Comércio Internacional

Trump eleva tarifa global para 15% e amplia tensão no comércio internacional

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que a tarifa global sobre produtos importados será elevada de 10% para 15%, intensificando a instabilidade no comércio internacional. A decisão foi divulgada um dia após a Suprema Corte dos EUA considerar ilegal o uso de poderes emergenciais para impor tarifas recíprocas.

Em publicação nas redes sociais no sábado (21), Trump afirmou que a elevação passa a valer “com efeito imediato” e classificou a medida como legal e necessária para proteger os interesses econômicos americanos.

Decisão da Suprema Corte pressiona estratégia comercial

A medida ocorre em meio à reação do governo à decisão da Suprema Corte dos EUA, que, por 6 votos a 3, entendeu que o presidente extrapolou sua autoridade ao utilizar a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) para aplicar tarifas que variavam entre 10% e 50% sobre diversos parceiros comerciais.

Segundo os ministros, a tentativa de contornar o Congresso não encontra respaldo constitucional. A decisão representa um revés significativo para a política de tarifas recíprocas defendida por Trump.

Base legal muda após revés judicial

Para manter a estratégia comercial ativa, o governo agora recorre à Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, que autoriza o presidente a impor tarifas por até 150 dias sem aprovação do Congresso. Ainda assim, a medida pode enfrentar resistência de parlamentares democratas e de parte dos republicanos.

Na sexta-feira (20), poucas horas após a decisão judicial, Trump havia anunciado uma tarifa fixa de 10%, com vigência prevista para 24 de fevereiro, às 12h01 (horário de Washington), conforme comunicado da Casa Branca. No entanto, no dia seguinte, decidiu ampliar a alíquota para 15%, indicando que o percentual anterior era insuficiente.

Até o momento, não foram divulgados detalhes oficiais sobre a data exata de entrada em vigor da nova tarifa de 15%.

Impactos econômicos e novas investigações

A mudança reforça o cenário de volatilidade econômica e amplia a incerteza entre parceiros comerciais. O governo também determinou a abertura acelerada de novas investigações com base na Seção 301 da Lei de Comércio, que permite a imposição de tarifas após a constatação de práticas comerciais consideradas desleais.

O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou que as apurações devem abranger temas como excesso de capacidade industrial, trabalho forçado, políticas de preços farmacêuticos, tributação de serviços digitais e práticas relacionadas ao comércio de frutos do mar, arroz e outros produtos.

Além disso, o presidente avalia aplicar tarifas entre 15% e 30% sobre automóveis estrangeiros, mantendo, porém, isenções previstas no acordo comercial entre Estados Unidos, México e Canadá.

Reino Unido reage e empresas buscam reembolsos

Após a mudança anunciada por Trump, o governo do Reino Unido declarou esperar que sua relação comercial privilegiada com os EUA seja preservada, apesar do novo cenário tarifário.

No campo jurídico, a decisão da Suprema Corte também levanta dúvidas sobre o destino das receitas já arrecadadas. Segundo levantamento da Bloomberg, mais de 1.500 empresas ingressaram com ações judiciais em tribunais comerciais antes do julgamento.

A Corte não definiu se importadores terão direito a reembolsos, deixando a questão para instâncias inferiores. Estima-se que a exposição financeira possa chegar a US$ 170 bilhões — mais da metade do total arrecadado com as tarifas implementadas durante o governo Trump.

Apesar disso, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que a arrecadação tarifária deverá permanecer praticamente estável em 2026, mesmo após a decisão judicial.

FONTE: Bloomberg Línea
TEXTO: Redação
IMAGEM:  Bonnie Cash/UPI/Bloomberg

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Internacional

União Europeia prepara entrada em vigor de acordo com Mercosul apesar de resistências

A União Europeia deve avançar, nos próximos meses, com a implementação do acordo de livre comércio com o Mercosul, mesmo diante da oposição de alguns países-membros e de questionamentos judiciais. A sinalização foi feita nesta sexta-feira pelo comissário europeu de Comércio, Maros Sefcovic.

Acordo pode eliminar bilhões em tarifas

O tratado firmado entre o bloco europeu e os países do Mercosul — Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai — prevê a eliminação de cerca de 4 bilhões de euros (aproximadamente US$ 4,7 bilhões) em tarifas sobre exportações europeias.

Se efetivado, o acordo se tornará o maior já negociado pela UE em termos de potencial redução tarifária, ampliando o acesso de empresas europeias ao mercado sul-americano e fortalecendo as relações comerciais entre as regiões.

O texto foi concluído em janeiro, após 25 anos de negociações entre as partes.

França lidera oposição dentro da União Europeia

Apesar do avanço institucional, o tratado enfrenta resistência política relevante. França tem se posicionado de forma contrária ao acordo, alegando que a ampliação das importações de produtos agrícolas do Mercosul — especialmente carne bovina e açúcar — pode prejudicar produtores locais.

Por outro lado, Alemanha e Espanha figuram entre os principais defensores da iniciativa, argumentando que o acordo amplia oportunidades comerciais estratégicas para o bloco europeu.

Contestação judicial pode atrasar processo

Além do embate político, há também um impasse jurídico. No mês passado, o Parlamento Europeu aprovou uma medida para levar o acordo ao tribunal superior da União Europeia, movimento que pode retardar sua implementação em até dois anos e até comprometer sua viabilidade.

Mesmo assim, a Comissão Europeia ainda pode optar pela aplicação provisória do acordo antes da conclusão da análise judicial, acelerando sua entrada em vigor.

FONTE: Forbes
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Forbes

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Mercado Internacional

Acordo Mercosul-UE: atraso na ratificação cria janela estratégica para empresas brasileiras

A tramitação do acordo entre Mercosul e União Europeia avança no Brasil, mas enfrenta um novo obstáculo no continente europeu. A exigência de um parecer jurídico pelo Parlamento Europeu pode prolongar o processo de ratificação por meses — ou até anos — abrindo um intervalo que especialistas enxergam como oportunidade estratégica para o setor produtivo nacional.

Enquanto o governo brasileiro dá prioridade ao tema no Congresso, o cenário externo impõe cautela. Para empresas que miram o mercado europeu, o momento é visto como decisivo para ajustes internos e ganho de competitividade.

Parecer jurídico na Europa pode adiar ratificação

A decisão do Parlamento Europeu de solicitar uma análise formal sobre a conformidade jurídica do tratado acrescenta uma etapa ao processo de aprovação do Acordo Mercosul-UE. Esse movimento pode impactar diretamente o cronograma previsto para a ratificação do acordo comercial.

Apesar do possível atraso, especialistas avaliam que o período adicional deve ser encarado como tempo de preparação — e não como retrocesso. A abertura de mercado tende a elevar o nível de exigência competitiva, pressionando empresas brasileiras a revisar estruturas, processos e estratégias.

Competitividade e maturidade empresarial em foco

Para Waldir Bertolino, vice-presidente de vendas e country manager da Infor Brasil e South Latam, o acordo funcionará como um divisor de águas para as organizações nacionais.

Segundo ele, quando a concorrência internacional se intensifica, ineficiências operacionais deixam de ser apenas questões internas e passam a comprometer diretamente margens e participação de mercado. Nesse contexto, o tratado comercial poderá expor fragilidades que vão além dos tradicionais entraves de infraestrutura e carga tributária.

O executivo afirma que empresas preparadas terão condições de ampliar oportunidades no mercado europeu, enquanto aquelas que não se adaptarem enfrentarão riscos maiores.

Logística ganha protagonismo estratégico

A logística, historicamente tratada como centro de custo, passa a ocupar papel central na estratégia empresarial diante da possível consolidação do acordo Mercosul-UE.

A digitalização de processos, a integração de dados e a automação são apontadas como fatores-chave para elevar eficiência, reduzir retrabalho e garantir previsibilidade. Em vez de concentrar investimentos apenas na ampliação de ativos físicos, como frota ou galpões, a tendência é direcionar recursos para tecnologia e inteligência operacional.

Para competir globalmente, três pilares tornam-se fundamentais:

  • Custo competitivo
  • Alto nível de serviço
  • Previsibilidade operacional

Empresas que estruturarem governança, gestão de dados e tecnologia tendem a alcançar maior escala e consistência no desempenho.

Dados e capital humano: gargalos silenciosos

Além de desafios estruturais conhecidos, como burocracia e infraestrutura, outro obstáculo ganha destaque: a qualidade das informações corporativas.

Dados fragmentados, inconsistentes ou desatualizados comprometem iniciativas de automação e inovação. Sem bases confiáveis e integradas, o uso de ferramentas tecnológicas perde efetividade.

Outro ponto crítico é a capacitação das lideranças. A adoção de sistemas modernos, sem preparo estratégico das equipes, pode resultar em baixo impacto prático. O risco, segundo o executivo, é que empresas invistam em tecnologia, mas não extraiam ganhos reais por falta de qualificação adequada.

Com o avanço do acordo, há ainda a possibilidade de escassez de profissionais preparados para atender às novas demandas do comércio internacional.

Tempo de adaptação exige mudança cultural

Embora o acordo tenha sido negociado ao longo de 26 anos, muitas empresas brasileiras não o incorporaram ao planejamento estratégico por considerarem sua aprovação incerta.

Agora, com a tramitação mais concreta, o prazo de adaptação ganha urgência. Segundo avaliação do setor, ganhos operacionais relevantes podem surgir entre 12 e 18 meses quando há foco, execução disciplinada e investimento em tecnologia. No entanto, atingir padrões globais sustentáveis exige transformação cultural de médio e longo prazo.

Com a União Europeia como principal fator de indefinição no calendário, o setor produtivo brasileiro ganha um período adicional para ajustes estruturais — possivelmente a última oportunidade antes da abertura efetiva do mercado.

Fonte: Infomoney

TEXTO: REDAÇÃO

IMAGEM: REPRODUÇÃO INFOMONEY / REUTERS / Cesar Olmedo

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Comércio

Acordo UE-Mercosul avança: Câmara da Argentina aprova tratado comercial

A Câmara dos Deputados da Argentina aprovou o acordo UE-Mercosul, dando um passo decisivo para a ratificação do tratado no país. A votação foi concluída pouco antes da meia-noite, com 203 votos favoráveis, 42 contrários e quatro abstenções.

O resultado evidenciou divisões inclusive dentro da oposição peronista, tradicionalmente associada a posições mais protecionistas. Parte da bancada votou a favor da proposta, alinhando-se à agenda de livre comércio defendida pelo governo.

Texto segue para o Senado argentino

Com o aval dos deputados, o projeto agora será analisado pelo Senado da Argentina, que deve iniciar o debate no dia 26. A expectativa é de aprovação, o que tornaria a Argentina o primeiro integrante do Mercosul a concluir a tramitação legislativa.

A ratificação é etapa necessária para que o tratado entre em vigor. O governo de Javier Milei busca acelerar o processo para assegurar vantagens comerciais, especialmente no acesso a cotas de exportação agropecuária, como as de carne bovina, antes dos demais parceiros do bloco, entre eles o Brasil.

Estratégia para sair na frente no Mercosul

Ao encaminhar o texto ao Congresso, o Executivo solicitou que a proposta fosse apreciada em sessões extraordinárias, com o objetivo de agilizar a votação e posicionar o país na dianteira dentro do bloco sul-americano.

Em Brasília, a Câmara dos Deputados do Brasil deve começar a discutir a ratificação apenas no próximo dia 24.

Aplicação provisória na União Europeia

Do lado europeu, o Parlamento Europeu decidiu submeter o tratado à análise do Tribunal de Justiça da União Europeia, processo que pode se estender por até dois anos.

No entanto, o capítulo comercial poderá ser aplicado provisoriamente pela Comissão Europeia, que tem competência para implementar a parte comercial enquanto aguarda o parecer jurídico definitivo.

Um acordo histórico com peso geopolítico

Assinado no último dia 24 após 25 anos de negociações, o acordo Mercosul-União Europeia prevê a criação de uma das maiores áreas de livre comércio do mundo.

Além do impacto econômico, o pacto também carrega relevância estratégica. A aproximação entre sul-americanos e europeus surge como alternativa diante da crescente polarização entre Estados Unidos e China no cenário global.

FONTE: G1
TEXTO: Redação
IMAGEM: UOL

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Comércio Internacional

Acordo comercial EUA-Argentina pressiona o Mercosul e coloca o Brasil diante de decisão estratégica

O novo acordo comercial EUA-Argentina reacendeu o debate sobre os limites institucionais do Mercosul e pode redefinir a dinâmica de negociações externas do bloco. Batizado de Acordo Recíproco de Comércio e Investimentos (ARTI), o entendimento foi anunciado na última semana e já provoca questionamentos sobre sua compatibilidade com as regras vigentes do grupo sul-americano.

O movimento cria um precedente dentro do bloco e impõe ao Brasil uma escolha estratégica: defender formalmente a norma atual ou adotar postura semelhante em futuros acordos bilaterais.

O que diz a regra do Mercosul

A norma central envolvida é a Decisão CMC 32/00, que estabelece que os países do Mercosul devem negociar conjuntamente acordos comerciais com terceiros quando houver concessão de preferências tarifárias.

O texto determina que os Estados-Partes não podem firmar novos acordos preferenciais isoladamente. Embora não possua mecanismo automático de sanção, a decisão segue formalmente em vigor.

Especialistas avaliam que, no caso do setor de carnes, o acordo firmado entre Estados Unidos e Argentina representa violação material da norma, e não apenas divergência interpretativa.

O conteúdo do acordo bilateral

Segundo o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, o acordo amplia significativamente o acesso de exportadores norte-americanos ao mercado argentino, ao mesmo tempo em que reforça compromissos regulatórios e sanitários.

Entre os principais pontos:

  • Eliminação de tarifas para 1.675 produtos argentinos exportados aos EUA, incluindo vinhos e limões;
  • Ampliação da cota de carne bovina argentina para 80 mil toneladas adicionais, além das 20 mil já existentes com tarifa reduzida;
  • Abertura do mercado argentino a produtos farmacêuticos, químicos, máquinas, itens de tecnologia, veículos e produtos agrícolas dos EUA;
  • Reconhecimento da autoridade sanitária norte-americana (FSIS) e compromisso de procedimentos transparentes pelo SENASA.

O acordo também inclui medidas sanitárias e fitossanitárias (SPS), cotas e compromissos regulatórios. Embora não altere formalmente a Tarifa Externa Comum do Mercosul, especialistas apontam que a equivalência sanitária combinada com cotas preferenciais configura, na prática, instrumento de acesso preferencial a mercado.

Precedente e risco de efeito dominó

A principal preocupação é o precedente. Caso o arranjo seja aceito sem contestação, outros setores podem seguir o mesmo modelo, esvaziando gradualmente a coordenação externa do bloco.

Analistas avaliam que o governo de Javier Milei aposta na limitada capacidade institucional do Mercosul de reagir e na resistência de países como Brasil, Paraguai e Uruguai em escalar o conflito político.

Ao mesmo tempo, os EUA, sob a liderança de Donald Trump, vêm priorizando acordos bilaterais funcionais, em detrimento de negociações bloco a bloco.

Brasil em encruzilhada: duas estratégias possíveis

Diante do cenário, o Brasil pode optar por dois caminhos distintos:

Estratégia defensiva

Consistiria em contestar formalmente a Argentina no âmbito do Mercosul, reforçando o princípio das negociações conjuntas e preservando a força normativa da Decisão 32/00.

O custo potencial é o desgaste diplomático bilateral, além da baixa probabilidade de reversão prática do acordo.

Estratégia ofensiva

Outra alternativa seria utilizar o precedente para ampliar a margem de manobra da política comercial brasileira, negociando acordos bilaterais semelhantes.

A vantagem seria maior flexibilidade estratégica. O risco, contudo, envolve o enfraquecimento explícito da coordenação externa do Mercosul e a abertura de espaço equivalente para Paraguai e Uruguai.

Impactos para a política comercial regional

A avaliação predominante é que o episódio ultrapassa um caso isolado. O acordo EUA-Argentina força o Brasil a definir sua posição diante de um precedente concreto.

Contestar o entendimento preserva a regra institucional, mas expõe limitações do bloco. Replicá-lo amplia opções comerciais, porém redefine, na prática, o alcance da política comercial comum.

A próxima reunião do Mercosul deve oferecer sinais sobre como os demais membros reagirão ao novo arranjo.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Agronegócio

Bangladesh recebe primeiro embarque de café verde do Brasil e amplia mercado consumidor

O Bangladesh recebeu, na segunda-feira (2 de fevereiro de 2026), o primeiro embarque de café verde em grãos do Brasil, abrindo caminho para a ampliação do consumo do produto no país asiático.

A chegada da carga foi acompanhada pelo adido agrícola brasileiro em Daca, Silvio Testasecca. A importação foi realizada pela North End Coffee Roasters, empresa que atua com destaque no mercado local, operando 15 cafeterias e mantendo, na capital, um centro integrado de produção, distribuição e treinamento.

Consumo de café verde tende a crescer no país

Atualmente, o café solúvel lidera o consumo no Bangladesh. No entanto, a entrada do café verde brasileiro no mercado local deve estimular a diversificação do consumo e o crescimento do segmento de cafés especiais.

Um dos fatores que favorecem essa projeção é a política tarifária. A taxa aplicada ao café verde importado do Brasil é a mesma praticada para produtos provenientes de Singapura — país que, até o momento, responde por cerca de 70% do café importado pelo Bangladesh.

Setor de cafeterias reúne marcas globais e locais

O mercado de cafeterias no Bangladesh apresenta forte dinamismo, reunindo redes internacionais e marcas regionais consolidadas. Entre os principais nomes estão Gloria Jean’s, Crimson Cup, Barcode Café, Columbus Coffee Shop, Barista, Coffee World e o Café São Paulo, o que reforça o potencial de expansão do consumo de café em grãos no país.

Brasil amplia presença no comércio agropecuário com Bangladesh

Além do avanço no setor cafeeiro, o Brasil mantém posição relevante como fornecedor agrícola do Bangladesh. No último ano, o país asiático importou mais de US$ 2,7 bilhões em produtos agropecuários brasileiros, com destaque para o complexo sucroalcooleiro, complexo soja, cereais, farinhas e preparações à base de milho.

FONTE: Datamar News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Comércio Internacional

Parlamentares brasileiros buscam salvaguardas no acordo Mercosul–União Europeia

Parlamentares brasileiros articulam com o governo federal a criação de salvaguardas no acordo Mercosul–União Europeia para proteger produtores locais diante de um possível aumento das importações europeias. O tema entrou em pauta na comissão mista de deputados e senadores que representam o Brasil no Parlamento do Mercosul (Parlasul), mas a votação prevista foi adiada para o dia 24 de fevereiro.

O adiamento, decidido na terça-feira (10), abre espaço para que o Congresso intensifique as negociações sobre mecanismos de proteção à agricultura brasileira, considerados essenciais por setores do agronegócio.

Reuniões com o Executivo e ministérios estratégicos

O senador Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, e a senadora Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura, devem se reunir com o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, nesta quarta-feira (11). O objetivo é avançar no processo de aprovação do tratado sem ignorar as preocupações do setor produtivo.

Além disso, parlamentares já dialogaram com o Ministério da Agricultura e Pecuária e com técnicos do MDIC, buscando avaliar impactos e possíveis medidas compensatórias. Na semana passada, o secretário de Comércio e Relações Internacionais do ministério, Luís Rua, se reuniu com representantes de setores exportadores incluídos no acordo.

Bancada ruralista pede cautela na tramitação

Integrantes da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) defendem um ritmo mais lento na tramitação do acordo, para permitir novas rodadas de negociação sobre garantias ao produtor nacional.

Segundo Nelsinho Trad, há resistência especialmente do agronegócio em relação a pontos sensíveis do tratado. Como o texto não pode mais ser alterado, a alternativa discutida é a adoção de medidas compensatórias por parte do governo brasileiro.

União Europeia adota salvaguardas internas

No mesmo dia, a União Europeia aprovou salvaguardas internas para proteger seus próprios produtores contra importações brasileiras que possam afetar o mercado local. A decisão foi comunicada aos parlamentares pelo embaixador da UE no Brasil, Marian Schuegraf, e foi vista como um sinal positivo para reduzir tensões políticas no Parlamento Europeu.

Mesmo assim, legisladores brasileiros aguardam um cenário político mais favorável na Europa antes de organizar uma missão diplomática para promover o acordo Mercosul–UE.

Divergências sobre impacto no agronegócio

Durante a sessão, a senadora Tereza Cristina avaliou que as salvaguardas europeias são frágeis para setores como carnes e açúcar. Segundo ela, limites de apenas 5% no aumento de preço ou volume importado tornam o acordo pouco atrativo para produtos já exportados pelo Brasil. Ainda assim, destacou que o país pode demonstrar a força de uma agricultura sustentável.

Já integrantes do Executivo avaliam que a adoção de medidas protecionistas internas pode transmitir uma mensagem negativa à União Europeia e enfraquecer o poder de barganha do Brasil em futuras negociações comerciais.

Tramitação e limites do Congresso

O relator da matéria, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), apresentou seu parecer favorável à ratificação do tratado firmado em 17 de janeiro entre os dois blocos e acatou o pedido de adiamento da votação.

Por se tratar de um tratado internacional, o Congresso Nacional não pode modificar o texto do acordo. A decisão final se limita à aprovação ou rejeição integral do documento.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Saulo Cruz/Agência Senado

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Internacional

Acordo Mercosul-UE avança no Congresso e entra na pauta de comissão da Câmara

O acordo Mercosul-União Europeia deu o primeiro passo no Congresso Nacional e pode ser analisado nesta terça-feira (10) por uma comissão da Câmara dos Deputados. O tratado está na pauta do colegiado responsável por representar o Brasil no Parlamento do Mercosul (Parlasul).

A expectativa entre parlamentares é de uma votação sem grandes debates, abrindo caminho para que o texto avance às próximas etapas de tramitação. A apreciação em plenário, no entanto, deve ocorrer apenas após o Carnaval.

Relatório defende aprovação do tratado

O parecer em análise foi elaborado pelo deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), presidente da comissão, e recomenda que o Congresso aprove o acordo firmado entre os dois blocos econômicos. O posicionamento foi apresentado pelo parlamentar durante reunião com líderes partidários da Câmara, realizada na segunda-feira (9).

Segundo Chinaglia, os deputados não poderão alterar o conteúdo do tratado, já negociado entre o Mercosul e a União Europeia, cabendo ao Legislativo apenas aprovar ou rejeitar o texto. A votação pode ser adiada caso algum parlamentar apresente pedido de vista, o que ampliaria o prazo de análise.

Apoio político e do agronegócio

Nos bastidores do Congresso, a avaliação é de que a aprovação do acordo é provável. O tratado reúne apoio de parlamentares de diferentes correntes políticas e conta com respaldo expressivo do agronegócio, setor que vê no acordo uma oportunidade de ampliação de mercados.

Em entrevista, Arlindo Chinaglia afirmou que o tratado tende a impulsionar a economia brasileira ao ampliar as trocas comerciais e reduzir tarifas. Segundo ele, o acordo elimina 95% das tarifas sobre produtos importados pela União Europeia, o que pode resultar em mais investimentos e geração de empregos no país.

“O acordo garante acesso preferencial a um mercado de 450 milhões de consumidores e a um PIB superior a US$ 22 trilhões, o que significa mais exportações, mais investimentos e mais postos de trabalho no Brasil”, afirmou o deputado.

Tramitação e próximos passos

Após mais de 26 anos de negociações, o acordo Mercosul-UE foi oficialmente assinado em 17 de janeiro, durante cerimônia realizada em Assunção, no Paraguai. O tratado cria uma das maiores zonas de livre comércio do mundo e reforça as relações comerciais entre a América do Sul e a Europa.

Para entrar em vigor, o documento precisa ser ratificado pelos parlamentos de todos os países do Mercosul. No Brasil, a tramitação começa pela Câmara dos Deputados e, posteriormente, segue para o Senado Federal.

Estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) estima que o acordo pode elevar o PIB brasileiro em 0,46% até 2040.

Principais pontos do acordo Mercosul-UE

Eliminação de tarifas alfandegárias

  • Redução gradual de tarifas sobre a maior parte de bens e serviços
  • Mercosul: tarifa zero para 91% dos produtos europeus em até 15 anos
  • União Europeia: eliminação de tarifas sobre 95% dos bens do Mercosul

Impacto imediato para a indústria

  • Tarifa zero para produtos industriais como máquinas e equipamentos

Acesso ampliado ao mercado europeu

  • Preferência para empresas do Mercosul
  • Mais previsibilidade e redução de barreiras técnicas

Compromissos ambientais obrigatórios

  • Produtos beneficiados não podem estar ligados a desmatamento ilegal
  • Possibilidade de suspensão do acordo em caso de descumprimento do Acordo de Paris

FONTE: R7
TEXTO: Redação
IMAGEM: Ricardo Stuckert/PR

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Comércio Internacional

Acordo Mercosul–União Europeia deve beneficiar mais estados eficientes, aponta estudo

Estados com gestão pública mais eficiente, maior desenvolvimento econômico e instituições mais estáveis, conhecidos como “jaguares brasileiros”, devem colher os maiores ganhos com o acordo Mercosul–União Europeia, mesmo tendo participação menor do bloco europeu em suas exportações totais. A avaliação é de um estudo da Futura Inteligência, ligada à Apex Partners.

A expressão faz referência aos “tigres asiáticos” e engloba, no Brasil, estados que apresentam IDH elevado, ambiente institucional sólido e capacidade administrativa acima da média.

Quais estados integram o grupo

Segundo a Apex, são classificados como jaguares brasileiros os estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina e Goiás, além de Minas Gerais e Rio Grande do Sul, em grau menor.

Em 2025, esses estados destinaram 12,9% de suas exportações à União Europeia, abaixo da média nacional, que foi de 14,3%. Ainda assim, o impacto do acordo tende a ser mais expressivo nessas economias.

Agronegócio impulsiona ganhos

O principal fator está no perfil da pauta exportadora. Os jaguares concentram maior participação de commodities e produtos do agronegócio, segmentos mais beneficiados pela redução tarifária prevista no acordo.

De acordo com a Apex, o agronegócio representa 67,4% do valor exportado à UE pelos jaguares, contra 23,8% nos demais estados brasileiros.

Produtos que devem ganhar competitividade

Entre os principais itens atualmente taxados exportados pelos jaguares para a UE estão:

  • Café não torrado (US$ 6,2 bilhões)
  • Farelo de soja e rações animais (US$ 3,2 bilhões)
  • Tabaco (US$ 1,1 bilhão)

As tarifas médias são de 4,2%, 1,6% e 5,6%, respectivamente. Pelo acordo, o café deve ter tarifas eliminadas de forma imediata, enquanto farelo de soja e tabaco passarão por redução gradual.

Centro-Oeste e Sul lideram potencial de ganhos

Estudo do FGV Ibre reforça que o Centro-Oeste é a região com maior potencial de ganho, devido à produção de carnes e soja. O levantamento também aponta ganhos líquidos claros para o Sul, forte em proteínas animais, tabaco e alimentos processados — regiões que concentram estados classificados como jaguares.

O Nordeste também aparece como beneficiário potencial, especialmente na exportação de frutas tropicais, mel, açúcar e derivados.

Desafios regionais e infraestrutura

Segundo Flávio Ataliba, pesquisador do FGV Ibre, o Nordeste importa pouco da UE, o que reduz riscos de concorrência externa. Por outro lado, enfrenta desafios estruturais, como infraestrutura logística, capital humano e capacidade de inserção internacional.

No Norte, embora haja potencial em produtos ligados à Amazônia, o avanço do acordo pode esbarrar em barreiras sanitárias e fitossanitárias. Já o Centro-Oeste, afirma Ataliba, precisará alinhar produção às exigências de rastreabilidade e agenda ambiental.

Vantagem logística dos jaguares

Outro diferencial dos estados mais eficientes é a infraestrutura logística já instalada. Estados como Espírito Santo, Paraná e Santa Catarina possuem portos, estradas e sistemas de escoamento capazes de absorver o aumento das exportações.

Para Orlando Caliman, diretor econômico da Apex Partners, os benefícios do acordo podem alcançar também pequenos produtores, especialmente em estados com propriedades rurais menores e produção já certificada, como café, frutas, aves e gengibre.

Impacto macroeconômico

Em 2025, a União Europeia respondeu por US$ 49,8 bilhões das exportações brasileiras e US$ 50,3 bilhões das importações. A Apex projeta crescimento de cerca de 3% no comércio bilateral até 2040.

Estudo do Ipea estima que o acordo pode elevar o PIB do Brasil em 0,46% até 2040, percentual superior ao da própria UE (0,1%) e dos demais países do Mercosul (0,2%).

Salvaguardas e cautela

A Apex alerta que cláusulas de salvaguarda podem reduzir parte dos ganhos, sobretudo para estados como Paraná e Santa Catarina, grandes exportadores de carnes incluídas em quotas de proteção.

Relatório do Bradesco avalia que o acordo melhora margens e valor para proteínas brasileiras, mas deve ter impacto limitado em volume exportado.

Trâmite político ainda leva tempo

Assinado formalmente em janeiro, após mais de duas décadas de negociações, o acordo ainda depende de aprovação legislativa. No Brasil, o texto já foi enviado ao Congresso, com expectativa de votação após o Carnaval. Na Europa, resistências lideradas por França e Polônia ainda representam entraves.

“Não acredito em efeitos concretos em menos de um ano e meio”, avalia Caliman.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Claudio Neves/Portos do Paraná

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Comércio Internacional

Tarifaço de Trump recai sobre EUA: importadores e consumidores pagaram 96% dos custos

Um estudo do Instituto Kiel para a Economia Mundial mostra que o chamado tarifaço de Trump teve efeito majoritariamente interno: importadores e consumidores dos Estados Unidos arcaram com 96% do custo das tarifas, enquanto exportadores estrangeiros absorveram apenas 4% do impacto.

Segundo a instituição alemã, o resultado contraria o discurso do governo norte-americano à época. “O custo das tarifas de importação dos EUA não é pago por países estrangeiros. Ele recai sobre a própria economia americana”, afirma o Instituto Kiel.

Análise de US$ 4 trilhões em importações

A equipe de pesquisadores analisou mais de 25 milhões de registros de remessas, cobrindo cerca de US$ 4 trilhões em importações dos EUA. A partir desses dados, o estudo concluiu que a arrecadação alfandegária dos Estados Unidos cresceu aproximadamente US$ 200 bilhões em 2025, mas o peso financeiro foi transferido quase integralmente aos compradores internos.

Além disso, os volumes de comércio internacional caíram de forma significativa, enquanto os preços de exportação permaneceram praticamente estáveis, indicando que os exportadores não reduziram valores para compensar as tarifas.

“As tarifas são um gol contra”, diz pesquisador

Para Julian Hinz, diretor de pesquisa do Instituto Kiel e um dos autores do estudo, as medidas tarifárias funcionam como um imposto sobre o consumo. “As tarifas são um gol contra. A ideia de que outros países pagam essa conta é um mito. Os dados mostram que os americanos estão pagando”, afirmou.

Segundo o levantamento, além do aumento de preços, houve redução tanto na variedade quanto na quantidade de produtos importados disponíveis no mercado dos EUA.

Brasil e Índia entre os países afetados

O estudo cita Brasil e Índia como exemplos de países que tiveram tarifas elevadas para até 50% sobre exportações aos Estados Unidos. Posteriormente, o governo Trump recuou parcialmente das medidas, primeiro em relação ao Brasil e, mais recentemente, à Índia.

Mesmo nesses casos, os dados indicam que os exportadores estrangeiros não reduziram seus preços. Se tivessem absorvido o custo das tarifas, os valores cobrados nos EUA seriam menores do que em outros mercados, o que não ocorreu.

Exportadores venderam menos, não mais barato

Ao comparar exportações da Índia para os EUA com envios para a Europa e o Canadá, os pesquisadores identificaram um padrão claro. “O valor e o volume das exportações para os Estados Unidos caíram até 24%, mas os preços unitários permaneceram inalterados”, explica Hinz. “Eles exportaram menos, não mais barato.”

Efeitos de longo prazo

De acordo com o Instituto Kiel, os resultados indicam que empresas americanas tendem a enfrentar margens de lucro menores, enquanto os consumidores devem lidar com preços mais altos no longo prazo. Já os países exportadores passam a buscar novos mercados, diante da queda nas vendas aos EUA.

“As tarifas acabam prejudicando todos os lados”, resume Hinz.

Sobre o estudo

O levantamento intitulado “Gol contra dos EUA: quem paga as tarifas?” foi elaborado por Julian Hinz, Aaron Lohmann, Hendrik Mahlkow e Anna Vorwig. A pesquisa utilizou dados da Panjiva, estatísticas do Departamento do Censo dos EUA e registros alfandegários da Índia para rastrear o repasse dos custos tarifários.

FONTE: Monitor Mercantil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Hu Yousong, Agência Xinhua

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