Internacional

Trump encerra viagem à Ásia com visita à Coreia do Sul

Enquanto Trump voava de volta a Washington, ele disse nas redes sociais que Xi havia autorizado a compra de “quantidades massivas” de soja e outros produtos agrícolas americanos. “Nossos fazendeiros ficarão muito felizes!”, escreveu Trump. O Ministério do Comércio da China afirmou que os dois lados chegaram a um consenso na Coreia do Sul sobre a “expansão do comércio agrícola” e outras questões, mas não forneceu detalhes.

Quando o presidente Trump pediu a realização de testes nucleares, pouco antes de conversas com o líder chinês Xi Jinping, ele pode ter acrescentado inadvertidamente uma nova complicação a um dos temas mais difíceis entre seus países: a rivalidade em armas nucleares.

Trump declarou na quinta-feira que “devido aos programas de testes de outros países, instruí o Departamento de Guerra a começar a testar nossas armas nucleares em igualdade de condições”. Sua ordem pode ter sido motivada por uma afirmação do presidente Vladimir V. Putin, feita alguns dias antes, de que a Rússia havia realizado com sucesso o voo de teste de um míssil de cruzeiro movido a energia nuclear e com capacidade nuclear — embora o teste não envolvesse uma detonação.

Os movimentos em direção à retomada de testes explosivos de ogivas nucleares colocariam ainda mais em risco o tratado que, por décadas, restringiu todos, exceto alguns poucos países, de realizá-los. Se os Estados Unidos realmente retomarem os testes nucleares, “isso daria, na prática, uma carta branca à China e à Rússia para retomarem testes nucleares de rendimento total, algo que nenhum dos dois países faz há vários anos”, disse Ankit Panda, autor de The New Nuclear Age.

“O regime de não proliferação nuclear está sob imensa pressão no momento. Rússia, China e Estados Unidos nem sequer conseguem concordar sobre os princípios básicos que realmente sustentam o regime de não proliferação”, afirmou Panda, pesquisador sênior da Carnegie Endowment for International Peace.

Trump e sua administração podem esclarecer seus comentários nas próximas horas ou dias. Panda e outros especialistas disseram que Trump pode ter querido dizer que pretende testar mísseis com capacidade nuclear, e não detonar dispositivos nucleares subterrâneos.

Quando questionado posteriormente sobre suas declarações sobre testes de armas nucleares, Trump sugeriu que elas não estavam relacionadas à China. “Tinha a ver com outros”, disse ele, sem citar países. “Parece que todos estão fazendo testes nucleares.”

Mas as palavras combativas de Trump por si só podem reforçar a desconfiança de Pequim quanto às intenções nucleares dos EUA. As armas nucleares são uma área em que a falta de confiança entre China e Estados Unidos tem se aprofundado, com poucas perspectivas de um acordo rápido.

Sob o comando de Xi, a China tem expandido rapidamente seu arsenal nuclear após décadas mantendo uma força relativamente modesta. A China possui cerca de 600 ogivas nucleares, a maioria projetada para mísseis terrestres, segundo um levantamento publicado no início deste ano por especialistas da Federação de Cientistas Americanos. Isso ainda é muito menos que as milhares de ogivas nucleares que Estados Unidos e Rússia possuem.
Mas a velocidade da expansão da China, assim como a crescente ameaça de Moscou, tem provocado apelos em Washington por uma modernização mais rápida das forças nucleares dos EUA para deter dois grandes adversários.

A Rússia praticamente concluiu a modernização de todas as suas forças nucleares, e a China está modernizando e ampliando seu arsenal em uma velocidade impressionante”, disse Elbridge A. Colby, subsecretário de Defesa na administração Trump, durante sua audiência de confirmação no Senado no início deste ano.

O próximo plano de desenvolvimento da China, divulgado em resumo esta semana, prevê o “fortalecimento das capacidades de dissuasão estratégica” — termo que inclui forças nucleares — como uma prioridade militar para os próximos cinco anos. E, no mês passado, a China exibiu sua crescente coleção de mísseis com capacidade nuclear, incluindo os que podem ser lançados de submarinos e aviões bombardeiros, em um desfile militar em Pequim.

Xi usou o desfile para enfatizar a “tríade nuclear” em amadurecimento da China — isto é, a capacidade de ameaçar inimigos com ataque nuclear por terra, mar e ar —, disse Lin Po-chou, pesquisador do Instituto de Pesquisa de Defesa Nacional e Segurança, um grupo financiado pelo governo em Taipei, Taiwan.

O ritmo da expansão nuclear da China “continuará e não mudará apenas por causa do anúncio de Trump sobre o aumento dos testes de armas nucleares”, disse Lin.

Evidências de satélite sugerem que a China pode estar preparando instalações para realizar testes nucleares subterrâneos, possivelmente como um sinal de que poderia responder na mesma moeda se outros países retomarem os testes.

A China realizou seu primeiro teste nuclear em 1964 e o último em 1996, pouco antes da adoção do Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares, uma moratória global adotada pela maioria dos países. (A China, assim como os Estados Unidos, assinou, mas não ratificou o tratado.)

A China realizou cerca de 45 testes no total, menos do que as centenas conduzidas pelos Estados Unidos ou pela Rússia. Como resultado, os cientistas chineses de armas nucleares provavelmente tiveram que trabalhar com menos dados do que outras potências para projetar suas ogivas. Desde 1996, a China e outras potências atômicas têm verificado e testado ogivas usando testes subcríticos, que não chegam a causar explosões atômicas.

Mas imagens de satélite revelaram novas construções em Lop Nur, o local de testes nucleares da China em Xinjiang, uma região no extremo oeste do país. A atividade inclui novos túneis que poderiam ser usados para testes nucleares subterrâneos, o que pode ajudar no desenvolvimento de novas armas nucleares, escreveram dois especialistas, Renny Babiarz e Jason Wang, em um estudo recente sobre a área.

Se Trump realmente ordenar novos testes nucleares, levaria cerca de 18 meses para que os Estados Unidos preparassem o provável local de testes em Nevada, disse Panda, o especialista da Carnegie Endowment for International Peace. China e Rússia, segundo ele, provavelmente conseguiriam agir um pouco mais rápido.

FONTE: The New York Times
IMAGEM: Haiyun Jiang/The New York Times

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Internacional

Passo a passo, como a China assumiu o controle de minerais críticos no mundo

O controle chinês de terras raras vitais para a produção militar e tecnológica, como o samário e o disprósio, confere a Pequim enorme poder global

Há mais de um ano, a China vem criando um elaborado conjunto de regras para proteger suas exportações de minerais dos quais o resto do mundo não pode viver sem. Esses minerais com nomes obscuros, a maioria deles chamados de metais de terras raras, são vitais para a fabricação de uma vasta gama de bens militares e civis, desde caças a jatos até semicondutores e carros.

Os controles de exportação deram a Pequim uma enorme alavancagem porque a China é o fornecedor dominante. O país é o único produtor, por exemplo, de samário, um metal de terra rara usado em muitas aplicações militares.

A China também é o único país a dominar a difícil arte de refinar disprósio ultrapuro: o suprimento mundial inteiro, necessário para chips super-rápidos, vem de uma única fábrica perto de Xangai.

Talvez o mais importante: a China fabrica 90% dos ímãs de terras raras do mundo, usados em eletrônicos e motores elétricos. É a única produtora de alguns tipos de ímã pequenos usados em carros.

Pequim invocou as novas regras pela primeira vez no final do ano passado. Autoridades suspenderam as remessas para os Estados Unidos de quatro elementos metálicos, mas ainda não terras raras, em retaliação depois que Washington impôs limites rigorosos à exportação para a China dos semicondutores de mais alto desempenho.

Desde então, a China usou os controles de exportação para apertar cada vez mais o acesso às suas terras raras.

Esses controles se tornaram um ponto chave de discórdia com o governo dos EUA. Espera-se que sejam discutidos na quinta-feira, 30, quando o presidente Donald Trump se reunirá com Xi Jinping, o líder da China.

Altos formuladores de políticas dos EUA expressaram esperança após as negociações comerciais de domingo de que a China pudesse adiar a aplicação de suas novas regras. A China arrisca danos a longo prazo à sua própria economia com as normas, ao prejudicar a imagem do país como um fornecedor confiável.

Aqui está como a China construiu seu embargo regulatório em torno de minerais críticos.

Cronologia dos controles de exportação da China

1º de outubro de 2024

O tiro de largada: Requisitos detalhados de documentação

A China começa a exigir que os exportadores de metais de terras raras obtenham informações detalhadas de todos os clientes no exterior sobre exatamente como os metais serão usados em suas cadeias de suprimentos.

Resultado: A regra dá ao Ministério do Comércio um roteiro abrangente dos tipos e quantidades de terras raras de que empresas em todo o mundo precisam.

3 de dezembro de 2024

Restrições a quatro minerais que não são de terras raras

A China interrompe as exportações para os Estados Unidos de quatro elementos metálicos que não são de terras raras, mas ainda são muito necessários. O Ministério do Comércio restringe qualquer remessa adicional de gálio ou germânio, necessários para a fabricação de alguns tipos de semicondutores, e remessas de antimônio ou tungstênio, usados em munições e outras aplicações militares.

Resultado: Pela primeira vez, a China não apenas limita as exportações diretamente para os Estados Unidos, mas também proíbe empresas em outros países de transferir materiais para empresas dos EUA.

4 de abril de 2025

Controles de exportação sobre alguns metais e ímãs de terras raras

A China impõe controles de exportação em sete dos 17 elementos de terras raras, bem como em ímãs feitos com eles, interrompendo as remessas para todos os países, não apenas os Estados Unidos. Nos dois meses seguintes, o Ministério do Comércio aprova pouquíssimas licenças de exportação. Montadoras e seus fornecedores nos Estados Unidos, Europa e Japão esgotam seus estoques e, em alguns casos, atrasam a produção. O ritmo de emissão de licenças acelera durante o verão (do hemisfério norte), mas muitas fábricas no exterior ainda enfrentam escassez severa.

Resultado: Mais de seis meses depois, as exportações permanecem interrompidas para um elemento de terra rara, o samário, que é vital para ímãs militares. Para outras seis itens e para os ímãs, a China concede licenças de seis meses. Muitas dessas licenças precisarão de renovação em breve.

9 de outubro de 2025

Interrupção da transferência de segredos técnicos de terras raras

Em uma das várias ações naquele dia, o Ministério do Comércio da China ordena uma interrupção imediata, exceto com sua aprovação, de qualquer transferência para fora do país de tecnologia ou informação necessária para quase todo o processo de terras raras — da mineração à reciclagem. Para restringir os esforços de outros países para desenvolver seus próprios setores de terras raras, a ordem proíbe uma ampla gama de atividades, desde o licenciamento de propriedade intelectual chinesa até a contratação de pessoal da China.

Resultado: A China emprega amplamente os controles de exportação para tentar salvaguardar seu domínio quase completo sobre a indústria.

9 de outubro de 2025

Interrupção das exportações de equipamentos de processamento de terras raras.

O Ministério do Comércio também emite uma longa lista de fornos, produtos químicos e outros equipamentos e materiais que são essenciais para o processamento de terras raras, dizendo que nenhum tem permissão para deixar a China sem aprovação a partir de 8 de novembro.

Resultado: A China é a principal produtora de equipamentos para refinarias de terras raras e fábricas de ímãs, então isso pode atrasar os esforços de outros países para estabelecer sua própria produção.

9 de outubro de 2025

Bloqueio de exportações de mais cinco elementos de terras raras

O ministério adiciona mais cinco tipos de terra rara à lista de sete que foi emitida em 4 de abril para as quais são necessárias licenças de exportação, bem como ímãs e outros materiais feitos a partir delas. A regra entra em vigor em 8 de novembro.

Resultado: Ao expandir o número de terras raras que exigem licenças, o governo da China afirmaria uma autoridade mais ampla sobre as cadeias de suprimentos globais.

9 de outubro de 2025

Restrição de equipamentos de fabricação de baterias

O ministério emite uma longa lista de materiais de fabricação de baterias que não poderão deixar a China sem permissão especial a partir de 8 de novembro.

Resultado: Essas mudanças dariam à China mais poder sobre os fabricantes de veículos elétricos do mundo, que são grandes consumidores de baterias, bem como empresas de eletricidade que precisam de tecnologia chinesa para construir grandes baterias de armazenamento em rede para energia solar ou eólica.

9 de outubro de 2025

Proibição de exportações de serras diamantadas e equipamentos semelhantes

O ministério interrompe a exportação de materiais super-rígidos, como serras diamantadas, que são usadas na fabricação de semicondutores e pastilhas solares, a partir de 8 de novembro.

Conclusão: Isso poderia ajudar a China a alcançar a liderança na fabricação de semicondutores e proteger sua participação de 98% no mercado global na fabricação de pastilhas solares, o componente mais importante dos painéis solares.

9 de outubro de 2025

Controle do comércio de ímãs de terras raras fabricados fora da China

O ministério proíbe qualquer movimentação sem sua permissão através de qualquer fronteira nacional de ímãs feitos fora da China se as terras raras da China representarem pelo menos 0,1% do valor do ímã, a partir de 1º de dezembro. A permissão do ministério também é necessária para movimentações de ímãs feitos no exterior com tecnologias de terras raras originalmente desenvolvidas pela China. O ministério redigiu a regra de forma ambígua, de modo que possa se aplicar não apenas a ímãs, mas também a praticamente qualquer coisa fabricada fora da China que inclua vestígios de terras raras, desde motores elétricos a assentos de carro. Os pedidos de permissão ao ministério devem fornecer detalhes extensos sobre os produtos e como serão usados. Os pedidos para produção militar serão “em princípio” negados.

Resultado: A China, que se inclinou para a Rússia na guerra da Ucrânia, poderia usar esta regra para impedir que outros países fornecem armas à Ucrânia ou construam seu próprio arsenal.

14 de outubro de 2025

Interrupção das exportações para a Europa de chips de computador Nexperia

A Nexperia, uma empresa na Holanda que foi adquirida em 2018 por um consórcio chinês, anuncia que foi ordenada a interromper as exportações de semicondutores da China. As montadoras europeias, incluindo a Volkswagen, em breve devem ficar sem chips de computador.

Resultado: A China, que agiu depois que o governo holandês assumiu a direção da Nexperia, mostra novamente como pode usar os controles de exportação para afetar as cadeias de suprimentos globais.

FONTE: The New York Times
IMAGEM: REUTERS/David Becker

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Internacional

Milei tem vitória avassaladora nas eleições legislativas e impõe derrota acachapante a esquerda Argentina

A imprensa argentina considerou surpreendente a vitória do partido do presidente Javier Milei nas eleições legislativas argentinas deste domingo (26).

O jornal argentino La Nación classificou o resultado como “impactante”, com uma “vitória esmagadora em todo o país”.

Já o Clarín definiu como “vitória surpreendente”, com o partido Liberdade Avança vencendo em quase todo o país e prevalecendo na província de Buenos Aires.

Segundo a imprensa local, a província da capital argentina sempre foi um reduto peronista.

As eleições legislativas eram consideradas uma prova de fogo para Milei. A popularidade do presidente argetinou caiu nos últimos meses devido a cortes nos gastos públicos e também a um escândalo de corrupção ligado à sua irmã.

Antes da votação, especialistas políticos consideravam que, se o partido do presidente conseguisse conquistar mais de 35% dos votos, isso seria visto como sinal positivo de apoio. Os resultados parciais indicam uma porcentagem próxima aos 40%.

Nesse contexto, o canal Todo Noticias (TN) analisou o resultado como uma “vitória importante a nível nacional”. O veículo reforçou o papel chave da eleição para o fortalecimento do governo de Milei.

O Página 12 destacou a importância da vitória no cenário internacional, afirmando que “Milei obteve um resultado para oferecer a Trump”.

Vitória de Milei

O partido do presidente Javier Milei, A Liberdade Avança, venceu as eleições legislativas da Argentina neste domingo (26) e deve aumentar sua base no Congresso.

➡️As eleições deste domingo renovam cerca de metade da Câmara dos Deputados da Argentina — 127 das 257 cadeiras — e um terço do Senado — 24 das 72 cadeiras.

Às 21h55, com cerca de 95% da apuração concluída, o partido de Milei está ganhando:

  • 64 das 127 cadeiras em disputa na Câmara
  • 13 das 24 cadeiras em disputa no Senado

Já o Força Pátria, principal oposição está levando 31 cadeiras na Câmara e 6 no Senado. Somando os aliados, a força de oposição peronista ganharia 44 vagas na Câmara e 7 no Senado.

Segundo a autoridade eleitoral argentina, A Liberdade Avança detém mais de 40% dos votos, enquanto a Força Pátria tem 24% (ou 31% se considerados os partidos aliados).

A chapa do A Liberdade Avança lidera na maior parte das províncias, inclusive na maior delas, Buenos Aires, onde Milei havia amargado uma derrota em eleições locais em setembro.

De acordo com a autoridade eleitoral argentina, 67% dos eleitores foram às urnas neste domingo.

Segundo os jornais argentinos “Clarín” e “La Nacion”, o desempenho do partido do governo foi melhor do que indicavam as pesquisas anteriores à eleição, o que pode abrir espaço para que o presidente amplie sua base parlamentar e avance com suas políticas de reforma da economia.

FONTE: G1
IMAGEM: REUTERS/Cristina Sille

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Internacional

Senado discute avanços do Acordo Mercosul-União Europeia e prevê assinatura até dezembro

Após 25 anos de negociações, o Acordo de Parceria entre o Mercosul e a União Europeia voltou ao centro das discussões no Senado Federal. A Comissão de Relações Exteriores (CRE) realizou, na última terça-feira (21), uma audiência para avaliar as perspectivas de assinatura, ratificação e entrada em vigor do tratado, que deve ser oficializado ainda neste ano, segundo diplomatas envolvidos nas tratativas.

O tratado unirá dois blocos que somam mais de 700 milhões de pessoas e um PIB conjunto de US$ 22 trilhões. A previsão é que sejam firmados dois textos: um acordo econômico-comercial provisório e outro acordo de parceria completo, sujeito à aprovação de todos os Estados-membros da União Europeia (UE). Ao abrir a sessão, o senador Esperidião Amin (PP-SC) destacou a importância do debate para medir o “pulso” das negociações. “O propósito do Brasil não mudou, e esperamos que o da União Europeia venha ao encontro das nossas aspirações”, afirmou.

A embaixadora da União Europeia no Brasil, Marian Schuegraf, explicou que o acordo está em fase final de tramitação. A Comissão Europeia já encaminhou o texto ao Conselho Europeu, que deverá votar os dois instrumentos paralelos: o acordo de parceria completo, que exige a ratificação de todos os parlamentos nacionais, e o acordo comercial provisório, que depende apenas da aprovação do Conselho, por maioria qualificada. Pelo menos 15 dos 27 países europeus — representando 65% da população da UE — precisarão aprovar o texto. O Parlamento Europeu também deve validar o acordo por maioria absoluta. Quando o documento integral entrar em vigor, substituirá o acordo provisório.

Schuegraf ressaltou que o processo é complexo, devido à diversidade linguística e política dos 27 países europeus. Mesmo assim, ela destacou a importância estratégica da parceria: “Este acordo vantajoso abrirá oportunidades de crescimento sustentável e reforçará nossos valores comuns. Perder essa oportunidade seria um erro colossal, com reflexos para gerações futuras”, afirmou.

O embaixador do Brasil junto à União Europeia, Pedro Miguel da Costa e Silva, informou por videoconferência que o Mercosul já está preparado para a assinatura. Segundo ele, o trabalho de tradução e revisão jurídica dos textos — em 24 idiomas — está sendo finalizado. “Se tudo correr bem, poderemos assinar ambos os textos no Brasil em meados de dezembro, antes do fim do ano”, explicou. O diplomata destacou que o acordo comercial poderá entrar em vigor rapidamente, enquanto a parte mais ampla, que exige a ratificação dos 27 países da UE, pode levar vários anos. No caso do Mercosul, a entrada em vigor será individual, conforme a aprovação dos parlamentos nacionais.

Costa e Silva observou que há mal-entendidos sobre o impacto agrícola do tratado. Segundo ele, a questão se tornou mais política do que técnica. “O Mercosul já cumpre todos os requisitos de qualidade exigidos e é o principal fornecedor de alimentos da Europa”, afirmou. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) reconheceu que a agricultura ainda é um ponto de atrito, mas reforçou os benefícios mútuos: “Esse será o maior acordo comercial já assinado entre blocos. Todos terão ganhos — alguns imediatos, outros a longo prazo.” O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) complementou que a parceria deve ser vista sob uma ótica de benefício mútuo, com complementaridade entre os blocos: industrialização europeia e produção agroalimentar latino-americana.

A embaixadora da Dinamarca no Brasil, Eva Bisgaard Pedersen, afirmou que o país, na presidência rotativa do Conselho da União Europeia, atua para facilitar o consenso interno e espera a assinatura do acordo em dezembro. Ela destacou o papel da abertura comercial e da inovação no sucesso econômico dinamarquês, além da relevância da parceria com o Mercosul para diversificar cadeias produtivas. “Não acreditamos em protecionismo. O acordo entre os blocos pode ser um catalisador de crescimento e prosperidade em ambos os lados do Atlântico”, disse. Atualmente, a União Europeia é o maior investidor estrangeiro no Brasil, responsável por 39% dos investimentos diretos, que ultrapassaram R$ 3 trilhões em 2023.

Ao final da sessão, a CRE aprovou requerimento do senador Esperidião Amin para realizar uma audiência pública sobre os impactos da nova Lei dos Estrangeiros de Portugal na comunidade brasileira residente no país.

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

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Internacional

Conservadora, nova premiê do Japão tem aprovação de 74%

Uma pesquisa da Nikkei/TV Tokyo indicou que o governo da nova primeira-ministra do Japão, a conservadora Sanae Takaichi, tem aprovação de 74% da população, o que representa 20 pontos percentuais acima que ao apoio inicial – de 51% – recebido pelo governo anterior de Shigeru Ishiba em seu começo de mandato. É também uma das classificações mais altas para qualquer novo gabinete desde 2002.

Apenas 19% dos entrevistados desaprovam o novo governo de Takaichi, que se tornou a primeira mulher primeira-ministra do país na semana passada, apoiada por uma nova coalizão de seu Partido Liberal Democrata e o menor Partido da Inovação do Japão.
Questionados sobre quais áreas de política a primeira-ministra deveria priorizar, 56% dos entrevistados disseram inflação, seguidos por crescimento econômico, com 33% e pensões com 27%.

FONTE: Pleno News

IMAGEM: EFE/EPA/YUICHI YAMAZAKI / POOL

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Internacional

China lança seu maior navio graneleiro 100% elétrico

O maior navio graneleiro totalmente elétrico da China, chamado Gezhouba, foi lançado na cidade de Yichang, localizada na província central de Hubei, marcando um marco importante no desenvolvimento do transporte marítimo verde e inteligente do país, informou a agência estatal Xinhua.

A embarcação, com cerca de 130 metros de comprimento e capacidade máxima de carga superior a 13 mil toneladas, está equipada com 12 unidades de baterias de íon-lítio, que fornecem uma capacidade total de 24.000 kWh.

De acordo com seu desenvolvedor, o navio permite troca rápida de baterias e oferece uma autonomia de até 500 quilômetros.

No quesito tecnologia, o barco conta com um sistema avançado de controle inteligente, que possibilita navegação remota e atracação automática, integrado a redes de comunicação multilink.

O acadêmico da Academia Chinesa de Engenharia, Yan Xinping, destacou que o projeto vai além de uma simples inovação de produto, pois valida com sucesso tecnologias essenciais, como baterias de grande capacidade e sistemas de energia em corrente contínua distribuída.

Estima-se que o navio permitirá economizar cerca de 617 toneladas de combustível por ano e reduzir as emissões anuais de dióxido de carbono em aproximadamente 2.052 toneladas.

FONTE: Portal Portuário
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuário

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Internacional

Trump sinaliza reduzir tarifas à China, mas exige retomada da compra de soja dos EUA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste domingo (19) que está disposto a reduzir as tarifas sobre produtos chineses, desde que a China adote medidas favoráveis em contrapartida. Segundo ele, o país asiático “terá que fazer coisas por nós também” para que as taxas sejam revistas.

Nas últimas semanas, Trump voltou a elevar as tarifas sobre importações chinesas, chegando a um aumento total de 100%, somado aos 30% já em vigor. A decisão reacendeu as tensões comerciais entre as duas maiores economias do mundo.

Soja volta ao centro das negociações comerciais

Entre as exigências de Trump está a retomada das compras de soja norte-americana pela China. O republicano pediu que os embarques retornem “ao menos aos níveis anteriores” e demonstrou otimismo quanto a um novo acordo comercial para reaquecer as exportações agrícolas dos EUA.

A China é o maior importador de grãos do mundo e, até recentemente, dependia fortemente dos produtores norte-americanos. No entanto, a guerra comercial deflagrada por Trump no início do ano reduziu drasticamente o volume negociado, abrindo espaço para outros fornecedores — principalmente o Brasil, que ampliou sua participação no mercado chinês.

Exportações dos EUA caíram quase 80%

De acordo com um relatório da American Farm Bureau Federation (AFBF), entidade que representa cerca de 6 milhões de agricultores norte-americanos, o volume exportado de soja dos EUA para a China caiu 78% entre janeiro e agosto deste ano, em comparação com o mesmo período de 2024.

O estudo, assinado pela economista Faith Parum, destaca que “entre junho e agosto, os Estados Unidos praticamente não enviaram soja para a China, e o país não comprou nenhuma soja da nova safra”.

Apesar da queda nas importações dos EUA, o relatório ressalta que a China manteve seu consumo de soja, substituindo os grãos americanos por produtos do Brasil, Argentina e outros países.

“Mesmo com preços competitivos, a China vem reduzindo sua dependência dos Estados Unidos, priorizando fornecedores alternativos”, aponta o documento.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Getty Images

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Internacional

Lula defende comércio sem dependência do dólar durante visita à Indonésia

Durante visita oficial à Indonésia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a defender a redução da dependência do dólar nas relações comerciais internacionais. Em discurso nesta quinta-feira (23), o petista destacou a importância de utilizar moedas locais nas transações bilaterais e criticou o protecionismo econômico.

Indonésia e Brasil não querem uma nova Guerra Fria. Queremos comércio livre. E mais: tanto a Indonésia quanto o Brasil têm interesse em discutir a possibilidade de comercializar usando nossas próprias moedas. Essa é uma mudança necessária”, afirmou Lula em coletiva à imprensa.

Lula prega multilateralismo e menos dependência internacional

O presidente ressaltou que o século 21 exige coragem política e novas formas de atuação econômica para reduzir a dependência de grandes potências. Segundo ele, a meta é fortalecer o multilateralismo e promover uma “democracia comercial” baseada em cooperação e equilíbrio.

“Precisamos mudar nossa forma de agir comercialmente para não ficarmos dependentes de ninguém. Queremos multilateralismo, não unilateralismo. Queremos democracia comercial, não protecionismo”, disse o chefe do Executivo brasileiro.

A defesa de Lula vai na contramão da posição do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que tem criticado abertamente iniciativas de países do Brics e de outras nações emergentes para diminuir o uso do dólar no comércio global.

Acordos e fortalecimento da relação Brasil–Indonésia

Durante a agenda oficial, Lula se reuniu com o presidente da Indonésia, Prabowo Subianto, no Palácio Merdeka, onde ambos assinaram acordos nas áreas de agricultura, energia e mineração, ciência e tecnologia e comércio.

Atualmente, o fluxo comercial entre os dois países gira em torno de US$ 6 bilhões, valor considerado baixo por Lula. “É pouco para a Indonésia, é pouco para o Brasil. Nossos povos merecem um esforço maior para garantir que esse comércio cresça de acordo com o aumento da nossa população”, afirmou o presidente.

Possível encontro entre Lula e Trump na Ásia

A viagem de Lula ao continente asiático pode incluir uma reunião com Donald Trump, prevista para ocorrer no domingo, na Malásia, durante a Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean). Os dois líderes conversaram por telefone no início do mês e demonstraram interesse em um encontro presencial.

O diálogo deve servir para reduzir tensões diplomáticas e discutir a tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, um dos principais pontos de atrito entre os dois países.

FONTE: Metrópoles
TEXTO: Redação
IMAGEM: Ricardo Stuckert / PR

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Internacional

Nigéria e Brasil firmam acordo de US$ 1 bilhão para modernizar a agricultura e fortalecer a segurança alimentar

A Nigéria e o Brasil assinaram um acordo de cooperação de US$ 1 bilhão voltado à modernização da agricultura e ao reforço da segurança alimentar, marcando uma nova fase nas relações bilaterais entre a maior economia da África e a principal potência agroindustrial da América Latina.

O anúncio foi feito em Abuja, após reunião entre o vice-presidente nigeriano Kashim Shettima e o vice-presidente brasileiro Geraldo Alckmin. O acordo prioriza a mecanização em larga escala, a transferência de tecnologia e a criação de centros de capacitação rural, com foco em fortalecer toda a cadeia de valor agrícola — desde a produção até o processamento. Atualmente, o setor emprega mais de 35% da força de trabalho nigeriana, mas responde por menos de 25% do PIB, devido à baixa produtividade.

Da subsistência à produção em escala

O projeto tem como base o modelo brasileiro “Mais Alimentos Internacional”, que impulsionou economias rurais na América Latina por meio de linhas de crédito, difusão tecnológica e cooperativas agrícolas.
Com o novo acordo, a Nigéria deverá receber centenas de tratores modernos, sistemas de irrigação e equipamentos de pós-colheita.

A formação técnica e o desenvolvimento de capacidades também são pilares centrais da parceria. Institutos agrícolas brasileiros colaborarão com universidades e escolas técnicas nigerianas na criação de currículos voltados à gestão do agronegócio, agricultura mecanizada e práticas sustentáveis adaptadas ao clima.

Segundo Shettima, a iniciativa representa “um marco na transição da Nigéria da agricultura de subsistência para uma agricultura comercial sustentável”, em sintonia com o objetivo do governo de atingir uma economia de US$ 1 trilhão até 2030.

Diversificação e atração de investimentos

Além do setor agrícola, o acordo abrange áreas como energia, defesa e infraestrutura. Especialistas interpretam a iniciativa como parte de uma estratégia mais ampla de diversificação econômica, que coloca a agricultura como motor de emprego e alternativa à dependência das oscilações do petróleo.

Para o Brasil, a parceria representa um novo impulso nos mercados agrícolas emergentes da África. Empresas brasileiras dos ramos de fertilizantes, irrigação e engenharia agrícola devem ter papel essencial na execução do programa, abrindo caminho para novos fluxos de investimento Sul-Sul.

Desafios e perspectivas

Apesar do otimismo, o sucesso do projeto dependerá de coordenação eficaz entre os governos federal e estaduais, de mecanismos claros de financiamento e de fiscalização rigorosa para evitar o mau uso dos equipamentos — problema que prejudicou iniciativas anteriores.

Ainda assim, a dimensão e o desenho da parceria Nigéria–Brasil trazem expectativas positivas. Com tecnologia, capacitação e crédito direcionado no centro da estratégia, o acordo pode transformar o cenário agrícola nigeriano e consolidar o país como fornecedor regional de alimentos.

Se plenamente implementado, o programa deverá aprofundar a diversificação econômica da Nigéria e reforçar seu protagonismo na transformação agrícola africana.

FONTE: Further Africa
IMAGEM: Reprodução/Further Africa

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Internacional

No Sudeste Asiático, Lula buscará mercado de 680 milhões de habitantes

Viagem à Malásia e Indonésia pode ampliar exportações brasileiras

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca nesta terça-feira (21) para o Sudeste Asiático, onde visitará a Indonésia e Malásia. A programação inclui participações na cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean) e no encontro de líderes do Leste Asiático (EAS). Lula também participará de reuniões bilaterais com os países anfitriões e outros chefes de Estado visitantes, incluindo um possível encontro com o presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, que ainda não está confirmado. O presidente retorna ao Brasil no dia 28.

Entre os principais objetivos da viagem, segundo o governo brasileiro, está uma aproximação política com os países da região e a possibilidade de expansão do comércio bilateral.

“É a primeira vez que um presidente brasileiro participa, como convidado, de uma cúpula da Asean”, destacou o embaixador Everton Frask Lucero, que é diretor do Departamento de Índia, Sul e Sudeste da Ásia do Palácio Itamaraty, em conversa com jornalistas para detalhar a viagem.

“É uma oportunidade de encontro e reunião com diversos líderes mundiais, já que todos os grandes países têm algum tipo relação com a Asean e participam da cúpula”, observou. Entre os encontros já confirmados, por exemplo, está o de Lula com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, previsto para domingo (26), em Kuala Lumpur, na Malásia.

Fundada em 1967 pela Indonésia, Malásia, pelas Filipinas, por Singapura e Tailândia, a Asean é uma organização regional que promove a cooperação econômica, política, de segurança e sociocultural entre os seus membros. Além dos países fundadores, o bloco é composto também por Brunei, Laos, Mianmar, pelo Vietnã, Camboja e, durante esta próxima cúpula, receberá formalmente a adesão do Timor Leste, que se tornará o 11º membro.

“Do ponto de vista econômico, os 11 países, considerando o Timor Leste, que agora entra para a associação, eles somam mais de 680 milhões de habitantes com PIB [Produto Interno Bruto] agregado de cerca de US$ 4 trilhões. Considerados em conjunto, então, eles formariam o terceiro maior país em termos populacionais e a quarta maior economia do mundo”, apontou Lucero.

O embaixador ainda destacou que o comércio do Brasil com os países da Asean superou US$ 37 bilhões no ano passado e continua crescendo. Se fosse um único país, a Asean seria o quinto principal parceiro comercial do Brasil, atrás da China, União Europeia, dos Estados Unidos e da Argentina.

Em meio a uma conjuntura de imposição de tarifas unilaterais no comércio internacional, a Asean pode ampliar ainda mais as possiblidades de escoamento de produtos brasileiros exportados, já que os países do bloco responderam, no ano passado, por mais de 20% do superávit de comércio exterior global do Brasil, com um saldo favorável à balança nacional da ordem de US$ 15,5 bilhões, segundo informou o Itamaraty.

Programação na Indonésia

A primeira parada de Lula será Jacarta, capital da Indonésia, a maior economia da região, onde o presidente será recebido em visita de Estado para reafirmar a relação estratégica bilateral. É também uma retribuição da recente visita do presidente indonésio, Prabowo Subianto, ocorrida em julho deste ano, logo após a 17ª Cúpula do Brics, realizada no Rio de Janeiro.

A chegada de Lula ao país está prevista para as 15h30 (horário local) desta quarta-feira (22), sem agenda oficial. O fuso horário de Jacarta é de 10 horas à frente do horário de Brasília. No dia seguinte, quinta-feira (23), a partir das 10h30 (0h30 em Brasília), está marcada a cerimônia oficial de recepção a Lula, à primeira-dama Janja da Silva e aos demais integrantes da comitiva brasileira no Palácio Presidencial da Indonésia, seguida de reunião privada entre Lula e Subianto. Os dois presidentes se reúnem posteriormente com ministros dos dois lados, para assinatura de atos oficiais, que devem incluir ao menos um memorando de entendimento na área de energia renovável, segundo informações do Itamaraty. Por fim, fazem uma declaração à imprensa.

“A Indonésia é parceiro estratégico do Brasil desde 2008, é a terceira maior democracia do mundo, a quarta nação mais populosa e a principal economia da Asean. Os contatos de alto nível entre o Brasil e a Indonésia têm se intensificado nos últimos anos.

O ministro Mauro Vieira [chanceler] esteve lá em 2023, no primeiro ano do atual governo, quando foi firmado o plano de ação revitalizado da nossa parceria estratégica, que prevê a aproximação dos dois países em termos de diálogo e cooperação em diversas áreas tanto da pauta bilateral, quanto das negociações multilaterais”, afirmou o embaixador Lucero. Entre as áreas de interesse prioritário do Brasil e da Indonésia estão comércio agrícola, segurança alimentar, bioenergia, desenvolvimento sustentável e defesa.

Após almoço oferecido pelo presidente da Indonésia, Lula continua a tarde em Jacarta, onde participará do encerramento de um fórum empresarial com representantes dos dois países. Apenas entre os brasileiros, estão sendo esperados cerca de 100 empresários. Na sexta-feira (24), o presidente tem encontro marcado com o secretário-geral da Asean, o cambojano Kao Kim Hourn. A sede da entidade fica na capital da Indonésia. À tarde, Lula embarca para Kuala Lumpur, na Malásia.

Asean e Honoris Causa

Na Malásia, a programação de Lula começa sábado (25), com a visita oficial ao país e reunião com o primeiro-ministro malaio Anwar Ibrahim. Os dois líderes vêm desenvolvendo uma aproximação política nos últimos anos, especialmente por compartilharem visões comuns em temas globais como a questão Palestina, a guerra na Ucrânia, o combate à fome e a necessidade de reforma no sistema de governança global.

“O que é interessante notar é que já  somos um parceiro comercial da Malásia de longa data, tradicional, mas nunca tínhamos chegado no ponto de elevar essa parceria para um nível que fosse, digamos, mais político, mais visível politicamente. Então, a viagem à Malásia agora é uma afirmação de que estamos ampliando a nossa presença, estamos com voz ativa e interesses concretos num país que é central na dinâmica de crescimento da região do Sudeste Asiático, uma das mais dinâmicas economicamente deste século”, argumentou o embaixador Everton Frask Lucero.

Na parte de cooperação bilateral, Brasil e Malásia devem assinar memorandos relacionados à produção de semicondutores, segmento em que o país asiático é uma potência, e também em outras matérias de ciência, tecnologia e energia renovável.

Ainda no próximo sábado (25), Lula receberá o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Nacional da Malásia, ocasião que um fará um discurso sobre a visão brasileira das relações sociais, culturais e políticas com a Ásia.

No domingo (26), o presidente participa da sessão de abertura da 47ª Cúpula da Asean, na parte da manhã, horário local. Nesse dia, ele deve participar de dois eventos com empresários brasileiros e malaios e outro com o fórum de empresários da Asean. 

Encontros bilaterais

O período da tarde deste dia está reservado para encontros bilaterais com outros líderes. Até o momento, só há a confirmação da reunião com Narendra Modi, da Índia, mas outros encontros deverão ser confirmados. 

Há ainda a expectativa de uma possível reunião, nesse dia, entre Lula e Trump, em meio a tratativas de reaproximação entre o Brasil e os Estados Unidos desde a imposição de tarifas comerciais pelo governo norte-americano, em agosto. Trump é um dos líderes estrangeiros aguardados na Cúpula da Asean e da Cúpula do Leste Asiático, que ocorrerá em seguida.

A viagem de Lula prossegue na segunda-feira (27), com a participação do presidente na 20ª Cúpula do Leste Asiático, a EAS (na sigla em inglês), também em Kuala Lumpur. Nesse encontro, ele fará um discurso aos demais líderes presentes.

A EAS é um fórum que reúne 18 países da Ásia e da Oceania, incluindo os membros da própria Asean, além da Rússia, dos EUA, da Coreia do Sul, Austrália, Índia, China, do Japão e da Nova Zelândia. Os encontros costumam ser anuais, normalmente após as cúpulas da Asean.

FONTE: Agência Brasil
IMAGEM: Valter Campanato/Agência Brasil

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