Internacional

Trump deve retirar tarifas sobre produtos agrícolas do Canadá antes das eleições nos EUA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve anunciar a retirada de tarifas de 50% sobre determinados produtos agrícolas e florestais do Canadá. A medida pode ser oficializada ainda nesta sexta-feira (23), por meio de uma proclamação presidencial, segundo informações publicadas pelo jornal The Wall Street Journal (WSJ).

De acordo com fontes familiarizadas com as discussões, a iniciativa prevê mudanças nas taxas atualmente aplicadas a produtos canadenses e ocorre em meio à preparação para as eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para novembro.

Redução de tarifas pode beneficiar republicanos nas eleições

A possível revisão da política comercial também teria objetivos eleitorais. Segundo o WSJ, a decisão busca fortalecer o Partido Republicano antes das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, quando os eleitores escolhem representantes para o Congresso.

Entre os nomes que poderiam ser beneficiados pela iniciativa está a senadora republicana Susan Collins, representante do estado do Maine, além de outros integrantes do partido.

A retirada parcial das tarifas poderá aliviar os custos associados à entrada de determinados produtos canadenses no mercado norte-americano, embora os efeitos comerciais dependam dos termos finais da medida.

Mudança envolve política comercial entre EUA e Canadá

A eventual decisão representa uma possível flexibilização das tarifas comerciais impostas pelo governo Trump sobre produtos do Canadá, especialmente nos setores agrícola e florestal.

Até o momento, as informações sobre a iniciativa foram atribuídas a pessoas ouvidas pelo Wall Street Journal. O anúncio oficial e os detalhes sobre quais mercadorias serão contempladas dependem da eventual publicação da proclamação presidencial.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN

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Internacional

Preço do açúcar cai pela quarta sessão seguida em Nova York com pressão de fundos e expectativa de maior oferta

As cotações internacionais do açúcar fecharam em baixa na quarta-feira (21), com o contrato de março negociado em Nova York registrando a quarta queda consecutiva. O mercado foi pressionado pela venda de posições por fundos de investimento e pela perspectiva de aumento da oferta, diante das condições climáticas no Brasil e de mudanças na política de utilização do etanol na Índia.

Na Bolsa de Nova York, o contrato de açúcar bruto com vencimento em março de 2027 recuou 7 pontos, equivalente a 0,34%, encerrando a sessão a 20,45 centavos de dólar por libra-peso.

Em Londres, o contrato de açúcar branco para dezembro caiu 340 pontos, ou 0,62%, e terminou o dia cotado a US$ 543,70 por tonelada.

Fundos de investimento intensificam a pressão sobre o açúcar

A sequência de perdas ocorre após um período de forte valorização da commodity. Na quarta-feira anterior, o contrato de março em Nova York havia atingido o maior patamar em 19 meses. Em Londres, o açúcar branco chegou ao nível mais alto em 22 meses no dia 7 de outubro.

Após essas altas, investidores passaram a realizar lucros, movimento que contribuiu para a queda das cotações.

O relatório semanal de Compromisso dos Traders (COT) mostrou que os fundos de commodities ampliaram em 16.184 contratos suas posições líquidas compradas em açúcar na Bolsa de Nova York, na semana encerrada em 13 de outubro. O saldo chegou a 228.743 contratos, o maior volume em mais de cinco anos.

A concentração de posições compradas aumenta a possibilidade de novas pressões de venda caso os investidores decidam reduzir sua exposição à commodity.

Clima no Brasil pode favorecer a produção de açúcar

As perspectivas para a safra brasileira também influenciam o comportamento dos preços. A previsão de tempo quente e seco no Centro-Sul, principal região produtora de cana-de-açúcar do país, pode favorecer o avanço da colheita e a retomada da moagem nas usinas.

Com melhores condições para o andamento dos trabalhos no campo, o mercado considera a possibilidade de maior disponibilidade de açúcar brasileiro no curto prazo.

A expectativa de ampliação da oferta contribui para limitar a recuperação das cotações, especialmente em um cenário no qual os investidores acompanham de perto a evolução da produção e do processamento da cana.

Mudança na política de etanol da Índia pode ampliar a oferta

Outro fator que pesa sobre o mercado é a decisão do governo indiano de determinar que distribuidoras estatais de combustíveis interrompam, a partir de 1º de novembro, as compras de etanol produzido a partir da cana-de-açúcar.

A medida pode alterar a destinação da matéria-prima no país e abrir espaço para que uma parcela maior da cana seja direcionada à fabricação de açúcar.

Como a Índia está entre os principais produtores mundiais da commodity, mudanças na política de biocombustíveis podem influenciar as perspectivas de oferta global e as expectativas dos investidores.

El Niño aumenta os riscos para a safra mundial de açúcar

Apesar da pressão baixista no curto prazo, as perspectivas para a produção global continuam sujeitas a incertezas climáticas.

A Organização Internacional do Açúcar (ISO) projeta um déficit mundial de 200 mil toneladas na safra 2026/27, após estimar um superávit de 1,1 milhão de toneladas em 2025/26.

Entre os fatores de atenção está o fenômeno El Niño, que pode modificar os padrões de chuva em importantes regiões produtoras, como Brasil, Índia e Tailândia.

A Agência Meteorológica do Japão informou que as temperaturas da superfície do Pacífico tropical ficaram cerca de 4 °C acima do normal em setembro. A instituição prevê a continuidade do fenômeno até o primeiro trimestre de 2027.

Os efeitos sobre a produção, porém, dependerão da intensidade do evento climático e de como as alterações nas chuvas atingirão cada região.

Índia enfrenta déficit de chuvas e autoriza importações

Na Índia, as chuvas de monção registradas entre junho e setembro ficaram 12,6% abaixo da média, o menor volume em 11 anos.

Diante das preocupações com o abastecimento interno, o país também autorizou a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto sem tarifas de importação, com prazo até 31 de outubro.

A combinação entre condições climáticas desfavoráveis e medidas voltadas ao abastecimento acrescenta incertezas ao mercado indiano, que tem peso significativo no equilíbrio mundial da commodity.

Tailândia prevê queda na produção de açúcar

Na Tailândia, a expectativa também é de redução da oferta. A Thai Sugar Millers Corp estima que a produção nacional recue 17% na safra 2026/27, para 10 milhões de toneladas.

O país é o segundo maior exportador mundial de açúcar, o que torna a perspectiva de queda na produção um fator relevante para o comércio internacional.

Dessa forma, o mercado enfrenta forças opostas: a expectativa de maior disponibilidade no Brasil e a mudança na política indiana pressionam as cotações, enquanto os riscos climáticos e a projeção de déficit global podem limitar novas quedas.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

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Internacional

E-commerce internacional exige modernização da fiscalização e dos órgãos anuentes no Brasil

O crescimento do comércio eletrônico internacional está ampliando a pressão sobre a estrutura logística e os sistemas de fiscalização do Brasil. Embora comprar produtos de outros países seja cada vez mais simples, garantir que as mercadorias cheguem ao consumidor com segurança depende de processos eficientes, tecnologia e integração entre os órgãos públicos responsáveis pelos controles de importação.

Nesse cenário, fortalecer os chamados órgãos anuentes, que atuam na fiscalização sanitária, agropecuária e ambiental, tornou-se uma necessidade estratégica. O desafio é acompanhar o aumento das encomendas sem comprometer a segurança nem criar atrasos desnecessários nas operações.

Segundo a Receita Federal, o Brasil recebeu quase 110 milhões de remessas postais e expressas apenas no primeiro semestre de 2026. Na União Europeia, as importações de produtos de baixo valor realizadas por meio do comércio eletrônico chegaram a quase 5,9 bilhões de itens em 2025.

Os números evidenciam a dimensão alcançada pelo setor e reforçam a necessidade de investimentos em orçamento, pessoal, tecnologia e procedimentos compatíveis com o volume crescente de mercadorias.

Fiscalização precisa acompanhar a expansão do comércio eletrônico

A popularização das compras internacionais exige uma revisão dos modelos tradicionais de fiscalização. Consumidores e empresas esperam prazos de entrega cada vez menores e maior previsibilidade, enquanto o poder público precisa identificar produtos irregulares e operações que representem riscos.

Procedimentos desenvolvidos para volumes menores podem gerar acúmulo de trabalho quando aplicados a milhões de pequenas encomendas. Por isso, a eficiência da fiscalização não deve ser medida apenas pelo tempo de retenção das mercadorias, mas também pela capacidade de identificar e tratar operações que realmente exigem atenção.

A modernização passa pela integração de sistemas, pelo uso antecipado de informações e pela aplicação de ferramentas de análise de risco aduaneiro. Também depende de recursos permanentes para manter as soluções em funcionamento.

Mesmo produtos de baixo valor podem apresentar riscos à saúde pública, à segurança ou ao meio ambiente. Por esse motivo, a qualidade dos dados disponíveis e a capacidade de analisá-los são fundamentais para conciliar agilidade e controle.

Programa Remessa Conforme ampliou o controle das importações

No Brasil, a Receita Federal avançou na adaptação dos procedimentos aduaneiros ao comércio eletrônico com a criação do Programa Remessa Conforme (PRC).

A iniciativa estruturou o fornecimento antecipado de informações sobre as compras internacionais e o recolhimento dos tributos no momento da aquisição. Com isso, o poder público passou a contar com mais dados para conhecer as operações e selecionar as remessas antes da chegada ao país.

Em março de 2026, o programa respondeu por 96,53% das declarações de importação de remessas registradas no Brasil, demonstrando sua ampla participação nesse segmento.

A arrecadação do Imposto de Importação também apresentou crescimento. Nas modalidades postal e expressa, o recolhimento passou de R$ 2,86 bilhões em 2024 para R$ 4,70 bilhões em 2025, uma elevação nominal de 64,5%.

Esse avanço, entretanto, não pode ser atribuído exclusivamente ao Remessa Conforme, já que as alterações tributárias também influenciaram o resultado. O programa contribuiu ao organizar o fluxo de informações e viabilizar o recolhimento antecipado dos tributos, favorecendo a conformidade das operações.

Parceria entre governo e empresas é essencial para o sistema

A experiência do PRC também evidencia a importância da cooperação entre o setor público e a iniciativa privada. As empresas de remessas expressas contribuíram com conhecimento operacional e capacidade técnica para colocar o programa em funcionamento.

Esses operadores conectam os dados às operações logísticas, registram declarações, recolhem os tributos recebidos e apresentam as mercadorias para fiscalização. A participação dessas empresas foi um componente importante para viabilizar o modelo.

O desafio agora é preservar essa colaboração nas próximas etapas de modernização. A evolução dos processos depende não apenas de novas regras, mas também do conhecimento de quem atua diariamente no transporte, no desembaraço aduaneiro e na entrega das encomendas.

Remessa Conforme 2.0 pode ter implantação adiada

A próxima etapa do programa, conhecida como Remessa Conforme 2.0, tem implantação anunciada para janeiro de 2027. O cronograma, porém, poderá ser adiado em razão das adaptações necessárias à Reforma Tributária do Consumo.

Entre as mudanças previstas está o envio de informações sobre as compras diretamente pelas plataformas de comércio eletrônico. A medida tem potencial para ampliar a qualidade dos dados e fortalecer o acompanhamento das importações.

Para alcançar esses resultados, contudo, é importante que os operadores logísticos participem desde o início da definição dos procedimentos, das soluções tecnológicas e dos testes de implantação.

Os marketplaces concentram informações sobre as transações e os produtos comercializados. Já os operadores logísticos conhecem as exigências práticas de transporte, desembaraço e entrega. A combinação dessas experiências pode contribuir para um sistema mais eficiente.

Por isso, a participação das empresas responsáveis pela logística não deve ficar restrita à execução de regras definidas previamente. Sua contribuição é relevante na construção dos processos e na identificação de dificuldades que possam comprometer o funcionamento do programa.

Reforma tributária reforça necessidade de integração

A modernização do comércio eletrônico internacional também depende de uma atuação coordenada entre todos os envolvidos na fiscalização. Cabe ao governo garantir investimentos, promover a integração dos sistemas e estabelecer metas que considerem tanto a rapidez das operações quanto a efetividade dos controles.

A Reforma Tributária torna essa agenda ainda mais relevante, ao exigir adaptações nos procedimentos e nos fluxos de informações relacionados às operações comerciais.

Fortalecer os órgãos anuentes, ampliar a capacidade tecnológica e garantir equipes preparadas são medidas que precisam ter continuidade ao longo dos diferentes governos. A expansão do comércio eletrônico exige uma estrutura pública capaz de responder à escala atual das importações.

O objetivo é construir um ambiente em que a eficiência logística, a segurança das mercadorias e a competitividade brasileira avancem em conjunto. Para isso, os investimentos nas instituições responsáveis pela fiscalização precisam acompanhar a transformação do mercado e integrar o planejamento estratégico do Estado.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pexels • Hameem Russel

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Internacional

Safra dos EUA: USDA confirma recorde de soja e eleva previsão de milho em 17,5 milhões de toneladas

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) confirmou uma produção recorde de soja e apresentou uma estimativa de milho superior às expectativas do mercado para a safra 2026/27. Os números divulgados em outubro indicam uma colheita de 124,1 milhões de toneladas de soja e 407,3 milhões de toneladas de milho, cenário que aumentou a pressão sobre os preços dos grãos na Bolsa de Chicago (CBOT).

O principal destaque foi o milho, cuja produção estimada ficou quase 17,5 milhões de toneladas acima da projeção apresentada em agosto pelo Pro Farmer Crop Tour. A revisão reforça a percepção de ampla oferta norte-americana e amplia as preocupações dos investidores sobre o equilíbrio entre produção e demanda global.

Na soja, por outro lado, o resultado ficou próximo da estimativa de 124,4 milhões de toneladas feita pelo Pro Farmer após as avaliações de campo realizadas em agosto.

Milho dos EUA surpreende e pressiona cotações em Chicago

A revisão da produção norte-americana provocou uma reação expressiva no mercado futuro. Segundo Eduardo Vanin, estrategista sênior de agricultura da Marex e analista da Agrinvest Commodities, o milho negociado em Chicago acumulou uma desvalorização de aproximadamente 70 centavos em relação ao pico registrado em setembro, equivalente a uma queda de 12%.

No mesmo intervalo, a soja recuou cerca de 4%, evidenciando uma pressão mais intensa sobre o cereal.

A diferença entre as estimativas do USDA e do Pro Farmer ajuda a explicar a mudança na percepção do mercado. No fim de agosto, o levantamento de campo apontava para uma safra de milho de 389,8 milhões de toneladas. A projeção oficial mais recente, de 407,3 milhões, indica que as lavouras apresentaram uma capacidade de recuperação superior à sugerida pelas avaliações realizadas durante o verão norte-americano.

Condições das lavouras explicam parte da diferença

As inspeções realizadas em agosto identificaram uma safra heterogênea, marcada por problemas climáticos em diferentes regiões produtoras dos Estados Unidos.

Em Ohio e Indiana, havia áreas afetadas pelo excesso de chuva. Já em Dakota do Sul, a falta de umidade comprometia o desenvolvimento das lavouras. Também foram observadas diferenças entre estágios de maturação, ocorrência de doenças e condições de produtividade entre estados.

Com o avanço da colheita norte-americana, os resultados começaram a demonstrar que parte das plantações conseguiu compensar os problemas identificados anteriormente.

Isso não significa, porém, que todos os riscos tenham desaparecido. O ritmo dos trabalhos ainda apresenta atrasos em estados importantes para a produção de milho, enquanto relatos de campo continuam apontando consequências das condições climáticas adversas no Corn Belt.

Também foram registradas situações incomuns, como milho germinando em lavouras de Nebraska, além da possibilidade de abandono de determinadas áreas.

Soja mantém projeção próxima das avaliações de agosto

Para a soja, a divulgação do USDA trouxe menos surpresas. A estimativa oficial de 124,1 milhões de toneladas ficou apenas 300 mil toneladas abaixo da projeção do Pro Farmer, uma diferença inferior a 1%.

A proximidade dos números indica que o potencial de produção da safra norte-americana de soja já estava relativamente bem identificado pelo mercado antes da atualização de outubro.

Apesar disso, as lavouras também enfrentaram dificuldades ao longo do ciclo, incluindo problemas localizados de umidade, doenças e diferenças no desenvolvimento das plantas. A disponibilidade de água no solo ajudou a sustentar parte das áreas durante a fase final de crescimento, embora o clima continuasse sendo um fator determinante.

Assim como no milho, a colheita da oleaginosa também apresenta atrasos.

Para Vitor Lima, analista de mercado da Pátria Agronegócios, a safra ainda pode trazer surpresas até sua conclusão. Segundo ele, a produtividade projetada continua elevada, mas a combinação de seca no início do ciclo e excesso de umidade durante a colheita pode comprometer a qualidade dos grãos.

Esse cenário também pode favorecer a formação de prêmios para a soja brasileira, caso problemas de qualidade na produção norte-americana aumentem a procura por fornecedores alternativos.

Exportações dos EUA entram no centro das atenções

Com a dimensão da produção mais bem definida, o mercado passa a observar com maior atenção a capacidade de absorção da oferta norte-americana.

As vendas externas são fundamentais para determinar se o volume adicional de milho encontrará compradores suficientes sem provocar novas quedas nas cotações.

Segundo os dados semanais divulgados pelo USDA, as vendas líquidas de milho dos Estados Unidos somaram 1,122 milhão de toneladas na semana encerrada em 8 de outubro. O resultado representou crescimento de 46% em relação à semana anterior e de 42% na comparação com a média das quatro semanas precedentes.

Apesar do avanço, o ritmo das exportações ainda desperta questionamentos. A projeção oficial para os embarques de milho foi revisada para cima, mas a competitividade dos fornecedores sul-americanos representa um obstáculo para ampliar as vendas norte-americanas.

De acordo com Vanin, os preços do milho dos Estados Unidos estão praticamente equiparados aos do Brasil, da Argentina e da Ucrânia. Nesse contexto, a China precisaria encontrar condições comerciais mais vantajosas para aumentar significativamente suas compras do produto norte-americano.

Além disso, a redução de tarifas anunciada após as conversas entre Donald Trump e Xi Jinping não foi acompanhada por mudanças nas cotas comerciais mencionadas na análise. Isso limita as expectativas de uma expansão expressiva da demanda chinesa.

Brasil e América do Sul ganham relevância na disputa comercial

A competitividade dos grãos sul-americanos é outro fator importante para as perspectivas do mercado. Segundo a análise de Vanin, o programa de exportação de milho dos Estados Unidos estava cerca de 10 milhões de toneladas atrás do registrado no mesmo período do ano anterior.

O desempenho das vendas também depende da distribuição geográfica dos embarques. No ciclo anterior, dos 14 milhões de toneladas de crescimento das exportações norte-americanas, aproximadamente 12 milhões passaram pelos portos do Pacífico, região estratégica para o atendimento de compradores asiáticos.

Nesse mercado, o milho brasileiro também apresentou competitividade nas negociações recentes, ampliando a disputa por clientes internacionais.

A combinação entre uma oferta norte-americana maior e a disponibilidade de grãos da América do Sul tende a intensificar a concorrência entre exportadores, com reflexos sobre os preços internacionais e as margens dos produtores.

China volta a aparecer nas negociações de soja

Os dados de vendas também apontaram movimentações relevantes no mercado de soja. Após o período coberto pelo relatório semanal, exportadores privados norte-americanos informaram ao USDA a venda de 558 mil toneladas da oleaginosa para a China e outras 236 mil toneladas para destinos ainda não identificados.

Os negócios foram destinados à entrega na safra 2026/27 e foram anunciados na sexta-feira, dia 16, conforme o relato original.

As vendas reforçam a importância da demanda chinesa para a formação dos preços da soja, embora seja necessário acompanhar a continuidade dos negócios e o ritmo efetivo dos embarques para avaliar o impacto sobre o mercado.

Plantio brasileiro será determinante para os preços dos grãos

A entrada de uma grande safra norte-americana no mercado coincide com o início do plantio de mais um ciclo de produção no Brasil. Essa sobreposição coloca a oferta global e a disputa pelos compradores internacionais no centro das atenções dos investidores.

Com a produção dos Estados Unidos mais próxima de uma definição, o avanço da safra brasileira 2026/27 deve ganhar peso na formação das cotações da Bolsa de Chicago e dos preços internos.

O desenvolvimento das lavouras brasileiras, as condições climáticas e o potencial produtivo serão acompanhados de perto por produtores, exportadores e operadores do mercado.

Embora a colheita norte-americana esteja avançando e revele uma produção elevada, o risco climático continua presente. A próxima etapa da temporada já começou, e qualquer mudança nas condições de cultivo pode alterar as perspectivas de oferta e a trajetória dos preços de milho e soja.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

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Internacional

Crise no Estreito de Ormuz ameaça safras agrícolas e pode elevar preços dos alimentos

As restrições ao transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz já começam a afetar as colheitas agrícolas e podem reduzir a produtividade no campo, além de pressionar os preços dos alimentos em diferentes regiões do mundo. O alerta foi feito na quinta-feira por Álvaro Lario, presidente do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), agência vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU).

Em entrevista à Reuters, Lario afirmou que os efeitos das interrupções na passagem marítima começam a se refletir na produção agrícola. Segundo ele, os impactos atingem diferentes etapas da cadeia de abastecimento, desde a aquisição de insumos até a colheita e o transporte dos produtos.

Interrupções no Estreito de Ormuz elevam custos agrícolas

A instabilidade no Estreito de Ormuz tem dificultado o transporte de fertilizantes e contribuído para o aumento dos custos de combustíveis e fretes. Esses fatores, combinados com os efeitos do fenômeno climático El Niño e as interrupções no fornecimento de trigo pelo Mar Negro, ampliam a pressão sobre a cadeia global de alimentos.

O estreito é uma rota estratégica para o comércio internacional de energia e outros produtos essenciais. A intensificação das restrições à navegação ocorre em meio às tensões entre Irã e Estados Unidos.

Teerã tem buscado ampliar o controle sobre a passagem marítima para pressionar Washington, que mantém um bloqueio naval aos portos iranianos.

Menor uso de fertilizantes pode reduzir produtividade no campo

De acordo com o presidente do FIDA, os estoques disponíveis de fertilizantes e combustíveis ajudaram a amortecer os efeitos iniciais da crise. No entanto, a continuidade das incertezas tem levado agricultores a adotar decisões mais cautelosas para os próximos plantios.

Entre as consequências está a redução do uso de fertilizantes agrícolas, medida que pode comprometer o rendimento das lavouras. O encarecimento dos combustíveis também afeta as operações mecanizadas, incluindo a colheita.

A combinação desses fatores aumenta o risco de queda na produção e pode agravar as pressões sobre a oferta mundial de alimentos nos próximos meses.

Preços das commodities agrícolas sobem 13%

Os preços das commodities agrícolas registraram alta de 13% no terceiro trimestre, segundo Lario. A expectativa apresentada pelo dirigente é de novos aumentos no quarto trimestre deste ano e no primeiro trimestre do próximo ano.

O avanço dos custos de produção e transporte pode chegar ao consumidor por meio de alimentos mais caros, especialmente em mercados que dependem de importações para abastecer a população.

Países com forte dependência externa de fertilizantes, combustíveis e alimentos estão entre os mais expostos aos efeitos da crise.

Lario destacou a vulnerabilidade do Sudeste Asiático diante da dependência de combustíveis importados e chamou a atenção para os países do Golfo, que recorrem ao mercado internacional para garantir parte significativa de seu abastecimento alimentar.

Impasse entre Estados Unidos e Irã ameaça segurança alimentar

A crise também levanta preocupações sobre a segurança alimentar na Ásia e na África. Na quarta-feira, um funcionário envolvido em uma proposta de operação apoiada pela ONU para transportar fertilizantes pelo Estreito de Ormuz alertou à Reuters que a falta de um acordo entre Estados Unidos e Irã nas próximas semanas pode desencadear uma crise alimentar em partes desses continentes.

A iniciativa busca viabilizar o fluxo de fertilizantes pela rota marítima, mas seu avanço depende de entendimentos entre os países envolvidos.

Sem uma solução para as restrições logísticas, os custos dos insumos podem continuar elevados, dificultando o acesso de agricultores a produtos essenciais para manter a produção.

Pequenos agricultores podem mudar o tipo de cultivo

Além dos impactos sobre os custos e a produtividade, a instabilidade pode alterar as decisões de plantio de pequenos produtores rurais.

Segundo Lario, diante da incerteza e da necessidade de preservar o fluxo de caixa, agricultores podem abandonar culturas de maior valor agregado que exigem mais tempo para gerar receita.

Em contrapartida, a tendência é que parte desses produtores priorize lavouras com retorno financeiro mais rápido, mesmo que ofereçam menor rentabilidade potencial no longo prazo.

A mudança pode afetar a diversidade da produção agrícola e aumentar os desafios para o abastecimento mundial. Caso as restrições ao transporte marítimo persistam, a combinação de insumos mais caros, menor uso de fertilizantes e alterações nos padrões de plantio poderá intensificar a pressão sobre os preços dos alimentos.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Tita Barros

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Internacional

Contêineres do GFS Pride ficam à deriva no Estreito de Hormuz após naufrágio

Imagens divulgadas pelo jornal The Independent mostram contêineres boiando no Estreito de Hormuz após o naufrágio do cargueiro GFS Pride. Parte das estruturas aparece aberta, enquanto caixas e outros materiais permanecem espalhados pela superfície do mar.

Imagens mostram destroços espalhados pelo mar

Os registros revelam contêineres à deriva nas proximidades do local onde o GFS Pride afundou. Também é possível observar pessoas perto da embarcação e barcos menores ao redor, aparentemente envolvidos na operação de retirada da tripulação.

Os 21 tripulantes foram resgatados em segurança, sem registro de feridos. Diante dos episódios envolvendo embarcações comerciais na região, a Autoridade Marítima e Portuária de Cingapura manifestou preocupação com os ataques no estreito.

A Marinha da Guarda Revolucionária do Irã afirmou que o cargueiro seguia por uma rota considerada “não autorizada e perigosa”. Segundo a força iraniana, o navio pegou fogo após atingir uma mina naval.

O serviço britânico de monitoramento marítimo também recebeu um relato sobre um navio porta-contêineres atingido por um projétil de origem desconhecida. Até o momento, não há confirmação de que essa ocorrência esteja relacionada ao caso do GFS Pride.

Outro cargueiro enfrenta risco de afundamento

Além do GFS Pride, o Cape Dao, navio com bandeira de Antígua e Barbuda, também está em situação crítica. A embarcação foi atingida por um projétil nas proximidades do Estreito de Hormuz em 23 de setembro.

De acordo com a empresa britânica de gestão de riscos marítimos Vanguard, o cargueiro está afundando após uma tentativa de resgate não ter obtido sucesso.

Naufrágios aumentam preocupação com o tráfego marítimo

O afundamento do GFS Pride representa o segundo naufrágio registrado desde o início da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro, conforme dados da Organização Marítima Internacional (OMI), agência das Nações Unidas responsável por questões relacionadas ao transporte marítimo.

Antes do conflito, entre 125 e 140 grandes embarcações comerciais atravessavam diariamente o Estreito de Hormuz. A passagem é estratégica para o comércio internacional de energia: aproximadamente um quinto do petróleo e do gás transportados por via marítima no mundo passava pela região.

A presença de contêineres à deriva, somada aos ataques e aos riscos enfrentados por outros cargueiros, evidencia os impactos do conflito sobre a segurança da navegação em uma das principais rotas marítimas globais.

FONTE: Bol Uol
TEXTO: Redação
IMAGEM: Mídia Social/via REUTERS

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Internacional

Vinhos brasileiros podem gerar US$ 2,4 milhões em negócios após rodada internacional em São Paulo

O mercado brasileiro de vinhos, espumantes e sucos de uva deve movimentar aproximadamente US$ 2,4 milhões em negócios imediatos e futuros nos próximos 12 meses. O resultado é fruto de uma iniciativa da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), realizada entre 6 e 8 de outubro, durante a feira ProWine São Paulo 2026.

A ação integrou o programa Exporta Mais Brasil e contou com a participação de 24 empresas nacionais, que realizaram 140 reuniões comerciais com compradores de sete países. A iniciativa busca ampliar a presença dos produtos brasileiros no exterior, estimular novas parcerias e diversificar os destinos das exportações do setor vitivinícola.

Do total estimado, US$ 900 mil correspondem a negócios imediatos, enquanto outros US$ 1,9 milhão são esperados nos meses seguintes. Os números divulgados pela ApexBrasil reforçam o potencial de expansão da produção brasileira no mercado internacional.

Exporta Mais Brasil conecta produtores brasileiros a sete países

Promovida em parceria com o Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado do Rio Grande do Sul (Consevitis-RS), a iniciativa faz parte do projeto setorial Wines of Brazil, voltado à promoção internacional dos vinhos e espumantes brasileiros.

Os encontros comerciais reuniram produtores, cooperativas e empresas exportadoras com potenciais parceiros da China, Reino Unido, Países Baixos, Angola, Rússia, México e Paraguai.

A aproximação permitiu apresentar produtos nacionais a compradores estrangeiros, negociar condições comerciais e identificar oportunidades de entrada em novos mercados.

Para Camila Torres Meyer, especialista da Gerência Regional da ApexBrasil, a diversidade e a identidade dos produtos brasileiros são diferenciais importantes para conquistar espaço em um segmento internacional competitivo.

Segundo ela, os resultados da rodada de negócios demonstram o interesse crescente dos compradores estrangeiros pela qualidade e pela variedade da produção nacional. As conexões estabelecidas durante o evento também podem contribuir para ampliar as exportações e gerar novas oportunidades para as empresas brasileiras.

Degustações e visitas aproximam compradores da produção nacional

Além das reuniões comerciais, a programação proporcionou aos compradores internacionais uma experiência mais próxima da vitivinicultura brasileira.

Os participantes puderam visitar vinícolas, degustar produtos, conhecer lançamentos e avaliar as características da produção nacional. A proposta foi apresentar os diferenciais dos vinhos, espumantes e sucos de uva brasileiros e aproximar a oferta local das preferências de diferentes mercados consumidores.

De acordo com Rafaela Albuquerque, especialista da Gerência de Agronegócios da ApexBrasil, o contato direto com os produtores ajuda os compradores a compreender melhor a capacidade de inovação e a diversidade do setor.

A iniciativa também permite identificar demandas específicas de cada mercado, facilitando o desenvolvimento de estratégias comerciais mais adequadas para a internacionalização das empresas.

Exportações de vinhos e espumantes crescem 23,73% em 2026

O desempenho da rodada comercial ocorre em um cenário de expansão das vendas externas do setor.

No primeiro semestre de 2026, as exportações brasileiras de vinhos e espumantes somaram aproximadamente US$ 6,79 milhões, alta de 23,73% em relação ao mesmo período de 2025. Os produtos nacionais chegaram a 79 países.

Confira os resultados por categoria:

  • Vinhos: US$ 5,61 milhões em exportações, crescimento de 24,66%.
  • Espumantes: US$ 1,18 milhão em vendas externas, avanço de 19,50%.

Os dados são do projeto Wines of Brazil e indicam o avanço da presença internacional dos produtos brasileiros.

O crescimento das exportações reforça a importância de iniciativas de promoção comercial e de aproximação entre produtores nacionais e compradores estrangeiros, especialmente em um mercado marcado pela concorrência internacional.

Número de vinícolas brasileiras cresce 41,5% em cinco anos

A expansão comercial acompanha o aumento do número de estabelecimentos dedicados à produção de vinhos no país.

Segundo o Anuário do Vinho 2026, publicado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o Brasil passou de 682 vinícolas registradas em 2020 para 965 em 2025, crescimento de 41,5% em cinco anos.

As vinícolas estão distribuídas por 327 municípios brasileiros, com maior concentração na Região Sul e no estado de São Paulo.

Veja a distribuição dos estabelecimentos nos três estados com maior número de vinícolas:

  • Rio Grande do Sul: 600 vinícolas;
  • Santa Catarina: 102 vinícolas;
  • São Paulo: 86 vinícolas.

Os números demonstram a ampliação da base produtiva nacional e a relevância do Rio Grande do Sul para a cadeia vitivinícola. Santa Catarina também se destaca entre os principais polos produtores, enquanto São Paulo mantém presença expressiva no setor.

A expansão dos estabelecimentos pode contribuir para diversificar a oferta de produtos, estimular a inovação e fortalecer a capacidade de atendimento aos mercados interno e externo.

Mercado internacional abre novas oportunidades para o vinho brasileiro

O avanço das exportações, a ampliação do número de vinícolas e os resultados das rodadas comerciais indicam oportunidades para o fortalecimento da indústria brasileira de vinhos e espumantes.

A participação em feiras internacionais e o contato direto com compradores ajudam as empresas a conhecer exigências comerciais, identificar tendências de consumo e desenvolver relações duradouras com parceiros estrangeiros.

Nesse contexto, o programa Exporta Mais Brasil atua como instrumento de promoção das exportações, conectando empresas nacionais a potenciais compradores e contribuindo para a diversificação dos mercados atendidos pela produção brasileira.

A expectativa é que os contatos realizados durante a ProWine São Paulo 2026 se convertam em novos contratos nos próximos meses, ampliando a presença dos produtos nacionais no comércio internacional.

O que é o programa Exporta Mais Brasil?

O Exporta Mais Brasil é uma iniciativa da ApexBrasil destinada a impulsionar as exportações por meio da aproximação entre empresas brasileiras e compradores internacionais.

O programa organiza encontros comerciais voltados a diferentes setores da economia, criando oportunidades para apresentar produtos, estabelecer parcerias e ampliar o acesso a mercados estrangeiros.

No segmento vitivinícola, a iniciativa busca fortalecer a competitividade dos produtores nacionais e aumentar o reconhecimento internacional dos vinhos, espumantes e sucos de uva brasileiros.

FONTE: Apex Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Apex Brasil

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G-7 Libera 100 Milhões de Barris de Petróleo e Diesel para Conter Alta Recorde de Preços

Diante da disparada histórica nos custos dos combustíveis que atinge os Estados Unidos e a Europa, o G-7 — grupo formado pelas sete maiores economias industrializadas do mundo — anunciou a liberação de 100 milhões de barris de petróleo e derivados nas próximas semanas. A medida emergencial priorizará volumes expressivos de diesel, combustível que recentemente registrou patamares recordes de preço nas bombas americanas e europeias.

Pressão Política e Impacto do Conflito no Oriente Médio

O avanço vertiginoso nos valores da energia reflete diretamente os impactos econômicos de conflitos geopolíticos prolongados no Oriente Médio, que afetaram rotas logísticas vitais e o fornecimento de combustíveis. Com o galão de diesel alcançando marcas históricas nos Estados Unidos, a administração do presidente Donald Trump e o Partido Republicano enfrentam crescente pressão eleitoral às vésperas do pleito de novembro.

O presidente norte-americano garantiu que a distribuição de diesel começará de forma imediata e antecipada nos próximos dias, estendendo-se ao longo de quatro meses. A decisão conjunta do G-7 busca injetar liquidez no mercado global, aliviar o mercado de petróleo e mitigar o impacto inflacionário sobre os consumidores.

Desdobramentos na Europa e Ajustes no Mercado Global

Sob a presidência rotativa da França, liderada por Emmanuel Macron, o bloco alinhou a estratégia de distribuição de estoques refinados para conter a crise. A iniciativa soma-se aos compromissos assumidos anteriormente junto à Agência Internacional de Energia (AIE) para estabilizar o abastecimento internacional.

Analistas de energia apontam que, embora a medida traga um alívio temporário para os motoristas, a queima de reservas estratégicas carrega riscos a médio e longo prazo. Especialistas alertam que os países envolvidos precisarão, futuramente, recompor esses estoques, além de destacarem que restrições a exportações poderiam desequilibrar ainda com mais força a oferta de derivados de petróleo nas refinarias globais.

FONTE: Estadão
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Estadão

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Internacional

Nova mina nos EUA pode reduzir demanda por pelotas de minério de ferro do Brasil

Um novo projeto de mineração e siderurgia nos Estados Unidos pode diminuir a dependência americana das pelotas de minério de ferro brasileiras. Anunciado pelo presidente Donald Trump na segunda-feira (28), na Casa Branca, o empreendimento prevê a construção de uma siderúrgica de US$ 15 bilhões em Iowa, que será abastecida por minério produzido em uma nova mina em Minnesota.

A empresa Mesabi Metallics já destinou US$ 2,5 bilhões ao projeto da mina. Somados, os investimentos chegam a US$ 17,5 bilhões.

Projeto pretende substituir matéria-prima importada

Ao explicar a integração entre a mina e a futura siderúrgica, o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, destacou a dependência do país em relação às importações brasileiras.

Segundo Lutnick, os Estados Unidos recorrem principalmente ao Brasil para adquirir as pelotas de minério de ferro, utilizadas como matéria-prima na produção de aço.

A proposta da Mesabi Metallics é utilizar na siderúrgica de Iowa as pelotas produzidas a partir do minério extraído e processado em Minnesota. Dessa forma, a cadeia produtiva passaria a contar com uma fonte doméstica de matéria-prima.

Tarifas sobre aço são citadas como incentivo

Lutnick relacionou os investimentos às tarifas aplicadas pelos Estados Unidos sobre o aço importado, previstas na Seção 232 da legislação comercial americana.

Na avaliação do secretário, as medidas tarifárias foram determinantes para viabilizar tanto a mina quanto a nova siderúrgica.

As tarifas sobre o aço importado, entretanto, não incidem automaticamente sobre as pelotas de minério de ferro, já que o produto é utilizado como insumo na fabricação do aço.

O governo americano defende que a produção doméstica avance para reduzir a necessidade de matérias-primas provenientes de outros países. Segundo Lutnick, a intenção é ampliar a fabricação nos Estados Unidos, inclusive buscando custos competitivos em relação ao aço produzido internamente e ao aço importado da China.

EUA são mercado relevante para pelotas brasileiras

A possível expansão da produção americana ocorre em um mercado que já representa uma parcela importante das exportações brasileiras de pelotas.

Entre janeiro e agosto de 2026, os Estados Unidos foram o terceiro principal destino das pelotas de minério de ferro do Brasil, atrás de Egito e Coreia do Sul.

Nesse período, as vendas brasileiras para o mercado americano alcançaram US$ 252,3 milhões, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Brasil liderou vendas aos EUA em 2025

O mercado americano teve participação ainda maior nas exportações brasileiras em 2025. Naquele ano, os Estados Unidos chegaram a ocupar a primeira posição entre os destinos das pelotas brasileiras.

Somente no segundo trimestre de 2025, os americanos compraram US$ 119,16 milhões do produto, o equivalente a 17,8% das exportações brasileiras de pelotas no período, segundo dados da Agência Nacional de Mineração (ANM).

No acumulado de 2025, as exportações brasileiras de pelotas de minério de ferro para os Estados Unidos totalizaram US$ 298,6 milhões.

A entrada em operação de uma cadeia integrada de mineração e siderurgia nos Estados Unidos, portanto, poderá alterar o espaço ocupado pelo Brasil nesse mercado, caso a produção de Minnesota passe a atender parte relevante da demanda americana por matéria-prima.

FONTE: R7
TEXTO: Redação
IMAGEM: Kevin Lamarque/Reuters

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Internacional

Rota Bioceânica: integração contra o crime organizado é desafio para liberar cargas

Com previsão de entrar em operação em 2028, a Rota Bioceânica deverá ampliar as conexões comerciais entre o Brasil e os países vizinhos, criando novas oportunidades para as exportações e para o agronegócio de Mato Grosso do Sul. Ao mesmo tempo, a abertura do corredor aumenta a preocupação dos órgãos de controle com a possibilidade de uso da nova ligação por organizações envolvidas no tráfico internacional.

Para a Receita Federal, o principal desafio será conciliar a agilidade necessária ao transporte de mercadorias com mecanismos capazes de impedir a entrada e a circulação de cargas ilícitas. A estratégia envolve maior integração entre instituições brasileiras e cooperação com os países que farão parte do corredor.

Integração entre órgãos é considerada essencial

O superintendente substituto da 1ª Região Fiscal da Receita Federal, Erivelto Alencar, defende que a integração entre os órgãos de segurança e fiscalização seja estabelecida também no nível estratégico das instituições.

Segundo ele, a Receita já firmou um protocolo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e o Ministério Público Federal (MPF), mas a experiência precisa ser ampliada nacionalmente.

“A gente precisa disso nacionalmente: integrar as instituições para que a diretriz venha de cima para baixo.”

A 1ª Região Fiscal da Receita Federal tem sede em Brasília e abrange Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Tocantins.

De acordo com Alencar, as equipes que atuam em alfândegas e rodovias já compartilham informações de inteligência e fiscalização para identificar cargas de drogas e contrabando. A avaliação, porém, é que a integração não pode depender apenas de iniciativas na ponta.

A proposta envolve uma atuação coordenada entre Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Receita Federal e Ministério Público Federal, com diretrizes definidas pelas instâncias superiores do governo.

Facções podem acompanhar novo fluxo comercial

A preocupação também está relacionada à capacidade de adaptação e ao poder financeiro das organizações criminosas.

Alencar afirma que facções como PCC e Comando Vermelho são monitoradas diante da criação do novo corredor. Ele ressalva, porém, que não há evidência concreta, até o momento, de ligação entre empresas interessadas em operar na Rota Bioceânica e o crime organizado.

A avaliação da Receita é preventiva. Com a alteração do fluxo de mercadorias, organizações que já atuam no tráfico internacional podem tentar utilizar a nova infraestrutura para transportar produtos ilícitos.

“Naturalmente o crime também vai se movimentar e, pela dinâmica, também vai tentar entrar com mercadorias ilícitas e principalmente entorpecente por Porto Murtinho. Nós temos essa preocupação.”

Cocaína não é a única fonte de renda

A cocaína continua sendo apontada como um dos principais produtos movimentados pelo tráfico, mas, segundo Alencar, as facções ampliaram o leque de atividades.

Além de entorpecentes, organizações criminosas passaram a atuar com produtos como eletrônicos, cigarros, medicamentos e produtos destinados ao emagrecimento.

Na avaliação do representante da Receita, o objetivo central dessas atividades é ampliar a capacidade financeira das organizações.

“O crime organizado está preocupado em manter o poder dele, de fato, mas o que eles querem é dinheiro.”

Poder financeiro cria vantagem para o crime

Outro obstáculo apontado pela Receita está na diferença de capacidade financeira entre o Estado e as organizações criminosas.

Alencar observa que uma organização pode adquirir rapidamente veículos e outros recursos necessários para transportar drogas, enquanto os órgãos públicos precisam seguir processos de licitação e depender da disponibilidade orçamentária.

Por isso, segundo ele, o enfrentamento ao crime organizado precisa envolver diferentes instituições. Uma atuação isolada não seria suficiente para combater grupos com elevada capacidade econômica.

Fiscalização deve combinar inteligência e gestão de risco

A estratégia da Receita Federal para a Rota Bioceânica combina fiscalização de fronteira, inteligência e investigação financeira.

A apreensão de uma carga ilegal é considerada apenas uma etapa do trabalho. As informações obtidas durante uma operação podem ajudar a identificar os responsáveis pelo transporte, chegar às organizações e alcançar seus líderes.

“Não adianta só desmantelar ali o atravessador, a pessoa que está transportando, mas sim os líderes das organizações criminosas que cometem diversos ilícitos.”

A Receita já conta com equipes especializadas em inteligência e investigação. Alencar cita como exemplo uma operação contra o contrabando de perfumes que começou com a apreensão de R$ 10 milhões em mercadorias e, a partir dos dados obtidos, permitiu identificar R$ 300 milhões em movimentações financeiras relacionadas a uma organização criminosa.

Sistemas aduaneiros devem antecipar informações

Para o início das operações da nova rota, a Receita aposta também na gestão de risco aduaneiro e no compartilhamento internacional de dados.

A proposta é receber informações sobre as cargas antes de sua chegada ao Brasil. Com esses dados, os sistemas podem identificar operações consideradas de maior risco e direcioná-las para fiscalização.

O sistema Sintia, utilizado para o intercâmbio internacional de informações, permitirá às aduanas acessar antecipadamente dados sobre mercadorias que circulam pelo Mercosul e pela Rota Bioceânica.

Na prática, uma carga que saia da China, passe pelo porto de Iquique, no Chile, e tenha o Brasil como destino poderá ser analisada antes de chegar ao território brasileiro. Dessa forma, a fiscalização poderá concentrar esforços nas operações que apresentarem sinais de risco, sem a necessidade de parar todos os veículos.

Segundo Alencar, mais de 99% dos operadores atuam de forma regular. Por isso, uma fiscalização seletiva é considerada necessária para evitar impactos desnecessários sobre o comércio internacional.

“Nós não temos como parar cem por cento das cargas.”

Integração entre países ainda é desigual

Um dos pontos de atenção é o nível de integração dos sistemas aduaneiros dos países envolvidos.

De acordo com Alencar, os sistemas da Receita Federal brasileira apresentam mais de 99% de integração com o Sintia. Paraguai e Chile, entretanto, ainda estão em um estágio inferior nesse processo.

Para a Receita, a eficiência da gestão de risco dependerá também da evolução dos sistemas dos demais países. A avaliação é que não basta o Brasil possuir mecanismos avançados de controle se os parceiros do corredor não adotarem estruturas semelhantes.

Centro de Controle de Fronteira é ponto de atenção

Além dos sistemas de informação, a estrutura física de fiscalização é considerada estratégica para o funcionamento da Rota Bioceânica.

O Centro Integrado de Controle de Fronteira, que deverá funcionar em território brasileiro com participação do Paraguai, ainda não começou a ser construído.

A estrutura é vista como um dos pontos importantes para integrar as ações de controle na fronteira e acompanhar o aumento esperado no fluxo de mercadorias.

Rota Bioceânica amplia desafios de segurança

A expectativa da Receita é que as organizações criminosas tentem explorar o novo corredor assim que o fluxo comercial estiver consolidado. Por isso, o controle não deverá se limitar à apreensão de cargas nas fronteiras.

A estratégia defendida envolve integração institucional, cooperação internacional, inteligência, gestão de risco e rastreamento financeiro. O objetivo é dificultar não apenas o transporte de mercadorias ilícitas, mas também a atuação das estruturas que financiam e coordenam essas operações.

Especialistas citados na discussão sobre segurança apontam que falhas de integração entre órgãos públicos e fragilidades na atuação estatal contribuíram para a expansão de organizações como PCC e Comando Vermelho. Esses grupos passaram a diversificar suas atividades e a movimentar recursos em setores da economia formal, inclusive no mercado financeiro.

FONTE: Campo Grande News
TEXTO: Redação
IMAGEM:  Toninho Ruiz

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