Internacional

Minério de ferro na China sobe com alta do frete em meio à guerra no Irã

Os contratos de minério de ferro na China encerraram a segunda-feira em alta, revertendo as perdas registradas no início do pregão. O movimento foi impulsionado pelo avanço dos custos de frete marítimo, influenciados pela escalada da guerra no Irã, além da redução nos embarques globais da matéria-prima.

O contrato mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) fechou com valorização de 0,87%, cotado a 754,5 iuanes (US$ 109,64) por tonelada. Já o contrato de referência para abril na Bolsa de Cingapura avançou 0,85%, para US$ 99,2 por tonelada.

Petróleo mais caro eleva frete marítimo

Analistas da Zhengxin Futures apontaram que a alta do petróleo, diante das tensões entre Estados Unidos e Irã, elevou os custos logísticos, oferecendo suporte adicional aos preços do minério.

O cenário geopolítico tem impacto direto sobre o transporte marítimo internacional, especialmente em rotas estratégicas para exportação de commodities.

Queda nos embarques da Austrália e Brasil

Outro fator que contribuiu para a valorização foi a retração nos embarques dos dois maiores fornecedores globais, Austrália e Brasil. Segundo dados compilados pela consultoria Mysteel, os volumes caíram 0,8% na comparação semanal.

A redução na oferta externa ajudou a sustentar as cotações do principal insumo utilizado na produção de aço.

Restrições em Tangshan limitaram ganhos

Apesar do fechamento positivo, o minério iniciou o dia em queda, pressionado por restrições ambientais em Tangshan, maior polo siderúrgico chinês.

A previsão de piora na qualidade do ar levou as autoridades locais a acionarem o nível dois de resposta emergencial, medida que normalmente obriga siderúrgicas a reduzirem a produção e, consequentemente, a demanda por matérias-primas.

As restrições também ocorrem em meio a esforços para garantir melhores condições ambientais durante a reunião parlamentar anual da China, marcada para 5 de março.

Estoques elevados ainda preocupam

Apesar do suporte vindo do frete e da oferta global, o mercado segue atento à demanda por aço. Segundo Guiqiu Zhuo, analista da Jinrui Futures, a recuperação do consumo permanece lenta, enquanto os estoques seguem elevados.

Dados da consultoria Steelhome indicam que os estoques de minério de ferro nos principais portos chineses atingiram 162,17 milhões de toneladas em 27 de fevereiro — o maior volume já registrado.

O cenário combina fatores de suporte pontual aos preços com fundamentos ainda frágeis, mantendo o mercado atento aos próximos desdobramentos do conflito no Oriente Médio e à evolução da demanda chinesa.

FONTE: InfoMoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/InfoMoney

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Internacional

Guerra no Oriente Médio ameaça energia da Ásia e pressiona economias já afetadas pela guerra comercial

A escalada da guerra no Oriente Médio acendeu um novo alerta nas principais economias asiáticas, que já vinham lidando com os efeitos da guerra comercial entre Estados Unidos e China. Após o presidente Donald Trump afirmar que os ataques militares contra o Irã devem continuar por várias semanas, o foco dos mercados se voltou para o risco de interrupção no fornecimento de petróleo do Oriente Médio.

O temor central envolve o Estreito de Ormuz, corredor marítimo estratégico por onde passa cerca de um quinto da oferta global de petróleo — grande parte destinada à Ásia.

Estreito de Ormuz no centro das preocupações

Governos de China, Japão, Coreia do Sul, Taiwan e Índia acompanham com atenção qualquer ameaça de bloqueio da rota marítima localizada na fronteira sul do Irã.

Embora especialistas considerem improvável que Teerã feche o estreito — já que depende das exportações de energia, especialmente para a China —, os mercados reagiram imediatamente. Os preços do petróleo dispararam, navios petroleiros passaram a evitar a região e os custos de seguro aumentaram, enquanto portos registraram atrasos nas operações.

China enfrenta vulnerabilidade energética

A China importa pouco mais da metade de seu petróleo transportado por via marítima do Oriente Médio, sendo que cerca de um quarto desse volume tem origem no Irã. Um corte prolongado no fornecimento obrigaria o país a buscar novas fontes, possivelmente a preços mais altos.

Segundo dados da consultoria Kpler, a China possui reservas estratégicas suficientes para cerca de 115 dias. Além disso, conta com três grandes oleodutos, dois deles conectados à Rússia e ao Cazaquistão, o que reduz parcialmente a dependência da rota do Golfo.

Ainda assim, o momento é delicado. O país enfrenta desaceleração econômica, crise no setor imobiliário, alta no desemprego juvenil e pressões deflacionárias. A indústria manufatureira tem sido peça-chave para sustentar o crescimento e compensar tarifas impostas por Washington, que chegaram a 145% sobre produtos chineses durante a guerra comercial.

O presidente Xi Jinping deve se reunir em breve com Trump, em um encontro que tende a ocorrer sob clima ainda mais tenso diante da instabilidade geopolítica.

Japão e Coreia do Sul são altamente dependentes

Entre as economias mais expostas estão Japão e Coreia do Sul, fortemente dependentes do petróleo e gás do Oriente Médio.

O Japão importa mais de 90% de seu petróleo pelo Estreito de Ormuz, enquanto a Coreia do Sul depende da região para cerca de 70% de suas importações de petróleo bruto.

A gigante japonesa de transporte marítimo Mitsui O.S.K. Lines anunciou a suspensão de operações no Golfo Pérsico após alertas das autoridades iranianas.

Ambos os países possuem reservas estratégicas robustas: o Japão mantém estoques equivalentes a 254 dias de consumo, enquanto a Coreia do Sul dispõe de reservas para mais de 210 dias. Ainda assim, a alta persistente nos preços da energia pode agravar déficits comerciais e pressionar economias já fragilizadas pela inflação.

Taiwan e o risco para a cadeia global de semicondutores

Em Taiwan, a dependência energética é ainda mais acentuada. Mais de 96% da energia consumida na ilha é importada, principalmente do Oriente Médio. Cerca de 60% do petróleo e um terço do gás natural chegam via Estreito de Ormuz.

Uma interrupção prolongada poderia afetar diretamente a produção de semicondutores, essenciais para smartphones, veículos elétricos e sistemas de inteligência artificial.

A Taiwan Semiconductor Manufacturing Company, líder global na fabricação de chips avançados, conta com geradores de emergência, mas esses sistemas não substituem a rede elétrica em crises prolongadas.

Taiwan mantém reservas de petróleo para aproximadamente 120 dias, mas o estoque de gás natural duraria apenas cerca de 11 dias, segundo especialistas locais.

Índia e o dilema estratégico

A Índia vinha ampliando a compra de petróleo da Rússia, mas um acordo comercial recente com os Estados Unidos previa a substituição gradual desse fornecimento por petróleo de outras origens, sobretudo do Golfo Pérsico. A nova crise, no entanto, pode complicar essa estratégia e elevar os custos energéticos do país.

Impactos globais e alerta diplomático

Pequim pediu publicamente o cessar imediato das operações militares para evitar maior instabilidade econômica global. Analistas alertam que um bloqueio do Estreito de Ormuz teria efeitos catastróficos não apenas para a Ásia, mas para toda a economia mundial.

Mesmo que o fluxo de petróleo seja mantido, a escalada nos preços da energia pode pressionar inflação, contas públicas e crescimento econômico em diversas regiões.

Em um cenário já marcado por tensões comerciais e desaceleração econômica, a crise energética surge como um novo fator de risco para a Ásia e para o equilíbrio do comércio global.

FONTE: NY Times
TEXTO: Redação
IMAGEM: Fadel Senna/Agence France-Presse — Getty Images

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Internacional

Irã anuncia fechamento do Estreito de Ormuz e ameaça incendiar navios; EUA contestam bloqueio

O governo do Irã declarou nesta segunda-feira (2) o fechamento do Estreito de Ormuz e afirmou que qualquer embarcação que tentar atravessar a rota será alvo de ataque. A informação foi divulgada pela imprensa estatal iraniana, que atribuiu o anúncio a integrantes da cúpula da Guarda Revolucionária.

De acordo com o comunicado, a medida seria uma resposta direta à morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei.

Guarda Revolucionária reforça ameaça no Golfo

Em declaração transmitida pela mídia oficial, Ebrahim Jabari, assessor do comando militar, afirmou que o estreito está interditado e que forças da Guarda Revolucionária e da Marinha iraniana agirão contra qualquer navio que desrespeite a determinação.

O posicionamento representa a advertência mais incisiva desde que Teerã havia sinalizado, no último sábado (28), a intenção de fechar a estratégica rota marítima.

Apesar das declarações, o Comando Central dos Estados Unidos nega que o bloqueio esteja efetivamente em vigor. Segundo a emissora norte-americana Fox News, autoridades militares americanas garantem que o tráfego segue operando.

Importância estratégica do Estreito de Ormuz

O Estreito de Ormuz é considerado um dos principais corredores marítimos para a exportação de petróleo do Oriente Médio. A passagem conecta grandes produtores da região, como Arábia Saudita, Irã, Iraque e Emirados Árabes Unidos, ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico.

Analistas alertam que um bloqueio prolongado pode comprometer cerca de um quinto do fluxo global de petróleo bruto, pressionando fortemente os preços internacionais da commodity.

Mais cedo, a Guarda Revolucionária realizou um ataque com drones contra o petroleiro Athen Nova, que navegava pela região. Fontes ouvidas pela agência Reuters confirmaram o incidente.

Retaliação e escalada militar

Antes mesmo da confirmação do fechamento, militares iranianos já haviam emitido ameaças públicas contra os responsáveis pela morte de Khamenei. Em nota, a unidade de elite do Corpo da Guarda Revolucionária afirmou que os “inimigos” não estariam seguros “nem mesmo em casa”.

O discurso ocorreu pouco depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarar em Washington que confia na vitória americana na ofensiva contra Teerã.

Em publicação na rede social X, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian acusou Estados Unidos e Israel de ataques contra uma escola no sul do país e um hospital em Teerã. Segundo ele, os bombardeios deixaram 168 mortos no sábado (28) e atingiram uma unidade hospitalar no domingo (1º). Washington e Tel Aviv não confirmaram autoria.

Pezeshkian classificou os episódios como violações graves dos princípios humanitários e afirmou que o Irã não recuará diante das ofensivas.

Trump prevê conflito de até cinco semanas

Em pronunciamento na Casa Branca, Trump defendeu a operação militar e afirmou que a guerra pode se estender por “quatro ou cinco semanas, ou mais”. O republicano disse que os ataques representam a “última e melhor chance” de neutralizar o que chamou de ameaça do regime iraniano.

Segundo ele, os objetivos incluem destruir o arsenal de mísseis do país, enfraquecer a Marinha iraniana e impedir o avanço das ambições nucleares do Irã. O presidente também reiterou críticas ao acordo nuclear firmado durante o governo de Barack Obama, do qual os EUA se retiraram.

Durante cerimônia em homenagem a veteranos das guerras do Vietnã e do Afeganistão, Trump afirmou que as forças americanas já teriam eliminado lideranças iranianas e afundado ao menos dez embarcações militares do país.

De acordo com a CNN Internacional, quatro militares norte-americanos morreram até o momento, enquanto outros 18 estão em estado grave após ataques retaliatórios iranianos.

Mais cedo, Trump declarou à emissora que uma “grande leva de ataques” ainda estaria por acontecer.

FONTE: G1
TEXTO: Redação
IMAGEM: Jonathan Ernst/ Reuters

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Agronegócio

Guerra entre EUA e Irã pode elevar custos do agro brasileiro no curto prazo

A guerra entre EUA e Irã deve provocar aumento nos custos do agronegócio brasileiro no curto prazo, principalmente em razão da alta do petróleo, da valorização do dólar e de possíveis mudanças nas rotas de exportação.

Analistas de mercado avaliam que, apesar de não haver indicação de interrupção nos embarques de grãos e carnes ao Oriente Médio, o fechamento do Estreito de Ormuz pode exigir redirecionamento logístico, encarecendo o transporte internacional.

“O mundo hoje não é mais o mesmo da última semana”, resume Luiz Carlos Pacheco, analista da T&F Consultoria. Na avaliação dele, o conflito tende a ser pontual, já que uma guerra prolongada entre as duas potências teria impactos globais relevantes, sobretudo por causa da dependência mundial do petróleo.

Fertilizantes e gás natural entram no radar

Um dos principais pontos de atenção está no mercado de fertilizantes, especialmente a ureia. O Irã é fornecedor relevante do insumo para o Brasil e, em 2025, exportou 184,7 mil toneladas ao país, movimentando US$ 66,8 milhões.

Além disso, o país persa é importante fornecedor de gás natural para nações como Catar, Omã e Nigéria, que produzem nitrogenados destinados ao mercado brasileiro. Segundo Maísa Romanello, analista da Safras & Mercado, uma eventual interrupção no fluxo de gás pode reduzir a oferta global de matéria-prima, elevando preços.

Para Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting, o impacto ocorre em duas frentes: encarecimento dos fertilizantes e valorização do dólar, que pressiona diretamente os custos de produção e importação.

Milho e carnes: comércio deve continuar

O Irã é o maior comprador de milho brasileiro, com 9 milhões de toneladas importadas em 2025 — o equivalente a 23% do total exportado pelo Brasil. A expectativa do mercado é que a demanda seja mantida, já que os principais embarques acontecem a partir de julho, período em que a crise pode já estar resolvida.

No segmento de proteínas, analistas também projetam continuidade do fluxo comercial, ainda que com maior complexidade logística. O Oriente Médio é destino relevante das exportações brasileiras de frango e carne bovina.

Os Emirados Árabes Unidos lideram as compras de frango brasileiro, com 480 mil toneladas adquiridas em 2025. Já as exportações de carne bovina para a região somaram 223,9 mil toneladas, o equivalente a 6,5% do total vendido pelo país, segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária.

Entidades monitoram impactos

A Associação Brasileira de Proteína Animal informou que acompanha os pontos críticos na logística internacional e avalia rotas alternativas já utilizadas em crises anteriores na região.

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes declarou que monitora a situação, mas ainda não recebeu relatos de impactos concretos das empresas associadas.

A BRF, que possui operações na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes, afirmou que ativou planos de contingência para garantir o abastecimento e prioriza a segurança de seus colaboradores. A JBS optou por não comentar.

Custos maiores, mas sem ruptura comercial

Apesar do aumento nos custos logísticos, do risco de encarecimento dos fertilizantes e da volatilidade cambial, a avaliação predominante é de que não haverá ruptura na corrente de comércio.

O cenário, no entanto, exige atenção redobrada dos exportadores, que podem enfrentar margens mais apertadas enquanto persistirem as incertezas geopolíticas no Oriente Médio.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Claudio Neves/Portos do Paraná

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Comércio Exterior

Especialistas analisam o comércio internacional e o cenário econômico da Venezuela

O Conselho Empresarial de Comércio Exterior da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ) promoveu um encontro voltado à discussão de temas estratégicos da agenda econômica brasileira e do comércio exterior. O convidado foi o economista Márcio Sette Fortes, que apresentou a palestra “As perspectivas econômicas e políticas da Venezuela no comércio internacional”.

Durante a exposição, o especialista abordou questões relacionadas a acordos internacionais, financiamento ao comércio e o contexto econômico da América do Sul, com foco nos reflexos para o Brasil e para o Estado do Rio de Janeiro.

Política de preços da Petrobras e impactos no mercado

Ao analisar o setor energético, Márcio Sette destacou a mudança na política de preços da Petrobras, que em 2023 deixou de adotar a Paridade de Preços de Importação (PPI). Segundo ele, embora a medida tenha reduzido a dependência direta da cotação internacional do barril Brent, o país ainda permanece sensível às oscilações globais, especialmente no mercado de diesel.

“O Brasil continua exposto aos preços internacionais, mesmo com ajustes na política interna”, observou o economista.

Indústria petrolífera da Venezuela e reflexos no Rio de Janeiro

O economista também chamou atenção para a situação da indústria de petróleo da Venezuela, que, de acordo com sua análise, enfrenta um quadro de sucateamento após duas décadas de baixo investimento. Esse cenário inviabiliza uma retomada rápida da produção, apesar de o país deter as maiores reservas de petróleo do mundo.

No caso do Rio de Janeiro, o alerta recai sobre os possíveis efeitos de uma eventual ampliação da produção venezuelana sob influência dos Estados Unidos. Uma maior oferta de petróleo no mercado global poderia pressionar os preços internacionais. “O petróleo responde por cerca de 40% do PIB total e 80% do PIB industrial fluminense. Uma queda expressiva nos preços teria impacto direto nas exportações da Petrobras, na arrecadação estadual e na economia do Rio”, afirmou.

Acordos comerciais e integração regional

Outro ponto abordado foi o papel dos acordos de comércio internacional, como o Acordo de Complementação Econômica nº 59 (ACE 59) e o Acordo Mercosul–União Europeia. Márcio Sette também comentou a suspensão temporária — posteriormente revogada — do Acordo de Complementação Econômica nº 69 (ACE 69), que permite a entrada de produtos brasileiros na Venezuela com tarifa zero, desde que cumpridas as exigências de certificação de origem.

Crise política e desafios econômicos na Venezuela

A reunião contou ainda com uma análise política apresentada pelo vice-presidente do Conselho Empresarial de Comércio Exterior, Pedro Rafael. Ele traçou um panorama da crise venezuelana, combinando aspectos históricos com as recentes mudanças políticas e econômicas.

Segundo Pedro Rafael, a Venezuela enfrenta atualmente um cenário de insegurança jurídica, no qual a recuperação econômica depende da reabertura ao mercado internacional e da regularização de dívidas acumuladas. “A reconstrução econômica e política do país é urgente e passa, necessariamente, pela retomada da confiança institucional”, avaliou.

FONTE: ACRJ
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/ACRJ

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Comércio Exterior

Comércio Brasil–China bate recorde em 2025 e supera em mais do que o dobro as trocas com os EUA

A corrente de comércio entre Brasil e China atingiu um novo recorde histórico em 2025, somando US$ 171 bilhões (cerca de R$ 918,2 bilhões), segundo dados do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC). O resultado representa uma alta de 8,2% em relação ao ano anterior e consolida a China como o principal parceiro comercial do país.

O volume negociado com o mercado chinês foi mais que o dobro do registrado com os Estados Unidos, que movimentaram US$ 83 bilhões (R$ 445,7 bilhões) no mesmo período.

Superávit com a China completa 17 anos consecutivos

O Brasil mantém superávits comerciais consecutivos com a China há 17 anos. Em 2025, o saldo positivo chegou a US$ 29,1 bilhões (R$ 156,2 bilhões), equivalente a 43% de todo o superávit brasileiro com o comércio global.

As exportações brasileiras para a China totalizaram US$ 100 bilhões (R$ 537 bilhões), impulsionadas principalmente pelo agronegócio e pela indústria extrativa.

Soja, petróleo e café lideram exportações

A pauta exportadora segue concentrada em soja e petróleo, que continuam como os principais pilares da relação bilateral. A China respondeu por 45% de todo o petróleo exportado pelo Brasil em 2025.

Um dos destaques do ano foi o avanço do café não torrado, cujas exportações dobraram de valor e alcançaram US$ 459 milhões (R$ 2,4 bilhões). Com isso, a China passou a ocupar a posição de segundo maior mercado asiático para o café brasileiro.

Carne bovina cresce, enquanto frango perde espaço

No segmento de proteínas animais, as exportações de carne bovina para a China atingiram um recorde histórico de US$ 8,8 bilhões (R$ 47,2 bilhões), com crescimento próximo de 48%.
Já as vendas de carne de frango recuaram, e a Arábia Saudita assumiu a liderança como principal destino desse produto.

Importações chinesas também atingem patamar histórico

As importações brasileiras da China somaram US$ 70,9 bilhões (R$ 380,7 bilhões), avanço de 11,5% em relação a 2024. O desempenho foi impulsionado, principalmente, pela aquisição de um navio-plataforma de petróleo, avaliado em US$ 2,66 bilhões, e pela forte demanda por veículos híbridos, que totalizaram US$ 1,87 bilhão.

O setor farmacêutico também ganhou destaque, com as importações de insulina crescendo 64 vezes, alcançando US$ 135 milhões.

Comércio com os EUA enfrenta entraves

Enquanto o comércio com a China avança, a relação com os Estados Unidos enfrentou dificuldades em 2025. As sobretaxas impostas durante o governo Trump impactaram cerca de 22% das exportações brasileiras para o mercado americano, o equivalente a US$ 8,9 bilhões sujeitos a tarifas adicionais.

Especialistas avaliam que, embora o Brasil busque diversificar seus parceiros comerciais, o eixo asiático tende a permanecer como destino prioritário da produção nacional. A expectativa é de continuidade da forte dependência chinesa, acompanhada por esforços para ampliar o comércio com países como Argentina e Índia.

Fonte: Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) e Times Brasil

TEXTO: REDAÇÃO

IMAGEM: REPRODUÇÃO TIMES BRASIL

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Notícias

Ataque dos EUA e captura de Maduro intensificam crise e ampliam riscos à economia global

Ataque de hoje eleva tensões e repercute nos mercados.

Neste sábado (3 de janeiro), os Estados Unidos realizaram um ataque militar de larga escala contra a Venezuela e anunciaram a captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, conforme divulgado pelo governo americano em redes sociais e coletivas de imprensa. A ação, que incluiu explosões e operações em Caracas, marca uma escalada sem precedentes nas relações entre os dois países e voltou a acender o alerta nos mercados globais sobre os impactos econômicos de conflitos geopolíticos. A captura de Maduro em meio ao ataque representaria um ponto de inflexão nos desdobramentos internacionais, com reflexos sobre o Brasil e outras economias emergentes.

Petróleo e geopolítica: preço sob pressão

A Venezuela possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, apesar de limitações de produção causadas por sanções e falta de investimentos. A confirmação de um ataque e a captura de seu líder podem alimentar o receio de interrupções adicionais na oferta global de petróleo, pressionando ainda mais os preços da commodity.

O aumento dos valores do petróleo impacta diretamente o custo de combustíveis, energia e transporte, contribuindo para a alta dos preços de bens e serviços e ampliando a inflação global.

Mercados financeiros sob risco

A intensificação do conflito geopolítico, especialmente após o anúncio de hoje, tem reflexos imediatos nos mercados financeiros. Em momentos de incertezas como este, investidores tendem a migrar para ativos considerados mais seguros — como o dólar e títulos do Tesouro dos EUA — causando:

  • Valorização do dólar frente a moedas de mercados emergentes;
  • Aumento da volatilidade nas bolsas de valores;
  • Elevação do custo do crédito internacional.

Para a economia brasileira, um cenário desses pressiona o câmbio, encarece importações e pode restringir o acesso a capital estrangeiro.

Repercussões para o Brasil

Comércio exterior: oportunidades e desafios

No campo do comércio exterior, efeitos contraditórios devem se manifestar. A valorização do dólar pode favorecer exportadores de commodities brasileiros, como soja, milho, carnes e minério de ferro, melhorando a competitividade internacional.

Por outro lado, insumos, máquinas e componentes importados ficam mais caros, aumentando os custos de produção. Fretes, seguros e operações financeiras também tendem a subir de preço em um ambiente de maior risco geopolítico.

Indústria sob pressão de custos

A indústria brasileira é sensível às variações nos preços de energia e câmbio. Setores como automotivo, químico, farmacêutico, eletroeletrônico e de máquinas dependem de insumos importados e de energia, cujo custo tende a subir em meio à alta do petróleo e do dólar após o ataque de hoje.

O encarecimento do diesel e de outras fontes de energia também pressiona os custos logísticos, comprimindo margens e podendo refletir em aumento de preços ao consumidor.

Agronegócio: competividade externa vs. custo interno

No agronegócio, o fortalecimento do dólar pode ampliar a receita em reais para produtores exportadores de grãos, carnes e açúcar, melhorando a posição do Brasil no mercado internacional.

Entretanto, o setor enfrenta custos mais altos de fertilizantes, defensivos agrícolas, combustíveis e máquinas, que também são influenciados pela dinâmica cambial e pela pressão sobre o preço do petróleo. Isso reduz a margem de lucro dos produtores, especialmente os de menor porte, e pode refletir em preços maiores ao consumidor interno.

Risco de inflação e desafios macroeconômicos

A combinação de energia mais cara, dólar valorizado e custos de produção elevados, reforçada pelo ataque e sua repercussão, cria um ambiente favorável à aceleração da inflação no Brasil. Caso essa dinâmica persista, o Banco Central pode ser pressionado a adotar políticas monetárias mais restritivas, com impactos sobre crédito, consumo e crescimento econômico.

Cenário futuro incerto

Especialistas apontam que, se o conflito entre os EUA e a Venezuela se mantiver limitado após o episódio de hoje, os efeitos econômicos podem ser temporários. No entanto, uma escalada prolongada ou novos episódios de violência podem resultar em volatilidade mais persistente, inflação elevada e menor crescimento econômico global.

Fonte: atualizações de agências internacionais e declarações oficiais sobre o ataque e captura anunciados hoje.
Texto: Redação

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Sem Categoria

Novo porto em Praia Mole: acordo confirma construção de terminal de petróleo no ES

A Blue Terminals, do grupo Zmax, e a Vports, concessionária que administra o Complexo Portuário de Vitória, firmaram um contrato de 25 anos para a implantação do Terminal de Granéis Líquidos (TGL) de Praia Mole. Com a assinatura, a companhia recebe autorização para desenvolver o novo porto de petróleo no Espírito Santo, em uma área próxima ao Porto de Tubarão (Vale) e ao Porto de Praia Mole, operado por ArcelorMittal, Usiminas e Gerdau. O projeto prevê R$ 340 milhões em investimentos e início das operações em 2028.

Capacidade e operação do novo terminal

O TGL de Praia Mole terá capacidade para movimentar 14 milhões de toneladas de petróleo por ano, o equivalente a 100 milhões de barris. O local possui calado de 25 metros, permitindo a operação de grandes embarcações. Ali, navios vindos das plataformas offshore farão o transbordo para navios de maior porte, no sistema ship to ship, ampliando a capacidade logística brasileira em um momento em que o país se consolida como exportador de petróleo.

Desenvolvimento e impacto para o Espírito Santo

Segundo Bruno Fardin, diretor executivo da Blue Terminals, o projeto avança de forma decisiva e representa “desenvolvimento, modernização e oportunidades”, alinhando competitividade econômica e responsabilidade socioambiental.

Para Gustavo Serrão, diretor-presidente da Vports, o contrato marca o 17º acordo desde a concessão do complexo à iniciativa privada há três anos. Ele destaca que a ampliação do portfólio, com contratos de longo prazo, reforça a vocação multipropósito do porto e atrai investimentos estruturantes para o Estado.

O vice-governador do Espírito Santo, Ricardo Ferraço, também celebrou o anúncio, lembrando que o setor portuário é uma vocação histórica que continua crescendo e contribuindo diretamente para o desenvolvimento regional.

Receita e próximos passos

A estimativa é que o novo terminal gere até R$ 80 milhões por ano em royalties, distribuídos entre Vitória, Serra e Vila Velha. O processo de licenciamento ambiental e a elaboração do projeto de engenharia já estão em andamento.

FONTE: A Gazeta
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Blue Terminals

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Comércio Internacional

Mercados Globais Sem Direção em Dia de Expectativa por Dados dos EUA

Os principais índices globais operam sem tendência clara, reflexo dos ganhos das ações de tecnologia registrados na véspera em Wall Street e da expectativa pelos dados econômicos atrasados dos Estados Unidos.

Desempenho dos Mercados Internacionais

Na Ásia, o movimento foi moderadamente positivo. O Nikkei 225 avançou 0,07%, o Shanghai Composite subiu 0,87% e o Hang Seng ganhou 0,69%.
Na Europa, o Euro Stoxx 50 oscila próximo da estabilidade, com leve queda de 0,08%.
Já nos EUA, os futuros do S&P 500 e da Nasdaq recuam, respectivamente, 0,25% e 0,40%.

Cotações Globais

  • S&P 500 Futuro: -0,2%
  • FTSE 100: estável
  • CAC 40: -0,1%
  • MSCI World: estável
  • MSCI EM: +0,9%
  • Petróleo WTI: -0,2% (US$ 58,70)
  • Brent: -0,3% (US$ 63,17)
  • Minério de ferro em Singapura: +0,9% (US$ 106)
  • Bitcoin: -1,7% (US$ 87.224,88)

EUA e China: Aproximação Diplomática

O presidente Donald Trump afirmou ter recebido e aceitado um convite do líder chinês Xi Jinping para visitar a China em abril de 2026.

Paralelamente, o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, declarou que Washington negocia com autoridades europeias um “acordo interessante” em troca de flexibilização regulatória, mas destacou que a União Europeia precisará ajustar regras digitais para viabilizar um pacto que reduza tarifas sobre aço e alumínio.

Tensões Geopolíticas: Rússia e Ucrânia

O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky reconheceu avanços nas negociações conduzidas em Genebra, mas afirmou que os temas mais sensíveis serão debatidos diretamente com Trump.
Os dois países buscam reduzir divergências sobre segurança, limites militares e eventuais concessões territoriais.

Mercado de Commodities em Queda

Os preços do petróleo recuam, acompanhando o movimento global de cautela. O WTI cai 0,2%, enquanto o Brent recua 0,3%. Já o minério de ferro segue em alta de 0,9% em Singapura.

Brasil: Mercado Acompanha Falas do Banco Central

O foco no Brasil está na audiência do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. O senador Renan Calheiros pede esclarecimentos sobre o acordo que encerrou um processo administrativo no BC.

Antes, às 9h, o diretor de Política Monetária do BC, Nilton David, participa do evento EuroFinance, em São Paulo.

As falas recentes de Galípolo repercutem no mercado: ele afirmou que gostaria que a inflação convergisse mais rapidamente, mas reconhece haver um trade-off nesse processo.

Com a Selic em 15% ao ano, investidores questionam quando o ciclo de cortes pode começar, em meio ao avanço da desinflação.

Indicadores

  • Balanço de pagamentos de outubro.
    O BTG Pactual projeta déficit de US$ 5 bilhões em transações correntes.

Mercado Financeiro

  • Ibovespa: +0,33% (155.278 pontos)
  • Dólar: -0,11% (R$ 5,3949)

Empresas

  • Lojas Americanas, em recuperação judicial, aceitou a proposta da BrandUP! para adquirir sua unidade produtiva isolada.
  • Dois membros do Conselho da Raízen renunciaram aos cargos.
  • O investidor Silvio Tini de Araújo elevou sua participação na GPA para 5,57% do capital social.

Com informações de agências internacionais e nacionais.
Texto: Redação

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Portos

Portos do Sudeste registram recorde histórico e movimentam 186,7 milhões de toneladas no 3º trimestre

A movimentação de cargas nos portos do Sudeste alcançou um novo recorde entre julho e setembro de 2025, chegando a 186,7 milhões de toneladas. O volume representa alta de 9,10% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo levantamento da Antaq. O avanço foi puxado sobretudo pelos Terminais de Uso Privado (TUPs) e pela forte demanda por petróleo e minério de ferro.

Os TUPs lideraram o desempenho, com crescimento de 13,60% e total de 124,5 milhões de toneladas movimentadas. Já os portos públicos tiveram expansão mais moderada, de 1,09%, alcançando 62,2 milhões de toneladas.

Terminais de petróleo puxam o avanço na região

O recorde regional foi impulsionado por terminais especializados em granel líquido. O Terminal de Petróleo de Açu (TPET/TOIL), no Rio de Janeiro, registrou alta de 38,06% e somou 17,8 milhões de toneladas. O Terminal Aquaviário de Angra dos Reis também se destacou, com crescimento de 25,34% e volume de 18,8 milhões de toneladas. Ambos, focados em petróleo bruto, foram decisivos para o salto na movimentação de granel.

Esse avanço quebra um período de relativa estabilidade observado nos últimos anos. Em 2023, o terceiro trimestre havia movimentado 170,9 milhões de toneladas, e em 2024, 171,1 milhões — muito abaixo do resultado atual.

Governo atribui alta à eficiência e modernização

Para o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, o desempenho histórico reflete a consolidação de uma gestão focada em eficiência logística e na integração com o setor privado. Segundo ele, o crescimento no Sudeste demonstra que a modernização dos terminais e a confiança do investidor vêm ampliando a competitividade internacional do país.

Portos públicos mantêm solidez e reforçam cabotagem

Os portos organizados movimentaram 62,2 milhões de toneladas e seguem essenciais para a economia nacional. O Porto de Santos permanece como o maior complexo da região, com 38,4 milhões de toneladas e alta de 2,68%. A cabotagem em Santos ganhou força, crescendo 22,54%, impulsionada por contêineres e cargas diversas.

O Porto de Itaguaí, especializado em minério de ferro, manteve seu alto nível operacional ao registrar 17,3 milhões de toneladas, apresentando apenas leve variação negativa de 1,4% frente ao desempenho robusto do ano anterior.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM:  Vosmar Rosa (MPor)

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