Comércio Exterior

Movimentação de contêineres cresce mais de 22% nos portos do Sul em janeiro de 2026

A movimentação de contêineres nos portos do Sul do Brasil apresentou forte expansão em janeiro de 2026, com crescimento de 22,3% na comparação anual. O volume atingiu 4,9 milhões de toneladas, respondendo por mais de um terço de toda a carga movimentada no período.

No total, os portos da região registraram 13,9 milhões de toneladas no mês. Apesar de uma leve oscilação no volume geral, o desempenho positivo das cargas conteinerizadas — de maior valor agregado — foi determinante para o resultado.

Economia aquecida e infraestrutura impulsionam desempenho

O avanço da logística portuária reflete o aquecimento da economia brasileira e os investimentos realizados no setor. Segundo o ministro Silvio Costa Filho, o crescimento está ligado ao aumento da circulação de produtos industrializados e à maior inserção do país nas cadeias globais.

De acordo com ele, a expansão das operações portuárias indica mais eficiência, capacidade e competitividade, fatores essenciais para sustentar o desenvolvimento econômico.

Crescimento reforça comércio exterior e cadeias globais

O aumento da movimentação de contêineres também sinaliza maior fluxo de insumos, bens de consumo e mercadorias industrializadas. Esse tipo de carga está diretamente associado ao fortalecimento do comércio exterior brasileiro e à integração logística internacional.

Além disso, houve avanço nas operações de navegação: o transporte de longo curso cresceu 7,2%, enquanto a cabotagem teve alta de 3,7%, evidenciando maior dinamismo nas rotas marítimas.

Principais portos lideram movimentação no Sul

Entre os complexos portuários, o Porto de Paranaguá (PR) liderou a movimentação entre os portos públicos, com 4,7 milhões de toneladas em janeiro. Na sequência aparece o Porto de Rio Grande (RS), com 1,9 milhão de toneladas.

Terminais privados também tiveram papel relevante no desempenho regional. Estruturas como o Porto Itapoá (SC) e a Portonave, em Navegantes (SC), ampliam a capacidade logística e fortalecem a competitividade dos portos do Sul do Brasil.

Entre outras cargas relevantes, destacaram-se petróleo e derivados, com 2,5 milhões de toneladas, e fertilizantes, com 1,3 milhão de toneladas — insumos estratégicos para a indústria e o agronegócio.

Investimentos ampliam capacidade e eficiência logística

Os resultados refletem um ciclo recente de investimentos em infraestrutura portuária. No Porto de Paranaguá, obras como a ampliação do calado e serviços contínuos de dragagem já permitem a operação de navios de maior porte, aumentando a produtividade e reduzindo custos logísticos.

Outro projeto importante é a concessão do canal de acesso, que prevê investimentos de R$ 1,23 bilhão ao longo de 25 anos. A iniciativa deve ampliar o calado para até 15,5 metros, elevando a capacidade operacional do terminal.

Além disso, o projeto do Moegão promete aumentar em cerca de 60% a capacidade ferroviária do porto, otimizando o escoamento de cargas.

No Rio Grande do Sul, o arrendamento do terminal POA26, no Porto de Porto Alegre, também deve impulsionar a movimentação e atrair novos aportes, contribuindo para o crescimento da logística no Sul do Brasil nos próximos anos.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/MPor

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Logística

Fretes marítimos globais: novas alianças redefinem rotas e trazem estabilidade ao setor

O mercado de fretes marítimos globais passa por uma fase de mudanças estruturais impulsionadas pela reorganização das principais alianças internacionais de navegação. A implementação de acordos como a Gemini Cooperation vem exigindo uma reformulação das rotas comerciais mais relevantes do planeta. Esse movimento busca equilibrar oferta e demanda em meio a um cenário de instabilidade econômica global.

Reorganização das alianças estratégicas

As grandes companhias marítimas indicam que a nova configuração de serviços avança em direção a uma operação mais eficiente, baseada em uma gestão de frota centralizada. A expectativa é que, até o segundo semestre de 2026, os fretes marítimos globais alcancem um ponto de equilíbrio mais consistente.

Esse cenário tende a favorecer o planejamento de importadores, garantindo maior previsibilidade na disponibilidade de espaço em navios de grande porte. Além disso, a tendência é de redução nas cancelamentos inesperados de escalas, um problema recorrente nos últimos anos.

Eficiência operacional e avanço tecnológico

A busca por maior estabilidade não se limita ao ajuste de capacidade. O setor também amplia investimentos em digitalização logística, com foco em tecnologias de rastreamento e no uso de combustíveis sustentáveis.

Outro ponto em análise é a adoção de contratos de longo prazo, que reduzam a dependência do mercado spot. Com isso, empresas ganham mais segurança para projetar custos, diminuindo impactos de variações nos preços e encargos como o combustível, além de ampliar a transparência nas operações.

Impactos no mercado de contêineres

A tendência de estabilização dos fretes marítimos globais traz efeitos positivos para toda a cadeia logística. Portos de transbordo e zonas francas, altamente dependentes da conectividade marítima, devem se beneficiar com operações mais regulares.

Espera-se também maior fluidez no comércio de bens de consumo e matérias-primas, permitindo que embarcadores retomem pedidos com menor exposição a riscos financeiros. Nesse contexto, o desempenho dos fretes marítimos segue como um importante indicador da saúde do comércio exterior.

FONTE: Todo Logistica News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Todo Logistica News

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Logística

Cosco mantém operações no Panamá após ajustes logísticos

A Cosco Shipping Lines afirmou que seguirá atuando no Panamá, mesmo após suspender temporariamente seus serviços no Porto de Balboa. A decisão havia gerado dúvidas no setor de transporte marítimo e logística internacional sobre uma possível retirada da companhia do país.

De acordo com fontes ligadas à empresa, ouvidas pelo jornal La Prensa, a medida faz parte de uma reestruturação operacional. A companhia destacou que está apenas redistribuindo as escalas de seus navios porta-contêineres para outros terminais, sem planos de encerrar suas atividades no território panamenho.

Mudanças na rede operacional

O posicionamento veio após comunicado divulgado em 10 de março, quando a empresa informou clientes sobre a interrupção de chegadas e partidas no Porto de Balboa, localizado na entrada do Pacífico do Canal do Panamá.

Até agora, a Cosco não detalhou as razões da decisão, nem esclareceu se a suspensão será temporária ou definitiva. Também não há confirmação sobre uma eventual retomada das operações no terminal.

Reestruturação portuária influencia cenário

A decisão ocorre em meio a transformações relevantes no sistema portuário do país. Recentemente, a Suprema Corte do Panamá considerou inconstitucional o contrato de concessão firmado entre o governo e a Companhia de Portos do Panamá (PPC), vigente desde 1997.

Com isso, o Estado assumiu o controle dos portos de Balboa e Cristóbal e estabeleceu contratos provisórios, com duração de 18 meses, para garantir a continuidade das operações enquanto prepara uma nova licitação internacional.

Novos operadores nos terminais

Nesse período de transição, a administração do Porto de Balboa foi atribuída à APM Terminals Panama, empresa ligada à Maersk. Já o Porto de Cristóbal passou a ser operado pela Terminal Investment Limited (TiL), associada à MSC.

Ambos os terminais seguem sob supervisão da Autoridade Marítima do Panamá, responsável por coordenar o funcionamento do sistema portuário.

Impactos logísticos e movimentação de cargas

A Cosco orientou que os contêineres vazios sejam devolvidos aos terminais do Manzanillo International Terminal (MIT) e do Colón Container Terminal (CCT), localizados na província de Colón.

Segundo o ministro para Assuntos do Canal, José Ramón Icaza, a suspensão das operações no Porto de Balboa foi inesperada. Ele ressaltou que a companhia responde por cerca de 4% da carga movimentada no local.

“O volume operado pela Cosco é relevante para o país, e esperamos que a empresa reavalie a decisão de não utilizar o porto”, afirmou.

Perspectivas para o setor marítimo

O episódio reforça a importância de ajustes estratégicos nas rotas globais de transporte marítimo de cargas, especialmente em regiões-chave como o Canal do Panamá. A expectativa do mercado é que a Cosco mantenha sua presença no país, ainda que com mudanças em sua malha logística.

FONTE: Mundo Marítimo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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Logística

HMM suspende reservas e desvia cargas do Oriente Médio por riscos à navegação

A HMM anunciou mudanças em suas operações logísticas relacionadas ao Oriente Médio, após o agravamento da instabilidade marítima na região. A companhia decidiu desviar cargas em trânsito e suspender novas reservas destinadas a portos considerados áreas de risco.

A medida reflete preocupações crescentes com a segurança da navegação comercial em rotas estratégicas do transporte marítimo internacional, especialmente no Golfo Arábico, no Mar Vermelho e no Corno de África.

Cargas em trânsito passam a ser redirecionadas

Diante do cenário de insegurança, a transportadora sul-coreana informou que mercadorias já em transporte poderão ser redirecionadas para portos alternativos, sempre que a operação exigir ajustes por motivos logísticos ou de segurança.

Com o novo procedimento, a empresa aplicará uma sobretaxa de desvio de US$ 1.000 por contêiner, destinada a cobrir custos adicionais gerados pelo redirecionamento das cargas. Entre os gastos incluídos estão operações portuárias extras, armazenamento e reorganização logística.

Reservas já feitas enfrentam restrições

A empresa também informou que cargas já reservadas, mas ainda não embarcadas, não poderão seguir para os destinos afetados neste momento.

Nos casos em que os contêineres já estejam dentro do terminal, os clientes poderão optar por retirar a carga, assumindo os custos e riscos da operação, ou manter o embarque sujeito às condições contratuais vigentes.

Novas reservas estão suspensas

Outra medida anunciada pela companhia foi a suspensão imediata e por prazo indeterminado de novas reservas com origem ou destino em portos situados no Golfo Arábico, Mar Vermelho e Corno de África.

A decisão indica o impacto crescente da crise no Oriente Médio sobre o transporte marítimo global, que vem enfrentando aumento de riscos operacionais, elevação de custos logísticos e maior incerteza nas cadeias de suprimento internacionais.

Com o agravamento das tensões na região, armadores, operadores portuários e empresas de comércio exterior têm sido obrigados a adaptar rotas e estratégias para manter o fluxo de mercadorias e reduzir os riscos para navios, tripulações e cargas.

FONTE: Jornal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/JP

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Informação

WSC alerta para riscos à navegação e à segurança de marítimos no Oriente Médio

O World Shipping Council (WSC) fez um alerta sobre os riscos enfrentados por embarcações comerciais e tripulações que operam no Oriente Médio. A preocupação foi manifestada pelo presidente e CEO da entidade, Joe Kramek, diante do agravamento das tensões militares na região.

Segundo o dirigente, aproximadamente 20 mil marítimos que trabalham em rotas marítimas da área vivem atualmente em um cenário de segurança extremamente incerto, influenciado pelo conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, além de outros países envolvidos nas tensões regionais.

Tripulações e navios comerciais expostos a ataques

De acordo com o representante do WSC, diversas embarcações comerciais foram atingidas desde o início da escalada do conflito, o que resultou em vítimas entre as tripulações.

Kramek ressaltou que os profissionais que atuam na marinha mercante não participam diretamente da guerra, mas acabam expostos aos seus efeitos ao operar em rotas estratégicas da navegação internacional.

“O marítimo não faz parte desse conflito, mas está cada vez mais exposto a ele. São homens e mulheres que apenas desempenham suas funções no mar”, afirmou.

Apelo à IMO por proteção aos marítimos

Diante do cenário, o dirigente solicitou que a Organização Marítima Internacional (IMO) adote medidas para reforçar a segurança das tripulações e assegurar o respeito ao princípio da liberdade de navegação.

Segundo Kramek, garantir a proteção dos profissionais do setor marítimo deve ser a prioridade absoluta em meio às tensões geopolíticas.

Ele também prestou solidariedade aos trabalhadores afetados pelo conflito. “Nossos pensamentos estão com os marinheiros que perderam suas vidas, com suas famílias e com as tripulações que continuam operando na região em condições extremamente difíceis e perigosas”, declarou.

FONTE: Jornal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/JP

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Transporte

Cancelamentos de viagens marítimas chegam a 8% em meio a tensões no Estreito de Ormuz

O aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio, especialmente envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, já começa a refletir no transporte marítimo de contêineres. De acordo com análise da consultoria Drewry, cerca de 8% dos itinerários programados por companhias de navegação foram cancelados nas principais rotas globais nas próximas semanas.

A instabilidade em torno do Estreito de Ormuz, uma das rotas mais estratégicas para o comércio mundial, levou algumas linhas de navegação a suspender reservas relacionadas ao Golfo Pérsico e redirecionar embarcações para trajetos alternativos.

Desvios de rotas e atrasos no Mar Vermelho pressionam o setor

Além da situação no Golfo, o setor também continua lidando com atrasos na normalização das rotas pelo Mar Vermelho e pelo Canal de Suez.

Com a persistência dos riscos na região, muitos serviços seguem operando pelo trajeto mais longo ao redor do Cabo da Boa Esperança, aumentando tempo de trânsito e custos operacionais para o transporte marítimo internacional.

Mais de 50 cancelamentos registrados entre março e abril

Segundo levantamento da Drewry, entre as semanas 11 e 15 do calendário logístico — período de 9 de março a 12 de abril — foram anunciados 55 cancelamentos de viagens, considerando aproximadamente 705 partidas programadas.

O volume representa uma taxa de cancelamento de 8% nas rotas analisadas. Ainda assim, o impacto operacional permanece relativamente controlado no curto prazo.

A expectativa é de que 92% das viagens planejadas sejam realizadas conforme o cronograma, mantendo a maior parte da capacidade marítima ativa.

Rota transpacífica concentra maioria dos cancelamentos

A análise também indica que os cancelamentos estão concentrados em rotas específicas do comércio global.

A distribuição observada foi a seguinte:

  • 53% dos cancelamentos ocorreram na rota transpacífica em direção ao leste
  • 27% na rota transatlântica rumo ao oeste
  • 20% nos serviços entre Ásia e Europa/Mediterrâneo

Esses corredores marítimos fazem parte das chamadas rotas leste-oeste, consideradas as mais importantes do transporte global de contêineres.

Alianças marítimas apresentam desempenhos diferentes

Entre as alianças operacionais avaliadas pela Drewry, a Gemini Cooperation apresentou um desempenho considerado mais estável.

A parceria registrou uma taxa de cancelamento de apenas 3%, sem interrupções nas principais rotas leste-oeste, o que indica maior regularidade na programação de serviços.

Tarifas de frete apresentam leve alta global

O cenário de incerteza também começa a influenciar o mercado de fretes marítimos. O Índice Mundial de Contêineres (WCI) da Drewry registrou alta semanal de 3%, alcançando US$ 1.958 por FEU (contêiner de 40 pés).

Entre as principais rotas, o comportamento das tarifas foi distinto:

  • Transpacífico: aumento de 8%
  • Transatlântico: queda de 2%
  • Ásia–Europa/Mediterrâneo: valores relativamente estáveis

Risco de capacidade reduzida no transporte marítimo

Para a consultoria, apesar da estabilidade atual das tarifas, fatores operacionais podem alterar esse cenário nas próximas semanas.

Entre os pontos de atenção estão:

  • congestionamento portuário
  • desvios de rotas marítimas
  • ajustes na programação das companhias

Além disso, viagens mais longas podem manter navios e contêineres vazios ocupados por períodos maiores, reduzindo gradualmente a capacidade efetiva disponível no mercado.

Impacto para embarcadores pode aumentar

No curto prazo, os donos de carga (shippers) tendem a sentir impacto limitado. No entanto, se as interrupções nas rotas persistirem, o mercado pode enfrentar:

  • tempos de trânsito mais longos
  • redução de capacidade logística
  • maior volatilidade nas tarifas de frete marítimo

Esse cenário afetaria principalmente as principais rotas leste-oeste do comércio global, fundamentais para o fluxo de mercadorias entre Ásia, Europa e Américas.

FONTE: Modais em Foco
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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Portos

Silvio Costa Filho destaca importância de portos e hidrovias em seminário internacional

O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, participou nesta terça-feira (10), em Brasília, da abertura do Seminário PIANC Brasil: Diretrizes Globais e Desafios Nacionais. O evento reúne autoridades, especialistas e representantes do setor para debater como resoluções internacionais impactam a infraestrutura portuária e hidroviária do Brasil.

Seminário promove troca de experiências e boas práticas

Realizado no auditório da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o seminário oferece espaço para troca de experiências entre profissionais nacionais e internacionais. Os debates abordam planejamento de projetos marítimos, desenvolvimento de hidrovias e sustentabilidade no transporte aquaviário. A programação inclui painéis técnicos sobre desafios e soluções para a navegação no país.

O ministro Silvio Costa Filho ressaltou a relevância do modal hidroviário para reduzir custos logísticos, avançar na transição energética e fortalecer a competitividade brasileira. “Cada 25 barcaças nos rios equivalem a mais de 500 caminhões a menos nas estradas, reduzindo em quase 40% o curso logístico do país. Isso dialoga com a descarbonização, a sustentabilidade e a segurança hídrica”, afirmou.

Cooperação internacional e conhecimento técnico

O seminário é promovido pela PIANC Brasil, seção nacional da Associação Mundial de Infraestruturas de Transporte Aquaviário, que reúne especialistas e instituições dedicadas à modernização de portos e hidrovias. Segundo Ricardo Falcão, presidente da PIANC Brasil, a entidade atua como “fórum global de excelência técnica”, promovendo intercâmbio de experiências e boas práticas para o desenvolvimento sustentável da infraestrutura aquaviária.

A abertura do evento contou também com Francisco Esteban Lefler, presidente da PIANC Internacional; Frederico Dias, diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq); Sérgio Gago Guida, contra-almirante da Marinha representando a Diretoria de Portos e Costas; Bruno Fonseca de Oliveira, presidente da Praticagem do Brasil; Marcelo Davi Gonçalves, desembargador do Tribunal Marítimo; e Luiz Fernando Garcia da Silva, presidente da Associação Brasileira de Entidades Portuárias e Hidroviárias (Abeph).

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Vosmar Rosa/MPor

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Seguro Internacional

Seguro marítimo dispara com escalada do conflito no Irã e tensão no Estreito de Ormuz

O agravamento do conflito no Golfo Pérsico está provocando uma forte alta nos custos de seguro marítimo de risco de guerra, com prêmios que, em alguns casos, aumentaram mais de 1.000%. A elevação repentina das tarifas pressiona o transporte internacional de energia por uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta.

A escalada do conflito começou após ataques aéreos conduzidos por Israel e pelos Estados Unidos contra alvos em Teerã no dia 28 de fevereiro. Desde então, o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz — um dos principais gargalos do comércio global — passou a enfrentar sérios riscos operacionais.

Tensão militar eleva risco para navios

No início de março, o governo iraniano declarou que poderia abrir fogo contra embarcações que tentassem atravessar a região. Desde o início das hostilidades, ao menos nove navios sofreram danos nas proximidades do estreito.

Esse cenário levou seguradoras a rever rapidamente as condições do seguro de risco de guerra para navios, cobertura que protege armadores contra prejuízos provocados por conflitos armados ou atos de terrorismo. Embora a maioria das apólices seja anual, algumas são contratadas especificamente para viagens em áreas consideradas perigosas.

Segundo especialistas do setor, a escalada militar aumentou significativamente a exposição das companhias de navegação e das empresas de energia que dependem da rota para transportar cargas.

Custos de transporte e energia sob pressão

O aumento das tarifas de seguro evidencia como o conflito está elevando os custos do transporte marítimo global. Analistas alertam que, se a crise se prolongar, o impacto poderá chegar ao consumidor final, pressionando a inflação.

Stephen Rudman, responsável pela área marítima da Ásia na corretora global Aon, explicou que o mercado reagiu rapidamente devido ao risco de perdas concentradas.

De acordo com ele, caso vários navios sejam atingidos simultaneamente na mesma região, os prejuízos podem alcançar cifras bilionárias.

Rudman também afirmou que os prêmios adicionais para navios que transitam em zonas de alto risco estão subindo de forma acentuada e devem continuar variando no curto prazo.

Prêmios de seguro podem chegar a milhões por embarcação

Estimativas de analistas da Jefferies indicam que as perdas potenciais do setor, considerando navios já atingidos desde o início do conflito, podem alcançar até US$ 1,75 bilhão.

Com petroleiros avaliados normalmente entre US$ 200 milhões e US$ 300 milhões, o novo custo de seguro chega a cerca de 3% do valor do casco. Isso significa que o prêmio de seguro de guerra marítimo pode atingir aproximadamente US$ 7,5 milhões por embarcação.

Antes da escalada militar, a taxa média girava em torno de 0,25%, equivalente a cerca de US$ 625 mil.

Estreito de Ormuz concentra grande parte do petróleo mundial

O impacto da crise é ainda maior devido à importância estratégica da rota. Dados da empresa de análise Vortexa mostram que mais de 20 milhões de barris por dia de petróleo e derivados passam pelo Estreito de Ormuz.

Esse volume representa cerca de um quinto do petróleo consumido globalmente.

Atualmente, cerca de mil embarcações permanecem no Golfo Pérsico e regiões próximas, metade delas formada por petroleiros e navios de gás. O valor total desses navios supera US$ 25 bilhões.

Seguradoras acompanham situação e mantêm cobertura

Segundo Sheila Cameron, diretora-executiva da Lloyd’s Market Association, a maioria dessas embarcações está segurada no mercado londrino, e as apólices continuam válidas por enquanto.

Ainda assim, o mercado acompanha de perto os desdobramentos do conflito.

Especialistas alertam que resseguradoras podem reagir elevando os limites mínimos de perdas para cobertura ou reduzindo a capacidade de proteção oferecida às seguradoras primárias, o que aumentaria ainda mais os riscos financeiros.

Rotas alternativas podem encarecer cadeias globais

Caso o trânsito pelo estreito se torne inviável, embarcações poderão ser forçadas a utilizar rotas alternativas, como o Cabo da Boa Esperança, ou recorrer a corredores terrestres.

Essa mudança aumentaria significativamente o tempo de transporte e os custos logísticos das cadeias de suprimento internacionais.

EUA avaliam escolta naval para petroleiros

Diante da tensão crescente, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a Marinha norte-americana pode começar a escoltar petroleiros que atravessarem o Estreito de Ormuz.

Além disso, o governo norte-americano avalia oferecer seguro de risco político e garantias financeiras para o comércio marítimo na região.

Ainda não está claro, porém, se eventuais medidas abrangeriam embarcações e cargas de todas as nacionalidades.

Sem alternativas imediatas, muitos armadores devem manter suas operações e aceitar pagar os prêmios mais altos de seguro.

Para o economista Michel Léonard, do Insurance Information Institute, a situação atual ilustra bem o nível de risco enfrentado pelo setor. Segundo ele, “é como tentar segurar um prédio em chamas”.

FONTE: Portal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Transporte

MSC interrompe transporte marítimo para o Oriente Médio e afeta exportações brasileiras de carne

A MSC (Mediterranean Shipping Company), considerada a maior empresa de transporte marítimo de contêineres do mundo, comunicou clientes brasileiros que cargas destinadas ao Oriente Médio terão a viagem interrompida. A medida foi tomada em meio ao agravamento do conflito no Oriente Médio, que tem elevado o risco de navegação em rotas estratégicas do comércio internacional.

Empresas exportadoras de carne do Brasil receberam a notificação, incluindo companhias ligadas à Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes). No aviso, a companhia informa que declarou “End of Voyage”, ou seja, fim de viagem, para contêineres com destino a portos do Golfo Árabe.

Cargas serão descarregadas em portos alternativos

Segundo o comunicado enviado pela empresa de logística marítima, os contêineres que já estão em trânsito serão retirados dos navios e descarregados no porto seguro mais próximo da rota atual. Após o desembarque, as mercadorias ficarão disponíveis para retirada pelos proprietários da carga.

Além da interrupção da rota, a MSC informou que aplicará uma sobretaxa de US$ 800 por contêiner — cerca de R$ 4,2 mil na cotação atual. Os exportadores também deverão arcar com custos adicionais relacionados à descarga, manuseio e armazenagem das mercadorias.

No comunicado, a empresa justificou a decisão com base no cenário geopolítico da região.

“Diante do atual cenário no Oriente Médio e dos recentes acontecimentos que tornaram o ambiente ainda mais sensível, a MSC lamenta informar que se vê obrigada a declarar fim de viagem”, informou a companhia aos clientes.

Setor de carnes relata surpresa com a decisão

A decisão pegou exportadores brasileiros de surpresa. Um empresário do setor de carne bovina, que preferiu não se identificar, afirmou que nunca havia recebido um aviso semelhante de uma empresa de navegação.

De acordo com ele, dois contêineres da companhia serão deixados em um porto ainda não informado. Caso a empresa queira retirar a carga, terá de assumir os custos logísticos adicionais.

O caso foi encaminhado ao departamento jurídico da empresa exportadora. Mesmo assim, a avaliação interna é de que há poucas alternativas diante das cláusulas contratuais comuns no transporte marítimo internacional.

Conflito no Oriente Médio começa a afetar logística global

A interrupção das rotas ocorre em meio à escalada das tensões envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, situação que aumenta o risco para navios em corredores estratégicos do comércio global e já pressiona o frete marítimo internacional.

O presidente da Abiec, Roberto Perosa, afirma que o setor já percebe sinais de impacto na logística das exportações brasileiras.

Segundo ele, há relatos de navios interrompendo rotas, cargas sendo redirecionadas para outros portos e dificuldades operacionais em regiões estratégicas como o Canal de Suez, um dos principais corredores do comércio mundial.

Perosa ressalta que os efeitos ainda não são generalizados, mas geram preocupação no setor.

“O Oriente Médio funciona como um grande hub logístico para a carne bovina brasileira. Por isso, qualquer instabilidade na região pode afetar significativamente nossas exportações”, afirmou.

Exportações podem ter bilhões em risco

De acordo com dados da Abiec, as exportações brasileiras de carne bovina para o Oriente Médio movimentaram cerca de US$ 2 bilhões em 2025 — aproximadamente R$ 10,6 bilhões.

No entanto, considerando cargas que apenas transitam pela região antes de seguir para outros destinos, o volume potencialmente impactado pode chegar perto de US$ 6 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 31,7 bilhões.

A reportagem procurou a MSC para comentar a situação, mas a empresa não respondeu até a publicação.

FONTE: SBT News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/MSC

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Exportação

Guerra no Oriente Médio muda rota de navios com commodities brasileiras e encarece exportações

A escalada do conflito no Oriente Médio já começa a afetar a logística de exportações brasileiras de commodities. Navios carregados com produtos do agronegócio do Brasil que seguiam para países da região estão interrompendo a viagem antes do destino final e descarregando mercadorias em portos considerados seguros.

Segundo relatos de traders e exportadores, a carga está sendo retirada das embarcações em portos fora da zona de conflito e depois segue por transporte terrestre até o destino final.

A mudança logística envolve remessas com destino a países como Israel, Iraque, Irã, Kuwait e Emirados Árabes Unidos, áreas que têm enfrentado tensões militares e riscos para o transporte marítimo.

Navios interrompem viagens e redirecionam cargas

De acordo com um operador do mercado de açúcar, algumas companhias marítimas estão declarando o chamado “fim de viagem” em determinadas rotas. Na prática, isso significa que os navios não chegam ao destino originalmente contratado.

Em vez disso, a carga é descarregada em um porto intermediário e os clientes precisam organizar a retirada e o transporte até o destino final.

Alguns contêineres de açúcar brasileiro já passaram por esse processo. As mercadorias foram descarregadas em portos alternativos e seguiram por via terrestre. Nesse caso, os custos adicionais da nova logística foram repassados aos compradores.

Exportadores de carne recebem aviso de redirecionamento

Uma empresa brasileira de médio porte do setor de exportação de carne bovina informou ter recebido um comunicado da Mediterranean Shipping Company (MSC) anunciando o encerramento de viagens para cargas destinadas ao Golfo Pérsico.

Dois contêineres da companhia, que estavam a caminho de Dubai, podem ser desviados para outro porto fora da área de risco. Nesse caso, os custos extras devem ser pagos pelo próprio exportador.

No aviso enviado aos clientes, a transportadora informou que toda carga atualmente em trânsito será desviada para o porto seguro mais próximo, onde será descarregada e disponibilizada para retirada.

Além disso, será aplicada uma taxa adicional obrigatória de US$ 800 por contêiner para cobrir despesas decorrentes da mudança de rota. Custos de movimentação, armazenagem e outras taxas portuárias também passam a ser responsabilidade do dono da carga.

Mudança de destino depende de nova reserva

Exportadores que desejarem enviar a mercadoria para outro destino precisarão fazer uma nova reserva de transporte marítimo.

Outra alternativa é solicitar a mudança do porto final — processo conhecido como Change of Destination (COD). No entanto, a aceitação desse pedido dependerá de fatores como:

• viabilidade operacional
• rotas disponíveis dos navios
• evolução da situação de segurança no Oriente Médio

Mesmo quando aceito, o pedido não garante que a carga chegará exatamente ao destino solicitado e não elimina custos extras gerados pelo conflito.

Seguro marítimo e Canal de Suez geram novas preocupações

Outro desafio envolve o seguro de guerra para transporte marítimo. Para navios que já estavam em viagem rumo ao Oriente Médio, as condições permanecem inalteradas.

Já para novos embarques, seguradoras passaram a cancelar coberturas ou revisar contratos individualmente, geralmente com prêmios mais elevados.

O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes, Roberto Perosa, afirmou que o conflito também tem provocado restrições no tráfego do Canal de Suez.

Uma alternativa para os navios é contornar o Cabo da Boa Esperança, rota mais longa que liga o Atlântico ao Índico.

Segundo Perosa, o impacto ainda é limitado, mas tende a crescer.

Empresas que já enviaram mercadorias à região devem negociar soluções logísticas e compensações com importadores. A prioridade, segundo ele, é garantir que clientes recebam produtos que já foram pagos.

Exportações de carne podem sofrer impacto bilionário

As exportações brasileiras de carne bovina para o Oriente Médio movimentaram cerca de US$ 2 bilhões em 2025.

Entretanto, a guerra envolvendo o Irã e possíveis restrições no Estreito de Ormuz podem afetar até US$ 6 bilhões em negócios, estima a Abiec.

Esse valor inclui cargas que passam pelo hub logístico da região antes de seguir para outros mercados — cerca de 30% a 40% de tudo o que o Brasil enviou no ano passado.

Companhias marítimas também já suspenderam novas reservas de contêineres refrigerados para cargas com destino ao Oriente Médio ou que precisem transitar pela região.

No caso do mercado global de açúcar, operadores afirmam que ainda não houve interrupções relevantes no fluxo de comércio.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Freepik

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