Mercado Internacional

Departamento de Comércio dos EUA confirma tarifas antidumping contra 10 países, incluindo o Brasil

Departamento de Comércio dos Estados Unidos emitiu conclusões favoráveis à aplicação de tarifas antidumping e compensatórias contra 10 países — incluindo o Brasil — após investigações sobre produtos de aço resistente à corrosão.

As decisões abrangem US$ 2,9 bilhões em importações da Austrália, Brasil, Canadá, México, Holanda, África do Sul, Taiwan, Turquia, Emirados Árabes Unidos e Vietnã, informou o Departamento de Comércio em um comunicado nesta terça-feira (26).

“O comércio concluiu que as importações de (aço) Core para os Estados Unidos de dez parceiros comerciais estavam sendo objeto de dumping e/ou subsídios”, disse o departamento. O aço resistente à corrosão é usado para construir automóveis, eletrodomésticos e edifícios.

“As empresas e os trabalhadores siderúrgicos americanos merecem competir em igualdade de condições”, disse o subsecretário de Comércio Internacional, William Kimmitt, em um comunicado.

A Comissão de Comércio Internacional (ITC, na sigla em inglês) fará agora sua própria avaliação do prejuízo ao setor siderúrgico nacional, de acordo com o departamento norte-americano.

“Se a ITC concluir que houve dano específico ao parceiro comercial, o Departamento de Comércio emitirá ordens de tarifas AD (antidumping) e CVD (compensatórias).”

Fonte: Money Times

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Comércio Exterior

Brasil e China terão nova rota marítima comercial

Rota Zhuhai-Santana ligará o Amapá aos principais portos chineses

Brasil e China terão, a partir deste sábado (30), uma nova rota de comércio. Ela ligará o porto de Santana, no Amapá, ao de Zhuhai, na China. Segundo o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, a nova rota diminuirá custos e tempo de viagem dos produtos brasileiros até o país asiático.

“Tenho uma boa notícia: no sábado, agora, chega o primeiro navio dessa rota Zhuhai-Santana, no Amapá. Agora o Arco Norte tem mais essa alternativa de rota marítima”, anunciou Góes nesta quinta-feira (28) durante o programa Bom Dia, Ministro, produzido pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

A nova rota ligará o Porto Santana das Docas à chamada Grande Baía (Guangdong‑Hong Kong‑Macau), onde fica, entre outros portos, o de Gaolan, em Zhuhai – um dos principais terminais da região e ponto estratégico para o fortalecimento do coméricio entre os dois países.

De acordo com o ministro, essa rota foi vista pelos governos dos dois países, com potencial para o escoamento de bioprodutos da Amazônia e do Centro Oeste brasileiro.

“As vantagens são gigantes. Na comparação com o porto de Santos, a saída de produtos do Centro-Oeste por Santana ou pelo Arco Norte para a Europa diminui, por exemplo, o custo da soja em US$ 14 por tonelada. Se for para a China, a economia é de US$ 7,8 por tonelada. Isso, sem falar do além do tempo de viagem, que diminui”, acrescentou.

A vantagem, segundo Góes, agregará muito no trabalho, no lucro e na recompensa do produtor. Seja ele da Amazônia ou do centro-oeste brasileiro, além de organizar melhor a logística no país.

“Daí para frente, vai da nossa capacidade. Da capacidade da Região Amazônica de articular produtos de interesse da China”, completou.

O ministro ressaltou que as cooperações entre Brasil e China têm crescido muito, potencializando ainda mais essa rota, em especial para os produtos da bioeconomia da Amazônia, região que, segundo ele, tem muito por crescer economicamente.

“Vai demorar, mas a melhor estratégia para Amazônia é se industrializar. É agregava valor, beneficiar os produtos da Amazônia para agregar valor, gerar emprego e renda. Isso para o açaí, o cacau, o café, a castanha, a madeira, o pescado, a piscicultura e demais atividades, como os fármacos. Temos um potencial grande nos fármacos porque a Amazônia só faz fornecer matéria-prima”, argumentou.

Com um mercado de 1,4 bilhão de pessoas, a China é um dos principais parceiros comerciais do Brasil.

“Para você ter uma ideia, o café, que já entra muito forte na China, tem um consumo per capita de um café por mês. Imagina se dobrarmos isso, e passar a ser de dois cafés por mês. Isso vale para o café, para a soja e para o agro de modo geral. Eles têm muito interesse por mel, açaí, chocolate, cacau”, detalhou ao ressaltar que produtos da biodiversidade têm uma abertura muito grande na China.

Fonte: Agência Brasil

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Comércio Exterior

Tribunal dos EUA decide que tarifas impostas por Donald Trump são ilegais

Em publicação nas redes sociais, presidente afirmou que as tarifas seguem em vigor

Um tribunal de apelações dos Estados Unidos decidiu nesta sexta-feira (29) que as tarifas impostas por Donald Trump são ilegais. A decisão reduz a força dessas medidas, que têm sido usadas como uma das ferramentas centrais da política econômica externa do país. As informações são da Folha de S. Paulo.

As tarifas têm sido utilizadas como forma de pressão política e via de negociação para acordos. O tribunal alegou que as tarifas poderão continuar em vigor até o dia 14 de outubro, para permitir recursos à Suprema Corte.

O Brasil foi alvo inicialmente de uma tarifa recíproca de 10%, e depois de uma taxa adicional de 40%, o que elevou a sobretaxa para 50%. O imposto é um dos maiores até o momento, e teria sido motivado pelo que Donald Trump chamou de “caça às bruxas” ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Em contrapartida, cerca de 700 produtos ficaram isentos.

Trump declarou na noite desta sexta, após a decisão do tribunal, que as tarifas seguem em vigor.

“Hoje um tribunal de apelações altamente partidário disse incorretamente que nossas tarifas deveriam ser removidas, mas eles sabem que os Estados Unidos da América vencerão no final”, escreveu Trump em uma postagem no Truth Social.

O Tribunal de Apelações para o Circuito Federal dos EUA, em Washington, decidiu por 7 a 4 pela ilegalidade das tarifas impostas por Trump em abril e de um conjunto separado de tarifas impostas em fevereiro contra China, Canadá e México.

“O estatuto confere autoridade significativa ao presidente para adotar uma série de ações em resposta a uma emergência nacional declarada, mas nenhuma dessas ações inclui explicitamente o poder de impor tarifas, impostos alfandegários ou similares, nem o poder de tributar”, afirmou o tribunal.

A aplicação de tarifas deu poder ao governo Trump para negociar em troca de concessões econômicas, porém trouxe instabilidade para os mercados financeiros. A decisão não possui impacto sobre tarifas emitidas sob outras bases legais, como as tarifas de Trump sobre importações de carros, aço e alumínio. A decisão não gerou grande reação durante as negociações pós-fechamento dos mercados.

— As empresas provavelmente continuarão a operar como se as tarifas permanecessem em vigor, já que o tribunal está permitindo que elas continuem valendo por enquanto — afirmou Brian Jacobsen, economista-chefe da Annex Wealth Management, à agência de notícias Reuters.

Fonte: NSC Total

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Comércio Exterior

Índia estende isenção de tarifa de importação de algodão em meio à pressão dos EUA

As importações devem sustentar os preços globais do algodão; porém, também devem reduzir a demanda local, pressionando os preços domésticos, disseram agentes do mercado

Mumbai/Nova Delhi (Reuters) – A Índia prorrogou a isenção das taxas de importação de algodão por três meses, até o final de dezembro, de acordo com uma ordem do governo nesta quinta-feira, enquanto Nova Délhi busca apoiar a indústria de vestuário local que foi atingida pelas pesadas tarifas dos EUA.

As importações devem sustentar os preços globais do algodão, que apagaram as perdas e subiram 0,2% após a ordem. Porém, também devem reduzir a demanda por algodão local, pressionando os preços domésticos, disseram agentes do mercado.

A Índia, segunda maior produtora de algodão do mundo, havia anunciado anteriormente a isenção sobre as importações de algodão de uma tarifa de 11% até o final de setembro. Agora, estendeu a medida até 31 de dezembro.

O algodão provavelmente será originado da Austrália, Brasil, Estados Unidos e África, que têm excedente disponível para exportação, disseram representantes da indústria.

A duplicação das tarifas do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre as importações da Índia para até 50% em produtos como vestuário e joias entrou em vigor na quarta-feira.

Os Estados Unidos são o maior mercado da Índia para vestuário e joias, com valor de quase US$22 bilhões em 2024. A Índia tem uma participação de 5,8% no mercado de vestuário dos EUA, atrás da China, Vietnã e Bangladesh.

A isenção de impostos até o final do ano permitirá que as empresas têxteis indianas importem algodão mais barato, aliviando a pressão em meio a uma desaceleração na demanda dos EUA, disse à Reuters Atul Ganatra, presidente da Associação de Algodão da Índia.

“Com a extensão da isenção de impostos, as importações poderão atingir um recorde de 4,2 milhões de fardos este ano. É provável que as fortes importações continuem no primeiro trimestre do próximo ano também”, disse Ganatra.

O ano de comercialização do algodão na Índia vai de outubro a setembro.

A janela de importação anterior, que terminava em setembro, era muito estreita, disse um comerciante de Nova Délhi de uma trading global.

As fábricas têxteis não puderam importar algodão durante aquele período, já que a viagem a partir dos países exportadores normalmente leva mais de um mês. Mas agora elas podem fazer pedidos de grandes quantidades para o período seguinte, disse o comerciante.

O custo de desembarque do algodão importado é cerca de 5% a 7% menor do que o dos suprimentos locais, e a qualidade também é superior, disse um comerciante de Mumbai.

“A maior parte das importações chegará por volta do trimestre de dezembro, exatamente quando a safra local chegar ao mercado. É provável que isso pressione os preços locais para baixo”, disse o comerciante.

Fonte: InfoMoney

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Comércio Exterior

Comércio Brasil-México: veja produtos mais exportados e mercados que país busca ampliar

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Geraldo Alckmin, disse que Brasil e México têm “boa complementaridade econômica” e é possível avançar nas parcerias em produtos agropecuários, na área industrial e no setor de serviços, como inteligência artificial (IA) e data centers. “Tem muitas possibilidades”.

Alckmin lidera uma missão brasileira que desembarcou no México nesta semana com foco em, entre outros temas, ampliar os laços comerciais e de investimentos entre as duas maiores economias da América Latina.

Após a tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos, segundo maior parceiro comercial do Brasil, sobre diversos produtos do país, uma das estratégias do governo e exportadores para mitigar os efeitos da taxa extra ao país é diversificar ou ampliar mercados. O México é atualmente o sexto maior parceiro comercial do Brasil.

Nesta quinta-feira, 28, está prevista uma audiência com a presidente do país, Claudia Sheinbaum, que deve acontecer nesta quinta-feira. A comitiva também realizará uma série de reuniões com empresários mexicanos e encerrará a missão em evento da Associação Brasileira de Proteína Animal.

“O México é um parceiro importante para o Brasil. A visita é uma oportunidade estratégica. Vamos nos reunir com o governo e com o setor privado para destravar oportunidades em áreas como indústria, agronegócio e saúde, fortalecendo a integração produtiva regional”, disse Alckmin.

Principais parceiros do Brasil no primeiro semestre de 2025

O mercado Brasil – México

Em 2024, a relação comercial entre Brasil e México ultrapassou os US$ 13 bilhões. Mais da metade foi de produtos que o Brasil exportou para o México, a exemplo de automóveis de passageiros, carnes de aves e miudezas e veículos para transporte de mercadorias.

Por outro lado, o Brasil importou do México, em 2024, aproximadamente US$ 6 bilhões em produtos como peças e acessórios de carros, veículos automóveis de passageiros e veículos automóveis para transporte de mercadorias.

Carlos Braga Monteiro, CEO do Grupo Studio, aponta que o México é um parceiro crucial para o Brasil na busca de diversificação. Monteiro afirma que ampliar o relacionamento com o México reduz exposição a choques em mercados principais e ajuda na construção de resiliência externa

“O México não vai substituir os Estados Unidos como principal destino do agro brasileiro, mas pode se tornar um mercado estratégico. Hoje, mais de 70% das importações mexicanas ainda vêm do mercado americano. Mesmo assim, o Brasil já começa a ganhar espaço em setores onde é líder global, como soja, carnes e celulose, oferecendo competitividade e ajudando a reduzir a dependência mexicana de um único fornecedor”, aponta Braga. 

Rogério Marin, CEO da Tek Trade, especialista em comércio exterior e presidente do Sindicato das Empresas de Comércio Exterior de Santa Catarina (Sinditrade) também avalia que o país representa uma oportunidade importante para o agro brasileiro, “especialmente com as isenções fiscais temporárias concedidas pelo governo mexicano”, que segundo ele impulsionaram as importações de produtos como milho, soja e carnes.

“Acordos sanitários recentes abriram portas para itens como material genético de suínos e aves, pepsinas suínas e carne processada, reforçando a posição do México como parceiro estratégico na América do Norte. Além disso, o México absorve matérias-primas brasileiras, transformando-as localmente, o que sustenta um comércio bilateral baseado em rigorosos padrões de saúde e segurança”, diz Marin. 

Por muitos anos, os dois países competiram pela liderança regional na América Latina, divergindo em estratégias comerciais. Enquanto o México tem fortes laços com os Estados Unidos, antes por meio do Nafta (e agora do USMCA – Acordo Estados Unidos- México- Canadá), o Brasil aposta no Mercosul, de perfil mais fechado. Mas isso vem mudando.

O México se tornou o quarto principal destino da carne bovina brasileira em 2024, demonstrando potencial para compensar possíveis perdas no mercado norte-americano. O café brasileiro também deve ser tema central nas negociações, sendo um dos cinco principais produtos exportados para o México.

Produtos que o Brasil mais enviou para o México em 2024

  • Veículos (outros que não ferroviários/trilhos): US$ 1,56 bilhão
  • Máquinas e Equipamentos (reatores nucleares, caldeiras): US$ 1,20 bilhão
  • Carnes e miudezas comestíveis: US$  881,34 milhões
  • Oleaginosas, frutos oleaginosos, grãos, sementes: US$  726,00 milhões
  • Madeira e artigos de madeira: US$  318,09 milhões

 Produtos que o México mais enviou para o Brasil em 2024

  • Veículos (não ferroviários/trilhos): US$ 1,90 bilhão
  • Máquinas e equipamentos (reatores, caldeiras, etc.): US$ 664,43 milhões
  • Equipamentos elétricos e eletrônicos: US$ 636,50 milhões
  • Produtos químicos orgânicos: US$ 149,13 milhões
  • Plásticos: US$ 114,11 milhões

Exportações de carne bovina quase triplicam

Segundo dados da Abiec, de janeiro a julho deste ano, o Brasil exportou 67.659 toneladas de carne bovina ao México (US$ 365 milhões), quase o triplo do volume do mesmo período do ano passado. No acumulado dos sete primeiros meses do ano, o país havia sido o quarto maior destino da exportação da proteína brasileira, atrás da líder absoluta China, dos EUA e do Chile.

O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, disse na quarta-feira, 27, que a abertura do mercado de carne bovina e suína no México vem trazendo resultados positivos para ambos os países. Segundo o ministro, no caso do Brasil, após o período de consolidação dessa abertura, empresas privadas começaram a efetivar negócios, o que resultou, segundo ele, em um crescimento de aproximadamente 250% nas exportações de carne bovina em apenas 2 anos e 8 meses.

“No mesmo período, as vendas de carne suína aumentaram 95% e as de frango, 14%. Esses avanços são benéficos não apenas para o Brasil, mas também para o México, que, em seu programa de combate à inflação dos alimentos, encontra a oportunidade de adquirir carnes de alta qualidade”, disse Favaro. 

Outros mercados

Ainda na busca pela diversificação de destinos, Marin, da Sinditrade, acredita que o Canadá desponta como um mercado semelhante ao México, com importações significativas de soja, milho e carnes. “Como parte do USMCA, é uma opção estratégica para diversificar o agro brasileiro, especialmente em cenários de barreiras comerciais americanas.”

“Mercados asiáticos, como Indonésia e Malásia, e alguns mercados africanos também são promissores, mas o Canadá alinha-se mais ao México por sua proximidade geoeconômica e demanda por commodities. Expandir acordos com o Canadá pode posicionar o Brasil como líder global no fornecimento de alimentos, apontando para um futuro de maior diversificação”, avalia Marin. 

A comitiva para o México conta com o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro; a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet; e a secretária-geral do Ministério das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha. Também participam os presidentes da ApexBrasil, Jorge Viana; da Conab, Edegar Pretto; da Anvisa, Leandro Safatle; e representantes do Ministério da Saúde, Fiocruz e Instituto Butantan; além de empresários e da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Fonte: Istoé Dinheiro

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Exportação

Empresa que exporta aos EUA vai ter prazo maior para tributo e crédito acelerado

As empresas afetadas pelo tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros terão prioridade no processo de restituição e ressarcimento de créditos tributários, que são usados pelas companhias para abater impostos e contribuições devidas. Além disso, essas empresas tiveram os prazos de vencimento de tributos federais e de prestações relacionadas à dívida ativa da União prorrogados.

As medidas de alívio fiscal constam em portaria publicada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e fazem parte do plano Brasil Soberano, regulamentado pelo governo na semana passada com linhas de créditos e outras ações para socorrer as exportadoras afetadas pela medida imposta pelo presidente americano, Donald Trump.

De acordo com o texto, a prioridade na análise valerá para os pedidos de créditos tributários já transmitidos ao fisco, por meio do Programa de Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (Per/Dcomp), e os que vierem a serem solicitados no prazo de até seis meses da publicação da portaria, o que aconteceu na última sexta-feira (22). Esse prazo pode ainda ser prorrogado por igual período, por ato da Secretaria Especial da Receita Federal. Também valerá somente para tributos administrados pela Receita.

A medida beneficiará empresas privadas exportadoras de bens que, entre julho de 2024 e junho de 2025, tiveram no mínimo 5% do faturamento total no período proveniente de exportações de itens sujeitos às tarifas adicionais. Microempreendedores Individuais (MEI) e produtores rurais com Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) também podem ser beneficiados.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) ainda vai publicar uma tabela indicando pela Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) quais são os produtos afetados pela alíquota de 50% imposta pelos Estados Unidos, o que será essencial para que as empresas verifiquem se atingem ao critério de no mínimo 5%.

A portaria publicada na última sexta prevê, ainda, a prorrogação dos prazos de quitação de tributos federais e das prestações de parcelamentos e transações tributárias feitas com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) ou com a Receita Federal. De acordo com o normativo, os vencimentos de agosto deste ano foram prorrogados para o último dia útil de outubro, e os que vencem em setembro podem ser recolhidos até o último dia útil de novembro. O diferimento também valerá somente para as empresas afetadas pelo tarifaço.

No caso do diferimento, a medida não tem impacto fiscal no ano, porque o recolhimento acontecerá ainda em 2025. Representa, apenas, uma forma de alívio momentâneo no pagamento de tributos nos dois primeiros meses que o tarifaço estará em vigor.

A Fazenda diz que a previsão de prioridade para restituição de créditos tributários também não terá impacto fiscal. “Não houve alteração nas regras para aprovar a restituição”, afirma a pasta, em nota enviada ao Valor.

O economista Tiago Sbardelotto, da XP Investimentos, explica que a medida não deve mesmo ter impacto fiscal, pois se trata apenas de uma mudança na ordem de prioridade. “O principal efeito deve ser temporal – um uso mais concentrado nesses primeiros meses e menor no ano que vem”, afirma.

Ele destaca que a priorização prevista na portaria tem seus efeitos combinados com o aumento do percentual de restituição de tributos federais via Reintegra, programa que permite que companhias que exportam seus produtos recebam de volta integralmente ou uma parte dos tributos pagos à União, a fim de estimular a exportação.

“Ou seja, você permite um volume maior de crédito tributário [via elevação do Reintegra] e, ao mesmo tempo, dá prioridade para o uso desse crédito. Claro que não se restringe apenas a essa fonte de créditos tributários, mas esses devem ser os mais significados nesse momento”, explica.

Tributaristas ouvidos pela reportagem têm dúvidas sobre como esse “fura fila” vai funcionar e se outras empresas que pedem compensações poderão ser prejudicadas, o que, defendem, não deveria acontecer. O Ministério da Fazenda nega que haverá prejuízo às empresas não abrangidas pela portaria.

“A medida de priorizar é legítima para dar conforto para as empresas, mas é um ato normativo que fala que não vai respeitar a ordem cronológica”, destaca a advogada Priscila Faricelli, sócia do Demarest. Para ela, é uma medida legítima do poder público, que sabe que tem muito pedido de compensação de crédito tributário parado para análise, mas a advogada aponta que a preferência na análise pode incentivar a judicialização por empresas que não são contempladas e que, pela ordem cronológica dos pedidos, vão se sentir prejudicadas.

Faricelli lembra que, recentemente, o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou que prevalece a ordem cronológica para ressarcimento por parte do poder público para particular. O tema foi julgado em caso sobre devolução de créditos reconhecidos judicialmente, indicando que deve ser por precatório e não por pedido de restituição administrativa. “O Judiciário vem respeitando a ordem dos precatórios”, afirmou.

Segundo o Ministério da Fazenda, em relação às empresas não afetadas pelo tarifaço, não é correto dizer que elas serão prejudicadas pela priorização, pois “a concessão da restituição para um não implica em não restituição para outro”. “Seguiremos analisando todos os casos, para fazer a restituição daquilo que é devido”, afirma a pasta em nota.

Fonte: Valor Econômico

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Comércio Exterior

Tarifaço dos EUA pode ampliar volatilidade do dólar e exigir mais proteção cambial das empresas brasileiras

O recente anúncio de novas tarifas comerciais pelos Estados Unidos, conhecido como “tarifaço”, tende a trazer reflexos importantes para o câmbio e para a estratégia de empresas brasileiras com exposição ao dólar. Segundo o consultor econômico Guacyro Filho, da Advanced Corretora, o impacto ocorre em diferentes fases e exige atenção redobrada de exportadores, importadores e investidores.

Dois ciclos distintos para o dólar

De acordo com Guacyro Filho, no curto prazo a tendência é de desvalorização do dólar frente a outras moedas, já percebida nas últimas semanas. “A notícia das tarifas gera incerteza, eleva o risco e estimula uma migração para outros ativos que não os Treasuries americanos”, explica.

Já em um segundo ciclo, condicionado ao início da flexibilização dos juros pelo Federal Reserve (Fed) e à conclusão dos acordos tarifários, o cenário pode se inverter. “Se a arrecadação dos EUA aumentar de forma relevante, veremos reflexos positivos para o dólar e ativos americanos”, completa o consultor.

Impacto direto em exportadores e importadores

Para os exportadores, a volatilidade pode tanto abrir oportunidades quanto dificultar a formação de preços. Já os importadores devem adotar estratégias de proteção mais robustas para evitar surpresas negativas no custo de reposição.

Pressões adicionais para o Brasil

A crise diplomática recente entre Brasil e Estados Unidos acrescenta um componente político ao debate tarifário, o que amplia a incerteza. Apesar de o comércio ser superavitário para os americanos, a tensão tende a impactar o câmbio e o fluxo de capitais. O consultor lembra que o capital estrangeiro chega ao Brasil principalmente via Tesouro Nacional (atraído pela alta Selic), mercado acionário e câmbio. Porém, grande parte das operações ocorre em posições vendidas de futuros, caracterizando um perfil especulativo. “Capital especulativo é aquele investimento que chega pela manhã e vai embora antes do after market”, ressalta.

Nesse ambiente, cresce a busca por “flight to quality”, ou seja, a migração para ativos considerados mais seguros, como o dólar. Isso pressiona moedas emergentes, incluindo o real, e altera fluxos globais de commodities, com impacto direto sobre setores como aço e soja.

Estratégia americana e impactos globais

Guacyro Filho destaca que a lógica do “America First”, iniciada ainda no governo Trump, segue orientando a política comercial norte-americana. A ideia é priorizar a indústria e os trabalhadores locais por meio de medidas de proteção, desregulação e energia mais barata. “Isso pode beneficiar setores específicos dos EUA no curto prazo, mas gera incerteza global e aumenta custos e volatilidade nas cadeias de comércio, inclusive para o Brasil”, afirma.

Como empresas podem se proteger

Para atravessar esse cenário, o consultor recomenda que empresas intensifiquem o uso de estratégias de hedge. Instrumentos como NDF (Non-Deliverable Forward) e travas cambiais podem reduzir a exposição e dar previsibilidade ao caixa.

  • Trava cambial: fixa antecipadamente o custo operacional, vinculada à documentação da mercadoria.
  • NDF: oferece mais flexibilidade, sem necessidade de vinculação à mercadoria, ajustando-se no final do contrato.

“O melhor momento para estruturar essas proteções é em períodos de menor volatilidade, quando as taxas são mais atrativas”, ressalta Guacyro Filho.

A visão da Advanced

Para a Advanced, a mensagem principal neste momento é de cautela estratégica. “O contexto global pede atenção redobrada, mas também abre espaço para decisões inteligentes. Informação de qualidade e gestão ativa de riscos fazem toda a diferença na travessia de mercados voláteis”, afirma o consultor.

A corretora reforça seu compromisso em oferecer soluções personalizadas, inteligência de mercado e acompanhamento próximo, ajudando clientes a transformar incertezas em oportunidades e vantagem competitiva.

Saiba mais em: https://www.advancedcorretora.com.br/ 

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Internacional

China se opõe ao plano do México de aumentar tarifas sobre Pequim

País defende uma globalização econômica “universalmente benéfica e inclusiva”, acrescentou porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, disse, em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (28) que o país defende uma globalização econômica “universalmente benéfica e inclusiva” e se opõe ao unilateralismo, ao protecionismo e a medidas discriminatórias e excludentes de qualquer natureza.

A declaração aconteceu ao ser questionado sobre o plano do governo do México de aumentar as tarifas sobre Pequim como parte da proposta orçamentária para 2026.

“O México é o segundo maior parceiro comercial da China na América Latina e a China é o terceiro maior destino de exportação do México. Nossa cooperação comercial e econômica beneficia ambos os lados”, defendeu o porta-voz.

Segundo ele, a China também se opõe “firmemente” a medidas tomadas sob coerção para restringir a potência asiática ou minar seus direitos e interesses legítimos sob qualquer pretexto.

“Acreditamos que o país em questão manterá sua independência e lidará adequadamente com os assuntos relevantes”, acrescentou.

Fonte: CNN Brasil

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Comércio Exterior, Logística

Brasil e Panamá firmam memorando de cooperação em logística e comércio exterior

O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, participou nesta quinta-feira (28) da visita oficial do presidente da República do Panamá, José Raúl Mulino, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto, em Brasília.

Na ocasião, foi assinado um Memorando de Entendimento entre o Ministério de Portos e Aeroportos e a Autoridade do Canal do Panamá, marco inicial de uma parceria voltada a fortalecer a cooperação internacional em infraestrutura logística, transporte marítimo e comércio exterior. O Panamá é hoje o maior parceiro comercial do Brasil na América Central, com fluxo de US$ 934,1 milhões em 2024.

Durante a cerimônia, Lula afirmou que a presença do presidente panamenho em Brasília marca “o recomeço de uma nova relação entre Brasil e Panamá, após 17 anos sem visita oficial de um chefe de Estado do país”. Destacou ainda que “a aproximação deve gerar avanços no comércio, na ciência e na tecnologia e que a relação precisa ser uma via de duas mãos, em que todos ganham”.

O memorando terá duração de dois anos, podendo ser renovado. O documento prevê iniciativas conjuntas, como o intercâmbio de informações sobre portos e transporte marítimo, o desenvolvimento de novas rotas para as exportações brasileiras via Canal do Panamá e estudos sobre descarbonização e seus impactos econômicos. Também estão previstas ações de capacitação em gestão portuária e logística, troca de tecnologias para modernização do setor e iniciativas ambientais, incluindo redução de emissões e gestão de águas de lastro.

Para o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, a parceria amplia as condições para que o Brasil ganhe competitividade no comércio exterior e fortalece o setor de transportes. “Ao lado do Panamá, vamos desenvolver rotas mais eficientes e sustentáveis, ao mesmo tempo em que modernizamos os nossos portos. O memorando abre caminho para novas oportunidades de investimento e cooperação, que vão gerar resultados para a economia brasileira e para a integração regional”, afirmou.

O presidente do Panamá destacou que “não existe um país autossuficiente” e defendeu a integração regional e o fortalecimento do multilateralismo como resposta aos desafios atuais. Ele ressaltou ainda a importância do Canal do Panamá, “governado por um tratado multilateral de neutralidade”, como ativo estratégico para o comércio internacional, e afirmou que “é preciso unir esforços contra as mudanças climáticas, preservando as florestas tropicais e avançando em rotas mais sustentáveis”.

Setor portuário e agenda sustentável

O Brasil vem registrando recordes na movimentação portuária: em 2024 a movimentação foi de 1,3 bilhão de toneladas e, apenas no primeiro semestre de 2025, já foram 653 milhões de toneladas, o melhor resultado da história. No segmento de contêineres, foram 78,1 milhões de toneladas no semestre, alta de 6,17% em relação ao mesmo período do ano passado.

Esses resultados somam-se aos esforços do MPor para alinhar o setor de transportes às metas ambientais globais. Entre as iniciativas em curso estão o Diagnóstico de Sustentabilidade, o Pacto de Sustentabilidade, que prevê a entrega do Selo de Sustentabilidade na COP30, e o avanço do programa de Combustível Sustentável de Aviação (SAF), além da criação dos Corredores Marítimos Verdes em parceria com a França.

Fontes:
Assessoria Especial de Comunicação Social
Ministério de Portos e Aeroportos

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Comércio Exterior

Brasil e México vão ampliar acordo de comércio e investimentos

Missão brasileira aproximou os dois países e abriu caminho para novas parcerias, avalia vice-presidente Geraldo Alckmin

Nos próximos 12 meses, Brasil e México vão se debruçar sobre a proposta de ampliação dos acordos vigentes de comércio exterior e investimentos recíprocos. O documento dando o passo inicial desse trabalho foi assinado nesta quinta-feira (28/8) durante a reunião do vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, e a presidente do México, Claudia Sheinbaum.

Após o encontro, Alckmin apresentou o cronograma de trabalho para aumentar a complementariedade econômica entre os dois países, que será concluído em julho de 2026.

Para o ministro, a missão brasileira cumpriu seu objetivo de aproximar as duas maiores economias e democracias da América Latina, que alcançaram uma corrente de comércio de US$ 13,6 bilhões em 2024.

“Foi um trabalho bastante amplo e bastante proveitoso. Vou levar ao presidente Lula uma boa notícia de que o Brasil e o México estão mais próximos em benefício das nossas populações e como motor do desenvolvimento da América Latina”, avaliou.

Atualmente, o comércio entre Brasil e México é regulado por dois Acordos de Complementação Econômica (ACE): o ACE-55,que abrange produtos automotivos, e o ACE-53, que estabelece redução ou eliminação de tarifas de importação de aproximadamente 800 linhas tarifárias de produtos não automotivos.

“O que nós estamos trabalhando com o México é atualizar, ampliar os acordos de comércio exterior e investimento. Eles têm mais de 20 anos. No caso do ACE-53, ele cobre praticamente 12% do fluxo do comércio bilateral. Uma cobertura pequena. Foi feito um entendimento para discutir a ampliação”, explicou Alckmin.

“Nos últimos dois dias, foram realizadas reuniões altamente produtivas entre autoridades mexicanas e brasileiras e líderes empresariais para fortalecer a cooperação em desenvolvimento científico, econômico e ambiental; também compartilharam experiências na promoção da industrialização”, ressaltou a presidente do México, Claudia Sheinbaum.

Saúde, Agro, biocombustíveis e mais

Alckmin liderou a comitiva brasileira em encontros com empresas, parlamentares e representantes do governo mexicano. O resultado desses encontros foi a celebração de parcerias que vão fortalecer ainda mais a relação entre os dois países em setores estratégicos.

Na área da saúde, foram firmados dois acordos que vão permitir parcerias para pesquisa e desenvolvimento de vacinas com RNA mensageiro. Além disso, Brasil e México vão modernizar processos regulatórios e ampliar o acesso a tecnologias de saúde seguras e eficazes.

O memorando que trata de biocombustíveis será base para futuras ações de cooperação, com o objetivo de impulsionar um crescimento do setor no México, aproveitando a reconhecida experiência que o Brasil possui na produção de etanol a partir da cana-de-açúcar.

No agro, a cooperação terá como foco áreas como produção agrícola e pecuária, acompanhamento técnico de pequenos e médios produtores, soberania alimentar, sanidade animal e vegetal, promoção de pesquisa e inovação tecnológica. Além disso, os dois países também se comprometeram a adequar as legislações sobre a rastreabilidade da carne bovina, sem prejuízo às exportações brasileiras de carne para o México.

Com o objetivo de impulsionar o comércio e abrir novas oportunidades de negócios, a ApexBrasil e a Secretaria de Economia do México assinaram um memorando de entendimento para promover o intercâmbio de bens, serviços e investimentos entre os dois países.

Para o fortalecimento comercial, a cooperação cria uma sinergia entre duas importantes políticas de desenvolvimento: a Nova Indústria Brasil, que busca fortalecer a inovação, a sustentabilidade e a produtividade da indústria brasileira, e o Plano México, uma estratégia de desenvolvimento de longo prazo do país.

Comitiva

A comitiva brasileira é formada pela ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet; ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro; e a secretária-geral do Ministério das Relações Exteriores, Maria Laura. Também participam os presidentes da ApexBrasil, Jorge Viana; e da Conab, Edegar Pretto; o diretor-presidente substituto da Anvisa, Rômison Mota; e representantes do Ministério da Saúde, Fiocruz e Instituto Butantan; além de empresários e da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Fotos: Jessica Ramírez / Presidencia do México

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