Exportação

Brasil pode se tornar o maior exportador mundial de alimentos até 2027

O Brasil abriu 700 novos mercados internacionais para produtos agropecuários desde o início de 2023, ampliando sua presença comercial em mais de 100 países. A expansão fortalece a posição do país no comércio global e aumenta as perspectivas de liderança nas exportações mundiais do agronegócio.

O balanço foi divulgado na terça-feira pelo Ministério da Agricultura, durante evento que reuniu representantes do governo federal. Na ocasião, o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o Brasil poderá ultrapassar os Estados Unidos e assumir a liderança mundial nas exportações de alimentos ainda em 2026.

Exportações do agronegócio brasileiro se aproximam das americanas

O Brasil está próximo de superar os Estados Unidos como principal exportador mundial de produtos agrícolas. Em 2025, os americanos exportaram US$ 171 bilhões em produtos do setor, enquanto as vendas brasileiras alcançaram US$ 169 bilhões.

Para 2026, as projeções indicam uma possível mudança no ranking internacional. A estimativa do governo americano aponta exportações de US$ 177,5 bilhões, enquanto o Brasil poderá chegar a US$ 180 bilhões caso mantenha o ritmo de crescimento registrado até agora.

De janeiro a setembro deste ano, as exportações do agronegócio brasileiro já ultrapassaram US$ 133,5 bilhões.

O ministro da Agricultura, André de Paula, também anunciou que os Emirados Árabes Unidos serão o mais novo destino de produtos brasileiros. O país começará a importar pescado do Brasil, incluindo espécies provenientes da pesca extrativa e da aquicultura.

Novos mercados já geraram mais de US$ 4 bilhões

A abertura de mercados internacionais começa a produzir resultados concretos para os exportadores brasileiros. Segundo Rafael Requião, secretário interino de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, os novos acessos comerciais já geraram mais de US$ 4 bilhões em negócios.

A expectativa é que esse valor aumente nos próximos anos, à medida que as autorizações sanitárias se convertam em novos contratos e embarques.

Requião explicou que a abertura de cada mercado significa que as autoridades sanitárias do país importador aprovaram a entrada de determinado produto brasileiro. Esse processo, segundo ele, demonstra confiança no sistema nacional de defesa agropecuária.

O secretário também destacou a importância da diversificação comercial em um cenário internacional marcado por tensões geopolíticas, tarifas elevadas e incertezas nas relações comerciais.

Açaí e erva-mate ampliam a diversidade das exportações

A expansão dos mercados não se limita às commodities tradicionais, como soja, milho e carnes. Produtos como açaí e erva-mate também conquistaram novos destinos internacionais, contribuindo para diversificar a pauta exportadora brasileira.

De acordo com Requião, um em cada cinco novos mercados abertos no período envolve produtos considerados não tradicionais.

A estratégia busca ampliar as oportunidades para diferentes segmentos da produção agropecuária, permitindo que mais empresas e cadeias produtivas brasileiras alcancem consumidores estrangeiros.

Outro fator relevante é a atuação dos adidos agrícolas brasileiros no exterior. Países que contam com esses representantes concentram dois terços das aberturas de mercado registradas desde 2023. Atualmente, o Brasil possui 40 adidos agrícolas.

Segundo o secretário, o resultado reflete uma mudança na estratégia de comércio exterior, com atuação mais ativa do governo na busca por oportunidades, em vez de depender apenas de solicitações feitas por outros países.

Brasil pode ampliar exportações em US$ 80 bilhões

O potencial de crescimento das vendas externas também foi destacado por Floriano Pesaro, diretor de Gestão Corporativa da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).

Segundo ele, o Brasil tem condições de acrescentar US$ 80 bilhões ao seu potencial exportador ao longo dos próximos quatro anos.

A estimativa reforça as perspectivas de ampliação da presença brasileira no mercado internacional, especialmente em segmentos ligados à produção de alimentos e ao fornecimento de matérias-primas agrícolas.

Abertura de mercados supera resultado de governos anteriores

O Ministério da Agricultura comparou o número de novos mercados conquistados na atual gestão com o resultado do governo de Jair Bolsonaro, período em que foram abertos 241 mercados para produtos agropecuários brasileiros.

O ministro André de Paula afirmou que o total registrado desde o início de 2023 representa quase três vezes o resultado da administração anterior. Segundo ele, o governo também deverá superar a meta estabelecida inicialmente.

Na avaliação do ministro, o avanço do acesso comercial contribui para ampliar as oportunidades de negócios e fortalecer a competitividade do agronegócio brasileiro no exterior.

Agronegócio registra crescimento econômico

Durante o evento, André de Paula também apresentou números sobre o desempenho econômico do setor. Segundo os dados citados pelo ministro, o Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio cresceu 26% entre 2023 e 2025, com possibilidade de alcançar 29% quando forem incorporados os resultados de 2026.

Para efeito de comparação, o ministro afirmou que o crescimento do setor entre 2019 e 2022, durante o governo Bolsonaro, foi de 3,5%.

O chanceler Mauro Vieira também destacou a conquista dos 700 novos mercados, avaliando que o resultado demonstra a capacidade brasileira de manter o diálogo internacional e construir relações comerciais com diferentes países.

A ampliação dos destinos de exportação, a diversificação dos produtos e o crescimento das vendas externas reforçam a posição do Brasil como um dos principais fornecedores mundiais de alimentos e sustentam a expectativa de avanço no ranking global do comércio agropecuário.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Gerada por IA

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