Economia

Margem Equatorial pode gerar bilhões em PIB, empregos e royalties no Brasil

A exploração de petróleo na Margem Equatorial tem potencial para acrescentar bilhões de reais à economia brasileira, ampliar a produção nacional de óleo e transformar a arrecadação dos seis estados abrangidos pela região.

Com cerca de 2.200 quilômetros de extensão, a área se estende do extremo norte do Amapá ao litoral do Rio Grande do Norte e é considerada uma das principais novas fronteiras de exploração de petróleo e gás natural no país, em uma região frequentemente comparada ao pré-sal.

Estimativas da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) apontam para um potencial de até 30 bilhões de barris de petróleo.

Produção pode adicionar R$ 175 bilhões ao PIB

Estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) calcula que uma eventual produção na Margem Equatorial poderá acrescentar até R$ 175 bilhões ao PIB brasileiro.

O levantamento também estima a criação de aproximadamente 495 mil empregos formais e a geração de R$ 11,2 bilhões em impostos indiretos.

A consultoria Oxford Economics, por sua vez, projeta que a produção brasileira de petróleo poderia avançar dos atuais 3,8 milhões de barris por dia para cerca de 5 milhões de barris diários com o desenvolvimento de novas reservas.

Atualmente, Estados Unidos, Arábia Saudita e Rússia lideram a produção mundial, com cerca de 13 milhões, 9,9 milhões e 9,7 milhões de barris por dia, respectivamente.

Petrobras amplia investimentos na região

O potencial da Margem Equatorial brasileira ganhou novo destaque após a Petrobras identificar hidrocarbonetos no poço Morpho, localizado no bloco FZA-M-59, em águas profundas da Bacia da Foz do Amazonas.

A descoberta confirma a presença de petróleo ou gás natural nas formações avaliadas, mas ainda não determina se existem reservas em quantidade suficiente para justificar uma produção comercial.

A Petrobras planeja investir US$ 3 bilhões na Margem Equatorial nos próximos cinco anos e prevê a perfuração de 15 poços.

A estratégia ganhou relevância diante da expectativa de que a produção do pré-sal alcance seu pico entre 2030 e 2032, aumentando a necessidade de buscar novas áreas produtoras.

Atualmente, a indústria de óleo e gás responde por aproximadamente 17% do PIB industrial brasileiro, enquanto os investimentos previstos para o setor chegam a cerca de US$ 165 bilhões.

Quanto a Margem Equatorial pode movimentar nos estados

O Observatório Nacional da Indústria (ONI) criou um simulador para estimar os efeitos econômicos da produção na região. A ferramenta considera variáveis como volume produzido, cotação do petróleo e taxa de câmbio.

Em uma hipótese de produção de 300 mil barris por dia em cada estado, com o barril cotado a US$ 80,20 e o dólar a R$ 5,20, o valor anual da produção chegaria a aproximadamente R$ 45 bilhões por unidade da federação.

Nesse cenário, o impacto estimado sobre o PIB seria próximo de R$ 34 bilhões em cada estado:

  • Ceará: R$ 34,005 bilhões;
  • Maranhão: R$ 33,846 bilhões;
  • Rio Grande do Norte: R$ 33,686 bilhões;
  • Amapá: R$ 33,490 bilhões;
  • Piauí: R$ 33,377 bilhões;
  • Pará: R$ 33,257 bilhões.

A projeção de geração de empregos varia entre 155.632 postos no Pará e 170.520 no Ceará. O Maranhão aparece com 170.390 empregos, seguido por Rio Grande do Norte, com 163.424; Amapá, com 162.261; e Piauí, com 158.997.

Na arrecadação de tributos indiretos, os valores projetados ficam entre R$ 1,901 bilhão no Amapá e R$ 2,022 bilhões no Ceará.

Impacto econômico será diferente em cada estado

Embora o impacto nominal estimado sobre o PIB seja semelhante entre os estados, o peso da atividade petrolífera muda de acordo com o tamanho de cada economia.

No Amapá, por exemplo, o valor adicionado bruto projetado pelo simulador representa um impacto equivalente a 193,5% da base de comparação estadual. O valor bruto da produção teria efeito de 296,3%, enquanto os tributos indiretos alcançariam 162,2%.

Nos estados com economias maiores, os efeitos relativos são menores. O impacto sobre o valor adicionado bruto é estimado em:

  • Piauí: 66,8%;
  • Rio Grande do Norte: 49,6%;
  • Maranhão: 37,8%;
  • Ceará: 22,3%;
  • Pará: 19,3%.

O mesmo ocorre com o mercado de trabalho. O impacto estimado sobre o emprego total chega a 44,6% no Amapá, enquanto fica em cerca de 11% no Piauí e no Rio Grande do Norte, 6,7% no Maranhão, 4,1% no Ceará e 4% no Pará.

Royalties podem alcançar R$ 6,85 bilhões por bloco

A futura produção também pode ampliar significativamente as receitas públicas por meio de royalties do petróleo e outras compensações.

Segundo as simulações do ONI, uma concessão com alíquota de 5% de royalties poderia gerar R$ 2,283 bilhões por ano. Com uma taxa de 10%, o valor subiria para R$ 4,567 bilhões.

Em um cenário de partilha com percentual de 15%, a arrecadação anual chegaria a R$ 6,850 bilhões para um único bloco.

O estudo também estima R$ 5,023 bilhões em participação especial, mecanismo de compensação financeira aplicado a campos com grande produção ou elevada rentabilidade, considerando um cenário de concessão com percentual de 11%.

Há ainda uma estimativa de R$ 342,49 milhões destinados a pesquisa, desenvolvimento e inovação (P&D&I), com base em uma alíquota de 0,75%.

A possibilidade de receitas bilionárias reforça a importância da gestão dos recursos. A CNI aponta desafios históricos em áreas como saneamento, educação, energia, transporte e conectividade nos estados da região, que precisarão ser considerados caso a produção avance.

Exploração ainda está longe da produção comercial

Apesar das projeções econômicas, a exploração na Bacia da Foz do Amazonas ainda está em uma fase inicial.

A licença concedida pelo Ibama permite atualmente apenas atividades exploratórias. Caso sejam identificados volumes economicamente viáveis, a Petrobras precisará delimitar a descoberta por meio de novos poços e estudos capazes de determinar o tamanho e as características do reservatório.

Depois de uma eventual declaração de comercialidade, será necessário apresentar à ANP um Plano de Desenvolvimento em até 180 dias. O documento deverá detalhar os investimentos, equipamentos e etapas necessários para iniciar a produção.

O projeto também dependerá de um novo processo de licenciamento ambiental, já que a autorização atual não permite a instalação e a operação de um campo produtor.

Produção comercial pode levar até dez anos

A experiência de outros projetos de exploração em águas profundas indica que o período entre a perfuração exploratória e o início da produção pode levar sete a dez anos, caso o projeto avance em todas as etapas previstas.

Com isso, uma eventual produção comercial na Margem Equatorial poderia ocorrer apenas na próxima década, possivelmente até 2035.

Até lá, será necessário confirmar o tamanho das reservas, avaliar sua viabilidade econômica, definir os investimentos e superar as etapas regulatórias e ambientais.

A identificação de hidrocarbonetos representa, portanto, apenas o início do processo. O impacto bilionário projetado para a Margem Equatorial dependerá, em última análise, da transformação das descobertas em reservas comercialmente viáveis e da capacidade de desenvolver uma cadeia produtiva capaz de sustentar a futura produção.

FONTE: Exame
TEXTO: Redação
IMAGEM: Agência Petrobras/Divulgação

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Comércio Internacional

Argentina deve registrar superávit comercial em julho e superar US$ 20 bilhões em 2026

A balança comercial da Argentina deve fechar julho novamente no azul, sustentada principalmente pelo desempenho das exportações de energia e produtos agrícolas. A projeção consta de uma pesquisa da Reuters com economistas locais e estrangeiros.

As estimativas apontam para um superávit comercial de US$ 1,85 bilhão no mês. Para o conjunto de 2026, a expectativa é de que o saldo positivo ultrapasse a marca de US$ 20 bilhões, favorecido pelos preços elevados das commodities no mercado internacional.

Exportações de energia e agricultura sustentam resultado

Entre os principais fatores por trás do desempenho argentino estão as vendas externas de produtos agrícolas e petróleo.

Para Ignacio Ruiz, economista da Ecolatina, as exportações devem continuar contribuindo para um resultado comercial robusto, especialmente diante do cenário favorável para os preços internacionais das commodities.

A combinação entre exportações de petróleo, energia e produtos do agronegócio deve manter a balança comercial argentina em território positivo ao longo do ano.

Superávit pode chegar a US$ 23 bilhões

A perspectiva para o resultado anual também melhorou. A última pesquisa de expectativas de mercado realizada pelo Banco Central da Argentina indica que o país poderá encerrar 2026 com um superávit comercial de aproximadamente US$ 23 bilhões.

Até junho, o saldo acumulado já alcançava US$ 13,9 bilhões. O desempenho inclui um resultado recorde de US$ 3,45 bilhões registrado em maio.

O resultado reforça a importância das exportações argentinas para a geração de divisas e para o equilíbrio das contas externas do país.

Importações seguem em ritmo moderado

Enquanto as exportações apresentam desempenho positivo, as importações da Argentina ainda avançam de forma limitada.

Segundo Ruiz, a demanda por produtos importados permanece contida, em linha com os níveis moderados de atividade econômica e consumo no país.

Esse comportamento contribui para preservar o saldo positivo da balança comercial, já que o crescimento das compras externas ainda não acompanha uma eventual aceleração das exportações.

INDEC divulgará resultado oficial de julho

O resultado definitivo da balança comercial argentina em julho será divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (INDEC) na quinta-feira.

Até a publicação dos dados oficiais, as projeções dos economistas indicam a manutenção de um cenário favorável para o comércio exterior argentino, com superávit comercial superior a US$ 20 bilhões esperado para 2026.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pexels/Freerange

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Informação

Petrobras confirma descoberta de petróleo na Foz do Amazonas, no Amapá

A Petrobras confirmou a descoberta de petróleo na Foz do Amazonas, em águas profundas do litoral do Amapá. A confirmação foi feita na segunda-feira (17) pela presidente da companhia, Magda Chambriard, durante coletiva em Oiapoque (AP), que contou com a presença do presidente da República e de autoridades federais.

A descoberta ocorreu no poço Morpho, localizado no bloco FZA-M-59, a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá e em uma região com aproximadamente 2.886 metros de lâmina d’água.

Na sexta-feira (14), a estatal havia informado a identificação de hidrocarbonetos no poço, mas ainda tratava o resultado como um indício que precisava ser confirmado. A Petrobras agora afirma que há petróleo, embora o tamanho da acumulação ainda não tenha sido determinado. A própria companhia registra o Morpho como um poço exploratório em águas ultraprofundas do Amapá.

“Tem petróleo, tem descoberta. A gente ainda não sabe quanto. Nós vamos continuar investindo, vamos continuar explorando e o futuro vai dizer quanto o Amapá pode nos oferecer”, afirmou Magda Chambriard.

Petrobras ainda precisa dimensionar a descoberta

A perfuração do poço Morpho ainda não foi concluída. Segundo a presidente da Petrobras, os trabalhos devem continuar por mais 15 a 20 dias, período necessário para avançar na avaliação da estrutura encontrada.

Somente após essa etapa será possível estimar o volume de petróleo existente e determinar as características do reservatório.

“Nós temos que delimitar essa descoberta, ou seja, a gente tem que saber quanto de petróleo tem de fato nessa área”, explicou a executiva.

A companhia também pretende avançar com a campanha exploratória na Margem Equatorial brasileira. De acordo com Magda, há outros poços previstos para a região, que serão importantes para avaliar o potencial petrolífero da costa do Amapá.

A Petrobras já havia planejado uma campanha de exploração com múltiplos poços na Margem Equatorial, incluindo o bloco FZA-M-59.

Licenciamento ambiental prevê outros poços

Para dar continuidade à exploração, a Petrobras protocolou junto ao Ibama informações relacionadas à perfuração de novos poços na região.

Segundo o órgão ambiental, o processo de licenciamento do bloco FZA-M-59 contempla quatro poços, sendo um principal e três contingentes. A Licença de Operação emitida em outubro de 2025 autorizou a perfuração do Morpho.

A autorização para os demais poços permanece em análise. O Ibama informou que avalia informações complementares apresentadas pela Petrobras em 14 de agosto, necessárias para concluir a análise técnica.

O processo de licenciamento do bloco FZA-M-59 já havia sido objeto de decisões e avaliações específicas das autoridades ambientais e regulatórias.

Lula compara descoberta ao anúncio do pré-sal

Antes da confirmação pública, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou o navio-sonda NS-42, responsável pela perfuração do poço Morpho.

Durante o discurso em Oiapoque, Lula relatou que recebeu a notícia da descoberta com uma reação semelhante à que teve em 2007, quando foi informado sobre a identificação do pré-sal.

“Eu senti a mesma sensação e a mesma emoção que eu senti no dia que […] entraram no meu gabinete para anunciar que a Petrobras tinha descoberto o pré-sal”, disse o presidente.

Lula também classificou a descoberta como resultado da continuidade dos investimentos em exploração de petróleo e defendeu a importância da atividade para o país, ao mesmo tempo em que destacou a expansão dos biocombustíveis e das fontes renováveis.

Próxima etapa é avaliar o potencial econômico

A confirmação da presença de petróleo não significa, neste momento, que a área já esteja pronta para produção comercial.

Os próximos estudos deverão responder principalmente a duas questões: quanto petróleo existe no reservatório e se o volume encontrado apresenta condições econômicas para futura produção.

A Petrobras ainda precisa concluir cerca de 1 mil metros de perfuração. A operação tem custo estimado em aproximadamente US$ 1 milhão por dia e já envolveu cerca de US$ 300 milhões em investimentos, segundo a companhia.

“Esperamos muitos reservatórios ao longo dessa jornada. Quanto mais, melhor”, afirmou Magda Chambriard.

Histórico recente inclui incidente com fluido de perfuração

A exploração na Foz do Amazonas também ocorre sob atenção ambiental. Em fevereiro de 2026, o Ibama aplicou uma multa de R$ 2,5 milhões à Petrobras após um incidente envolvendo a descarga de 18,44 metros cúbicos de fluido de perfuração de base não aquosa no mar.

O episódio ocorreu em 4 de janeiro, na instalação NS-42, a mesma sonda que atualmente realiza a perfuração do Morpho. Na ocasião, a Petrobras informou que interrompeu os trabalhos depois de identificar a perda de fluido em duas linhas auxiliares ligadas ao poço.

Segundo a empresa, o vazamento foi contido imediatamente, e as tubulações foram levadas à superfície para avaliação e reparo.

A Petrobras afirma que as determinações do Ibama relacionadas ao episódio estão sendo incorporadas ao planejamento das próximas operações como parte das exigências do licenciamento ambiental.

Petrobras destaca sistemas de segurança

Entre os equipamentos utilizados na operação está o BOP (Blowout Preventer), sistema instalado no fundo do mar que funciona como uma barreira de segurança durante a perfuração.

O equipamento reúne válvulas e sensores capazes de interromper o fluxo e, em situações de emergência, isolar o poço e cortar a coluna de perfuração.

A Petrobras também destaca o Plano de Emergência Individual (PEI), elaborado para estabelecer procedimentos de resposta a eventuais incidentes e reduzir impactos sobre a fauna e a flora da Margem Equatorial.

“O Plano de Emergência Individual é como um seguro: esperamos que ele nunca precise ser acionado”, afirmou Magda.

Com a descoberta do petróleo no Morpho, a Petrobras entra agora em uma nova fase de avaliação exploratória. O tamanho da acumulação e a viabilidade de uma futura produção dependerão dos resultados obtidos nas próximas etapas de perfuração e análise do reservatório.

FONTE: G1
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/G1

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Comércio Exterior

Exportações brasileiras ficam mais concentradas em poucos produtos em 2026, aponta FGV

As exportações brasileiras registraram maior concentração em poucos produtos nos primeiros sete meses de 2026. De acordo com o Indicador de Comércio Exterior (Icomex), da Fundação Getulio Vargas (FGV), os cinco principais itens da pauta exportadora responderam por 46,7% das vendas externas do país entre janeiro e julho. No mesmo período de 2025, essa participação era de 43,3%.

O cenário ocorre em meio às incertezas do comércio internacional, marcadas por tensões geopolíticas e pelos impactos associados ao chamado “efeito Trump”.

Petróleo e soja lideram contribuição para as exportações

No acumulado do ano, o petróleo foi o principal destaque entre os produtos exportados pelo Brasil, com contribuição de 33,2% para o desempenho das vendas externas. A soja aparece na sequência, com 22,44%.

A carne bovina também esteve entre os produtos relevantes da pauta exportadora. Em julho, porém, os efeitos foram diferentes entre as principais commodities. Petróleo, soja e óleo combustível contribuíram positivamente para o resultado, enquanto carne bovina e minério de ferro exerceram pressão negativa.

No caso do petróleo, a quantidade exportada caiu 8,2% em julho na comparação anual. A valorização de 35,2% nos preços, entretanto, compensou a redução do volume e garantiu impacto positivo sobre o resultado das exportações.

Comércio exterior avança em valor apesar da queda nos volumes

Os dados da FGV mostram que o comércio exterior brasileiro apresentou desempenho positivo em valor em julho, mesmo com retração nos volumes negociados.

As exportações cresceram 6,2% em relação a julho de 2025, enquanto as importações avançaram 7,6%. Por outro lado, o volume exportado diminuiu 4,0%, e os preços das exportações subiram 10,7%. Nas importações, houve aumento de 8,0% nos preços, acompanhado também por redução no volume.

No acumulado de janeiro a julho, as exportações brasileiras cresceram 10,5%, resultado de uma alta de 2,8% no volume e de 7,1% nos preços.

As importações tiveram crescimento de 5,5% no período, com avanço de apenas 0,2% no volume e aumento de 5,2% nos preços.

Superávit comercial chega a US$ 49 bilhões

A balança comercial brasileira encerrou julho com superávit de US$ 7,1 bilhões. Com isso, o saldo positivo acumulado em 2026 chegou a US$ 49 bilhões, US$ 11,8 bilhões acima do registrado no mesmo intervalo de 2025.

Entre os principais parceiros comerciais, a China apresentou melhora significativa no saldo para o Brasil, com aumento de US$ 8,1 bilhões. A relação comercial com a União Europeia também registrou avanço, com ganho de US$ 2,9 bilhões.

Já nas operações com os Estados Unidos, o déficit comercial aumentou de US$ 2,1 bilhões para US$ 2,3 bilhões.

Com a Argentina, o superávit brasileiro recuou de US$ 3,5 bilhões para US$ 1,2 bilhão no acumulado até julho.

Concentração aumenta em meio às incertezas do comércio global

Os números do Icomex indicam que, apesar do crescimento das exportações brasileiras em 2026, a pauta externa está mais dependente de um grupo restrito de produtos, especialmente commodities como petróleo e soja.

A combinação entre preços internacionais, volumes exportados e cenário geopolítico segue sendo determinante para o desempenho do comércio exterior brasileiro.

Fonte: Fundação Getulio Vargas (FGV), por meio do Indicador de Comércio Exterior (Icomex).

Texto: Redação

Imagem: Arquivo ReConecta News

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Notícias

Explosão no porto de Rotterdam deixa um morto e seis feridos

Uma explosão em uma instalação de armazenamento de derivados de petróleo no porto de Rotterdam, na Holanda, deixou uma pessoa morta e seis feridas na quinta-feira (13). As autoridades locais investigam as causas do incidente.

Segundo a Gunvor, uma das principais empresas globais de comercialização de commodities de energia, a ocorrência aconteceu durante trabalhos de manutenção em um de seus tanques de armazenamento.

A polícia informou que, inicialmente, não havia indícios de sabotagem. Todas as hipóteses, no entanto, permanecem sob investigação.

Explosão ocorreu durante manutenção de tanque

O acidente foi registrado por volta das 11h30 no horário local, 9h30 pelo horário de Greenwich (GMT).

A Gunvor informou que está colaborando com as autoridades responsáveis pela investigação do incidente.

O porto de Rotterdam, considerado o maior da Europa, é um importante centro de entrada, armazenamento e distribuição de petróleo bruto e combustíveis. A área portuária concentra instalações estratégicas para o mercado energético europeu.

Porto abriga grandes refinarias de petróleo

Entre as estruturas localizadas no complexo está a refinaria Pernis, da Shell, considerada a maior refinaria de petróleo da Europa, com capacidade de processamento de aproximadamente 404 mil barris por dia.

O porto também abriga refinarias operadas por empresas como BP, ExxonMobil e Vitol, além de instalações destinadas ao armazenamento e movimentação de combustíveis e outras commodities energéticas.

Apesar da proximidade com a área atingida, a Shell informou que suas operações no porto não foram afetadas pela explosão.

Terminais de GNL não foram atingidos

A autoridade portuária de Rotterdam informou que os terminais de gás natural liquefeito (GNL) não sofreram impactos diretos.

Dados da ENTSOG, organização europeia responsável pelo acompanhamento da infraestrutura de transporte de gás, mostraram uma queda temporária no envio de gás a partir do terminal Gate LNG, seguida por oscilações nos fluxos.

Ainda não estava claro se essa alteração estava relacionada à explosão ou a uma interrupção de energia ocorrida em outra área do extenso complexo portuário.

Mercado acompanha possíveis impactos sobre o gás europeu

Qualquer interrupção prolongada na operação do terminal Gate pode chamar a atenção do mercado europeu de gás natural.

O terminal é um dos principais pontos de entrada de GNL no noroeste da Europa. Além disso, os estoques de gás da Holanda estavam em aproximadamente 40% da capacidade, segundo dados da Gas Infrastructure Europe, antes do início da temporada de maior demanda para aquecimento.

Por isso, eventuais restrições prolongadas na infraestrutura energética de Rotterdam poderiam ser acompanhadas de perto por traders e participantes do mercado.

Falhas de energia ocorreram no porto

A ExxonMobil informou que uma interrupção no fornecimento de energia já havia sido solucionada e que as operações de sua refinaria, com capacidade de 191 mil barris por dia, estavam funcionando normalmente.

A empresa, porém, não confirmou uma informação divulgada pela Wood Mackenzie e vista pela Reuters segundo a qual todas as unidades monitoradas da refinaria teriam sido desligadas.

O Porto de Rotterdam afirmou que a explosão não estava relacionada à interrupção de energia. Segundo a autoridade local de segurança, o complexo registrou vários episódios de falta de energia ao longo do dia, mas nenhum deles tinha ligação com a explosão.

As autoridades continuam investigando o incidente para determinar as circunstâncias que levaram à explosão e verificar eventuais impactos sobre as operações do porto de Rotterdam e da infraestrutura energética europeia.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: Courtesy SQ Vision/via REUTERS

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Internacional

Estreito de Ormuz: Irã e EUA fazem alegações opostas sobre controle da via estratégica

O Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte global de energia, voltou ao centro da tensão entre Irã e Estados Unidos. Nesta quinta-feira, Hossein Taeb, recém-nomeado comandante da força paramilitar Basij, afirmou que a passagem está sob “controle e gestão” da República Islâmica.

A declaração ocorreu um dia depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que Washington possui “controle total” sobre o estratégico Estreito de Ormuz.

Irã afirma manter controle do Estreito de Ormuz

Segundo a agência semioficial iraniana Fars, Taeb declarou que os Estados Unidos tentaram enfraquecer a influência do Irã na região ao iniciar uma nova guerra em torno do estreito, mas não teriam alcançado esse objetivo.

“Hoje, vocês veem que o Estreito de Ormuz está sob a gestão e o controle da República Islâmica”, afirmou Taeb, acrescentando que o Irã continua sua atuação com segurança.

A disputa ocorre em meio a um cenário de forte tensão militar no Golfo Pérsico, com impactos diretos sobre a navegação internacional e o mercado global de energia.

Conflito afetou transporte de petróleo e gás

A guerra começou em 28 de fevereiro, após ataques realizados por Estados Unidos e Israel contra o Irã. Na sequência, Teerã praticamente interrompeu o tráfego pelo estreito, por onde anteriormente passava cerca de um quinto do petróleo mundial e do gás natural liquefeito (GNL) transportado por via marítima.

Posteriormente, os Estados Unidos estabeleceram um bloqueio naval contra embarcações iranianas e seus portos. Washington, porém, afirmou que manteria a proteção à liberdade de navegação para navios que transitassem entre portos não iranianos.

Acordo de cessar-fogo não foi mantido

Em junho, Irã e Estados Unidos chegaram a um acordo provisório que previa um cessar-fogo permanente e a retomada rápida da liberdade de navegação no Golfo.

O entendimento, no entanto, perdeu força poucas semanas depois. O Irã retomou ataques limitados contra embarcações que, segundo Teerã, descumpriam as condições estabelecidas no acordo.

Em resposta, os Estados Unidos voltaram a realizar ataques contra províncias do sul iraniano. De acordo com Washington, as operações tinham como objetivo reduzir a capacidade de Teerã de atacar embarcações no Golfo Pérsico.

Teerã condiciona reabertura do estreito

Também nesta quinta-feira, o oficial militar e político iraniano Rasoul Sanaei-Rad afirmou que o país não pretende reabrir o Estreito de Ormuz enquanto a outra parte não cumprir suas obrigações previstas no acordo provisório.

Segundo a Fars, Sanaei-Rad ressaltou ainda que a reabertura da estratégica rota marítima não poderia ser determinada unilateralmente pelos Estados Unidos.

O dirigente também elevou o tom ao falar sobre um eventual novo conflito. Ele afirmou que o Irã adotaria uma postura ainda mais firme e ofensiva caso uma nova guerra ocorresse.

A disputa em torno do Estreito de Ormuz mantém em alerta os mercados e amplia as preocupações sobre a segurança das rotas de energia, a liberdade de navegação e o abastecimento internacional de petróleo e gás.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Stringer

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Economia

BC vê recuo da inflação, mas alerta para impactos de choques do petróleo

O Banco Central (BC) sinalizou que poderá agir com firmeza caso os efeitos indiretos provocados pela alta volatilidade do petróleo se espalhem pela economia brasileira. O alerta consta na ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), divulgada na terça-feira (11).

A preocupação ocorre em meio às oscilações dos preços do petróleo provocadas pelo conflito militar no Oriente Médio, cenário que pode aumentar as pressões sobre a inflação.

Banco Central monitora efeitos sobre a inflação

Segundo o documento, os chamados choques de oferta têm influenciado tanto o comportamento recente dos preços quanto as perspectivas para a trajetória da inflação.

O Copom destacou que não pretende responder diretamente aos efeitos iniciais de eventos dessa natureza. No entanto, afirmou que acompanhará de perto os chamados efeitos de segunda ordem, que podem fazer com que o impacto dos choques se prolongue ou se espalhe por outros setores da economia.

Caso esses efeitos se concretizem, o Banco Central afirmou que estará disposto a reagir de maneira firme para evitar uma deterioração do cenário inflacionário.

Selic cai para 14% ao ano

Na semana passada, o Copom reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, levando os juros básicos de 14,25% para 14% ao ano.

Apesar da melhora observada no cenário econômico de curto prazo, o Banco Central não indicou previamente quais serão os próximos passos da política monetária.

A autoridade monetária reforçou, porém, que pretende manter um nível de restrição monetária considerado adequado para garantir a convergência da inflação à meta.

A avaliação indica que, embora os indicadores correntes tenham apresentado alguma melhora, o BC continua atento aos riscos externos e aos possíveis impactos dos preços do petróleo sobre a economia brasileira.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN

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Internacional

Estreito de Ormuz: entidades marítimas pedem à ONU rejeição de pedágios para navios

As principais organizações do setor de transporte marítimo internacional solicitaram que a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização Marítima Internacional (IMO) se posicionem contra a criação de pedágios ou taxas para embarcações que utilizam o Estreito de Ormuz.

O pedido ocorre em meio às negociações entre Irã e Omã para estabelecer um novo acordo sobre a passagem marítima estratégica, segundo declarações do vice-ministro das Relações Exteriores iraniano.

Oito entidades globais do setor assinaram uma carta conjunta enviada à ONU e à IMO na segunda-feira (3). No documento, os representantes alertam que a cobrança de tarifas poderia elevar os custos do comércio marítimo, pressionar preços ao consumidor e ameaçar o princípio da livre navegação.

Associações temem efeito cascata sobre rotas globais

Na carta, as entidades afirmam que a criação de um modelo de cobrança no Estreito de Ormuz poderia abrir precedente para que outras regiões estratégicas adotassem medidas semelhantes.

Segundo o setor, esse cenário aumentaria a insegurança para empresas de transporte, afetaria o fluxo do comércio internacional e poderia contribuir para uma alta nos custos de energia e inflação global.

As organizações destacam ainda que os impactos não ficariam restritos ao setor logístico, podendo atingir consumidores e trabalhadores em diferentes países.

Irã avalia cobrança por serviços marítimos

O governo iraniano informou que pretende implementar a cobrança de taxas de serviços marítimos realizados em parceria com Omã no Estreito de Ormuz após a reabertura da rota.

A medida representaria uma mudança significativa em relação ao período anterior ao conflito, quando o tráfego marítimo pela região ocorria sem cobrança de tarifas e sem controle direto de qualquer país sobre a navegação.

Para Teerã, a capacidade de supervisionar o fluxo de embarcações no estreito se tornou uma questão estratégica, comparável em importância às discussões envolvendo seu programa nuclear.

Estados Unidos e aliados rejeitam controle sobre a passagem

A possibilidade de o Irã ampliar sua influência sobre o Estreito de Ormuz preocupa governos como Estados Unidos, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita.

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou em diferentes ocasiões que qualquer tentativa de estabelecer controle estatal sobre águas internacionais seria incompatível com as normas do direito marítimo internacional.

A região é considerada uma das rotas energéticas mais importantes do mundo, por onde passa uma parcela significativa do petróleo comercializado globalmente.

Acordo provisório previa ausência de taxas

Antes do fracasso de uma proposta de entendimento entre Irã e Estados Unidos, Teerã havia concordado em não aplicar tarifas ou pedágios no estreito durante um período inicial de 60 dias.

O compromisso fazia parte de um acordo provisório com 14 pontos, mas as negociações não avançaram porque os dois países não chegaram a um consenso sobre os termos da proposta.

Enquanto as discussões diplomáticas continuam, o futuro do controle e da operação do Estreito de Ormuz permanece como um dos principais pontos de tensão geopolítica no Oriente Médio.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reuters

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Internacional

Estreito de Ormuz: proposta pode ampliar controle do Irã sobre rota estratégica de petróleo

Uma proposta em negociação entre Irã e Omã pode alterar o controle do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais para o transporte de petróleo e gás. Segundo fontes ouvidas pela Reuters, o acordo em discussão prevê que Teerã passe a exercer autoridade sobre os navios que ingressam no Golfo Pérsico, representando uma das maiores concessões já consideradas nas tratativas para encerrar o conflito entre Irã e Estados Unidos.

Até o momento, o governo norte-americano não comentou oficialmente o conteúdo da proposta. Embora o presidente Donald Trump tenha afirmado que um acordo para a reabertura da passagem marítima estaria próximo, autoridades dos Estados Unidos reiteraram anteriormente que não aceitariam conceder ao Irã o controle sobre a navegação na região.

Mudança pode alterar o equilíbrio geopolítico no Oriente Médio

Caso seja implementado, o acordo poderá representar uma mudança significativa no equilíbrio de poder no Oriente Médio, fortalecendo a posição estratégica do Irã após meses de conflito com Estados Unidos e Israel.

Antes da guerra, iniciada em fevereiro, o Estreito de Ormuz operava com livre circulação de embarcações, sem cobrança de taxas para o tráfego internacional.

De acordo com fontes regionais, as negociações entre Irã e Omã avançaram nas últimas semanas. O governo iraniano afirma que houve progresso relevante nas conversas e defende que tanto a entrada quanto a saída de navios ocorram por águas sob sua jurisdição.

Irã ameaça infraestrutura energética em caso de novos ataques

Paralelamente às negociações diplomáticas, o Irã enviou alertas a países do Golfo informando que eventuais novos ataques dos Estados Unidos ao território iraniano provocariam retaliações contra instalações estratégicas de energia na região.

Segundo fontes consultadas pela Reuters, Teerã busca aumentar o custo político e militar de uma nova ofensiva ao sinalizar que poderá atingir aliados regionais de Washington.

Nos últimos meses, o Irã respondeu ao conflito com o lançamento de mísseis e drones contra aliados dos Estados Unidos e também intensificou ações contra embarcações comerciais que cruzavam o estreito sem autorização iraniana.

Taxas sobre navios seguem como principal impasse

Apesar dos avanços nas negociações, ainda existem divergências importantes sobre o formato do eventual acordo.

Uma das principais discussões envolve a cobrança de tarifas para embarcações que utilizarem o Estreito de Ormuz. Segundo uma autoridade iraniana, Teerã propõe taxas entre 5% e 7% sobre o valor das cargas transportadas. Omã trabalha com uma alternativa próxima de 3%, enquanto os Estados Unidos defendem que não haja qualquer cobrança.

Outro ponto ainda sem consenso diz respeito ao nível de controle que o Irã teria sobre os navios que deixam o Golfo Pérsico, além daqueles que ingressam na região.

Irã afirma que negociações avançam para fase final

Em declarações à agência estatal IRNA, o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, afirmou que o modelo discutido prevê a passagem de embarcações comerciais por águas territoriais iranianas tanto na entrada quanto na saída do estreito.

Segundo o diplomata, as conversas com Omã alcançaram entendimentos considerados fundamentais e estariam próximas da conclusão.

Gharibabadi também afirmou que o governo iraniano recebeu mensagens dos Estados Unidos indicando disposição para retomar compromissos assumidos em um memorando firmado em meados de junho, condição considerada essencial por Teerã para a reabertura da rota marítima. Apesar disso, o representante iraniano declarou que não houve negociações diretas recentes entre os dois países.

Pressão política cresce sobre Donald Trump

Enquanto busca uma solução diplomática para o conflito, o presidente Donald Trump enfrenta crescente pressão interna. Pesquisas apontam resistência significativa do eleitorado norte-americano à continuidade da guerra, especialmente às vésperas das eleições legislativas de novembro.

Após meses de confrontos, os Estados Unidos ainda não conseguiram reduzir a influência iraniana sobre o Estreito de Ormuz. Fontes militares também indicam preocupação com a redução dos estoques de armamentos de precisão utilizados durante a campanha militar.

Nos mercados internacionais, os preços do petróleo registraram queda nos últimos dias após Trump suspender novos ataques ao Irã e indicar que as negociações diplomáticas podem abrir caminho para o fim do conflito.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/National Geographic

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Internacional

Estreito de Ormuz amplia tensão entre EUA e Irã e aumenta incertezas sobre negociações

As perspectivas de retomada do diálogo entre Estados Unidos e Irã voltaram a ficar indefinidas após um navio ser atingido nas proximidades do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas para o comércio mundial de energia. O episódio elevou as preocupações do mercado e contribuiu para a recuperação dos preços do petróleo, que reagiram após a forte queda registrada na sessão anterior.

De acordo com a agência britânica de segurança marítima UKMTO, uma embarcação foi atingida por um projétil de origem ainda desconhecida próximo à costa de Omã. O incidente ocorreu em meio às dúvidas sobre uma possível solução diplomática para o conflito envolvendo Washington e Teerã.

Irã nega negociações anunciadas por Trump

Na segunda-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que conversas com o governo iraniano estariam em andamento e classificou o momento como uma “última oportunidade” para que Teerã aceite um acordo.

O governo iraniano, no entanto, voltou a negar qualquer negociação direta com Washington. Segundo autoridades do país, os únicos contatos em andamento relacionados ao Estreito de Ormuz ocorrem com Omã, sem previsão de reuniões de alto nível com representantes norte-americanos.

Trump também declarou que as tratativas estariam sendo incentivadas por países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Catar, além do próprio Irã.

Petróleo reage após queda acentuada

As incertezas geopolíticas refletiram imediatamente no mercado internacional de energia. Após encerrar a sessão anterior com perdas de aproximadamente 7%, o contrato futuro do Brent voltou a subir quase 3%, com investidores revisando o otimismo sobre uma solução diplomática rápida.

Analistas do banco ING consideraram que a forte desvalorização registrada anteriormente foi precipitada, destacando que o cenário continua cercado por riscos e elevada imprevisibilidade.

Estreito de Ormuz segue com tráfego reduzido

O conflito também continua afetando a movimentação no Estreito de Ormuz, passagem por onde normalmente circula cerca de um quinto das exportações globais de petróleo e gás natural liquefeito.

Enquanto o Irã mantém restrições à navegação na região e os Estados Unidos preservam medidas de bloqueio relacionadas ao país, o fluxo de embarcações permanece abaixo do normal.

Dados da empresa Kpler indicam que apenas três petroleiros e três navios graneleiros cruzaram o estreito na segunda-feira. Em períodos de estabilidade, mais de 100 embarcações utilizam diariamente essa rota estratégica.

Segundo fontes do setor marítimo ouvidas pela Reuters, o navio atingido era um graneleiro. Após o ataque, a tripulação abandonou a embarcação, e um dos tripulantes foi dado como desaparecido.

Irã diz não querer ampliar o conflito

Apesar da escalada da tensão, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que o país não pretende expandir o confronto militar.

Segundo ele, o objetivo do governo é proteger suas fronteiras, sem buscar uma ampliação da guerra na região.

Ainda assim, especialistas avaliam que Teerã continua utilizando sua posição estratégica no Golfo Pérsico como forma de aumentar a pressão sobre os adversários e elevar os custos econômicos do conflito.

Mediação internacional tenta reaproximar os dois países

Nos bastidores, seguem os esforços diplomáticos para restabelecer o diálogo entre Washington e Teerã.

Autoridades do Paquistão, que participam das tentativas de mediação, afirmaram que mantêm contato com ambos os governos na tentativa de criar condições mínimas para uma nova rodada de negociações.

O objetivo, segundo fontes ligadas às conversas, é convencer os dois lados a retomarem o diálogo antes que novos episódios de violência agravem ainda mais a crise.

Impasse sobre Ormuz continua no centro da disputa

O controle do Estreito de Ormuz permanece como um dos principais pontos de divergência entre os dois países.

Os Estados Unidos sustentam que um memorando firmado anteriormente previa a reabertura plena da rota marítima. Já o governo iraniano afirma que o documento preserva sua autoridade sobre a gestão do tráfego na região.

Enquanto não há consenso, permanecem as dúvidas sobre o futuro das negociações, mantendo elevados os riscos para o comércio internacional de energia e para a estabilidade no Oriente Médio.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Stringer

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