Tecnologia

Carros elétricos ainda não reduzem consumo de gasolina no Brasil; entenda os motivos

As vendas de carros elétricos e veículos eletrificados seguem em ritmo acelerado no Brasil, mas esse crescimento ainda não se reflete em uma queda significativa no consumo de gasolina e diesel. Embora os modelos eletrificados tenham alcançado participação recorde nos emplacamentos, a frota movida a combustíveis fósseis continua predominando nas ruas e estradas do país.

Em julho, os eletrificados responderam por 23,3% dos emplacamentos de veículos leves, enquanto o volume acumulado em 2026 ultrapassou 300 mil unidades, representando alta de 123% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em mercados como China e Europa, esse avanço já começa a impactar a demanda por derivados de petróleo, segundo um estudo do Citi. No Brasil, porém, a realidade ainda é diferente.

Consumo de combustíveis continua em alta

Apesar da expansão da mobilidade elétrica, os dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP) mostram que o consumo de combustíveis permanece em crescimento.

No primeiro trimestre de 2026, as vendas de diesel B aumentaram 2,8%, alcançando 16,8 bilhões de litros. A gasolina C também registrou alta de 2,1%, enquanto apenas o etanol hidratado apresentou retração de 6,8%.

O cenário demonstra que o aumento nas vendas de veículos eletrificados ainda não é suficiente para alterar, de forma significativa, a demanda nacional por combustíveis.

Renovação da frota acontece em ritmo lento

O principal fator por trás desse cenário é o tamanho da frota brasileira. Embora os emplacamentos indiquem uma rápida expansão dos eletrificados, o consumo de combustíveis é determinado pelo total de veículos que circulam diariamente.

Dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) apontam que o Brasil possui cerca de 131,8 milhões de veículos, incluindo aproximadamente 65,4 milhões de automóveis, além de motocicletas, caminhonetes, caminhões e outros veículos movidos a gasolina, etanol ou diesel.

Em comparação, o número de veículos leves eletrificados ainda é reduzido. Levantamento da ABVE Data mostra que o país acumulou mais de 836 mil unidades desde 2012 e, com os resultados de julho, esse total já se aproxima de 900 mil veículos.

Eletrificados representam pouco mais de 1% da frota

Mesmo com o crescimento expressivo das vendas, os carros elétricos e demais modelos eletrificados ainda correspondem a pouco mais de 1% da frota nacional de automóveis.

Esse percentual ajuda a explicar por que o impacto sobre o consumo de combustíveis permanece limitado. Cada novo veículo elétrico reduz a necessidade de abastecimento, mas sua participação ainda é pequena diante dos milhões de veículos convencionais em circulação.

Considerando uma média de 12,5 mil quilômetros rodados por ano e um consumo médio de 11 quilômetros por litro, um automóvel totalmente elétrico pode deixar de consumir cerca de 1.140 litros de gasolina por ano. Individualmente, a economia é significativa, mas o efeito nacional ainda é diluído pela dimensão da frota movida a combustão.

Híbridos também influenciam a transição

Outro fator importante é que boa parte dos veículos eletrificados vendidos atualmente ainda utiliza combustíveis líquidos.

Modelos híbridos convencionais (HEV), híbridos flex, híbridos plug-in (PHEV) e os mais recentes elétricos com extensor de autonomia (REEV) reduzem o consumo de gasolina, mas não eliminam completamente a necessidade de abastecimento.

Enquanto um veículo 100% elétrico (BEV) pode dispensar totalmente o uso de combustíveis fósseis, os híbridos proporcionam reduções graduais, que variam conforme a tecnologia e o perfil de utilização do motorista.

Mudança nas estatísticas depende da renovação da frota

As projeções da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) indicam que o consumo de combustíveis deve continuar crescendo no curto prazo, impulsionado pelo aumento da atividade econômica, da logística e da própria frota nacional.

Especialistas apontam que o verdadeiro impacto da eletrificação automotiva será percebido apenas quando os veículos elétricos e híbridos representarem uma parcela mais significativa dos automóveis em circulação.

Até lá, a tendência é de uma transição gradual, na qual a redução do consumo de gasolina dependerá principalmente da velocidade de renovação da frota brasileira e da participação crescente dos diferentes tipos de veículos eletrificados.

FONTE: Inside EVs
TEXTO: Redação
IMAGEM:  Pulso Comunica

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