Comércio Exterior

Acordo Mercosul-EFTA entra em vigor e amplia oportunidades para exportadores brasileiros

O Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) começa a ser aplicado pelo Brasil a partir de outubro. A medida foi oficializada após a publicação, no Diário Oficial da União (DOU), do decreto que internaliza o acordo no país.

A aplicação das preferências comerciais terá início em 1º de outubro para Brasil e Islândia. Já a relação entre Brasil e Noruega passa a contar com as condições previstas no acordo em 1º de novembro. Para Suíça e Liechtenstein, a aplicação das tarifas preferenciais ainda depende da conclusão dos procedimentos internos de cada país.

Formada por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein, a EFTA reúne um mercado de aproximadamente 15 milhões de consumidores e um Produto Interno Bruto (PIB) estimado em US$ 1,4 trilhão.

O que muda com o Acordo Mercosul-EFTA

Assinado em setembro de 2025, o acordo faz parte da estratégia brasileira de ampliar e diversificar seus parceiros comerciais.

Entre as principais mudanças estão novas condições de acesso para produtos brasileiros aos mercados da EFTA, com redução ou eliminação de tarifas, cotas e outros mecanismos de tratamento preferencial.

Para produtos industriais e pesqueiros, os países da EFTA preveem a eliminação imediata das tarifas de importação com a entrada em vigor do acordo. Já os produtos agropecuários terão diferentes modalidades de abertura, de acordo com o produto e o mercado.

O tratado também estabelece regras em áreas como:

  • regras de origem;
  • facilitação de comércio;
  • comércio de serviços;
  • investimentos;
  • compras governamentais;
  • propriedade intelectual;
  • desenvolvimento sustentável.

A implementação do acordo ocorre de forma bilateral, conforme cada país conclui seus respectivos processos de internalização.

MDIC cria painel para identificar oportunidades

Para facilitar o acesso das empresas às novas condições comerciais, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) disponibilizou um Painel de Dados do Acordo Mercosul-EFTA.

A ferramenta reúne informações sobre o comércio brasileiro com os quatro integrantes da EFTA e permite consultar os impactos previstos com a implementação do acordo.

Os dados podem ser analisados de forma geral ou segmentados por produto, país e unidade da Federação, incluindo informações sobre tarifas atuais e as condições previstas no acordo.

O recurso também permite identificar a distribuição regional das exportações e importações brasileiras e pode auxiliar empresas na busca por novos mercados.

Suíça e Noruega concentram comércio com o Brasil

A Suíça e a Noruega são atualmente os principais parceiros comerciais brasileiros dentro da EFTA. Juntos, os dois países representam 94% das exportações brasileiras destinadas ao bloco e 99% das importações brasileiras provenientes da EFTA.

Entre os estados brasileiros, Pará e Minas Gerais aparecem com destaque nas exportações, enquanto São Paulo lidera as importações.

O painel disponibilizado pelo MDIC cruza os dados de comércio exterior com as informações tarifárias do novo acordo, permitindo identificar produtos que poderão ter melhores condições de acesso aos mercados europeus.

O setor agropecuário está entre os segmentos que podem encontrar novas oportunidades com a redução das barreiras comerciais.

Atualmente, determinados produtos brasileiros enfrentam tarifas elevadas nos mercados da EFTA. Com o acordo, alguns deles terão redução ou eliminação de tarifas, além de possibilidade de acesso por meio de cotas ou regimes agrícolas específicos.

Um dos exemplos apresentados pelo MDIC é o café torrado. Atualmente, o produto está sujeito a tarifas de 10% na Islândia e de 7% na Suíça e em Liechtenstein. Com o acordo, estão previstas reduções tarifárias imediatas para grande parte dos códigos NCM relacionados ao produto.

Outro ponto previsto no acordo envolve a proteção de 63 indicações geográficas brasileiras na Suíça e em Liechtenstein.

A lista contempla produtos de diferentes regiões e setores, incluindo cafés, vinhos, queijos, cachaça, artesanato, pedras, calçados e produtos têxteis.

A proteção das indicações geográficas amplia a segurança para produtos brasileiros que utilizam denominações reconhecidas e vinculadas à sua origem.

MDIC disponibiliza materiais para empresas

Além do painel de dados, o MDIC disponibilizou materiais de apoio para auxiliar empresas e profissionais de comércio exterior na compreensão das novas regras.

Entre os conteúdos estão manuais sobre desgravação tarifária, regras de origem e indicações geográficas.

Os documentos têm como objetivo facilitar a preparação de exportadores e importadores para utilizar as preferências comerciais previstas no acordo.

O Acordo Mercosul-EFTA foi negociado ao longo de 14 rodadas e assinado em 16 de setembro de 2025. Sua implementação ocorre gradualmente, de acordo com a conclusão dos procedimentos internos de cada país participante.

O Painel de Dados do Acordo Mercosul-EFTA permite consultar tarifas, fluxos comerciais e oportunidades por produto e mercado. O MDIC também disponibiliza manuais específicos sobre as regras do tratado e uma página com informações gerais sobre o acordo.

Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC)

Texto: Redação

Imagem: Ilustrativa

Ler Mais
Comércio Exterior

EUA rejeitam pedido da China para participar de consulta da OMC sobre tarifaço contra o Brasil

Os Estados Unidos recusaram o pedido da China para participar das consultas realizadas na Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre as tarifas aplicadas a produtos brasileiros. As medidas americanas elevam a carga tarifária sobre determinados itens exportados pelo Brasil para até 37,5%.

A decisão foi formalizada em documento divulgado na terça-feira. Segundo o governo americano, a alegação chinesa de que possui um “interesse comercial substancial” no caso não estaria suficientemente fundamentada.

EUA contestam interesse comercial da China

Na justificativa apresentada à OMC, os Estados Unidos afirmaram que a disputa iniciada pelo Brasil não envolve medidas, políticas ou práticas adotadas pela China.

O documento também destaca que a reclamação brasileira não trata de tarifas americanas incidentes sobre produtos de origem chinesa.

Pelas regras da OMC, a entrada de um terceiro país nas consultas depende da concordância dos dois integrantes diretamente envolvidos na disputa. Com a negativa americana, a China fica de fora dessa etapa das negociações entre Brasil e Estados Unidos.

China havia solicitado participação em agosto

A China apresentou o pedido para integrar as consultas pouco mais de um mês antes da decisão americana. Em 6 de agosto, Pequim argumentou que possui interesse comercial relevante na discussão tarifária entre brasileiros e americanos.

Segundo a manifestação chinesa, as medidas adotadas pelos Estados Unidos poderiam atingir também exportações da China. O argumento é que eventuais mudanças nas condições de concorrência no mercado americano poderiam afetar a posição dos produtos chineses.

As consultas na OMC representam a primeira etapa do mecanismo utilizado pela organização para tratar de disputas comerciais e questões relacionadas a tarifas entre seus países-membros.

Brasil questiona tarifas aplicadas pelos EUA

O Brasil levou a questão à OMC em 27 de julho, ao apresentar uma reclamação contra o chamado tarifaço americano.

A contestação brasileira envolve duas sobretaxas anunciadas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), ambas fundamentadas na Seção 301 da legislação comercial americana.

A primeira acrescentou uma tarifa de 25% associada a uma investigação sobre supostas práticas comerciais brasileiras. A segunda estabeleceu uma cobrança adicional de 12,5%, relacionada a uma apuração sobre alegadas deficiências do Brasil no combate à entrada de produtos fabricados com trabalho forçado.

As duas medidas, quando consideradas em conjunto, aumentam a tributação sobre determinados produtos brasileiros vendidos no mercado americano.

Brasil cita regras do comércio internacional

Na reclamação apresentada à OMC, o governo brasileiro argumenta que os Estados Unidos violaram o princípio da nação mais favorecida, considerado um dos fundamentos do sistema multilateral de comércio.

Segundo a posição brasileira, Washington estabeleceu tarifas específicas para produtos do Brasil sem aplicar tratamento equivalente aos demais integrantes da organização.

O Brasil também sustenta que os Estados Unidos passaram a cobrar tarifas acima dos limites consolidados junto à OMC.

Outro questionamento apresentado pelo país diz respeito ao uso de medidas unilaterais para responder a supostas irregularidades comerciais. Na avaliação brasileira, os EUA deveriam recorrer ao sistema de solução de controvérsias da OMC em vez de adotar medidas unilaterais.

Consultas entre Brasil e EUA têm prazo de 60 dias

Os Estados Unidos concordaram em iniciar as consultas com o Brasil em 10 de agosto.

Pelas regras da organização, essa primeira fase tem prazo de 60 dias para ser concluída. Durante esse período, os dois países podem buscar uma solução negociada para a controvérsia antes que o caso avance para uma nova etapa.

O que acontece se não houver acordo

Caso as consultas terminem sem entendimento, o Brasil poderá solicitar a criação de um painel da OMC para analisar a disputa.

Nessa fase, três especialistas independentes são designados para examinar o caso. O painel considera os argumentos apresentados pelo país que abriu a reclamação, a manifestação do país questionado e as contribuições de outros integrantes da organização que tenham interesse na controvérsia.

A previsão é de que um painel leve cerca de seis meses para concluir sua análise.

Se ainda houver divergência após essa etapa e os Estados Unidos decidirem recorrer, o processo poderia chegar ao Órgão de Apelação da OMC, que funciona como instância recursal do sistema de solução de controvérsias.

Órgão de Apelação da OMC continua paralisado

O problema é que o Órgão de Apelação permanece sem funcionamento pleno.

A paralisação teve origem em um bloqueio promovido pelos Estados Unidos durante o primeiro mandato de Donald Trump, quando o governo americano deixou de indicar novos integrantes para a instância.

A política foi mantida durante a administração do democrata Joe Biden, impedindo a recomposição necessária para o funcionamento regular do órgão.

FONTE: O Globo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Dado Galdieri / Bloomberg

Ler Mais
Comércio Exterior

Estudo da ApexBrasil aponta mais de 400 oportunidades de negócios para exportadores brasileiros na França

A França destaca-se como um mercado altamente estratégico para o Brasil, concentrando mais de 400 oportunidades comerciais para empresas nacionais. É o que aponta o estudo Perfil de Comércio e Investimentos – França, lançado recentemente pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).

Com uma economia robusta — PIB de US$ 3,4 trilhões e população de 66,7 milhões de habitantes —, o país europeu importou cerca de US$ 799 bilhões em 2025, figurando como o quinto maior importador do mundo. Em termos de comércio bilateral, a relação movimentou US$ 10,3 bilhões no mesmo ano, com as exportações brasileiras alcançando US$ 3,1 bilhões, impulsionadas por itens tradicionais como farelo de soja, petróleo bruto, café e celulose.

Diversificação e setores em alta no mercado francês

O mapeamento da ApexBrasil revela que as oportunidades estão concentradas em segmentos como alimentos, maquinário, combustíveis e produtos químicos. No entanto, há um espaço expressivo para mercadorias de maior valor agregado alinhadas às demandas de sofisticação e sustentabilidade do consumidor europeu.

Alguns nichos já vêm apresentando forte ritmo de crescimento entre 2021 e 2025:

  • Café não torrado: Crescimento médio de 32,2% ao ano nas vendas externas.
  • Setor aeronáutico: Avanço de 17,9% ao ano na exportação de aeronaves e componentes.
  • Novos nichos: Oportunidades latentes em frutas frescas, óleos essenciais, preparações alimentícias e insumos industriais.

Impacto do Acordo Mercosul–União Europeia

A entrada em vigor provisória do Acordo Mercosul–União Europeia, em maio de 2026, inaugurou um cenário promissor para as exportações brasileiras. Dados preliminares entre maio e agosto de 2026 apontam um crescimento de aproximadamente 17,9% nas vendas para o território francês em comparação ao mesmo período do ano anterior.

Enquanto commodities como celulose e petróleo já entravam com tarifa zero, produtos industrializados e especialidades — a exemplo do café solúvel — passaram a se beneficiar do cronograma de desgravação tarifária, elevando a competitividade do comércio exterior do Brasil.

França lidera investimentos estrangeiros no Brasil

Além do intercâmbio comercial, os laços econômicos bilaterais são marcados por fortes aportes financeiros. Em 2024, o estoque de investimento direto francês no Brasil atingiu US$ 80,3 bilhões, consolidando a França como o terceiro maior investidor estrangeiro em solo nacional.

Entre 2016 e 2026, foram contabilizados centenas de projetos de investimento e operações de fusão e aquisição nas áreas de energia, infraestrutura, tecnologia e agronegócio, evidenciando uma parceria econômica sólida e de longo prazo.

FONTE: apexBrasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/apexBrasil

Ler Mais
Comércio Exterior

China avalia rever cota de importação de carne bovina do Brasil

A China pode reavaliar a distribuição de sua cota para importação de carne bovina brasileira, segundo análises do mercado internacional de proteínas. A possibilidade ganhou espaço diante do cenário econômico atual e do desempenho esperado dos países fornecedores da América do Sul.

Atualmente, a parcela em discussão beneficia principalmente o Uruguai. Caso o país não consiga utilizar integralmente o volume autorizado, o excedente poderá abrir espaço para outros fornecedores, com o Brasil entre os potenciais beneficiados.

Até o momento, porém, o governo chinês não anunciou oficialmente qualquer mudança na política de distribuição das cotas.

Brasil pode ganhar espaço no mercado chinês

A carne bovina brasileira apresenta competitividade em preço e qualidade frente a outros fornecedores sul-americanos. Por isso, um eventual saldo não utilizado pelo Uruguai poderia aumentar as oportunidades de exportação do Brasil para o mercado chinês.

A possibilidade depende, contudo, do cumprimento das metas estabelecidas para os demais países e de uma eventual decisão das autoridades chinesas sobre a redistribuição dos volumes.

China mantém mecanismo de proteção ao mercado interno

A política comercial chinesa prevê mecanismos para controlar o impacto das importações sobre o mercado doméstico. Quando determinados limites de volume e preço são ultrapassados, as remessas de carne bovina podem ficar sujeitas a uma tarifa de até 55%.

Esse sistema funciona como uma barreira adicional às importações e pode alterar a competitividade dos fornecedores conforme os volumes comercializados e os preços praticados.

Mercado global de carne vive período de mudanças

A discussão sobre as cotas ocorre em meio a transformações no mercado global de carne bovina. Os Estados Unidos, por exemplo, anunciaram a intenção de comprar 300 mil toneladas de carne para tentar conter a alta dos preços no mercado interno.

No Brasil, o cenário também envolve debates relacionados à reciprocidade tarifária e às condições de acesso aos principais mercados consumidores.

Nesse ambiente, alterações nas políticas de importação da China podem ter impacto relevante sobre os fluxos internacionais de carne e sobre a disputa entre os principais países exportadores.

Decisão sobre a cota depende da China

Uma eventual transferência de parte da cota atualmente destinada ao Uruguai para o Brasil dependerá exclusivamente das autoridades chinesas. O cenário também é acompanhado em meio ao processo de desaceleração da economia da China.

Para especialistas, mudanças em tarifas de importação e outras barreiras comerciais precisam ser avaliadas com cautela. A elevação dos custos de entrada pode ser repassada ao longo da cadeia e chegar ao consumidor por meio de preços mais altos.

Assim, além de afetar os exportadores, novas medidas comerciais podem influenciar os preços da carne bovina e contribuir para pressões inflacionárias nos mercados consumidores.

FONTE: Agrimídia
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Agrimídia

Ler Mais
Comércio Exterior

Balança comercial registra superávit de US$ 984,2 milhões na 3ª semana de setembro

A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 984,2 milhões na terceira semana de setembro de 2026. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (21) pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

O resultado considera exportações de US$ 7,701 bilhões e importações de US$ 6,717 bilhões no período.

Superávit comercial chega a US$ 4,284 bilhões em setembro

Com o desempenho da terceira semana, o mês de setembro acumula saldo positivo de US$ 4,284 bilhões na balança comercial. No período, as exportações somaram US$ 21,892 bilhões, enquanto as importações totalizaram US$ 17,608 bilhões.

Na comparação com o mesmo período de setembro de 2025, as exportações brasileiras cresceram 21,5% até a terceira semana deste mês.

Exportações avançam nos principais setores

O crescimento das vendas externas foi registrado nos três grandes setores da economia. A Agropecuária teve alta de 12,5%, alcançando US$ 4,444 bilhões em exportações.

Na Indústria Extrativa, o avanço foi de 44,7%, com vendas de US$ 5,774 bilhões. Já a Indústria de Transformação registrou crescimento de 15,3%, atingindo US$ 11,436 bilhões.

Importações também apresentam crescimento

As importações brasileiras aumentaram 9,0% na comparação com o mesmo período de 2025.

Entre os setores, a Agropecuária apresentou crescimento de 18,0%, com US$ 332,7 milhões em compras externas. A Indústria Extrativa registrou alta de 34,8%, chegando a US$ 897,7 milhões.

Na Indústria de Transformação, as importações cresceram 7,6% e alcançaram US$ 16,278 bilhões.

Os números fazem parte do acompanhamento semanal da balança comercial de setembro de 2026, divulgado pelo MDIC. Acesse AQUI o release semanal.

Outros dados de Comércio Exterior podem ser consultados no COMEXSTAT.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Magnific

Ler Mais
Comércio Exterior

Comércio exterior: GI-CEX analisa 43 denúncias de irregularidades entre janeiro e julho

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) divulgou os resultados do 6º Relatório de Atividades do Grupo de Inteligência de Comércio Exterior (GI-CEX). O documento reúne as ações realizadas entre janeiro e julho de 2026 e apresenta o andamento da análise de 43 denúncias sobre possíveis irregularidades no comércio exterior.

As ocorrências envolvem suspeitas relacionadas a operações de importação, incluindo subdeclaração de valores e classificação inadequada de produtos na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM).

As denúncias alcançam diferentes segmentos, entre eles os de produtos químicos, artigos têxteis, utilidades domésticas, equipamentos eletrônicos, máquinas e outros bens.

Onze casos tiveram indícios considerados plausíveis

No âmbito da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao MDIC, a avaliação identificou indícios considerados plausíveis em 11 das denúncias recebidas.

Nesses casos, foi adotada a exigência de licenciamento não automático de importação, procedimento utilizado para aprofundar a verificação e confirmar ou não a ocorrência das condutas atribuídas aos importadores sob suspeita.

Outros seis processos não apresentaram os requisitos mínimos necessários para justificar uma investigação mais detalhada.

As demais 26 denúncias continuam em análise, em diferentes etapas de tratamento dentro da Secex.

GI-CEX integra MDIC e Receita Federal

O Grupo de Inteligência de Comércio Exterior (GI-CEX) reúne integrantes da Secex e da Receita Federal. A estrutura foi criada para ampliar a troca de informações e coordenar ações voltadas à identificação de riscos e possíveis irregularidades nas operações de comércio exterior.

A atuação conjunta permite cruzar e qualificar informações, identificar situações que demandam atenção e fornecer elementos para que os órgãos competentes adotem as medidas necessárias.

A integração também contribui para aperfeiçoar os mecanismos de controle das importações e tornar mais eficiente a fiscalização das operações.

Inteligência busca fortalecer integridade do comércio exterior

O trabalho do GI-CEX tem entre seus objetivos reforçar o cumprimento das normas aplicáveis ao comércio exterior brasileiro e contribuir para um ambiente de negócios baseado na concorrência leal e no respeito à legislação.

Além de investigar indícios de irregularidades, o grupo trabalha no aprimoramento dos procedimentos de controle e na ampliação do compartilhamento de informações entre os órgãos públicos.

Segundo o MDIC, essa atuação integrada contribui para aumentar a eficiência das ações governamentais e fortalecer os instrumentos utilizados no acompanhamento das operações de importação.

Relatório está disponível no Siscomex

O 6º Relatório de Atividades do GI-CEX, assim como as orientações para o encaminhamento de denúncias à Secex e à Receita Federal, está disponível na página do Siscomex.

O documento detalha as atividades desenvolvidas pelo grupo e apresenta informações sobre os mecanismos disponíveis para comunicar possíveis irregularidades em operações de comércio exterior.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Magnific

Ler Mais
Comércio Exterior

Balança comercial brasileira registra superávit de US$ 3,36 bilhões até a 2ª semana de setembro

A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 3,36 bilhões até a segunda semana de setembro de 2026, resultado 193,8% superior ao registrado no mesmo período de 2025. O desempenho foi impulsionado principalmente pelo avanço das exportações, que cresceram em ritmo mais acelerado que as importações.

Entre o início de setembro e a segunda semana do mês, o Brasil exportou US$ 14,25 bilhões, alta de 28,5% na comparação com setembro de 2025. As importações somaram US$ 10,89 bilhões, crescimento de 9,5%.

Com isso, a corrente de comércio, que reúne exportações e importações, alcançou US$ 25,14 bilhões, aumento de 19,5% na comparação anual.

Exportações avançam em setembro

O crescimento das exportações brasileiras foi observado nos três principais setores da economia. A Indústria Extrativa apresentou a maior expansão, com alta de 70,5% e vendas externas de US$ 4,19 bilhões. A Indústria de Transformação cresceu 17%, alcançando US$ 7,14 bilhões, enquanto a Agropecuária avançou 16,5%, com US$ 2,83 bilhões exportados.

Entre os produtos que contribuíram para o resultado positivo estão centeio, aveia e outros cereais não moídos, cujas vendas dispararam 39.529,5%, além de café não torrado, com alta de 35%, e soja, que cresceu 19,2%.

Na Indústria Extrativa, destacaram-se os minérios de cobre e seus concentrados, com aumento de 39,5%; outros minérios e concentrados de metais de base, com alta de 172,2%; e óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos, que avançaram 126,2%.

Já na Indústria de Transformação, os principais destaques foram os farelos de soja e outros alimentos para animais, com crescimento de 90,7%; celulose, com alta de 49,6%; e ouro não monetário, que registrou avanço de 80%.

Produtos que tiveram queda nas exportações

Apesar do crescimento geral das vendas externas, alguns produtos registraram retração. Na Agropecuária, as quedas mais relevantes ocorreram nas exportações de sementes oleaginosas, que recuaram 71%; especiarias, com redução de 21,9%; e milho não moído, cuja queda foi de 3,7%.

Na Indústria Extrativa, as exportações de minérios de níquel e seus concentrados caíram 100%, enquanto linhita e turfa recuaram 67,8% e minério de ferro e seus concentrados tiveram redução de 4,4%.

Entre os produtos da Indústria de Transformação, houve queda nas vendas externas de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada, de 23%; produtos semiacabados, lingotes e outras formas primárias de ferro ou aço, de 37,2%; e veículos automóveis de passageiros, de 29,1%.

Importações crescem 9,5%

As compras brasileiras no exterior também apresentaram crescimento na segunda semana de setembro. A Indústria de Transformação concentrou a maior parcela das importações, com US$ 10,17 bilhões e alta de 9,2%.

A Agropecuária registrou crescimento de 13,7%, somando US$ 200 milhões, enquanto a Indústria Extrativa avançou 13,5%, chegando a US$ 470 milhões.

Entre os produtos que tiveram maior aumento nas compras externas estão pescado inteiro vivo, morto ou refrigerado, com alta de 41%; frutas e nozes não oleaginosas, frescas ou secas, com crescimento de 29,1%; e soja, que avançou 50,9% na Agropecuária.

Na Indústria Extrativa, chamou atenção o crescimento das importações de minério de ferro e seus concentrados, que aumentaram 1.886.114,4%. Também houve alta de 78,6% nas compras de outros minérios e concentrados de metais de base e de 52,3% nas aquisições de óleos brutos de petróleo ou minerais betuminosos.

Na Indústria de Transformação, os destaques foram os óleos combustíveis de petróleo, com crescimento de 81,2%; válvulas, tubos, diodos e transistores, com alta de 92%; e veículos automóveis de passageiros, cujas importações cresceram 146%.

Quais produtos tiveram queda nas importações?

Alguns grupos de produtos apresentaram redução nas compras brasileiras. Na Agropecuária, as importações de cevada não moída caíram 36,4%, enquanto centeio, aveia e outros cereais não moídos recuaram 54,3%. As compras de trigo e centeio não moídos tiveram queda de 10,9%.

Na Indústria Extrativa, houve redução de 59,9% nas importações de gás natural, de 22,7% nos fertilizantes brutos e de 7,5% no carvão não aglomerado.

Na Indústria de Transformação, as principais retrações ocorreram nas compras de plataformas, embarcações e outras estruturas flutuantes, com queda de 98,2%; motores e máquinas não elétricos e suas partes, com redução de 76,3%; e adubos ou fertilizantes químicos, que recuaram 16,9%.

Acumulado do ano mostra saldo positivo

Considerando o período de janeiro até a segunda semana de setembro de 2026, as exportações brasileiras somaram US$ 265,10 bilhões, crescimento de 11,1% em relação ao mesmo período de 2025.

As importações alcançaram US$ 206,43 bilhões, alta de 5,4%.

O resultado é um superávit comercial acumulado de US$ 58,67 bilhões, crescimento de 36,9% sobre o registrado no período correspondente do ano anterior.

No mesmo intervalo, a corrente de comércio chegou a US$ 471,53 bilhões, avanço de 8,5%.

Os números mostram um cenário de expansão do comércio exterior brasileiro em 2026, com as exportações crescendo em ritmo superior ao das importações e contribuindo para a ampliação do saldo positivo da balança comercial.

Fonte: MDIC

Texto: Redação

Imagem: Arquivo ReConecta News

Ler Mais
Comércio Exterior

Exportações aceleram e superávit comercial dispara 233,7% na primeira semana de setembro

Vendas externas somaram US$ 7,30 bilhões até a primeira semana de setembro, enquanto importações chegaram a US$ 5,39 bilhões; no acumulado do ano, saldo positivo já supera US$ 57 bilhões

O comércio exterior brasileiro começou setembro em ritmo forte. Até a primeira semana de setembro de 2026, as exportações alcançaram US$ 7,30 bilhões, alta de 31,7% em relação ao mesmo período de 2025. As importações também avançaram, mas em ritmo mais moderado, somando US$ 5,39 bilhões, crescimento de 8,4%.

O resultado foi um superávit de US$ 1,91 bilhão na balança comercial, uma expansão expressiva de 233,7% na comparação anual. Já a corrente de comércio — soma das exportações e importações — cresceu 20,7%, chegando a US$ 12,69 bilhões.

Os números divulgados nesta terça-feira (08)mostram uma diferença importante entre o ritmo de crescimento das vendas e das compras externas: enquanto as exportações avançaram quase quatro vezes mais que as importações no período, o saldo comercial ganhou força.

Indústria extrativa lidera avanço das exportações

Entre os setores exportadores, a Indústria Extrativa apresentou o crescimento mais expressivo na primeira semana de setembro. As vendas externas do segmento chegaram a US$ 2,26 bilhões, alta de 84,4% frente ao mesmo período de 2025.

A Indústria de Transformação também teve desempenho positivo, com exportações de US$ 3,60 bilhões, crescimento de 17,9%. Já a Agropecuária movimentou US$ 1,41 bilhão, avanço de 15,7%.

O resultado mostra que o desempenho brasileiro no comércio exterior não está concentrado em apenas uma frente. Commodities agrícolas, produtos minerais e itens industrializados contribuíram para ampliar as vendas ao mercado internacional.

Dentro da indústria extrativa, alguns produtos apresentaram altas bastante expressivas. As exportações de minérios de cobre e seus concentrados cresceram 126,5%, enquanto os minérios de metais preciosos e seus concentrados avançaram 1.397,6%.

Outro destaque foi o petróleo bruto, cujas vendas externas aumentaram 151% na comparação com a primeira semana de setembro de 2025.

Na indústria de transformação, o crescimento também foi relevante em produtos como farelo de soja e outros alimentos para animais, com alta de 109,7%, celulose, que avançou 45,9%, e ouro não monetário, com crescimento de 169,7%.

Na agropecuária, o café não torrado registrou alta de 61,7%, enquanto as exportações de soja cresceram 5,8%.

Nem todos os produtos acompanharam a alta

Apesar do resultado positivo das exportações, alguns segmentos registraram retração.

Entre os produtos agropecuários, as vendas de algodão em bruto caíram 6%, enquanto as de sementes oleaginosas de girassol, gergelim, canola, algodão e outras recuaram 68,6%.

Na indústria extrativa, o minério de ferro e seus concentrados apresentou queda de 18,6%, enquanto as vendas de minérios de níquel recuaram 100% e as de minérios de alumínio diminuíram 27%.

Já na indústria de transformação, chamam atenção as quedas nas exportações de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada, de 22,5%, e de veículos automóveis de passageiros, de 56,1%.

Importações avançam, puxadas pela indústria

Do lado das compras externas, a Indústria de Transformação continua concentrando a maior parcela das importações brasileiras. O setor movimentou US$ 5,02 bilhões até a primeira semana de setembro, alta de 7,8%. A indústria extrativa somou US$ 270 milhões, crescimento de 32,4%, enquanto a agropecuária registrou US$ 90 milhões, avanço de 3,5%.

Entre os produtos que mais contribuíram para o aumento das importações estão os óleos combustíveis de petróleo, com alta de 108,8%, válvulas, tubos termiônicos, diodos e transistores, que avançaram 84,2%, e veículos automóveis de passageiros, com crescimento de 83,3%.

Também aumentaram as compras externas de soja, que registraram alta de 81,4%, e de milho não moído, com avanço de 23,2%.

Superávit acumulado passa de US$ 57 bilhões

O desempenho de setembro reforça uma trajetória positiva observada ao longo de 2026. No acumulado de janeiro até a primeira semana de setembro, as exportações brasileiras somaram US$ 258,15 bilhões, crescimento de 10,7% em relação ao mesmo período de 2025.

As importações alcançaram US$ 200,93 bilhões, alta de 5%. Com isso, o Brasil acumula um superávit comercial de US$ 57,22 bilhões, crescimento de 36,7% na comparação anual. A corrente de comércio também avançou, chegando a US$ 459,08 bilhões, alta de 8,1%.

Mercado acompanha ritmo das exportações

Os dados da primeira semana de setembro reforçam um cenário de crescimento das operações de comércio exterior brasileiro, especialmente pelo ritmo das exportações.

O avanço de 31,7% nas vendas externas, combinado ao crescimento mais moderado das importações, ampliou significativamente o saldo comercial no período. No acumulado do ano, a diferença entre exportações e importações já ultrapassa US$ 57 bilhões.

Para empresas que atuam em comércio exterior, logística, transporte internacional e operações portuárias, o desempenho também sinaliza um mercado externo movimentado, com forte participação de commodities e expansão em determinados produtos de maior valor agregado.

Mais do que o tamanho do saldo, o ponto de atenção está na velocidade de crescimento das exportações, que começa setembro muito acima do ritmo observado nas importações.

Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) – Balança Comercial.

Texto: Redação

Imagem: JBS Terminais / Foto Tanajura

Ler Mais
Comércio Exterior

Balança comercial brasileira registra superávit de US$ 7,4 bilhões em agosto

A balança comercial brasileira fechou agosto com saldo positivo de US$ 7,4 bilhões, resultado 23,8% superior ao registrado no mesmo mês de 2025. O desempenho foi o terceiro melhor da série para meses de agosto, ficando atrás apenas dos superávits de US$ 9,6 bilhões, em 2023, e de US$ 7,7 bilhões, em 2021.

O resultado foi impulsionado principalmente pelo crescimento das exportações brasileiras, que somaram US$ 33,2 bilhões, avanço de 12,2% em 12 meses. As importações também aumentaram, mas em ritmo inferior, chegando a US$ 25,8 bilhões, alta de 9,2%.

A corrente de comércio, formada pela soma das exportações e importações, alcançou US$ 58,9 bilhões, o maior valor já registrado para um mês de agosto desde o início da série histórica.

Exportações crescem e sustentam o saldo comercial

O aumento das vendas externas foi observado nos principais setores da pauta brasileira. A indústria extrativa exportou US$ 8,3 bilhões, crescimento de 16,4% sobre agosto de 2025.

Na indústria de transformação, as exportações chegaram a US$ 17,2 bilhões, alta de 10,2%. Já a agropecuária registrou US$ 7,4 bilhões em vendas ao exterior, avanço de 11,4%.

Entre os produtos da indústria extrativa, os minérios de cobre e seus concentrados tiveram o maior crescimento, com alta de 223,1%. Também avançaram as exportações de minérios de níquel e concentrados, 120,7%, e de petróleo bruto, 18%. O minério de ferro apresentou crescimento de 20% em valor em parte dos dados setoriais.

Na indústria de transformação, o destaque ficou com os combustíveis, cujas exportações aumentaram 61,6%. As vendas de carnes de aves cresceram 40,5%, enquanto as de farelo de soja e outros alimentos destinados à alimentação animal subiram 36,6%.

Na agropecuária, as exportações de soja aumentaram 14%, as de café não torrado avançaram 24,1% e as vendas de animais vivos, com exceção de pescados e crustáceos, dispararam 174,3%.

Minério de ferro e carne bovina têm queda

Apesar do desempenho positivo da pauta exportadora, alguns produtos apresentaram retração.

As vendas externas de minério de ferro recuaram 10,8% na comparação com agosto de 2025. O resultado refletiu uma queda de 4,4% no preço médio e uma redução de 6,7% no volume embarcado.

A carne bovina brasileira também teve queda nas exportações, de 19,7% em valor. O movimento ocorreu em meio à aproximação do limite de importação definido pela China, principal mercado consumidor da proteína brasileira.

O país asiático estabeleceu uma cota de 1,106 milhão de toneladas para importações sem a cobrança de uma sobretaxa de 55% sobre os volumes que ultrapassarem esse limite.

Europa amplia compras de produtos brasileiros

O crescimento das exportações do Brasil alcançou a maioria dos principais mercados internacionais.

As vendas para a Europa aumentaram 22,1% em agosto, chegando a US$ 7,3 bilhões. Para a África, o avanço foi de 20,5%, para US$ 1,7 bilhão. Já os embarques destinados ao Oriente Médio cresceram 12,6%, totalizando US$ 1,4 bilhão.

Na América do Norte, as exportações brasileiras subiram 11,5%, para US$ 4,6 bilhões. Dentro desse resultado, as vendas aos Estados Unidos cresceram 12,1% em relação a agosto de 2025, mesmo após a entrada em vigor das novas tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros.

A Ásia, principal destino das exportações nacionais, apresentou crescimento mais discreto, de 0,7%, alcançando US$ 13,6 bilhões.

Na América do Sul, por outro lado, houve queda de 1,5%, com as vendas totalizando US$ 3,6 bilhões.

Os números mostram que o avanço das exportações em agosto foi distribuído entre diferentes mercados, com Europa, América do Norte, África e Oriente Médio registrando crescimento de dois dígitos.

Importações avançam 9,2%

As importações brasileiras somaram US$ 25,8 bilhões em agosto, alta de 9,2% ante o mesmo mês do ano passado.

Os bens de capital apresentaram o maior crescimento entre as principais categorias, com alta de 29,3%, para US$ 3,9 bilhões. As compras de bens de consumo também aumentaram, 15%, chegando ao mesmo valor de US$ 3,9 bilhões.

As importações de combustíveis cresceram 7,4%, para US$ 3 bilhões. Já os bens intermediários, que representam a principal categoria entre as compras externas, tiveram avanço de 3,1%, alcançando US$ 15 bilhões.

O aumento das aquisições de bens de capital chama atenção por incluir máquinas, equipamentos e outros itens utilizados diretamente na produção e nos investimentos das empresas.

Superávit acumulado chega a US$ 55,3 bilhões

No acumulado de janeiro a agosto, o superávit comercial brasileiro atingiu US$ 55,3 bilhões, alta de 28,2% sobre os primeiros oito meses de 2025.

As exportações totalizaram US$ 250,9 bilhões, crescimento de 10,3%. As importações, por sua vez, alcançaram US$ 195,5 bilhões, avanço de 6,1%.

O saldo acumulado é o segundo maior da série histórica para o período. O recorde continua sendo de 2023, quando o superávit entre janeiro e agosto chegou a US$ 62,4 bilhões.

A diferença entre o ritmo de crescimento das exportações e das importações contribuiu diretamente para a expansão do saldo. Enquanto as vendas externas avançaram 10,3%, as compras internacionais cresceram 6,1%.

Governo prevê superávit de US$ 90 bilhões em 2026

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) revisou para cima, em julho, a projeção para a balança comercial de 2026.

A estimativa de superávit passou de US$ 72,1 bilhões para US$ 90 bilhões. A previsão para as exportações também aumentou, de US$ 364,2 bilhões para US$ 394,4 bilhões.

Para as importações, a projeção foi elevada de US$ 292,1 bilhões para US$ 304,4 bilhões.

Uma nova atualização das estimativas está prevista para outubro. A projeção do governo supera a expectativa dos analistas consultados pelo Banco Central no boletim Focus, cuja mediana aponta para um saldo comercial de US$ 78 bilhões em 2026.

Com oito meses do ano encerrados, os US$ 55,3 bilhões acumulados correspondem a pouco mais de 61% da previsão oficial de US$ 90 bilhões. Para alcançar essa estimativa, o desempenho do comércio exterior nos quatro meses restantes dependerá principalmente da evolução das exportações, das importações e dos preços das principais commodities brasileiras.

FONTE: O Presente Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Cláudio Neves/Portos do Paraná

Ler Mais
Comércio Exterior

China pode ampliar exportações de frango e disputar mercado com o Brasil, diz Rabobank

A China deve ampliar as exportações de carne de frango nos próximos anos e poderá se tornar uma concorrente mais forte do Brasil no mercado internacional da proteína. A avaliação é de Chenjun Pan, especialista em carnes do Rabobank, que vê possibilidade de maior disputa entre os dois países em mercados como Oriente Médio, Ásia e África ao longo da próxima década.

A mudança ocorre em um cenário no qual a China, atualmente o principal destino da carne de frango brasileira, passou a ser exportadora líquida da proteína em 2025. O movimento está relacionado principalmente ao aumento da oferta de cortes menos consumidos pelos chineses, como o peito de frango.

China começa a ganhar espaço nas exportações de frango

Segundo Pan, ainda não há uma concorrência direta em grande escala com o Brasil, mas o cenário pode mudar nos próximos anos.

A especialista considera que as exportações chinesas de carne de frango in natura apresentam potencial de crescimento, especialmente porque o país passou a vender maiores volumes de cortes como peito de frango no mercado externo.

A China já exportava produtos avícolas há anos, mas historicamente sua presença internacional estava mais concentrada em carne de frango processada. O avanço recente dos embarques de produtos in natura representa uma mudança importante na estratégia do setor.

Brasil ainda lidera mercado global

A China é atualmente o segundo maior produtor mundial de carne de frango, atrás apenas dos Estados Unidos. Mesmo com o crescimento recente, sua participação nas exportações ainda está muito abaixo da brasileira.

Em 2025, a China exportou pouco mais de 1 milhão de toneladas de carne de frango, segundo relatório anual da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

No mesmo ano, o Brasil manteve a liderança mundial e atingiu o recorde de 5,3 milhões de toneladas exportadas.

A diferença mostra a distância que ainda separa os dois países, embora o avanço da produção chinesa possa alterar a dinâmica do comércio internacional nos próximos anos.

Hábitos de consumo geram excedentes exportáveis

Um dos fatores que ajudam a explicar o crescimento das exportações chinesas é o perfil de consumo doméstico.

Segundo Pan, os consumidores chineses demonstram maior preferência por asas e pés de frango, enquanto o peito tem menor procura no mercado interno. Com o aumento da produção, esse desequilíbrio gera excedentes de determinados cortes que podem ser direcionados para outros países.

A produção chinesa vem crescendo em ritmo próximo de 10%, enquanto a demanda doméstica avança mais lentamente.

Entre os destinos das exportações chinesas estão Rússia, Hong Kong, Coreia do Norte e países do Oriente Médio.

União Europeia, Japão e Coreia do Sul seguem fora da disputa

Apesar da expansão, a China ainda encontra restrições importantes em alguns dos principais mercados consumidores de frango.

A União Europeia, o Japão e a Coreia do Sul não aceitam carne proveniente de aves vacinadas contra a gripe aviária. A China utiliza a vacinação como parte de sua estratégia para reduzir os impactos da doença, o que limita o acesso de seus produtos a esses mercados.

Por isso, a competição com o Brasil tende a ser mais relevante em regiões que aceitam a carne chinesa, como partes da Ásia, África e Oriente Médio.

Produção chinesa cresce mais de 9% no primeiro semestre

A expansão da oferta continua acelerada. No primeiro semestre de 2026, a produção chinesa de carne de frango aumentou mais de 9% na comparação anual, depois de crescer cerca de 7% em 2025.

Para Pan, o ritmo de expansão da produção supera o crescimento da demanda doméstica.

Esse cenário aumenta a disponibilidade de proteína para o mercado externo e reforça a possibilidade de crescimento das exportações chinesas.

Estratégia busca reduzir dependência da carne suína

O aumento da produção de frango também está relacionado à política chinesa de diversificação das fontes de proteína animal.

O governo busca reduzir a dependência da carne suína, que ocupa posição central na alimentação do país e tem a China como maior mercado consumidor mundial.

Durante a crise provocada pela peste suína africana, entre 2019 e 2021, a redução da oferta de carne suína provocou forte alta nos preços. A valorização da proteína também beneficiou o mercado de frango e estimulou novos investimentos na avicultura chinesa.

Com a expansão da produção, a participação do frango no mercado chinês de carnes chegou a aproximadamente 28%.

Frango também é estratégico para reduzir uso de ração

Outro fator considerado pelo governo chinês é a eficiência da produção de frango em relação à suinocultura.

A criação de aves demanda menos milho e farelo de soja para produzir uma determinada quantidade de proteína. A característica ganha importância diante do esforço de Pequim para diminuir a dependência das importações de grãos destinados à alimentação animal.

Na avaliação do Rabobank, uma eventual migração do consumo para proteínas que utilizam menos ração, combinada à expectativa de redução da produção de carne suína, pode limitar o crescimento futuro da demanda chinesa por soja.

Carne bovina pode ganhar espaço no mercado chinês

Enquanto o mercado de frango enfrenta forte expansão da oferta, a carne bovina apresenta perspectivas diferentes.

Pan considera que o consumo chinês de carne bovina ainda tem espaço para crescer no futuro. Atualmente, porém, o mercado enfrenta restrições relacionadas à oferta e às condições de importação.

Entre os fatores que afetam o Brasil estão as tarifas de importação extracota aplicadas à carne bovina brasileira e de outros países.

Brasil pode encontrar novas oportunidades após 2028

Segundo a especialista, as tarifas mais elevadas devem permanecer até 2028. Depois desse período, o cenário poderá oferecer novas oportunidades aos exportadores brasileiros.

A perspectiva está relacionada também à mudança no perfil do consumidor chinês, que tende a buscar produtos com maior processamento e valor agregado.

Nesse contexto, embora a China possa aumentar sua presença como exportadora de frango, o mercado chinês continuará sendo estratégico para o agronegócio brasileiro, especialmente se o Brasil conseguir avançar na oferta de proteínas e produtos de maior valor agregado.

FONTE: Folha de São Paulo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Keiny Andrade/Folhapress

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook