Especialista

O Clima Contra a Logística Global: Por que o Seguro Internacional deixará de ser custo e virou estratégia de sobrevivência

A passagem do Tufão Dolphin pela costa leste da China — provocando o fechamento temporário e a desaceleração de mega-hubs portuários como Ningbo-Zhoushan e Xangai, é um lembrete severo sobre a vulnerabilidade das cadeias globais de suprimentos.

Quando os maiores portos do planeta entram em efeito dominó, o impacto no Brasil é imediato e doloroso:

No lado da Exportação: Navios carregados com commodities brasileiras (como soja, minério de ferro e proteína animal) enfrentam longas filas de espera (anchorage time), gerando custos altíssimos de demurrage e atrasando a liquidação dos contratos.

No lado da Importação: O cancelamento de escalas (blank sailings) e o atraso no envio de insumos industriais, eletrônicos e peças de reposição afetam diretamente as linhas de produção no Brasil, gerando desabastecimento e encarecendo os fretes marítimos spot.

No pátio e no mar: O acúmulo de contêineres e o manuseio sob condições adversas aumentam drasticamente os riscos de avarias físicas, tombamentos e umidade.


A Batalha Invisível: Por que o Seguro de Transporte Internacional é indispensável?

Muitos operadores logísticos e empresários assumem que a responsabilidade por imprevistos é integralmente do armador ou do transportador. Trata-se de um mito perigoso. A responsabilidade das companhias marítimas é limitada por convenções internacionais e contratos de frete, raramente cobrindo o valor real da mercadoria ou os prejuízos decorrentes de fenômenos naturais.

Um seguro de transporte internacional bem estruturado vai muito além de proteger contra “perda total”. Ele blinda a saúde financeira da empresa em três frentes críticas:

1. Avaria Grossa (General Average): O risco que pouca gente calcula

Em situações extremas de tempestade ou encalhe, se o comandante precisar sacrificar parte do navio ou lançar cargas ao mar para salvar a embarcação e o restante da mercadoria, a lei marítima internacional exige que todos os donos de carga a bordo dividam proporcionalmente os prejuízos.

  • Mercadorias Sem seguro: Sua carga pode nem ter sido danificada, mas ficará retida no porto até que você deposite uma garantia bancária (que pode chegar a dezenas ou centenas de milhares de dólares) para cobrir a sua quota-parte do prejuízo geral.
  • Com seguro: A seguradora assume a garantia e cuida da liberação da carga, sem desorganizar o seu caixa.

2. Coberturas Amplas (Cláusula All Risks / ICC “A”)

Eventos climáticos não geram apenas perdas totais. Ventos fortes e mar agitado causam quedas de contêineres, entrada de água do mar, tombamentos no convés e avarias por deslocamento de carga no interior do cofre. A apólice adequada garante indenização tanto para danos parciais quanto para perdas totais decorrentes do mau tempo ou manuseio emergencial nos pátios.

3. Garantia de Fluxo de Caixa e Previsibilidade

Uma operação sem seguro troca uma despesa previsível e irrisória (o prêmio do seguro) por um risco financeiro catastrófico imprevisível. Em momentos de crise nas rotas asiáticas, ter a indenização garantida permite recompor o estoque ou reimportar insumos sem comprometer a continuidade do negócio.

Checklist Prático: Como blindar sua operação hoje

Para garantir que a sua cobertura seja efetiva quando o imprevisto acontecer:

  1. Revise os Incoterms® da negociação: Tenha clareza de quem é a responsabilidade pela contratação do seguro no contrato (ex: FOB x CIF ou CIP x FCA).
  2. Exija Cobertura “All Risks” (ICC – Institute Cargo Clauses “A”): Garanta a maior amplitude possível contra avarias, e confirme se a cláusula de Avaria Grossa está devidamente coberta.
  3. Monitore o Lead Time e Gerencie Riscos: Acompanhe os avisos das armadoras e mantenha margens de segurança no planejamento de estoque durante a temporada de tufões e furacões na Ásia e Américas.
  4. Alinhe os Vistoriadores: Tenha certeza de que seu corretor/seguradora conta com rede de regulação de avarias nos portos de origem e destino.

Não temos controle sobre a força dos tufões ou a saturação dos portos mundiais, mas temos controle absoluto sobre a gestão do nosso risco. Proteger o capital investido na carga é o único caminho para manter a competitividade e a sustentabilidade no Comércio Exterior.

Sua operação no trecho Ásia-Brasil já está preparada para os impactos operacionais dos próximos meses?

Renata Palmeira é CEO do RêConecta News, executiva comercial e especialista em Logística, Comércio Exterior e Gestão de Pessoas. Com mais de 25 anos de experiência nos setores de vendas e logística, atua na gestão comercial, desenvolvimento de equipes e soluções logísticas integradas. Fundadora do portal RêConecta News, trabalha para ampliar a visibilidade e o posicionamento estratégico de empresas e profissionais de Comex e Logística, além de atuar como palestrante nas áreas de vendas, marketing e logística.

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Comércio Exterior

FIESC reforça parceria com o Paraguai para ampliar comércio exterior e rotas logísticas

A FIESC participa da missão oficial do Governo de Santa Catarina ao Paraguai com foco na ampliação das relações comerciais e no fortalecimento da integração econômica entre os dois países. A iniciativa pretende consolidar o país vizinho como um parceiro estratégico no Mercosul, incentivando novos negócios e ampliando o intercâmbio comercial na região.

Na noite de quinta-feira (6), a comitiva catarinense participou de um encontro com o embaixador do Brasil no Paraguai, José Antônio Marcondes de Carvalho, dando início à agenda institucional no país.

Portos de Santa Catarina são apresentados como alternativa logística

A delegação da FIESC é formada pelo presidente da entidade, Gilberto Seleme, e pela presidente do Conselho de Comércio Exterior, Maria Teresa Bustamante. Durante a missão, o grupo apresenta a estrutura e a eficiência dos portos de Santa Catarina como uma opção estratégica para a movimentação de cargas paraguaias destinadas à exportação e importação.

Segundo Gilberto Seleme, o estado reúne condições para se tornar uma referência logística para o comércio exterior do Paraguai.

“Santa Catarina tem potencial para se tornar a alternativa logística preferencial do comércio exterior do Paraguai. Queremos consolidar rotas competitivas que passem pelo nosso estado, permitindo que a movimentação de produtos e mercadorias importadas e exportadas pelo país vizinho utilize a alta capacidade e expertise dos portos catarinenses”, afirmou.

Agenda inclui autoridades do governo e do Congresso paraguaio

A programação oficial segue nesta sexta-feira (7) com reuniões entre a delegação catarinense e o ministro da Indústria e Comércio do Paraguai, Marco Riquelme, além dos vice-ministros Javier Viveros, da Indústria, e Eduardo Gustale, da REDIEX.

Parte da comitiva também será recebida pelo vice-presidente da República do Paraguai, Lorenzo Alliana Rodríguez.

Além dos encontros com representantes do Poder Executivo, a missão prevê reuniões com parlamentares paraguaios, incluindo o presidente da Câmara dos Deputados, Raúl Latorre, presidentes de comissões temáticas do Congresso e o governador do departamento de Misiones, Richard Ramírez.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/FIESC

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Logística

Cabotagem e navegação de longo curso: entenda as diferenças e a importância para a logística brasileira

Apesar de utilizarem a mesma infraestrutura portuária, a cabotagem e a navegação de longo curso desempenham funções distintas no transporte marítimo. Enquanto uma é voltada ao deslocamento de cargas entre portos brasileiros, a outra conecta o país ao mercado internacional por meio das exportações e importações.

Um exemplo dessa diferença é o transporte de contêineres com eletrodomésticos entre Manaus e o Porto de Santos, operação típica da cabotagem. Já um navio que parte de Santos carregado de soja com destino à Ásia realiza uma viagem de longo curso, voltada ao comércio exterior.

Navegação de longo curso impulsiona exportações brasileiras

A navegação de longo curso é a principal responsável pela movimentação de cargas destinadas ao mercado internacional. Dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) mostram que, em 2025, mais de 80% do volume transportado nessa modalidade foi destinado às exportações, enquanto aproximadamente 20% correspondeu às importações.

No período, esse segmento movimentou mais de 1 bilhão de toneladas, com destaque para granéis sólidos, como minério de ferro, soja, milho e açúcar, produtos que representam parcela significativa da pauta exportadora brasileira.

Cabotagem fortalece o abastecimento interno

Já a cabotagem atende principalmente à logística nacional, conectando diferentes regiões do país por via marítima. Nessa modalidade predominam os granéis líquidos e gasosos, que representam cerca de 75% da carga transportada, incluindo petróleo e gás natural enviados de plataformas marítimas para refinarias brasileiras.

Além disso, a cabotagem também movimenta cargas em contêineres, transportando produtos como eletrodomésticos, biocombustíveis, alimentos, vestuário e diversos bens destinados ao abastecimento do mercado interno.

Em 2025, a modalidade registrou a movimentação de aproximadamente 223 milhões de toneladas, segundo o Estatístico Aquaviário da Antaq.

Integração logística amplia eficiência do transporte

A cabotagem faz parte da logística multimodal brasileira ao operar de forma integrada com rodovias, ferrovias e hidrovias, facilitando o transporte de mercadorias entre polos industriais, centros de distribuição e mercados consumidores.

Essa integração contribui para reduzir custos logísticos, aumentar a eficiência no transporte de cargas e diminuir os impactos ambientais em comparação com outros modais.

Modalidades complementares para o desenvolvimento do país

Embora tenham finalidades distintas, cabotagem e navegação de longo curso são fundamentais para o desenvolvimento econômico do Brasil.

Enquanto a cabotagem garante o abastecimento interno, melhora a distribuição de mercadorias e fortalece a integração entre as regiões brasileiras, a navegação de longo curso amplia a presença do país no comércio internacional, impulsionando as exportações e assegurando a chegada de produtos importados aos portos nacionais.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Rafael Medeiros

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Internacional

China amplia presença no mercado de tratores e aumenta pressão sobre a indústria brasileira

A crescente participação da China no mercado de tratores representa um novo desafio para a indústria nacional de máquinas agrícolas, que já enfrenta os reflexos da retração nos investimentos dos produtores rurais nas últimas safras. Dados inéditos da COGO Inteligência em Agronegócio revelam que, entre janeiro e junho de 2026, o Brasil importou US$ 200,4 milhões em tratores, totalizando 14.985 unidades. Desse volume, 67% tiveram origem chinesa.

Estudo aponta vantagem competitiva dos fabricantes chineses

O levantamento foi elaborado com base em informações oficiais de comércio exterior, registros da Receita Federal e dados corporativos das fabricantes asiáticas. Segundo a consultoria, as empresas chinesas conseguem produzir tratores com custos até 27% menores em comparação às indústrias instaladas no Brasil.

Entre os fatores que explicam essa vantagem estão a maior escala de produção, o menor custo do aço e despesas reduzidas com mão de obra. Como consequência, os equipamentos chegam ao mercado brasileiro com preços entre 30% e 40% inferiores aos praticados pelas marcas tradicionais do setor.

Para Carlos Cogo, sócio-diretor da COGO Inteligência em Agronegócio, o movimento deixou de ser apenas um aumento nas importações e passou a representar uma estratégia industrial completa. Segundo ele, além da chegada dos produtos, fabricantes chinesas estão ampliando fábricas, estruturando redes de distribuição e oferecendo soluções próprias de financiamento.

Fabricantes chinesas aceleram investimentos no Brasil

Entre os destaques do estudo está a expansão da YTO, líder do mercado chinês de tratores, que anunciou a instalação de uma fábrica em Caruaru (PE). O investimento previsto varia entre R$ 150 milhões e R$ 500 milhões, com expectativa de gerar até 3 mil empregos e capacidade inicial de produzir entre 100 e 120 tratores por mês a partir do fim de 2026.

Outro projeto identificado pela consultoria prevê um aporte de R$ 200 milhões para uma unidade com capacidade de fabricar 5 mil tratores por ano, volume equivalente a cerca de 10% de todo o mercado brasileiro registrado em 2025.

A XCMG também amplia sua atuação no país por meio do Banco XCMG, instituição financeira com carteira de crédito de R$ 697 milhões. Embora atualmente o foco esteja em outros segmentos, a estrutura poderá ser direcionada ao financiamento de máquinas agrícolas.

Já a Zoomlion declarou como objetivo conquistar 10% do mercado brasileiro, apostando em uma estratégia integrada que reúne venda de equipamentos e serviços financeiros.

Avanço vai além dos tratores

A ofensiva das empresas chinesas não se restringe ao segmento de tratores. O estudo mostra que fabricantes como Boshiran, CRCHI e Swan já realizam testes e comercializam colhedoras de algodão em Mato Grosso, principal estado produtor da cultura.

Ao mesmo tempo, marcas como Lovol, YTO e Zoomlion expandem sua atuação no mercado de colheitadeiras de grãos, utilizando a mesma estrutura comercial desenvolvida para os tratores.

Segundo a consultoria, esse modelo de expansão segue um padrão observado anteriormente em outros setores da economia brasileira: inicia-se pela importação de equipamentos, evolui para a instalação de fábricas, nacionalização de componentes e, posteriormente, busca acesso a linhas públicas de crédito, como Finame e Moderfrota.

Setor nacional acompanha avanço com preocupação

A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) já reconheceu que o crescimento da presença chinesa representa atualmente um desafio ainda maior para o setor do que as tarifas impostas pelos Estados Unidos, conforme declaração de sua presidência à imprensa em julho de 2026.

Para Carlos Cogo, a participação ainda reduzida das fabricantes chinesas no mercado brasileiro não deve ser interpretada como um limite para sua expansão, mas como o início de um processo de crescimento.

Na avaliação do especialista, a resposta da indústria instalada no Brasil dependerá menos de medidas de proteção comercial e mais de investimentos em eficiência, inovação tecnológica, qualidade no pós-venda, fortalecimento das redes de distribuição e ampliação das alternativas de crédito aos produtores.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN

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Eventos

Meeting Comex 2026 é lançado e reforça protagonismo como um dos maiores eventos de comércio exterior do Brasil

O Meeting Comex 2026 já tem data marcada e promete consolidar ainda mais sua posição entre os principais eventos de comércio exterior da América Latina. A Associação Empresarial de Joinville (ACIJ) lançou oficialmente a 13ª edição do encontro nesta terça-feira (4), durante um café da manhã que reuniu patrocinadores, parceiros, autoridades e lideranças empresariais para apresentar as novidades da programação.

Marcado para os dias 22 e 23 de setembro, na Expoville, em Joinville (SC), o evento deve reunir mais de três mil participantes entre executivos, empresários, operadores logísticos, importadores, exportadores, representantes de órgãos públicos e especialistas que atuam diretamente nas cadeias globais de suprimentos.

Durante o lançamento, a presidente do Meeting Comex 2026 e vice-presidente da ACIJ, Carolina Botelho, apresentou a programação oficial e destacou o fortalecimento da presença internacional, uma das principais novidades desta edição. Delegações empresariais de diversos continentes já confirmaram participação, representando países como Alemanha, Portugal, Espanha, Paraguai, China, Panamá, Rússia, África do Sul, Guatemala, Moçambique, Austrália, Colômbia e Marrocos. A expectativa é ampliar a geração de negócios, estimular novas parcerias comerciais e fortalecer o relacionamento entre empresas brasileiras e mercados estratégicos ao redor do mundo.

A programação foi estruturada para discutir alguns dos temas mais relevantes do cenário atual do comércio exterior. Questões como os impactos da Reforma Tributária nas operações de importação, o acordo entre Mercosul e União Europeia, a geopolítica internacional, a competitividade da logística brasileira, o transporte marítimo e aéreo de cargas, além do tratamento administrativo das importações, estarão entre os principais assuntos debatidos ao longo dos dois dias.

O encontro contará com a presença de autoridades governamentais, representantes de órgãos anuentes, executivos de grandes empresas e especialistas reconhecidos nacional e internacionalmente. Entre os destaques da programação estão o economista Marcos Troyjo, ex-presidente do Banco dos BRICS, que abordará os desafios e as oportunidades do comércio exterior brasileiro diante das novas exigências globais relacionadas ao ESG, e o General André Novaes, que fará uma análise sobre como os atuais movimentos geopolíticos influenciam diretamente as estratégias das empresas que atuam no mercado internacional.

Além do conteúdo técnico, o Meeting Comex mantém sua proposta de promover conexões estratégicas entre os diferentes agentes da cadeia logística e do comércio exterior. A feira de negócios, os espaços de relacionamento e os momentos dedicados ao networking devem reunir empresas, fornecedores, operadores logísticos, despachantes aduaneiros e representantes de instituições públicas em um ambiente voltado à geração de oportunidades comerciais e ao fortalecimento de parcerias.

Ao longo de doze edições, o Meeting Comex tornou-se um dos mais importantes fóruns brasileiros para discussão de tendências, inovação e desenvolvimento do comércio internacional. O evento reúne um público altamente qualificado, formado por executivos, diretores, CEOs, gestores de supply chain e tomadores de decisão que movimentam bilhões de reais em operações de importação e exportação todos os anos.

As inscrições para a edição de 2026 já estão abertas. Os participantes terão acesso aos dois dias de programação, que somam mais de vinte horas de conteúdo técnico, além de workshops, painéis, feira de negócios, espaços de networking, coffee breaks, brunch oficial, Happy Comex, estacionamento durante todo o evento e certificado de participação.

Garante seu ingresso aqui: https://weox.com.br/eventos/meeting-comex-2026/19

Fonte: ACIJ

Texto: Redação

Imagens: Giovana Santos

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Especialista

O que ameaça os preços da Black Friday e do Natal no Brasil?

As promoções da Black Friday, uma das datas mais importantes do varejo brasileiro, começam a ser definidas muito antes de novembro. É em agosto que fabricantes e varejistas negociam as compras que abastecerão as lojas nos últimos meses do ano, grande parte delas composta por produtos importados ou fabricados com componentes vindos da Ásia.

Neste ano, porém, o consumidor pode encontrar um cenário diferente. A alta do frete marítimo internacional e as tensões geopolíticas globais aumentaram significativamente os custos de importação, reduzindo a margem para grandes descontos e influenciando até mesmo a variedade de produtos disponíveis nas prateleiras.

Frete marítimo pressiona custos da Black Friday

O principal fator de preocupação para a Black Friday 2026 é a disparada do frete marítimo. O custo do contêiner de 40 pés entre Ásia e Brasil saltou de cerca de US$ 3 mil em abril para US$ 9 mil em junho, estabilizando-se posteriormente na faixa de US$ 6 mil.

Esse aumento não afeta apenas o preço final dos produtos. Mercadorias de menor margem de lucro ou que ocupam maior espaço nos contêineres tendem a perder competitividade, reduzindo sua presença nas lojas.

Como o tempo médio entre o embarque na Ásia e a chegada ao Brasil é de aproximadamente 60 dias, os contêineres enviados durante o pico dos custos começam a desembarcar agora. Por isso, os impactos devem ser percebidos justamente no período de abastecimento da Black Friday e das vendas de Natal.

Geopolítica influencia toda a cadeia logística

Hoje, acompanhar o cenário geopolítico deixou de ser apenas uma questão estratégica e passou a ser uma necessidade para quem atua no comércio exterior.

Os conflitos no Oriente Médio levaram diversos armadores a evitarem o Canal de Suez, optando pela rota do Cabo da Boa Esperança. Essa mudança acrescenta cerca de 15 dias às viagens marítimas, aumentando despesas com combustível, seguros e utilização dos navios.

Ao mesmo tempo, a instabilidade no Estreito de Ormuz e o congestionamento dos principais portos mundiais fizeram a logística internacional atingir níveis semelhantes aos observados durante a pandemia, quando houve uma verdadeira disputa por contêineres.

O impacto para empresas e consumidores

Nem todos os produtos sentirão o aumento dos custos da mesma forma.

Itens volumosos e de menor valor agregado, como pneus e algumas mercadorias de baixo ticket, sofrem maior pressão, já que o custo fixo do frete é dividido entre poucas unidades. Já produtos de maior valor, como eletrodomésticos e eletrônicos, conseguem absorver parte desse aumento sem comprometer totalmente sua competitividade.

Para o consumidor, o resultado pode aparecer de diferentes maneiras:

  • descontos mais modestos na Black Friday;
  • menor variedade de alguns produtos importados;
  • maior oferta de itens compactos e essenciais;
  • condições de parcelamento mais atrativas para compensar preços mais elevados.

Planejamento será o diferencial competitivo

Mais do que nunca, planejamento será a principal vantagem das empresas.

Importadores que anteciparam suas compras conseguiram reduzir parte dos impactos do aumento do frete, embora tenham precisado investir em armazenagem para manter estoques preparados para o segundo semestre.

Já quem deixou as importações para os últimos meses do ano enfrenta um mercado com menor disponibilidade de espaço nos navios e custos muito mais elevados. Nesse cenário, ocorre uma verdadeira disputa por capacidade logística, pressionando margens e aumentando o CAC (Custo de Aquisição de Clientes), já que vender se torna mais caro.

Por outro lado, empresas que trabalham com antecedência conseguem estruturar melhor sua operação, fortalecer o relacionamento com seus clientes e construir campanhas menos dependentes de descontos agressivos.

Planejar cenários é uma estratégia, não uma opção

Sempre defendi que empresas que atuam no comércio exterior precisam trabalhar com projeções de cenários. A logística internacional é dinâmica e altamente sensível a fatores econômicos e geopolíticos. Antecipar decisões significa reduzir riscos, preservar competitividade e entregar mais valor ao cliente.

A Black Friday acontece em novembro e o Natal em dezembro, mas o sucesso dessas datas começa muitos meses antes, no planejamento das importações.

A pergunta que fica é simples:

Sua empresa antecipou as compras para a Black Friday e o Natal ou ainda está refém dos custos elevados do frete marítimo?



Renata Palmeira é CEO do RêConecta News, executiva comercial e especialista em Logística, Comércio Exterior e Gestão de Pessoas. Com mais de 25 anos de experiência nos setores de vendas e logística, atua na gestão comercial, desenvolvimento de equipes e soluções logísticas integradas. Fundadora do portal RêConecta News, trabalha para ampliar a visibilidade e o posicionamento estratégico de empresas e profissionais de Comex e Logística, além de atuar como palestrante nas áreas de vendas, marketing e logística.

*Imagem ilustrativa em destaque produzida por IA.

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Evento

SINDAPE e FEADUANEIROS reforçam protagonismo do Despachante Aduaneiro na Multimodal Nordeste 2026

O Sindicato dos Despachantes Aduaneiros de Pernambuco (SINDAPE), em parceria com a Federação Nacional dos Despachantes Aduaneiros (FEADUANEIROS), marcará presença na Multimodal Nordeste 2026 com um espaço dedicado ao fortalecimento do comércio exterior brasileiro e à valorização da profissão de Despachante Aduaneiro. Durante os três dias de evento, as entidades receberão visitantes no estande 34, localizado na Rua D, promovendo debates, networking e troca de experiências com empresas, autoridades e profissionais da cadeia logística.

Para o presidente do SINDAPE e da FEADUANEIROS, José Carlos Raposo, participar da Multimodal Nordeste é uma forma de ampliar o diálogo com todo o ecossistema do comércio exterior e reforçar a relevância da categoria em um momento de importantes transformações para o setor. “O SINDAPE participa da Multimodal Nordeste por entender que este é um dos principais eventos de logística, transporte e comércio exterior da região. Nosso objetivo é fortalecer o relacionamento com importadores, exportadores, operadores logísticos, terminais, autoridades públicas e demais profissionais, valorizando o trabalho desenvolvido pelos Despachantes Aduaneiros”, destaca Raposo.

Espaço para debater o futuro do comércio exterior

A programação no estande reunirá discussões sobre temas estratégicos que impactam diretamente as operações de comércio internacional. Entre os assuntos em evidência estão os efeitos da Reforma Tributária sobre os serviços de comércio exterior, o projeto de criação do Conselho Federal dos Despachantes Aduaneiros, o Programa de Conformidade desenvolvido em parceria com a Receita Federal, além da modernização dos processos aduaneiros, da digitalização das operações e da qualificação profissional.

Segundo José Carlos Raposo, essas pautas vão além dos interesses da categoria e refletem desafios enfrentados por toda a cadeia logística. “São temas que interessam a todas as empresas que atuam no comércio internacional e que exigem diálogo entre os diversos atores do setor para construir soluções que tragam mais eficiência, segurança jurídica e competitividade às operações”, afirma.

Atuação conjunta fortalece a categoria

A presença na feira também evidencia o trabalho integrado entre o SINDAPE e a FEADUANEIROS. Enquanto a Federação atua nacionalmente na defesa institucional da profissão, mantendo interlocução com a Receita Federal, Governo Federal, Congresso Nacional e Confederação Nacional do Comércio (CNC), o sindicato concentra esforços no atendimento aos profissionais de Pernambuco, oferecendo orientação técnica, capacitação e representação institucional.

Essa atuação conjunta permite que as demandas regionais sejam levadas às discussões em âmbito nacional, ao mesmo tempo em que as conquistas obtidas em Brasília chegam rapidamente aos profissionais que atuam diariamente nas operações de importação e exportação.

Durante a Multimodal Nordeste, o SINDAPE e a FEADUANEIROS convidam despachantes aduaneiros, importadores, exportadores, operadores logísticos, representantes de terminais, estudantes e demais profissionais do comércio exterior para visitar o estande 34, na Rua D, conhecer as iniciativas desenvolvidas pelas entidades e participar das discussões sobre os desafios e oportunidades que estão transformando o setor.

Texto: ReConecta News

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Logística

Expansão dos portos de Itajaí e Navegantes acelera demanda por galpões logísticos no Litoral Norte de SC

Crescimento da atividade portuária impulsiona investimentos imobiliários e amplia valorização de áreas estratégicas

A expansão dos portos de Itajaí e Navegantes está transformando o mercado logístico do Litoral Norte de Santa Catarina. O fortalecimento das operações portuárias, aliado ao avanço de grandes obras de infraestrutura, vem aumentando a procura por galpões logísticos e impulsionando novos investimentos na região, que concentra mais de R$ 54 bilhões em projetos públicos e privados.

O cenário reúne dois fatores decisivos para o setor: a retomada das operações do Porto de Itajaí, sob administração da JBS Terminais, e o desempenho da Portonave, em Navegantes, que mantém a liderança nacional em produtividade entre os terminais portuários brasileiros.

Portonave mantém liderança em eficiência operacional

A Portonave encerrou 2025 com a movimentação superior a 1,1 milhão de TEUs e produtividade média de 114 movimentos por hora de navio, desempenho que a coloca novamente como o terminal portuário mais eficiente do país, de acordo com dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

Ao completar 18 anos de operação, o terminal acumula aproximadamente 14 milhões de TEUs movimentados e cerca de 10 mil escalas de embarcações. Outro destaque foi a conclusão da primeira etapa da modernização do cais, investimento estimado em R$ 2 bilhões que permitirá receber navios de até 400 metros de comprimento, ampliando a capacidade operacional para atender às novas demandas do comércio exterior.

Porto de Itajaí retoma crescimento após nova gestão

Enquanto Navegantes amplia sua capacidade, o Porto de Itajaí vive um novo ciclo de expansão desde que passou a ser administrado pela JBS Terminais, em outubro de 2024.

Após um período de aproximadamente um ano e meio sem operações regulares de contêineres, o terminal registrou crescimento expressivo. A capacidade operacional aumentou cerca de 330% desde o início da nova gestão, ultrapassando a marca de 560 mil TEUs movimentados.

Os números mais recentes também refletem essa recuperação. No primeiro trimestre de 2026, a movimentação de contêineres cresceu mais de 60% em relação ao mesmo período do ano anterior. Já entre janeiro e abril, o complexo portuário movimentou 1,67 milhão de toneladas de cargas, avanço próximo de 40% frente ao mesmo intervalo de 2025.

Para acompanhar essa evolução, o Ministério de Portos e Aeroportos e a Antaq trabalham na concessão do canal de acesso aquaviário ao Porto de Itajaí. O projeto prevê investimentos de aproximadamente R$ 311 milhões ao longo de 25 anos, com expectativa de elevar a capacidade anual para até 3,43 milhões de TEUs, mais que triplicando o potencial atual do terminal.

Mercado de galpões vive baixa vacância e forte valorização

O crescimento simultâneo dos dois principais portos da região já provoca reflexos no mercado imobiliário logístico.

Santa Catarina figura entre os estados com menor índice de vacância em condomínios logísticos do Brasil, cenário impulsionado pelo aumento das operações de importação e exportação e pela limitação de áreas disponíveis para novos empreendimentos.

Levantamentos do setor apontam valorização de até 20% no metro quadrado dos galpões localizados no eixo formado por Itajaí, Navegantes, Araquari e Garuva. Em Navegantes, a valorização acumulada dos ativos logísticos chega a aproximadamente 300% na última década.

No início de 2026, a taxa nacional de vacância dos condomínios logísticos era de cerca de 7%, segundo dados da consultoria Colliers, reforçando o cenário favorável para novos investimentos.

Novos empreendimentos ampliam oferta logística

Com a demanda crescente, incorporadoras aceleram o lançamento de novos projetos voltados ao setor logístico.

Entre eles está o Navepark, empreendimento desenvolvido pelo Grupo ABC.inc & Embralot, em Navegantes. O complexo reúne galpões modulares e estrutura de serviços em uma localização estratégica, distante cerca de 9 quilômetros da Portonave, 13 quilômetros do Porto de Itajaí e 11 quilômetros do Aeroporto Internacional de Navegantes.

Segundo os responsáveis pelo projeto, o empreendimento já opera com ocupação total e faz parte de um plano de expansão que prevê seis novos lançamentos ao longo de 2026.

Também em Navegantes, a Ciway, empresa do Grupo Saes Empreendimentos, desenvolve o complexo logístico Ciway 470. O projeto contará com aproximadamente 200 mil metros quadrados distribuídos em 94 módulos e terá certificação ambiental LEED, evidenciando a crescente busca por empreendimentos sustentáveis no segmento.

Infraestrutura viária é desafio para acompanhar crescimento

Apesar da expansão portuária e do avanço do mercado imobiliário, a infraestrutura rodoviária continua sendo um dos principais desafios da região.

A BR-101, principal corredor de acesso aos portos do Litoral Norte catarinense, deverá receber investimentos de aproximadamente R$ 382 milhões no trecho entre Balneário Camboriú e Penha.

O pacote contempla a implantação de 46 quilômetros de terceiras faixas, além da construção de uma nova ponte sobre o Rio Itajaí-Açu e melhorias em acessos considerados críticos para o fluxo de caminhões.

Especialistas apontam que a competitividade logística da região dependerá não apenas da ampliação da capacidade portuária, mas também da modernização da infraestrutura viária, essencial para garantir maior eficiência no transporte de cargas.

Fonte: Portogente.

Texto: Redação

Imagem: Ilustrativa Pexels / Arquivo

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Eventos

FALTAM 5 DIAS: Multimodal Nordeste 2026 destaca inovação, infraestrutura e negócios

Em um momento em que o Nordeste amplia sua relevância no cenário logístico nacional, a Multimodal Nordeste 2026 se consolida como um dos principais encontros de negócios, inovação e conhecimento do setor. Entre os dias 4 e 6 de agosto, o Recife Expo Center reunirá executivos, embarcadores, operadores logísticos, transportadoras, autoridades, fornecedores de tecnologia e especialistas para discutir as tendências que estão moldando o futuro da cadeia de suprimentos no Brasil.

Mais do que uma feira de negócios, a Multimodal Nordeste promove conexões estratégicas, apresenta soluções para transporte e logística, impulsiona o networking e abre espaço para debates sobre os desafios e oportunidades do mercado. Um dos destaques da programação é o Conecta Multimodal, painel de palestras realizado em parceria com o Movimento Econômico e a Folha de Pernambuco, reunindo grandes nomes do setor para discutir temas que impactam diretamente a competitividade das empresas.

Para visitar a feira é preciso fazer credenciamento. Os leitores do ReConecta News podem garantir o acesso gratuito utilizando o cupom CONVITECONECTA durante a inscrição. Já a participação nas palestras do Conecta Multimodal é paga e requer a aquisição do ingresso no site oficial da Multimodal Nordeste.

CONECTA MULTIMODAL: Programação reúne especialistas em logística, tecnologia e infraestrutura

Durante os três dias de evento, o Conecta Multimodal promoverá nove palestras voltadas aos principais desafios da logística moderna, abordando desde a valorização dos profissionais até inteligência artificial, infraestrutura, cabotagem, geopolítica e sustentabilidade.

4 de agosto: pessoas, tecnologia e desenvolvimento regional

A programação começa às 15h com a palestra “Pessoas no Centro da Estrada: Como a Humanização do Motorista Transforma Risco em Performance”, ministrada por Wiker Lytiery, gestor do Grupo Tombini. O painel discutirá como a valorização dos profissionais do transporte influencia a segurança e os resultados operacionais.

Às 16h30, Carlos Menchik, professor de Logística e Supply Chain da ESPM, apresenta “Como a Tecnologia Está Mudando a Logística no Mundo – Uma Visão Externa das Boas Práticas de Tecnologia Aplicada à Logística”, trazendo exemplos internacionais e tendências que vêm transformando a gestão logística.

Encerrando o primeiro dia, às 18h, Tiago Veras, gerente executivo de Inteligência em Transporte da Confederação Nacional do Transporte (CNT), abordará “O Papel da Infraestrutura de Transporte no Desenvolvimento Regional”, destacando como investimentos em mobilidade e logística impulsionam a economia.

5 de agosto: inteligência artificial, dados e combustíveis sustentáveis

No segundo dia, às 15h, Juliano Maia, especialista em Logística, Supply Chain e Operações da TOTVS, apresentará “Inteligência Artificial Além do Hype: Impactos e Oportunidades da IA nas Operações Logísticas e na Cadeia de Supply”, mostrando aplicações práticas da tecnologia para aumentar eficiência e produtividade.

Às 16h30, será a vez de Thiago Bona, CEO da Gobrax, com a palestra “Dados no TRC: Como Transformar Números em Decisões para Motoristas e Gestores”, destacando o papel da análise de dados na gestão do transporte rodoviário de cargas.

Fechando a programação do dia, às 18h, Sóstenes Alcoforado, diretor de Sustentabilidade e Inovação do Complexo Industrial Portuário de Suape, apresentará “Suape: Hub de Combustíveis Sustentáveis”, mostrando o protagonismo do porto pernambucano na transição energética e na logística sustentável.

6 de agosto: geopolítica, cabotagem e experiência do cliente

O último dia começa às 15h com Igor Muniz, Chief Commercial Officer da Scan Global Logistics para a América Latina, que ministrará a palestra “Como Reduzir os Impactos da Geopolítica e da Sazonalidade nos Fretes Internacionais da Ásia para o Brasil”. O painel discutirá estratégias para enfrentar oscilações de mercado, conflitos internacionais e variações na oferta de transporte marítimo.

Às 16h30, Luis Fernando Resano, diretor-executivo da Associação Brasileira de Armadores de Cabotagem (ABAC), conduzirá o debate “Navegando o Futuro: Cabotagem como Motor de Competitividade e Sustentabilidade”, apresentando o potencial do modal para ampliar a eficiência logística e reduzir impactos ambientais.

O encerramento acontece às 18h, com Fernando Trigueiro, presidente da Anelog, que abordará o tema “Gerenciamento das Expectativas e Percepções dos Clientes”, destacando a importância da comunicação, da previsibilidade operacional e da excelência no atendimento para fortalecer relacionamentos comerciais.

Com uma programação focada em inovação, infraestrutura, tecnologia e desenvolvimento sustentável, o Conecta Multimodal reforça a proposta da Multimodal Nordeste de promover conhecimento, networking e soluções para os desafios atuais da logística brasileira.

Com informações da organização da Multimodal Nordeste.

Texto e Imagem: ReConecta News

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Comércio Exterior

Balança comercial brasileira acumula superávit de US$ 48,9 bilhões até a quarta semana de julho

O comércio exterior brasileiro manteve desempenho positivo em 2026. Até a quarta semana de julho, as exportações somaram US$ 27,59 bilhões, crescimento de 9,7% em relação ao mesmo período de 2025. As importações totalizaram US$ 21,05 bilhões, alta de 7%, resultando em um superávit de US$ 6,54 bilhões, avanço de 19,4%. A corrente de comércio alcançou US$ 48,63 bilhões, aumento de 8,5%.

No acumulado entre janeiro e a quarta semana de julho, o Brasil exportou US$ 212,36 bilhões, crescimento de 11,2% sobre igual período do ano passado. As importações atingiram US$ 163,46 bilhões, alta de 5,4%, elevando o superávit da balança comercial para US$ 48,90 bilhões, expansão de 36,2%. A corrente de comércio chegou a US$ 375,82 bilhões, avanço de 8,6%.

Exportações foram impulsionadas pelo agronegócio, mineração e indústria

As exportações cresceram em todos os principais setores da economia. A agropecuária avançou 14,3%, movimentando US$ 6,40 bilhões. A indústria extrativa registrou alta de 11,4%, com US$ 6,48 bilhões, enquanto a indústria de transformação cresceu 6,4%, alcançando US$ 14,50 bilhões.

Entre os produtos que mais contribuíram para esse resultado estão soja (+24,6%), algodão em bruto (+33,9%), produtos hortícolas (+18,3%), minérios de níquel (+88%), petróleo bruto (+31,4%), carnes de aves (+43,4%), farelo de soja (+42,3%) e óleos combustíveis (+73,6%).

Apesar do desempenho positivo, alguns produtos registraram queda nas exportações, como milho (-20,7%), café não torrado (-20,4%), minério de ferro (-10,5%), minério de cobre (-29,5%), açúcar (-19,9%), automóveis de passageiros (-33,8%) e aeronaves (-49,8%).

Nas importações, a indústria de transformação respondeu pela maior movimentação, com US$ 19,54 bilhões e crescimento de 6,4%. A indústria extrativa avançou 29,5%, enquanto a agropecuária apresentou retração de 9,8%.

Os principais aumentos ocorreram nas compras de máquinas para processamento de dados (+230,2%), componentes eletrônicos (+52,4%), óleos combustíveis (+38,6%), petróleo bruto (+34,5%), gás natural (+23%) e outros minérios de metais de base (+113,9%). Em contrapartida, diminuíram as importações de soja (-55,6%), trigo e centeio (-5,8%), fertilizantes brutos (-8%), defensivos agrícolas (-16,6%), motores e máquinas não elétricas (-75,7%) e plataformas e embarcações flutuantes (-90,1%).

Saldo comercial reforça desempenho do comércio exterior

Os resultados confirmam o ritmo de crescimento do comércio exterior brasileiro em 2026, impulsionado pelo avanço das exportações e pela expansão da corrente de comércio. O aumento do superávit evidencia o fortalecimento da balança comercial e o bom desempenho de setores estratégicos da economia, como agronegócio, mineração e indústria de transformação.

Com informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC).

Texto: Matéria elaborada com auxílio de Inteligência Artificial, sob curadoria jornalística da equipe do ReConecta News.

Imagem Ilustrativa: Arquivo ReConecta News

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