Comércio Exterior

Exportações brasileiras ficam mais concentradas em poucos produtos em 2026, aponta FGV

As exportações brasileiras registraram maior concentração em poucos produtos nos primeiros sete meses de 2026. De acordo com o Indicador de Comércio Exterior (Icomex), da Fundação Getulio Vargas (FGV), os cinco principais itens da pauta exportadora responderam por 46,7% das vendas externas do país entre janeiro e julho. No mesmo período de 2025, essa participação era de 43,3%.

O cenário ocorre em meio às incertezas do comércio internacional, marcadas por tensões geopolíticas e pelos impactos associados ao chamado “efeito Trump”.

Petróleo e soja lideram contribuição para as exportações

No acumulado do ano, o petróleo foi o principal destaque entre os produtos exportados pelo Brasil, com contribuição de 33,2% para o desempenho das vendas externas. A soja aparece na sequência, com 22,44%.

A carne bovina também esteve entre os produtos relevantes da pauta exportadora. Em julho, porém, os efeitos foram diferentes entre as principais commodities. Petróleo, soja e óleo combustível contribuíram positivamente para o resultado, enquanto carne bovina e minério de ferro exerceram pressão negativa.

No caso do petróleo, a quantidade exportada caiu 8,2% em julho na comparação anual. A valorização de 35,2% nos preços, entretanto, compensou a redução do volume e garantiu impacto positivo sobre o resultado das exportações.

Comércio exterior avança em valor apesar da queda nos volumes

Os dados da FGV mostram que o comércio exterior brasileiro apresentou desempenho positivo em valor em julho, mesmo com retração nos volumes negociados.

As exportações cresceram 6,2% em relação a julho de 2025, enquanto as importações avançaram 7,6%. Por outro lado, o volume exportado diminuiu 4,0%, e os preços das exportações subiram 10,7%. Nas importações, houve aumento de 8,0% nos preços, acompanhado também por redução no volume.

No acumulado de janeiro a julho, as exportações brasileiras cresceram 10,5%, resultado de uma alta de 2,8% no volume e de 7,1% nos preços.

As importações tiveram crescimento de 5,5% no período, com avanço de apenas 0,2% no volume e aumento de 5,2% nos preços.

Superávit comercial chega a US$ 49 bilhões

A balança comercial brasileira encerrou julho com superávit de US$ 7,1 bilhões. Com isso, o saldo positivo acumulado em 2026 chegou a US$ 49 bilhões, US$ 11,8 bilhões acima do registrado no mesmo intervalo de 2025.

Entre os principais parceiros comerciais, a China apresentou melhora significativa no saldo para o Brasil, com aumento de US$ 8,1 bilhões. A relação comercial com a União Europeia também registrou avanço, com ganho de US$ 2,9 bilhões.

Já nas operações com os Estados Unidos, o déficit comercial aumentou de US$ 2,1 bilhões para US$ 2,3 bilhões.

Com a Argentina, o superávit brasileiro recuou de US$ 3,5 bilhões para US$ 1,2 bilhão no acumulado até julho.

Concentração aumenta em meio às incertezas do comércio global

Os números do Icomex indicam que, apesar do crescimento das exportações brasileiras em 2026, a pauta externa está mais dependente de um grupo restrito de produtos, especialmente commodities como petróleo e soja.

A combinação entre preços internacionais, volumes exportados e cenário geopolítico segue sendo determinante para o desempenho do comércio exterior brasileiro.

Fonte: Fundação Getulio Vargas (FGV), por meio do Indicador de Comércio Exterior (Icomex).

Texto: Redação

Imagem: Arquivo ReConecta News

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Notícias

Explosão no porto de Rotterdam deixa um morto e seis feridos

Uma explosão em uma instalação de armazenamento de derivados de petróleo no porto de Rotterdam, na Holanda, deixou uma pessoa morta e seis feridas na quinta-feira (13). As autoridades locais investigam as causas do incidente.

Segundo a Gunvor, uma das principais empresas globais de comercialização de commodities de energia, a ocorrência aconteceu durante trabalhos de manutenção em um de seus tanques de armazenamento.

A polícia informou que, inicialmente, não havia indícios de sabotagem. Todas as hipóteses, no entanto, permanecem sob investigação.

Explosão ocorreu durante manutenção de tanque

O acidente foi registrado por volta das 11h30 no horário local, 9h30 pelo horário de Greenwich (GMT).

A Gunvor informou que está colaborando com as autoridades responsáveis pela investigação do incidente.

O porto de Rotterdam, considerado o maior da Europa, é um importante centro de entrada, armazenamento e distribuição de petróleo bruto e combustíveis. A área portuária concentra instalações estratégicas para o mercado energético europeu.

Porto abriga grandes refinarias de petróleo

Entre as estruturas localizadas no complexo está a refinaria Pernis, da Shell, considerada a maior refinaria de petróleo da Europa, com capacidade de processamento de aproximadamente 404 mil barris por dia.

O porto também abriga refinarias operadas por empresas como BP, ExxonMobil e Vitol, além de instalações destinadas ao armazenamento e movimentação de combustíveis e outras commodities energéticas.

Apesar da proximidade com a área atingida, a Shell informou que suas operações no porto não foram afetadas pela explosão.

Terminais de GNL não foram atingidos

A autoridade portuária de Rotterdam informou que os terminais de gás natural liquefeito (GNL) não sofreram impactos diretos.

Dados da ENTSOG, organização europeia responsável pelo acompanhamento da infraestrutura de transporte de gás, mostraram uma queda temporária no envio de gás a partir do terminal Gate LNG, seguida por oscilações nos fluxos.

Ainda não estava claro se essa alteração estava relacionada à explosão ou a uma interrupção de energia ocorrida em outra área do extenso complexo portuário.

Mercado acompanha possíveis impactos sobre o gás europeu

Qualquer interrupção prolongada na operação do terminal Gate pode chamar a atenção do mercado europeu de gás natural.

O terminal é um dos principais pontos de entrada de GNL no noroeste da Europa. Além disso, os estoques de gás da Holanda estavam em aproximadamente 40% da capacidade, segundo dados da Gas Infrastructure Europe, antes do início da temporada de maior demanda para aquecimento.

Por isso, eventuais restrições prolongadas na infraestrutura energética de Rotterdam poderiam ser acompanhadas de perto por traders e participantes do mercado.

Falhas de energia ocorreram no porto

A ExxonMobil informou que uma interrupção no fornecimento de energia já havia sido solucionada e que as operações de sua refinaria, com capacidade de 191 mil barris por dia, estavam funcionando normalmente.

A empresa, porém, não confirmou uma informação divulgada pela Wood Mackenzie e vista pela Reuters segundo a qual todas as unidades monitoradas da refinaria teriam sido desligadas.

O Porto de Rotterdam afirmou que a explosão não estava relacionada à interrupção de energia. Segundo a autoridade local de segurança, o complexo registrou vários episódios de falta de energia ao longo do dia, mas nenhum deles tinha ligação com a explosão.

As autoridades continuam investigando o incidente para determinar as circunstâncias que levaram à explosão e verificar eventuais impactos sobre as operações do porto de Rotterdam e da infraestrutura energética europeia.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: Courtesy SQ Vision/via REUTERS

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Internacional

Estreito de Ormuz: Irã e EUA fazem alegações opostas sobre controle da via estratégica

O Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte global de energia, voltou ao centro da tensão entre Irã e Estados Unidos. Nesta quinta-feira, Hossein Taeb, recém-nomeado comandante da força paramilitar Basij, afirmou que a passagem está sob “controle e gestão” da República Islâmica.

A declaração ocorreu um dia depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que Washington possui “controle total” sobre o estratégico Estreito de Ormuz.

Irã afirma manter controle do Estreito de Ormuz

Segundo a agência semioficial iraniana Fars, Taeb declarou que os Estados Unidos tentaram enfraquecer a influência do Irã na região ao iniciar uma nova guerra em torno do estreito, mas não teriam alcançado esse objetivo.

“Hoje, vocês veem que o Estreito de Ormuz está sob a gestão e o controle da República Islâmica”, afirmou Taeb, acrescentando que o Irã continua sua atuação com segurança.

A disputa ocorre em meio a um cenário de forte tensão militar no Golfo Pérsico, com impactos diretos sobre a navegação internacional e o mercado global de energia.

Conflito afetou transporte de petróleo e gás

A guerra começou em 28 de fevereiro, após ataques realizados por Estados Unidos e Israel contra o Irã. Na sequência, Teerã praticamente interrompeu o tráfego pelo estreito, por onde anteriormente passava cerca de um quinto do petróleo mundial e do gás natural liquefeito (GNL) transportado por via marítima.

Posteriormente, os Estados Unidos estabeleceram um bloqueio naval contra embarcações iranianas e seus portos. Washington, porém, afirmou que manteria a proteção à liberdade de navegação para navios que transitassem entre portos não iranianos.

Acordo de cessar-fogo não foi mantido

Em junho, Irã e Estados Unidos chegaram a um acordo provisório que previa um cessar-fogo permanente e a retomada rápida da liberdade de navegação no Golfo.

O entendimento, no entanto, perdeu força poucas semanas depois. O Irã retomou ataques limitados contra embarcações que, segundo Teerã, descumpriam as condições estabelecidas no acordo.

Em resposta, os Estados Unidos voltaram a realizar ataques contra províncias do sul iraniano. De acordo com Washington, as operações tinham como objetivo reduzir a capacidade de Teerã de atacar embarcações no Golfo Pérsico.

Teerã condiciona reabertura do estreito

Também nesta quinta-feira, o oficial militar e político iraniano Rasoul Sanaei-Rad afirmou que o país não pretende reabrir o Estreito de Ormuz enquanto a outra parte não cumprir suas obrigações previstas no acordo provisório.

Segundo a Fars, Sanaei-Rad ressaltou ainda que a reabertura da estratégica rota marítima não poderia ser determinada unilateralmente pelos Estados Unidos.

O dirigente também elevou o tom ao falar sobre um eventual novo conflito. Ele afirmou que o Irã adotaria uma postura ainda mais firme e ofensiva caso uma nova guerra ocorresse.

A disputa em torno do Estreito de Ormuz mantém em alerta os mercados e amplia as preocupações sobre a segurança das rotas de energia, a liberdade de navegação e o abastecimento internacional de petróleo e gás.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Stringer

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Economia

BC vê recuo da inflação, mas alerta para impactos de choques do petróleo

O Banco Central (BC) sinalizou que poderá agir com firmeza caso os efeitos indiretos provocados pela alta volatilidade do petróleo se espalhem pela economia brasileira. O alerta consta na ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), divulgada na terça-feira (11).

A preocupação ocorre em meio às oscilações dos preços do petróleo provocadas pelo conflito militar no Oriente Médio, cenário que pode aumentar as pressões sobre a inflação.

Banco Central monitora efeitos sobre a inflação

Segundo o documento, os chamados choques de oferta têm influenciado tanto o comportamento recente dos preços quanto as perspectivas para a trajetória da inflação.

O Copom destacou que não pretende responder diretamente aos efeitos iniciais de eventos dessa natureza. No entanto, afirmou que acompanhará de perto os chamados efeitos de segunda ordem, que podem fazer com que o impacto dos choques se prolongue ou se espalhe por outros setores da economia.

Caso esses efeitos se concretizem, o Banco Central afirmou que estará disposto a reagir de maneira firme para evitar uma deterioração do cenário inflacionário.

Selic cai para 14% ao ano

Na semana passada, o Copom reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, levando os juros básicos de 14,25% para 14% ao ano.

Apesar da melhora observada no cenário econômico de curto prazo, o Banco Central não indicou previamente quais serão os próximos passos da política monetária.

A autoridade monetária reforçou, porém, que pretende manter um nível de restrição monetária considerado adequado para garantir a convergência da inflação à meta.

A avaliação indica que, embora os indicadores correntes tenham apresentado alguma melhora, o BC continua atento aos riscos externos e aos possíveis impactos dos preços do petróleo sobre a economia brasileira.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN

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Internacional

Estreito de Ormuz: entidades marítimas pedem à ONU rejeição de pedágios para navios

As principais organizações do setor de transporte marítimo internacional solicitaram que a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização Marítima Internacional (IMO) se posicionem contra a criação de pedágios ou taxas para embarcações que utilizam o Estreito de Ormuz.

O pedido ocorre em meio às negociações entre Irã e Omã para estabelecer um novo acordo sobre a passagem marítima estratégica, segundo declarações do vice-ministro das Relações Exteriores iraniano.

Oito entidades globais do setor assinaram uma carta conjunta enviada à ONU e à IMO na segunda-feira (3). No documento, os representantes alertam que a cobrança de tarifas poderia elevar os custos do comércio marítimo, pressionar preços ao consumidor e ameaçar o princípio da livre navegação.

Associações temem efeito cascata sobre rotas globais

Na carta, as entidades afirmam que a criação de um modelo de cobrança no Estreito de Ormuz poderia abrir precedente para que outras regiões estratégicas adotassem medidas semelhantes.

Segundo o setor, esse cenário aumentaria a insegurança para empresas de transporte, afetaria o fluxo do comércio internacional e poderia contribuir para uma alta nos custos de energia e inflação global.

As organizações destacam ainda que os impactos não ficariam restritos ao setor logístico, podendo atingir consumidores e trabalhadores em diferentes países.

Irã avalia cobrança por serviços marítimos

O governo iraniano informou que pretende implementar a cobrança de taxas de serviços marítimos realizados em parceria com Omã no Estreito de Ormuz após a reabertura da rota.

A medida representaria uma mudança significativa em relação ao período anterior ao conflito, quando o tráfego marítimo pela região ocorria sem cobrança de tarifas e sem controle direto de qualquer país sobre a navegação.

Para Teerã, a capacidade de supervisionar o fluxo de embarcações no estreito se tornou uma questão estratégica, comparável em importância às discussões envolvendo seu programa nuclear.

Estados Unidos e aliados rejeitam controle sobre a passagem

A possibilidade de o Irã ampliar sua influência sobre o Estreito de Ormuz preocupa governos como Estados Unidos, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita.

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou em diferentes ocasiões que qualquer tentativa de estabelecer controle estatal sobre águas internacionais seria incompatível com as normas do direito marítimo internacional.

A região é considerada uma das rotas energéticas mais importantes do mundo, por onde passa uma parcela significativa do petróleo comercializado globalmente.

Acordo provisório previa ausência de taxas

Antes do fracasso de uma proposta de entendimento entre Irã e Estados Unidos, Teerã havia concordado em não aplicar tarifas ou pedágios no estreito durante um período inicial de 60 dias.

O compromisso fazia parte de um acordo provisório com 14 pontos, mas as negociações não avançaram porque os dois países não chegaram a um consenso sobre os termos da proposta.

Enquanto as discussões diplomáticas continuam, o futuro do controle e da operação do Estreito de Ormuz permanece como um dos principais pontos de tensão geopolítica no Oriente Médio.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reuters

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Internacional

Estreito de Ormuz: proposta pode ampliar controle do Irã sobre rota estratégica de petróleo

Uma proposta em negociação entre Irã e Omã pode alterar o controle do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais para o transporte de petróleo e gás. Segundo fontes ouvidas pela Reuters, o acordo em discussão prevê que Teerã passe a exercer autoridade sobre os navios que ingressam no Golfo Pérsico, representando uma das maiores concessões já consideradas nas tratativas para encerrar o conflito entre Irã e Estados Unidos.

Até o momento, o governo norte-americano não comentou oficialmente o conteúdo da proposta. Embora o presidente Donald Trump tenha afirmado que um acordo para a reabertura da passagem marítima estaria próximo, autoridades dos Estados Unidos reiteraram anteriormente que não aceitariam conceder ao Irã o controle sobre a navegação na região.

Mudança pode alterar o equilíbrio geopolítico no Oriente Médio

Caso seja implementado, o acordo poderá representar uma mudança significativa no equilíbrio de poder no Oriente Médio, fortalecendo a posição estratégica do Irã após meses de conflito com Estados Unidos e Israel.

Antes da guerra, iniciada em fevereiro, o Estreito de Ormuz operava com livre circulação de embarcações, sem cobrança de taxas para o tráfego internacional.

De acordo com fontes regionais, as negociações entre Irã e Omã avançaram nas últimas semanas. O governo iraniano afirma que houve progresso relevante nas conversas e defende que tanto a entrada quanto a saída de navios ocorram por águas sob sua jurisdição.

Irã ameaça infraestrutura energética em caso de novos ataques

Paralelamente às negociações diplomáticas, o Irã enviou alertas a países do Golfo informando que eventuais novos ataques dos Estados Unidos ao território iraniano provocariam retaliações contra instalações estratégicas de energia na região.

Segundo fontes consultadas pela Reuters, Teerã busca aumentar o custo político e militar de uma nova ofensiva ao sinalizar que poderá atingir aliados regionais de Washington.

Nos últimos meses, o Irã respondeu ao conflito com o lançamento de mísseis e drones contra aliados dos Estados Unidos e também intensificou ações contra embarcações comerciais que cruzavam o estreito sem autorização iraniana.

Taxas sobre navios seguem como principal impasse

Apesar dos avanços nas negociações, ainda existem divergências importantes sobre o formato do eventual acordo.

Uma das principais discussões envolve a cobrança de tarifas para embarcações que utilizarem o Estreito de Ormuz. Segundo uma autoridade iraniana, Teerã propõe taxas entre 5% e 7% sobre o valor das cargas transportadas. Omã trabalha com uma alternativa próxima de 3%, enquanto os Estados Unidos defendem que não haja qualquer cobrança.

Outro ponto ainda sem consenso diz respeito ao nível de controle que o Irã teria sobre os navios que deixam o Golfo Pérsico, além daqueles que ingressam na região.

Irã afirma que negociações avançam para fase final

Em declarações à agência estatal IRNA, o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, afirmou que o modelo discutido prevê a passagem de embarcações comerciais por águas territoriais iranianas tanto na entrada quanto na saída do estreito.

Segundo o diplomata, as conversas com Omã alcançaram entendimentos considerados fundamentais e estariam próximas da conclusão.

Gharibabadi também afirmou que o governo iraniano recebeu mensagens dos Estados Unidos indicando disposição para retomar compromissos assumidos em um memorando firmado em meados de junho, condição considerada essencial por Teerã para a reabertura da rota marítima. Apesar disso, o representante iraniano declarou que não houve negociações diretas recentes entre os dois países.

Pressão política cresce sobre Donald Trump

Enquanto busca uma solução diplomática para o conflito, o presidente Donald Trump enfrenta crescente pressão interna. Pesquisas apontam resistência significativa do eleitorado norte-americano à continuidade da guerra, especialmente às vésperas das eleições legislativas de novembro.

Após meses de confrontos, os Estados Unidos ainda não conseguiram reduzir a influência iraniana sobre o Estreito de Ormuz. Fontes militares também indicam preocupação com a redução dos estoques de armamentos de precisão utilizados durante a campanha militar.

Nos mercados internacionais, os preços do petróleo registraram queda nos últimos dias após Trump suspender novos ataques ao Irã e indicar que as negociações diplomáticas podem abrir caminho para o fim do conflito.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/National Geographic

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Internacional

Estreito de Ormuz amplia tensão entre EUA e Irã e aumenta incertezas sobre negociações

As perspectivas de retomada do diálogo entre Estados Unidos e Irã voltaram a ficar indefinidas após um navio ser atingido nas proximidades do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas para o comércio mundial de energia. O episódio elevou as preocupações do mercado e contribuiu para a recuperação dos preços do petróleo, que reagiram após a forte queda registrada na sessão anterior.

De acordo com a agência britânica de segurança marítima UKMTO, uma embarcação foi atingida por um projétil de origem ainda desconhecida próximo à costa de Omã. O incidente ocorreu em meio às dúvidas sobre uma possível solução diplomática para o conflito envolvendo Washington e Teerã.

Irã nega negociações anunciadas por Trump

Na segunda-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que conversas com o governo iraniano estariam em andamento e classificou o momento como uma “última oportunidade” para que Teerã aceite um acordo.

O governo iraniano, no entanto, voltou a negar qualquer negociação direta com Washington. Segundo autoridades do país, os únicos contatos em andamento relacionados ao Estreito de Ormuz ocorrem com Omã, sem previsão de reuniões de alto nível com representantes norte-americanos.

Trump também declarou que as tratativas estariam sendo incentivadas por países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Catar, além do próprio Irã.

Petróleo reage após queda acentuada

As incertezas geopolíticas refletiram imediatamente no mercado internacional de energia. Após encerrar a sessão anterior com perdas de aproximadamente 7%, o contrato futuro do Brent voltou a subir quase 3%, com investidores revisando o otimismo sobre uma solução diplomática rápida.

Analistas do banco ING consideraram que a forte desvalorização registrada anteriormente foi precipitada, destacando que o cenário continua cercado por riscos e elevada imprevisibilidade.

Estreito de Ormuz segue com tráfego reduzido

O conflito também continua afetando a movimentação no Estreito de Ormuz, passagem por onde normalmente circula cerca de um quinto das exportações globais de petróleo e gás natural liquefeito.

Enquanto o Irã mantém restrições à navegação na região e os Estados Unidos preservam medidas de bloqueio relacionadas ao país, o fluxo de embarcações permanece abaixo do normal.

Dados da empresa Kpler indicam que apenas três petroleiros e três navios graneleiros cruzaram o estreito na segunda-feira. Em períodos de estabilidade, mais de 100 embarcações utilizam diariamente essa rota estratégica.

Segundo fontes do setor marítimo ouvidas pela Reuters, o navio atingido era um graneleiro. Após o ataque, a tripulação abandonou a embarcação, e um dos tripulantes foi dado como desaparecido.

Irã diz não querer ampliar o conflito

Apesar da escalada da tensão, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que o país não pretende expandir o confronto militar.

Segundo ele, o objetivo do governo é proteger suas fronteiras, sem buscar uma ampliação da guerra na região.

Ainda assim, especialistas avaliam que Teerã continua utilizando sua posição estratégica no Golfo Pérsico como forma de aumentar a pressão sobre os adversários e elevar os custos econômicos do conflito.

Mediação internacional tenta reaproximar os dois países

Nos bastidores, seguem os esforços diplomáticos para restabelecer o diálogo entre Washington e Teerã.

Autoridades do Paquistão, que participam das tentativas de mediação, afirmaram que mantêm contato com ambos os governos na tentativa de criar condições mínimas para uma nova rodada de negociações.

O objetivo, segundo fontes ligadas às conversas, é convencer os dois lados a retomarem o diálogo antes que novos episódios de violência agravem ainda mais a crise.

Impasse sobre Ormuz continua no centro da disputa

O controle do Estreito de Ormuz permanece como um dos principais pontos de divergência entre os dois países.

Os Estados Unidos sustentam que um memorando firmado anteriormente previa a reabertura plena da rota marítima. Já o governo iraniano afirma que o documento preserva sua autoridade sobre a gestão do tráfego na região.

Enquanto não há consenso, permanecem as dúvidas sobre o futuro das negociações, mantendo elevados os riscos para o comércio internacional de energia e para a estabilidade no Oriente Médio.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Stringer

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Informação

Produção de petróleo no Brasil atinge recorde histórico em junho, aponta ANP

A produção de petróleo no Brasil alcançou um novo recorde em junho, segundo dados divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O resultado foi impulsionado, principalmente, pelo desempenho do pré-sal, consolidando o país em um momento de forte instabilidade no mercado internacional de energia.

Produção supera marca anterior e cresce mais de 19% em um ano

De acordo com a ANP, o país produziu, em média, 4,475 milhões de barris de petróleo por dia durante o mês de junho. O volume representa crescimento de 4% em relação a maio e avanço de 19,1% na comparação com o mesmo período de 2025.

O desempenho supera o recorde anterior, registrado em abril, quando a produção nacional havia atingido 4,340 milhões de barris diários.

Pré-sal lidera expansão da produção

O principal responsável pelo resultado foi o pré-sal, que respondeu por cerca de 3,699 milhões de barris por dia no período.

A participação crescente dessa camada continua sendo determinante para o aumento da produção nacional e reforça a importância dos campos marítimos na expansão da indústria petrolífera brasileira.

Mercado acompanha cenário internacional de tensão

O novo recorde ocorre em um contexto de elevada volatilidade nos preços do petróleo no mercado global. Nos últimos meses, as cotações da commodity sofreram fortes oscilações devido às tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel.

Um dos fatores que mais preocupou o setor foi o fechamento temporário do Estreito de Ormuz, rota estratégica responsável por cerca de 20% do comércio mundial de petróleo. A interrupção elevou os receios sobre o abastecimento global e impulsionou as cotações internacionais.

Petróleo chegou a superar US$ 100 por barril

Durante o período de maior tensão, o barril do petróleo ultrapassou a marca de US$ 100, refletindo o temor de restrições na oferta mundial.

Posteriormente, os preços recuaram para a faixa entre US$ 70 e US$ 80 com o aumento das expectativas de uma solução diplomática para o conflito no Oriente Médio e a possível retomada do tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz.

Declarações de Trump e resposta do Irã influenciam mercado

No fim de semana, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que poderia suspender uma nova ofensiva militar contra o Irã caso fosse firmado rapidamente um acordo relacionado ao programa nuclear iraniano e à reabertura do Estreito de Ormuz.

O governo iraniano, entretanto, negou ter solicitado qualquer interrupção das ações militares norte-americanas. Segundo a agência estatal Mehr, autoridades militares classificaram a declaração de Trump como falsa e afirmaram que as Forças Armadas iranianas permanecem em estado de alerta diante da possibilidade de novos confrontos.

Apesar das divergências entre os governos, a expectativa de retomada das negociações reduziu parte da tensão entre os investidores e contribuiu para a queda das cotações internacionais.

Brent e WTI registram forte queda

Por volta das 10h50, o barril do Brent, referência para o mercado internacional, era negociado a US$ 82,84, com recuo de 5,79%.

Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, registrava queda de 7,23%, sendo cotado a US$ 78,55 por barril.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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Internacional

Mar Vermelho: por que a Arábia Saudita quer criar uma coalizão internacional para proteger a navegação?

A Arábia Saudita articula a formação de uma coalizão internacional para reforçar a segurança no Mar Vermelho diante da escalada de ataques promovidos pelos houthis, grupo armado do Iêmen apoiado pelo Irã. A iniciativa surge em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio e às ameaças que colocam em risco uma das rotas marítimas mais importantes do comércio global.

Segundo informações divulgadas pela agência Reuters, dezenas de países receberam convite para integrar a aliança, cuja sede deverá ser instalada em Riad. A expectativa é de que o grupo seja oficialmente anunciado após a confirmação dos participantes.

Coalizão busca proteger uma rota estratégica do comércio mundial

A movimentação saudita ocorre dias após os houthis anunciarem um bloqueio marítimo contra o reino, em 20 de julho. A medida passou a atingir embarques de petróleo redirecionados para o Mar Vermelho depois das restrições impostas no Estreito de Ormuz.

Além disso, o grupo iemenita também sinalizou a intenção de cobrar taxas para a passagem de embarcações pelo Estreito de Bab al-Mandeb, ampliando a preocupação com possíveis impactos sobre o comércio internacional e os preços da energia.

Com o aumento da instabilidade, governos e empresas acompanham os reflexos sobre as cadeias globais de abastecimento e o transporte marítimo.

Quais países podem integrar a aliança?

Embora a lista oficial ainda não tenha sido divulgada, veículos internacionais informam que países como Estados Unidos, Egito, Paquistão, Turquia, Djibuti, Somália, Sudão, além de nações europeias como Alemanha, França e Itália, receberam convites para participar da coalizão.

Segundo o portal Al-Monitor, Egito, Djibuti e Sudão já teriam aceitado integrar a iniciativa. O governo saudita também teria estabelecido um prazo para que aproximadamente 50 países confirmem sua adesão.

Os Estados Unidos ainda não anunciaram oficialmente sua participação, apesar de serem considerados um dos principais aliados estratégicos da Arábia Saudita.

Reunião entre Arábia Saudita e EUA reforça diálogo sobre segurança regional

O ministro da Defesa saudita, príncipe Khalid bin Salman, esteve em Washington para reuniões com o presidente Donald Trump e o vice-presidente JD Vance.

De acordo com informações divulgadas pela imprensa norte-americana, o representante saudita afirmou que o país pretende evitar uma nova escalada militar envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, mas destacou que o reino está preparado para responder a ameaças à sua segurança.

Ainda segundo os relatos, a avaliação saudita é de que o país possui capacidade para enfrentar os houthis no Iêmen sem necessidade de participação direta das forças americanas.

Enquanto isso, Estados Unidos e Arábia Saudita realizaram operações conjuntas contra grupos armados apoiados pelo Irã no Iraque, ampliando as tensões na região.

Por que o Mar Vermelho é tão importante para o comércio global?

O Mar Vermelho conecta o Mediterrâneo ao Oceano Índico por meio do Canal de Suez e do Estreito de Bab al-Mandeb, formando um dos principais corredores marítimos do planeta.

Estima-se que até 30% do tráfego mundial de navios utilize essa rota, responsável pelo escoamento de mercadorias e, principalmente, de petróleo produzido pelos países do Golfo.

Somente em 2024, aproximadamente 4,1 bilhões de barris de petróleo e derivados passaram pelo estreito de Bab al-Mandeb, volume equivalente a cerca de 5% da produção mundial transportada por via marítima.

Com as restrições impostas ao Estreito de Ormuz, a Arábia Saudita passou a utilizar com maior intensidade seus terminais no Mar Vermelho para manter as exportações de petróleo, tornando a região ainda mais estratégica.

Entenda os ataques dos houthis no Mar Vermelho

Os houthis controlam a capital do Iêmen, Sanaa, desde 2014 e mantêm um conflito prolongado contra o governo reconhecido internacionalmente e apoiado pela Arábia Saudita.

O grupo afirma que o bloqueio marítimo anunciado em julho é uma resposta às operações militares sauditas e às restrições impostas ao território iemenita ao longo dos últimos anos.

Desde então, navios ligados à Arábia Saudita e instalações petrolíferas passaram a ser alvo de ataques. Em um dos episódios mais recentes, os houthis afirmaram ter lançado mísseis contra o petroleiro saudita NCC Ghazal, obrigando a embarcação a alterar sua rota.

O grupo já havia provocado impactos significativos no comércio marítimo internacional em 2023, ao atacar navios relacionados a Israel durante o conflito na Faixa de Gaza.

Plano para cobrar taxas preocupa comunidade internacional

Outro fator que elevou a tensão foi a possibilidade de os houthis passarem a cobrar tarifas pela passagem de navios no Estreito de Bab al-Mandeb.

Autoridades do governo do Iêmen afirmam que a proposta teria inspiração em iniciativas semelhantes discutidas pelo Irã para o Estreito de Ormuz. Segundo relatos, a intenção seria criar uma estrutura específica para arrecadar valores de companhias marítimas.

Especialistas destacam que, pelas normas do direito marítimo internacional, países que controlam estreitos utilizados pela navegação internacional não podem cobrar pedágio apenas pela passagem das embarcações. A cobrança é permitida somente em casos específicos, como serviços portuários ou de apoio à navegação.

Crise reduz tráfego marítimo e pressiona o preço do petróleo

A insegurança na região já provoca reflexos no transporte marítimo. Dados citados pela Reuters mostram que o fluxo de embarcações no Mar Vermelho caiu para o menor nível dos últimos meses, com apenas 11 navios registrados durante um fim de semana.

Antes do agravamento das tensões, mais de 70 embarcações cruzavam diariamente o Estreito de Bab al-Mandeb.

A instabilidade também voltou a influenciar o mercado internacional de energia. O barril do petróleo Brent registrou nova alta, alcançando US$ 88,09, após oscilar entre US$ 72 e mais de US$ 100 nas últimas semanas, refletindo a preocupação dos investidores com o abastecimento global.

FONTE: Al Jazeera
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Transporte

Ataque com drone no Egito aumenta preocupação sobre segurança do Canal de Suez e transporte de petróleo

Um ataque com drone contra dois navios de gás em águas egípcias reacendeu os alertas sobre a segurança do Canal de Suez e do oleoduto Sumed, corredores estratégicos para o transporte de petróleo do Oriente Médio.

O incidente ocorreu com os navios Energos Winter e Gaslog Salem, no porto de Damietta, localizado no delta do Rio Nilo, próximo ao Mar Mediterrâneo. Embora nenhum grupo tenha assumido a autoria do ataque e não tenha havido ameaça direta declarada ao canal, o episódio elevou a preocupação entre operadores marítimos e mercados de energia.

Canal de Suez ganha importância após riscos no Mar Vermelho

Desde o início do conflito envolvendo o Irã, ataques atribuídos aos houthis contra navios nos estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb aumentaram os riscos para o transporte marítimo na região.

Com isso, o Canal de Suez e o oleoduto Sumed passaram a desempenhar papel ainda mais relevante como alternativas para o escoamento de petróleo saudita.

Segundo Saul Kavonic, diretor de pesquisa energética da consultoria MST Marquee, qualquer ameaça à rota egípcia pode comprometer o fluxo de até cinco milhões de barris de petróleo por dia que atualmente conseguem evitar o Estreito de Ormuz.

Petróleo saudita muda rota diante de ameaças no Mar Vermelho

Após o início da guerra, a Arábia Saudita passou a direcionar grande parte de sua produção para o Mar Vermelho, utilizando principalmente o terminal de Yanbu.

No entanto, as ameaças e ataques recentes contra embarcações na região levaram muitos navios-tanque a evitar a rota pelo sul do Mar Vermelho e pelo estreito de Bab el-Mandeb.

Dados da empresa de inteligência de mercado Kpler mostram que um volume crescente de petróleo saudita passou a seguir em direção ao norte, rumo ao Canal de Suez e ao oleoduto Sumed.

Para compradores asiáticos, a mudança representa viagens mais longas, com navios precisando contornar a África em vez de seguir diretamente pelo Golfo de Áden.

Oleoduto Sumed registra aumento no transporte de petróleo

As cargas de petróleo movimentadas pelo Sumed, que conecta o Mar Vermelho ao porto mediterrâneo de Sidi Kerir, cresceram nos últimos meses.

Segundo dados do setor, o volume transportado pelo oleoduto aumentou para 28,79 milhões de barris em julho, ante 19,52 milhões em abril, antes do aumento das ameaças no Bab el-Mandeb.

A movimentação de navios também cresceu na região. Dados da plataforma MarineTraffic indicaram que cerca de 30 embarcações ficaram reunidas na área de fundeio de Port Said, na entrada mediterrânea do canal, acima das aproximadamente 20 registradas no início da semana.

George Morris, analista da Vortexa, afirmou que houve aumento significativo de navios transportando petróleo bruto e condensado em direção ao norte após carregamentos no Mar Vermelho.

Mercado ainda não precifica paralisação do Canal de Suez

Apesar da preocupação, especialistas avaliam que o ataque em Damietta não representa necessariamente uma ameaça imediata ao funcionamento do Canal de Suez.

Aly Blakeway, responsável pela área de gás natural liquefeito (GNL) do Atlântico na S&P Global Energy, afirmou que os mercados ainda não incorporaram uma possível interrupção da rota.

Mesmo após o incidente, os preços do petróleo registraram queda em meio às negociações entre Irã e Omã sobre o Estreito de Ormuz.

Seguros marítimos podem ficar mais caros

Especialistas alertam, porém, que uma escalada de ataques pode elevar os custos de seguro marítimo para navios que operam na região.

Martin Senior, responsável por preços de GNL na Argus, afirmou que um novo ataque próximo ao Canal de Suez poderia levar seguradoras a cobrar prêmios adicionais de risco de guerra, devido ao aumento da exposição de embarcações e infraestruturas energéticas.

Empresas de navegação já estariam revisando protocolos de segurança para operações próximas aos portos mediterrâneos egípcios localizados nas proximidades do canal.

Capacidade de Suez e Sumed limita transporte de grandes petroleiros

Embora o Canal de Suez continue sendo uma alternativa estratégica, existem limitações operacionais para o transporte de grandes volumes de petróleo.

Os superpetroleiros VLCCs não conseguem atravessar o canal totalmente carregados devido ao calado. Por isso, parte da carga precisa ser transferida pelo oleoduto Sumed antes que os navios retomem a viagem no Mediterrâneo.

Ainda assim, existe capacidade disponível para ampliar o fluxo de petróleo pela rota. Dados do setor indicam que o terminal de Sidi Kerir movimentou cerca de 1,4 milhão de barris por dia recentemente, abaixo do recorde semanal de 2,1 milhões de barris diários e da capacidade máxima do Sumed, estimada em 2,5 milhões de barris por dia.

A expectativa é que cerca de dez superpetroleiros carreguem no terminal nas próximas semanas, principalmente com destino a refinarias asiáticas.

Qualquer interrupção em Suez teria impacto global

Analistas destacam que o Canal de Suez pode se tornar ainda mais importante diante da incerteza envolvendo Ormuz e Bab el-Mandeb.

Corey Ranslem, diretor executivo da empresa de segurança marítima Dryad Global, afirmou que um ataque em qualquer ponto próximo ao canal poderia elevar significativamente os custos de seguro e alterar a avaliação de risco da região.

Matthew Wright, analista principal de fretes da Kpler, destacou que uma interrupção no Canal de Suez teria efeitos rápidos sobre os preços internacionais, com aumento de custos logísticos e possível pressão inflacionária para consumidores.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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