Tecnologia

França e Alemanha flexibilizam metas para carros elétricos e reforçam indústria automotiva europeia

A França e a Alemanha fecharam um acordo para flexibilizar as regras de emissões de veículos e fortalecer a produção automotiva na Europa. A iniciativa reduz a pressão pela substituição completa dos motores a combustão por modelos elétricos até 2035 e estabelece novas exigências para valorizar componentes fabricados no continente.

O entendimento representa uma concessão às reivindicações da indústria automobilística alemã, que busca preservar sua capacidade produtiva e competitividade. Por outro lado, a flexibilização das metas ambientais provocou críticas de organizações que defendem uma transição mais acelerada para a mobilidade elétrica.

Acordo reduz exigências para veículos a combustão até 2035

Pelo compromisso firmado entre os dois países, as montadoras deverão cortar em 90% as emissões de dióxido de carbono (CO₂) de seus veículos até 2035. Os 10% restantes não precisarão ser compensados nos termos inicialmente propostos pela Comissão Europeia.

A flexibilização considera a utilização crescente de combustíveis classificados como renováveis, incluindo os biocombustíveis, como alternativa para reduzir as emissões do setor automotivo.

A Alemanha defendia mudanças nas regras para proteger sua indústria automobilística, um dos pilares de sua economia. A França, por sua vez, aceitou maior margem para a continuidade dos motores a combustão, em uma negociação que busca conciliar metas ambientais e interesses industriais.

Na prática, o acordo enfraquece a perspectiva de uma substituição integral dos veículos convencionais por modelos elétricos novos a partir de 2035, embora mantenha a exigência de uma redução expressiva das emissões.

Regra de preferência europeia fortalece produção local

Em contrapartida à flexibilização ambiental, a Alemanha concordou com critérios mais rigorosos para a chamada preferência europeia, mecanismo que condiciona o acesso a determinados recursos públicos à utilização de componentes produzidos na Europa ou em países parceiros autorizados.

Segundo informações da Presidência francesa, 70% dos componentes dos veículos e 10% do conteúdo das baterias deverão atender aos critérios de origem estabelecidos pela iniciativa.

A proposta integra a estratégia de valorização do conceito “Feito na Europa”, que pretende ampliar a participação dos fornecedores regionais na cadeia automotiva e reduzir a dependência de produtos importados.

As regras deverão abranger os 27 países da União Europeia e poderão incluir parceiros próximos, como Reino Unido, Noruega e Suíça, conforme as condições definidas em futuros acordos de associação.

Medida busca conter concorrência de veículos chineses

O reforço das exigências de conteúdo regional também tem como objetivo responder ao avanço dos carros elétricos chineses no mercado europeu.

A chegada de veículos produzidos na China intensificou a disputa por preços, tecnologia e participação de mercado, pressionando as montadoras tradicionais do continente.

Com a preferência europeia, os governos pretendem estimular investimentos locais, preservar empregos industriais e fortalecer a produção de componentes estratégicos, especialmente em um setor que passa por profundas transformações tecnológicas.

A proposta, entretanto, levanta questionamentos sobre os critérios de origem dos componentes e sobre a capacidade das novas regras de garantir que os benefícios econômicos permaneçam efetivamente na Europa.

Fornecedores automotivos apoiam compromisso franco-alemão

A Associação Europeia de Fornecedores Automotivos (Clepa) recebeu positivamente o acordo entre França e Alemanha e classificou o compromisso como crucial para o setor.

Para a entidade, o entendimento demonstra que as preocupações da indústria foram consideradas nas discussões sobre o futuro da regulamentação automotiva europeia.

A avaliação favorável reflete a importância de criar condições para que fabricantes e fornecedores se adaptem às mudanças tecnológicas sem comprometer a competitividade da cadeia produtiva regional.

Ambientalistas criticam flexibilização das metas climáticas

As concessões à indústria, porém, provocaram reação de organizações ambientalistas, que consideram a flexibilização um retrocesso na política climática europeia.

A ONG Transport & Environment, sediada em Bruxelas, classificou o acordo como um erro histórico e afirmou que a medida enfraquece tanto a ambição climática quanto a indústria automobilística europeia na disputa global por veículos elétricos e baterias.

A entidade também alertou para possíveis brechas nas regras de origem. Segundo a organização, veículos montados na União Europeia, mas equipados com baterias fabricadas na China, poderiam ser considerados produtos “Feitos na Europa”, dependendo dos critérios adotados.

Na avaliação da ONG, essa possibilidade pode comprometer os esforços para desenvolver uma cadeia produtiva europeia de baterias, considerada estratégica para a transição energética e para a competitividade do setor automotivo.

Europa tenta equilibrar competitividade e transição energética

O acordo franco-alemão evidencia o desafio enfrentado pela União Europeia para conciliar a redução das emissões, a preservação de empregos e a competitividade de suas montadoras diante da concorrência internacional.

Enquanto governos e representantes da indústria defendem maior flexibilidade regulatória e incentivos à produção regional, ambientalistas alertam para os riscos de desacelerar a eletrificação do transporte.

O resultado dessa disputa deverá influenciar os próximos passos da política automotiva europeia, especialmente na definição das regras de emissões, dos critérios de conteúdo local e dos investimentos necessários para consolidar a fabricação de veículos elétricos e baterias no continente.

FONTE: AFP
TEXTO: Redação
IMAGEM: Ina FASSBENDER

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Tecnologia

Recarga rápida de carros elétricos muda estratégia dos eletropostos no Brasil

A expansão da recarga rápida de veículos elétricos está alterando não apenas a infraestrutura da mobilidade elétrica, mas também a forma como empresas enxergam a rentabilidade dos locais destinados ao carregamento.

Um levantamento realizado pela Associação Brasileira do Veículo Elétrico em parceria com a Tupi Mobilidade mostra que o número de pontos de recarga rápida em corrente contínua no Brasil passou de 6.479, em fevereiro, para 8.601, em maio de 2026. O avanço foi de 32,8% em apenas três meses.

Ao todo, o país já conta com mais de 25 mil pontos públicos e semipúblicos de recarga.

Esse crescimento, porém, abre uma discussão que vai além da venda de energia. Em muitos empreendimentos, o principal valor econômico do carregador pode estar justamente no consumidor atraído para o local e no período em que ele permanece ali.

Tempo de recarga vira oportunidade de consumo

A dinâmica de um eletroposto é diferente daquela encontrada em um posto tradicional de combustíveis. Enquanto o abastecimento de um veículo a combustão costuma durar poucos minutos, o carregamento cria uma oportunidade maior de permanência.

Esse intervalo pode ser convertido em consumo, conveniência e relacionamento com o cliente.

Um estudo do Transportation Energy Institute realizado nos Estados Unidos registrou, no quarto trimestre de 2025, uma duração média de 32,8 minutos por sessão de recarga. Em lojas de conveniência, a média foi de 30,7 minutos, enquanto nos supermercados chegou a 33 minutos.

Os hábitos dos motoristas brasileiros não precisam reproduzir exatamente esses números para que a lógica seja aplicável ao mercado nacional.

Quando o usuário tem tempo para tomar um café, fazer compras, trabalhar ou utilizar outros serviços enquanto o veículo carrega, o valor daquela visita pode ir muito além da receita obtida pela eletricidade fornecida.

Eletroposto pode funcionar como porta de entrada para outros negócios

Por isso, analisar a rentabilidade de um ponto de recarga apenas pelo preço cobrado por quilowatt-hora pode deixar de lado parte importante do potencial do negócio.

A regulamentação brasileira permite a exploração comercial da recarga de veículos elétricos, com preços negociados livremente. Isso oferece espaço para diferentes modelos de operação.

A receita, portanto, não precisa depender exclusivamente da energia vendida. O carregador também pode funcionar como uma ferramenta para atrair consumidores para restaurantes, lojas, estacionamentos, supermercados, serviços e programas de fidelidade.

Em determinadas operações, a eletricidade deixa de ser o único produto e passa a atuar como o motivo que leva o consumidor a escolher determinado endereço.

Localização ganha importância na expansão da recarga

A integração entre infraestrutura de recarga e comércio ajuda a explicar por que determinados estabelecimentos podem sair na frente nessa nova etapa da mobilidade elétrica.

Postos de combustíveis já contam, em muitos casos, com localização estratégica, fluxo de veículos, iluminação, banheiros e lojas de conveniência.

Nos supermercados, o tempo de compras pode coincidir com o período necessário para recarregar o veículo. Hotéis e restaurantes, por sua vez, podem incorporar o carregamento à experiência oferecida ao cliente.

Já os estacionamentos têm a possibilidade de combinar a vaga com o fornecimento de energia em um único serviço.

Por isso, escolher o local de instalação de um carregador exige mais do que avaliar a potência elétrica disponível, a capacidade da rede ou a quantidade de veículos que circulam pela região.

Também é necessário observar o entorno e identificar se existem serviços ou experiências capazes de fazer o motorista permanecer naquele endereço.

Recarga ultrarrápida pode reduzir o tempo de permanência

A evolução da tecnologia traz um desafio para esse modelo de negócio. Baterias e carregadores estão ficando mais rápidos, reduzindo o tempo necessário para recuperar autonomia.

Dados da Agência Internacional de Energia (IEA), apresentados no Global EV Outlook 2026, indicam que, em veículos compatíveis com potências mais elevadas, 15 minutos conectados a um carregador de 150 kW podem adicionar quase 180 quilômetros de autonomia.

Isso significa que os modelos comerciais não podem depender da expectativa de que o motorista permanecerá 30 ou 40 minutos no estabelecimento durante todas as recargas.

Ao mesmo tempo, a redução do tempo de carregamento não elimina a importância da experiência oferecida ao consumidor. Ela pode, na verdade, aumentar a disputa entre os diferentes pontos de recarga.

Se dois eletropostos oferecem velocidades semelhantes, aspectos como conforto, segurança, alimentação, facilidade de pagamento e disponibilidade de serviços podem pesar na escolha do motorista.

Experiência pode definir vantagem competitiva

A expansão da mobilidade elétrica no Brasil indica que a disputa no mercado de recarga não será determinada apenas pela quantidade de equipamentos instalados ou pelo preço cobrado pela energia.

A combinação entre localização, infraestrutura e experiência tende a se tornar um diferencial mais difícil de copiar.

Para postos de combustíveis, supermercados, hotéis, estacionamentos e centros comerciais, o carregador pode ser encarado como parte de uma jornada de consumo mais ampla, e não apenas como um equipamento instalado para fornecer eletricidade.

O eletroposto do futuro continuará vendendo energia, mas sua competitividade poderá depender cada vez mais do que o consumidor encontra e faz enquanto o veículo recupera autonomia.

Nesse cenário, a recarga rápida deixa de ser apenas uma infraestrutura de transporte e passa a integrar uma estratégia de atração, permanência e relacionamento com clientes.

Tags: recarga rápida, carros elétricos, eletropostos, veículos elétricos, mobilidade elétrica, infraestrutura de recarga, carregadores elétricos, mercado de EVs, eletrificação

FONTE: Exame
TEXTO: Redação
IMAGEM: Leandro fonseca/Exame

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Transporte

Caminhões elétricos na China já ajudam a reduzir consumo de petróleo, diz IEA

A expansão dos veículos elétricos na China já tem impacto mensurável sobre o consumo de petróleo. Segundo estimativa da Agência Internacional de Energia (IEA), a eletrificação da frota evitou o uso de aproximadamente 1 milhão de barris de petróleo por dia no país em 2025.

O cálculo considera o volume de combustível que seria necessário para abastecer veículos com motores a combustão caso eles não tivessem sido substituídos por modelos elétricos. Do total poupado na China, os caminhões elétricos responderam por mais de 10%.

A estimativa da IEA considera todas as categorias de veículos elétricos, e não exclusivamente os caminhões.

China concentra mercado de caminhões elétricos

O avanço dos caminhões elétricos também aparece nos números globais. As vendas desse tipo de veículo mais que dobraram em 2025 e superaram 400 mil unidades no mundo.

A China foi responsável por mais de 90% das vendas globais no período, consolidando a liderança do país nesse mercado.

Entre os caminhões pesados, os modelos elétricos passaram de 13% das vendas chinesas em 2024 para cerca de 28% em 2025. Em dezembro do ano passado, a participação chegou a aproximadamente 50%.

Os dados mais recentes também indicam continuidade do crescimento. No primeiro trimestre de 2026, as vendas de caminhões elétricos na China avançaram mais de 20% em relação aos três primeiros meses de 2025.

Eletrificação reduz demanda por diesel e petróleo

Considerando todas as categorias de veículos elétricos, a IEA estima que aproximadamente 1,7 milhão de barris de petróleo por dia deixaram de ser consumidos em todo o mundo em 2025.

A China respondeu por cerca de 1 milhão de barris diários desse volume. A estimativa representa o combustível que deixou de ser utilizado porque veículos movidos por motores a combustão foram substituídos por alternativas elétricas.

No caso dos caminhões, o efeito está diretamente relacionado à redução do uso de diesel, combustível amplamente utilizado por veículos pesados.

Portos e mineração estão entre os setores com maior adoção

A IEA observa que a eletrificação dos caminhões avança especialmente em atividades nas quais as rotas e os horários de operação são mais previsíveis.

Entre as aplicações citadas estão portos, mineração e transporte industrial. Nesses segmentos, é possível estabelecer pontos fixos de recarga ou adotar sistemas de troca de baterias, facilitando o planejamento das operações.

A disponibilidade de infraestrutura de recarga é apontada como um dos fatores que influenciam a adoção dos caminhões elétricos.

China estabelece meta para caminhões de nova energia

O governo chinês estabeleceu como objetivo que os veículos de nova energia correspondam a 40% das vendas de caminhões pesados até 2030.

Além de ser o principal mercado consumidor, a China também concentra a produção mundial de caminhões elétricos. De acordo com a IEA, mais de 90% das unidades comercializadas globalmente em 2025 foram vendidas no país.

Caminhão elétrico pode alcançar equilíbrio de custos

A análise da IEA indica que, em determinadas aplicações, os caminhões elétricos podem alcançar paridade no custo total de propriedade com modelos a diesel em aproximadamente cinco anos.

A comparação considera não apenas o preço de aquisição, mas também despesas com energia e os custos de operação durante o período de utilização do veículo.

Essa avaliação pode variar conforme o tipo de operação, a distância percorrida, os preços de energia e combustível e as condições de uso dos caminhões.

IEA prevê aumento da economia de petróleo até 2030

A tendência de eletrificação deve ampliar o impacto sobre a demanda por petróleo nos próximos anos.

No cenário baseado nas políticas atualmente adotadas, a IEA projeta que os veículos elétricos, considerando diferentes categorias, poderão evitar o consumo de aproximadamente 5 milhões de barris de petróleo por dia até 2030.

FONTE: Transporte Moderno
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação

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Tecnologia

Carros elétricos ainda não reduzem consumo de gasolina no Brasil; entenda os motivos

As vendas de carros elétricos e veículos eletrificados seguem em ritmo acelerado no Brasil, mas esse crescimento ainda não se reflete em uma queda significativa no consumo de gasolina e diesel. Embora os modelos eletrificados tenham alcançado participação recorde nos emplacamentos, a frota movida a combustíveis fósseis continua predominando nas ruas e estradas do país.

Em julho, os eletrificados responderam por 23,3% dos emplacamentos de veículos leves, enquanto o volume acumulado em 2026 ultrapassou 300 mil unidades, representando alta de 123% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em mercados como China e Europa, esse avanço já começa a impactar a demanda por derivados de petróleo, segundo um estudo do Citi. No Brasil, porém, a realidade ainda é diferente.

Consumo de combustíveis continua em alta

Apesar da expansão da mobilidade elétrica, os dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP) mostram que o consumo de combustíveis permanece em crescimento.

No primeiro trimestre de 2026, as vendas de diesel B aumentaram 2,8%, alcançando 16,8 bilhões de litros. A gasolina C também registrou alta de 2,1%, enquanto apenas o etanol hidratado apresentou retração de 6,8%.

O cenário demonstra que o aumento nas vendas de veículos eletrificados ainda não é suficiente para alterar, de forma significativa, a demanda nacional por combustíveis.

Renovação da frota acontece em ritmo lento

O principal fator por trás desse cenário é o tamanho da frota brasileira. Embora os emplacamentos indiquem uma rápida expansão dos eletrificados, o consumo de combustíveis é determinado pelo total de veículos que circulam diariamente.

Dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) apontam que o Brasil possui cerca de 131,8 milhões de veículos, incluindo aproximadamente 65,4 milhões de automóveis, além de motocicletas, caminhonetes, caminhões e outros veículos movidos a gasolina, etanol ou diesel.

Em comparação, o número de veículos leves eletrificados ainda é reduzido. Levantamento da ABVE Data mostra que o país acumulou mais de 836 mil unidades desde 2012 e, com os resultados de julho, esse total já se aproxima de 900 mil veículos.

Eletrificados representam pouco mais de 1% da frota

Mesmo com o crescimento expressivo das vendas, os carros elétricos e demais modelos eletrificados ainda correspondem a pouco mais de 1% da frota nacional de automóveis.

Esse percentual ajuda a explicar por que o impacto sobre o consumo de combustíveis permanece limitado. Cada novo veículo elétrico reduz a necessidade de abastecimento, mas sua participação ainda é pequena diante dos milhões de veículos convencionais em circulação.

Considerando uma média de 12,5 mil quilômetros rodados por ano e um consumo médio de 11 quilômetros por litro, um automóvel totalmente elétrico pode deixar de consumir cerca de 1.140 litros de gasolina por ano. Individualmente, a economia é significativa, mas o efeito nacional ainda é diluído pela dimensão da frota movida a combustão.

Híbridos também influenciam a transição

Outro fator importante é que boa parte dos veículos eletrificados vendidos atualmente ainda utiliza combustíveis líquidos.

Modelos híbridos convencionais (HEV), híbridos flex, híbridos plug-in (PHEV) e os mais recentes elétricos com extensor de autonomia (REEV) reduzem o consumo de gasolina, mas não eliminam completamente a necessidade de abastecimento.

Enquanto um veículo 100% elétrico (BEV) pode dispensar totalmente o uso de combustíveis fósseis, os híbridos proporcionam reduções graduais, que variam conforme a tecnologia e o perfil de utilização do motorista.

Mudança nas estatísticas depende da renovação da frota

As projeções da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) indicam que o consumo de combustíveis deve continuar crescendo no curto prazo, impulsionado pelo aumento da atividade econômica, da logística e da própria frota nacional.

Especialistas apontam que o verdadeiro impacto da eletrificação automotiva será percebido apenas quando os veículos elétricos e híbridos representarem uma parcela mais significativa dos automóveis em circulação.

Até lá, a tendência é de uma transição gradual, na qual a redução do consumo de gasolina dependerá principalmente da velocidade de renovação da frota brasileira e da participação crescente dos diferentes tipos de veículos eletrificados.

FONTE: Inside EVs
TEXTO: Redação
IMAGEM:  Pulso Comunica

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Tecnologia

BYD amplia investimentos no Brasil com veículos elétricos, carregadores ultrarrápidos e centro de testes

A BYD Brasil anunciou novos investimentos voltados à expansão da mobilidade elétrica no país, incluindo um centro de pesquisa para testes de veículos autônomos, a instalação de carregadores ultrarrápidos e a entrega de ônibus elétricos para a cidade de São Paulo.

Segundo Marcello Schneider, diretor de Veículos Comerciais e Energia Solar da BYD Brasil, a empresa pretende instalar mil unidades de carregadores ultrarrápidos no território nacional e disponibilizar 100 ônibus elétricos para a capital paulista até o início de 2027.

Rio de Janeiro terá centro de testes para veículos autônomos

Durante o Seminário LIDE Transportes, realizado em São Paulo, Schneider afirmou que as atividades de pesquisa, desenvolvimento e avaliação de veículos autônomos serão realizadas no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro.

O espaço será utilizado para testes de novas tecnologias aplicadas ao transporte, ampliando a presença da fabricante chinesa em projetos de inovação no setor automotivo brasileiro.

Carregadores poderão abastecer veículos em cinco minutos

Entre as iniciativas anunciadas está a expansão da infraestrutura de recarga para veículos elétricos. De acordo com a BYD, os novos carregadores ultrarrápidos terão capacidade de completar o carregamento de um veículo em aproximadamente cinco minutos.

A medida faz parte da estratégia da companhia para acelerar a adoção dos carros elétricos no Brasil, reduzindo uma das principais barreiras para consumidores e empresas: a disponibilidade de pontos de recarga.

Eletrificação avança em setores industriais

Além do transporte urbano, a BYD destaca que a eletrificação já começa a ganhar espaço em segmentos como portos e mineração.

Segundo Schneider, a substituição de caminhões convencionais por modelos elétricos em operações de mineração pode gerar redução de 60% a 70% nos custos operacionais, principalmente devido à maior eficiência energética e à diminuição de despesas relacionadas ao combustível e manutenção.

Mobilidade elétrica envolve energia, baterias e tecnologia

O executivo apresentou a eletrificação dos transportes como parte de um ecossistema mais amplo, que reúne geração e armazenamento de energia, produção de baterias, componentes eletrônicos e veículos desenvolvidos para diferentes aplicações.

Para a BYD, a expansão da mobilidade sustentável depende da integração entre infraestrutura, tecnologia e novos modelos de transporte, com foco na redução de emissões e no aumento da eficiência operacional.

FONTE: Xinhua
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Xinhua

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Tecnologia

Cota zero para CKD e SKD impulsiona mercado de veículos eletrificados no Brasil

O Governo Federal anunciou uma nova medida que altera o cenário da mobilidade elétrica no país. O Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex-Camex) aprovou uma cota de US$ 463 milhões (aproximadamente R$ 2,4 bilhões) para a importação de veículos eletrificados nos regimes CKD (completamente desmontados) e SKD (semidesmontados), com isenção do Imposto de Importação entre 1º de julho e 31 de dezembro de 2026.

A decisão, porém, não contempla os veículos CBU, que chegam ao Brasil totalmente montados. Esses modelos voltarão a pagar a tarifa integral de 35% de imposto a partir de julho.

Benefício vale apenas para veículos desmontados

A nova política não representa uma isenção ampla para todos os carros elétricos e híbridos importados. O incentivo foi direcionado exclusivamente aos kits destinados à montagem em território nacional.

Após o esgotamento da cota, os veículos no regime SKD passarão a recolher 35% de imposto de importação já em julho. Já os modelos CKD continuarão sujeitos à alíquota de 14% até o fim de 2026, quando também passarão a pagar 35%, em janeiro de 2027.

Mercado passa a operar em dois cenários

A medida cria uma diferença significativa entre fabricantes que produzem localmente e aquelas que dependem da importação de veículos prontos.

Empresas que comercializam modelos totalmente importados poderão enfrentar aumento de custos, necessidade de reajustar preços ou recorrer aos estoques para manter a competitividade. Em contrapartida, montadoras que já possuem ou estão implantando linhas de montagem no Brasil ganham uma vantagem tributária durante o período de transição.

BYD e outras montadoras são favorecidas

Entre as empresas beneficiadas está a BYD, que mantém operações em Camaçari (BA) e defendia a ampliação do prazo para utilização das cotas sem incidência do imposto enquanto conclui sua estrutura industrial no país.

A medida também favorece a GWM, que iniciou a produção em Iracemápolis (SP), além da General Motors e da MG, que deverá iniciar operações no polo automotivo do Ceará em outubro.

Nos bastidores da indústria, a decisão intensificou o debate entre fabricantes recém-chegadas e montadoras tradicionais instaladas no Brasil.

Governo reforça estratégia para ampliar produção nacional

Segundo o secretário de Desenvolvimento Industrial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Uallace Moreira, a iniciativa está alinhada às políticas de renovação da frota, inovação tecnológica e descarbonização da indústria automotiva.

De acordo com o governo, a cota funciona como um mecanismo de transição entre a simples importação de veículos e a produção nacional, permitindo que fabricantes em fase de instalação mantenham competitividade até ampliarem suas operações industriais no país.

Moreira também destacou que o objetivo é consolidar o Brasil como referência na fabricação de veículos eletrificados, fortalecendo toda a cadeia produtiva, incluindo fornecedores de autopeças, baterias, engenharia e software.

Indústria automotiva e setor de autopeças criticam medida

A decisão gerou reação da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), que afirmou que a mudança altera uma política previamente estabelecida pelo próprio governo sem consulta ao setor produtivo.

Em nota, a entidade argumenta que a medida pode comprometer a estratégia criada para incentivar simultaneamente a expansão da eletromobilidade e a atração de investimentos industriais de longo prazo.

O setor de autopeças também demonstrou preocupação. Abipeças e Sindipeças criticaram a criação da nova cota, alegando que a redução do imposto para kits importados diminui o incentivo à nacionalização de componentes, colocando em risco investimentos, empresas e empregos ligados à cadeia automotiva brasileira.

ABVE vê medida como incentivo temporário

Para o presidente da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), Ricardo Bastos, a política possui prazo e orçamento definidos, funcionando como um incentivo temporário para acelerar a adoção de novas tecnologias.

Segundo ele, a tributação dos veículos prontos permanece conforme o cronograma estabelecido em 2023 dentro do Programa Mover (Mobilidade Verde e Inovação), preservando a política industrial de médio e longo prazo.

Bastos avalia que a medida favorece o abastecimento do mercado com produção nacional, reduzindo a necessidade de importar veículos totalmente montados.

Mercado de eletrificados deve seguir em expansão

A ABVE projeta que as vendas de veículos elétricos e híbridos poderão atingir cerca de 400 mil unidades, número que sobe para aproximadamente 430 mil quando considerados também os modelos híbridos leves (MHEV).

Embora a nova cota reduza a carga tributária das montadoras que utilizam os regimes CKD e SKD, o mercado ainda acompanhará se essa redução será efetivamente repassada ao consumidor final nos preços praticados por fabricantes como BYD, General Motors, GWM, Caoa Chery e MG.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: BYD

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Tecnologia

Carros super-híbridos ganham força e prometem revolucionar a mobilidade com autonomia acima de 1.000 km

A transição para a eletrificação dos automóveis continua avançando, mesmo após o ritmo mais lento do que o previsto nos últimos anos. Embora projeções anteriores apontassem para uma predominância de veículos totalmente elétricos nos Estados Unidos até 2035, fatores como altos custos, mudanças políticas e resistência de parte dos consumidores levaram as montadoras a rever seus planos.

Apesar dos ajustes estratégicos e dos bilhões de dólares investidos em projetos posteriormente reformulados, a indústria automotiva segue apostando na eletrificação. Nesse cenário, uma nova categoria começa a ganhar destaque: os veículos elétricos de autonomia estendida (EREV), considerados por muitos especialistas como a próxima etapa da mobilidade eletrificada.

Entendendo os diferentes tipos de eletrificação

Antes de compreender o papel dos EREVs, é importante conhecer os principais sistemas disponíveis atualmente.

HEVs: os híbridos convencionais

Os híbridos elétricos (HEVs) combinam motor a combustão e propulsão elétrica, utilizando uma bateria de pequena capacidade que é recarregada durante a frenagem ou desaceleração do veículo.

Modelos como o Toyota Prius popularizaram essa tecnologia, que dispensa conexão em tomadas e oferece melhor eficiência energética em comparação aos carros exclusivamente movidos a gasolina.

BEVs: os elétricos puros

Os veículos elétricos a bateria (BEVs) são representados por modelos de fabricantes como Tesla, Porsche e diversas outras marcas globais. Eles utilizam exclusivamente energia elétrica armazenada em grandes baterias, proporcionando condução silenciosa, respostas rápidas ao acelerador e menor necessidade de manutenção.

Por outro lado, as baterias de grande capacidade elevam significativamente os custos de produção. Além disso, fatores como reboque de cargas e longas viagens ainda podem impactar a autonomia desses veículos.

PHEVs: híbridos plug-in

Os híbridos plug-in (PHEVs) representam uma evolução dos híbridos convencionais. Equipados com baterias maiores e sistema de recarga externa, conseguem rodar dezenas de quilômetros apenas no modo elétrico antes de acionarem o motor a combustão.

Modelos modernos podem atender a boa parte dos deslocamentos urbanos utilizando somente eletricidade, reduzindo de forma significativa o consumo de combustível.

O que são os carros elétricos de autonomia estendida (EREV)?

Os EREVs unem características dos carros elétricos e dos híbridos plug-in, mas apresentam uma diferença fundamental: as rodas são movimentadas exclusivamente por motores elétricos.

Nesse sistema, o motor a combustão não impulsiona diretamente o veículo. Sua função é atuar como gerador de energia para recarregar a bateria quando necessário.

A proposta é utilizar baterias de tamanho intermediário — maiores que as dos híbridos plug-in e menores que as dos elétricos puros — reduzindo custos e peso sem comprometer a experiência de condução elétrica.

Vantagens dos super-híbridos

Entre os principais benefícios dos carros super-híbridos estão:

  • Maior autonomia total;
  • Menor dependência de carregadores públicos;
  • Redução do custo das baterias;
  • Condução predominantemente elétrica;
  • Menor ansiedade relacionada à autonomia;
  • Melhor desempenho em viagens longas e reboque.

Como o motor a combustão opera em faixas de eficiência mais elevadas, a tecnologia também tende a otimizar o consumo energético.

Tecnologia não é nova, mas evoluiu

A ideia dos veículos de autonomia estendida já foi testada anteriormente. Um dos exemplos mais conhecidos foi o BMW i3 equipado com extensor de autonomia.

Na época, o sistema apresentava limitações de desempenho quando a bateria estava descarregada e o pequeno motor gerador precisava sustentar sozinho o fornecimento de energia.

As novas gerações prometem superar essas restrições por meio de baterias mais eficientes e geradores mais potentes.

Picapes e SUVs serão os principais beneficiados

A nova tecnologia chama a atenção principalmente entre fabricantes de picapes e utilitários esportivos.

Marcas como Ford, Jeep, Ram, Scout, Kia, Genesis e Nissan já estudam ou anunciaram projetos envolvendo sistemas EREV.

O motivo é simples: veículos maiores possuem espaço suficiente para acomodar baterias, motores elétricos e geradores adicionais sem comprometer a capacidade de carga.

Além disso, a tecnologia resolve um dos principais desafios dos elétricos atuais: a perda significativa de autonomia durante o reboque de trailers, barcos ou equipamentos pesados.

Stellantis prepara primeiros modelos EREV

Os primeiros modelos de grande volume equipados com essa tecnologia devem chegar ao mercado por meio da Stellantis.

Entre os destaques estão a Jeep Grand Wagoneer REEV e a Ram 1500 REV, previstas para estrear no fim de 2026.

O conjunto mecânico utiliza um motor V6 ligado a um gerador de 130 kW e uma bateria de 92 kWh. Segundo a fabricante, o sistema permitirá rodar cerca de 233 quilômetros apenas com eletricidade e superar os 960 quilômetros de autonomia total.

A Ram também promete números impressionantes de desempenho, incluindo 647 cavalos de potência, capacidade de carga superior a uma tonelada e reboque de até sete toneladas.

Ford aposta em autonomia superior a 1.100 quilômetros

A Ford também confirmou o desenvolvimento de uma versão EREV da linha Lightning.

De acordo com a montadora, a futura Ford Lightning EREV combinará aceleração típica de um veículo elétrico com autonomia estimada acima de 1.120 quilômetros.

A expectativa é que o modelo seja lançado no mercado por volta de 2028.

Scout projeta desempenho esportivo e grande capacidade de reboque

A Scout Motors, marca retomada pela Volkswagen, também prepara veículos com autonomia estendida.

Os projetos incluem a picape Terra e o SUV Traveler, ambos desenvolvidos para oferecer elevada capacidade de reboque e desempenho robusto.

Segundo as projeções iniciais, o sistema EREV equipado com motor de quatro cilindros poderá alcançar aproximadamente 805 quilômetros de autonomia, enquanto a versão totalmente elétrica deverá atingir cerca de 563 quilômetros.

Super-híbridos podem ser a ponte para o futuro da eletrificação

Embora os avanços nas baterias continuem acelerando a adoção dos veículos elétricos puros, os EREVs surgem como uma solução intermediária capaz de atender consumidores que ainda valorizam a segurança de um tanque de combustível para viagens longas.

Ao combinar a experiência de condução elétrica com a praticidade de um gerador a combustão, os chamados super-híbridos podem ocupar um espaço estratégico no mercado automotivo durante os próximos anos, especialmente entre proprietários de picapes, SUVs e veículos destinados ao reboque.

FONTE: Infomoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Unsplash

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Tecnologia

BYD investirá até R$ 500 milhões para ampliar produção de baterias no Brasil

A fabricante chinesa BYD confirmou um investimento de até R$ 500 milhões para expandir sua capacidade de produção de baterias de lítio no Brasil. O anúncio ocorre após o governo federal definir as diretrizes do primeiro leilão nacional voltado à contratação de sistemas de armazenamento de energia para o Sistema Interligado Nacional (SIN).

A informação foi divulgada inicialmente pelo Valor Econômico e reforça o interesse da empresa em ampliar sua atuação no mercado brasileiro de soluções energéticas.

Empresa avalia ampliar fábrica em Manaus ou construir nova unidade

De acordo com o vice-presidente sênior da BYD Brasil, Alexandre Baldy, a companhia ainda analisa qual será o destino do aporte. Entre as alternativas estão a expansão da fábrica já instalada em Manaus (AM) ou a construção de uma nova unidade industrial no país.

A definição deve ocorrer nos próximos três meses, após a conclusão dos estudos técnicos e estratégicos.

Segundo Baldy, a decisão sobre o investimento já está tomada, restando apenas a escolha do local mais adequado para receber a operação.

Atualmente, a BYD produz em Manaus baterias do tipo LFP (lítio-ferro-fosfato), utilizadas tanto em ônibus elétricos quanto em sistemas de armazenamento destinados a aplicações de backup energético.

Leilão de armazenamento foi decisivo para novo aporte

A expectativa em torno do primeiro leilão de armazenamento de energia do país foi um dos fatores que motivaram a decisão da companhia. O certame está previsto para ocorrer entre os dias 2 e 4 de dezembro e deverá impulsionar a instalação de novas fábricas e a nacionalização de componentes.

Um dos pontos que mais chamou a atenção da empresa foi a exigência de conteúdo nacional nos projetos participantes, conforme critérios que ainda serão regulamentados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Segundo a BYD, as regras finais poderão influenciar diretamente o volume de recursos destinados à ampliação da produção no Brasil.

O projeto será financiado com capital próprio e os recursos serão liberados após a definição da estratégia industrial da empresa.

Incentivos regionais podem influenciar escolha da localização

A escolha da futura unidade também dependerá dos incentivos previstos pelo governo para empreendimentos instalados em regiões consideradas estratégicas para o setor elétrico.

A proposta prevê benefícios para projetos localizados próximos a áreas indicadas pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), distribuídas em estados como Bahia, Ceará, Minas Gerais, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Alagoas e Paraíba.

Esses incentivos poderão representar vantagens competitivas nos leilões, funcionando como um mecanismo de redução dos valores ofertados pelos participantes.

Expansão deve gerar empregos e ampliar produção nacional

A expectativa inicial da montadora é criar ao menos 400 empregos diretos com o novo investimento.

A empresa já possui uma presença industrial consolidada no Brasil, com operações em Manaus, Campinas (SP) e Camaçari (BA), onde desenvolve projetos ligados à mobilidade elétrica, fabricação de veículos e produção de componentes.

Embora ainda não tenha detalhado quais itens serão fabricados localmente, a companhia afirma que pretende ampliar gradualmente o índice de nacionalização de sua cadeia produtiva, sempre que houver viabilidade econômica e industrial.

Mercado de baterias deve crescer além dos leilões

Para a BYD, o mercado brasileiro de armazenamento de energia tem potencial para crescer muito além das contratações públicas.

A empresa avalia que o avanço da regulamentação do setor pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), aliado ao interesse crescente de diferentes segmentos econômicos, tende a acelerar a adoção da tecnologia nos próximos anos.

Além das distribuidoras de energia, setores como agronegócio, mineração e indústria já demonstram interesse em soluções de armazenamento capazes de aumentar a eficiência operacional e a segurança no fornecimento de eletricidade.

BYD reforça estratégia de expansão no Brasil

O novo investimento integra um plano mais amplo de crescimento da BYD no país. Nos últimos anos, a empresa tem ampliado sua presença industrial e tecnológica em diferentes frentes ligadas à transição energética e à mobilidade sustentável.

Em março, a companhia anunciou a instalação de seu primeiro centro de testes e desenvolvimento automotivo no Rio de Janeiro, com investimento estimado em R$ 300 milhões.

Com a ampliação da produção de baterias, a empresa busca fortalecer sua posição tanto no mercado de veículos elétricos quanto no segmento de infraestrutura energética, considerado estratégico para acompanhar o avanço das fontes renováveis e a modernização do sistema elétrico brasileiro.

FONTE: Brasil 247
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/REUTERS/Stephane Mahe

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Tecnologia

Carros elétricos devem atingir 23 milhões de vendas em 2026 e ganham espaço no mercado brasileiro

Os carros elétricos seguem avançando em ritmo acelerado no mercado global e devem alcançar um novo recorde de vendas em 2026. De acordo com o relatório Global EV Outlook 2026, divulgado pela Agência Internacional de Energia (AIE), a expectativa é que cerca de 23 milhões de veículos elétricos sejam comercializados em todo o mundo até o fim do ano, representando aproximadamente 30% das vendas globais de automóveis.

O crescimento reforça a consolidação dos veículos eletrificados como uma tendência definitiva da indústria automotiva, impulsionada pela expansão da infraestrutura de recarga, maior oferta de modelos e redução gradual dos custos em diversos mercados.

China lidera expansão global dos veículos elétricos

A China continua ocupando posição de destaque no segmento. Em 2025, as fabricantes chinesas responderam por cerca de 60% das vendas mundiais de veículos elétricos, ampliando ainda mais sua liderança no setor.

Enquanto isso, montadoras da Europa e da América do Norte concentraram aproximadamente 15% das vendas globais.

Apesar de oscilações registradas em alguns mercados, a eletrificação da frota mundial segue avançando. No primeiro trimestre de 2026, as vendas globais apresentaram retração de 8%, mas algumas regiões mantiveram forte crescimento.

A América Latina chamou atenção ao registrar aumento de 75% nas vendas de veículos elétricos, um dos melhores desempenhos observados no período.

Frota global pode superar 500 milhões de veículos até 2035

As projeções da Agência Internacional de Energia indicam que a transformação do setor automotivo ainda está longe de atingir seu limite.

Mesmo sem a adoção de novos incentivos governamentais, a frota mundial de veículos elétricos — excluindo motocicletas e triciclos — pode saltar dos atuais quase 80 milhões para cerca de 510 milhões de unidades até 2035.

O avanço da mobilidade elétrica vem alterando a dinâmica da indústria, aumentando a concorrência entre fabricantes e acelerando investimentos em novas tecnologias voltadas à eficiência energética e à sustentabilidade.

Brasil registra recorde de vendas de veículos eletrificados

O mercado brasileiro também acompanha essa tendência de crescimento. Dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) mostram que abril de 2026 registrou o maior volume mensal de emplacamentos de veículos elétricos e híbridos da história do país.

Foram comercializadas 38.516 unidades no período, resultado que representa alta de 9% em relação ao mês anterior e crescimento expressivo de 161% na comparação com abril de 2025.

No acumulado de 2026, as vendas já alcançam 122.463 veículos eletrificados, consolidando a expansão do segmento no mercado nacional.

Com esse desempenho, os modelos elétricos e híbridos passaram a representar 16% de participação no mercado automotivo brasileiro.

Sustentabilidade e mudança de comportamento impulsionam demanda

Especialistas apontam que a busca por alternativas mais sustentáveis tem sido um dos principais motores do crescimento dos carros elétricos e híbridos.

As metas globais de redução das emissões de carbono vêm pressionando montadoras a acelerar seus processos de eletrificação, ao mesmo tempo em que aumentam o interesse dos consumidores por tecnologias menos poluentes.

Outro fator relevante é a mudança no perfil do público comprador. Pesquisas de mercado indicam que consumidores das gerações Y e Z demonstram maior predisposição à adoção da mobilidade elétrica.

Segundo levantamento recente, 52% dos entrevistados dessas faixas etárias afirmaram já possuir ou planejar adquirir um veículo eletrificado nos próximos anos.

Mercado automotivo vive transformação estrutural

O crescimento das vendas globais, aliado ao recorde registrado no Brasil, evidencia uma mudança estrutural no setor automotivo.

Além da evolução tecnológica e das questões ambientais, cresce entre os consumidores a percepção de que os veículos movidos exclusivamente por combustíveis fósseis tendem a perder participação de mercado ao longo da próxima década.

Com projeções cada vez mais robustas, os veículos elétricos, híbridos e demais soluções de mobilidade sustentável assumem papel estratégico no futuro da indústria automotiva mundial.

FONTE: Click Petróleo e Gás
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CPG

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Tecnologia

Volkswagen na China aposta em plano bilionário para enfrentar avanço de BYD e Geely

A Volkswagen enfrenta o momento mais desafiador de sua trajetória na China, maior mercado automotivo do mundo. A projeção é de que o lucro operacional da montadora caia para cerca de US$ 500 milhões em 2026, um recuo expressivo em relação aos aproximadamente 5 bilhões de euros registrados há uma década.

A perda de espaço está diretamente ligada à forte ascensão das fabricantes locais de carros elétricos, como BYD e Geely, que vêm conquistando consumidores chineses com tecnologia mais acessível e inovação acelerada.

Estratégia “na China, para a China” muda modelo global da Volkswagen

Diante desse cenário, a montadora alemã adotou uma nova diretriz estratégica baseada no conceito “na China, para a China”, segundo informações apuradas pelo Wall Street Journal.

O objetivo é tornar a operação chinesa mais independente da estrutura tradicional da sede em Wolfsburg, na Alemanha, reduzindo a influência de processos considerados lentos e de um design visto como menos competitivo no mercado local.

Como parte desse reposicionamento, a Volkswagen investiu cerca de US$ 3,5 bilhões em um centro de desenvolvimento em Hefei, considerado um dos mais avançados do setor automotivo e com dimensão equivalente a 18 campos de futebol.

Durante visita ao país, o CEO Oliver Blume destacou a intensidade do ambiente competitivo chinês, afirmando que os ciclos tecnológicos são mais curtos e as exigências dos consumidores evoluem em ritmo acelerado.

Parcerias e investimentos em tecnologia aceleram transformação

A mudança representa uma ruptura no modelo tradicional da indústria automotiva global. Durante décadas, a Volkswagen exportava tecnologia da Alemanha para suas joint ventures na China. Agora, o fluxo se inverte: o conhecimento passa a ser compartilhado com startups e empresas chinesas de tecnologia.

Nesse contexto, a montadora adquiriu 5% da startup de veículos elétricos Xpeng e firmou parceria com a Horizon Robotics para o desenvolvimento de sistemas de condução autônoma.

Os primeiros resultados dessa estratégia já começam a chegar ao mercado com o modelo ID. Unyx 07, equipado com sistemas avançados de computação central, assistente de voz e recursos de inteligência artificial (IA). Segundo a empresa, o tempo de desenvolvimento de novos veículos foi reduzido em cerca de 30%.

Concorrência local pressiona liderança da Volkswagen

Apesar dos avanços, analistas ouvidos pelo Wall Street Journal avaliam que a Volkswagen ainda não alcançou a liderança tecnológica no segmento de veículos elétricos.

O principal desafio não está apenas no desenvolvimento, mas na aceitação comercial. A performance dos novos modelos nas concessionárias será decisiva para medir a efetividade da estratégia.

Imagem da marca perde força entre consumidores jovens

Além da disputa tecnológica, a Volkswagen enfrenta um desafio de percepção no mercado chinês. A marca, antes associada à confiabilidade e qualidade, hoje é vista por parte dos consumidores mais jovens como ultrapassada.

“Antes, os consumidores chineses viam a Volkswagen como sinônimo de qualidade. Agora, a percebem como algo antigo”, afirmou Michael Dunne, da consultoria Dunne Insights.

Retorno dos investimentos deve ocorrer apenas a partir de 2027

A montadora estima que os resultados financeiros mais consistentes dessa nova estratégia devem começar a aparecer a partir de 2027. Ainda assim, a empresa reconhece que dificilmente voltará aos níveis de rentabilidade registrados antes da pandemia.

O consultor Thomas Luk, ex-McKinsey, questiona se a companhia terá capacidade de sustentar uma nova onda de inovação no ritmo exigido pelo mercado chinês.

Segundo ele, a China opera com alta velocidade de reinvenção tecnológica, o que pressiona concorrentes globais a manter ciclos constantes de investimento e desenvolvimento.

Reestruturação global e foco em exportações

O CEO Oliver Blume defende que o modelo tradicional de produção de veículos na Europa para o resto do mundo perdeu força. A nova estratégia inclui ajustes na estrutura global, com cortes de vagas na Alemanha e reforço no quadro de engenheiros na China.

Além disso, a Volkswagen pretende exportar veículos elétricos desenvolvidos em Hefei para mercados como Sudeste Asiático, Oriente Médio e América do Sul, ampliando o papel da China como centro global de inovação da montadora.

FONTE: Exame
TEXTO: Redação
IMAGEM: Allison Sales/Getty Images

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