Comércio Exterior

Tarifas dos EUA e Convenção da OIT acendem alerta para empresas brasileiras

As recentes investigações comerciais conduzidas pelos Estados Unidos contra o Brasil e a aprovação de uma nova convenção da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre plataformas digitais estiveram entre os principais assuntos debatidos durante reunião do Conselho Superior de Relações do Trabalho (Cort), da Fiesp, realizada na última quarta-feira (17).

Um dos focos da discussão foi o avanço das apurações norte-americanas que analisam práticas brasileiras em áreas como comércio digital, propriedade intelectual, mercado de etanol, combate à corrupção e ações de preservação ambiental. Mesmo após manifestações do governo brasileiro e de representantes do setor produtivo, a avaliação preliminar dos EUA manteve os questionamentos e indicou a possibilidade de uma tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros.

Risco de sobretaxas preocupa setor produtivo

Outra investigação em andamento trata do enfrentamento ao trabalho forçado. Nesse caso, a análise norte-americana vai além da legislação vigente e considera também os mecanismos de monitoramento e controle das cadeias produtivas. A medida pode resultar em uma sobretaxa de 12,5% para mercadorias exportadas pelo Brasil.

A preocupação do setor empresarial cresce diante da relevância do mercado americano para a economia nacional. Atualmente, os Estados Unidos figuram entre os principais destinos das exportações brasileiras de maior valor agregado e também estão entre os maiores investidores estrangeiros no país.

Segundo a gerente de Política Comercial da CNI, Constanza Negri Biasutti, o maior desafio está na possível combinação das duas medidas tarifárias, o que aumentaria significativamente os custos para empresas que atuam no mercado norte-americano.

Nesse contexto, ela destaca a importância de fortalecer práticas de compliance, ampliar a rastreabilidade dos processos produtivos e investir em mecanismos de governança corporativa, além de manter o diálogo institucional com autoridades dos Estados Unidos.

Nova Convenção da OIT exige atenção das empresas

Durante o encontro, também foi analisada a recém-aprovada Convenção nº 193 da OIT, considerada o primeiro instrumento internacional voltado à regulamentação do trabalho em plataformas digitais.

O conselheiro do Cort, Jorge Matsumoto, destacou que a futura incorporação da norma ao ordenamento jurídico brasileiro deverá ser acompanhada com atenção pelas empresas. Entre os pontos que podem gerar impacto estão a classificação dos trabalhadores, os custos operacionais e os aspectos relacionados à segurança jurídica.

Regulamentação deve buscar equilíbrio entre proteção e inovação

Matsumoto, que participou da conferência da OIT realizada em Genebra entre os dias 1º e 12 de junho, ressaltou que a convenção não impõe vínculo empregatício automático aos trabalhadores de plataformas e preserva a autonomia dos países para definir seus próprios modelos regulatórios.

Na avaliação do especialista, o principal desafio será desenvolver uma regulamentação equilibrada, capaz de garantir proteção aos trabalhadores sem comprometer a inovação, a competitividade e o desenvolvimento sustentável das novas modalidades de trabalho.

FONTE: FIESP
TEXTO: Redação
IMAGEM: Everton Amaro/Fiesp

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Comércio Exterior

Embargo à carne bovina brasileira entra na pauta de diálogo entre Brasil e União Europeia durante o G7

A suspensão das exportações de carne bovina brasileira para a União Europeia (UE) ganhou espaço nas discussões paralelas à cúpula do G7, realizada em Évian-les-Bains, na França. Representantes europeus e brasileiros buscam uma solução negociada para o impasse sanitário que poderá afetar o comércio entre as duas partes a partir de setembro.

O tema foi confirmado pelo presidente do Conselho Europeu, Antonio Costa, que destacou a importância do diálogo entre os envolvidos para superar divergências relacionadas às exigências sanitárias do bloco europeu.

União Europeia questiona padrões sanitários da carne brasileira

A controvérsia teve início após a Comissão Europeia retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar carne bovina para o mercado europeu. A decisão foi anunciada pouco depois do início da aplicação provisória do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia.

Segundo autoridades europeias, a medida está relacionada ao cumprimento das normas referentes ao uso de antimicrobianos na produção pecuária, requisito considerado essencial para o acesso ao mercado europeu.

Antonio Costa reforçou que o respeito aos padrões sanitários é indispensável e lembrou que as negociações estão sendo conduzidas pela Comissão Europeia, responsável pela execução das políticas do bloco.

Lula busca avanço nas negociações durante a cúpula

A expectativa do governo brasileiro é que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva trate do assunto diretamente com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, durante encontros realizados à margem do G7.

Embora o encontro bilateral ainda não tenha sido oficialmente confirmado, o embargo à carne brasileira é considerado uma das prioridades da agenda diplomática do Brasil durante o evento.

O país participa da reunião como convidado, apesar de não integrar o grupo formado por Estados Unidos, França, Alemanha, Reino Unido, Japão, Canadá e Itália.

Participação do Brasil é vista como estratégica

Para Antonio Costa, a presença brasileira no encontro reforça a relevância do país nos debates globais. Segundo ele, desafios como desequilíbrios macroeconômicos, desenvolvimento sustentável, inteligência artificial e cooperação internacional exigem participação ampla e articulação entre diferentes economias.

Esta é a décima vez que o Brasil participa de uma reunião de líderes do G7 como convidado.

Conflitos internacionais dominam a agenda do encontro

Além das negociações comerciais, a cúpula tem como foco principal as tensões geopolíticas internacionais. O conflito no Oriente Médio e a guerra na Ucrânia concentram boa parte das discussões entre os chefes de Estado.

Durante sua passagem pela França, Lula também se reuniu com o presidente francês Emmanuel Macron. Paralelamente, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, participou das atividades do encontro em meio às recentes movimentações diplomáticas relacionadas ao Oriente Médio.

Reabertura do Estreito de Ormuz mobiliza líderes mundiais

Um dos temas mais sensíveis debatidos durante a cúpula é a retomada da navegação no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo e mercadorias.

Autoridades internacionais acompanham os desdobramentos do acordo que encerrou o conflito envolvendo o Irã e discutem medidas para garantir a segurança marítima na região.

Macron afirmou que países europeus estudam apoiar operações para remover minas instaladas durante os confrontos e acelerar a normalização do tráfego marítimo. O líder francês também demonstrou preocupação com a possibilidade de cobrança de taxas adicionais para embarcações que utilizem a passagem, alertando para os impactos que a medida poderia gerar no comércio internacional.

Economia global e comércio exterior seguem no centro dos debates

Além dos conflitos geopolíticos, os líderes do G7 discutem temas ligados à economia global, segurança de cadeias produtivas, fornecimento de minerais críticos, comércio internacional e regulação digital.

Nesse cenário, a negociação entre Brasil e União Europeia sobre a carne bovina brasileira é vista como um dos temas relevantes para o futuro das relações comerciais entre o Mercosul e o bloco europeu.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Comércio Exterior

Webinar de comércio exterior discutirá drawback, reforma tributária e incentivos às exportações

Empresas que atuam no comércio exterior, incluindo exportadores, importadores e despachantes, terão a oportunidade de acompanhar debates sobre temas estratégicos para o setor durante o Webinar de Operações de Comércio Exterior, marcado para a próxima quinta-feira (18), das 9h às 12h.

O evento será transmitido ao vivo pelo canal do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) no YouTube e tem como objetivo promover a troca de informações entre governo e iniciativa privada.

Evento busca aproximar governo e operadores do mercado

A proposta do webinar é apresentar atualizações regulatórias, esclarecer dúvidas dos participantes e receber sugestões de profissionais que atuam diretamente nas operações de importação e exportação.

De acordo com a secretária de Comércio Exterior, Tatiana Prazeres, a interação entre o setor público e o setor produtivo é fundamental para fortalecer a presença do Brasil no mercado internacional.

Segundo ela, ouvir as demandas de empresas exportadoras e importadoras contribui para o aprimoramento das políticas públicas e para a construção de um ambiente de negócios mais competitivo diante das constantes mudanças do cenário global.

Programação abordará temas estratégicos para o comércio exterior

Entre os assuntos que estarão em pauta estão os procedimentos de controle administrativo econômico-comercial realizados por meio do Portal Único Siscomex, além das atualizações relacionadas aos regimes de drawback suspensão e drawback isenção.

O encontro também discutirá o Programa Acredita Exportação, iniciativa voltada ao fortalecimento das vendas externas brasileiras, e os efeitos da Reforma Tributária do Consumo sobre as operações de comércio internacional.

Mercosul-União Europeia também estará entre os destaques

Outro tema relevante será a operacionalização das cotas de importação e exportação previstas no acordo entre Mercosul e União Europeia, assunto que vem sendo acompanhado de perto pelo setor empresarial.

Segundo Renato Agostinho da Silva, diretor do Departamento de Operações de Comércio Exterior da Secex, o webinar amplia o diálogo já existente entre o governo federal e os operadores privados sobre questões consideradas prioritárias para o desenvolvimento do comércio exterior brasileiro.

Participação é aberta ao público

Embora seja direcionado principalmente a profissionais ligados às atividades de importação e exportação, o evento é aberto a todos os interessados.

Durante a transmissão, os participantes poderão encaminhar perguntas aos especialistas por meio de um QR Code que será disponibilizado na tela, permitindo interação em tempo real com os palestrantes.

A expectativa é que o encontro contribua para ampliar o conhecimento dos operadores sobre temas que impactam diretamente a competitividade das empresas brasileiras no mercado internacional.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/MDIC

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Comércio Exterior

Receita Federal abre consulta pública para modernizar regras do despacho aduaneiro de importação

A Receita Federal iniciou uma consulta pública para receber sugestões da sociedade sobre uma proposta de Instrução Normativa que pretende consolidar e atualizar as regras relacionadas ao despacho aduaneiro de importação de mercadorias no Brasil.

Proposta reúne normas em um único documento

O texto apresentado pelo órgão busca unificar, em uma única regulamentação, dispositivos atualmente distribuídos em diferentes normas. Entre elas, está a Instrução Normativa SRF nº 680, publicada em 2 de outubro de 2006, considerada uma das principais referências para os procedimentos de importação.

A iniciativa tem como objetivo tornar a legislação mais organizada, acessível e de fácil compreensão para empresas, profissionais e demais envolvidos nas operações de comércio exterior.

Atualização acompanha avanços do Portal Único e da Duimp

Além da consolidação das normas existentes, a proposta incorpora mudanças ligadas ao Portal Único de Comércio Exterior e à Declaração Única de Importação (Duimp).

Segundo a Receita Federal, as atualizações buscam ampliar a segurança jurídica, aumentar a transparência dos processos e garantir maior previsibilidade nas operações de importação de mercadorias.

Sociedade poderá enviar sugestões

A consulta pública está aberta à participação de pessoas físicas, empresas, entidades representativas e profissionais que atuam no setor de comércio exterior, além de qualquer cidadão interessado no tema.

As contribuições poderão ser enviadas entre os dias 18 de junho e 8 de julho de 2026, por meio da plataforma Brasil Participativo.

Como participar da consulta pública

Antes de encaminhar sugestões, a Receita Federal recomenda que os interessados consultem o material disponibilizado na plataforma. O conteúdo inclui a exposição de motivos da proposta e a minuta completa da nova Instrução Normativa, permitindo uma análise detalhada das mudanças sugeridas.

Acesse aqui a consulta pública.

FONTE: Receita Federal
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Receita Federal

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Comércio Exterior, Tecnologia

Blockchain ganha espaço no comércio exterior e promete mais segurança e transparência nas operações

Muito além das criptomoedas, a tecnologia blockchain começa a ganhar espaço no comércio exterior como uma ferramenta capaz de aumentar a confiabilidade das informações, integrar diferentes participantes da cadeia logística e tornar os processos mais eficientes.

De forma simples, o blockchain funciona como um grande livro de registros digital e compartilhado, no qual todas as transações ficam armazenadas em blocos interligados e protegidos contra alterações indevidas. Como as informações só podem ser modificadas com o consenso da rede, a tecnologia garante maior segurança, transparência e rastreabilidade para documentos, pagamentos e demais operações realizadas entre diferentes participantes. Baseado nesse sistema de registros compartilhados e validados, o blockchain permite que documentos e dados sejam acompanhados de forma segura desde a origem da operação até a entrega da mercadoria, reduzindo divergências, retrabalho e atrasos.

Para Mauro Marcelo Sperber dos Santos, CEO da Múltipla Assessoria, o grande diferencial da tecnologia está na construção de confiança entre todos os envolvidos. “O blockchain é uma ferramenta que gera confiança entre diferentes participantes de uma operação. No comércio exterior, onde informações e documentos circulam entre empresas, transportadores, bancos e órgãos governamentais, ter um ambiente seguro e transparente para compartilhar dados representa um avanço significativo em eficiência e segurança”, afirma.

O especialista destaca que o principal benefício está na confiabilidade das informações. Em vez de cada empresa manter controles isolados, todos os participantes passam a compartilhar registros validados, fortalecendo a rastreabilidade e a transparência das operações. “Em um setor como o logístico, onde tempo, previsibilidade e conformidade são fatores críticos, o blockchain aumenta a segurança das informações, melhora a rastreabilidade e cria mais transparência entre todos os envolvidos. Como consequência, os processos tendem a ser mais ágeis e menos burocráticos”, explica.

A aplicação da tecnologia pode beneficiar importadores, exportadores, operadores logísticos, bancos, seguradoras e também órgãos reguladores, como Receita Federal, Mapa e Anvisa. Segundo Mauro Marcelo, o blockchain não resolve apenas desafios individuais das empresas, mas fortalece toda a conexão entre os elos da cadeia de comércio exterior.

Na avaliação do executivo, a tendência é que a tecnologia se torne parte da infraestrutura das operações internacionais nos próximos anos. “Acredito que daqui a alguns anos não estaremos mais discutindo se devemos usar blockchain no comércio exterior, mas sim em quais etapas do processo logístico ele ainda não está sendo utilizado”, projeta.

Para as empresas, iniciar essa jornada desde agora pode representar uma vantagem competitiva importante. “Quem começa antes desenvolve maturidade, identifica oportunidades e constrói experiências práticas. Mais do que acompanhar uma tendência, trata-se de preparar a empresa para um comércio exterior cada vez mais digital, conectado e orientado pela confiança nas informações”, conclui.

Texto: Redação

Imagem ilustrativa gerada por IA.

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Comércio Exterior

Balança comercial do Brasil acumula superávit de US$ 1,5 bilhão na segunda semana de junho

O superávit da balança comercial brasileira alcançou US$ 1,5 bilhão na segunda semana de junho de 2026, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (15) pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

No período, a corrente de comércio somou US$ 15,4 bilhões, resultado de US$ 8,4 bilhões em exportações e US$ 7 bilhões em importações.

Resultado positivo cresce em junho

Considerando o acumulado do mês até a segunda semana, o Brasil registrou exportações de US$ 16,4 bilhões e importações de US$ 11,7 bilhões. Com isso, o saldo comercial positivo atingiu US$ 4,7 bilhões, enquanto a corrente de comércio chegou a US$ 28,1 bilhões.

Os números reforçam o desempenho favorável do comércio exterior brasileiro, impulsionado pelo avanço das vendas ao mercado internacional.

Saldo comercial supera US$ 37 bilhões em 2026

No acumulado do ano, as exportações brasileiras já totalizam US$ 165 bilhões, enquanto as importações somam US$ 127,6 bilhões.

Com esses resultados, o país registra um superávit comercial de US$ 37,3 bilhões em 2026. A corrente de comércio alcançou US$ 292,6 bilhões entre janeiro e junho.

Exportações avançam mais de 25% na comparação anual

A média diária das exportações até a segunda semana de junho ficou em US$ 1,819 bilhão, valor 25,3% superior ao registrado no mesmo período de junho de 2025, quando a média foi de US$ 1,451 bilhão.

As importações também apresentaram crescimento. A média diária alcançou US$ 1,301 bilhão, avanço de 12,3% em relação aos US$ 1,158 bilhão observados no mesmo mês do ano passado.

Já a média diária da corrente de comércio atingiu US$ 3,12 bilhões, representando alta de 19,5% frente ao desempenho registrado em junho de 2025.

Agropecuária, indústria extrativa e transformação impulsionam exportações

Entre os setores exportadores, todos registraram crescimento na comparação com igual período do ano anterior.

A agropecuária liderou com aumento de US$ 93,6 milhões na média diária, crescimento de 27,1%.

Na indústria extrativa, o avanço foi de US$ 133,9 milhões, o equivalente a 42,7%.

Já os produtos da indústria de transformação registraram incremento de US$ 137,1 milhões por dia, alta de 17,4%.

Importações também apresentam expansão

Pelo lado das importações, os três principais segmentos também mostraram desempenho positivo.

A agropecuária registrou crescimento de 3,6% na média diária, com acréscimo de US$ 0,81 milhão.

Na indústria extrativa, o aumento foi de US$ 6,29 milhões por dia, representando alta de 13,4%.

Os produtos da indústria de transformação tiveram expansão de US$ 134,1 milhões na média diária, avanço de 12,4% em comparação com junho de 2025.

Os dados indicam que o ritmo do comércio internacional brasileiro segue aquecido em 2026, sustentado pelo crescimento das exportações e pelo fortalecimento da atividade econômica em diferentes setores produtivos.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Gerada por IA

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Comércio Exterior

Montadoras defendem incentivos fiscais para veículos com maior conteúdo nacional

As principais montadoras instaladas no Brasil iniciaram negociações com o governo federal para criar mecanismos que favoreçam a produção local de veículos. A proposta em discussão prevê que automóveis com maior participação de componentes fabricados no país tenham tributação reduzida, enquanto modelos com menor índice de nacionalização sejam submetidos a uma carga tributária mais elevada.

A iniciativa surge em um momento de forte crescimento das importações, especialmente de veículos produzidos na China, e busca fortalecer a competitividade da indústria automotiva brasileira.

Setor avalia mudanças no Mover e no Imposto Seletivo

Entre as alternativas analisadas pela indústria está a revisão do Programa Mover, política voltada ao desenvolvimento do setor automotivo. Outra possibilidade envolve ajustes na aplicação do Imposto Seletivo, tributo criado pela reforma tributária e previsto para entrar em vigor em janeiro.

Conhecido popularmente como “imposto do pecado”, o novo tributo tem como objetivo aumentar a taxação de produtos considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente. Como os veículos estão entre os itens que serão impactados, representantes da indústria defendem que critérios relacionados à produção nacional também sejam considerados na definição das alíquotas.

Importações crescem antes da alta da tarifa

O debate acontece às vésperas da elevação da tarifa de importação para veículos híbridos e elétricos, que passará a 35% a partir de 1º de julho.

Com a proximidade do reajuste, importadores intensificaram os embarques para o país. Dados do setor apontam que os estoques de veículos importados alcançam atualmente cerca de 300 mil unidades, volume significativamente superior às pouco mais de 70 mil unidades produzidas localmente.

Volkswagen alerta para pressão sobre fabricantes nacionais

Segundo Ciro Possobom, presidente da Volkswagen no Brasil, o elevado volume de veículos importados em estoque tem provocado uma disputa mais intensa por consumidores, levando a reduções de preços que afetam diretamente os fabricantes instalados no país.

O executivo também destacou a situação dos veículos importados no sistema CKD (Completely Knocked Down), montados localmente a partir de kits de peças importadas. Atualmente, essa modalidade continua sujeita a uma tarifa de apenas 14% até janeiro do próximo ano, percentual considerado insuficiente para equilibrar a concorrência com a produção nacional.

Para Possobom, a combinação entre grandes estoques importados e a manutenção da tarifa reduzida para CKD deve tornar os próximos meses desafiadores para a indústria automotiva brasileira.

Concorrência chinesa domina debate do setor

O avanço das fabricantes chinesas esteve entre os principais temas discutidos durante a segunda edição do Anfavea Visions, evento promovido pela associação que representa as montadoras no país.

Além da concorrência internacional, o encontro abordou temas como eletrificação, combustíveis alternativos, conectividade veicular e os impactos da inteligência artificial na transformação da indústria automotiva.

Volkswagen aposta em produção local e eletrificação

Ao comentar os desafios do mercado, Possobom afirmou que busca integrar diferentes características culturais na gestão da operação brasileira. Segundo ele, a disciplina tradicional da indústria alemã, a velocidade das empresas chinesas e a criatividade brasileira precisam caminhar juntas para enfrentar as mudanças do setor.

O executivo também ressaltou que a Volkswagen segue investindo na transição para a mobilidade elétrica, aproveitando experiências acumuladas em mercados como Europa e China. A estratégia inclui a adaptação de projetos globais para atender às necessidades dos consumidores brasileiros.

Apesar de reconhecer que oscilações econômicas podem tornar a importação mais atrativa em determinados momentos, Possobom reforçou sua confiança na produção nacional. A montadora está executando um plano de investimentos de R$ 16 bilhões entre 2024 e 2028 e considera a fabricação local fundamental para sustentar grandes volumes de vendas e reduzir a exposição às variações cambiais.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Comércio Exterior

Tarifas dos EUA contra o Brasil podem chegar a 37,5%; entenda o que está em jogo

O governo dos Estados Unidos avalia a adoção de novas medidas tarifárias que podem elevar significativamente o custo de entrada de produtos brasileiros no mercado norte-americano. Caso sejam aprovadas, as propostas em discussão poderão resultar em uma sobretaxa total de até 37,5% sobre determinados itens exportados pelo Brasil.

As medidas ainda estão em fase de análise e fazem parte de investigações conduzidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), órgão responsável pela política comercial do país.

Quais tarifas estão sendo analisadas?

Atualmente, duas propostas estão sob avaliação:

  • 25% de tarifa adicional relacionada a supostas práticas consideradas desleais de comércio;
  • 12,5% de sobretaxa vinculada à alegação de insuficiência no combate à entrada de produtos associados ao trabalho forçado nas cadeias produtivas globais.

As propostas foram apresentadas pelo USTR nos primeiros dias de junho e ainda passarão por consulta pública antes de uma decisão definitiva.

Consulta pública e prazo para decisão

O governo norte-americano receberá manifestações de empresas, entidades e governos até o início de julho. Uma audiência pública está prevista para o dia 7 de julho, enquanto a decisão final deverá ser anunciada até 15 de julho.

Caso aprovadas, as novas tarifas poderão entrar em vigor imediatamente.

Enquanto isso, representantes dos governos brasileiro e norte-americano seguem negociando alternativas para evitar o agravamento da disputa comercial.

Governo brasileiro busca diálogo

O tema está mobilizando autoridades dos dois países. Integrantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mantêm conversas com representantes do USTR em busca de uma solução negociada.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também indicou interesse em discutir diretamente a questão com o presidente Donald Trump durante encontros internacionais previstos para as próximas semanas.

Investigação sobre trabalho forçado envolve dezenas de países

A investigação relacionada ao trabalho forçado não se restringe ao Brasil. O processo envolve cerca de 60 países e tem como objetivo avaliar se os parceiros comerciais dos Estados Unidos adotam mecanismos eficazes para impedir a circulação de produtos produzidos em condições consideradas ilegais.

Segundo autoridades norte-americanas, empresas que utilizam mão de obra irregular poderiam obter vantagens competitivas em relação às companhias dos EUA.

Acusação de práticas comerciais desleais

A segunda investigação, específica contra o Brasil, foi aberta em 2025 com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos.

O mesmo instrumento jurídico já foi utilizado anteriormente em disputas comerciais envolvendo a China e outros parceiros internacionais.

Entre os pontos analisados pelos norte-americanos estão temas relacionados ao comércio digital, funcionamento do Pix, acesso ao mercado de etanol, propriedade intelectual, fiscalização ambiental e políticas tarifárias brasileiras.

Produtos estratégicos ficaram fora da lista

Apesar da possibilidade de novas tarifas, diversos produtos relevantes para o comércio bilateral foram excluídos da proposta.

Entre os itens que permanecem fora da sobretaxa estão:

  • Café;
  • Carne bovina;
  • Suco de laranja;
  • Frutas tropicais;
  • Petróleo e derivados;
  • Fertilizantes;
  • Medicamentos;
  • Aeronaves e componentes aeronáuticos;
  • Terras raras e determinados metais.

A exclusão desses produtos busca evitar impactos sobre cadeias produtivas consideradas estratégicas para a economia dos Estados Unidos.

Tarifa global de 10% continua em vigor

Além das novas propostas, permanece válida uma tarifa global de 10% aplicada pelos EUA sobre importações provenientes de diversos países, incluindo o Brasil.

Essa cobrança foi implementada em fevereiro de 2026 após decisões judiciais limitarem parte das medidas tarifárias anteriores adotadas pelo governo Trump.

Ainda não há definição sobre a continuidade dessa tarifa após julho.

O que os Estados Unidos criticam no Brasil?

O relatório norte-americano reúne críticas em diferentes áreas da política econômica brasileira.

Entre os principais pontos citados estão:

  • Tarifas de importação consideradas elevadas;
  • Preferências comerciais concedidas a determinados parceiros;
  • Dificuldades para exportação de etanol norte-americano ao Brasil;
  • Questões relacionadas à proteção da propriedade intelectual;
  • Combate à pirataria;
  • Fiscalização ambiental e ações contra o desmatamento ilegal;
  • Regras ligadas ao comércio digital e ao sistema Pix.

Segundo o USTR, essas questões poderiam gerar obstáculos para empresas e exportadores dos Estados Unidos.

Pix não corre risco de ser interrompido

Após a classificação das facções PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos, surgiram especulações sobre possíveis impactos ao sistema de pagamentos instantâneos brasileiro.

No entanto, autoridades norte-americanas afirmaram que não existe qualquer iniciativa para interromper ou restringir o funcionamento do Pix.

Segundo o Departamento de Estado dos EUA, eventuais sanções seriam direcionadas exclusivamente a indivíduos ou organizações eventualmente ligados a atividades ilícitas.

Histórico da disputa comercial

A atual fase da disputa é resultado de um processo iniciado em 2025, quando os Estados Unidos anunciaram um amplo pacote de aumento tarifário sobre diversos parceiros comerciais.

Naquele período, produtos brasileiros chegaram a enfrentar sobretaxas que elevaram a tributação total para até 50% em alguns segmentos.

Posteriormente, decisões judiciais nos EUA e negociações diplomáticas levaram à ampliação das listas de exceção e à revisão de parte das medidas.

Possíveis impactos para as exportações brasileiras

Especialistas avaliam que a adoção das novas tarifas poderá aumentar custos para exportadores brasileiros e reduzir a competitividade de determinados produtos no mercado norte-americano.

Por outro lado, a ampla lista de exceções reduz o impacto imediato sobre setores estratégicos como agronegócio, aeronáutica e energia.

As próximas semanas serão decisivas para definir se haverá acordo entre os governos ou se as medidas avançarão para a fase de implementação.

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

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Comércio Exterior

SDA promove curso sobre os impactos da Reforma Tributária no Comércio Exterior em Curitiba e Itajaí

O Comércio Exterior brasileiro vive um momento de transição com a fase de testes das mudanças implantadas pela Reforma Tributária. Este é o momento ideal para que empresas e profissionais adaptem seus sistemas e processos, garantindo o cumprimento integral das novas exigências a partir de 2027.

Pensando nesse cenário, o SDA – Sindicato dos Despachantes Aduaneiros do Paraná e Santa Catarina promove o curso “Os Impactos da Reforma Tributária no Comex”, no dia 20 de junho, em Curitiba (PR), e no dia 4 de julho, em Itajaí (SC).

O curso será ministrado por Thális Andrade, advogado, doutor em Direito pela USP, professor de Direito Aduaneiro e analista de Comércio Exterior, especialista em tributação e facilitação do comércio internacional; e por Tiago Barbosa, consultor do BID e do FMI, ex-coordenador-geral de Facilitação do Comércio da SECEX e ex-gerente do Portal Único de Comércio Exterior, com ampla atuação na modernização e simplificação das operações de importação e exportação no Brasil. A intenção é trazer uma abordagem prática sobre os reflexos da Reforma Tributária nas rotinas do Comércio Exterior. As inscrições já estão abertas e as vagas são limitadas.

Reforma Tributária exige atualização dos profissionais do Comércio Exterior

Segundo o presidente do SDA, Flavio Demetrio da Silva, a Reforma Tributária promoverá mudanças estruturais na forma como os tributos incidem sobre as operações econômicas, incluindo aquelas relacionadas ao Comércio Exterior. “O despachante aduaneiro atua diretamente na interface entre empresas e órgãos governamentais, sendo fundamental que esteja preparado para compreender os novos procedimentos, regras e impactos fiscais. O conhecimento dessas mudanças permitirá uma atuação mais segura, eficiente e estratégica, reduzindo riscos e contribuindo para a competitividade das empresas brasileiras no mercado internacional”, destaca.

Entre as principais mudanças previstas está a substituição gradual de tributos como PIS, Cofins, ICMS, ISS e parte do IPI pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e pelo Imposto Seletivo (IS). Segundo o Governo Federal, a medida deve simplificar a arrecadação, reduzir a cumulatividade e aumentar a transparência do sistema tributário.

A transição ocorrerá de forma escalonada até 2033, permitindo que empresas e governos se adaptem gradualmente às novas regras.

Capacitação será diferencial estratégico para despachantes aduaneiros

Para Flavio Demetrio da Silva, o período de transição exigirá interpretação técnica, acompanhamento constante da legislação e capacidade de traduzir informações complexas para a realidade operacional das empresas. “O despachante aduaneiro que investe em atualização profissional estará mais preparado para identificar oportunidades, prevenir problemas e orientar seus clientes com maior assertividade. Além disso, poderá auxiliar na adaptação de processos internos, no planejamento tributário e na tomada de decisões estratégicas, agregando ainda mais valor aos serviços prestados”, reforça.

A iniciativa reafirma o compromisso do SDA com a qualificação da categoria e incentiva os profissionais a participarem de cursos, treinamentos e debates sobre o tema. “O conhecimento continuará sendo o principal diferencial para o sucesso profissional. Os profissionais que buscarem capacitação estarão mais aptos a enfrentar os desafios e aproveitar as oportunidades que surgirão”, finaliza Flavio.

Informações e inscrições

Mais informações e inscrições para o curso “Os Impactos da Reforma Tributária no Comex”, em Curitiba e Itajaí, podem ser obtidas pelo e-mail: patricia.financeiro@sda.org.br

SERVIÇO

Curso: “Os Impactos da Reforma Tributária no Comex”

📍 Curitiba (PR)
📅 20/06/2026
🕘 Das 9h às 16h
📌 Hotel Pestana – Rua Comendador Araújo, 499, Centro

📍 Itajaí (SC)
📅 04/07/2026
🕘 Das 9h às 16h
📌 Sandri Palace Hotel – Avenida Sete de Setembro, 1675, Fazenda

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Comércio Exterior

Comércio Brasil-EUA cai 14,3% em 2026 e amplia déficit da balança comercial

A corrente de comércio entre Brasil e Estados Unidos registrou queda de 14,3% entre janeiro e maio de 2026 na comparação com o mesmo período do ano anterior. O desempenho reflete os impactos das tarifas adicionais impostas pelo governo norte-americano em 2025, que afetaram especialmente os produtos industriais brasileiros.

Nos cinco primeiros meses do ano, o fluxo comercial entre os dois países movimentou US$ 29,5 bilhões. As exportações brasileiras para o mercado norte-americano somaram US$ 14 bilhões, representando retração de 16%. Já as importações dos Estados Unidos caíram 12,6%, alcançando US$ 15,5 bilhões.

Como consequência, o déficit brasileiro na relação bilateral avançou 43,3%, chegando a US$ 1,5 bilhão.

Tarifas impostas pelos EUA seguem pressionando exportações

Os números foram divulgados pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham), por meio do relatório Monitor do Comércio Brasil-EUA.

Segundo a entidade, a desaceleração do intercâmbio comercial ganhou força a partir de agosto de 2025, quando passaram a vigorar sobretaxas sobre produtos industriais brasileiros. As medidas tarifárias adicionais, que chegaram a 40% e 50% para determinados segmentos, reduziram significativamente a competitividade das exportações nacionais.

Entre agosto e dezembro do ano passado, os produtos impactados pelas novas tarifas movimentaram US$ 8,8 bilhões em vendas externas. No mesmo período de 2024, esse volume havia alcançado US$ 11,2 bilhões, o que representa uma retração de 21,6%.

Exportações acumulam meses consecutivos de queda

O início de 2026 manteve a tendência negativa observada nos meses anteriores. Em janeiro, as exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram 25,5%, totalizando US$ 2,4 bilhões. O resultado marcou o sexto mês seguido de redução nas vendas para o principal mercado das Américas.

Em fevereiro, a queda foi de 20,3% em relação ao mesmo mês de 2025, com embarques avaliados em US$ 2,5 bilhões.

A Amcham informou ainda que os produtos industriais sujeitos às tarifas mais elevadas registraram retração de 38,2% no começo deste ano, ampliando os efeitos das medidas comerciais adotadas pelos Estados Unidos.

Empresas enfrentam desafios com custos e logística internacional

Além da redução no volume exportado, a entidade demonstrou preocupação com os impactos sobre a cadeia produtiva global. O aumento dos custos associados às tarifas tem elevado despesas para empresas de diferentes setores e exigido adaptações logísticas para minimizar perdas.

O avanço do déficit comercial brasileiro também acende um alerta sobre os efeitos da desaceleração do comércio bilateral nas contas externas e na competitividade da indústria nacional.

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

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