Tecnologia

Cota zero para CKD e SKD impulsiona mercado de veículos eletrificados no Brasil

O Governo Federal anunciou uma nova medida que altera o cenário da mobilidade elétrica no país. O Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex-Camex) aprovou uma cota de US$ 463 milhões (aproximadamente R$ 2,4 bilhões) para a importação de veículos eletrificados nos regimes CKD (completamente desmontados) e SKD (semidesmontados), com isenção do Imposto de Importação entre 1º de julho e 31 de dezembro de 2026.

A decisão, porém, não contempla os veículos CBU, que chegam ao Brasil totalmente montados. Esses modelos voltarão a pagar a tarifa integral de 35% de imposto a partir de julho.

Benefício vale apenas para veículos desmontados

A nova política não representa uma isenção ampla para todos os carros elétricos e híbridos importados. O incentivo foi direcionado exclusivamente aos kits destinados à montagem em território nacional.

Após o esgotamento da cota, os veículos no regime SKD passarão a recolher 35% de imposto de importação já em julho. Já os modelos CKD continuarão sujeitos à alíquota de 14% até o fim de 2026, quando também passarão a pagar 35%, em janeiro de 2027.

Mercado passa a operar em dois cenários

A medida cria uma diferença significativa entre fabricantes que produzem localmente e aquelas que dependem da importação de veículos prontos.

Empresas que comercializam modelos totalmente importados poderão enfrentar aumento de custos, necessidade de reajustar preços ou recorrer aos estoques para manter a competitividade. Em contrapartida, montadoras que já possuem ou estão implantando linhas de montagem no Brasil ganham uma vantagem tributária durante o período de transição.

BYD e outras montadoras são favorecidas

Entre as empresas beneficiadas está a BYD, que mantém operações em Camaçari (BA) e defendia a ampliação do prazo para utilização das cotas sem incidência do imposto enquanto conclui sua estrutura industrial no país.

A medida também favorece a GWM, que iniciou a produção em Iracemápolis (SP), além da General Motors e da MG, que deverá iniciar operações no polo automotivo do Ceará em outubro.

Nos bastidores da indústria, a decisão intensificou o debate entre fabricantes recém-chegadas e montadoras tradicionais instaladas no Brasil.

Governo reforça estratégia para ampliar produção nacional

Segundo o secretário de Desenvolvimento Industrial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Uallace Moreira, a iniciativa está alinhada às políticas de renovação da frota, inovação tecnológica e descarbonização da indústria automotiva.

De acordo com o governo, a cota funciona como um mecanismo de transição entre a simples importação de veículos e a produção nacional, permitindo que fabricantes em fase de instalação mantenham competitividade até ampliarem suas operações industriais no país.

Moreira também destacou que o objetivo é consolidar o Brasil como referência na fabricação de veículos eletrificados, fortalecendo toda a cadeia produtiva, incluindo fornecedores de autopeças, baterias, engenharia e software.

Indústria automotiva e setor de autopeças criticam medida

A decisão gerou reação da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), que afirmou que a mudança altera uma política previamente estabelecida pelo próprio governo sem consulta ao setor produtivo.

Em nota, a entidade argumenta que a medida pode comprometer a estratégia criada para incentivar simultaneamente a expansão da eletromobilidade e a atração de investimentos industriais de longo prazo.

O setor de autopeças também demonstrou preocupação. Abipeças e Sindipeças criticaram a criação da nova cota, alegando que a redução do imposto para kits importados diminui o incentivo à nacionalização de componentes, colocando em risco investimentos, empresas e empregos ligados à cadeia automotiva brasileira.

ABVE vê medida como incentivo temporário

Para o presidente da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), Ricardo Bastos, a política possui prazo e orçamento definidos, funcionando como um incentivo temporário para acelerar a adoção de novas tecnologias.

Segundo ele, a tributação dos veículos prontos permanece conforme o cronograma estabelecido em 2023 dentro do Programa Mover (Mobilidade Verde e Inovação), preservando a política industrial de médio e longo prazo.

Bastos avalia que a medida favorece o abastecimento do mercado com produção nacional, reduzindo a necessidade de importar veículos totalmente montados.

Mercado de eletrificados deve seguir em expansão

A ABVE projeta que as vendas de veículos elétricos e híbridos poderão atingir cerca de 400 mil unidades, número que sobe para aproximadamente 430 mil quando considerados também os modelos híbridos leves (MHEV).

Embora a nova cota reduza a carga tributária das montadoras que utilizam os regimes CKD e SKD, o mercado ainda acompanhará se essa redução será efetivamente repassada ao consumidor final nos preços praticados por fabricantes como BYD, General Motors, GWM, Caoa Chery e MG.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: BYD

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Tecnologia

Carros eletrificados já representam 14% das vendas no Brasil em janeiro de 2026

O mercado automotivo brasileiro iniciou janeiro de 2026 sem grandes rupturas, repetindo um comportamento já esperado após o pico artificial registrado em dezembro. Com o fim das campanhas promocionais e a sazonalidade típica do começo do ano, os emplacamentos retornaram a um nível mais próximo da média histórica. Ainda assim, a eletrificação de veículos segue como o principal vetor de transformação do setor, avançando de forma gradual e estrutural.

Mercado volta à normalidade após dezembro inflado

Segundo dados da Bright Consulting, foram vendidos 161.803 veículos leves no Brasil em janeiro. O volume representa uma queda de 38,9% em relação a dezembro, quando os emplacamentos chegaram a 264.946 unidades. Na comparação anual, houve crescimento discreto de 1,4% frente a janeiro de 2025.

Com 21 dias úteis, a média diária ficou em aproximadamente 7,7 mil veículos, superior à do mesmo mês do ano anterior, mas bem distante do ritmo excepcional observado no fim de 2025. O cenário indica uma normalização sazonal, e não uma retomada consistente da demanda.

Eletrificados já somam 16,3% dos emplacamentos

Os carros eletrificados totalizaram 26.361 unidades em janeiro, o que equivale a 16,3% do mercado. Embora o número seja inferior ao de dezembro, quando foram registrados 37.822 emplacamentos, a comparação anual revela avanço expressivo sobre janeiro de 2025.

A retração mensal é atribuída principalmente ao encerramento de incentivos comerciais e ao comportamento tradicionalmente mais fraco do início do ano, sem comprometer a tendência de crescimento do segmento.

Eletrificação real ganha espaço no Brasil

Ao excluir os MHEV (micro-híbridos) da conta, a eletrificação no Brasil mostra um retrato ainda mais relevante. Os chamados eletrificados reais, que contam com tração elétrica parcial ou integral, somaram 23.025 unidades no mês.

Isso significa que cerca de 90% dos eletrificados vendidos já oferecem participação efetiva do motor elétrico. Em relação ao mercado total, esses modelos representam aproximadamente 14,2% dos emplacamentos, um patamar que até poucos anos atrás parecia distante da realidade brasileira.

Modelos eletrificados mais vendidos em janeiro

Entre os destaques por categoria, alguns modelos concentraram a liderança:

  • BEV (100% elétrico): BYD Dolphin Mini – 2.840 unidades
  • PHEV (híbrido plug-in): BYD Song Pro – 2.230 unidades
  • HEV (híbrido convencional): Toyota Corolla Cross
  • MHEV (micro-híbrido): Fiat Fastback – 1.309 unidades

Nesse cenário, a BYD se consolida como a principal marca de eletrificados entre as montadoras generalistas, com volumes cada vez mais próximos aos das fabricantes tradicionais.

Transição energética avança apesar da demanda fraca

O início de 2026 confirma um mercado automotivo que cresce pouco e segue pressionado por fatores macroeconômicos. Ainda assim, a mudança no perfil da frota avança de forma consistente, com os SUVs dominando o mix e a eletrificação deixando de ser um nicho para se tornar parte estrutural do setor.

Mesmo em um ambiente de consumo moderado, os números indicam que a transição energética no Brasil já ocorre em ritmo próprio, cada vez mais integrada ao volume regular de vendas.

FONTE: InsideEvs
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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Importação

Importação de veículos eletrificados no Brasil cai 19% no acumulado do ano

Queda puxada pelos carros 100% elétricos
A importação de veículos eletrificados registrou uma retração de 19% no Brasil entre janeiro e setembro deste ano, de acordo com dados da Logcomex, plataforma de tecnologia voltada ao comércio exterior. O principal motivo do recuo foi a forte queda nas compras externas de carros elétricos puros, cujo valor importado despencou 56% no período. O total passou de US$ 1,4 bilhão em 2024 para US$ 653,6 milhões em 2025.

Híbridos plug-in assumem a liderança
Enquanto os elétricos apresentaram forte redução, os híbridos plug-in (PHEV) avançaram 3% e se tornaram os principais representantes das importações de modelos eletrificados. Juntos, esses veículos somaram US$ 1,8 bilhão, o equivalente a 56% de todo o valor movimentado pelo setor no acumulado do ano.

Desempenho dos outros eletrificados
Os híbridos convencionais (HEV), que não precisam de recarga externa, também cresceram 3%, atingindo US$ 637,3 milhões. Já os híbridos a diesel tiveram resultado negativo, com queda de 9% e movimentação de US$ 75,8 milhões.

FONTE: Correio 24 Horas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Shutterstock

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