Economia

Tarifas ainda podem reacender a inflação? Capital Economics analisa

O impacto na economia dos EUA das tarifas agressivas do presidente Donald Trump tem sido limitado até agora, mas deve aumentar gradualmente com o tempo, segundo analistas da Capital Economics.

Observadores há muito argumentam que as elevadas tarifas de Trump elevarão os preços e pesarão sobre o crescimento, embora dados desta semana sugiram que as pressões inflacionárias nos EUA permanecem moderadas.

Ainda assim, persistem preocupações de que o efeito total das tarifas ainda não tenha sido sentido. Em uma nota, os analistas da Capital Economics liderados por Simon MacAdam previram que as tarifas terão uma influência crescente – e ascendente – sobre o ritmo dos ganhos de preços nos “próximos meses”.

“Até agora, houve muito pouco repasse para os preços ao consumidor, mas isso não pode durar”, escreveram os analistas, referindo-se a um movimento potencial de algumas empresas para transferir despesas incorridas com as tarifas para os clientes.

Alguns economistas sugeriram que o ritmo relativamente tímido da inflação em julho se deveu em parte às empresas ainda reduzirem estoques que foram expandidos por uma onda de pedidos antes do anúncio da tarifa “recíproca” de Trump no início de abril. Outros argumentaram que as empresas também podem ter optado por absorver mais os custos das tarifas na tentativa de proteger a participação de mercado.

“Embora os varejistas dos EUA pareçam ter estado muito dispostos a absorver o impacto inicial das tarifas via margens mais baixas, isso não é sustentável”, disseram os analistas da Capital Economics. “Com muitos acordos comerciais firmados, há agora maior certeza sobre onde as tarifas vão parar, o que deve permitir que os varejistas finalmente aumentem seus preços.”

Eles estimaram que a taxa tarifária dos EUA agora está em 17% após a implementação dos impostos comerciais “recíprocos” elevados de Trump no início deste mês, acrescentando que o número poderia subir ainda mais caso a Casa Branca cumpra as ameaças de impor tarifas sobre importações de semicondutores e produtos farmacêuticos.

Essas tarifas, juntamente com uma repressão contínua da Casa Branca à imigração, são antecipadas pela Capital Economics para manter a inflação básica – um indicador subjacente que exclui itens voláteis como alimentos e combustíveis – acima de 3% “bem até 2026”.

Fonte: Investing

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Informação

Unia orienta empresas sobre as próximas etapas do NPI

A Secretaria da Receita Federal do Brasil atualizou recentemente o cronograma de implementação da Declaração Única de Importação (DUIMP), que integra o Novo Processo de Importação (NPI). As novas fases preveem a ampliação do uso da DUIMP por operadores certificados e o avanço na digitalização de etapas antes realizadas manualmente, como a atuação de órgãos anuentes e a análise documental.

A transição representa um marco importante para empresas que operam com comércio exterior, especialmente nos setores regulados como o farmacêutico e o médico-hospitalar. Segundo Alexandre Alencar, CFO e sócio-diretor da Unia, a adaptação ao novo modelo é indispensável para manter a fluidez das operações e evitar atrasos logísticos. 

“O NPI exige uma nova postura operacional e tecnológica. As empresas precisam revisar seus processos, integrar sistemas e alinhar a gestão aduaneira com as exigências da Receita Federal e da Anvisa. Na Unia, estamos sempre atentos às evoluções do setor, nos antecipando às mudanças, e neste momento já estamos plenamente preparados para cumprir todas essas exigências, apoiando nossos clientes com segurança, agilidade e conformidade”, afirma.

A Unia, focada em logística e assessoria aduaneira para o setor de saúde, tem orientado seus clientes na adequação às mudanças. Entre os pontos de atenção estão a obrigatoriedade do Catálogo de Produtos, a correta classificação fiscal e o uso da Licença de Importação integrada à DUIMP, que já está sendo exigida por diversos órgãos.

A empresa reforça a importância de preparar equipes e sistemas para as etapas que entram em vigor nos próximos meses, conforme divulgado oficialmente pela Receita Federal e amplamente repercutido por especialistas do setor.

TEXTO E IMAGEM: DIVULGAÇÃO

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Comércio Exterior

FecomercioSP: Medidas contra tarifas são positivas, mas foco deve ser negociação

A entidade aponta que o pacote dá fôlego aos setores mais atingidos pela elevação das tarifas de importação por Donald Trump

Em nota, a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado (FecomercioSP) reconheceu a necessidade das medidas contra o tarifaço anunciadas nesta quarta-feira, 13. A entidade aponta que o pacote dá fôlego aos setores mais atingidos pela elevação das tarifas de importação por Donald Trump, mas cobrou foco nas negociações, na diminuição das tensões.

“As medidas contra o tarifaço dão fôlego aos setores atingidos. O foco agora deve ser negociar, o foco agora deve ser a diminuição das tensões”, diz a nota.

Para a entidade, as medidas anunciadas hoje pelo Executivo para conter danos causados pelo tarifaço dos Estados Unidos ao Brasil eram necessárias diante da gravidade da situação.

“As políticas, que envolvem disponibilidade de crédito a empresas mais atingidas, adiamento de arrecadação de impostos, estímulos via compras governamentais e apoio jurídico nos tribunais norte-americanos terão efeitos significativos, sobretudo, para produtos industrializados que, com a taxação do mercado estadunidense, ficam provisoriamente sem direcionamento”, acrescenta a nota da FecomercioSP.

Essas mercadorias, de acordo com a entidade, não serão realocadas em outros mercados no curto prazo e, por isso, as empresas que as produzem estão sujeitas a impactos mais sérios, os quais, em alguns casos, prejudicam regiões inteiras do País. Portanto, sem um resgate imediato, a sobrevivência desses negócios estaria em risco.

No entanto, segundo a FecomercioSP, é preciso que o governo não aumente ainda mais a tensão diplomática com a Casa Branca. “O momento é de evitar declarações retaliatórias e evitar discussões públicas improdutivas. É mais relevante negociar com responsabilidade e moderação. Só assim as medidas – que a Federação entende não ter fundamento econômico – terão a chance de ser revertidas”, avalia a entidade.

Fonte: InfoMoney

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Exportação

Exportação de carne bovina bate recorde em mês anterior ao tarifaço

Em julho, Brasil embarcou 313 mil toneladas, alta de 17,2% em 12 meses

No mês anterior à entrada em vigor do tarifaço dos Estados Unidos, as exportações brasileiras de carne bovina bateram recorde. Em julho, foram embarcadas 313.682 toneladas, crescimento de 15,6% em relação a junho e de 17,2% na comparação com julho de 2024 (267.885 toneladas). Em termos de valores, as vendas de carne bovina renderam US$ 1,67 bilhão.

Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) e foram compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), que reúne 47 empresas responsáveis por 98% da carne bovina exportada pelo Brasil.

A China liderou com folga as compras no mês, com 160,6 mil toneladas (51,2% do total), que somaram US$ 881,9 milhões, alta de 18,1% sobre junho e de 16,7% frente a julho de 2024. Os Estados Unidos ficaram em segundo lugar, com 18,2 mil toneladas (US$ 119,9 milhões), seguidos por México (15,6 mil toneladas; US$ 88,3 milhões), Rússia (13,8 mil toneladas; US$ 61,5 milhões) e União Europeia (11,8 mil toneladas; US$ 99,4 milhões).

Segundo a Abiec, a carne bovina in natura concentrou 88,27% dos embarques, com 276,9 mil toneladas, avanço de 14,8% sobre junho e de 16,7% em relação a julho de 2024. A exportação de miúdos respondeu por 6,23% do total, e a venda de industrializados, 3,27%. Essas duas categorias registraram crescimentos expressivos em relação ao mês anterior.

Acumulado do ano

De janeiro a julho, o Brasil exportou 1,78 milhão de toneladas de carne bovina, gerando US$ 8,9 bilhões em receitas. Isso representa alta de 14,1% em volume e de 30,2% em valor na comparação com o mesmo período de 2024.

A China continua na liderança anual, com 801,8 mil toneladas (44,9% do total) e US$ 4,10 bilhões, seguida por Estados Unidos (199,7 mil toneladas; US$ 1,16 bilhão), Chile (69,3 mil toneladas; US$ 373,3 milhões), México (67,7 mil toneladas; US$ 364,6 milhões) e Rússia (60 mil toneladas; US$ 252,6 milhões).

Em relação ao crescimento no acumulado do ano, as maiores variações em volume foram registradas em mercados como México (+217,6%), União Europeia (+109,7%) e Canadá (+101,1%). Também registraram altas expressivas Angola (+49,3%), Geórgia (+10,8%) e Arábia Saudita (+26,9%).

Diversificação

Em 2025, segundo a Abiec, o Brasil vendeu carne bovina para aproximadamente 160 mercados, consolidando-se como o maior exportador mundial. Além dos destinos tradicionais, houve aumento relevante da presença em mercados estratégicos no Oriente Médio, Sudeste Asiático e Leste Europeu.

Na avaliação da Abiec, os resultados reforçam a competitividade da carne bovina brasileira e o trabalho integrado da cadeia produtiva para atender a diferentes perfis de consumo no mundo. Apesar de a carne ter sido incluída na tarifa de 50% do governo de Donald Trump, a entidade estima que o cenário continuará positivo no segundo semestre, com expectativa de manutenção da demanda e de novas oportunidades comerciais.

Fonte: Agência Brasil

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Comércio Exterior

Receita Federal realiza live sobre alterações recentes no catálogo de produtos e o futuro do comércio exterior

A live será transmitida no dia 14 de agosto, às 14h, pelo canal oficial da Receita Federal no YouTube.

A Receita Federal convida toda a comunidade aduaneira, servidores e cidadãos interessados para a live “Simplificação Radical: alterações recentes no catálogo de produtos e o futuro do comércio exterior”, que será transmitida no dia 14 de agosto, às 14h, pelo canal oficial da Receita Federal no YouTube. 

O evento contará com a participação do subsecretário de Administração Aduaneira, do coordenador-geral da Coordenação-Geral de Administração Aduaneira (Coana), do coordenador de Riscos Aduaneiros, de delegados das vinte maiores Alfândegas da Receita Federal e de demais representantes da comunidade aduaneira. 

Durante a transmissão, serão apresentadas e debatidas as recentes alterações no catálogo de produtos, bem como as perspectivas e diretrizes para o futuro do comércio exterior brasileiro. A iniciativa busca promover a integração, a transparência e a simplificação dos processos, fortalecendo a competitividade e a segurança nas operações internacionais.

📅 Data: 14/08/2025
⏰ Horário: 14h
▶️ Clique para assistir pelo Youtube

Participe e acompanhe as discussões que irão impactar o comércio exterior nos próximos anos.

Fonte: Receita Federal

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Comércio Exterior

Tarifaço de Trump ameaça desmontar 80% dos empregos no setor madeireiro na região norte de MT

Indústria busca alternativas políticas para a madeira não se tornar uma “moeda de troca”

O tarifaço imposto pelo presidente norte-americano, Donald Trump, sobre produtos brasileiros acendeu o alerta no setor de base florestal de Mato Grosso, que pode sofrer forte impacto nas exportações para os Estados Unidos. 

Mais de 26% da madeira nativa produzida no estado tem como destino o mercado americano, segundo o presidente do Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira do Estado (Cipem-MT), Ednei Blasius.

O estado trabalha com cerca de 50 espécies de madeira, das quais aproximadamente 15 são destinadas à exportação. Entre elas, destaca-se o piso de madeira maciça com acabamento voltado ao consumidor norte-americano, um produto de difícil colocação em outros mercados. 

“Sem ter para onde direcionar a produção, há risco de desemprego praticamente total nas linhas voltadas a esse mercado, que empregam de 60% a 70% de mão de obra feminina altamente especializada. Estamos falando de empregos que podem simplesmente deixar de existir e de toda uma cadeia produtiva que pode desmontar”, afirma Blasius.

Para ele, o risco nesse segmento chega a 100%, já que não há, no momento, alternativas definidas para realocação da mão de obra.

A declaração foi feita nesta quarta-feira (13), durante debate promovido pela Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt), que reuniu mais de 20 representantes do setor.

Silvio Rangel, presidente do Sistema Fiemt, propôs a criação de uma carta conjunta, a ser assinada pelos representantes da indústria e dos trabalhadores, com medidas concretas que possam amenizar os efeitos negativos do tarifaço. O documento será encaminhado aos governos estadual e federal como forma de buscar apoio institucional e políticas de mitigação. 

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Madeireira de Juína e Região (Stimajur), João Alves da Luz, reforça que a maior pressão recairá sobre as fábricas, diretamente dependentes das encomendas internacionais. 

Atualmente, cerca de 180 empresas atuam na região, sendo responsáveis por aproximadamente 80% dos empregos locais. “Cada trabalhador que está dentro de uma fábrica tem a sua família, e muitos dependem exclusivamente desse emprego”, pontua.

O temor é que uma queda nas exportações leve a cortes significativos no quadro de funcionários, com efeito dominó sobre a economia regional, sustentada pela base florestal. 

A expectativa agora recai sobre o pacote de medidas econômicas de R$ 30 bilhões anunciado pelo governo federal no Plano Brasil Soberano. Para os trabalhadores, é fundamental que o plano inclua subsídios e políticas específicas também para a mão de obra, e não apenas para a indústria.

“Nós vendemos nosso trabalho. Se a empresa reduz o número de funcionários, ficamos sem ter o que vender. A nossa preocupação é que a madeira acabe virando uma ‘moeda de troca’ em negociações, até porque é um setor sensível por questões ambientais”, alerta João.

Fonte: Mato Grosso Canal Rural

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Importação

Déficit do Brasil com EUA, nas importações, chegou a US$ 28 bi em 2024

“Brasil não deveria ser alvo dessas medidas”, diz Tatiana Prazeres

O Brasil tem uma relação deficitária com os Estados Unidos nas importações. Ou seja, importa mais do que exporta. E esse déficit chegou no ano passado a US$ 28 bilhões. A maior parte de serviços, o que justamente não é alvo do tarifaço imposto por Donald Trump. A informação é da secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Tatiana Prazeres, que falou na Câmara dos Deputados sobre o assunto.

E ela complementou: até por conta desse déficit, nós aqui no Brasil não somos um problema comercial para eles, os Estados Unidos. É uma questão de complementaridade, que gera emprego e investimentos para os dois lados.

Além disso, a alíquota média de importação do Brasil para produtos norte-americanos é de 2,73%. Isso porque alguns têm alíquota zero, como petróleo e derivados.

“O perfil tarifário do Brasil, para importações provenientes dos Estados Unidos, é um perfil baixo, o que soma ao argumento de que, ao final de contas, se o Brasil tem um déficit comercial com os Estados Unidos, não deveria ser alvo dessas medidas que vêm sendo adotadas pelos Estados Unidos, sobretudo porque esse parece ser um tema de preocupação relevante para o lado americano”.

Por isso, a secretária de Comércio Exterior do MDIC reforçou a importância de se desfazer a visão que muitos têm de que o Brasil é um país de imposto de importação elevado. Ela acrescentou que as negociações continuam no sentido de ampliar a lista de exceções à taxação, como café, carnes e frutas que não ficaram de fora da sobretaxa do governo norte-americano.

Fonte: Agência Brasil

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Evento, Logística

Encontro dos Amigos do Comex & Log promete encerrar a Logistique 2025 com música, chope e muito networking

No dia 14 de agosto, a partir das 19h, o estande da SC Portos será ponto de encontro para quem quer fechar a Logistique 2025 com chave de ouro. O Encontro dos Amigos do Comex & Log é um momento descontraído, com chope gelado, música ao vivo com DJ Padial e, claro, muito networking entre profissionais e empresas do setor de logística, comércio exterior e transporte.

A ação é uma parceria entre SC Portos, RêConecta News, Logistique, com apoio da Balbúrdia Cervejaria e ComexOperacionais. Realizada no último dia da feira, cria o clima perfeito para celebrar conexões e novas oportunidades de negócios formadas ao longo do evento.

Sobre a SC Portos

Expositora da Logistique 2025, a SC Portos é resultado da união entre duas grandes forças do setor: a SOIN, de São Francisco do Sul, e a SIMETRIA, de Imbituba. Criada em 2021, a empresa atua no fortalecimento das operações portuárias no Complexo Portuário de Itajaí, oferecendo soluções logísticas inovadoras, seguras e eficientes para cargas de diferentes tipos e tamanhos.

Com mais de 20 anos de expertise, infraestrutura estratégica e equipamentos de ponta, a SC Portos se destaca pelo atendimento personalizado, pela agilidade nas operações e pelo compromisso com a sustentabilidade. Em 2024, a empresa movimentou cerca de 50% de toda a carga geral (breakbulk) do Complexo Portuário de Itajaí, consolidando-se como referência no setor.

Sobre a Logistique 2025

Reconhecida como um dos maiores eventos nacionais do setor, a Logistique é um ponto de encontro estratégico para líderes e tomadores de decisão da logística, transporte multimodal, intralogística e comércio internacional. Mais do que uma feira, o evento é o principal hub de negócios, conhecimento e inovação do setor no Sul do Brasil.
Com experiências imersivas, tecnologias de ponta e soluções que geram valor para toda a cadeia, a Logistique é indispensável para quem quer estar à frente das transformações do mercado. Em sua 6ª edição, a LOGISTIQUE 2025 acontece de 12 a 14 de agosto de 2025, no Expocentro Balneário Camboriú. 

Serviço

ENCONTRO DOS AMIGOS DO COMEX&LOG
📅 Data: 14 de agosto de 2025
🕕 Horário: a partir das 19h
📍 Local: Estande da SC Portos – Logistique 2025

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Comércio Exterior, Negócios

Governo de SC anuncia pacote de R$ 435 milhões para apoiar empresas afetadas pela nova tarifa dos EUA

Governador Jorginho Mello definiu ações tributárias e financeiras para proteger empregos e manter a competitividade dos exportadores catarinensesFotos: Roberto Zacarias/Secom GOVSC

O governador Jorginho Mello anunciou nesta quarta-feira, 13, um pacote de R$ 435 milhões em medidas emergenciais para apoiar os setores da economia catarinense mais prejudicados pela nova tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos aos produtos importados do Brasil.

As ações do Governo de Santa Catarina têm como objetivo preservar empregos, garantir a competitividade das empresas e assegurar a manutenção das operações das indústrias mais atingidas pela nova política tarifária norte-americana. Cerca de 73 mil postos de trabalho devem ser protegidos pelas medidas. 

O pacote será dividido em três frentes de ação:

  • Liberação do crédito acumulado de exportação dividido em três meses 
  • Postergação do pagamento do ICMS por 60 dias durante três meses 
  • Financiamento emergencial por meio do BRDE

“É hora de manter os pés no chão e agir com firmeza para proteger quem está gerando emprego e renda em Santa Catarina. Vamos estar ao lado de quem mais precisa para continuar produzindo, investindo e fazendo a nossa economia girar”, afirmou o governador Jorginho Mello.

O anúncio das medidas ocorreu em Florianópolis, durante coletiva realizada na FIESC, que participou ativamente da construção das propostas nos últimos dias. O presidente Gilberto Seleme reconheceu que as medidas representam uma resposta fundamental do governo catarinense em favor do setor produtivo num momento grave.

Em contrapartida, as empresas atendidas deverão concentrar esforços na manutenção dos postos de trabalho, contribuindo para a estabilidade econômica de Santa Catarina. “É um apoio importante para que as empresas atravessem esse momento com mais segurança, preservando sua atividade e os empregos que geram em todo o Estado”, manifestou Seleme.

Também participaram da elaboração das medidas as secretarias do Planejamento (Seplan); Indústria, Comércio e Serviço (SICOS); Agricultura (SAR); Articulação Internacional e Projetos Estratégicos (SAI); além da InvestSC, do BRDE e do Badesc. 

Tarifa impacta 95% das exportações de SC aos EUA

Levantamento da Secretaria de Estado da Fazenda (SEF/SC) mostra que, em 2024, Santa Catarina exportou R$ 9,9 bilhões aos EUA. Cerca de 95% do volume total exportado (R$ 9,4 bilhões) está diretamente exposto à nova tarifa.

Os setores mais atingidos são os de madeiras e derivados, incluindo móveis de madeira (48,5% das exportações para os EUA), seguido por blocos de motor e compressores (17%), além de motores elétricos e transformadores (14,5%). O Norte do Estado é a região mais impactada (44% das exportações para os EUA), seguido do Vale do Itajaí (22%).

Classificação de risco

As ações emergenciais estão direcionadas às empresas catarinenses expostas à nova tarifa e que correm risco real de perda de competitividade no mercado internacional, enquadradas nos níveis de risco “gerenciável”, “relevante”, “alto” e “crítico”. 

Juntos, esses negócios respondem por cerca de R$ 8,5 bilhões em exportações anuais aos Estados Unidos e garantem mais de 73 mil empregos diretos — postos de trabalho que o pacote anunciado busca proteger diante do novo cenário internacional.

As três frentes de apoio do Governo do Estado somam cerca de R$ 435 milhões, entre medidas financeiras e tributárias.

“Estudamos diversos cenários para que o governador Jorginho Mello definisse as melhores alternativas para Santa Catarina. As medidas anunciadas seguem critérios técnicos, baseados em dados concretos, com foco em atender quem mais precisa e minimizar o impacto social e econômico para o Estado”, explicou o secretário Cleverson Siewert (Fazenda).

O Governo de Santa Catarina, observa o secretário, seguirá monitorando os desdobramentos da política tarifária norte-americana e poderá atualizar ou redefinir medidas, conforme a evolução do cenário.

Veja a distribuição das empresas afetadas:

Nível de ImpactoExportações afetadas em relação ao faturamento EmpresasEmpregosExposição média EUA (%)FaturamentoExportações para os EUA
Crítico75% ou mais40 (5%)4 mil (1,4%)86%R$ 2,2 biR$ 1,9 bi (20%)
Alto50% a 75%45 (5,5%)5 mil (1,8%)60%R$ 2 biR$ 1,2 bi (13%)
Relevante25% a 50%55 (6,5%)6 mil (2%)33%R$ 2,7 biR$ 0,9 bi (10%)
Gerenciável5% a 25%155 (18,5%)58 mil (20,5%)11%R$ 39 biR$ 4,4 bi (47%)
BaixoAté 5%534 (64,5%)208 mil (74%)0,5%R$ 204 biR$ 1 bi (10%)
Total0 a 100%829281 mil13%R$ 250 biR$ 9,4 bi

Fonte: Dados da Declaração Única de Exportação (DUE), CAGED e declarações fiscais

Entenda as medidas:

  • Liberação do crédito acumulado de exportação dividido em três meses
    R$ 62 milhões em créditos
    295 empresas se enquadram nos critérios (níveis crítico, alto, relevante e gerenciável)
    73 mil empregos preservados
    Início da medida: Setembro de 2025

Empresas exportadoras acumulam créditos de ICMS gerados nas operações de exportação. Essas empresas têm um fluxo estabelecido para a transferência de crédito. Com a medida, o Estado vai antecipar a liberação do saldo de crédito acumulado dividido em três meses, garantindo a entrada de recursos no caixa das empresas de forma imediata.

  • Postergação do pagamento do ICMS por 60 dias durante três meses
    R$ 72 milhões em ICMS postergado (R$ 36 mi/mês)
    295 empresas se enquadram nos critérios (níveis crítico, alto, relevante e gerenciável)
    73 mil empregos preservados
    Início da medida: Setembro de 2025

Empresas diretamente afetadas pela tarifa poderão adiar o pagamento do ICMS por dois meses, durante três meses consecutivos. Na prática, os vencimentos do imposto serão prorrogados, sem multa, por 60 dias. A medida melhora o fluxo de caixa das empresas no curto prazo, permitindo que reorganizem suas finanças sem comprometer as operações.

  • Financiamento emergencial
    R$ 265 milhões disponíveis em linhas de financiamento
    18 mil empregos preservados
    Início da medida: Imediato

251 empresas se enquadram nos critérios
Níveis crítico, alto, relevante = faturamento até R$ 300 milhões/ano
Nível gerenciável = faturamento até R$ 100 milhões/ano

Empréstimo em Dólar (US$)
Total: R$ 165 milhões
Taxa: Variação cambial + 3% a.a.*
Custo p/ Estado: R$ 18,3 milhões
*Estado irá subsidiar cerca de 6 pontos percentuais em relação à média praticada no mercado

Empréstimo em Reais (R$)
Total: R$ 100 milhões
Taxa: 9% a.a. fixo em R$*
Custo p/ Estado: R$ 17,6 milhões
*Estado irá subsidiar cerca de 10 pontos percentuais em relação à média praticada no mercado

Condições gerais
Carência: 12 meses (pagamento dos juros semestrais)
Amortização: 24 meses (pagamento principal + juros mensais)
Prazo p/ quitação: 36 meses
Custo total p/ Estado: R$ 36 milhões

O Governo de SC, em parceria com o BRDE, vai oferecer uma linha de financiamento emergencial, específica para cobrir, por quatro meses, os custos fixos das empresas (como energia, aluguel e folha de pagamento) na mesma proporção das receitas que vinham das exportações para os EUA. Será considerado o histórico de exportações para os EUA nos últimos 12 meses, não atrelado a exportações futuras. 

Por exemplo: um negócio com faturamento anual de R$ 100 milhões, com cerca de R$ 40 milhões em exportações comprometidas pela nova tarifa, terá a opção de buscar um financiamento na ordem de R$ 4 milhões — nesse cálculo, a SEF/SC considera que o custo fixo representa 30% do faturamento da empresa.

Serão atendidos pela medida os negócios com faturamento máximo de R$ 300 milhões/ano que tenham sofrido impacto “crítico”, “alto” ou “relevante” diante da nova tarifa. Também serão atendidos os estabelecimentos com faturamento máximo de R$ 100 milhões/ano enquadrados no nível “gerenciável” de impacto.

“A medida prioriza empresas de médio e menor porte, que têm menos alternativas no mercado internacional e maior vulnerabilidade diante da tarifa, enquanto as grandes corporações costumam ter maior diversificação de mercados e estrutura mais adaptada para redirecionar suas estratégias comerciais”, explica o secretário Cleverson Siewert.

Fonte: Assessoria de Comunicação da Secretaria de Estado da Fazenda

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Exportação

Exportações brasileiras aos EUA batem recorde

O saldo comercial passou a ser favorável para os Estados Unidos em US$ 2,3 bilhões

Entre janeiro e julho de 2025, as exportações do Brasil para os Estados Unidos somaram US$ 23,7 bilhões, valor 4,2% maior que no mesmo intervalo de 2024, de acordo com dados do Monitor do Comércio Brasil-EUA, da Amcham Brasil.

No mesmo período, as importações brasileiras de produtos americanos chegaram a US$ 26 bilhões, representando crescimento de 12,6%.

Com isso, o saldo comercial passou a ser favorável para os Estados Unidos em US$ 2,3 bilhões, aumento de mais de seis vezes em relação ao resultado do ano anterior.

“As exportações brasileiras para os EUA seguem resilientes e em trajetória de crescimento até julho. Nosso compromisso é seguir trabalhando de forma coordenada com os dois governos para preservar esse comércio, que impulsiona empregos e oportunidades em ambos os países, sobretudo diante dos desafios adicionais que o aumento das tarifas trará daqui para frente”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

No mês de julho, já sob a sobretaxa americana de 10% e com o anúncio de elevação para 50% a partir de agosto, as exportações do Brasil para os EUA alcançaram US$ 3,7 bilhões, 3,8% acima de julho de 2024.

O volume embarcado subiu 7,3%, o que pode indicar antecipação de vendas para evitar as novas tarifas. As importações brasileiras de produtos americanos avançaram 18,2% no mês, para US$ 4,3 bilhões, segundo maior valor registrado desde 2015.

Entre os dez principais itens exportados pelo Brasil em julho, seis apresentaram aumento nas vendas:

  • Aeronaves: +159,0%
  • Ferro-gusa: +62,5%
  • Cal e cimento: +46,3%
  • Petróleo: +39,9%
  • Suco de frutas: +32,2%

No acumulado do ano, os maiores avanços vieram de carne bovina (+118,1%), sucos de frutas (+61,7%), café (+34,6%) e aeronaves (+31,7%).

Exportações de celulose e óleos de petróleo recuam

Alguns produtos perderam espaço no mercado americano. Celulose recuou 14,8%, afetada pela concorrência canadense. Óleos de petróleo caíram 18%, equipamentos de engenharia 20,8% e semi-acabados de ferro ou aço 8% – com queda de 64% apenas em julho.

O açúcar sofreu retração de 49,6% no valor e 51,7% no volume, já sob a tarifa de 50% que entrou em vigor no início de agosto.

No cenário global, o déficit dos EUA na balança de bens cresceu 27,8% no primeiro semestre de 2025.

O Brasil, entretanto, figura entre os poucos países com os quais os americanos mantêm superávit, ocupando a quinta posição nesse ranking, com crescimento de 57,9% na comparação anual. Em junho, no entanto, houve redução de 8,3% no déficit global americano, possivelmente ligada à aplicação das tarifas de retaliação.

Fonte: Modais em Foco

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