Portos

Porto de Los Angeles bate recorde de importações e enfrenta impacto da alta no combustível marítimo

O Porto de Los Angeles, principal terminal de contêineres dos Estados Unidos, registrou em maio o segundo maior volume de movimentação de sua história. O avanço foi impulsionado pela corrida de varejistas para antecipar compras e reforçar estoques antes da entrada em vigor de novos repasses nos custos do combustível marítimo, prevista para julho.

A busca por maior previsibilidade logística ocorre em meio às incertezas provocadas pelo conflito entre Irã, Israel e Estados Unidos, que tem afetado cadeias globais de abastecimento e elevado os custos do transporte internacional.

Conflito no Oriente Médio pressiona cadeias globais

As tensões geopolíticas na região do Oriente Médio provocaram interrupções em rotas estratégicas de navegação e reduziram a oferta de petróleo e derivados utilizados na produção de plásticos e diversos insumos industriais.

Com isso, empresas dos setores varejista e industrial passaram a monitorar mais de perto os riscos relacionados ao fornecimento de matérias-primas, ao aumento dos custos de produção e à possível escassez de produtos essenciais.

Segundo Gene Seroka, diretor executivo do Porto de Los Angeles, as decisões de compra e transporte estão sendo influenciadas por uma combinação de fatores, incluindo preços da energia, tarifas comerciais, níveis de estoque e o cenário geopolítico internacional.

De acordo com o executivo, quando surgem períodos de maior estabilidade, muitas companhias aproveitam para acelerar o embarque e a movimentação de mercadorias.

Importações crescem 26% em maio

Os números divulgados pelo porto mostram que a movimentação total alcançou 840.165 TEUs em maio. Desse volume, 449.370 TEUs corresponderam às importações, representando um crescimento de 26% em comparação ao mesmo período do ano passado.

O resultado reflete uma recuperação em relação a 2024, quando tarifas de importação posteriormente revogadas levaram diversas empresas a reduzir temporariamente seus embarques.

O TEU é a unidade padrão utilizada no transporte marítimo para medir a capacidade de contêineres. Um contêiner de 40 pés equivale a dois TEUs.

Perspectiva é de novos recordes nos próximos meses

A expectativa do Porto de Los Angeles é que os volumes registrados em junho e julho superem os números de maio, mantendo o ritmo acelerado das importações.

Seroka também alertou que a normalização das cadeias globais de suprimentos poderá levar meses, mesmo após o encerramento das hostilidades envolvendo o Irã e a retomada plena da navegação pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do mundo para o comércio de petróleo.

Alta do bunker marítimo preocupa transportadoras

Outro fator de atenção para o setor é o aumento expressivo do preço do bunker marítimo, combustível utilizado por navios de carga.

Em março, os valores praticamente dobraram em 20 portos internacionais, chegando a US$ 1.053 por tonelada. Embora os preços tenham recuado posteriormente diante das expectativas de cessar-fogo, o mercado ainda opera sob pressão.

A partir de 1º de julho, armadores e operadores marítimos devem começar a transferir esses custos adicionais para contratos que abrangem grande parte das cargas transportadas globalmente.

Tarifas comerciais ampliam incertezas

Além dos custos logísticos mais elevados, o comércio internacional acompanha a possível expiração das tarifas globais de 10% previstas na Seção 122, programada para o fim de julho.

Paralelamente, o governo do presidente Donald Trump avalia a aplicação de novas tarifas de até 12,5% sobre produtos importados de cerca de 60 países, medida relacionada a denúncias de utilização de trabalho forçado em determinadas cadeias produtivas.

A combinação entre custos de transporte, tarifas comerciais e instabilidade geopolítica continua sendo um dos principais desafios para empresas que dependem do comércio exterior e das cadeias globais de suprimentos.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Transporte

Mercado de afretamento de navios segue aquecido com demanda elevada e oferta restrita

O mercado de afretamento de navios porta-contêineres continua registrando desempenho positivo, sustentado pela forte procura por embarcações em praticamente todas as faixas de capacidade. A avaliação consta na mais recente análise da consultoria Alphaliner, especializada no setor de transporte marítimo.

Escassez de embarcações limita novos contratos

Apesar da demanda aquecida, a baixa disponibilidade de navios segue sendo um dos principais obstáculos para a ampliação das negociações. A restrição é mais evidente entre embarcações com capacidade superior a 3.000 TEUs, reduzindo o número de novos contratos fechados.

Nas últimas semanas, o cenário também foi influenciado por uma desaceleração temporária das atividades comerciais devido à realização da feira Posidonia, em Atenas, considerada um dos eventos mais relevantes da indústria marítima global.

Segmento de menor porte concentra negociações

Com a oferta limitada de grandes embarcações, os contratos têm se concentrado principalmente nos navios com capacidade inferior a 2.000 TEUs, onde há maior disponibilidade no mercado.

Ao mesmo tempo, os contratos de longo prazo continuam escassos. O movimento reflete uma postura mais cautelosa das empresas de navegação diante das incertezas que ainda cercam o setor de transporte marítimo internacional.

Taxas de afretamento permanecem em patamares elevados

Segundo a Alphaliner, as taxas de afretamento seguem em níveis considerados saudáveis e relativamente estáveis na maior parte dos segmentos.

Em alguns casos, navios com características diferenciadas ou posicionados em regiões estratégicas conseguiram obter valores acima da média do mercado, estabelecendo novos referenciais para determinadas categorias de embarcações.

Falta de navios reduz movimentação entre os VLCS

No segmento dos navios VLCS (Very Large Container Ships), com capacidades entre 7.500 e 13.000 TEUs, não houve registro de novos contratos nas últimas duas semanas.

De acordo com a consultoria, a ausência de negociações não está relacionada à falta de interesse por parte dos operadores, mas sim à escassez de embarcações disponíveis para entrega imediata.

GSL encomenda dez novos porta-contêineres de médio porte

Entre os navios do segmento LCS (5.300 a 7.499 TEUs), também não foram identificadas novas operações de afretamento. No entanto, o mercado foi movimentado pela informação de que a armadora Global Ship Lease (GSL) encomendou a construção de dez novos navios porta-contêineres.

As embarcações deverão ser entregues entre 2028 e 2030 e, segundo estimativas da Alphaliner, serão construídas na China, com capacidade superior a 6.000 TEUs e estrutura voltada para o transporte de cargas refrigeradas.

Ainda de acordo com a consultoria, os navios já teriam contratos de afretamento assegurados por aproximadamente sete anos, possivelmente junto à MSC.

Mercado Panamax registra apenas uma nova contratação

A atividade também permaneceu limitada entre os navios Panamax clássicos, com capacidade entre 4.000 e 5.299 TEUs.

Nas duas últimas semanas, foi registrado apenas um novo contrato envolvendo um navio recém-construído de 4.600 TEUs. A embarcação teria sido contratada para uma operação de curto prazo, com remuneração na faixa inferior de US$ 60 mil por dia.

Perspectiva é de continuidade da oferta limitada

Para os próximos meses, a expectativa da Alphaliner é de que a disponibilidade reduzida de navios continue restringindo o volume de novas contratações.

Mesmo com a demanda por capacidade de transporte marítimo permanecendo forte, a limitação da oferta deverá seguir como fator determinante para o comportamento do mercado de afretamento.

FONTE: Mundo Marítimo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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Transporte

Estreito de Ormuz pode levar até 50 dias para retomar tráfego normal após acordo entre EUA e Irã

A reabertura do Estreito de Ormuz após o acordo preliminar entre Estados Unidos e Irã não significa uma retomada imediata da navegação comercial. Especialistas em segurança marítima alertam que a verificação e remoção de possíveis minas navais na região podem atrasar por várias semanas o retorno das operações em níveis considerados normais.

Segundo avaliações de fontes ligadas ao setor naval e de segurança internacional, o processo de inspeção, realizado por navios varredores de minas e drones submarinos especializados, pode durar entre 40 e 50 dias. Até que haja garantias concretas de segurança, seguradoras, armadores e empresas petrolíferas tendem a manter cautela em relação ao tráfego pela rota.

Possível presença de minas preocupa setor marítimo

A principal preocupação das companhias de navegação é a existência de minas navais ao longo da via marítima, considerada uma das mais estratégicas do planeta para o transporte de energia.

Antes do conflito, cerca de 20% da oferta mundial diária de petróleo e gás natural liquefeito passava pelo estreito. Qualquer atraso na normalização do corredor pode manter retidos milhões de barris de petróleo e prolongar os impactos sobre o mercado energético global.

O cenário ganha ainda mais relevância diante da redução dos estoques de petróleo nas principais economias mundiais, que se aproximam dos menores níveis registrados desde 2003, segundo análises recentes do setor energético.

Empresas exigem garantias antes de retomar operações

Embora embarcações tenham conseguido cruzar a região nas últimas semanas com apoio indireto de autoridades dos dois países, empresas do setor afirmam que o risco continua elevado.

Jakob Larsen, diretor de segurança da associação internacional de transporte marítimo Bimco, afirmou que ainda não existem condições para uma retomada plena da navegação comercial.

De acordo com ele, a ameaça representada pelas minas exige a definição de corredores comprovadamente seguros antes que os navios voltem a operar normalmente.

A preocupação também envolve os altos valores em risco. Um superpetroleiro carregado pode representar cerca de US$ 300 milhões entre embarcação e carga, o que leva seguradoras e operadores a exigirem elevados níveis de segurança antes da travessia.

Informações sobre minas permanecem incertas

Até o momento, não há confirmação oficial sobre a quantidade de minas que teriam sido posicionadas na região.

Durante o conflito, o Irã ameaçou utilizar minas marítimas para restringir o acesso ao estreito, mas não confirmou publicamente a instalação dos artefatos. Já os Estados Unidos afirmam que embarcações iranianas envolvidas em operações de minagem foram alvo de ataques militares.

No início de junho, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, declarou ao Senado que extensas áreas de Ormuz haviam sido minadas. Dias depois, a Marinha da Alemanha informou ter recebido relatórios dos Estados Unidos e do Reino Unido apontando a localização de minas em quatro pontos próximos ao estreito, embora sem confirmação independente.

Tráfego marítimo segue abaixo dos níveis anteriores ao conflito

Apesar dos avanços diplomáticos, a movimentação de navios continua bastante reduzida.

Dados do setor mostram que, nas últimas semanas, entre 12 e 15 embarcações cruzaram diariamente o estreito. Antes da guerra, esse volume variava entre 120 e 140 navios por dia.

A diferença demonstra que boa parte das empresas ainda aguarda condições mais seguras antes de retomar suas rotas regulares.

Operação internacional de limpeza pode durar meses

Diversos países já mobilizaram recursos para uma eventual operação de desminagem. Reino Unido, França e Alemanha enviaram navios de guerra e embarcações especializadas para o Oriente Médio, com o objetivo de apoiar possíveis ações de remoção de explosivos.

Especialistas em segurança marítima avaliam que a tarefa poderá ser complexa. Corey Ranslem, diretor da Dryad Global, afirma que, mesmo após ataques contra estruturas militares iranianas, estimativas indicam que o país poderia manter até mil minas navais disponíveis.

Segundo ele, a identificação de um campo minado pode exigir semanas ou até meses de trabalho até que a área seja considerada totalmente segura para a navegação comercial.

OMI destaca importância da reabertura

Para a Organização Marítima Internacional (OMI), o acordo entre Estados Unidos e Irã representa um avanço importante para restabelecer a segurança em uma das rotas marítimas mais relevantes do mundo.

O secretário-geral da entidade, Arsenio Domínguez, destacou que a reabertura do corredor é um passo positivo para a proteção de tripulações e embarcações. No entanto, ressaltou que a normalização completa dependerá da implementação de todas as medidas necessárias para garantir a segurança da navegação.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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Sustentabilidade

Etanol de milho brasileiro pode ser 80% mais limpo que combustível marítimo, aponta OMI

O etanol de milho brasileiro ganhou destaque no cenário internacional após a Organização Marítima Internacional (OMI) definir oficialmente sua pegada de carbono. A classificação coloca o biocombustível como uma das alternativas mais promissoras para a descarbonização do transporte marítimo global.

Segundo a entidade ligada à Organização das Nações Unidas (ONU), o combustível produzido a partir do milho de segunda safra no Brasil apresenta intensidade de carbono de 20,8 gramas de dióxido de carbono equivalente (CO2e) por megajoule, índice significativamente inferior ao dos combustíveis atualmente utilizados pelos navios.

Combustível marítimo tem emissão muito superior

Os dados da OMI mostram que a intensidade média de gases de efeito estufa dos combustíveis usados hoje no transporte marítimo é de 93,3 gramas de CO2e por megajoule. Isso significa que o etanol de milho produzido no Brasil pode ser cerca de 80% menos poluente em comparação aos combustíveis convencionais do setor.

Para especialistas da indústria, a definição desse parâmetro representa um avanço importante para a regulamentação internacional dos chamados combustíveis de baixa emissão de carbono.

De acordo com Gustavo Mariano, vice-presidente de comercialização da Inpasa, a decisão fortalece a posição do etanol brasileiro como alternativa viável para reduzir as emissões no transporte marítimo.

“O reconhecimento da OMI representa um marco importante para o setor e reforça o potencial do etanol de milho produzido no Brasil e na América do Sul na transição para uma matriz energética mais sustentável”, afirmou.

Produção de etanol de milho cresce rapidamente no Brasil

Embora o mercado brasileiro de etanol tenha sido historicamente dominado pela cana-de-açúcar, o segmento de etanol de milho registrou forte expansão nos últimos anos.

Dados da associação UNEM indicam que a produção do biocombustível deve alcançar quase 10 bilhões de litros na safra 2025/26. No início da década, esse volume era de aproximadamente 2,65 bilhões de litros, demonstrando o crescimento acelerado do setor.

A evolução da produção acompanha o aumento dos investimentos em tecnologia, eficiência industrial e projetos voltados à redução das emissões de carbono.

Setor aposta em combustível ainda mais sustentável

Empresas do segmento já trabalham em iniciativas para diminuir ainda mais a pegada ambiental do produto. Rafael Abud, diretor-executivo da Fueling Sustainability (FS), destaca que a companhia tem investido em diversas soluções para ampliar a sustentabilidade do combustível.

Entre as medidas adotadas estão a redução das emissões provenientes do uso de biomassa, melhorias nos processos industriais e projetos de bioenergia com captura e armazenamento de carbono.

Segundo o executivo, essas iniciativas poderão tornar o etanol produzido pela empresa um combustível com pegada de carbono negativa no futuro.

Mercado marítimo abre novas oportunidades para os biocombustíveis

Representantes do setor acreditam que a eventual aprovação dos biocombustíveis para uso em larga escala no transporte marítimo poderá gerar novas oportunidades de negócios e agregar valor aos combustíveis de menor impacto ambiental.

Além disso, o tamanho do mercado global de combustíveis marítimos indica que haverá espaço para diferentes alternativas renováveis, incluindo o etanol de milho, o etanol de cana-de-açúcar e o biodiesel.

Segundo Gustavo Mariano, se todo o mercado mundial de combustível bunker fosse convertido para seu equivalente em etanol, a demanda poderia chegar a quase 400 bilhões de litros.

Para o executivo, o volume necessário para abastecer a navegação internacional é tão expressivo que exigirá a participação conjunta de diversas fontes sustentáveis de energia renovável.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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Portos

Porto de Imbituba está entre os oito portos públicos do país certificados com padrão internacional de segurança

Referência em segurança portuária, o Porto de Imbituba integra o seleto grupo dos oito portos públicos brasileiros certificados com o ISPS Code (International Ship and Port Facility Security Code – Código Internacional para a Proteção de Navios e Instalações Portuárias). Recentemente, o Complexo Portuário de Imbituba teve sua Declaração de Cumprimento do protocolo internacional renovada pela Comissão Nacional de Segurança Pública nos Portos, Terminais e Vias Navegáveis (Conportos), com validade até 2031.

A certificação atesta que o Porto de Imbituba atende aos mais elevados padrões internacionais de segurança no setor marítimo e portuário. O ISPS Code tem como objetivo fortalecer a proteção de navios e instalações portuárias, estabelecendo medidas de prevenção e resposta contra ameaças à segurança no transporte marítimo internacional.

Atualmente, o Porto de Imbituba conta com um sistema de monitoramento e prevenção. A estrutura inclui portarias de controle de acesso, mais de 150 câmeras de vigilância, cercamento em toda a área operacional, rondas permanentes, monitoramento aéreo com drones e utilização de ROV (Remotely Operated Underwater Vehicle), garantindo mais eficiência e segurança às operações.

O ROV é utilizado para realizar buscas subaquáticas de objetos de interesse da Polícia Federal, auxiliando na elucidação de crimes, recuperação de equipamentos e na varredura de cascos de navios para identificação de ilícitos ocultos em áreas submersas das embarcações. Os equipamentos foram destinados ao Estado de Santa Catarina pela Polícia Federal, após doação da Embaixada dos Estados Unidos, por intermédio da UNODC, passando a integrar a estrutura operacional do Porto de Imbituba.

Para o diretor-presidente dos Portos de Imbituba e Laguna, Christiano Lopes, a renovação da certificação representa o reconhecimento do trabalho contínuo realizado pela Autoridade Portuária. “A conquista da nova Declaração de Cumprimento do ISPS Code demonstra o comprometimento do Porto de Imbituba com a excelência operacional e, principalmente, com a segurança das pessoas, das cargas e das operações. Estar entre os oito portos públicos do país com essa certificação reforça nossa credibilidade e competitividade no cenário nacional e internacional”, destaca.

O gerente de Segurança Portuária, Sandro Cassol, ressalta que os investimentos constantes em tecnologia e capacitação das equipes têm sido essenciais para manter os padrões exigidos internacionalmente. “Hoje contamos com uma estrutura de monitoramento e prevenção, composta por sistemas integrados de vigilância, controle de acesso, rondas, drones e operações com ROV. Além dos equipamentos, existe um trabalho permanente de treinamento e aperfeiçoamento dos colaboradores para garantir respostas rápidas e eficientes em qualquer situação”, afirma.

FONTE: Agência de Notícias SECOM
IMAGEM: Divulgação / SCPAR Porto de Imbituba

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Logística

Fretes China–Brasil seguem pressionados, mas ritmo de alta começa a perder força

As empresas brasileiras que dependem de importações da Ásia, especialmente da China, continuam enfrentando um cenário desafiador no transporte marítimo internacional. Nas últimas seis semanas, o valor do frete para um contêiner de 40 pés na rota China–Brasil saltou de aproximadamente US$ 2.500 para patamares próximos de US$ 8.000, impulsionado principalmente pela forte demanda e gestão ativa dos espaços pelos armadores.

Diante desse cenário, a principal dúvida dos importadores é: os fretes continuarão subindo ou existe expectativa de alívio para o final de junho e julho?

Embora o mercado continue extremamente volátil, alguns indicadores sugerem que a velocidade das altas já não é a mesma observada ao longo do mês de maio. As principais companhias marítimas seguem operando com elevada ocupação e, em muitos casos, com embarcações lotadas semanas antes da partida. No entanto, o volume de novas consultas e reservas começa a apresentar um comportamento mais moderado em comparação aos períodos anteriores.

Segundo Simone Rodrigues, especialista em Pricing da Schryver Logistics, ainda é cedo para afirmar que o mercado iniciou um movimento consistente de queda. “O cenário permanece bastante volátil. Embora a intensidade das altas tenha diminuído em relação às últimas semanas, a evolução dos fretes continuará dependendo principalmente da oferta efetiva de espaço disponível, da ocorrência de omissões de escalas e das estratégias de capacidade adotadas pelos armadores. Neste momento, ainda não existem sinais consistentes que indiquem uma redução imediata dos fretes”, explica.

Outro fator observado pelo mercado é a crescente resistência dos importadores aos níveis atuais de frete. Após sucessivos reajustes, muitas empresas passaram a reavaliar compras, reduzir volumes ou postergar embarques, o que pode contribuir para uma desaceleração da pressão sobre os preços ao longo das próximas semanas.

Apesar disso, a disponibilidade de espaço continua sendo um fator crítico. Em diversas operações, reservas seguem sendo realizadas com três a quatro semanas de antecedência, exigindo maior planejamento por parte dos embarcadores.

O que esperar para as próximas semanas?

A expectativa é que o mercado permaneça pressionado durante a segunda quinzena de junho, ainda sujeito a reajustes pontuais por parte dos armadores. Ao mesmo tempo, começam a surgir alguns sinais de acomodação, incluindo ofertas abaixo dos patamares máximos observados recentemente em determinadas operações. Caso a demanda continue apresentando sinais de moderação e a oferta de espaço melhore gradualmente, aumentam as chances de flexibilização dos preços ao longo do mês de julho.

No entanto, especialistas alertam que qualquer movimento de redução dependerá diretamente do equilíbrio entre oferta e demanda. A entrada de navios adicionais, a redução de omissões de escalas e uma maior disponibilidade de equipamentos podem favorecer um ambiente mais estável. Por outro lado, novas restrições de capacidade poderão manter os fretes em níveis elevados por mais tempo.

Planejamento continua sendo a principal estratégia

Diante da volatilidade atual, a recomendação para os importadores continua sendo o planejamento antecipado dos embarques. Adiar decisões na expectativa de uma queda imediata dos fretes pode resultar em dificuldades para obtenção de espaço, atrasos operacionais e custos adicionais. Em um mercado ainda sujeito a mudanças rápidas, garantir espaço e equipamentos continua sendo tão importante quanto negociar tarifas competitivas.

Por outro lado, para cargas sem urgência e com flexibilidade de prazo, vale acompanhar atentamente o comportamento do mercado nas próximas semanas, pois começam a surgir indícios de que o ciclo de alta está se aproximando do seu limite.

O consenso entre os agentes de mercado é que o movimento de alta ainda não terminou, mas já apresenta sinais de perda de intensidade. A tendência de curto prazo continua sendo de um mercado firme, porém a probabilidade de novas altas expressivas parece menor do que a observada nas últimas seis semanas.

Nesse contexto, planejamento, agilidade na tomada de decisão e acompanhamento constante das condições de mercado permanecem como os principais fatores para reduzir riscos e garantir maior previsibilidade nas operações de importação

TEXTO:  RECONECTA NEWS

IMAGEM: ILUSTRATIVA / MAGNIFIC

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Transporte

Estreito de Hormuz: cessar-fogo entra em colapso e novos ataques atingem navios petroleiros

O frágil cessar-fogo no Estreito de Hormuz chegou ao fim após uma nova onda de confrontos entre Estados Unidos e Irã nas últimas 24 horas. O agravamento da crise coincidiu com ataques a navios petroleiros próximos à costa de Omã, deixando marítimos desaparecidos e ampliando as preocupações com a segurança da navegação internacional.

Entre os incidentes registrados está o do navio-tanque Settebello, que sofreu um incêndio a cerca de 20 milhas náuticas do porto de Sohar, em Omã. Segundo informações da empresa especializada em segurança marítima Vanguard Tech, a embarcação enviou um pedido de socorro informando ter sido atingida por um míssil. O episódio resultou no desaparecimento de três tripulantes e deixou outro gravemente ferido.

Estados Unidos confirmam ataque ao petroleiro

Em comunicado, as forças militares norte-americanas confirmaram ter realizado uma ação contra o Settebello. De acordo com a versão oficial, aeronaves dos EUA utilizaram munições de precisão para atingir a casa de máquinas do navio após a embarcação supostamente desrespeitar orientações emitidas por militares responsáveis pela aplicação de um bloqueio relacionado ao Irã.

Dados do Comando Central dos Estados Unidos indicam que este foi o oitavo navio desativado por operações norte-americanas desde meados de abril.

Outros incidentes elevam preocupação com a segurança marítima

O novo episódio ocorre poucos dias após um caso semelhante envolvendo o petroleiro Marivex, atingido em 8 de junho. Na ocasião, um incêndio foi registrado após disparos contra a área de máquinas da embarcação. Os 24 tripulantes indianos foram posteriormente resgatados pela Marinha de Omã.

Nesta quinta-feira, surgiram ainda relatos de emergência envolvendo outro navio-tanque, o Jalveer, que emitiu sinal de socorro após um incêndio ser detectado enquanto permanecia ancorado em uma área de espera offshore próxima a Shinas, também em Omã.

Segundo a Vanguard, as chamas teriam atingido a sala de máquinas e a estrutura da chaminé da embarcação. O navio transportava 20 tripulantes, e operações de evacuação foram iniciadas com apoio das autoridades omanenses. Até o momento, a causa do incêndio não foi oficialmente confirmada.

IMO condena ataques contra embarcações comerciais

A Organização Marítima Internacional (IMO) manifestou preocupação com a escalada da violência e condenou o ataque registrado contra o Settebello.

O secretário-geral da entidade, Arsenio Dominguez, afirmou que qualquer ação que coloque em risco a vida dos marítimos e a segurança do transporte marítimo internacional é inaceitável.

De acordo com a IMO, desde 28 de fevereiro foram confirmados 43 ataques contra embarcações comerciais na região do Estreito de Hormuz, resultando em pelo menos 11 mortes de tripulantes.

Analistas apontam colapso total da trégua

O analista marítimo dinamarquês Lars Jensen, que acompanha diariamente a crise na região, avaliou que o cessar-fogo entrou em colapso completo. Segundo ele, forças norte-americanas realizaram ataques contra cerca de uma dúzia de alvos em território iraniano, incluindo áreas próximas a Teerã.

Em resposta, o Irã teria lançado ofensivas contra instalações localizadas no Kuwait, Jordânia e Bahrein. O governo iraniano também alegou ter atingido dois petroleiros que tentavam atravessar o Estreito de Hormuz, embora essas informações ainda não tenham sido verificadas de forma independente.

Crise ameaça transporte marítimo global

A deterioração da situação no Estreito de Hormuz, passagem estratégica para o comércio mundial de petróleo e derivados, aumenta os riscos para o transporte marítimo internacional, gera preocupação entre armadores e pode impactar fluxos logísticos e energéticos em diversas regiões do mundo.

FONTE: Splash 247
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Splash 247

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Portos

Porto de Yangpu amplia conexão marítima e inaugura nova rota de contêineres para a Índia

O Porto de Yangpu, principal terminal de cargas da Zona de Livre Comércio de Hainan, na China, iniciou oficialmente a operação de uma nova rota marítima de contêineres com destino à Índia. A iniciativa amplia a presença do porto no sul da Ásia e representa o segundo serviço regular da instalação para a região.

O novo corredor logístico liga Yangpu aos portos de Haiphong, no Vietnã, Singapura e Mundra, na Índia. Com isso, passa a integrar importantes centros portuários do sul da China, da região do Golfo de Beibu e do mercado sul-asiático.

Exportações de Hainan devem ganhar mais agilidade

A expectativa é que a nova ligação marítima ofereça um canal mais rápido para o escoamento de produtos de Hainan, incluindo óleo de canola, insumos da indústria química e outras mercadorias destinadas ao mercado indiano.

Além das cargas produzidas na província chinesa, o porto também deverá funcionar como ponto estratégico de transbordo para mercadorias oriundas de outras regiões da China com destino ao sul da Ásia.

Corredor internacional ganha reforço logístico

A nova operação consolida o papel do Porto de Yangpu como um dos principais hubs do Novo Corredor Internacional de Comércio Terra-Mar, importante rede logística que conecta o oeste da China aos mercados globais.

Segundo as autoridades marítimas locais, foram realizadas ações de coordenação com empresas de navegação para adequar a gestão do tráfego marítimo, além do reforço das patrulhas em canais de navegação e áreas portuárias.

Segurança e eficiência operacional marcaram viagem inaugural

Durante a primeira viagem da nova rota, os órgãos responsáveis empregaram sistemas de monitoramento de embarcações, patrulhamento eletrônico e serviços de escolta para garantir a segurança da operação.

As autoridades também promoveram ajustes nos procedimentos de inspeção portuária, com o objetivo de acelerar o desembaraço aduaneiro, aumentar a eficiência operacional e reduzir os custos logísticos para as empresas envolvidas.

Expansão da presença de Yangpu no sul da Ásia

A expansão das conexões marítimas de Yangpu com o sul da Ásia teve início em outubro de 2019, quando o porto lançou sua primeira rota regional, conectando a cidade chinesa aos portos de Port Klang, na Malásia, e Chittagong, em Bangladesh.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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Transporte

Frete marítimo dispara e pressiona custos do transporte de contêineres no comércio global

As taxas spot de frete marítimo registraram forte alta na primeira semana de junho, refletindo um cenário marcado pelo aumento da demanda, limitações de capacidade operacional e impactos indiretos das tensões geopolíticas no Oriente Médio. O movimento tem elevado os custos do transporte marítimo de contêineres nas principais rotas comerciais do mundo.

Dados da consultoria Drewry mostram que o Índice Mundial de Contêineres (WCI) avançou 23% em apenas uma semana, alcançando US$ 3.433 por FEU (contêiner de 40 pés). Segundo a empresa, a antecipação da alta temporada contribuiu para intensificar a pressão sobre os preços dos fretes internacionais.

Rotas entre Ásia e Estados Unidos lideram aumentos

No corredor transpacífico, os reajustes foram ainda mais expressivos. O frete entre Xangai e Los Angeles saltou 31%, chegando a US$ 4.565 por FEU. Já os embarques destinados a Nova York registraram aumento de 20%, alcançando US$ 5.505 por FEU.

A Drewry observa que o número reduzido de cancelamentos de viagens programadas para as próximas semanas demonstra a expectativa de maior movimentação de cargas. Apenas três viagens foram suspensas na rota, volume inferior ao observado recentemente.

A procura por espaço nos navios tem sido impulsionada por importadores que antecipam embarques diante de possíveis alterações tarifárias nos Estados Unidos previstas para julho. Além disso, a preparação logística relacionada à Copa do Mundo de 2026 também vem contribuindo para o aumento da demanda.

Europa também enfrenta alta nos fretes

As ligações marítimas entre a Ásia e a Europa seguiram a mesma tendência de valorização.

O transporte entre Xangai e Roterdã registrou aumento de 25%, atingindo US$ 3.579 por FEU. Já os serviços para Gênova avançaram 20%, chegando a US$ 5.089 por FEU.

Segundo a Drewry, o crescimento da demanda foi acelerado pela corrida dos embarcadores para antecipar cargas antes da implementação de ajustes nos custos de combustível programados para julho.

Oriente Médio e congestionamentos ampliam volatilidade

A consultoria Xeneta também identificou um cenário de forte pressão sobre os preços do transporte marítimo global.

De acordo com Peter Sand, analista-chefe da empresa, os aumentos estão sendo impulsionados por uma combinação de fatores, incluindo o conflito no Oriente Médio, gargalos operacionais em portos estratégicos do Sudeste Asiático e preocupações relacionadas a uma possível crise energética no segundo semestre de 2026.

Nas últimas semanas, as taxas médias de frete entre o Extremo Oriente e a Costa Oeste dos Estados Unidos avançaram 20%, ficando mais de 100% acima dos níveis registrados antes da escalada das tensões na região do Golfo.

Nas rotas para o Norte da Europa e Mediterrâneo, os reajustes chegaram a 27% e 17%, respectivamente.

Portos asiáticos enfrentam atrasos

A situação operacional em importantes centros de transbordo também contribui para a instabilidade do mercado.

Portos como Singapura e Port Klang vêm registrando atrasos que afetam diretamente o fluxo de mercadorias e a eficiência das cadeias globais de suprimentos.

Segundo Sand, interrupções nesses hubs logísticos têm potencial para gerar impactos em diversos mercados, uma vez que concentram parte significativa da movimentação internacional de contêineres.

Oferta e demanda favorecem armadores

Para Lars Jensen, analista da indústria marítima, o atual equilíbrio entre oferta e demanda continua beneficiando as companhias de navegação.

O especialista avalia que a temporada de maior movimentação comercial está ganhando força, criando um ambiente favorável para a manutenção de fretes elevados e fortalecendo o poder de negociação dos armadores.

Dados do Container Trade Statistics (CTS) reforçam essa percepção. Em abril, a demanda global por transporte marítimo de contêineres cresceu 4,3% em relação ao mesmo período do ano passado.

Ao excluir a América do Norte e as áreas diretamente impactadas pela crise no Estreito de Ormuz, o avanço chegou a 9,7%. No mercado norte-americano, as importações aumentaram 6,2%, enquanto o comércio transpacífico apresentou expansão de 11,3%.

Canal do Panamá entra no radar do setor

Além dos desafios já existentes, uma nova preocupação começa a surgir para o comércio marítimo internacional.

A Autoridade do Canal do Panamá anunciou que reduzirá, a partir de 3 de julho, o calado máximo permitido para embarcações Neopanamax, passando para 49,5 pés. A medida busca preservar os recursos hídricos diante da possibilidade de condições climáticas associadas ao fenômeno El Niño e da perspectiva de baixos níveis de água nos próximos anos.

Embora os impactos imediatos sejam considerados limitados, especialistas veem a decisão como um sinal de alerta para futuras restrições operacionais que podem afetar cadeias logísticas globais e aumentar ainda mais os custos do transporte marítimo.

FONTE: Mundo Marítimo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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Internacional

Estreito de Ormuz tem menos de mil navios em 100 dias de guerra entre Irã, EUA e Israel

O Estreito de Ormuz, uma das passagens marítimas mais importantes do planeta para o transporte de energia, registrou a circulação de apenas 988 embarcações comerciais nos primeiros 100 dias do conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel. Em condições normais, esse mesmo volume seria alcançado em aproximadamente uma semana.

A marca coincide com os 100 dias da guerra, completados em 7 de junho, e evidencia o impacto do conflito sobre uma rota responsável por parcela significativa do comércio global de petróleo, gás natural liquefeito (GNL) e fertilizantes.

Importância global do Estreito de Ormuz

Antes da escalada militar iniciada em 28 de fevereiro, o estreito respondia por cerca de 20% do consumo diário mundial de petróleo e por uma fatia relevante do comércio internacional de GNL. Além disso, aproximadamente um terço do transporte marítimo de fertilizantes passava pela região.

Após os ataques preventivos liderados por Estados Unidos e Israel contra o Irã e as posteriores retaliações de Teerã contra infraestruturas estratégicas no Golfo, o fluxo marítimo sofreu uma forte retração.

Navegação limitada e novas rotas marítimas

Mesmo após três meses de conflito, o trânsito de navios permanece restrito. Para atravessar a região, armadores passaram a buscar acordos diplomáticos ou negociar diretamente com autoridades iranianas.

Durante o período, algumas embarcações navegaram com os sistemas de identificação automática (AIS) desligados. Também surgiu uma rota alternativa dentro das águas territoriais iranianas, enquanto parte da frota continuou utilizando o corredor oficialmente recomendado pela Organização Marítima Internacional (IMO).

Queda superior a 90% no movimento de embarcações

Dados da consultoria Kpler apontam que a movimentação de navios caiu mais de 90% em comparação com os níveis observados antes da guerra.

Entre 1º e 27 de fevereiro, a média diária era de 129 embarcações, número próximo ao histórico de 138 navios por dia. Já no centésimo dia do conflito, apenas 10 embarcações comerciais cruzaram o estreito.

Grande parte dos navios que continuaram operando na região pertence a chamadas “frotas sombra” ou embarcações sujeitas a sanções internacionais.

Oscilações no tráfego ao longo da guerra

No dia 28 de fevereiro, 78 embarcações passaram pelo estreito. Após o início das hostilidades, esse número caiu para 30 em 1º de março e para apenas 13 no dia seguinte.

Em determinados momentos, o movimento chegou ao mínimo de apenas dois navios por dia. O maior volume registrado durante a guerra ocorreu em 18 de abril, quando 27 embarcações realizaram a travessia.

Disputa política influencia acesso à rota

Em abril, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que o estreito permaneceria aberto para embarcações comerciais até o fim do cessar-fogo no Líbano.

Do lado americano, o presidente Donald Trump declarou que a passagem marítima seguia operacional, mas ressaltou a manutenção do bloqueio dos Estados Unidos até que fosse alcançado um acordo com Teerã.

Pouco depois, o governo iraniano anunciou um fechamento de fato da rota, condicionando a normalização do tráfego ao fim das restrições impostas aos navios ligados aos portos iranianos. Em 7 de maio, apenas uma embarcação cruzou o estreito, o menor registro de todo o período analisado.

Transporte de petróleo continua predominante

Nos primeiros 100 dias da guerra, 456 navios transportando petróleo bruto e derivados utilizaram o corredor marítimo.

O volume caiu rapidamente após o início do conflito: de 50 embarcações em 28 de fevereiro para apenas duas em 3 de março. Em alguns dias, nenhum petroleiro realizou a travessia.

A maior parte dessas cargas partiu de portos iranianos, embora também tenham sido registrados embarques oriundos dos Emirados Árabes Unidos, Iraque, Arábia Saudita e Catar.

Os principais destinos foram países asiáticos, como China, Índia, Japão, Coreia do Sul, Singapura, Vietnã, Malásia, Tailândia, Paquistão e Mianmar.

Comércio de gás natural liquefeito sofre forte impacto

Os ataques contra a infraestrutura energética do Golfo afetaram significativamente a produção regional, especialmente no Catar, um dos principais exportadores mundiais de GNL.

Durante vários dias, nenhum navio transportando gás natural liquefeito atravessou o Estreito de Ormuz. A primeira passagem após o início da guerra ocorreu apenas em 2 de abril.

Ao longo dos 100 dias, somente 18 metaneiros cruzaram a rota, representando cerca de 2% de todo o tráfego registrado no período. Os carregamentos tiveram como destino China, Índia, Japão e Paquistão.

Transporte de GLP e cargas secas mantém atividade reduzida

O fluxo de navios transportando gás liquefeito de petróleo (GLP) somou 149 embarcações, equivalentes a 15% do total registrado durante o conflito.

Esses navios partiram principalmente de portos do Irã, Emirados Árabes Unidos, Catar e Kuwait, com cargas destinadas a mercados da Ásia, África e América do Sul, incluindo Chile, Indonésia, Malásia e China.

Já os navios de carga seca totalizaram 281 travessias, representando 28% do movimento geral. As embarcações operaram em rotas diversificadas, conectando países como Brasil, Argentina, Canadá, Ucrânia, Turquia, Omã, Tanzânia, China e Tailândia.

Navios de passageiros também deixaram a região

Além das embarcações de carga, cerca de dez navios de passageiros que ficaram retidos no Golfo após o início do conflito conseguiram atravessar o Estreito de Ormuz durante os primeiros 100 dias da guerra.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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