Comércio Exterior

União Europeia endurece regras para importação de aço e confirma tarifa de 50% sobre excedentes

A União Europeia oficializou nesta terça-feira (30) um novo conjunto de regras para a importação de aço, ampliando a proteção ao setor siderúrgico do bloco. A decisão, anunciada pela Comissão Europeia, reduz significativamente o volume de produtos que poderão entrar no mercado europeu sem incidência de tarifas e estabelece uma cobrança de 50% sobre as importações que ultrapassarem os limites definidos.

Segundo o órgão, a medida faz parte da estratégia para fortalecer a indústria siderúrgica, enfrentar a concorrência internacional e elevar o uso da capacidade produtiva das usinas, atualmente em torno de 65%, para 80%.

Cotas de importação serão reduzidas em 47%

Com as novas regras, o volume anual de aço que poderá ser importado sem tarifas cairá 47%, passando para 18,3 milhões de toneladas.

Caso esse limite seja excedido, será aplicada uma tarifa de 50% sobre o volume adicional em 26 categorias de produtos siderúrgicos, substituindo o modelo anterior, que previa uma taxa de 25% sobre as importações acima das cotas.

Países com acordo comercial terão tratamento diferenciado

A Comissão Europeia informou que metade das cotas será destinada aos países que possuem acordos de livre comércio com o bloco. A parcela restante ficará disponível para todos os parceiros comerciais, incluindo esses mesmos países.

Além disso, diversos exportadores contarão com cotas individuais, calculadas com base no histórico de vendas para o mercado europeu. Segundo a Comissão, essa metodologia permitirá que a maioria dos países parceiros enfrente uma redução de acesso inferior ao corte médio de 47%.

O órgão também destacou que um número expressivo de parceiros comerciais já manifestou concordância provisória com o novo sistema de distribuição das cotas.

Medida responde à sobreoferta global de aço

As novas regras detalham uma decisão anunciada pela União Europeia em abril e têm como objetivo conter os efeitos da sobreoferta global de aço, considerada um dos principais desafios para a competitividade da indústria europeia.

De acordo com a Comissão, o setor perdeu aproximadamente 100 mil empregos desde 2008 e, sem mecanismos de proteção comercial, a tendência seria de continuidade na redução da produção.

Principais fornecedores e mudança nas salvaguardas

Em 2025, os maiores fornecedores de aço para a União Europeia foram Turquia, Coreia do Sul, Indonésia, China, Índia, Ucrânia e Taiwan.

Até esta terça-feira (30), vigorava um sistema de salvaguardas criado durante o primeiro mandato do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que aplicava uma tarifa de 25% sobre as importações acima das cotas. Com a entrada em vigor das novas regras, esse modelo é substituído pelo regime atualizado anunciado pela Comissão Europeia.

FONTE: G1
TEXTO: Redação
IMAGEM: Antoine Schibler/Unsplash

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Comércio Exterior

China amplia controle de exportações e inclui 20 empresas japonesas em lista de restrições

O governo da China anunciou a inclusão de 20 empresas e instituições do Japão em sua lista de controle de exportações. A decisão, divulgada na segunda-feira (29) pelo Ministério do Comércio chinês, impede que exportadores do país forneçam produtos de duplo uso — com aplicações civis e militares — às entidades atingidas.

De acordo com o ministério, a medida tem como objetivo proteger a segurança nacional, resguardar interesses estratégicos e cumprir compromissos internacionais relacionados à não proliferação de armas. As autoridades chinesas afirmam que as organizações incluídas na lista estariam envolvidas no fortalecimento da capacidade militar japonesa.

Subsidiárias da Mitsubishi estão entre as entidades afetadas

Entre os alvos das novas restrições estão diversas subsidiárias do Grupo Mitsubishi, além de centros de pesquisa ligados à área de defesa. Um dos institutos mencionados é o Instituto Nacional de Estudos de Defesa, considerado estratégico para o setor militar japonês.

Tensão entre China e Japão ganha novo capítulo

A decisão amplia uma série de medidas adotadas por Pequim ao longo deste ano. Anteriormente, o governo chinês já havia restringido a exportação de minerais críticos e de outros materiais com potencial de uso militar para grandes empresas japonesas.

O endurecimento das restrições ocorre em meio ao aumento das tensões entre os dois países, especialmente após declarações da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, sobre a possibilidade de uma ação militar chinesa contra Taiwan.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Kiyoshi Ota/Reuters

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Comércio Exterior

Duimp supera 80% das importações e acelera modernização do comércio exterior brasileiro

A modernização do comércio exterior brasileiro segue avançando com a ampliação do Novo Processo de Importação (NPI). Durante a 14ª reunião do Comitê Nacional de Facilitação do Comércio (Confac), realizada na segunda-feira (29), foi destacado que a Declaração Única de Importação (Duimp) já é utilizada em mais de 80% das operações de importação registradas no país, consolidando a transformação digital promovida pelo Portal Único de Comércio Exterior.

O encontro reuniu representantes da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), da Receita Federal e de outros órgãos que integram o colegiado para avaliar o andamento das ações voltadas à simplificação, integração e maior eficiência das operações de comércio exterior.

Novo Processo de Importação amplia digitalização e reduz burocracia

A implementação gradual do Novo Processo de Importação continua substituindo a tradicional Declaração de Importação (DI) pela Duimp, modelo que centraliza informações em um único registro e promove o compartilhamento de dados entre os órgãos governamentais envolvidos nas operações. Segundo o Confac, a adoção da Duimp já ultrapassa 80% das importações realizadas no Brasil, refletindo ganhos em agilidade, redução de etapas burocráticas e maior integração entre os sistemas públicos.

Outro avanço apresentado foi a expansão do uso do módulo de Gestão de Riscos (GR) do Portal Único pelos órgãos anuentes. A ferramenta permite análises mais precisas, direcionando fiscalizações com base em critérios de risco e tornando mais eficiente a aplicação dos recursos públicos.

O acompanhamento da implementação do NPI permanece sob responsabilidade do Subcomitê de Cooperação do Confac, que reúne representantes dos órgãos envolvidos para monitorar a evolução do projeto, identificar desafios operacionais e alinhar as próximas etapas da implantação.

COLFACs ganham protagonismo na facilitação do comércio

Durante a reunião, os participantes também discutiram o fortalecimento das Comissões Locais de Facilitação do Comércio (COLFACs), consideradas fundamentais para aproximar as demandas regionais das estratégias nacionais de comércio exterior. A proposta é ampliar a integração entre as iniciativas desenvolvidas nos estados, incentivando o compartilhamento de boas práticas, a troca de experiências e o acompanhamento dos resultados alcançados pelas comissões locais.

Como encaminhamento, foi debatida a ampliação da atuação da Secretaria-Executiva do Confac no monitoramento das atividades das COLFACs, complementando o trabalho já realizado pela Receita Federal e promovendo maior coordenação entre as ações regionais e nacionais.

Outro destaque da reunião foi a apresentação do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) sobre os resultados do workshop de Gestão Coordenada de Fronteiras. A iniciativa promoveu a troca de experiências entre instituições responsáveis pelos controles aduaneiros e de fronteira, reforçando mecanismos de integração e alinhando o Brasil às melhores práticas internacionais em facilitação do comércio.

Papel do Confac

Vinculado à Câmara de Comércio Exterior (Camex), o Comitê Nacional de Facilitação do Comércio (Confac) coordena ações voltadas à simplificação e harmonização dos procedimentos do comércio exterior brasileiro.

O colegiado reúne diversos órgãos públicos para desenvolver políticas e soluções que tornem o ambiente de negócios mais eficiente, previsível e competitivo, fortalecendo a integração institucional e a competitividade do país no cenário internacional.

Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

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Comércio Exterior

Acordo Mercosul-Coreia do Sul segue travado e enfrenta resistência para avançar

O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a Coreia do Sul continua distante de uma conclusão, apesar do interesse demonstrado pelo país asiático em retomar as negociações. Considerada uma das iniciativas estratégicas para ampliar mercados e diversificar parceiros comerciais, a proposta enfrenta obstáculos internos e não deve registrar avanços significativos no curto prazo.

As tratativas estão praticamente paralisadas desde 2019, principalmente devido à falta de consenso entre segmentos da indústria brasileira, que demonstram preocupação com os possíveis impactos da abertura comercial.

Consulta pública avalia cenário para futuras negociações

Em abril deste ano, o governo federal abriu uma consulta pública para reunir contribuições sobre potenciais acordos comerciais internacionais. As manifestações recebidas estão sendo analisadas pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), que deverá apresentar suas conclusões nos próximos meses.

Até o momento, a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não sinalizou autorização para a retomada formal das negociações com os sul-coreanos.

Indústria teme aumento da concorrência de produtos coreanos

Um dos principais pontos de resistência envolve a possível ampliação da entrada de produtos manufaturados sul-coreanos no mercado brasileiro. Representantes da indústria avaliam que a elevada competitividade da economia asiática pode pressionar empresas nacionais e ampliar a concorrência em diversos setores.

Nos bastidores, integrantes do governo reconhecem que qualquer avanço dependerá da construção de um entendimento mais amplo com o setor privado, considerado peça-chave para viabilizar o acordo.

Embora as negociações oficiais estejam suspensas, Brasil e Coreia do Sul mantêm conversas técnicas voltadas à identificação de barreiras comerciais e possíveis entraves que precisariam ser solucionados antes de uma retomada formal das discussões.

Barreiras sanitárias também dificultam entendimento

Outro tema sensível nas negociações envolve o acesso de produtos agropecuários ao mercado sul-coreano. A Coreia do Sul mantém exigências sanitárias rigorosas para a importação de carnes, o que limita as exportações dos países do Mercosul.

Para Brasil, Argentina e Uruguai, a ampliação desse acesso é considerada fundamental. Avaliações dentro do bloco apontam que um acordo dificilmente avançará sem algum tipo de flexibilização dessas restrições.

Ao mesmo tempo, produtores rurais sul-coreanos também demonstram preocupação com o aumento da concorrência de produtos agrícolas vindos da América do Sul, cenário semelhante ao observado durante as negociações entre o Mercosul e a União Europeia.

Cenário global pode estimular retomada das conversas

Apesar das dificuldades, o governo brasileiro acredita que as mudanças recentes no comércio internacional podem criar condições mais favoráveis para uma aproximação futura.

Após o aumento das tensões comerciais provocado pelas políticas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos, diversos países passaram a buscar novos mercados e parceiros estratégicos. Nesse contexto, a expectativa é que a Coreia do Sul amplie seu interesse por acordos que reduzam a dependência de mercados tradicionais.

Mercosul amplia agenda de acordos internacionais

Nos últimos anos, o Mercosul intensificou as negociações com diversos países e blocos econômicos. Atualmente, estão em pauta tratativas com Canadá, Indonésia, México, Vietnã, Emirados Árabes Unidos, Líbano, Índia e a própria Coreia do Sul.

Diplomatas brasileiros avaliam que a conclusão de novos acordos pode aumentar a competitividade do bloco e ampliar sua participação no comércio internacional.

Para 2026, no entanto, as prioridades do Mercosul estão concentradas na conclusão das negociações com Canadá e Emirados Árabes Unidos.

Indústria vê negociações com países asiáticos com cautela

Segundo Constanza Biasutti, gerente de Comércio e Integração Internacional da Confederação Nacional da Indústria (CNI), ainda não existe consenso entre os setores industriais brasileiros para apoiar um acordo amplo com a Coreia do Sul.

Ela destaca que o alto grau de desenvolvimento industrial das economias asiáticas gera preocupações adicionais para a indústria nacional, especialmente em negociações que envolvem ampla liberalização comercial.

De acordo com a representante da CNI, acordos parciais costumam encontrar menor resistência, já que permitem selecionar setores e produtos específicos. Já tratados mais abrangentes exigem a abertura de grande parte do comércio bilateral, aumentando as preocupações de segmentos considerados mais vulneráveis à concorrência externa.

Japão encontra ambiente mais favorável

Enquanto as negociações com a Coreia do Sul enfrentam obstáculos, as consultas realizadas sobre um eventual acordo com o Japão têm apresentado receptividade mais positiva entre representantes da indústria brasileira.

Ainda assim, especialistas ressaltam que qualquer avaliação definitiva dependerá do início formal das negociações e da definição dos temas prioritários para cada uma das partes envolvidas.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Comércio Exterior

Leite em pó: Argentina prepara ação na OMC contra medidas antidumping do Brasil

A aplicação de medidas antidumping pelo Brasil sobre o leite em pó importado da Argentina e do Uruguai pode gerar um novo capítulo nas relações comerciais do Mercosul. O governo argentino estuda levar o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC), questionando a legalidade e os critérios utilizados na investigação conduzida pelas autoridades brasileiras.

A decisão foi oficializada pela Câmara de Comércio Exterior (Camex) em 29 de maio, estabelecendo a cobrança de direito antidumping por até cinco anos. Apesar disso, a medida permanece temporariamente suspensa enquanto o governo avalia possíveis impactos sobre a inflação.

Retaliações comerciais também estão em análise

Além do acionamento da OMC, autoridades argentinas avaliam outras respostas comerciais ao Brasil. Segundo fontes ligadas às negociações, a medida brasileira pode afetar acordos em andamento entre os dois países e provocar uma revisão de decisões anteriormente favoráveis ao comércio bilateral.

Entre as alternativas estudadas está a retomada da sobretaxa aplicada sobre a importação de talheres de aço inoxidável brasileiros, suspensa em 2024 após solicitação do governo brasileiro. Na época, a tarifa adicional de 47% atingia fabricantes nacionais do setor.

As possíveis medidas estão sendo analisadas pelos ministérios da Economia e das Relações Exteriores da Argentina.

Exportações de leite têm peso estratégico para a Argentina

A reação argentina está diretamente relacionada à importância do setor lácteo para sua balança comercial. O Brasil é atualmente o principal comprador do leite em pó argentino, utilizado principalmente pela indústria alimentícia.

Os embarques do produto para o mercado brasileiro movimentam centenas de milhões de dólares por ano, tornando o segmento uma das principais fontes de receita das exportações agroindustriais argentinas.

Autoridades do país vizinho argumentam que a relação comercial entre as duas nações já é desfavorável à Argentina, especialmente devido à forte presença de produtos brasileiros de maior valor agregado, como veículos.

Questionamentos sobre os critérios da investigação

Na contestação que pretende apresentar à OMC, a Argentina deverá concentrar seus argumentos nos critérios técnicos adotados pelo Brasil durante a investigação antidumping.

Representantes do governo argentino consideram que houve falhas na metodologia utilizada para comparar os produtos analisados e afirmam que a decisão pode abrir precedentes para interpretações divergentes em futuras disputas comerciais.

O Uruguai, que também foi atingido pelas medidas, acompanha o caso e avalia a possibilidade de adotar medidas semelhantes perante os organismos internacionais.

Caso amplia tensões diplomáticas entre Brasil e Argentina

O episódio ocorre em um momento de distanciamento político entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Javier Milei. Diplomatas dos dois países avaliam que a disputa comercial pode dificultar o andamento de negociações técnicas que vinham sendo conduzidas de forma relativamente estável.

Segundo interlocutores envolvidos nas discussões, decisões com forte impacto econômico tendem a aumentar a pressão sobre as relações diplomáticas e comerciais entre os parceiros do Mercosul.

Divergências surgem após acordo entre Mercosul e União Europeia

O impasse envolvendo o leite em pó ocorre poucos dias após outro atrito comercial dentro do Mercosul. A distribuição das cotas agrícolas previstas no acordo entre o bloco sul-americano e a União Europeia gerou disputas entre os países membros.

Utilizando o sistema “First-In, First-Out” (FIFO), Argentina e Uruguai registraram rapidamente suas exportações e esgotaram as cotas com tarifa reduzida para produtos como arroz e ovos.

A situação limitou o acesso de exportadores brasileiros aos benefícios iniciais do acordo e evidenciou diferenças operacionais entre os países na implementação das novas regras comerciais.

No caso do arroz, a totalidade da cota anual destinada ao Mercosul foi preenchida logo nas primeiras semanas de vigência do tratado. Já no segmento de ovos, produtores argentinos conseguiram ocupar integralmente a cota disponível para exportação ao mercado europeu, fortalecendo a posição do país no comércio internacional desses produtos.

FONTE: UOL
TEXTO: Redação
IMAGEM: Qu1m/Flickr/Creative Commons

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Comércio Exterior

Cota chinesa para carne bovina brasileira pode atingir 94,5% já em junho

A cota de exportação de carne bovina para a China pode alcançar 94,5% de ocupação até o fim de junho, segundo projeção da Terra Investimentos. O levantamento indica que o espaço restante dentro do limite anual estabelecido pelo governo chinês está cada vez mais restrito, o que aumenta a atenção do mercado para os próximos embarques.

De acordo com a análise, considerando a carne já desembaraçada nos portos chineses e os carregamentos atualmente em trânsito, restariam apenas cerca de 60,3 mil toneladas disponíveis dentro da cota autorizada para 2026.

Exportações brasileiras avançam rapidamente

A China definiu para este ano uma cota de importação de 1,106 milhão de toneladas de carne bovina brasileira. Dados da Administração Geral das Alfândegas da China (GACC) mostram que, até maio, 723,8 mil toneladas já haviam sido liberadas no país asiático, representando 65,4% do total permitido.

Para estimar o preenchimento da cota, a Terra Investimentos também considerou informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) referentes aos embarques realizados pelo Brasil.

Segundo os cálculos, aproximadamente 153,9 mil toneladas exportadas em maio devem chegar ao mercado chinês entre junho e julho. Já os embarques previstos para junho, estimados em 168 mil toneladas, devem ser recebidos entre julho e agosto.

Pipeline logístico compromete quase toda a cota anual

Ao somar o volume já internalizado pela China com as cargas embarcadas e em trânsito, o montante comprometido alcança cerca de 1,045 milhão de toneladas.

Isso significa que aproximadamente 94,5% da cota anual de importação chinesa já estaria ocupada até o encerramento de junho, reduzindo significativamente a margem para novos embarques dentro das condições tarifárias atuais.

Mercado acompanha possível esgotamento da cota

De acordo com Geraldo Isoldi, analista da Mesa Agro da Terra Investimentos, o ritmo das exportações aponta para um rápido consumo do volume disponível.

A projeção da instituição indica que o limite poderá ser totalmente preenchido entre os dias 12 e 14 de julho nos portos brasileiros. Considerando o tempo médio de viagem de cerca de 45 dias entre Brasil e China, essas cargas chegariam ao destino entre o final de agosto e o início de setembro.

Tarifas adicionais podem impactar negócios

O avanço acelerado da ocupação da cota é acompanhado de perto por frigoríficos, exportadores e importadores chineses. Isso porque as compras realizadas após o esgotamento do limite estabelecido ficam sujeitas a tarifas adicionais, o que pode alterar estratégias comerciais e decisões de aquisição nos próximos meses.

Além disso, a evolução dos embarques durante julho e agosto será determinante para confirmar a data exata de saturação da cota e avaliar os possíveis reflexos sobre o fluxo de comércio entre Brasil e China, um dos principais mercados da proteína bovina mundial.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN Brasil

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Comércio Exterior

Guerra comercial impulsiona empresas brasileiras a buscar novos mercados no exterior

A intensificação da guerra comercial iniciada pelo governo dos Estados Unidos tem levado empresas brasileiras a acelerar a busca por novos destinos para seus produtos. O movimento já reflete nos números do comércio exterior: em 2025, o Brasil registrou recordes de exportação para 42 países, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Entre os mercados que alcançaram volumes históricos de compras de produtos brasileiros estão Canadá, Índia, Turquia, Paraguai, Uruguai, Bangladesh, Filipinas, Panamá, Paquistão e Noruega. A expectativa é que essa tendência se fortaleça nos próximos anos com a ampliação dos acordos comerciais firmados pelo país.

Empresas revisam estratégias para ampliar presença internacional

O cenário de mudanças nas políticas comerciais globais e o aumento das tensões geopolíticas têm levado empresas a repensar suas estratégias de exportação.

Segundo especialistas ligados ao setor, a diversificação de mercados já faz parte da cultura de muitas empresas brasileiras, mas o ambiente internacional atual tornou essa prática ainda mais necessária para reduzir riscos e ampliar oportunidades de negócios.

A busca por novos parceiros comerciais também tem incentivado governos e entidades empresariais a adotar uma postura mais pragmática nas negociações internacionais.

Novos acordos ampliam alcance do comércio exterior brasileiro

O avanço das negociações comerciais tem sido apontado como um dos reflexos da necessidade de ampliar mercados para os produtos brasileiros.

Recentemente, o Congresso Nacional aprovou dois acordos firmados pelo Mercosul: um com Singapura e outro com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), bloco formado por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein.

Com esses novos tratados, a parcela do comércio brasileiro coberta por acordos internacionais passou de 12% para 31%, ampliando significativamente o acesso das empresas nacionais a mercados estratégicos.

Mercosul negocia novas parcerias com Canadá, Japão e países asiáticos

A expansão da rede de acordos comerciais deve continuar nos próximos anos.

O Mercosul mantém negociações com o Canadá, que ganhou relevância entre os destinos das exportações brasileiras, além de tratativas em andamento com Emirados Árabes Unidos, Indonésia, Líbano e Vietnã.

Também está em discussão a abertura de negociações entre Mercosul e Japão, tema debatido recentemente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pela primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi. O anúncio oficial das conversas poderá ocorrer durante a próxima cúpula do bloco sul-americano.

Paralelamente, o Brasil busca ampliar acordos já existentes com Índia e México, considerados mercados estratégicos para o crescimento das exportações.

Singapura e EFTA oferecem oportunidades além dos grandes números

Embora as exportações brasileiras para Singapura e os países da EFTA sejam fortemente concentradas em petróleo e combustíveis, autoridades do comércio exterior destacam que a pauta exportadora é mais diversificada do que os números gerais sugerem.

Das cerca de 8 mil categorias de produtos exportadas pelo Brasil em 2025, aproximadamente 2,5 mil foram vendidas para Singapura e 2.280 chegaram aos países da EFTA.

Esse cenário indica potencial para ampliar a presença de empresas brasileiras, especialmente dos setores industrial e de produtos com maior valor agregado.

Impacto econômico dos acordos pode gerar bilhões em investimentos

Estudos do governo apontam que os novos acordos comerciais podem trazer benefícios relevantes para a economia brasileira.

No caso de Singapura, considerada uma porta de entrada para o dinâmico mercado do Sudeste Asiático, a previsão é de um impacto positivo de R$ 28 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) até 2040. Além disso, os investimentos podem crescer R$ 11 bilhões e o fluxo comercial aumentar cerca de R$ 40 bilhões.

Já o acordo com a EFTA poderá acrescentar R$ 2,69 bilhões ao PIB brasileiro, estimular R$ 660 milhões em investimentos e elevar as exportações em R$ 3,34 bilhões.

As projeções reforçam o apoio recebido pelos acordos junto ao setor industrial, que vê nos tratados uma oportunidade para ampliar negócios e atrair novos investimentos.

Setor produtivo defende regras rígidas para evitar triangulação comercial

Apesar do apoio aos acordos, representantes da indústria defendem mecanismos de controle para impedir a chamada triangulação comercial.

A preocupação é que produtos fabricados em terceiros países utilizem Singapura como rota de acesso ao Mercosul, aproveitando vantagens tarifárias sem cumprir os critérios de origem estabelecidos nos tratados.

Especialistas também destacam que as relações comerciais internacionais envolvem não apenas fatores econômicos, mas aspectos políticos e estratégicos. O tema ganha ainda mais relevância em um contexto de eleições e de redefinição das políticas comerciais em grandes economias globais.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Agência Brasil

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Comércio Exterior

Corrente de comércio do Brasil alcança US$ 43,6 bilhões até a terceira semana de junho

A corrente de comércio brasileira atingiu US$ 43,6 bilhões até a terceira semana de junho de 2026, impulsionada pelo crescimento das exportações e pela manutenção de um forte superávit na balança comercial. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (22) pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Somente na terceira semana de junho, o país registrou um saldo positivo de US$ 3,1 bilhões. No período, as exportações somaram US$ 9,3 bilhões, enquanto as importações alcançaram US$ 6,3 bilhões. Com isso, a corrente de comércio da semana chegou a US$ 15,58 bilhões.

Exportações acumulam US$ 25,6 bilhões em junho

No acumulado do mês até a terceira semana, as exportações brasileiras totalizaram US$ 25,6 bilhões. Já as importações atingiram US$ 18 bilhões, resultando em um superávit comercial de US$ 7,6 bilhões.

O desempenho positivo também elevou a corrente de comércio mensal para US$ 43,6 bilhões, reforçando o ritmo de crescimento das transações internacionais do país.

Resultado do ano supera US$ 308 bilhões em comércio exterior

De janeiro até a terceira semana de junho, as exportações brasileiras chegaram a US$ 174,1 bilhões, enquanto as importações somaram US$ 133,9 bilhões.

Com esses números, o saldo da balança comercial acumulado em 2026 alcançou US$ 40,3 bilhões. Já a corrente de comércio exterior atingiu US$ 308,1 bilhões no período.

Média diária das exportações cresce 26%

Na comparação entre a média diária das exportações até a terceira semana de junho de 2026 e a registrada em junho de 2025, houve crescimento de 26%.

A média diária passou de US$ 1,451 bilhão para US$ 1,828 bilhão. As importações também apresentaram avanço, com alta de 10,7%, saindo de US$ 1,158 bilhão para US$ 1,283 bilhão na mesma base de comparação.

A média diária da corrente de comércio alcançou US$ 3,11 bilhões até a terceira semana do mês, enquanto o saldo médio diário ficou em US$ 545,4 milhões. Em relação a junho do ano passado, o crescimento da corrente de comércio foi de 19,2%.

Agropecuária, indústria extrativa e transformação impulsionam exportações

Entre os setores exportadores, a agropecuária registrou aumento de US$ 75,68 milhões na média diária, avanço de 21,9% frente ao mesmo período de 2025.

A indústria extrativa apresentou o maior crescimento percentual, com expansão de 70,3%, equivalente a US$ 220,17 milhões. Já os produtos da indústria de transformação avançaram 10%, com incremento de US$ 79,01 milhões.

Importações avançam na indústria e recuam na agropecuária

No lado das importações, a indústria extrativa registrou crescimento de 11,6% na média diária, o que representa aumento de US$ 5,48 milhões.

Os produtos da indústria de transformação também tiveram desempenho positivo, com alta de 11% e acréscimo de US$ 118,77 milhões. Em contrapartida, a agropecuária apresentou leve retração de 0,8%, equivalente a US$ 0,18 milhão.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Magnific

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Comércio Exterior

Comércio Brasil-Argentina movimenta US$ 31 bilhões e amplia oportunidades para exportadores brasileiros

O intercâmbio comercial entre Brasil e Argentina alcançou aproximadamente US$ 31 bilhões em 2025, consolidando o país vizinho como um dos principais parceiros econômicos do Brasil. Os dados fazem parte do novo Perfil de Comércio e Investimentos – Argentina, divulgado pela ApexBrasil, que destaca o fortalecimento da integração regional e o crescimento das oportunidades para empresas brasileiras.

Atualmente, a Argentina ocupa a posição de terceiro maior destino das exportações brasileiras no mundo e segue como o principal parceiro comercial do Brasil dentro do Mercosul.

Economia argentina em recuperação favorece exportações

Segundo o levantamento, a economia argentina registrou crescimento de 4,4% em 2025, impulsionada principalmente pelos setores agropecuário, energético e mineral.

A retomada da atividade econômica tem aumentado a demanda por produtos importados, criando um ambiente favorável para a expansão dos negócios brasileiros no mercado argentino. O cenário fortalece a presença de empresas nacionais que buscam ampliar suas vendas internacionais com vantagens logísticas e tarifárias proporcionadas pela proximidade regional.

Exportações brasileiras crescem mais de 30%

As vendas do Brasil para a Argentina somaram US$ 18,1 bilhões em 2025, representando um avanço de 31,4% em relação ao ano anterior.

O desempenho reforça a posição do Brasil como principal fornecedor do mercado argentino, respondendo por 24,3% das importações do país, à frente de grandes economias globais como China e Estados Unidos.

Setor automotivo lidera a pauta comercial

O segmento automotivo continua sendo o principal elo produtivo entre os dois países e lidera as exportações brasileiras para a Argentina.

Entre os produtos com maior participação estão:

  • Veículos de passeio;
  • Caminhões e veículos de carga;
  • Autopeças;
  • Motores automotivos.

Além do setor automotivo, a indústria brasileira também mantém forte presença em áreas de maior valor agregado, incluindo máquinas industriais, equipamentos elétricos, papel, cartão e maquinário agrícola.

ApexBrasil identifica mais de 1.900 oportunidades de negócios

O estudo aponta um amplo potencial de expansão para empresas brasileiras interessadas no mercado argentino. O Mapa de Oportunidades da ApexBrasil identificou mais de 1.900 possibilidades comerciais para exportadores nacionais.

As oportunidades estão concentradas em segmentos nos quais o Brasil possui elevada competitividade, como:

  • Produtos químicos;
  • Bens manufaturados;
  • Máquinas e equipamentos;
  • Equipamentos de transporte.

O levantamento também destaca espaço para crescimento em áreas como equipamentos médicos, fertilizantes, instrumentos industriais, insumos produtivos e produtos tecnológicos.

Mercosul garante vantagens competitivas para empresas brasileiras

Um dos principais fatores que favorecem o comércio bilateral é a estrutura institucional do Mercosul.

O bloco assegura benefícios tarifários para grande parte dos produtos brasileiros exportados à Argentina, reduzindo custos e ampliando a competitividade das empresas nacionais. Além disso, diversos produtos industriais operam sob regimes específicos que proporcionam maior previsibilidade e estabilidade nas relações comerciais.

Investimentos bilaterais também avançam

A integração entre os dois países não se limita ao comércio de mercadorias. Os investimentos bilaterais também registram crescimento expressivo.

Em 2024, o estoque de investimentos argentinos no Brasil alcançou US$ 2,2 bilhões, avanço de 155,6% em comparação ao ano anterior. Os recursos estão concentrados principalmente nos setores de varejo, indústria, serviços e cadeias ligadas ao segmento automotivo e agroindustrial.

Por outro lado, o Brasil permanece entre os principais investidores estrangeiros na Argentina, com estoque acumulado de aproximadamente US$ 8,6 bilhões distribuídos em diversos setores produtivos da economia.

Mercado argentino segue estratégico para empresas brasileiras

Com a recuperação econômica da Argentina, a ampliação das exportações e as vantagens proporcionadas pelo Mercosul, o mercado argentino continua sendo uma das principais portas de entrada para empresas brasileiras que desejam expandir sua presença internacional.

A combinação de proximidade geográfica, integração produtiva e acordos comerciais fortalece as perspectivas de crescimento para exportadores, cooperativas e indústrias nacionais nos próximos anos.

FONTE: apexBrasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/apexBrasil

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Comércio Exterior

Tarifas dos EUA e Convenção da OIT acendem alerta para empresas brasileiras

As recentes investigações comerciais conduzidas pelos Estados Unidos contra o Brasil e a aprovação de uma nova convenção da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre plataformas digitais estiveram entre os principais assuntos debatidos durante reunião do Conselho Superior de Relações do Trabalho (Cort), da Fiesp, realizada na última quarta-feira (17).

Um dos focos da discussão foi o avanço das apurações norte-americanas que analisam práticas brasileiras em áreas como comércio digital, propriedade intelectual, mercado de etanol, combate à corrupção e ações de preservação ambiental. Mesmo após manifestações do governo brasileiro e de representantes do setor produtivo, a avaliação preliminar dos EUA manteve os questionamentos e indicou a possibilidade de uma tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros.

Risco de sobretaxas preocupa setor produtivo

Outra investigação em andamento trata do enfrentamento ao trabalho forçado. Nesse caso, a análise norte-americana vai além da legislação vigente e considera também os mecanismos de monitoramento e controle das cadeias produtivas. A medida pode resultar em uma sobretaxa de 12,5% para mercadorias exportadas pelo Brasil.

A preocupação do setor empresarial cresce diante da relevância do mercado americano para a economia nacional. Atualmente, os Estados Unidos figuram entre os principais destinos das exportações brasileiras de maior valor agregado e também estão entre os maiores investidores estrangeiros no país.

Segundo a gerente de Política Comercial da CNI, Constanza Negri Biasutti, o maior desafio está na possível combinação das duas medidas tarifárias, o que aumentaria significativamente os custos para empresas que atuam no mercado norte-americano.

Nesse contexto, ela destaca a importância de fortalecer práticas de compliance, ampliar a rastreabilidade dos processos produtivos e investir em mecanismos de governança corporativa, além de manter o diálogo institucional com autoridades dos Estados Unidos.

Nova Convenção da OIT exige atenção das empresas

Durante o encontro, também foi analisada a recém-aprovada Convenção nº 193 da OIT, considerada o primeiro instrumento internacional voltado à regulamentação do trabalho em plataformas digitais.

O conselheiro do Cort, Jorge Matsumoto, destacou que a futura incorporação da norma ao ordenamento jurídico brasileiro deverá ser acompanhada com atenção pelas empresas. Entre os pontos que podem gerar impacto estão a classificação dos trabalhadores, os custos operacionais e os aspectos relacionados à segurança jurídica.

Regulamentação deve buscar equilíbrio entre proteção e inovação

Matsumoto, que participou da conferência da OIT realizada em Genebra entre os dias 1º e 12 de junho, ressaltou que a convenção não impõe vínculo empregatício automático aos trabalhadores de plataformas e preserva a autonomia dos países para definir seus próprios modelos regulatórios.

Na avaliação do especialista, o principal desafio será desenvolver uma regulamentação equilibrada, capaz de garantir proteção aos trabalhadores sem comprometer a inovação, a competitividade e o desenvolvimento sustentável das novas modalidades de trabalho.

FONTE: FIESP
TEXTO: Redação
IMAGEM: Everton Amaro/Fiesp

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