Internacional

Acordo entre Brasil e China alivia crise de chips e reduz risco de paralisação na indústria automotiva

A parceria entre o Brasil e a China começou a surtir efeito no setor automotivo. O abastecimento de chips – essenciais na produção de veículos – começa a ser retomado após negociações conduzidas pelo governo brasileiro junto às autoridades chinesas, reduzindo o risco de paralisação nas montadoras.

Segundo a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), embora o risco de falta de componentes ainda exista, o cenário já apresenta melhora significativa. “Na sexta-feira, as fabricantes começaram a ser avisadas pelos fornecedores de que a autorização para importação de chips está sendo gradualmente retomada. Isso diminui o risco de interrupção nas linhas de produção”, afirmou Igor Calvet, presidente da entidade.

Liberação de importações e licenças especiais

Calvet explicou que dois fatores foram decisivos para aliviar a crise. O primeiro foi a liberação, pela China, da exportação de semicondutores para empresas com operação simultânea no Brasil e em território chinês. O segundo foi a criação de uma licença especial para companhias brasileiras, garantindo acesso direto aos componentes.

“A situação melhorou, mas ainda não está completamente normalizada. Se não houver novas interrupções, a indústria automobilística brasileira deve seguir operando normalmente”, completou o presidente da Anfavea.

Diplomacia evita desabastecimento no setor automotivo

A flexibilização ocorreu após tratativas diplomáticas lideradas pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, que solicitou à Embaixada da China no Brasil prioridade no fornecimento dos semicondutores.

O movimento também abriu caminho para o fim do embargo às importações de chips da empresa Nexperia, cuja suspensão ameaçava desabastecer fornecedores de autopeças e comprometer toda a cadeia produtiva nacional.

Crise global dos semicondutores e disputa entre potências

A escassez global de semicondutores é consequência direta da disputa comercial entre China e Estados Unidos, que envolve o controle sobre a produção de chips e minerais críticos. A crise se agravou após a intervenção do governo holandês em uma empresa chinesa com operações na Holanda, responsável por 40% do mercado mundial de chips para carros flex. Em resposta, a China suspendeu exportações vindas de sua principal fábrica.

A disputa faz parte da corrida global pelos minerais estratégicos, essenciais na fabricação de semicondutores e tecnologias limpas. Hoje, a China domina cerca de 70% da mineração mundial de terras raras, mais de 90% do refino e quase 100% da produção de ímãs permanentes, segundo dados da Agência Internacional de Energia (IEA). Esse domínio confere ao país forte influência sobre cadeias produtivas globais, afetando diretamente setores como o automotivo.

Com a recente aproximação diplomática, o Brasil ganha fôlego para manter sua produção de veículos, enquanto acompanha de perto os desdobramentos dessa guerra tecnológica internacional.

FONTE: Folha de São Paulo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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Internacional

UE e Mercosul podem selar acordo em dezembro, indica governo brasileiro

O governo brasileiro informou que a União Europeia deve formalizar o acordo de livre comércio com o Mercosul em 20 de dezembro. A declaração foi feita pelo ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, após encontro bilateral entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, nesta quarta-feira (5), em Belém.

Reunião em Belém e COP30

O encontro ocorreu no Museu Paraense Emílio Goeldi, durante a participação de Ursula na Cúpula de Líderes da COP30, que começou na quinta-feira na capital paraense. A assinatura do acordo está prevista para a Cúpula do Mercosul, marcada para dezembro, no Rio de Janeiro.

“A presidente reafirmou sua firme esperança de que o acordo seja assinado no final do ano, em 20 de dezembro, no Rio de Janeiro, durante a cúpula do Mercosul”, afirmou Vieira.

Negociação histórica e desafios

O tratado entre os dois blocos se arrasta há 25 anos e visa criar uma zona de livre comércio entre os países do Mercosul — Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia — e os 27 países da União Europeia. O acordo enfrenta resistência de setores agrícolas europeus, principalmente da França.

Durante a conversa, Lula e Ursula também discutiram mudanças climáticas e a agenda da COP30. A presidente europeia não participará da 4ª Cúpula entre Celac e União Europeia, marcada para 9 de novembro em Santa Marta, Colômbia. Segundo Vieira, Lula irá à Colômbia para demonstrar “solidariedade regional”.

Sobre a ausência de alguns chefes de Estado, Vieira destacou que “nem todos participam”, mas que a presença de países estratégicos garante a relevância política do evento. Ele comentou ainda sobre o financiamento climático, afirmando que, mesmo sem aporte inicial do Reino Unido ao TFFF, o fundo continua aberto para outros países e há expectativas positivas quanto ao sucesso do programa.

Agenda de reuniões bilaterais

Na manhã de quinta-feira (5), Lula recebeu o presidente do Banco Asiático de Desenvolvimento, Sidi Ould Tah; o presidente da Finlândia, Alexander Stubb; e o presidente de Comores, Azali Assoumani.

À tarde, além de Ursula, encontrou o primeiro-ministro da Papua Nova Guiné, James Marape; a presidente do Suriname, Jennifer Geerlings-Simons; o vice-primeiro-ministro do Conselho de Estado da China, Ding Zuexiang; e a presidente de Honduras, Xiomara Castro.

Segundo Vieira, os encontros preparatórios da cúpula tiveram como foco o enfrentamento das mudanças climáticas, incluindo financiamento climático, transição energética e integração entre clima e natureza. O Museu Paraense Emílio Goeldi, localizado no coração da floresta amazônica em Belém, foi escolhido para reforçar simbolicamente o compromisso ambiental dos líderes.

Durante seu terceiro mandato, Lula já realizou 70 reuniões bilaterais, segundo dados do governo.

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

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Internacional

FIESC promove missão internacional sobre cidades inteligentes em Barcelona

Um grupo formado por representantes da FIESC embarcou para Barcelona, referência mundial em cidades inteligentes, para uma imersão que integra o programa MBI em Smart Cities do UniSENAI, lançado em maio deste ano.
O conceito de cidades inteligentes combina tecnologia, eficiência e sustentabilidade para promover o desenvolvimento de pessoas e negócios — pilares que orientam a missão catarinense.

Objetivo da missão

A iniciativa busca ampliar o conhecimento sobre soluções urbanas, fortalecer parcerias internacionais e inspirar práticas que conectem indústria, inovação e desenvolvimento sustentável.
Durante a programação, o grupo participa de visitas técnicas a centros de inovação, universidades, instituições públicas e espaços inteligentes. A missão também marca presença no Smart City Expo World Congress, o maior evento do mundo sobre o tema, e promove o workshop “Cidades que pensam: inovação, transformação e vida sustentável”, com 40 participantes.

Representantes e integrantes

A comitiva é liderada pelo UniSENAI e conta com a presença de:

  • Fabrízio Pereira, diretor regional do SENAI/SC;
  • Vanessa Wohlgemuth, gerente executiva do IEL/SC;
  • Jean Vogel, presidente da Câmara de Smart Cities da FIESC;
  • Marco Goetten, gerente executivo do SESI, SENAI e IEL em Joinville;
  • Charles Zanini Miranda, coordenador da pós-graduação do UniSENAI.

Além de executivos e colaboradores do Sistema FIESC, participam da missão secretários municipais de Blumenau das áreas de Administração, Desenvolvimento Econômico, Planejamento Urbano, Fazenda e Comunicação Social, além de alunos do MBI.

Novas oportunidades para Santa Catarina

Segundo Jean Vogel, a missão representa um passo estratégico para posicionar Santa Catarina como referência em soluções urbanas inteligentes.

“Estamos diante de uma nova fronteira econômica. As cidades inteligentes já representam mais de 4% do PIB da Catalunha, e esse movimento abre oportunidades não apenas para os municípios, mas também para as indústrias catarinenses, que podem desenvolver e fornecer tecnologias voltadas à transformação urbana”, destaca.

Para Fabrízio Pereira, o programa e a imersão reforçam o compromisso da FIESC e do SENAI/SC com a formação de talentos e a integração entre indústria, educação e sustentabilidade.

UniSENAI e o pioneirismo na formação

O MBI em Smart Cities do UniSENAI é o primeiro curso do tipo no Brasil, com duração de 12 meses. Desenvolvido em parceria com a Câmara de Smart Cities da FIESC, o programa está alinhado à Missão 3 da Nova Indústria Brasil (NIB), que busca aprimorar a qualidade de vida urbana com foco em mobilidade sustentável, moradia, infraestrutura e saneamento.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/FIESC

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Internacional

Brasil e Paraguai iniciam projeto-piloto de certificado de origem digital no setor automotivo

A partir desta segunda-feira (3 de novembro), Brasil e Paraguai darão início ao projeto-piloto do Certificado de Origem Digital (COD) no setor automotivo, dentro do Acordo de Complementação Econômica nº 74 (ACE-74). A iniciativa representa um marco na modernização e integração comercial entre os dois países.

O certificado de origem, emitido pelas 47 entidades habilitadas pelo governo brasileiro, é essencial para garantir os benefícios tarifários previstos no acordo e assegurar a competitividade da indústria automotiva. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a adoção do documento digital amplia o uso da certificação eletrônica já consolidada no ACE-18 (Mercosul), trazendo mais agilidade, segurança e rastreabilidade às operações de exportação e importação.

Digitalização promete mais eficiência e redução de custos

De acordo com o vice-presidente e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, o projeto reforça o compromisso do Brasil com a facilitação do comércio exterior, a transformação digital e o fortalecimento das cadeias produtivas regionais. Com a digitalização, o tempo de emissão do certificado deve cair de 48 horas para apenas 2 horas, e o custo do processo deve ser reduzido em até 95%.

“O certificado é uma ferramenta que simplifica o dia a dia de quem exporta e importa. A digitalização reduz etapas, amplia a transparência e aumenta a previsibilidade nas transações comerciais”, afirmou a secretária de Comércio Exterior do MDIC, Tatiana Prazeres.

O Certificado de Origem Digital substituirá totalmente o formato em papel, gerando ganhos de eficiência, sustentabilidade e controle aduaneiro. O piloto será conduzido pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), com implementação definitiva prevista para 1º de dezembro.

Comércio bilateral em alta entre Brasil e Paraguai

O comércio entre Brasil e Paraguai movimentou US$ 7,2 bilhões em 2024, com superávit brasileiro de US$ 273 milhões, segundo dados da Secex. De janeiro a setembro de 2025, as exportações brasileiras para o Paraguai somaram US$ 2,9 bilhões, um aumento de 6,15% em relação ao mesmo período do ano anterior. Já as importações ficaram em US$ 2,5 bilhões, uma queda de 3,32%.

A indústria de transformação responde por 96% das exportações do Brasil e 48% das importações vindas do país vizinho. Entre os principais produtos exportados estão fertilizantes, máquinas agrícolas, bebidas alcoólicas e automóveis, enquanto o Brasil importa energia elétrica, arroz, soja e equipamentos elétricos. Em 2024, o comércio de veículos automotores, tratores, ciclos e peças — foco do ACE-74 — movimentou US$ 374,5 milhões em exportações brasileiras para o Paraguai.

Integração regional e inovação digital

Com a implementação do Certificado de Origem Digital, Brasil e Paraguai reafirmam o compromisso com a integração econômica regional e com o uso de soluções digitais para aprimorar o comércio exterior. O projeto fortalece o Mercosul, aumenta a competitividade das empresas e impulsiona a eficiência nas trocas bilaterais.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Diplomacia Business

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Internacional

China promete comprar 12 MMT de soja dos EUA, mas volume levanta dúvidas no mercado

O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, afirmou que a China se comprometeu a comprar 12 MMT de soja dos EUA ainda neste ano, além de firmar um acordo mínimo de 25 MMT anuais pelos próximos três anos. A fala, porém, desses 12 MMT, não deixa claro quando os embarques ocorrerão. O anúncio de compra não significa embarque imediato: normalmente, o que a China compra entre outubro e novembro, ela vai receber somente entre janeiro e fevereiro, se for embarque imediato.

Hoje a China tem pouca necessidade de soja adicional, já que acumulou estoques elevados com embarques recordes, sobretudo entre Brasil, Argentina e outros fornecedores.

Sobre o acordo de 25 MMT mínima, este volume na verdade é bem menor do costume de compra da China dos EUA. A quantidade anunciada representa uma redução considerável em relação aos últimos anos, tanto para o lado chinês quanto para as exportações americanas:

*China (importações dos EUA)* | 🇺🇸 *Exportações totais dos EUA*
2024: 22,13 MMT | 25,97 MMT
2023: 23,45 MMT | 26,42 MMT
2022: 28,74 MMT | 30,03 MMT
2021: 31,62 MMT | 27,71 MMT

Para Ronaldo Fernandes, as falas de Bessent representam “mais do mesmo”:
Sinceramente, mais do mesmo. Agora só depois de algo concreto, assinado, ou só se a China disser. Tudo que os EUA falarem agora vai provocar uma reação do mercado, mas pontual, não firma a tendência. O mercado percebeu que os EUA são quem precisam mais do acordo, são os mais prejudicados politicamente. A China não.

O analista lembra que, na primeira guerra comercial, que começou em 2018, o acordo só saiu em janeiro de 2020, num contexto de seca no Brasil e risco de quebra de safra. “Agora o cenário é outro. A China não depende da soja americana como dependia lá atrás”, explica.

Em janeiro e fevereiro de 2025, a China desembarcou 13 MMT, sendo 9 MMT dos EUA e 5 MMT do Brasil (porque ainda aguardava a colheita brasileira). Se ela recebeu esses volumes em janeiro e fevereiro, foram compras feitas, pelo menos, em novembro e dezembro. E vale lembrar que o costume é os recebimentos da China caírem de outubro em diante e só retomarem a partir de abril. Recebimento não é compra  se a China recebeu, o embarque ou a compra foi feito pelo menos dois meses antes. Então, o mais lógico é analisar os volumes recebidos em janeiro e fevereiro para entender o que ainda precisa ser comprado em novembro e dezembro.

Por mais que o mercado reaja bem agora pela retomada das compras da China, se o acordo for oficializado com 25 MMT mínima, é sim uma garantia das compras chinesas, mas o valor mínimo representa menos do que a China já comprava dos EUA. Tudo bem, é um valor de referência, ela pode comprar mais, mas só se o preço valer a pena. A longo prazo, esse volume no acordo não é positivo para Chicago, porque sinaliza menor dependência da soja americana.

Mesmo assim, o anúncio trouxe reação imediata nos preços. A soja brasileira subiu para R$ 145 por saca, ante R$ 140 no dia anterior, como mencionado pelo Ronaldo na madrugada de hoje a falta o acordo é vitória para o brasil ” essa indecisão abre espaço pra soja brasileira, que pode ganhar fôlego nesse intervalo, mas o *relógio já tá correndo, e ninguém sabe quando vem a próxima novidade.

FONTE: Royal Rural
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

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Internacional

Dívida da China e dos EUA pode gerar impactos globais na economia, alertam especialistas

Dados do Fundo Monetário Internacional (FMI) apontam crescimento expressivo da dívida bruta do governo de China e Estados Unidos nos próximos anos. Segundo o relatório de outubro, a relação dívida/PIB da China deve ultrapassar 100% em 2026 e chegar a 116% em 2030. Já a economia norte-americana poderá registrar dívida equivalente a 143,4% do PIB em 2030, superando os atuais 125% previstos para 2025.

Projeção da dívida (% do PIB)

China:

  • 2025: 96,3%
  • 2026: 102,3%
  • 2027: 106,3%
  • 2028: 109,7%
  • 2029: 112,9%
  • 2030: 116,1%

Estados Unidos:

  • 2025: 125%
  • 2026: 128,7%
  • 2027: 132,7%
  • 2028: 136,6%
  • 2029: 140,1%
  • 2030: 143,4%

Impactos da dívida americana na economia global

O economista Rafael Prado, da GO Associados, alerta que a expansão da dívida nos EUA representa maior risco para os mercados internacionais. “Os Estados Unidos concentram ativos considerados portos seguros. Uma crise de confiança pode pressionar de forma intensa os mercados financeiros globais, alterando a composição das carteiras de investimento”, explica Prado.

O especialista cita o aumento recente do preço do ouro, que em outubro ultrapassou US$ 4.000 a onça, como reflexo da busca por segurança diante das incertezas econômicas e geopolíticas. “Embora os investidores ainda mantenham capital em dólar, há uma redução gradual da exposição ao dólar americano. Muitos bancos centrais estão aumentando suas reservas em ouro”, acrescenta.

Crescimento da dívida chinesa e efeitos sobre commodities

Para a China, o aumento da dívida pode impactar negativamente o mercado de commodities e as moedas de economias emergentes mais dependentes do país. Prado explica que, se o governo reduzir déficits primários para conter o endividamento, a atividade econômica tende a desacelerar. Por outro lado, uma intensificação da guerra comercial com os EUA pode levar Pequim a estimular a economia, aumentando o déficit e a dívida.

O especialista também alerta para a possibilidade de elevação dos juros futuros na China, atraindo capital para o mercado doméstico de renda fixa e reduzindo investimentos em outros países emergentes, o que pressiona suas curvas de juros.

Setores manufatureiro e imobiliário na China sob risco

O analista Gilvan Bueno, do CNN Money, destaca a relevância dos setores de manufaturados e imobiliário para a economia chinesa. Ele lembra que crises como a da incorporadora Evergrande, que acumula dívidas de 2,4 trilhões de yuans (cerca de R$ 1,7 trilhão, 2% do PIB), tiveram efeito imediato sobre cadeias produtivas, empregos e setores exportadores.

“Uma explosão da dívida chinesa pode reduzir o crescimento global, a produtividade das empresas e aumentar o desemprego. Setores como siderurgia, mineração, commodities e indústria de transformação foram os primeiros a sentir o impacto”, afirma Bueno.

Conclusão

O crescimento acelerado da dívida pública de China e Estados Unidos apresenta desafios distintos para a economia global: enquanto os EUA concentram ativos estratégicos de confiança internacional, a China influencia diretamente commodities e cadeias produtivas em países emergentes, exigindo atenção de investidores e formuladores de política econômica.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN Brasil

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Internacional

Trump faz concessões a Xi Jinping e analistas apontam vitória diplomática da China

O encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping, resultou em uma série de concessões concretas de Washington, incluindo redução de tarifas e suspensão de novas sanções comerciais. Já as promessas de Pequim foram descritas como vagas e temporárias, levando analistas a concluir que a China saiu fortalecida nas negociações.

Segundo o Ministério do Comércio da China, os EUA concordaram em diminuir em 10% a tarifa aplicada como punição pelo tráfico de fentanil e suspender uma nova tarifa de 100%, que começaria em 1º de novembro. Além disso, a trégua tarifária entre os países foi prorrogada por mais um ano — uma das maiores desescaladas desde o início da guerra comercial entre EUA e China.

Em contrapartida, Pequim aceitou manter temporariamente a suspensão dos controles de exportação de terras raras, insumos essenciais para a indústria tecnológica e militar. Trump, no entanto, reconheceu que o acordo precisará ser renegociado ao final do prazo.

China explora vantagem em terras raras

Para especialistas, a China soube usar seu domínio sobre as terras raras como instrumento de pressão. O pesquisador Jonathan Czin, do Brookings Institution, afirmou ao The New York Times que Pequim “orquestrou com sucesso um jogo de ‘whack-a-mole’ com a administração Trump”, reagindo estrategicamente a cada movimento americano.

O colunista Nicholas Kristof, também do New York Times, observou que o resultado da reunião “parece um retorno ao status quo, mas na prática representa uma rendição americana”, já que as tarifas impostas por Trump acabaram fortalecendo a posição chinesa no mercado global.

De forma semelhante, Joe Mazur, analista da Trivium China, disse à Reuters que o encontro confirmou a estratégia de Pequim de “nunca atacar primeiro, mas sempre contra-atacar”, classificando o controle chinês sobre as terras raras como “o maior trunfo da China”, diante da falta de alavancagem dos EUA.

Analistas veem pausa, não avanço

Outros especialistas consideram que o acordo adiou uma nova crise comercial, mas sem representar um avanço real. “Foi menos um progresso do que uma pausa para respirar”, avaliou Craig Singleton, da Foundation for Defense of Democracies, em entrevista ao Politico. Já a revista The Economist descreveu o encontro como “mais um grande bazar do que um grande acordo”.

Conversas continuam em clima cauteloso

Apesar de Trump ter classificado a reunião como “incrível” e nota “12 em uma escala de 1 a 10”, o tom do comunicado chinês foi mais diplomático. Pequim destacou que as equipes “devem continuar o diálogo com igualdade, respeito e benefício mútuo”.

Entre os temas paralelos discutidos, estão o aumento das importações chinesas de soja, petróleo e gás, a possível venda da TikTok e restrições à exportação de chips semicondutores americanos. Trump comentou sobre a venda de chips: “isso cabe a vocês e à Nvidia — somos apenas árbitros”.

Em postagem posterior, o republicano afirmou que a China comprará “quantidades enormes” de soja e pode realizar uma “grande compra” de petróleo e gás do Alasca. O governo chinês, por sua vez, declarou que pretende expandir o comércio agrícola e resolver adequadamente as questões envolvendo o TikTok.

Trump também suavizou sua exigência para que Pequim reduzisse as compras de petróleo russo, admitindo que “não há muito mais que eles possam fazer” sobre a relação com Moscou.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: XINHUA NEWS AGENCY via GETTY IMAGES

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Internacional

Concessão de Trump à China sobre o fentanil acende alertas na guerra comercial com Xi Jinping

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma concessão inédita ao líder chinês Xi Jinping, ao concordar em reduzir em 10% as tarifas sobre produtos chineses em troca do compromisso de Pequim reprimir a produção e o envio de fentanil.

A decisão, anunciada após o encontro entre os dois líderes nesta quinta-feira (30), representa um movimento significativo na complexa guerra comercial entre EUA e China, mas também expõe riscos estratégicos para Washington.

A medida reduzirá a tarifa mínima sobre as importações chinesas para 20%, com média de 47% — ainda elevada, mas mais próxima dos padrões internacionais.

Um acordo promissor ou uma aposta arriscada?

Embora o corte tarifário possa restaurar parte do comércio bilateral e oferecer alívio para consumidores americanos, analistas alertam que Trump cede terreno diplomático a Xi. Historicamente, a China tem descumprido compromissos anteriores, e há dúvidas se os EUA obterão benefícios concretos dessa nova concessão.

Nos bastidores, autoridades de Washington reconhecem que Trump tem enfrentado dificuldades para manter vantagem nas negociações. Cada novo encontro direto com Xi é visto como sinal de flexibilidade americana diante da pressão chinesa.

A guerra comercial e os objetivos de Trump

Desde o início de sua política tarifária, Trump estabeleceu quatro metas principais:

  • Reduzir o fluxo de fentanil para os EUA;
  • Repatriar a manufatura americana;
  • Equilibrar a balança comercial com a China;
  • Definir o futuro da TikTok no território americano.

Alguns avanços são visíveis: a China intensificou o controle sobre químicos usados na produção de fentanil, empresas americanas ampliaram investimentos no país, e o déficit comercial entre as duas economias atingiu o menor nível em 21 anos. Além disso, Trump e Xi chegaram a um esboço de acordo sobre a TikTok.

Por outro lado, a tensão entre as potências trouxe impactos negativos. Pequim restringiu exportações de terras raras, essenciais para a indústria tecnológica e militar, suspendeu a compra de soja americana e lançou investigações antitruste contra empresas dos EUA.

Terras raras e TikTok seguem como pontos críticos

Apesar das promessas chinesas, as restrições às terras raras continuam a afetar setores estratégicos. Mesmo com o novo acordo, as medidas anunciadas por Pequim em abril ainda estão em vigor.

O impasse sobre a TikTok também permanece. A China evita confirmar um desfecho definitivo, limitando-se a afirmar que continuará “trabalhando com os EUA” para resolver a questão.

O próprio Trump já expressou ceticismo sobre as promessas chinesas, lembrando que Pequim “nunca cumpriu” compromissos anteriores de combater o tráfico de drogas sintéticas.

Por que Trump decidiu ceder agora

Especialistas apontam dois motivos principais para a decisão de Trump: avanços concretos da China no combate ao fentanil e a necessidade política de aliviar pressões internas.

Recentemente, Pequim incluiu novos precursores químicos na lista de substâncias controladas e intensificou a fiscalização de exportações ilegais. A Agência de Combate às Drogas (DEA) dos EUA relatou queda na pureza e nas apreensões de fentanil em 2024, sugerindo impacto positivo das restrições.

Trump reconheceu o esforço chinês, afirmando: “Acredito que eles vão nos ajudar com a questão do fentanil.

China mantém vantagem nas negociações

Mesmo assim, Pequim segue em posição de força. As tarifas impostas por Trump afetaram agricultores americanos, geraram escassez de minerais estratégicos e não reduziram a influência comercial chinesa.

A China continua controlando o mercado de terras raras e restringe a entrada de chips de inteligência artificial dos EUA — áreas cruciais para a competitividade americana.

A redução das tarifas e o encontro com Xi atendem a exigências antigas de Pequim, o que pode dar à China espaço para negociar concessões adicionais em contrapartida.

Impacto nas relações com aliados

O anúncio também provocou reação de desconfiança entre México e Canadá, que enfrentam tarifas semelhantes relacionadas ao tráfico de fentanil. Embora o impacto dessas nações seja menor, o gesto de Trump em favor da China pode abalá-las diplomaticamente, mesmo sendo principais aliados comerciais dos EUA.

Por outro lado, a diminuição das tarifas pode trazer alívio aos consumidores americanos, que há anos enfrentam preços mais altos por conta da guerra comercial.

Se o acordo com Xi Jinping realmente surtirá efeito — ou se repetirá o ciclo de promessas não cumpridas —, apenas o tempo dirá.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Andrew Harnik/Getty Images

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EUA propõem ao Brasil grupo de trabalho sobre terras raras e minerais estratégicos

Os Estados Unidos sugeriram ao Brasil a criação de um grupo de trabalho voltado à cooperação no setor de minerais críticos e estratégicos, com ênfase nas terras raras — insumos essenciais para tecnologias de ponta.

A proposta foi apresentada pelo encarregado de Negócios norte-americano, Gabriel Escobar, em reunião com representantes do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) e de mineradoras. O Ibram confirmou a informação e destacou que será responsável por conduzir as discussões iniciais, em conjunto com a Embaixada dos EUA.

Investimentos e próximos encontros

Enquanto o governo brasileiro avalia a proposta, o Ibram discutirá com empresas associadas oportunidades de investimento na produção mineral nacional, que podem atrair capital norte-americano.

Novas reuniões entre representantes dos EUA e do setor mineral brasileiro estão previstas para 2025, incluindo um encontro em dezembro, nos Estados Unidos, promovido pela embaixada brasileira em parceria com o Ibram.

Contexto geopolítico e dependência da China

A iniciativa ocorre em meio às negociações comerciais entre os presidentes Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva, e ao debate sobre um possível acordo de fornecimento seguro de terras raras aos EUA. O tema ganhou relevância após a China restringir a exportação desses materiais, intensificando preocupações em Washington.

Atualmente, cerca de 60% da mineração mundial de terras raras ocorre em território chinês, mas o país domina 91% do refino global e 94% da produção de ímãs permanentes, usados em turbinas eólicas, motores elétricos e equipamentos militares. A Agência Internacional de Energia (IEA) alerta que essa concentração representa um risco geopolítico severo, pois permite à China controlar preços e o ritmo de avanços tecnológicos estratégicos.

Brasil no radar global de minerais críticos

O Brasil surge como um potencial parceiro estratégico: detém a segunda maior reserva de terras raras do mundo, embora sua produção e refino ainda sejam incipientes. A ausência de um marco regulatório específico e de uma cadeia produtiva consolidada limita o aproveitamento do recurso.

Mesmo assim, empresas ocidentais já iniciaram projetos de exploração e mapeamento geológico no país. Paralelamente, o governo federal criou o Conselho Nacional de Política Mineral, responsável por definir diretrizes para o uso sustentável e estratégico desses recursos. Na Câmara dos Deputados, avança o debate sobre a Política Nacional de Minerais Críticos.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reuters/Stringer

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Internacional

Primeiro-ministro indiano lança oficialmente a Bharat Container Line

A Índia anunciou oficialmente sua primeira companhia nacional de transporte marítimo de contêineres — Bharat Container Shipping Line (BCSL) — marcando um passo importante no plano do país de reduzir a dependência de transportadoras estrangeiras e fortalecer o controle sobre seu comércio marítimo.

O primeiro-ministro Narendra Modi anunciou a criação da BCSL durante o Global Maritime CEO Forum, realizado na India Maritime Week 2025, em Mumbai, descrevendo a iniciativa como parte da “nova era de confiança marítima da Índia”.

A nova companhia inicia as operações com uma frota de 51 navios porta-contêineres, apoiada por um investimento de US$ 6,9 bilhões. Ela funcionará sob um modelo de parceria público-privada, com suporte do Fundo de Desenvolvimento Marítimo da Índia, e terá foco inicial em rotas regionais pela Ásia, Oeste Asiático e Mar Vermelho, antes de se expandir para o comércio global.

O lançamento da BCSL está alinhado ao objetivo de longo prazo do governo de construir uma forte presença nacional no transporte marítimo, capaz de atender uma parcela maior do comércio de contêineres em crescimento da Índia — grande parte atualmente operada por transportadoras estrangeiras.

Durante seu discurso, Modi afirmou que o setor marítimo indiano “avança com grande velocidade e energia”, destacando investimentos recordes e reformas políticas voltadas a transformar o país em um hub marítimo global.

No mesmo evento, o primeiro-ministro revelou uma série de grandes encomendas estatais, incluindo quase 60 navios de petróleo e gás, avaliados em cerca de US$ 5,7 bilhões, o lançamento do “Programa de Rebocadores Verdes”, com 100 rebocadores ecológicos, e 11 dragas destinadas à Dredging Corporation of India.

Ao todo, os anúncios abrangem 437 novos navios, com valor combinado de US$ 26 bilhões, como parte da ampla iniciativa “Maritime India Vision 2047” do governo.

Modi também confirmou que a Shipping Corporation of India (SCI) planeja expandir sua frota para 216 navios até 2047, reforçando o compromisso da Índia com a autossuficiência marítima e a renovação da frota nacional.

FONTE: Splash 247

IMAGEM: Reprodução/APMT

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