, especialistas e organizações internacionais previam consequências severas, sobretudo para países africanos. Um estudo publicado em 2025 na revista científica The Lancet chegou a estimar até 14 milhões de mortes prematuras no continente até 2030.

Apesar de impactos pontuais — como aumento de mortes em regiões específicas —, a África não entrou em colapso. Pelo contrário: o continente registrou crescimento econômico em 2025 e mantém projeções positivas para 2026.

África lidera ranking de economias que mais crescem

De acordo com projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI), 11 das 15 economias com maior crescimento no mundo em 2026 estarão na África. Esse desempenho coloca o continente como a região com maior expansão global.

Segundo o economista Landry Signé, especialista em desenvolvimento e integrante do Fórum Econômico Mundial, muitos países africanos demonstraram uma capacidade de adaptação considerada surpreendente diante da redução da cooperação internacional.

Menor dependência de ajuda externa impulsiona autonomia

Um dos fatores que explicam esse desempenho é a diminuição gradual da dependência da ajuda externa. Embora relevante em países em crise humanitária, ela não representa a principal fonte de receita da maioria das nações africanas.

Dados indicam que, em 2023:

  • A ajuda internacional somou US$ 73,8 bilhões;
  • As remessas chegaram a US$ 90,8 bilhões;
  • O investimento estrangeiro direto atingiu US$ 97,1 bilhões;
  • A arrecadação tributária alcançou US$ 479,7 bilhões.

Além disso, o número de países cuja ajuda externa representa mais de 5% do PIB caiu nas últimas décadas, evidenciando maior autossuficiência econômica.

Impactos na saúde ainda preocupam

Apesar do avanço econômico, os efeitos da redução de recursos foram significativos na área da saúde pública. Dados da Organização Mundial da Saúde apontam que, entre janeiro e outubro de 2025, mais de 5.600 unidades de saúde foram afetadas, sendo cerca de 2.000 fechadas.

Como consequência, aproximadamente 53 milhões de pessoas tiveram acesso reduzido a serviços essenciais. Em casos mais graves, como na Nigéria, organizações humanitárias relataram centenas de mortes infantis por desnutrição.

Ainda assim, alguns países reagiram rapidamente. A Nigéria, por exemplo, conseguiu mobilizar quase metade dos recursos anteriormente fornecidos pela USAID em apenas um mês.

Novas parcerias comerciais fortalecem economias africanas

Diante das mudanças no cenário global, diversos países africanos passaram a diversificar seus mercados e fortalecer relações comerciais com outros parceiros.

A África do Sul ampliou exportações agrícolas para países asiáticos e intensificou o comércio dentro do próprio continente. Já outras nações buscaram acordos com Europa, Ásia e Oriente Médio, reduzindo a dependência dos Estados Unidos.

A China, por sua vez, tem desempenhado papel central nesse processo, eliminando tarifas para produtos de dezenas de países africanos e ampliando o volume de comércio bilateral.

Commodities e reformas internas ajudam na recuperação

O aumento dos preços das commodities também contribuiu para aliviar pressões inflacionárias e reforçar as economias locais. Paralelamente, governos adotaram medidas como:

  • Reformas fiscais;
  • Parcerias público-privadas;
  • Abertura de mercados ao setor privado.

Essas estratégias visam atrair investimentos, gerar empregos e sustentar o crescimento no longo prazo.

Países mais vulneráveis ainda enfrentam desafios

Apesar do cenário positivo geral, países afetados por conflitos, como Somália, Libéria e República Centro-Africana, continuam altamente dependentes de ajuda externa. Nessas regiões, problemas como fome, deslocamento e doenças se intensificaram após os cortes.

A atuação de outros doadores internacionais tem amenizado parcialmente os impactos, mas limitações estruturais ainda dificultam a recuperação.

África ganha protagonismo estratégico global

Além do crescimento econômico, o continente se torna cada vez mais relevante no cenário internacional. Com cerca de 30% das reservas globais de minerais críticos e uma população jovem em expansão, a África desponta como peça-chave para o futuro da economia mundial.

A expectativa é que, até 2030, metade dos novos trabalhadores globais esteja na África Subsaariana — um fator que amplia o potencial de consumo e produção.

Confira a entrevista:

BBC News Mundo – Acreditava-se que a decisão de Trump e de países europeus, como o Reino Unido, de cortar a ajuda para o desenvolvimento desencadearia uma catástrofe na África. Mas, em um estudo recente publicado na revista Foreign Affairs, você afirma que aconteceu exatamente o contrário. Esses resultados te surpreendem?

Landry Signé – Tendo acompanhado de perto as forças únicas e diversas da África, não me surpreendeu constatar que muitos países demonstraram uma notável capacidade de adaptação e resposta diante das mudanças na ajuda internacional.

Tenho observado a resiliência e o protagonismo de vários países africanos em áreas que algumas pessoas poderiam considerar inesperadas. Em tecnologias emergentes, por exemplo, muitos países lideram indicadores importantes: Maurício se destaca pelo amplo acesso à internet nas escolas, pela legislação de comércio eletrônico e pela presença de investidores de capital de risco.

O Quênia, por sua vez, é referência no uso de dinheiro móvel, enquanto Ruanda se destaca na entrega de suprimentos médicos com o uso de drones.

Existe também uma ideia equivocada sobre a ajuda, de que ela sustentou essencialmente as economias africanas.

BBC – A ideia de que a África era dependente da ajuda internacional é um mito?

Signé – Ainda que a ajuda internacional represente uma fatia significativa do Produto Interno Bruto (PIB) em países que enfrentam crises humanitárias, esse não é o caso da maioria das nações africanas.

Para a maioria dos países, a maior parte da receita vem de outras fontes, como as remessas. Em 2023, a ajuda internacional ao desenvolvimento para a África foi de US$ 73,8 bilhões, menos do que os US$ 90,8 bilhões em remessas, os US$ 97,1 bilhões em investimento estrangeiro direto e os US$ 479,7 bilhões em arrecadação tributária.

A dependência da ajuda externa, aliás, já vinha diminuindo antes mesmo dos cortes promovidos por Trump. O número de países onde a ajuda internacional ao desenvolvimento representava mais de 5% do PIB caiu de 27 em 2000 para 22 em 2022. Nos casos em que superava 10%, a queda foi de 14 para nove países; e, acima de 20%, de cinco para apenas um.

BBC – Alguns especialistas e ONGs alertaram que milhões de vidas seriam perdidas se a ajuda internacional fosse interrompida. Há evidências de que isso já aconteceu ou está prestes a acontecer?

Signé – Sim, os cortes na saúde foram particularmente devastadores.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, entre janeiro e outubro de 2025, 5.687 unidades de saúde em 20 contextos humanitários foram afetadas pela redução da ajuda internacional, e aproximadamente 2.038 fecharam, reduzindo o acesso a serviços de saúde para 53,3 milhões de pessoas.

Além disso, organizações não governamentais que atuam em campo, como Médicos Sem Fronteiras, relataram 652 mortes infantis por desnutrição em Katsina (Nigéria) nos primeiros seis meses de 2025, devido aos cortes.

Ainda levará tempo para dimensionarmos o impacto final, especialmente na mortalidade, mas alguns países conseguiram se adaptar. Por exemplo, um mês após o anúncio do fechamento da USAID, a Nigéria conseguiu mobilizar quase metade dos fundos que a USAID havia disponibilizado ao país.

A sociedade civil e o setor privado também passaram a atuar para preencher essa lacuna. O Centro de Pesquisa e Projetos para o Desenvolvimento (dRPC), com apoio da Fundação Ford, criou uma iniciativa para financiar 17 ONGs nigerianas durante três meses.

O fator determinante será saber se os recursos provenientes de ajustes governamentais, do setor privado, da sociedade civil ou de outros doadores poderão ser mobilizados e implementados de forma eficaz e rápida para substituir o financiamento anteriormente fornecido pelos Estados Unidos.

BBC – Como países como a Somália, Libéria e a República Centro-Africana, afetados por conflitos internos e fortemente dependentes de ajuda externa, conseguiram superar esse golpe?

Signé – Na minha análise, esses países estão classificados na categoria de maior risco, com alta exposição e alta vulnerabilidade. O impacto sobre eles é muito mais forte e difícil de gerir. A insegurança alimentar, a fome, o deslocamento e as doenças aumentaram após a interrupção da ajuda humanitária.

A União Europeia e o Japão destinaram recursos para ajuda humanitária na República Centro-Africana, e o Reino Unido enviou dinheiro para mitigar os efeitos da seca na Somália.

Ainda assim, a forte dependência de ajuda externa e as crises contínuas nesses países limitam sua capacidade de absorver o impacto.

BBC – Em 2025, os países africanos tiveram que lidar não só com os cortes na ajuda internacional, mas também com a turbulência causada pelas tarifas impostas pelo governo Trump. O que fizeram os governos da região? Implementaram medidas impopulares, como cortes nos gastos públicos e aumentos de impostos, ou buscaram outros mercados para redirecionar seus produtos?

Signé – No caso das tarifas, existe uma dinâmica semelhante à observada com a ajuda internacional. Embora países como Lesoto — cujo setor têxtil depende fortemente das exportações para os Estados Unidos — tenham sido afetados, apenas 13 países destinam mais de 5% de suas exportações totais ao mercado americano.

Muitos países focaram em redirecionar sua produção e a fortalecer relações comerciais com outros parceiros. A África do Sul, por exemplo, firmou um acordo para exportar produtos agrícolas para a China sem tarifas e buscou novos mercados na Indonésia, Vietnã, Malásia e no Japão. O país também tem priorizado o comércio dentro do próprio continente, que representou mais da metade das suas exportações agrícolas em 2025.

Alguns países, como Botsuana, além de buscar investimentos na União Europeia, adotaram uma postura de maior prudência fiscal, recorrendo a parcerias público-privadas em projetos de infraestrutura e abrindo setores à iniciativa privada — medidas que nem sempre são populares.

Contudo, as autoridades locais esperam atrair investimentos e, assim, criar empregos, beneficiando os cidadãos. O desemprego é um dos problemas mais urgentes do país.

Se as reformas conseguirem resultados em áreas prioritárias e gerarem ganhos em tecnologia ou transferência de conhecimento, a tendência é que ganhem apoio. Transparência, liderança responsável e uma implementação eficaz serão fatores decisivos.

BBC – O aumento dos preços das commodities teve um papel relevante?

Signé – Sim, o aumento do preço das commodities teve um papel importante, especialmente ao ajudar a reduzir pressões inflacionárias, mas não foi o único fator.

Em primeiro lugar, muitos países conseguiram se adaptar rapidamente por meio de políticas ágeis e inovadoras voltadas à mobilização de recursos.

Em segundo lugar, muitos recorreram às suas relações com outros parceiros para diversificar seus mercados. Por exemplo, Costa do Marfim, Egito e Marrocos já vinham ampliando seus parceiros regionais, europeus e asiáticos.

Em terceiro lugar, países como a Irlanda, Coreia e Espanha anunciaram aumentos em seus orçamentos de ajuda ao desenvolvimento internacional, enquanto Dinamarca, Noruega e Luxemburgo se comprometeram a manter os níveis atuais.

Já os Emirados Árabes Unidos têm liderado a assistência na área de segurança na África Subsaariana.

BBC – Qual foi o papel da China? O país atuou em apoio às nações africanas ou não?

Signé – Em 2024, a China retirou as tarifas de importação para produtos de 33 países africanos menos desenvolvidos, o que impulsionou o comércio África-China para US$ 296 bilhões, um contraste notável em relação à política de tarifas americanas.

No início deste ano, a China anunciou que, a partir de 1º de maio, 53 nações africanas poderão exportar seus produtos livres de tarifas.

BBC – Nos últimos anos, Rússia e China aumentaram sua presença na África. A Rússia tem apoiado os governos que chegaram ao poder na região do Sahel após uma série de golpes militares, enquanto a China concedeu empréstimos bilionários e garantiu concessões para a exploração de recursos naturais. A estratégia de Trump não está empurrando o continente para países que ele considera rivais e adversários?

Signé – A China é o principal parceiro comercial da África desde 2009. Em 2024, o intercâmbio entre o país asiático e o continente alcançou US$ 296 bilhões — mais que o dobro dos US$ 104,9 bilhões registrados no comércio entre a África e os Estados Unidos.

Ao mesmo tempo, o investimento estrangeiro direto americano no continente teve resultado negativo, com queda de US$ 2 bilhões em 2024, enquanto a China manteve fluxo positivo, com US$ 3,4 bilhões investidos.

A Rússia, por sua vez, está se consolidando como o principal parceiro na área de segurança em países do Sahel governados por juntas militares.

Já o superávit comercial da África com os Estados Unidos caiu ao nível mais baixo desde 2020 no período entre abril e julho de 2025, o que indica que a estratégia americana pode estar colocando em risco sua influência no continente.

BBC – A nova Doutrina de Segurança Nacional, publicada pelos EUA em dezembro, dedica apenas três parágrafos à África, sugerindo que o continente ocupa um lugar marginal nas prioridades de Washington. Qual a sua opinião sobre isso?

Signé – Os EUA dependem totalmente da importação de 12 minerais críticos e, em mais de 50%, de outros 28. Já a China controla 50% da produção global desses minerais e 87% do processamento de terras raras, grande parte por meio de suas operações na África.

O continente possui 30% das reservas globais, o que o torna um parceiro fundamental para a segurança nacional dos EUA.

A nova doutrina menciona os minerais críticos como uma oportunidade de parceria, O que é pertinente, mas uma abordagem centrada exclusivamente na extração é insuficiente.

Até 2030, a África Subsaariana concentrará metade dos novos trabalhadores que entrarão na força de trabalho global. Já em 2050, mais de um terço da população jovem do mundo viverá no continente.

Esse cenário cria demandas imediatas de emprego e oportunidades de mercado a longo prazo, algo que só uma estratégia abrangente pode atender.

Considero acertada a mudança de abordagem adotada por Washington, que passa a dar maior ênfase ao aspecto econômico, mas penso que seria recomendável ampliá-la para o que defino como os “4 Ps”: prosperidade, poder, paz e princípios.

Ampliar e otimizar a cooperação nessas quatro frentes, sem deixar de priorizar o comércio e os investimentos, pode ajudar os Estados Unidos a alcançar seus objetivos econômicos e de segurança nacional, ao mesmo tempo em que contribuirá para a prosperidade mútua entre o país e a África.

FONTE: BBC News Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Thomas Imo/Photothek via Getty Images

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Internacional

Corredor humanitário no Estreito de Ormuz: OMI propõe evacuação de navios retidos no Golfo Pérsico

A criação de um corredor humanitário no Estreito de Ormuz entrou no centro das discussões internacionais após a proposta da Organização Marítima Internacional (OMI) para retirar embarcações e tripulantes retidos na região. A medida surge em meio ao agravamento do conflito no Oriente Médio, que já impacta diretamente o comércio global e o transporte marítimo.

OMI busca solução emergencial para crise marítima

Ao final de uma reunião extraordinária realizada em Londres, o secretário-geral da OMI, Arsenio Dominguez, afirmou que pretende iniciar imediatamente negociações para viabilizar a operação. O objetivo é garantir a retirada segura de milhares de profissionais do mar e destravar a circulação de navios no Golfo Pérsico.

De acordo com estimativas da entidade, cerca de 3.200 navios permanecem retidos na região, com aproximadamente 20 mil tripulantes a bordo. A paralisação é consequência direta do bloqueio do Estreito de Ormuz, promovido pelo Irã como resposta a ações militares dos Estados Unidos e de Israel.

Dominguez destacou que a implementação do corredor dependerá de cooperação internacional. Segundo ele, será essencial o engajamento dos países envolvidos, além do apoio de agências da ONU e do setor marítimo global.

Países europeus e Japão sinalizam apoio

Em meio à crise, França, Reino Unido, Alemanha, Itália, Países Baixos e Japão divulgaram uma declaração conjunta demonstrando disposição para colaborar com iniciativas que garantam a navegação segura na região.

O comunicado ressalta o interesse em contribuir com ações que permitam a reabertura do Estreito de Ormuz, embora não detalhe quais medidas práticas serão adotadas. A manifestação ocorre dias após esses mesmos países recusarem participação em operações lideradas pelos Estados Unidos e Israel.

Tensões geopolíticas elevam pressão sobre mercados

A negativa anterior gerou reações do presidente Donald Trump, que afirmou não depender de aliados para restabelecer o fluxo marítimo no estreito. O cenário evidencia o aumento das tensões diplomáticas em torno da crise.

Considerado um dos pontos estratégicos mais importantes do mundo, o Estreito de Ormuz é responsável pela passagem de cerca de 20% do petróleo global. O bloqueio tem provocado instabilidade nos mercados financeiros e pressionado os preços do barril, com reflexos diretos na economia internacional.

Impactos globais do bloqueio do Estreito de Ormuz

A interrupção no fluxo de navios não afeta apenas o setor marítimo, mas também cadeias logísticas, prazos de entrega e custos de transporte. Especialistas apontam que, caso a situação persista, os efeitos podem se intensificar, atingindo desde o comércio exterior até o consumidor final.

A proposta da OMI surge, portanto, como uma tentativa urgente de mitigar riscos humanitários e econômicos, em um dos momentos mais delicados para o transporte marítimo internacional.

Fonte: Agência Brasil, com informações da RTP

Texto: Redação

Imagem: Reprodução EuroNews / AP Photo / Altaf Qadri

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Internacional

China restringe exportações de fertilizantes e pressiona mercado global

A China adotou novas restrições às exportações de fertilizantes, em uma tentativa de preservar o abastecimento doméstico e conter a alta de preços para seus agricultores. A decisão, revelada por fontes do setor à Reuters, impacta diretamente países importadores, como o Brasil, que depende do produto para sustentar sua produção agrícola.

O país asiático ocupa a posição de terceiro maior fornecedor de fertilizantes ao mercado brasileiro. Dados do Comexstat indicam que, em 2025, a China respondeu por 11,5% das importações do insumo, somando mais de US$ 93 milhões.

Escassez global se intensifica com conflitos internacionais

As restrições chinesas ocorrem em um cenário já pressionado pela crise geopolítica envolvendo o Oriente Médio, que compromete rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz. A região é responsável por cerca de um terço do transporte marítimo global de fertilizantes, agravando a escassez global de fertilizantes.

Além disso, Pequim teria proibido, de forma não oficial, a exportação de misturas à base de nitrogênio, potássio e determinados fosfatos. Com isso, apenas alguns produtos, como o sulfato de amônio, seguem liberados para envio ao exterior.

Metade das exportações pode estar comprometida

Estimativas apontam que até 50% das exportações chinesas de fertilizantes — cerca de 40 milhões de toneladas — estão sob algum tipo de restrição. Historicamente, o país já adota esse tipo de controle para garantir estabilidade interna, priorizando a segurança alimentar.

Segundo analistas do setor, a estratégia se repete em momentos de crise global. A lógica é evitar que o mercado interno sofra com oscilações bruscas de preços, mesmo que isso reduza a oferta internacional.

Alta de preços já é sentida no mercado internacional

Os reflexos dessas medidas já aparecem nos preços. A ureia, um dos principais fertilizantes utilizados na agricultura, acumula alta de cerca de 40% no mercado internacional desde o início do conflito. Na própria China, os contratos futuros do produto atingiram níveis próximos aos maiores dos últimos 10 meses.

Impacto no Brasil deve ser gradual

Para o agronegócio brasileiro, os efeitos tendem a ser percebidos apenas nas próximas safras. Isso porque grande parte dos fertilizantes utilizados atualmente já foi adquirida anteriormente.

Especialistas indicam que o aumento dos custos pode influenciar o planejamento agrícola a partir do segundo semestre, levando produtores a rever o uso de insumos ou optar por culturas menos dependentes de fertilização intensiva.

Dependência global amplia preocupação

A relevância da China no fornecimento mundial é significativa. No último ano, o país movimentou mais de US$ 13 bilhões em exportações de fertilizantes. Diversas nações da Ásia e da Oceania dependem fortemente desses embarques, o que amplia o impacto das restrições.

Enquanto isso, o mercado acompanha os próximos passos do governo chinês. A expectativa de agentes do setor é que as limitações permaneçam ao menos até o fim do pico de exportações, entre junho e agosto.

FONTE: G1
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Gazeta da Varginha

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Internacional

Estreito de Ormuz pressiona seguros marítimos e pode elevar preços ao consumidor

A crescente instabilidade no Estreito de Ormuz já provoca efeitos no comércio global e pode chegar ao bolso do consumidor. A escalada do conflito no Oriente Médio tem elevado os custos de seguros marítimos, impactando diretamente o transporte de cargas e o preço final de produtos.

Corredor estratégico sob risco

Localizado entre Irã e Omã, o Estreito de Ormuz é responsável por cerca de 20% do fluxo mundial de petróleo e gás. Com o aumento das tensões militares desde o fim de fevereiro, a região passou a registrar queda acentuada no tráfego marítimo e aumento significativo nos riscos à navegação.

Dados recentes apontam a dimensão do problema: o número de embarcações que cruzam a rota caiu drasticamente, enquanto episódios de ataques e incidentes envolvendo navios comerciais se tornaram mais frequentes, incluindo petroleiros e cargueiros.

Esse cenário reforça a importância estratégica da região para o abastecimento energético global e acende o alerta para possíveis impactos econômicos mais amplos.

Seguradoras suspendem coberturas

Diante do agravamento da situação, empresas de seguro passaram a rever sua atuação. Muitas seguradoras estão cancelando ou suspendendo apólices de risco de guerra, mecanismo essencial para garantir operações em áreas instáveis.

Especialistas explicam que, em ambientes de conflito, aumenta o risco de perdas simultâneas — envolvendo embarcações, cargas, tripulações e até danos ambientais — o que pressiona a capacidade financeira das companhias.

Além disso, a rápida deterioração do cenário e a concentração de ativos de alto valor tornam a região ainda mais sensível para o mercado de seguros internacionais.

Cancelamento de seguro é permitido?

Apesar do impacto econômico, o cancelamento dessas coberturas geralmente não configura quebra de contrato. Isso porque os contratos de seguro marítimo já incluem cláusulas específicas que permitem a suspensão ou revisão das apólices em situações de risco elevado.

Essas regras seguem padrões internacionais e exigem aviso prévio, que pode variar entre 72 horas e sete dias. Embarques realizados antes da notificação continuam cobertos, enquanto operações posteriores ficam expostas aos riscos sem proteção.

Impacto indireto no Brasil

Mesmo distante geograficamente, o Brasil pode sentir os efeitos dessa crise. O aumento no custo dos fretes marítimos e dos seguros tende a ser repassado ao longo da cadeia produtiva.

Um dos primeiros reflexos aparece no preço dos combustíveis. Com a alta do petróleo no mercado internacional, os custos de energia aumentam, pressionando a inflação global.

Esse movimento gera um efeito em cadeia: eleva o custo de produção, encarece fertilizantes, impacta alimentos e aumenta o preço de produtos importados. A menor previsibilidade nas entregas também contribui para a volatilidade dos preços.

Efeito cascata na economia global

Especialistas apontam que a continuidade do conflito pode intensificar ainda mais os impactos. A combinação de volatilidade no preço do petróleo, aumento nos custos logísticos e pressão sobre cadeias de suprimentos globais tende a afetar diversos setores da economia.

Caso haja interrupções prolongadas no fluxo pelo Estreito de Ormuz, o cenário pode se agravar, com reflexos diretos no abastecimento e na inflação em diferentes países.

FONTE: Infomoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Getty Images

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Tensão no Irã eleva custos de produção e logística em Mato Grosso

O agravamento das tensões no Oriente Médio, envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos, já começa a impactar diretamente a economia de Mato Grosso. De acordo com a Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt), o cenário geopolítico tem provocado forte valorização do petróleo no mercado internacional, pressionando os custos de produção industrial e o transporte agrícola.

Desde o início dos conflitos, em 28 de fevereiro, o barril do tipo Brent acumulou alta de 41% até 16 de março. Esse movimento afeta diretamente setores que dependem de combustíveis fósseis, especialmente em regiões com grande extensão territorial e forte atividade agroindustrial.

Reajuste do diesel agrava custos logísticos

A elevação do petróleo já foi repassada ao mercado brasileiro. No dia 13 de março, a Petrobras aumentou o preço do diesel em R$ 0,38 por litro para as distribuidoras. Com o combustível alcançando média de R$ 3,65, o impacto sobre a logística em Mato Grosso é imediato.

Dependente majoritariamente do transporte rodoviário, o estado sente de forma mais intensa os efeitos da alta. O encarecimento do diesel afeta diretamente o custo do frete, elemento essencial para o escoamento da produção agrícola e industrial.

Efeito cascata atinge toda a cadeia produtiva

O aumento no preço do combustível desencadeia um efeito em cadeia. O transporte de grãos, gado e insumos agrícolas, como fertilizantes e defensivos, torna-se mais caro. Da mesma forma, o envio de produtos industrializados até portos e centros consumidores sofre reajustes.

Com longas distâncias entre áreas produtoras e corredores logísticos, a tendência é que os custos adicionais sejam repassados ao consumidor final. Esse movimento contribui para a alta da inflação e reduz a competitividade da produção regional.

Relação comercial com o Irã entra em alerta

Outro ponto de atenção é a balança comercial de Mato Grosso. Nos últimos cinco anos, o estado exportou cerca de US$ 5 bilhões ao Irã, consolidando-se como principal exportador brasileiro para o país.

A pauta é concentrada em commodities agrícolas, como milho e soja, com baixa presença de produtos industrializados. Eventuais desdobramentos do conflito podem afetar essas relações comerciais.

Monitoramento constante do cenário internacional

Segundo o presidente da Fiemt, Silvio Rangel, o principal impacto imediato está no aumento dos custos operacionais. Ele destaca que a alta do petróleo influencia diretamente o preço dos combustíveis, com reflexos em toda a cadeia produtiva.

A entidade avalia que os efeitos sobre a economia local dependerão da duração do conflito e das oscilações no câmbio e no mercado de commodities. Diante disso, o acompanhamento do cenário internacional é considerado essencial para mitigar riscos e preservar a competitividade.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Secom-MT

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Espaço aéreo dos Emirados Árabes Unidos é fechado por risco de ataques

Os Emirados Árabes Unidos anunciaram o fechamento temporário de todo o seu espaço aéreo como medida preventiva diante do agravamento das tensões no Oriente Médio. A decisão foi divulgada pela autoridade de aviação civil do país em meio ao avanço de riscos envolvendo segurança regional.

Medida preventiva diante da escalada de tensão

Segundo a Autoridade Geral de Aviação Civil, a suspensão das operações aéreas ocorre em caráter excepcional e visa garantir a segurança diante da rápida evolução do cenário geopolítico.

A decisão foi comunicada por meio da agência estatal de notícias na terça-feira (horário local), ainda na noite de segunda-feira no Brasil.

Ameaças com mísseis e drones elevam alerta

O Ministério da Defesa dos Emirados informou que está monitorando e respondendo a possíveis ameaças envolvendo mísseis e drones, atribuídas ao Irã.

O aumento do risco de ataques intensificou o nível de alerta no país, levando à adoção de medidas imediatas para proteger o tráfego aéreo e a população.

Impactos no transporte aéreo

O fechamento total do espaço aéreo dos Emirados Árabes Unidos pode afetar voos comerciais e rotas internacionais que cruzam a região, considerada estratégica para a aviação global.

Autoridades ainda não informaram prazo para a normalização das operações, que dependerá da evolução do cenário de segurança no Oriente Médio.

FONTE: Terra
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/AFP / Estadão

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Copom decide taxa Selic sob impacto da alta do petróleo e tensão no Oriente Médio

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne nesta quarta-feira (18) em um cenário desafiador, marcado pela pressão do petróleo no mercado internacional devido à guerra no Oriente Médio. Apesar das incertezas, a expectativa predominante no mercado é de início do ciclo de corte da taxa Selic após dois anos.

Expectativa de queda da Selic ganha força

Atualmente fixada em 15% ao ano — o maior nível desde 2006 —, a Selic pode sofrer sua primeira redução desde o ciclo de alta iniciado em 2024. A decisão será anunciada no início da noite.

De acordo com projeções do mercado financeiro, a tendência é de um corte mais moderado, de 0,25 ponto percentual, levando a taxa para 14,75% ao ano. Antes da escalada do conflito internacional, parte dos analistas apostava em uma redução mais agressiva, de 0,5 ponto.

Guerra pressiona petróleo e influencia decisão

O aumento das tensões entre países no Oriente Médio elevou os preços do petróleo, impactando diretamente os combustíveis e aumentando a incerteza sobre o comportamento da inflação global e doméstica.

Esse cenário trouxe dúvidas sobre o ritmo de flexibilização da política monetária, com algumas instituições chegando a considerar o adiamento do corte de juros.

Inflação segue no radar do Banco Central

A trajetória da inflação continua sendo um dos principais pontos de atenção do Copom. A prévia do índice oficial (IPCA-15) registrou alta de 0,7% em fevereiro, influenciada principalmente pelo aumento nos custos de educação.

No acumulado de 12 meses, porém, o índice recuou para 3,81%, ficando abaixo de 4% pela primeira vez desde 2024.

Ainda assim, as projeções para 2026 sofreram revisão. Segundo o boletim Focus, a estimativa subiu para 4,1%, reflexo direto do impacto da crise internacional sobre os preços.

Meta de inflação e política monetária

O Banco Central trabalha com uma meta contínua de inflação de 3%, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Nesse modelo, o acompanhamento ocorre de forma contínua, com base na inflação acumulada em 12 meses, permitindo uma análise mais dinâmica ao longo do tempo.

Como a Selic afeta a economia

A taxa Selic é o principal instrumento de controle da inflação no Brasil. Ela influencia diretamente o custo do crédito, o consumo e os investimentos.

  • Juros mais altos: reduzem o consumo e ajudam a conter a inflação;
  • Juros mais baixos: estimulam o crédito, a produção e o crescimento econômico.

O Banco Central atua diariamente no mercado para manter a taxa próxima da meta definida, por meio da compra e venda de títulos públicos.

Reunião ocorre com diretoria incompleta

A reunião desta quarta ocorre com duas cadeiras vagas na diretoria do Banco Central, após o término dos mandatos de responsáveis por áreas estratégicas no fim de 2025. As indicações dos substitutos ainda não foram encaminhadas ao Congresso.

Mercado acompanha decisão com cautela

O desfecho da reunião do Copom é aguardado com atenção por investidores e agentes econômicos, especialmente diante do risco de novos choques externos.

A combinação de juros, inflação e preços internacionais de energia será determinante para os próximos passos da política monetária no país.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

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China intensifica diálogo sobre o Estreito de Ormuz e pede redução de tensões no Oriente Médio

A China afirmou nesta segunda-feira (16) que mantém contato com “todas as partes” envolvidas na crise no Estreito de Ormuz, reforçando sua posição em favor da diminuição das tensões no Oriente Médio. A declaração foi feita pelo Ministério das Relações Exteriores durante coletiva de imprensa.

China defende solução diplomática para o conflito

Questionado sobre um possível pedido do governo dos Estados Unidos para colaborar com a segurança da rota marítima — considerada estratégica para o transporte global de energia —, o porta-voz Lin Jian destacou o papel diplomático de Pequim.

Segundo ele, o país asiático segue empenhado em dialogar com os envolvidos e contribuir para a estabilização do cenário. “Estamos em contato com todas as partes e comprometidos em promover o alívio da situação”, afirmou.

Lin também reiterou o apelo para que haja cessar-fogo imediato, alertando para os riscos de uma escalada que pode gerar impactos econômicos globais.

Conflito entre EUA, Israel e Irã se intensifica

O cenário regional se agravou após o início da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, deflagrada em 28 de fevereiro. Na ocasião, uma ofensiva conjunta resultou na morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, em Teerã, além de outros integrantes de alto escalão do regime.

Autoridades americanas afirmam que operações militares destruíram embarcações, sistemas de defesa aérea e aeronaves iranianas.

Retaliações ampliam instabilidade na região

Em resposta, o Irã lançou ataques contra diversos países do Oriente Médio, incluindo Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Omã. O governo iraniano afirma que os alvos são interesses ligados aos Estados Unidos e a Israel nesses territórios.

O conflito já deixou mais de 1.200 civis mortos no Irã, conforme dados de uma organização de direitos humanos sediada nos EUA. Do lado americano, a Casa Branca confirmou ao menos sete mortes de militares.

Expansão do conflito e impacto no Líbano

A crise também atingiu o Líbano, onde o grupo Hezbollah, apoiado pelo Irã, realizou ataques contra Israel. Em resposta, forças israelenses intensificaram bombardeios contra posições do grupo no país vizinho, resultando em centenas de mortes.

Novo líder supremo do Irã gera críticas

Após a morte de grande parte da cúpula iraniana, um conselho interno escolheu Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei, como novo líder supremo. Analistas avaliam que sua liderança deve manter a linha política atual, sem mudanças significativas.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou a decisão, classificando-a como um “grande erro” e afirmando que o nome escolhido seria inaceitável para o comando do país.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Getty Images

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Internacional

EUA pressionam China para reabrir Estreito de Hormuz bloqueado pelo Irã

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que pode cancelar a viagem prevista à China, onde se encontraria com Xi Jinping, caso Pequim não contribua para a reabertura do Estreito de Hormuz. A rota estratégica está bloqueada pelo Irã desde o início do mês, em meio ao conflito no Oriente Médio.

“Creio que a China também deveria ajudar na reabertura, já que importa 90% de seu petróleo pelo Estreito de Hormuz”, afirmou Trump ao Financial Times. Ele ainda pediu uma resposta concreta de Pequim antes da viagem, prevista para o final deste mês.

Apoio internacional e envolvimento de aliados

Após a declaração, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que Trump tem buscado apoio de aliados na Europa e no Golfo Pérsico para intervir na reabertura da rota. Ela ressaltou que os países da OTAN precisam se engajar mais para enfrentar o Irã, evitando que o país obtenha armas nucleares.

“Todos se beneficiam quando os EUA garantem que o Irã não consiga desenvolver uma arma nuclear. O presidente Trump está certo em cobrar ação de outros países”, completou Leavitt.

Bloqueio do Estreito de Hormuz e impactos globais

O Estreito de Hormuz, por onde circula cerca de 20% do petróleo e gás natural liquefeito comercializado mundialmente, está sob controle do Irã após ataques de EUA e Israel, que resultaram na morte do aiatolá Ali Khamenei.

O bloqueio, restrito a navios pertencentes aos “inimigos” do Irã, aumentou a volatilidade nos mercados globais de energia. O general Dan Caine, chefe do Estado-Maior norte-americano, reconheceu que a região é “taticamente complexa” e que ações militares em grande escala exigem planejamento detalhado.

Além da China, Trump solicitou que outros países enviem navios de guerra para garantir a passagem pelo estreito. O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que a restrição vale apenas para navios de Estados Unidos, Israel e seus aliados.

Alta nos preços do petróleo e impacto na economia

O bloqueio provocou aumento expressivo nos preços do petróleo e derivados. Nos EUA, a gasolina subiu 17% e o diesel 24% desde os primeiros ataques. Segundo o The New York Times, o valor médio da gasolina chegou a US$ 3,48 por galão, o mais alto desde 2024.

O setor de alimentos e fertilizantes também sofre, já que derivados de petróleo são insumos essenciais. Zippy Duvall, presidente da Federação Americana de Farm Bureau, alertou que a escassez de fertilizantes pode comprometer a produção agrícola e gerar pressões inflacionárias globais.

Continuidade do conflito e ações militares

Trump afirmou que os EUA ainda não estão prontos para encerrar o conflito. Embora o Irã tenha demonstrado interesse em negociar, o presidente americano condiciona qualquer acordo a termos “muito sólidos”.

Enquanto isso, forças americanas bombardearam a Ilha de Kharg, principal terminal de exportação de petróleo do Irã. Ataques atingiram depósitos de mísseis e instalações de minas iranianas. Em resposta, autoridades iranianas ameaçaram retaliar contra bases de empresas petrolíferas ligadas aos EUA.

A Ilha de Kharg, situada a menos de 25 km da costa iraniana e cerca de 480 km ao norte do Estreito de Hormuz, possui oito quilômetros de extensão e concentra a maior parte da exportação de petróleo do país.

FONTE: UOL
TEXTO: Redação
IMAGEM: Kevin Lamarque/Reuters

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Internacional

Preço do petróleo sobe com incertezas sobre guerra no Irã e Estreito de Hormuz

Os preços do petróleo iniciaram o domingo (15) em alta, impulsionados pelas dúvidas sobre o desfecho da guerra no Irã e os riscos à navegação no Estreito de Hormuz, uma das principais rotas globais de energia.

O barril do petróleo Brent, referência internacional, chegou a avançar 3,3% na abertura, ultrapassando US$ 106. Ao longo da noite, no entanto, houve acomodação, com a cotação girando em torno de US$ 103 — patamar mantido até a manhã de segunda-feira (16).

Volatilidade e pressão no mercado de energia

A commodity já vinha em trajetória de alta desde a semana anterior, quando ultrapassou os US$ 100 diante do temor de uma disrupção no mercado de energia. Desde o início do conflito, os preços acumulam valorização de cerca de 40%, enquanto bolsas globais registraram queda aproximada de 5%.

Em meio à forte volatilidade, o barril chegou a tocar US$ 120 — o maior nível em quatro anos — antes de recuar e se estabilizar acima dos US$ 100.

Estreito de Hormuz no centro das atenções

O Estreito de Hormuz, localizado entre Irã e Omã, concentra cerca de 20% do fluxo mundial de petróleo e gás natural liquefeito. A possibilidade de bloqueio parcial da passagem tem elevado a preocupação de investidores e governos.

Autoridades iranianas afirmaram que a rota segue aberta, mas com restrições a embarcações ligadas aos Estados Unidos e aliados. Ainda assim, navios continuam transitando pela região, embora em menor número.

Dados da consultoria marítima Lloyd’s List Intelligence indicam queda expressiva no tráfego: menos de 80 embarcações cruzaram o estreito desde o início da guerra, contra mais de 1.200 no mesmo período do ano passado — uma retração superior a 90%.

Declarações ampliam incertezas

O cenário de instabilidade foi intensificado por declarações divergentes entre os governos envolvidos.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que o país mantém controle da situação e segue preparado para se defender. Já autoridades dos Estados Unidos indicaram que o conflito pode terminar em poucas semanas, o que poderia aliviar os custos de energia.

Por outro lado, o presidente Donald Trump sinalizou a possibilidade de novos ataques a infraestruturas estratégicas iranianas e descartou, por ora, um acordo imediato de paz.

Impactos logísticos e reação internacional

Diante dos riscos à logística global de petróleo, os Estados Unidos articulam a formação de uma coalizão internacional para proteger o tráfego marítimo na região. Países como China, França, Japão, Reino Unido e Coreia do Sul foram citados como possíveis participantes da iniciativa.

No campo da oferta, a Agência Internacional de Energia anunciou a liberação de 411,9 milhões de barris de reservas emergenciais. O objetivo é reduzir a pressão sobre o mercado, embora analistas considerem a medida limitada diante da magnitude da crise.

Perspectivas para os preços do petróleo

Especialistas avaliam que a tendência para o mercado de petróleo segue de alta, caso o conflito se prolongue ou haja interrupções mais severas no fornecimento. Uma crise prolongada pode gerar impactos na economia global, incluindo aumento da inflação devido à alta dos combustíveis.

Apesar das tentativas de estabilização, o cenário permanece incerto, com investidores atentos aos desdobramentos geopolíticos e seus efeitos sobre a oferta mundial.

FONTE: Folha de São Paulo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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