Logística

Rota Marítima da Seda reúne 19 países em fórum sobre comércio e logística

O VIII Fórum Internacional de Cooperação Marítima da Rota da Seda foi aberto em Xiamen, na província de Fujian, no leste da China, reunindo mais de 1.800 participantes de 19 países e regiões. O encontro colocou no centro dos debates a necessidade de ampliar a cooperação marítima internacional, a conectividade e a resiliência das cadeias de suprimentos diante de desafios como tensões geopolíticas, mudanças climáticas e transformação tecnológica.

Realizado sob o tema “Um novo capítulo da Rota Marítima da Seda para o crescimento compartilhado: cooperação aberta de alto nível em portos, transporte marítimo e comércio”, o evento reúne representantes dos setores de portos, transporte marítimo, logística, comércio, finanças e tecnologia.

Os participantes destacaram que a integração entre esses segmentos pode ajudar a enfrentar um cenário de maior fragmentação das cadeias globais e de aumento das incertezas no comércio internacional.

Conectividade é prioridade diante de riscos globais

Durante a abertura, os debates abordaram desde a reorganização das cadeias de abastecimento globais até o desenvolvimento portuário e a conectividade marítima.

Gu Jinshan, presidente da Associação Chinesa de Portos e Cais, afirmou que o setor portuário chinês vem reforçando sua contribuição para a economia real e para a integração entre portos, navegação e comércio. Segundo ele, os avanços obtidos nos últimos anos criaram uma base para fortalecer o transporte marítimo e apoiar a abertura econômica da China.

Ren Weimin, diretor da Divisão de Transportes da Comissão Econômica e Social das Nações Unidas para a Ásia e o Pacífico, defendeu o fortalecimento da resiliência da conectividade marítima na região. A medida, segundo ele, é necessária para reduzir os impactos de crises geopolíticas e das mudanças climáticas sobre o sistema global de transporte.

Já Zhang Ruosi, assessora da Divisão de Comércio de Serviços e Investimentos da Organização Mundial do Comércio (OMC), chamou atenção para os efeitos da fragmentação comercial. Na avaliação dela, políticas que favoreçam o comércio e uma maior integração do transporte marítimo podem contribuir para enfrentar esse cenário.

Rota Marítima da Seda aposta em resiliência

A crescente instabilidade geopolítica tem elevado as preocupações relacionadas à segurança das principais rotas marítimas internacionais. Entre os efeitos estão viagens mais longas, aumento dos custos logísticos e maior dificuldade no planejamento dos trajetos.

Nesse contexto, os participantes do fórum defenderam que a estratégia da Silk Road Maritime deve considerar não apenas eficiência, mas também capacidade de adaptação e continuidade diante de interrupções.

Um dos destaques do evento foi o lançamento de um serviço de cálculo de rotas meteorológicas voltado à Rota Marítima da Seda no Ártico. A ferramenta foi desenvolvida em conjunto pela Administração Meteorológica da China e pela Associação Marítima da Rota da Seda.

Inteligência artificial apoia navegação no Ártico

O novo serviço utiliza dados dos satélites meteorológicos Fengyun para formar uma rede de observação do gelo marinho no Ártico. As informações são combinadas com modelos de previsão numérica e algoritmos de inteligência artificial.

A ferramenta oferece previsões de condições do gelo para até 15 dias e monitoramento de ciclones polares, com o objetivo de auxiliar decisões relacionadas à segurança da navegação em águas polares.

Chen Zhiping, presidente do Fujian Provincial Port Group, afirmou que a empresa também trabalha com o escritório meteorológico de Xiamen no desenvolvimento de um sistema de IA para gestão de riscos meteorológicos portuários.

A solução reúne em uma única interface informações sobre riscos climáticos de 58 portos chineses e estrangeiros, incluindo níveis de alerta, distância em relação ao centro de tufões e situação de funcionamento dos portos.

Segundo Chen, a ferramenta pode facilitar a tomada de decisões por portos, empresas de navegação, comércio, seguradoras e outros integrantes da cadeia de suprimentos.

O grupo pretende continuar aperfeiçoando o sistema e ampliar sua integração com outros portos participantes da Iniciativa do Cinturão e Rota (BRI).

Jamaica e Nigéria defendem maior integração

Durante o encontro, a ministra das Relações Exteriores e Comércio Exterior da Jamaica, Johnson Smith, destacou a importância de manter o comércio marítimo seguro e ininterrupto e ressaltou o papel da China nesse processo.

Na avaliação da representante jamaicana, a cooperação comercial multilateral e as iniciativas vinculadas à Rota Marítima da Seda podem contribuir para cadeias de suprimentos mais seguras, sustentáveis e resilientes.

Na mesma linha, Chris Osa Isokpunwu, secretário permanente do Ministério Federal da Indústria, Comércio e Investimento da Nigéria, afirmou que a iniciativa representa mais do que o transporte de navios e mercadorias.

Para o representante nigeriano, a parceria também pode ampliar a integração do país à economia mundial, atrair investimentos e criar oportunidades de desenvolvimento sustentável. Ele acrescentou que a Nigéria pretende utilizar a cooperação para qualificar sua mão de obra e aproveitar experiências acumuladas pela China.

Europa e China discutem transformação digital

Jan Van der Borght, representante da Autoridade Portuária de Antuérpia-Bruges, considerou o fórum e a Associação Marítima da Rota da Seda mecanismos relevantes para estreitar a cooperação entre Europa e China.

Segundo ele, a evolução econômica chinesa não está relacionada apenas ao aumento do volume de cargas, mas também à transformação da indústria e à incorporação de novas tecnologias.

O representante citou inteligência artificial, tecnologias inteligentes e produtos chineses como fatores que podem ampliar as relações comerciais com o mercado europeu. Ao mesmo tempo, defendeu que os portos europeus avancem em sua transformação digital para acompanhar esse processo.

Novo corredor reduz custos logísticos

O fórum também apresentou o corredor intermodal marítimo-ferroviário Hunan-Fujian Silk Road Maritime. A iniciativa busca melhorar a ligação entre o interior da China e os portos da costa.

A expectativa é que o corredor crie uma alternativa de exportação mais eficiente para a região central do país, com potencial para reduzir os custos logísticos entre 20% e 30% e diminuir o tempo de transporte em cinco a sete dias.

Além disso, o encontro divulgou documentos relacionados ao desenvolvimento integrado de portos, transporte marítimo e comércio, incluindo o livro azul da Iniciativa Marítima da Rota da Seda 2025-2026, políticas de apoio ao desenvolvimento portuário e marítimo para 2026-2028 e um sistema colaborativo de serviços de navegação para as rotas do Ártico.

Novas rotas e acordos de cooperação

Segundo o Global Times, o fórum anunciou 12 novas rotas marítimas da Rota da Seda, a entrada de 15 novos integrantes na associação e a assinatura de 11 projetos de cooperação.

Uma nova iniciativa também foi aprovada durante a mesa-redonda do evento, com participação de aproximadamente 30 representantes de portos, empresas de navegação, operadores logísticos, companhias de tecnologia e instituições de pesquisa.

O acordo estabelece cinco áreas prioritárias:

  • expansão das redes de conectividade;
  • integração de recursos de portos, navegação e comércio;
  • avanço da digitalização e inteligência;
  • promoção do desenvolvimento sustentável;
  • criação de um ecossistema compartilhado voltado à prosperidade.

Silk Road Maritime amplia presença global

Criada em 2018, na província de Fujian, a Silk Road Maritime é apresentada como a primeira plataforma integrada de serviços logísticos internacionais da China dedicada ao transporte marítimo no âmbito da Iniciativa do Cinturão e Rota.

A rede cresceu rapidamente e atualmente reúne 160 rotas marítimas, 153 portos em 50 países e regiões e 393 integrantes de diferentes setores, incluindo transporte marítimo, energia, indústria e internet.

Para Zhang Jingquan, professor da Faculdade de Relações Internacionais da Universidade de Jinan, o desenvolvimento acumulado pela iniciativa pode ampliar o suporte à cooperação de alta qualidade dentro da BRI e fortalecer a economia marítima.

A plataforma também vem ampliando sua atuação em organização de rotas, coordenação portuária, serviços logísticos e transformação digital.

A proposta dos organizadores é avançar na integração de recursos internacionais e desenvolver novos modelos capazes de conectar portos, cidades, indústrias e comércio. O objetivo é formar uma rede de cooperação marítima mais inteligente, integrada e resiliente.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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Comércio Internacional

Canal do Panamá: navio paga valor recorde de R$ 27,4 milhões para garantir passagem

Uma empresa sul-coreana pagou um valor recorde para garantir a passagem de um navio pelo Canal do Panamá. A SK Gas desembolsou US$ 5,3 milhões, aproximadamente R$ 27,4 milhões, para assegurar que o navio-tanque G. Spirit atravesse a hidrovia em 1º de setembro.

A passagem ocorrerá dois dias antes da entrada em vigor de novas restrições ao tráfego de embarcações no canal, uma das principais rotas do comércio marítimo internacional.

Seca reduz capacidade do Canal do Panamá

O valor milionário está relacionado à disputa por vagas de passagem diante da redução da capacidade operacional do Canal do Panamá.

A partir de 3 de setembro, o número máximo de embarcações autorizadas diariamente cairá de 36 para 34. Ainda durante setembro, o limite deverá chegar a 32 navios por dia.

A redução está diretamente ligada à disponibilidade de água. O funcionamento das eclusas do canal depende dos reservatórios de Gatún e Alhajuela, abastecidos principalmente pelas chuvas.

Os baixos níveis dos reservatórios vêm preocupando as autoridades panamenhas, que enfrentam um período de seca associado ao fenômeno El Niño. A menor disponibilidade hídrica limita a quantidade de embarcações que podem atravessar a hidrovia.

Leilão bate recorde de preço

Com a diminuição das vagas, os espaços que garantem prioridade de passagem se tornaram mais disputados.

Segundo dados da Autoridade do Canal do Panamá, os leilões realizados entre outubro de 2025 e fevereiro de 2026 registraram preço médio de aproximadamente US$ 55 mil.

Em abril, entretanto, uma embarcação transportadora de gás natural liquefeito pagou US$ 4 milhões para garantir a passagem sem precisar enfrentar um período maior de espera.

O novo lance da SK Gas, de US$ 5,3 milhões, superou o recorde anterior, de US$ 4,6 milhões. O valor havia sido pago no início de agosto por outra embarcação controlada por uma companhia sul-coreana.

Como funciona a prioridade de passagem

A maior parte dos navios que utilizam o Canal do Panamá opera por meio do sistema regular de reservas. Já embarcações sem agendamento ou que precisam atravessar a via em caráter de urgência podem disputar vagas em leilões.

Nesse modelo, as empresas oferecem valores para obter prioridade e reduzir o risco de espera causado pela limitação da capacidade do canal.

No caso do G. Spirit, que transporta gás liquefeito de petróleo (GLP), a prioridade permitiu que a embarcação fosse programada para atravessar o canal antes da redução prevista no número diário de passagens.

Impacto no comércio marítimo internacional

O Canal do Panamá é uma rota estratégica para o transporte marítimo mundial por conectar os oceanos Atlântico e Pacífico. A hidrovia responde por aproximadamente 5% do comércio marítimo internacional.

Uma eventual redução prolongada da capacidade pode aumentar custos logísticos e afetar empresas que dependem da ligação entre os dois oceanos. Para operadores de navios e empresas de comércio exterior, a disponibilidade de vagas e a possibilidade de atrasos passam a ter impacto direto no planejamento das operações.

Fonte: R7, com informações da AFP e Bloomberg.

Texto: Redação

Imagem: Internet / Divulgação

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Comércio

Canal do Panamá cobra US$ 4 milhões para navio porta-contêineres furar fila

Um navio porta-contêineres desembolsou cerca de US$ 4 milhões para antecipar sua passagem pelo Canal do Panamá, em meio ao aumento da fila de embarcações na principal ligação marítima entre os oceanos Atlântico e Pacífico.

O valor, próximo de um recorde para esse tipo de operação, foi pago na segunda-feira pelo proprietário do Seaspan Benefactor, segundo pessoas familiarizadas com o leilão. As fontes falaram sob condição de anonimato, já que os dados dessas negociações não são públicos. A Seaspan não havia respondido a um pedido de comentário.

Leilão permite ultrapassar fila de espera

Além do sistema tradicional de reservas, que prevê o pagamento de uma tarifa fixa para garantir a passagem, a Autoridade do Canal do Panamá disponibiliza um mecanismo de leilão. Por meio dele, os armadores podem disputar posições antecipadas e evitar parte da espera regular.

A procura pelo serviço aumentou diante do congestionamento no Canal do Panamá, provocado principalmente pela busca por rotas alternativas em meio aos impactos da guerra no Irã.

O Seaspan Benefactor pagou mais que o dobro da média registrada nos sete dias anteriores. Até terça-feira, a embarcação permanecia no lado do Pacífico do canal, aparentemente aguardando para seguir em direção ao norte, segundo dados de navegação compilados pela Bloomberg.

Espera chega a 10 dias para navios Neopanamax

O problema é particularmente relevante para embarcações Neopanamax, categoria que inclui navios utilizados no transporte de gás liquefeito de petróleo (GLP), gás natural liquefeito (GNL), petróleo bruto e derivados.

De acordo com dados da Argus Media, a espera para esse tipo de embarcação no trajeto do Pacífico para o Atlântico chegou a 10 dias, o maior período registrado desde maio.

A situação afeta especialmente empresas envolvidas no comércio de petróleo, gás natural, fertilizantes e produtos químicos, sobretudo aquelas com operações ligadas ao mercado asiático.

Guerra no Irã aumenta pressão sobre rotas marítimas

A redução do tráfego em pontos estratégicos do Golfo Pérsico, como o Estreito de Ormuz e o Bab el-Mandeb, tem levado empresas de transporte e comerciantes a buscar alternativas para movimentar suas cargas.

Com mais embarcações recorrendo ao Canal do Panamá, a pressão sobre a capacidade da hidrovia aumentou, elevando também o valor das vagas disputadas nos leilões.

A autoridade responsável pelo canal afirmou que os preços dos leilões subiram devido às mudanças nas condições de oferta e demanda do comércio internacional. O órgão reconheceu que algumas transações ultrapassaram US$ 1 milhão, mas não comentou especificamente o pagamento de US$ 4 milhões nem confirmou o proprietário da embarcação.

Manutenção das eclusas agrava congestionamento

Outro fator que contribui para o gargalo no Canal do Panamá são obras de manutenção nas eclusas. Os trabalhos, previstos para continuar até setembro, também atingem estruturas utilizadas por navios da classe Neopanamax.

Além disso, o canal reduziu recentemente o calado máximo permitido nas eclusas Neopanamax para as próximas semanas. A medida ocorre em um cenário de chuvas abaixo do esperado, associado aos efeitos do fenômeno El Niño.

Com a combinação de restrições operacionais, manutenção e aumento da demanda por rotas alternativas, os armadores enfrentam custos maiores para garantir espaço em uma das principais rotas do comércio marítimo internacional.

FONTE: Data Portuária
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Data Portuária

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Comércio Internacional

Rota China-Europa pelo Ártico inicia operação semanal regular

A rota marítima China-Europa pelo Ártico iniciou neste sábado sua operação semanal regular durante a temporada de verão. O novo serviço busca criar uma alternativa mais rápida e resiliente para o transporte de cargas entre os dois mercados.

O início da operação ocorreu por volta das 19h, quando o navio porta-contêineres Dubai Tower deixou o Porto de Ningbo-Zhoushan, na província de Zhejiang, no leste da China.

Nova rota utiliza passagem nordeste do Ártico

O serviço atravessa a Passagem Nordeste do Ártico antes de alcançar importantes portos europeus. Entre os destinos previstos estão Felixstowe, no Reino Unido; Roterdã, na Holanda; Hamburgo, na Alemanha; e Gdansk, na Polônia.

A operação é conduzida pela Zhejiang Seaport Logistics Group e tem como proposta ampliar as alternativas para o comércio marítimo entre China e Europa.

A primeira viagem experimental foi realizada em setembro de 2025. Na ocasião, o navio chegou ao Porto de Felixstowe em aproximadamente 20 dias.

Segundo a operadora, o tempo de trânsito representa uma redução de quase 50% em relação ao trajeto tradicional pelo Canal de Suez e também supera o prazo normalmente registrado pelo transporte ferroviário China-Europa.

Serviço busca reduzir tempo de transporte

Xin Jianning, gerente-geral da Zhejiang Seaport Logistics Group, destacou como principais vantagens da rota o menor tempo de deslocamento e a maior segurança no planejamento da cadeia logística.

“A rota se destaca por suas vantagens em tempo de trânsito e segurança da cadeia de suprimentos”, afirmou o executivo.

O Dubai Tower transportará principalmente cargas de alto valor agregado e produtos que exigem controle de temperatura.

Entre os itens estão módulos de armazenamento de energia, baterias, módulos fotovoltaicos e componentes utilizados na fabricação de veículos de nova energia.

As cargas são provenientes principalmente de cidades localizadas no Delta do Rio Yangtze, uma das principais regiões industriais e exportadoras da China.

Operação é limitada pelo período de gelo

A navegação pelo Ártico depende das condições climáticas e da formação sazonal de gelo. Por isso, o serviço regular está programado principalmente para ocorrer entre julho e outubro.

Para 2026, estão previstas pelo menos oito viagens pela rota durante a temporada de verão.

A utilização do corredor ártico representa uma alternativa às rotas tradicionais e pode ampliar a resiliência da cadeia de suprimentos internacional, especialmente em um cenário de mudanças nos fluxos globais de comércio e transporte.

Comércio entre China e Europa segue em expansão

O novo serviço ocorre em meio ao crescimento das relações comerciais entre China e Europa.

Dados do Ministério do Comércio da China mostram que o comércio de bens entre os dois mercados movimentou US$ 447,8 bilhões no primeiro semestre de 2026.

O valor representa crescimento de 14,2% em comparação com o mesmo período do ano anterior, reforçando a demanda por alternativas logísticas capazes de conectar os centros produtores chineses aos principais mercados consumidores europeus.

FONTE: Xinhua
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder Naval

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Transporte

Frete marítimo sobe e ameaça exportações brasileiras após tarifa dos EUA e tensão no Oriente Médio

O comércio internacional iniciou agosto sob um cenário de maior pressão logística. A combinação entre a nova tarifa de 25% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, os reflexos da guerra no Oriente Médio e a reorganização da frota mundial está elevando os custos do frete marítimo e reduzindo a oferta de espaço nos navios, o que preocupa exportadores brasileiros.

Especialistas apontam que o momento é marcado por incertezas nas cadeias globais de transporte, dificultando o planejamento das empresas em um período estratégico para os embarques de commodities.

Três fatores explicam a alta do frete marítimo

De acordo com análises do setor de logística internacional, o atual cenário resulta da combinação de três elementos principais: os impactos da guerra no Oriente Médio, a redistribuição das embarcações após as medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos e a gestão de capacidade realizada pelas companhias de navegação.

Mesmo com uma leve desaceleração dos índices globais de frete, os preços permanecem elevados. Na principal rota de referência do mercado, entre China e demais destinos internacionais, o transporte de um contêiner de 40 pés continua acima de US$ 4 mil.

Exportações de commodities enfrentam novos desafios

O aumento dos custos não afeta apenas os produtos atingidos pelas tarifas norte-americanas. Commodities como soja, milho, café, açúcar, algodão e carnes, que dependem do transporte marítimo para alcançar mercados internacionais, também sofrem os efeitos da menor disponibilidade de navios.

Além do impacto financeiro, empresas enfrentam dificuldades para garantir espaço nas embarcações, comprometendo prazos, planejamento logístico e competitividade das exportações brasileiras.

Falta de espaço preocupa mais que o preço

Segundo o especialista em comércio exterior Jackson Campos, a tendência é de aumento da pressão sobre o transporte marítimo entre agosto e dezembro.

Ele destaca que, ao longo de 2026, os fretes na rota chinesa registraram forte valorização, passando de aproximadamente US$ 1 mil por contêiner no início do ano para cerca de US$ 6 mil em julho, chegando a se aproximar de US$ 8 mil em determinados períodos. O avanço representa uma alta superior a 500% em apenas sete meses.

No caso do Brasil, entretanto, o principal obstáculo deixou de ser apenas o preço.

“O frete em si está relativamente estável, mas conseguir espaço para embarcar está cada vez mais difícil”, afirma o especialista.

Campos explica que essa escassez não está ligada diretamente à tentativa de exportadores brasileiros anteciparem embarques antes da entrada em vigor das novas tarifas americanas. Para ele, o intervalo entre o anúncio das medidas e sua aplicação foi insuficiente para permitir essa estratégia.

Demanda dos EUA reorganiza rotas internacionais

Na avaliação do especialista, a forte demanda por transporte para o mercado norte-americano levou armadores a priorizarem rotas mais rentáveis.

Com isso, embarcações foram deslocadas para atender o comércio com os Estados Unidos, reduzindo a oferta de navios em outras regiões, incluindo linhas que atendem o Brasil. O resultado é um mercado mais disputado e com menor disponibilidade para exportadores brasileiros.

Em alguns casos, segundo Campos, a procura supera em muito a capacidade das embarcações. Navios com espaço para cerca de 5 mil contêineres chegam a receber demanda próxima de 10 mil unidades.

Guerra e gestão de capacidade mantêm preços elevados

Dados do Índice Mundial de Contêineres Drewry, referência internacional para fretes de curto prazo, mostram que houve recuo de 3% no indicador em 30 de julho, fechando em US$ 4.255 por contêiner de 40 pés. Apesar da queda, os valores continuam muito acima da média histórica.

A consultoria atribui esse comportamento ao gerenciamento de capacidade promovido pelas empresas de navegação, que seguem cancelando viagens programadas — prática conhecida como blank sailings — para evitar uma redução mais intensa das tarifas.

Além disso, o mercado permanece pressionado pelas consequências das novas barreiras comerciais dos Estados Unidos, pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio e pelos congestionamentos em importantes portos internacionais.

Outro fator que pesa na composição dos custos é a adoção de sobretaxas emergenciais de combustível anunciadas por diversas empresas de navegação para o mês de agosto.

Segundo semestre deve manter pressão sobre a logística

A expectativa do setor é de que o cenário permaneça desafiador até o fim do ano. Tradicionalmente, entre setembro e novembro, cresce a movimentação de cargas destinadas ao abastecimento da Black Friday e do Natal, ampliando a disputa por espaço nos navios.

Embora o elevado volume exportado favoreça a entrada de divisas e contribua para a balança comercial brasileira no curto prazo, especialistas alertam que os custos logísticos elevados e a limitação da capacidade de transporte podem reduzir a competitividade das exportações nos próximos meses.

China continua sendo referência para o mercado global

A rota marítima da China permanece como o principal indicador do comportamento do mercado internacional de fretes. Como o país concentra a maior movimentação mundial de contêineres, qualquer alteração na demanda influencia diretamente a distribuição das embarcações.

Quando os fretes nas rotas asiáticas aumentam, as companhias de navegação tendem a deslocar seus navios para esses trajetos mais lucrativos. Esse movimento reduz a oferta em outras regiões e acaba pressionando os custos do transporte marítimo em escala global.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: China Daily via REUTERS

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Logística

Frete marítimo sobe até 400% e pressiona importadores; contratos definem quem arca com os custos

O aumento do frete marítimo internacional vem elevando os custos de empresas brasileiras que dependem de insumos, componentes e equipamentos importados da Ásia. Além do impacto financeiro, a disparada dos preços intensificou discussões sobre a responsabilidade pelo pagamento das despesas extras ao longo da cadeia logística.

Dados da Port Trade, especializada em logística internacional e comércio exterior, mostram que o valor do transporte por contêiner, que variava entre US$ 1,2 mil e US$ 2 mil entre janeiro e abril, passou para uma faixa entre US$ 4,8 mil e US$ 5,7 mil nas últimas semanas, representando uma alta próxima de 400% no ano.

O cenário é impulsionado pelo agravamento das tensões geopolíticas, incluindo o conflito entre Estados Unidos e Irã, o fechamento do Estreito de Ormuz, ataques a embarcações no Golfo Pérsico e os riscos persistentes à navegação no Mar Vermelho.

Apesar da forte valorização, os valores ainda permanecem abaixo dos registrados durante a pandemia, quando algumas rotas chegaram a superar US$ 20 mil por contêiner de 40 pés.

Custos vão além do transporte

O aumento do frete internacional não afeta apenas o preço dos produtos importados. A crise também provoca atrasos, mudanças de rota, congestionamentos em portos, cancelamentos de escalas e elevação de despesas com armazenagem, seguros, demurrage, detention e outras penalidades logísticas.

Em entrevista à Agência Transporte Moderno, o advogado Pedro Calmon Neto, especialista em Direito Marítimo, afirma que o momento exige uma análise criteriosa dos contratos antes de qualquer tentativa de repassar custos ou revisar valores.

Segundo ele, é necessário verificar documentos como contratos de compra e venda, conhecimentos de embarque, reservas de carga, apólices de seguro, condições dos transportadores e os Incoterms, além das cláusulas relacionadas a reajustes tarifários, combustível, sobretaxas de guerra e alterações de rota.

Alta do frete não garante revisão contratual

Apesar do aumento expressivo dos preços, o especialista destaca que isso não significa, automaticamente, direito à revisão dos contratos.

Ele explica que tanto a teoria da imprevisão prevista no Código Civil quanto as regras de hardship em contratos internacionais exigem requisitos específicos, como imprevisibilidade do evento, desequilíbrio econômico significativo e vantagem excessiva para uma das partes.

Na avaliação do advogado, os riscos envolvendo o Mar Vermelho e o Estreito de Ormuz já eram conhecidos pelo mercado, o que dificulta caracterizar a situação atual como um fato totalmente inesperado.

A análise deve considerar fatores como a data da assinatura do contrato, histórico das tarifas, cláusulas de reajuste e a distribuição de riscos previamente acordada.

Direito inglês limita alterações nos contratos

Nos contratos regidos pelo direito inglês, bastante utilizados no transporte marítimo internacional, a possibilidade de revisão costuma ser ainda mais restrita.

Isso ocorre porque prevalece o princípio de que os contratos devem ser cumpridos conforme foram firmados, fazendo com que as cláusulas pactuadas tenham prioridade sobre alegações posteriores de desequilíbrio econômico.

Rotas mais longas reduzem oferta de navios

A deterioração das condições de segurança no Mar Vermelho e no Golfo Pérsico levou diversos armadores a evitarem o Canal de Suez, optando pelo trajeto via Cabo da Boa Esperança, no sul da África.

Essa mudança acrescenta entre sete e 14 dias ao tempo de viagem em determinadas rotas, reduz a disponibilidade de embarcações e aumenta a pressão sobre os preços do frete marítimo.

Como consequência, também cresce o risco de atrasos, reprogramação de escalas, escassez de contêineres e novos custos operacionais.

Incoterms definem quem paga as despesas extras

A responsabilidade pelos custos adicionais depende, principalmente, do Incoterm estabelecido na negociação comercial.

Nas operações realizadas sob a modalidade CIF, o vendedor responde pela contratação do frete e do seguro até o porto de destino, assumindo inicialmente os impactos das sobretaxas.

Já nas operações FOB, cabe ao comprador contratar o transporte, tornando-se responsável pelas oscilações nos custos do frete.

Segundo Pedro Calmon Neto, embora os Incoterms definam as obrigações entre comprador e vendedor, a relação com armadores e transportadores segue as regras previstas no contrato de transporte e no Bill of Lading.

Demurrage e detention seguem regras específicas

Outro ponto de atenção envolve as cobranças de demurrage e detention, relacionadas ao uso dos contêineres além dos prazos estabelecidos.

O especialista ressalta que esses valores não possuem natureza de penalidade arbitrária, mas funcionam como instrumentos para garantir a circulação dos equipamentos, especialmente em períodos de menor disponibilidade de contêineres.

Normalmente, a responsabilidade recai sobre quem detém o controle operacional da carga em cada etapa da operação, sendo o exportador na origem e o importador no destino.

Após a chegada do contêiner ao terminal, eventuais custos de permanência passam a depender da atuação da parte responsável pela retirada ou devolução do equipamento, reduzindo a possibilidade de atribuí-los diretamente à crise geopolítica.

Negociação deve prevalecer sobre disputas judiciais

Mesmo com o aumento das consultas jurídicas, a expectativa é de que o setor registre menos ações judiciais do que durante a pandemia.

A tendência, segundo o especialista, é de fortalecimento das negociações preventivas, revisão de contratos de longo prazo, atualização das cláusulas de força maior e busca por soluções por mediação ou arbitragem.

A orientação é manter toda a documentação organizada, comunicar rapidamente qualquer alteração operacional e priorizar o diálogo entre as partes para preservar as relações comerciais e reduzir riscos de litígios.

FONTE: Transporte Moderno
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Transporte Moderno

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Comércio Internacional

Índice Drewry World Container sobe 2% e fretes marítimos seguem em alta no comércio internacional

O Drewry World Container Index (WCI) avançou 2% nesta semana e alcançou US$ 4.639 por contêiner de 40 pés, atingindo o maior nível desde setembro de 2024. A alta foi impulsionada principalmente pelo aumento das tarifas na rota Ásia–Europa, reforçando o cenário de valorização dos fretes marítimos.

Rota Transpacífica registra alta nos fretes e oferta limitada

No corredor Transpacífico, o transporte entre Xangai e Los Angeles apresentou aumento de 2%, chegando a US$ 6.482 por contêiner de 40 pés. Já o frete entre Xangai e Nova York permaneceu estável, em US$ 7.904 por unidade.

De acordo com o relatório Container Capacity Insight, da Drewry, apenas três cancelamentos de viagens foram anunciados para a próxima semana nessa rota, indicando uma capacidade operacional restrita.

Além disso, algumas companhias marítimas comunicaram a aplicação de General Rate Increase (GRI) entre US$ 2.000 e US$ 3.000 por contêiner de 40 pés, com vigência a partir de 15 de julho. A consultoria projeta que os preços permanecerão elevados nas próximas semanas.

Fretes entre Ásia e Europa continuam avançando

Na rota Ásia–Europa, o mercado spot também manteve trajetória de alta. O transporte entre Xangai e Gênova subiu 2%, alcançando US$ 6.463 por contêiner de 40 pés.

Já os embarques de Xangai para Roterdã registraram avanço ainda maior, de 5%, chegando a US$ 4.933 por contêiner.

Segundo a Drewry, foram anunciados apenas quatro cancelamentos de viagens entre Ásia e Europa para a próxima semana, cenário que evidencia uma oferta limitada de capacidade. Diante disso, as armadoras seguem adotando estratégias para sustentar os preços, com tarifas Freight All Kinds (FAK) em patamares mais elevados.

CMA CGM anuncia novas tarifas FAK

A consultoria informou que a CMA CGM definiu novas tarifas FAK de US$ 7.000 por contêiner de 40 pés para os serviços entre Ásia e Europa.

Para a rota Ásia–Mediterrâneo, os valores anunciados variam entre US$ 7.900 e US$ 8.500 por contêiner, também com início previsto para 15 de julho.

A expectativa da Drewry é de que os fretes internacionais permaneçam firmes ao longo das próximas semanas.

Tensões geopolíticas aumentam volatilidade no mercado

O mercado de frete de contêineres nas rotas Leste–Oeste continua marcado pela volatilidade. Segundo a consultoria, as tensões entre Estados Unidos e Irã reacenderam as preocupações no Oriente Médio, especialmente em relação à segurança no Estreito de Ormuz.

Esse cenário segue impactando as operações marítimas e contribuindo para a manutenção dos preços em níveis elevados.

Embora a expectativa seja de desaceleração do pico sazonal de demanda entre o fim de julho e o início de agosto, as empresas de navegação continuam adotando sobretaxas para preservar os valores dos fretes marítimos.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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Internacional

China amplia carga aérea internacional com 92 novas rotas no primeiro semestre

A China reforçou sua presença no mercado global de carga aérea ao inaugurar 92 novas rotas internacionais durante o primeiro semestre deste ano. A expansão acrescentou mais de 210 voos semanais de ida e volta à malha logística do país, segundo dados divulgados pela Federação Chinesa de Logística e Compras.

O avanço faz parte da estratégia chinesa de fortalecer sua infraestrutura de transporte de cargas e atender ao crescimento da demanda do comércio internacional.

Europa e Ásia concentram maior número de novas operações

Das novas rotas implantadas, 41 ligam a China a países da Ásia, enquanto outras 38 têm como destino a Europa. A expansão também contemplou 11 ligações com a América do Norte, além da abertura de uma rota para a América do Sul e outra para a África.

A ampliação da malha aérea fortalece a conectividade entre os principais mercados consumidores e amplia a capacidade de movimentação de mercadorias em escala global.

Comércio eletrônico impulsiona transporte de cargas

Entre os principais produtos transportados nas novas rotas estão mercadorias relacionadas ao comércio eletrônico transfronteiriço, além de manufaturados de alto padrão, produtos de elevado valor agregado, componentes eletrônicos e autopeças.

O crescimento desse perfil de carga acompanha a expansão das exportações chinesas e a necessidade de entregas mais rápidas para diferentes mercados internacionais.

Rede internacional segue em expansão

De acordo com a Federação Chinesa de Logística e Compras, a estrutura da rede internacional de carga aérea da China continua em ritmo acelerado de crescimento ao longo de 2026.

As companhias especializadas em transporte aéreo de cargas têm intensificado as operações nos principais corredores entre a Ásia e a Europa e ampliado, gradualmente, os serviços em rotas transoceânicas e de longa distância, fortalecendo a posição do país na logística global.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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Comércio Internacional

Fretes marítimos de contêineres atingem maior patamar em quatro anos e pressionam comércio global

As tarifas spot de frete marítimo de contêineres voltaram a subir de forma expressiva e alcançaram os níveis mais elevados dos últimos quatro anos. O avanço é impulsionado pela corrida de importadores para antecipar embarques antes de novas tarifas comerciais, além das incertezas provocadas pelas tensões no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas do comércio internacional.

Os principais indicadores globais mostram que os preços se aproximam dos patamares registrados durante o auge da pandemia, quando a logística internacional enfrentou severas restrições de capacidade.

Índices globais registram forte alta nas principais rotas

O World Container Index, da Drewry, avançou 9% em uma semana e atingiu US$ 4.530 por contêiner de 40 pés (FEU).

Nas rotas entre a Ásia e os Estados Unidos, os aumentos foram ainda mais expressivos. O frete entre Xangai e Nova York subiu 11%, chegando a US$ 7.902 por FEU, enquanto o trajeto entre Xangai e Los Angeles avançou 10%, alcançando US$ 6.349.

Já nos serviços entre a Ásia e a Europa, os embarques para Roterdã registraram alta de 7%, para US$ 4.682 por FEU, e os destinados a Gênova aumentaram 10%, atingindo US$ 6.360.

Outro fator que contribui para a pressão sobre os preços é a redução da oferta de navios. Na próxima semana, a Drewry identificou oito blank sailings (cancelamentos de viagens) nas rotas transpacíficas, diminuindo a capacidade disponível para o transporte de cargas.

Freightos confirma aceleração dos fretes

Os dados da Freightos seguem a mesma tendência.

Na última semana, os fretes entre a Ásia e as costas Oeste e Leste dos Estados Unidos avançaram 8%, alcançando aproximadamente US$ 6.200 e US$ 8.000 por FEU, respectivamente.

Desde meados de maio, essas rotas acumulam altas de 120% e 85%.

No mercado europeu, os embarques para o Norte da Europa chegaram a US$ 4.900 por FEU, crescimento de 70% no período. Já os fretes para o Mediterrâneo atingiram US$ 6.500, avanço de 85%, superando inclusive os picos sazonais registrados em 2025.

Companhias marítimas elevam tarifas e sobretaxas

Diante da forte demanda, as grandes armadoras também reajustaram seus preços.

A HMM anunciou uma nova sobretaxa de alta temporada (Peak Season Surcharge – PSS) de US$ 3 mil por contêiner de 40 pés, válida a partir de 15 de julho.

Já a CMA CGM elevou sua tarifa Freight All Kinds (FAK) para a rota entre Ásia e Norte da Europa para US$ 6.300 por FEU, além de aplicar uma sobretaxa adicional de US$ 1 mil por TEU.

Nas operações destinadas ao Mediterrâneo, especialmente para cargas com destino à Argélia, os valores chegaram a US$ 10.200 por contêiner de 40 pés.

Antecipação de embarques impulsiona a demanda

O principal fator por trás da disparada dos preços é a antecipação das exportações.

Importadores vêm acelerando o envio de mercadorias diante da possibilidade de os Estados Unidos adotarem novas tarifas entre 10% e 12,5% sobre produtos de dezenas de países, em meio às discussões envolvendo trabalho forçado e política comercial.

Segundo o analista Lars Jensen, especialista no mercado de contêineres, o comportamento dos fretes reflete um desequilíbrio entre oferta e demanda.

Para ele, os navios operam praticamente com capacidade máxima, permitindo que as tarifas acompanhem a forte procura por espaço nas embarcações.

Oferta não acompanha crescimento da demanda

Levantamento da consultoria Linerlytica mostra que a demanda global por transporte de contêineres, medida em TEU-milha, cresce atualmente 7,3%, enquanto a oferta da frota mundial avança 5,4%.

Esse descompasso representa o maior desequilíbrio entre oferta e demanda desde o fim de 2024.

Ao mesmo tempo, o congestionamento portuário voltou a aumentar. Atualmente, quase 11% da frota mundial de navios porta-contêineres permanece fundeada aguardando atracação, o maior índice desde 2022.

Maersk revisa projeções após recuperação do mercado

O cenário favorável também levou a Maersk a revisar suas perspectivas financeiras para 2026.

Depois de alertar anteriormente para a possibilidade de prejuízo operacional de até US$ 1,5 bilhão, a companhia agora projeta um lucro operacional entre US$ 2 bilhões e US$ 4 bilhões.

A estimativa de EBITDA também foi elevada, passando para uma faixa entre US$ 8 bilhões e US$ 10 bilhões.

Além disso, a armadora revisou sua expectativa para o crescimento da demanda global por transporte marítimo de contêineres, elevando a projeção de cerca de 2% a 4% para aproximadamente 4% em 2026.

FONTE: Splash 247
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Transporte

Frete marítimo registra alta de 9% nas principais rotas internacionais

O custo do frete marítimo voltou a subir nas principais rotas globais de transporte de contêineres. De acordo com o World Container Index (WCI), elaborado pela consultoria Drewry, o índice avançou 9% na última semana, alcançando US$ 4.530 por contêiner de 40 pés. O movimento foi impulsionado, principalmente, pelo aumento das tarifas nas rotas Transpacífico e Ásia-Europa.

Rotas entre Ásia e Estados Unidos lideram aumento das tarifas

No corredor Transpacífico, as tarifas spot mantiveram trajetória de alta. O transporte entre Xangai e Nova York registrou aumento de 11%, chegando a US$ 7.902 por contêiner de 40 pés. Já a rota entre Xangai e Los Angeles teve elevação de 10%, atingindo US$ 6.349.

Segundo a Drewry, as companhias de navegação seguem anunciando reajustes gerais de tarifas (GRI) e sobretaxas de alta temporada (PSS) para o mês de julho, diante da expectativa de maior movimentação de cargas.

Um dos exemplos citados pela consultoria é a HMM, que passará a aplicar uma sobretaxa de US$ 3.000 por contêiner de 40 pés a partir de 15 de julho. A expectativa é que os valores continuem avançando nas próximas semanas.

Mercado Ásia-Europa também registra valorização

As rotas entre a Ásia e a Europa também apresentaram aumento nos preços. As empresas de navegação elevaram as tarifas Freight All Kinds (FAK) e aplicaram novas sobretaxas de alta temporada em resposta ao fortalecimento da demanda.

O frete entre Xangai e Gênova subiu 10%, chegando a US$ 6.360 por contêiner, enquanto a ligação entre Xangai e Roterdã registrou alta de 7%, alcançando US$ 4.682.

Demanda aquecida e cenário geopolítico influenciam o mercado

Na avaliação da Drewry, o mercado global de transporte marítimo de contêineres segue resiliente em 2026, sustentado pela antecipação da demanda da alta temporada e pelos custos elevados provocados por instabilidades geopolíticas.

A consultoria destaca que o acordo provisório entre Estados Unidos e Irã contribuiu para a reabertura do Estreito de Ormuz, permitindo a retomada gradual do tráfego de embarcações após a retirada de navios que estavam retidos e a definição de corredores de navegação autorizados.

Riscos no Oriente Médio ainda preocupam o setor

Apesar da melhora operacional na região, a Drewry alerta que o ambiente continua marcado por elevada incerteza. A suspensão das operações de escolta de navios, após um ataque contra um porta-contêineres nas proximidades de Omã, mantém elevados os riscos para a navegação.

Segundo a consultoria, as tensões geopolíticas no Oriente Médio seguem sendo um dos principais fatores de pressão sobre o mercado internacional de frete marítimo, influenciando os custos logísticos e as perspectivas para as próximas semanas.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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