Comércio Internacional

Exportações do Paraguai crescem 14,6% e superam US$ 6,2 bilhões no primeiro quadrimestre

As exportações do Paraguai registraram forte avanço nos quatro primeiros meses de 2026 e ultrapassaram a marca de US$ 6,2 bilhões. De acordo com dados do Banco Central do Paraguai, o país alcançou US$ 6,205 bilhões em vendas externas até abril, resultado 14,6% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior.

Mesmo com o aumento das importações, a balança comercial paraguaia permaneceu positiva, encerrando o período com superávit superior a US$ 84 milhões.

Produtos agrícolas lideram exportações paraguaias

As exportações registradas representaram 68,2% do total comercializado pelo país, somando US$ 4,23 bilhões — crescimento de 18,1% na comparação anual.

Entre os principais destaques aparecem os produtos primários, que movimentaram US$ 1,776 bilhão. Na sequência vieram as manufaturas industriais, responsáveis por US$ 1,428 bilhão em exportações.

A soja paraguaia segue como principal motor do comércio exterior do país. O grão gerou US$ 1,51 bilhão em receitas, avanço de 43,2% em relação ao primeiro quadrimestre de 2025. O trigo também apresentou desempenho positivo no período.

Reexportações mantêm crescimento

As reexportações responderam por 27% das vendas externas paraguaias e atingiram US$ 1,677 bilhão até abril. O resultado representa crescimento de 9,3% frente ao ano passado.

O segmento continua sendo um dos pilares do comércio exterior do Paraguai, especialmente nas operações de redistribuição de produtos para países vizinhos.

Exportações de carne apresentam resultados diferentes

No setor de proteínas, os números mostraram comportamentos distintos entre os segmentos.

As exportações de carne bovina recuaram 11,1% no acumulado do ano, somando US$ 577,2 milhões. Chile, Estados Unidos e Israel permaneceram como os principais compradores da proteína paraguaia.

Por outro lado, a carne suína teve forte expansão, com crescimento de 62,6% e faturamento de US$ 18,8 milhões. Taiwan apareceu como principal destino das exportações.

Já as vendas externas de carne de frango avançaram 11,4%, alcançando US$ 4,4 milhões. Iraque e Vietnã lideraram entre os mercados compradores, enquanto 16 países receberam produtos avícolas paraguaios em abril de 2026.

Manufaturas industriais impulsionam comércio exterior

Outro destaque do período foi o avanço das manufaturas de origem industrial, que alcançaram US$ 733,4 milhões em exportações, alta de 32,1% sobre o ano anterior.

O crescimento foi impulsionado principalmente pelo aumento das vendas de resíduos de cobre, fios elétricos, cabos condutores, inseticidas e herbicidas.

As exportações realizadas sob o Regime de Maquila também apresentaram desempenho positivo. O setor movimentou US$ 469,8 milhões, crescimento de 29,7%. Brasil, Argentina, Estados Unidos e Holanda figuraram entre os principais destinos desses produtos.

Em contrapartida, os segmentos de combustíveis e energia registraram retração, totalizando US$ 292,2 milhões.

Balança comercial segue positiva

As importações paraguaias somaram US$ 6,121 bilhões até abril, avanço de 12,2% em relação ao mesmo período de 2025.

Com isso, o saldo da balança comercial permaneceu no azul, registrando superávit de US$ 84,2 milhões no encerramento do primeiro quadrimestre.

FONTE: Agencia de Información Paraguaya
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Agencia de Información Paraguaya

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Comércio Internacional

China amplia exportações de veículos elétricos e supera carros a combustão pela primeira vez

A China alcançou um marco histórico no setor automotivo ao exportar, pela primeira vez, mais veículos elétricos e híbridos plug-in do que carros movidos a gasolina ou diesel. O avanço foi registrado em abril e reforça a estratégia das montadoras chinesas de ampliar presença internacional diante da desaceleração do mercado interno.

Dados divulgados pela Associação Chinesa de Carros de Passageiros (CPCA) mostram que o país exportou 769 mil automóveis no período. Desse total, os chamados veículos de nova energia — categoria que engloba elétricos e híbridos plug-in — responderam por 52,7% das exportações.

Exportações de carros elétricos mais que dobram

Segundo a entidade, as exportações de carros elétricos e híbridos plug-in ultrapassaram 406 mil unidades em abril, mais que o dobro do registrado no mesmo período do ano passado.

O crescimento das vendas externas ocorre em meio à pressão enfrentada pela indústria automotiva chinesa no mercado doméstico, que segue impactado pelo consumo enfraquecido e pela cautela dos consumidores.

Mercado interno segue em desaceleração

As vendas no varejo de veículos de passeio na China recuaram 21,5% em abril na comparação anual, totalizando 1,38 milhão de unidades. Em relação a março, a queda foi de 16%, de acordo com a CPCA.

Outro fator que contribuiu para a retração dos carros tradicionais foi o aumento dos preços do petróleo. Com combustíveis mais caros, consumidores passaram a demonstrar maior interesse por modelos elétricos e híbridos, considerados alternativas mais econômicas.

Salão de Pequim trouxe impulso moderado ao setor

O Salão do Automóvel de Pequim, realizado em abril, ajudou a melhorar parcialmente o sentimento do mercado, embora os resultados ainda tenham ficado abaixo dos níveis registrados no ano anterior.

Mesmo com o avanço das exportações, as vendas no varejo de veículos elétricos e híbridos no mercado chinês apresentaram queda de 6,8%, somando 849 mil unidades no mês.

Europa e América Latina ganham importância para montadoras chinesas

A expectativa do setor é que as exportações continuem sendo o principal motor de crescimento da indústria automotiva da China nos próximos meses.

Diante da demanda mais fraca no mercado interno e da redução do ritmo de compras em regiões do Oriente Médio, as principais montadoras devem intensificar sua expansão em mercados estratégicos, especialmente na Europa e na América Latina.

Analistas do setor apontam que o avanço internacional das fabricantes chinesas faz parte de uma estratégia de consolidação global da indústria de mobilidade elétrica.

FONTE: Infomoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Joa Souza

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Comércio Internacional

Acordo Mercosul-União Europeia já registra 14 licenças aprovadas pela Secex

A Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), autorizou 14 operações comerciais dentro do novo acordo entre Mercosul e União Europeia. O balanço divulgado nesta segunda-feira (11) reúne oito licenças de exportação de produtos brasileiros para o mercado europeu e seis permissões para importação de mercadorias europeias ao Brasil.

As operações contemplam o período entre 1º de maio de 2026 — data de entrada em vigor do tratado — e o último sábado (10).

Carnes e cachaça lideram exportações brasileiras

Entre os produtos brasileiros autorizados para exportação estão carne bovina fresca, carne bovina congelada, carne de aves desossada e cachaça, itens incluídos nas cotas tarifárias negociadas entre os blocos econômicos.

Segundo a Secex, alguns produtos já passam a contar com vantagens tarifárias imediatas. É o caso da carne de aves desossada e da cachaça, que agora entram na União Europeia com tarifa zero dentro dos limites definidos pelo acordo.

Acordo reduz tarifas para carne bovina

O novo tratado também alterou as condições de acesso da carne bovina brasileira ao mercado europeu. A chamada Cota Hilton, mecanismo já existente antes do acordo, aplicava tarifa de 20% sobre cortes nobres exportados pelo Brasil. Com a implementação do tratado, a cobrança foi zerada.

Além disso, foi criada uma nova cota de 99 mil toneladas compartilhada entre os países do Mercosul. Antes da vigência do acordo, embarques fora da Cota Hilton eram taxados em 12,8%, além de uma cobrança adicional de € 304,10 a cada 100 quilos. Agora, dentro da nova cota, a tarifa caiu para 7,5%.

Importações incluem chocolates, tomates e queijos

No fluxo de importação, as licenças emitidas pela Secex envolvem produtos europeus como chocolates, tomates e queijos.

Os queijos já tiveram redução tarifária imediata, passando de 28% para 25,2% dentro das condições negociadas. Já os produtos como tomate e chocolate terão cortes graduais nas tarifas a partir de 2027. Em 2026, considerado o “ano zero” do acordo, permanecem as alíquotas atuais.

Mais de 5 mil linhas tarifárias já operam com tarifa zero

De acordo com o MDIC, mais de 5 mil linhas tarifárias — o equivalente a 54,3% do universo tarifário — passaram a operar com tarifa zero para entrada de produtos do Mercosul na União Europeia desde o início da vigência do acordo.

No sentido inverso, o Mercosul zerou tarifas em 1.152 linhas tarifárias para mercadorias europeias, o que representa cerca de 11% do total.

Operações ainda estão em fase inicial

Os primeiros números divulgados pelo governo indicam o início da implementação prática das cotas e preferências tarifárias previstas no acordo comercial.

Apesar disso, ainda não foram detalhados os volumes financeiros nem a quantidade de mercadorias efetivamente licenciadas nas 14 operações autorizadas até agora. O impacto sobre o comércio entre os blocos dependerá da utilização das cotas nas próximas semanas e da adesão das empresas aos novos mecanismos comerciais.

FONTE: Estadão Conteúdo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Canal Rural Mato Grosso

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Comércio Internacional

Acordo de Facilitação do Comércio no Mercosul é promulgado pelo Brasil

O Acordo sobre Facilitação do Comércio do Mercosul, iniciativa voltada à modernização e simplificação das operações comerciais entre os países do bloco econômico, foi promulgado pelo Governo Federal. A medida, publicada no Diário Oficial da União, na última sexta-feira (08), foi assinada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, no exercício da Presidência da República.

Acordo busca agilizar operações no Mercosul

O acordo havia sido firmado em dezembro de 2019 entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, e recebeu aprovação do Congresso Nacional em setembro de 2023.

A proposta estabelece diretrizes comuns para tornar o comércio intrabloco mais eficiente, seguindo parâmetros internacionais definidos pela Organização Mundial do Comércio e pela Organização Mundial de Aduanas.

Entre os principais objetivos estão:

  • ampliação do uso de documentos eletrônicos;
  • adoção de processos aduaneiros mais rápidos;
  • implementação de sistemas baseados em gestão de riscos;
  • aumento da transparência regulatória;
  • fortalecimento da cooperação entre autoridades de fronteira.

Comércio exterior deve ganhar mais eficiência

O texto também prevê ações para acelerar o despacho de mercadorias, incluindo produtos perecíveis, além da expansão do intercâmbio digital de certificados sanitários e de origem.

Outro ponto importante é a consolidação do Guichê Único de Comércio Exterior, ferramenta que busca integrar procedimentos e reduzir a burocracia nas operações internacionais.

Com a regulamentação, o governo espera reduzir custos logísticos, diminuir prazos de liberação de cargas e ampliar a segurança jurídica para empresas que atuam no comércio exterior.

Micro e pequenas empresas estão entre as beneficiadas

O acordo também prevê impactos positivos para micro, pequenas e médias empresas, que poderão contar com regras mais previsíveis e processos menos complexos para exportação e importação dentro do Mercosul.

Segundo o decreto, eventuais mudanças futuras no acordo ou novos compromissos financeiros assumidos pelo Brasil continuarão dependendo de aprovação do Congresso Nacional.

Fonte: Agência Brasil.

Texto: Redação

Imagem: Agência Brasil / Júlio César Silva / MDIC

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Comércio Internacional

Navio iraniano sancionado pelos EUA reacende alerta sobre crise dos fertilizantes no Brasil

A chegada do navio iraniano Delruba ao litoral catarinense voltou ao centro das discussões sobre a dependência brasileira de fertilizantes importados. A embarcação, alvo de sanções dos Estados Unidos desde 2018, atracou em outubro de 2025 no Terminal Portuário de Santa Catarina (TESC), em São Francisco do Sul, transportando 60 mil toneladas de ureia avaliadas em US$ 24,4 milhões.

O tema ganhou força novamente após a forte alta no preço da ureia, principal fertilizante nitrogenado utilizado pelo agronegócio brasileiro. Em maio de 2026, o produto atingiu US$ 710 por tonelada nos portos nacionais, avanço de 50% em apenas 30 dias, conforme levantamento do Itaú BBA Agribusiness.

Dependência externa expõe fragilidade do agronegócio

O episódio envolvendo o Delruba evidenciou uma vulnerabilidade histórica do país: o Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome. Atualmente, o mercado brasileiro depende fortemente de fornecedores como Rússia, China e Irã.

A escalada nos preços afeta diretamente culturas estratégicas como soja, milho e café. Entre os fatores que pressionam o mercado estão as restrições de exportação impostas por russos e chineses, além dos impactos logísticos causados pelo bloqueio temporário do Estreito de Ormuz, rota considerada vital para o transporte global de petróleo e fertilizantes.

Navio descarregou ureia produzida por estatal iraniana

O Delruba atracou no porto de São Francisco do Sul em 4 de outubro de 2025 e finalizou o desembarque quatro dias depois. A carga de ureia granulada foi produzida pela Pardis Petrochemical, estatal iraniana ligada ao Ministério do Petróleo do Irã e também incluída na lista de sanções do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), órgão do governo norte-americano.

A importação foi realizada pela empresa brasileira Link Comercial, com intermediação da Eastoil Petroleum Products LLC, dos Emirados Árabes Unidos. Segundo informações divulgadas à época, a operação recebeu autorização de órgãos federais, incluindo Marinha do Brasil, Anvisa e Polícia Federal.

Sanções secundárias elevam preocupação no setor financeiro

Além do aspecto comercial, o caso levanta preocupações jurídicas e diplomáticas. Em maio de 2026, a OFAC reforçou o alerta sobre possíveis sanções secundárias contra empresas, bancos ou governos que mantenham relações comerciais com entidades iranianas sancionadas.

Na prática, instituições financeiras envolvidas em operações desse tipo podem enfrentar restrições no sistema financeiro internacional baseado em dólar. O risco aumenta a pressão sobre importadores brasileiros, que dependem da compra de fertilizantes estrangeiros para manter a produtividade agrícola.

Crise global impulsiona alta dos fertilizantes

Especialistas apontam três fatores principais para a disparada recente da ureia no mercado internacional.

O primeiro é a tensão geopolítica no Oriente Médio, especialmente após o bloqueio do Estreito de Ormuz entre fevereiro e maio de 2026, que interrompeu o fluxo de cargas iranianas.

O segundo fator envolve as limitações impostas por Rússia e China. Moscou suspendeu temporariamente as exportações de nitrato de amônio para priorizar o mercado interno, enquanto os chineses restringiram as vendas de fertilizantes fosfatados.

Já o terceiro impacto veio do aumento nos custos logísticos. Os conflitos no Mar Vermelho obrigaram navios a realizarem desvios de rota, ampliando o tempo de transporte e encarecendo o frete marítimo.

Produção nacional ainda enfrenta entraves

Apesar do avanço da crise, o Brasil ainda encontra dificuldades para ampliar a fabricação doméstica de fertilizantes nitrogenados. O principal obstáculo é o custo elevado do gás natural, matéria-prima essencial para a produção de ureia.

Segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), o gás utilizado pelas fábricas brasileiras pode custar até US$ 14 por milhão de BTU, valor muito superior ao registrado em países como Estados Unidos e Rússia.

Na tentativa de reduzir a dependência externa, a Petrobras retomou operações em unidades de fertilizantes na Bahia e em Sergipe, além de reativar projetos industriais em Mato Grosso do Sul. A expectativa é ampliar gradualmente a participação da produção nacional no abastecimento interno.

Safra 2026/27 pode sofrer pressão nos custos

A preocupação agora se concentra na próxima safra agrícola. Caso a ureia permaneça acima dos US$ 700 por tonelada, produtores rurais devem enfrentar aumento significativo nos custos de produção.

Embora o Estreito de Ormuz tenha sido reaberto em maio, analistas avaliam que os problemas estruturais do mercado global de fertilizantes continuam sem solução definitiva. O caso Delruba, nesse contexto, tornou-se símbolo da dependência brasileira de insumos externos e dos riscos geopolíticos que cercam o setor.

FONTE: Click Petróleo e Gás
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CPG

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Comércio Internacional

Pagamentos em yuan disparam e ganham força no comércio de Rússia e Irã

O uso do yuan no comércio internacional registrou forte crescimento recente, impulsionado principalmente por países como Irã e Rússia, que passaram a adotar a moeda chinesa como alternativa ao dólar em transações globais.

Avanço acelerado nas transações internacionais

Dados do Sistema de Pagamentos Interbancários Transfronteiriços (CIPS) mostram que as liquidações em yuan cresceram 50% em março na comparação com o mês anterior, alcançando 1,46 trilhão de yuans (cerca de US$ 214 bilhões).

O volume representa o triplo do registrado em março de 2021, consolidando uma tendência de expansão contínua do uso da moeda chinesa. Em abril, o sistema voltou a bater recordes, incluindo o maior volume diário de transações já registrado.

Sanções impulsionam uso do yuan

O aumento da adoção do yuan está diretamente ligado a restrições impostas por sanções internacionais. No caso do Irã, o país passou a depender ainda mais da moeda chinesa após ser praticamente excluído do sistema financeiro global baseado no dólar.

Após tensões militares envolvendo Estados Unidos e Israel, Teerã adotou medidas como a cobrança de pedágios no Estreito de Ormuz, aceitando pagamentos em criptomoedas e yuan. Países considerados aliados, como China, Rússia e Índia, mantiveram acesso à rota estratégica.

Rússia amplia comércio fora do sistema ocidental

A Rússia também intensificou o uso do yuan após ser excluída do sistema Swift em 2022, medida adotada em resposta à guerra na Ucrânia. Sem acesso às principais moedas globais, o país passou a realizar transações com a China utilizando rublos e yuan.

Atualmente, a maior parte do comércio bilateral entre os dois países já ocorre nessas moedas, especialmente nas exportações de petróleo e gás natural.

Outros países aderem à moeda chinesa

Além de Irã e Rússia, outros atores relevantes têm ampliado o uso do yuan. A Arábia Saudita, por exemplo, registrou que 41% das transações de petróleo foram liquidadas na moeda chinesa em março. Paralelamente, bancos estatais sauditas passaram a integrar o CIPS.

Criado em 2015, o sistema já reúne mais de 1.700 instituições financeiras ao redor do mundo, com forte presença na Ásia, fortalecendo a internacionalização do yuan.

Yuan digital e estratégia de expansão global

A China também aposta no desenvolvimento do yuan digital como ferramenta para ampliar sua presença no sistema financeiro internacional. Desde 2024, o país conduz testes de pagamentos transfronteiriços com nações como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.

Esses mecanismos permitem que empresas realizem transações diretamente em yuan, reduzindo a dependência do dólar em operações comerciais e financeiras.

Participação global ainda é limitada

Apesar do avanço, o yuan ainda ocupa uma fatia relativamente pequena no cenário global. Em março, a moeda respondeu por cerca de 3% das liquidações internacionais, bem abaixo dos 51% do dólar.

Ainda assim, especialistas apontam que a tendência é de crescimento gradual, impulsionada por fatores geopolíticos e pela estratégia chinesa de ampliar o uso da moeda em comércio e investimentos internacionais.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Paul Yeung/Bloomberg

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Comércio Internacional

Acordo Mercosul-UE em vigor: veja impactos para o Brasil, preços e economia

O acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia passou a valer de forma provisória na última sexta-feira (1º), após mais de duas décadas de negociações. A medida cria uma das maiores áreas de livre comércio do planeta e já começa a gerar efeitos na economia brasileira, com reflexos esperados em preços, exportações e investimentos. Com a entrada em vigor, o Brasil passa a ter acesso ampliado a um mercado de mais de 700 milhões de consumidores, em economias que somam cerca de US$ 22 trilhões em Produto Interno Bruto (PIB).

Nesta fase inicial, mais de 80% dos produtos brasileiros exportados para a União Europeia passam a contar com tarifa de importação zerada, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI). A implementação completa, no entanto, será gradual e pode levar até 15 anos, dependendo do setor.

Preços podem cair para o consumidor

Entre os efeitos mais imediatos, está a possibilidade de redução no preço de produtos importados. Itens como vinhos, azeites, queijos e outros lácteos devem ficar mais acessíveis ao consumidor brasileiro. Além disso, o acordo pode facilitar a entrada de novas marcas no país, especialmente no segmento de produtos premium, como chocolates europeus. Outros setores também podem sentir impacto nos preços, incluindo veículos, medicamentos e insumos para o agronegócio, como máquinas e produtos veterinários.

No sentido inverso, o acordo favorece a presença de produtos brasileiros no mercado europeu. Itens do agronegócio, calçados, café solúvel, óleos vegetais e frutas frescas tendem a chegar à Europa com menos barreiras tarifárias. Produtos como carne bovina, aves e açúcar também entram no acordo, mas sujeitos a cotas e tarifas reduzidas.

Salvaguardas protegem agricultores europeus

A implementação do acordo foi destravada após a adoção de salvaguardas comerciais aprovadas pelo Parlamento Europeu no fim de 2025. Esses mecanismos permitem à União Europeia suspender temporariamente benefícios tarifários em caso de impacto significativo sobre produtores locais.

A medida foi defendida principalmente pela França, preocupada com a concorrência de produtos agrícolas do Mercosul.

Apesar das expectativas de queda nos preços, especialistas alertam que os efeitos não serão imediatos. Fatores como a taxa de câmbio e custos logísticos também influenciam os valores finais ao consumidor. Segundo analistas, o impacto mais relevante deve ocorrer de forma indireta, com a redução dos custos de produção no Brasil, impulsionada pela importação de máquinas e insumos mais baratos.

Crescimento econômico e investimentos

Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indica que o acordo pode gerar aumento acumulado de 0,46% no PIB brasileiro até 2040, o equivalente a cerca de US$ 9,3 bilhões por ano.

Os investimentos também devem crescer, com projeção de alta de 1,49% no período. No comércio exterior, as importações tendem a crescer nos primeiros anos, podendo atingir um pico de US$ 12,8 bilhões em 2034. Já as exportações devem apresentar avanço contínuo, com ganho acumulado estimado em US$ 11,6 bilhões até 2040.

Regras ambientais e incertezas no curto prazo

Por ter caráter provisório, o acordo ainda pode passar por ajustes ao longo do tempo. Além disso, a manutenção dos benefícios está condicionada ao cumprimento de compromissos ambientais — uma exigência central da União Europeia. Esse cenário adiciona um nível de incerteza para empresas e investidores, especialmente no curto prazo.

Perspectiva global e ganhos para os blocos

A expectativa é que o acordo fortaleça as relações comerciais entre Europa e América do Sul, ampliando a competitividade das duas regiões em um cenário global marcado pela influência de grandes potências econômicas.

Projeções da Comissão Europeia indicam que as exportações do bloco europeu para o Mercosul podem crescer cerca de 50 bilhões de euros até 2040, enquanto os países sul-americanos podem ampliar suas vendas externas em até 9 bilhões de euros.

Fonte: BBC News Brasil e Ipea

Texto: Redação
Imagem: Arquivo ReConecta News

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Comércio Internacional

Acordo Mercosul-UE entra em vigor provisoriamente e inicia nova fase do comércio internacional

O acordo Mercosul-UE passa a valer de forma provisória a partir desta sexta-feira (1º), marcando um avanço nas relações comerciais entre os dois blocos.

A formalização no Brasil foi concluída com a assinatura do decreto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, encerrando a etapa de incorporação ao ordenamento jurídico nacional. Com isso, as regras começam a ser aplicadas gradualmente entre os países envolvidos.

Expectativas e divergências entre países europeus

Apesar de ser considerado estratégico, o tratado de livre comércio ainda gera divergências dentro da União Europeia. Países como Alemanha e Espanha defendem que o acordo pode fortalecer exportações e reduzir impactos de medidas protecionistas dos Estados Unidos.

Por outro lado, nações como França demonstram preocupação com o aumento das importações de produtos agrícolas, como carne bovina e açúcar, que poderiam afetar produtores locais. Já organizações ambientais alertam para possíveis impactos sobre florestas tropicais.

Impacto econômico deve ser limitado no curto prazo

Especialistas apontam que os ganhos econômicos tendem a ser moderados. Mesmo com novos acordos comerciais, a União Europeia pode não compensar totalmente as perdas causadas por tarifas impostas pelos Estados Unidos.

A previsão é de que o tratado com o Mercosul eleve o PIB europeu em cerca de 0,05% até 2040, indicando efeitos positivos, porém graduais e de longo prazo.

Aprovação definitiva ainda depende do Parlamento Europeu

Embora já esteja em aplicação provisória, o acordo ainda precisa passar pelo Parlamento Europeu. Em janeiro, parlamentares decidiram questionar o tratado judicialmente, o que pode prolongar a decisão final por até dois anos.

Mesmo assim, a Comissão Europeia optou por iniciar sua implementação, apostando que os benefícios práticos fortaleçam o apoio político ao longo do tempo.

Pressão global acelera novos acordos comerciais

O cenário internacional tem impulsionado a União Europeia a buscar novos parceiros. Além do Mercosul, negociações com Índia, Indonésia, Austrália e México avançaram nos últimos meses.

Esses movimentos ocorrem em meio a tensões comerciais globais, incluindo tarifas internacionais e restrições à exportação de minerais estratégicos, que têm pressionado o comércio mundial.

Concorrência chinesa desafia empresas europeias

Outro fator relevante é o avanço da China em mercados internacionais. Empresas europeias enfrentam crescente concorrência, especialmente em setores como máquinas e veículos — áreas em que o bloco busca expandir suas exportações.

Embora a redução de tarifas prevista no acordo possa melhorar a competitividade europeia, especialistas avaliam que o desafio vai além do comércio, envolvendo investimentos e a transição energética global.

Necessidade de ajustes internos na União Europeia

Analistas destacam que acordos comerciais, por si só, não devem resolver a perda de espaço no mercado internacional. Reformas internas e maior eficiência do mercado único europeu são apontadas como essenciais para fortalecer a economia do bloco.

Atualmente, cerca de 60% das exportações da União Europeia ocorrem entre os próprios países membros, o que reforça a importância de melhorias estruturais.

FONTE: G1
TEXTO: Redação
IMAGEM: AFP

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Comércio Internacional

Brasil assume vice-presidência da OMA e reforça liderança aduaneira nas Américas

O Brasil foi escolhido para ocupar a vice-presidência regional da Organização Mundial das Aduanas (OMA) nas Américas e no Caribe. A decisão ocorreu durante a XXVIII Conferência Regional de Diretores-Gerais de Aduanas, realizada nos dias 20 e 21 de abril, no Peru. O evento reuniu representantes de 16 países, além de especialistas de organismos internacionais como FMI, BID e OEA.

A presença do secretário-geral da OMA, Ian Saunders, destacou a relevância estratégica da região na facilitação do comércio internacional e na proteção da sociedade, temas centrais das discussões.

Mandato amplia cooperação e inovação aduaneira

Com mandato previsto entre julho de 2026 e junho de 2028, o Brasil passa a ocupar posição-chave na definição de prioridades regionais. A atuação brasileira deverá focar no fortalecimento da cooperação aduaneira, no estímulo à inovação tecnológica e no intercâmbio de boas práticas entre países.

Alinhado ao Plano Estratégico da OMA, o país terá a missão de promover iniciativas conjuntas e ampliar a integração entre as 34 administrações aduaneiras da região.

Brasil sediará escritório regional de capacitação

Outro avanço importante foi a formalização do Brasil como sede do Escritório Regional de Construção de Capacidades para as Américas e o Caribe. A iniciativa foi oficializada por meio de um memorando de entendimento firmado entre a Receita Federal e a OMA.

O acordo reconhece o papel do país na promoção de capacitação técnica, disseminação de conhecimento e fortalecimento institucional das aduanas regionais.

Delegação brasileira apresenta avanços

A comitiva brasileira contou com representantes da Receita Federal, que apresentaram iniciativas voltadas à modernização e eficiência da gestão aduaneira. Entre os destaques, está o Programa Remessa Conforme, além da reestruturação do Programa OEA Brasileiro.

O novo modelo do OEA prevê três níveis de conformidade, sendo o mais elevado condicionado ao cumprimento rigoroso de requisitos, incluindo certificações específicas e alto grau de confiabilidade fiscal. A proposta reforça a integração entre as áreas tributária e aduaneira.

Fórum debate desafios do comércio exterior

A programação foi encerrada em 22 de abril com o VI Fórum Conjunto Aduanas–Setor Privado, que abordou os principais desafios do comércio exterior contemporâneo.

Entre os temas debatidos estiveram:

  • Segurança da cadeia logística com base no Marco SAFE
  • Parcerias público-privadas
  • Uso de inteligência artificial e tecnologias disruptivas
  • Rastreabilidade de cargas e controle não intrusivo
  • Crescimento do comércio eletrônico internacional

Perspectivas para a região

O novo papel do Brasil na OMA reforça sua posição estratégica na articulação regional e amplia sua influência na agenda global de segurança aduaneira, facilitação de comércio e transformação digital.

FONTE: Ministério da Fazenda
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Canal Rural Mato Grosso

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Comércio Internacional

Indústria na Argentina recua e importações crescem sob governo Milei, aponta relatório

O encerramento da unidade da Whirlpool em Pilar, na província de Buenos Aires, deixou de ser um caso isolado e passou a refletir uma transformação mais ampla na economia argentina. Levantamento do Instituto de Pensamento e Políticas Públicas indica que empresas vêm substituindo a produção local pela importação de produtos prontos.

A tendência atinge setores relevantes como eletrodomésticos, automóveis, calçados e móveis, impactando diretamente a indústria argentina e o mercado de trabalho.

Abertura comercial e câmbio influenciam cenário

Segundo o relatório, fatores como a abertura comercial, a valorização cambial e a queda do consumo interno tornaram mais vantajoso importar do que manter operações industriais no país. Esse movimento ocorre em um contexto de retração econômica e aumento da insatisfação social.

O presidente Javier Milei reconheceu recentemente as dificuldades enfrentadas pela população, admitindo que o período recente tem sido desafiador.

Caso Whirlpool ilustra avanço das importações

O estudo aponta a Whirlpool como exemplo emblemático dessa mudança. A empresa encerrou sua fábrica em 2025, demitindo cerca de 300 trabalhadores, mas manteve presença no mercado por meio da importação.

As compras externas de máquinas de lavar cresceram significativamente, enquanto a aquisição de insumos para produção local praticamente desapareceu em 2026. Parte da produção foi transferida para o Brasil, reforçando a substituição da manufatura interna por produtos importados.

Importações disparam e produção industrial cai

Dados do Instituto Nacional de Estatística e Censos mostram queda de 8,7% na produção industrial em fevereiro de 2026, na comparação anual. No acumulado do ano, a retração chega a 6%.

Ao mesmo tempo, as importações de bens de consumo cresceram 44% desde 2023, enquanto a entrada de veículos aumentou mais de 200%. A redução da atividade industrial é ampla, atingindo a maioria dos segmentos.

Setores de calçados e móveis também são afetados

A substituição da produção nacional por importações também se intensificou em outros setores. Empresas ampliaram compras externas de móveis e artigos domésticos, enquanto marcas esportivas aumentaram significativamente a importação de calçados.

No setor calçadista, o crescimento das importações foi acompanhado pelo fechamento de unidades produtivas e perda de empregos, evidenciando o impacto direto na economia industrial.

Margens elevadas e debate sobre lucratividade

O relatório aponta ainda que empresas estariam operando com margens elevadas na venda de produtos importados. Em alguns casos, itens adquiridos por valores baixos no exterior chegam ao consumidor com preços significativamente maiores.

Representantes do setor, no entanto, argumentam que custos adicionais — como logística, impostos e distribuição — reduzem a margem efetiva de lucro.

Desindustrialização aumenta pressão sobre o governo

O avanço das importações e a retração da produção local ampliam o debate sobre desindustrialização na Argentina. O relatório destaca perda acelerada da capacidade produtiva e redução do emprego industrial.

Esse cenário ocorre em paralelo ao aumento da pressão política sobre o governo, diante de uma economia mais dependente de importações e com menor dinamismo interno.

FONTE: Revista Forum
TEXTO: Redação
IMAGEM: Mídia Ninja

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