Importação

PlatôBR: Queda nas importações em agosto reforça sinais de desaceleração da economia

Os juros altos no país diminuem os investimentos e isso pode ser percebido com a redução de 10,1% na compra de bens de capital de outros países

A redução de 2% nas importações em agosto, que totalizaram US$ 23,7 bilhões segundo dados divulgados pelo MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), reforça os sinais de desaceleração econômica no segundo semestre de 2025.

Os juros altos no país têm diminuído os investimentos e isso pode ser percebido com a queda de 10,1% na compra de bens de capital de outros países, que totalizou US$ 3 bilhões. Máquinas e equipamentos são exemplos de produtos dessa categoria e uma redução nessas compras significa uma queda do nível de atividade.

Maior parceiro comercial do Brasil, a China vendeu 5,8% menos para as empresas brasileiras no mês e comprou 29,9% a mais do que em agosto do ano passado. De olho no estreitamento das parcerias comerciais com os chineses e demais países do sudeste asiático, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitará a Indonésia e a Malásia nos dias 24 e 25 de outubro.

Nos oito primeiros meses do ano, entretanto, as importações cresceram 6,9%, reforçando os sinais de resiliência da economia quando se esperava uma desaceleração já nos primeiros meses. Ao que parece, a redução do nível da atividade deve se concentrar no segundo semestre.

As companhias dos Estados Unidos venderam 4,6% mais para o Brasil em agosto. Por outro lado, com o tarifaço aos produtos brasileiros imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, as exportações para os americanos caíram 18,5%.

Fonte: IstoéDinheiro / PlatôBR

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Comércio Exterior

China importa mais e superávit da balança brasileira pós-tarifaço cresce

Vendas de produtos brasileiros para a China cresceram 29,9% em agosto deste ano. Soma de todas as vendas para o mundo no mês cresceu 3,9%, atingindo US$ 29,86 bilhões

A China importou mais no período e contribuiu para as exportações brasileiras, que somaram US$ 227,6 bilhões de janeiro a agosto deste ano.

Só em agosto, período em que as tarifas impostas por Donald Trump entraram em vigor, as compras que a China fez de produtos brasileiros cresceram 29,9%. Os resultados mais recentes da balança comercial foram divulgados nesta quinta (4/9) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

As exportações para a China, Hong Kong e Macau no mês de agosto somaram US$ 9,60 bilhões. As importações  diminuíram -5,8% e totalizaram US$ 5,54 bilhões. Assim, a balança comercial com este parceiro comercial apresentou superávit de US$ 4,06 bilhões e a corrente de comércio aumentou 14,1% alcançando US$ 15,13 bilhões.

No período de janeiro a agosto deste ano, o acumulado das vendas para o exterior – US$ 227,6 bilhões – bateu o recorde da série histórica. Já as importações alcançaram US$ 184,8 bilhões, fazendo com que a corrente de comércio também batesse recorde do período, com 412,4 bilhões.

Na comparação ao mesmo período de 2024, a soma das exportações brasileiras para o mundo cresceu 0,5%. Já as exportações para os Estados Unidos, em agosto, pós-tarifaço de Donald Trump, caíram -18,5% e somaram US$ 2,76 bilhões.

Esses e outros resultados foram apresentados pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/MDIC), nesta quinta-feira (4/9), durante coletiva da Balança Comercial, relativa aos resultados de agosto.

Balança Comercial Mensal – Dados Consolidados >> Agosto/2025

No mês, as exportações somaram US$ 29,9 bilhões e as importações, US$ 23,8 bilhões, com saldo positivo de US$ 6,1 bilhões e corrente de comércio de US$ 53,6 bilhões.

Nos comparativos totais somente do mês de agosto/2025 (US$ 29,86 bilhões), nas exportações, comparados com agosto/2024 (US$ 28,74 bilhões), houve crescimento de 3,9%. Em relação às importações, houve queda de 2% na comparação entre agosto/2025 (US$ 23,73 bilhões) e agosto/2024 (US$ 24,22 bilhões).

Assim, em agosto a corrente de comércio totalizou US$ 53,59 bilhões e o saldo foi de US$ 6,13 bilhões. Comparando-se este período com o de agosto/2024, houve crescimento de 1,2%.

Já nos comparativos totais das exportações, de janeiro/agosto 2025 (US$ 227,6 bilhões), comparado com o de janeiro/agosto 2024 (US$ 226,5 bilhões) houve crescimento de 0,5%. Em relação às importações, o crescimento de 6,9%, saltando de US$ 172,9 bilhões em janeiro/agosto 2024 para US$ 184,77 bilhões em janeiro/agosto 2025. A corrente de comércio de US$ 412,35 bilhões representou crescimento de 3,2% na comparação entre estes períodos.

Exportações por Setor

No mês de agosto/2025, comparando com igual mês do ano anterior, o desempenho dos setores foi o seguinte: crescimento de US$ 0,51 bilhões (8,3%) em Agropecuária e de US$ 0,74 bilhões (11,3%) em Indústria Extrativa; houve queda de US$ 0,14 bilhões (0,9%) em produtos da Indústria de Transformação.

No acumulado de janeiro/agosto 2025, comparando com igual período do ano anterior, o desempenho dos setores foi o seguinte: crescimento de US$ 0,23 bilhões (0,4%) em Agropecuária e de US$ 4,69 bilhões (4,0%) em produtos da Indústria de Transformação; houve queda de US$ 4,01 bilhões (7,2%) em Indústria Extrativa.

Importações por Setor

No mês de agosto/2025, comparando com igual mês do ano anterior, o desempenho dos setores foi o seguinte: crescimento de US$ 1,7 milhão (0,4%) em Agropecuária e de crescimento de US$ 0,37 bilhão (26,5%) em Indústria Extrativa; houve queda de US$ 0,85 bilhão (3,8%) em produtos da Indústria de Transformação.

No acumulado de janeiro/agosto 2025, comparando com igual período do ano anterior, o desempenho dos setores foi o seguinte: crescimento de US$ 0,35 bilhões (9,2%) em Agropecuária e de US$ 13,92 bilhões (8,9%) em produtos da Indústria de Transformação; houve queda de US$ 2,42 bilhões (21,6%) em Indústria Extrativa.

Fonte: Agência Gov

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Comércio Exterior

Um mês de tarifaço: vendas para EUA caem 18,5%, e superávit da balança sobe

A balança comercial brasileira apresentou superávit de US$ 6,133 bilhões em agosto, primeiro mês em que vigorou a sobretaxa de 50% imposta pelos Estados Unidos a diversos produtos brasileiros. O crescimento foi de 3,9% em relação a agosto do ano passado. Já as exportações para o mercado americano despencaram 18,5% no mês passado, informou hoje o Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços).

O que aconteceu

As exportações brasileiras somaram US$ 29,8 bilhões em agosto, contra US$ 28,7 bilhões em agosto do ano passado. O resultado foi impulsionado pela agropecuária e indústria extrativista. “Temos um destaque em valor para a carne bovina, que aumentou 56%, e para o ouro, que aumentou 55,9% em valor, mas em volume cresceu [também]”, afirmou Herlon Brandão, diretor de estatísticas e estudos de comércio exterior do ministério.

Já as importações atingiram US$ 23,7 bilhões no mês passado. A queda foi de 2% em comparação com agosto de 2024 (US$ 24,2 bilhões). Destaque para bens de capital, que caíram 10,1% em valores, e bens de consumo (-9%).

No acumulado do ano, o Brasil exportou US$ 227,5 bilhões. O crescimento foi de 0,5% em relação ao acumulado dos oito primeiros meses de 2024.

Já as importações somaram US$ 184,7 bilhões de janeiro a agosto. O valor significa crescimento de 6,9% em comparação com os US$ 172,9 bilhões importados no mesmo período do ano passado. Assim, o saldo positivo nos oito primeiros meses do ano foi US$ 42,8 bilhões.

Já o saldo corrente de comércio ficou de US$ 412,3 bilhões nos oito primeiros meses do ano. Essa é a diferença entre o valor total exportado e importado em um determinado período.

O aumento da exportação foi mais que suficiente para compensar a queda da importação e fazer com que a corrente de comércio crescesse no mês de agosto, com aumento de 1,2%.Herlon Brandão, diretor de estatísticas do Mdic

Caem exportações para os EUA

As exportações brasileiras para os EUA caíram 18,5%, para US$ 4 bilhões em agosto. No ano passado, o Brasil havia exportado US$ 4,4 bilhões para o mercado americano.

Os produtos com as maiores quedas de exportação para os EUA foram:

  1. Minério de ferro: – 100%. “Não exportamos minério de ferro nesse mês de agosto para os Estados Unidos”, afirmou o diretor de estatísticas.
  2. Açúcar: – 88,4%.
  3. Aeronaves e partes de aeronaves: – 84,9%
  4. Motores e máquinas não elétricos: – 60,9%
  5. Carne bovina fresca: – 46,2%
  6. Máquinas de Energia Elétrica: – 45,6%
  7. Madeira em bruto (parcialmente trabalhada): – 39,9%.
  8. Óleos combustíveis: – 37%
  9. Produtos semi-acabados de ferro-aço: – 23,4%
  10. Celulose: – 22,7%.

Já as importações de produtos americanos subiram 4,6%, e chegaram a US$ 3,9 bilhões no mês passado. Há um ano, as importações para os americanos somaram R$ 3,8 bilhões.

Outros mercados

Brasil também vendeu menos para Canadá e União Europeia. Enquanto as vendas recuaram 11,9% para a UE (de US$ 4,5 bi para US$ 4 bi), o recuo foi de 10,7% para os canadenses, de US$ 546 milhões em agosto de 2024 para US$ 487 milhões em agosto de 2025.

Já as exportações para o México cresceram 43,8%. Em agosto, foram vendidos US$ 790 milhões ao país latino-americano, contra US$ 549 milhões um ano antes.

O grupo representado por China, Hong Kong e Macau foi o principal destino dos produtos brasileiros em agosto. Aumento de 29,9%, de US$ 7,3 bilhões para US$ 9,5 bilhões, o que significou uma participação de 32,1% das exportações nacionais no mês passado.

Os produtos mais vendidos para a China, Hong Kong e Macau foram:

  1. Carne bovina: + 84%
  2. Óleos e produtos de petróleo: + 75%
  3. Soja: + 28,4%
  4. Açúcar e melaço: + 20%
  5. Minério de ferro: + 4,9%

A China, que vinha caindo a exportação para esse destino ao longo do ano por conta principalmente de preço, (…) nesse mês de agosto [teve] um grande crescimento de volume exportado.Herlon Brandão, diretor de estatísticas do Mdic

O tarifaço

O tarifaço de 50% vale desde 6 de agosto. Naquela data, os EUA passaram a cobrar mais 40% sobre as tarifas de 10% que já aplicavam desde abril sobre a importação de produtos brasileiros. Desde então, uma taxa de 50% passou a ser cobrada sobre produtos como café, carnes, pescados, açúcar, cacau e frutas tropicais, como manga e uva. Castanhas, suco de laranja e produtos de aviação civil entraram em uma lista de quase 700 produtos que se livraram da sobretaxa.

As razões para o tarifaço são políticas. Trump implementou a tarifa adicional de 40% sobre o Brasil “para lidar com políticas, práticas e ações recentes do governo brasileiro que constituem uma ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional, à política externa e à economia dos EUA”, escreveu o republicano em sua ordem executiva.

O documento cita o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A Casa Branca classificou o processo contra o ex-presidente como uma “perseguição, intimidação, assédio e censura”.

Moraes tem abusado de sua autoridade judicial para ameaçar, atingir e intimidar milhares de seus oponentes políticos.Comunicado da Casa Branca

As decisões judiciais do Brasil contra big techs também foram mencionadas. O americano acusou o Brasil de tomar “medidas sem precedentes para coagir empresas americanas de forma tirânica e arbitrária” com objetivo de “censurar” discursos políticos, remover usuários e alterar políticas de moderação de conteúdo sob penas de “multas extraordinárias” e processos criminais.

Fonte: UOL

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Comércio Exterior

Estados Unidos aplicaria tarifas e taxas portuárias a países que assinarem acordo sobre emissões de combustível marítimo

Os Estados Unidos instaram vários países a rejeitar o acordo da Organização das Nações Unidas (ONU) para reduzir as emissões do combustível marítimo, advertindo que, caso não o façam, poderão enfrentar tarifas, restrições de visto e taxas portuárias, segundo informaram autoridades norte-americanas e europeias à Reuters.

Em abril, diversos países chegaram a um acordo preliminar por meio da Organização Marítima Internacional (OMI) da ONU, que imporia uma tarifa aos navios que descumprissem as normas globais sobre emissões de carbono. Washington retirou-se das negociações antes que o rascunho do acordo fosse concluído e, em agosto, anunciou que tomaria represálias contra os países que o apoiassem.

O Departamento de Estado norte-americano comunicou-se nos últimos dias com outros países membros da OMI, advertindo-os a não adotarem o chamado “Net-Zero Framework”, segundo informaram quatro fontes que preferiram não ser identificadas devido à sensibilidade do assunto.

Um porta-voz da entidade executiva federal afirmou que os Estados Unidos estão “explorando ativamente e preparando-se para aplicar medidas corretivas, incluindo tarifas, restrições de visto e/ou encargos portuários, caso essa iniciativa avance na votação extraordinária de outubro da OMI”.

O departamento também se envolverá com “nossos parceiros e aliados” para propor que adotem medidas semelhantes, acrescentou o porta-voz, embora tenha se recusado a comentar sobre “discussões diplomáticas privadas com outros países”.

O governo neerlandês recebeu um aviso verbal de representantes do governo norte-americano, que apontaram que os Países Baixos poderiam enfrentar tarifas ou outras medidas de retaliação se apoiassem a adoção do marco, segundo declarou um porta-voz do Ministério da Infraestrutura e Gestão da Água dos Países Baixos.

De acordo com a Reuters, não estava claro quais outros países membros da Organização Marítima Internacional haviam sido contatados por Washington.

A OMI, sediada em Londres e composta por 176 países membros, é responsável por regulamentar a segurança e a proteção do transporte marítimo internacional, bem como por prevenir a poluição.

O transporte marítimo global representa quase 3% das emissões de CO₂ do mundo, e o acordo foi projetado para acelerar a descarbonização.

Nesse sentido, aproximadamente 90% do comércio mundial é realizado por via marítima, e as emissões poderiam aumentar drasticamente sem um mecanismo acordado.

“A próxima sessão da OMI, em outubro, oferece a plataforma adequada para abordar qualquer preocupação dos Estados membros antes do processo de adoção”, comentou um porta-voz da OMI.

O acordo inicial foi aprovado por 63 Estados, com 16 votos contrários e 24 abstenções. Será necessária uma maioria para sua adoção caso seja submetido à votação e, segundo fontes da Reuters, não está claro se poderia ser aprovado se mais nações se abstiverem.

Por fim, cabe mencionar que a administração Trump busca fortalecer o poder econômico dos Estados Unidos, incluindo uma maior participação no transporte marítimo global, razão pela qual tem utilizado as tarifas como ferramenta para obter melhores condições de seus parceiros comerciais.

Fonte: Portal Portuario

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Comércio Exterior

Trump pede à Suprema Corte dos EUA que mantenha suas tarifas globais

Solicitação vem após tribunal de apelações considerar ilegais as sobretaxas impostas pelo presidente com base em lei que lida com emergências nacionais. Recurso pede que caso seja julgado já em novembro

O presidente Donald Trump pediu à Suprema Corte dos Estados Unidos que mantenha suas tarifas globais, solicitando revisão em um caso que pode afetar trilhões de dólares em comércio e lhe dar nova e ampla influência sobre a economia mundial.

O recurso pede que o caso seja colocado em um cronograma altamente acelerado, com argumentos no início de novembro, de acordo com documentos ao qual a Bloomberg teve acesso. A solicitação vem após uma decisão de um tribunal federal de apelações que afirmou que Trump não pode impor tarifas de importação em larga escala com base em uma lei de 1977 criada para lidar com emergências nacionais.

Os documentos ainda não estavam disponíveis publicamente no sistema on-line da Suprema Corte na noite de quarta-feira.

Impacto financeiro

Somente o impacto financeiro já torna o caso um dos maiores a chegar à Suprema Corte. Uma derrota para Trump reduziria pela metade a atual tarifa efetiva média dos EUA, hoje em 16,3%, e poderia obrigar o país a reembolsar dezenas de bilhões de dólares, segundo Chris Kennedy, analista da Bloomberg Economics. Também poderia desestabilizar os acordos comerciais preliminares firmados por Trump com alguns países.

As tarifas permanecem em vigor porque o tribunal de apelações suspendeu sua decisão, permitindo que Trump tivesse tempo de recorrer à Suprema Corte.

Ainda assim, a decisão “colocou em risco negociações externas em andamento e ameaça acordos estruturais”, disse à corte o procurador-geral D. John Sauer:

— Se mantida, a decisão desarmaria unilateralmente os Estados Unidos e permitiria que outras nações mantivessem a economia americana como refém de suas políticas comerciais retaliatórias.

O Departamento de Justiça informou aos juízes que os opositores das tarifas concordaram que a Suprema Corte deve analisar o caso em caráter acelerado. Neal Katyal, advogado principal dos contestadores, não respondeu de imediato a um pedido de comentário por e-mail. A Casa Branca também não respondeu a uma solicitação de comentário.

Início de novembro

Um julgamento em novembro possibilitaria que a corte decidisse até o fim do ano, embora o mandato se estenda até meados de 2026.

É altamente provável que a Suprema Corte aceite o caso, mas os juízes ainda precisam concordar em fazê-lo. O governo pediu que isso fosse decidido até a próxima quarta-feira, dia 10.

As tarifas contestadas incluem as tarifas do “Dia da Libertação”, de 2 de abril, que impõem taxas de 10% a 50% sobre a maioria das importações, dependendo do país de origem. Essas tarifas representaram o maior aumento de impostos de importação desde as tarifas Smoot-Hawley de 1930, levando a taxa média aplicada nos EUA ao nível mais alto em mais de um século.

Trump tem defendido as tarifas como fundamentais para equilibrar o campo de jogo para empresas e trabalhadores americanos diante de déficits comerciais crônicos. Mas autoridades do governo têm minimizado o impacto do litígio, afirmando que a maioria das tarifas pode ser imposta por outros mecanismos legais.

As tarifas sobre aço, alumínio e automóveis, por exemplo, foram aplicadas sob outra lei e não são diretamente afetadas pelo recurso.

Canadá, México e China

O recurso também abrange tarifas impostas ao Canadá, México e China sob o argumento de combater o tráfico de fentanil. O caso decorre de ações judiciais apresentadas por estados governados por democratas e por um grupo de pequenas empresas.

O recurso testará uma Suprema Corte de maioria conservadora, que até agora em grande parte tem acomodado Trump em sua afirmação de poderes inéditos para um presidente. Se aceitarem o caso, os juízes terão de lidar com uma lei que concede ao presidente uma série de ferramentas para lidar com emergências de segurança nacional, política externa e economia, mas que não menciona explicitamente tarifas como uma dessas competências.

A decisão de 7 a 4 do Tribunal de Apelações para o Circuito Federal, na sexta-feira, confirmou um julgamento do Tribunal de Comércio Internacional. Ambos afirmaram que a Lei Internacional de Poderes Econômicos de Emergência de 1977 não autoriza tarifas tão abrangentes com base na cláusula que permite ao presidente “regular” a “importação” de bens para enfrentar uma emergência.

“A lei concede ao presidente autoridade significativa para tomar diversas medidas em resposta a uma emergência nacional declarada, mas nenhuma delas inclui explicitamente o poder de impor tarifas, tributos ou semelhantes, nem o poder de taxar”, disse o tribunal de apelações.

A Constituição

A Constituição atribui ao Congresso o poder de definir tarifas, e uma questão central no caso é se os parlamentares delegaram essa autoridade ao presidente. Em outros contextos, a Suprema Corte já exigiu que o Congresso fosse explícito ao transferir seu poder em temas de grande relevância econômica ou política.

Sauer, o principal advogado do governo na Suprema Corte, afirmou aos juízes que “o poder de ‘regular a importação’ abrange o poder de impor tarifas ou tributos sobre importações”.

Os contestadores também argumentaram nos tribunais inferiores que um déficit comercial não constitui o tipo de “ameaça incomum e extraordinária” exigida pela lei antes que os poderes de emergência do presidente possam ser acionados. Uma decisão favorável a Trump nesse ponto poderia deixar praticamente sem limites a capacidade presidencial de declarar emergências e impor tarifas adicionais como resposta.

Fonte: O Globo

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Comércio Exterior

Governo publica portaria que prorroga prazo do drawback em meio ao tarifaço

Publicação foi adiantada pelo vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, em entrevista à CNN na segunda (1°)

A portaria que regulamenta a prorrogação do regime de drawback por um ano para empresas afetadas pelo tarifaço dos Estados Unidos foi publicada nesta terça-feira (2), em edição extra do DOU (Diário Oficial da União).

A informação havia sido antecipada pelo vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), em entrevista à CNN nesta segunda-feira (1°).

A medida determina que empresas prejudicadas pelas tarifas de 50% dos Estados Unidos e que utilizam o regime de drawback terão um ano adicional para concluir as exportações ao mercado americano que foram contratadas até o final de 2024, sem cobrança de tributos, juros ou multas.

A destinação dos produtos poderá ser realizada tanto para os Estados Unidos quanto para outros países.

O regime de drawback permite que empresas comprem, sem pagamento de impostos, insumos necessários para produção de bens que serão exportados futuramente.

A medida faz parte do Plano Brasil Soberano, que engloba uma série de medidas para diminuir os impactos às empresas exportadoras após a aplicação das tarifas de 50% pelo governo de Donald Trump.

Em comunicado do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), Alckmin garante que “a prorrogação do drawback vai impedir que os exportadores prejudicados pelo tarifaço tenham de arcar com impostos ou multas no caso de não conseguirem cumprir com suas obrigações”.

O documento ainda destaca que, dos mais de US$ 40 bilhões em produtos exportados para os Estados Unidos, cerca de US$ 10,5 bilhões (26%) foram beneficiados pelo regime, o que representa quase mil empresas.

Fonte: CNN Brasil

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Comércio Exterior

Brasil inaugura nova rota marítima de comércio com a China

Trajeto liga os portos de Gaolan, em Zhuhai, e Santana, no Amapá

O Brasil inaugurou, neste fim de semana, uma nova e importante rota marítima de comércio com a China. A conexão liga o Porto de Gaolan, na cidade de Zhuhai, no sul da China, ao Porto de Santana, no Amapá — a segunda maior cidade do estado, a cerca de 17 quilômetros da capital, Macapá. O primeiro navio da nova rota Brasil-China chegou ao porto amapaense e descarregou seus primeiros contêineres neste fim de semana.

Segundo o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, essa nova rota no comércio internacional trará agilidade e economia no transporte, podendo reduzir em até um mês o tempo de trajeto e gerar uma diminuição de 30% nos custos. O Porto de Santana consolida o Arco Norte como uma alternativa estratégica às exportações brasileiras, como destaca o ministro da Integração, Waldez Góes.

“Isso vai melhorar muito para quem empreende aqui. Sejam aqueles que precisam de produtos chineses para alavancar sua atividade comercial e industrial, sejam os chineses que precisam do agro e também da bioeconomia para o seu consumo.”

Por causa da nova rota, o governo do Amapá já prevê um aumento na geração de empregos e no fortalecimento da economia local. O governador do estado, Clécio Luís, destaca a visibilidade que o Amapá ganha como porta comercial entre a Ásia e a América do Sul, com o crescimento do setor portuário.

“E isso aqui é um marco para a economia do Amapá. É a conexão do Amapá com os grandes mercados mundiais, por meio da nossa vocação logística, da nossa vocação portuária, especialmente aqui em Santana. E vem trazendo produtos para o Amapá, para a Amazônia e para o Brasil. E o Amapá está aproveitando essa oportunidade para também tirar produtos do Centro-Oeste, da Amazônia, para o mundo.”

O estado será um corredor de importação de toneladas de produtos, que serão transportados e beneficiados por meio das políticas de livre comércio e da Superintendência da Zona Franca de Manaus.

A estruturação do Porto de Santana para receber navios de maior porte também será fundamental durante o período de seca na região Norte, já que, durante a estiagem, os navios enfrentam dificuldades para navegar até Manaus. O Porto de Santana, localizado no litoral amapaense, consegue operar mesmo nesse período.

Fonte: Agência Brasil

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Exportação

Exportações de soja em Mato Grosso superam em 2,49% recorde registrado em 2023

Até julho mais de 25,74 milhões de toneladas de soja foram exportadas em 2025 pelo estado, segundo a Secex

As exportações de soja no acumulado de janeiro a julho em Mato Grosso somaram pouco mais de 25,74 milhões de toneladasalta de 2,49% em comparação ao mesmo período de 2023, ano em que o estado registrou recorde de envios ao mercado externo.

Em 2023, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), foram enviadas ao exterior pouco mais de 25,11 milhões de toneladas entre janeiro e julho por Mato Grosso. Já em 2024, no período analisado, foram 23,45 milhões de toneladas.

Diante de tal fator observado neste ano, o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) manteve a sua perspectiva de embarques para 2025 em 30,80 milhões de toneladas.

De acordo com o relatório de Oferta & Demanda, divulgado na segunda-feira (1º), o consumo estadual para este ano permanece estimado em 12,99 milhões de toneladas, puxado pelo esmagamento de soja, que vem registrando sucessivos recordes mensais, impulsionado pela maior demanda dos coprodutos, principalmente o óleo, visto o aumento da mistura obrigatória de biodiesel ao diesel.

Temporada 25/26 de soja também com manutenção

Em relação às projeções para a safra 2025/26, o Imea também manteve as suas perspectivas de exportações. As estimativas projetam que 29,83 milhões de toneladas da safra deixem Mato Grosso com destino ao mercado externo inicialmente, o que representa uma redução de 3,16% frente ao ciclo 2024/25.

Quanto ao consumo interno, ou seja, dentro de Mato Grosso, os números seguem em trajetória de crescimento, puxada pela produção de biodiesel. Com isso, destaca o Instituto, a estimativa de esmagamento da oleaginosa no estado permanece em 13,24 milhões de toneladas.

Fonte: Canal Rural Mato Grosso

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Comércio Exterior

Governo Trump prepara novas medidas contra o Brasil

Alvos agora são o Banco do Brasil e as importações da Rússia, apurou a CNN; empresas americanas pedem manutenção de barreiras

Os Estados Unidos preparam medidas contra o Banco do Brasil e contra as importações da Rússia, além de contestação dos argumentos do governo e das empresas brasileiras em relação à tarifa de 50%.

As informações são de diversas fontes consultadas pela CNN em Washington. A situação é fluida e depende do presidente Donald Trump, que pode mudar de planos.

Na tarde desta segunda-feira (1º), a sanção mais iminente parece ser contra o BB (Banco do Brasil), segundo o relato de uma dessas fontes. O contexto é o do início do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, nessa terça-feira (2).

Ao aplicar a Lei Magnitsky, em 30 de julho, o Departamento do Tesouro americano se municiou para punir com sanções econômicas instituições que prestem serviços ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

No dia 18 de agosto, o ministro Flavio Dino, também do STF, determinou, ao julgar outro caso, que “leis, decisões judiciais, decretos ou ordens executivas de outros países não têm eficácia no Brasil a não ser que sejam homologados pela Justiça brasileira ou aprovados conforme a Constituição e as leis nacionais”.

No dia seguinte, o BB emitiu comunicado afirmando que “atua em plena conformidade à legislação brasileira, às normas dos mais de 20 países onde está presente e aos padrões internacionais que regem o sistema financeiro”, e acrescentou que “está preparado para lidar com temas complexos e sensíveis que envolvem regulamentações globais”.

Em 21 de agosto, uma instituição financeira cancelou o cartão Mastercard do ministro, segundo informações do mercado. No mesmo dia, o BB teria oferecido a Moraes um cartão da bandeira brasileira Elo. Essa é a justificativa para o Tesouro americano adotar medidas contra o banco estatal.

Nesses casos, os EUA costumam impor multas aos “transgressores”. O caso mais notório foi o do banco francês BNP Paribas , acusado de violar sanções americanas ao transacionar bilhões de dólares com entidades sancionadas do Sudão, Irã e Cuba. Em julho de 2014, o BNP Paribas se declarou culpado e foi condenado a pagar US$ 9 bilhões em multas, e a cinco anos de liberdade condicional corporativa.

Já o banco britânico Standard Chartered foi multado três vezes. Em 2012, o regulador do estado de Nova York (DFS) acusou o banco de ocultar transações com o Irã, impondo multa de US$ 340 milhões. Uma nova condenação, por negócios com Irã, Mianmar, Líbia e Sudão, levou a outra multa, de US$ 327 milhões.

Em 2019, o Standard Chartered foi multado mais uma vez, em US$ 1,1 bilhão, por causa de negócios com Mianmar, Zimbábue, Cuba, Sudão, Síria e Irã, e deficiências nos controles de lavagem de dinheiro.

Tarifaço

A atual tarifa de 50% será objeto de audiência no Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) na quarta e quinta-feira. O governo brasileiro apresentará seus argumentos contra a tarifa.

Empresas americanas que concorrem com as brasileiras ou que atuam no mercado brasileiro apresentaram posições claramente coordenadas entre si, para contestar os argumentos do Brasil e defender a manutenção da alíquota.

Associações americanas dos setores de celulose, madeireiras, pecuaristas e soja alegam que as vantagens competitivas do Brasil se devem ao desmatamento ilegal e trabalho forçado. Elas pediram que o governo americano feche o mercado e negocie com a China para que compre produtos americanos.

Na parte de comércio digital, elas criticaram a proposta de regulação de inteligência artificial, de data centers e de plataformas de streaming, além da tributação dessas atividades no Brasil. Medida provisória adotada em outubro pelo governo brasileiro impôs tributo mínimo de 15% sobre esses serviços, caso não recolham essa alíquota em seu lugar de origem.

Instituições financeiras americanas acusaram o Banco Central brasileiro de atuar ao mesmo tempo como regulador e como competidor, por causa do Pix, que concorre com sistemas de transferência dos EUA.

Óleo diesel russo

O governo Trump deve adotar também medidas comerciais contra a importação de óleo diesel da Rússia pelo Brasil, a exemplo do que já fez com a Índia. A alíquota indiana foi elevada de 25% para 50%. Essa medida contra o Brasil seria aplicada dentro de uma semana ou uma semana e meia, de acordo com a percepção de fontes em Washington.

O Brasil importou aproximadamente US$ 12,5 bilhões em produtos russos no ano passado, principalmente óleo diesel e fertilizantes. A Índia, de sua parte, comprou US$ 63 bilhões e a China, com a qual Trump negocia um acordo em fase avançada, US$ 130 bilhões.

Fonte: CNN Brasil

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Comércio Exterior

Rússia amplia compras de café brasileiro e pode até ser opção aos EUA

Mesmo em guerra com a Ucrânia e sofrendo sanções de países ocidentais que visam o seu sistema financeiro, a Rússia compra cada vez mais café brasileiro. Em 2024, foi o décimo maior destino do produto, com a importação de 1,372 milhão de sacas de 60 quilos.

Neste ano, já ocupa o oitavo lugar no ranking, com 732,3 mil sacas compradas de janeiro a julho, acima das quase 598 mil sacas do mesmo período de 2024, segundo o Conselho de Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

Os russos estão comprando também mais cafés especiais do Brasil. Do total exportado à Rússia neste ano, 101.365 sacas foram de cafés especiais, alta de 267% em relação ao mesmo período de 2024.

Confira a seguir um histórico das exportações brasileiras de café em grão para a Rússia a partir de janeiro de 2022. O gráfico foi elaborado com dados do DataLiner:

Exportações Brasileiras de Café em Grão para a Rússia | Jan 2022 a Jun 2025 | TEU

De olho no crescimento dessa demanda por cafés especiais, um grupo de oito compradores russos visitou fazendas produtoras do Espírito Santo e Rondônia em agosto.

Uma das fazendas visitadas foi a Camocim, que fica em Domingos Martins, na região das Montanhas Capixabas. Os russos conheceram o café Jacu e os outros cafés especiais do tipo arábica orgânicos e biodinâmicos, cultivados na propriedade que pratica agricultura regenerativa.

Henrique Sloper, dono da Camocim, afirma que já embarcou muito café para a Rússia no passado, mas interrompeu os negócios com a guerra e agora espera reativar as exportações, junto com um grupo de produtores capixabas.

Consumo x guerra
“Nosso relacionamento com a Rússia é antigo porque é um mercado que toma muito café. O café especial era um mercado emergente por lá, mas o crescimento foi interrompido pela guerra. Hoje, é preciso fazer muita ginástica para mandar café para lá e outra ginástica maior para receber”, diz.

Entre o grupo de visitantes russos, estava a dona de uma distribuidora de cafés de Moscou que já faz negócios com a trading de café BMP Farmers Coffee, de Nova Venda do Imigrante (ES).

Além da Rússia, a BMP Farmers Coffee, que tem mais de 300 fornecedores entre os produtores de arábica e conilon no Espírito Santo, exporta cafés especiais para Canadá, Austrália e países da Europa. Segundo Luísa Lang, diretora de comunicação da Farmers, houve alguns problemas no início da guerra com a Ucrânia, mas as exportações para a distribuidora russa foram mantidas.

“Os russos disseram que têm interesse em aumentar a distribuição dos cafés especiais brasileiros em seu país, sobretudo o conilon, considerado uma boa alternativa para as torrefadoras”, disse Lang.

O crescente interesse dos russos pelo produto é uma boa notícia num momento em que as exportações para os EUA, o maior cliente do Brasil, ficaram inviáveis com a sobretaxa de 50% imposta pelo governo Donald Trump.

Sloper diz que reativar os negócios com os russos é uma das opções para substituir o mercado americano. Ele antecipou o envio neste ano de 320 sacas aos EUA, mas espera uma solução para voltar a embarcar para seus três clientes americanos. Além da Rússia, o produtor afirma que outra opção é aumentar os negócios com o Japão, para onde viaja para participar da maior feira de café da Ásia.

Fonte: Globo Rural

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