Internacional

Tarifas dos EUA sobre ferro-gusa podem levar à paralisação de mais da metade das usinas brasileiras

A possível elevação das tarifas dos EUA sobre o ferro-gusa brasileiro preocupa a indústria nacional e pode provocar impactos expressivos na cadeia siderúrgica. O governo norte-americano propôs uma tarifa de 25%, acrescida de uma taxa adicional de 12,5%, o que elevaria a cobrança total para até 37,5%.

A proposta será debatida em audiências públicas marcadas para o dia 6 de julho, enquanto a decisão definitiva está prevista para ser anunciada em 15 de julho.

SINDIFER-MG participará das discussões nos Estados Unidos

Diante do cenário, o SINDIFER-MG acompanhará presencialmente o processo de avaliação das novas medidas. A entidade pretende participar das audiências nos Estados Unidos para defender os interesses da indústria brasileira e monitorar os possíveis desdobramentos das mudanças tarifárias.

Ferro-gusa é estratégico para a cadeia do aço

Segundo a FIEMG, o ferro-gusa é um insumo essencial para a fabricação de aço e ferro fundido, desempenhando papel fundamental em toda a cadeia da metalurgia. O Brasil figura entre os principais exportadores mundiais do produto, tendo os Estados Unidos como seu maior comprador, o que reforça a importância do mercado norte-americano para o setor.

Estudo aponta risco de paralisação de 55% das usinas

Levantamento realizado pelo SINDIFER-MG indica que, caso as novas tarifas sejam aprovadas, cerca de 55% das usinas brasileiras poderão interromper suas operações. A medida pode comprometer a competitividade da indústria, reduzir a atividade econômica e afetar diretamente o Produto Interno Bruto (PIB).

Minas Gerais concentra a maior parte da produção nacional de ferro-gusa, com 48 usinas e 63 fornos em operação. A capacidade instalada no estado alcança aproximadamente 420 mil toneladas por mês, o equivalente a cerca de 70% da produção brasileira.

Exportações para os EUA concentram grande parte da produção

Em 2025, o Brasil produziu cerca de 5,4 milhões de toneladas de ferro-gusa, sendo quase 70% desse volume originado em Minas Gerais. Aproximadamente 75% da produção nacional foi destinada ao mercado externo, e mais de 80% das exportações tiveram como destino os Estados Unidos.

Para o presidente do SINDIFER-MG, Fausto Varela, a adoção das novas tarifas poderá gerar efeitos em toda a economia brasileira, especialmente em Minas Gerais, com reflexos sobre empregos, investimentos e entrada de divisas.

Impactos podem atingir emprego, investimentos e competitividade

Caso a proposta seja confirmada, o setor prevê uma série de consequências, incluindo a paralisação de usinas, redução de postos de trabalho, queda na atividade econômica e perda de competitividade da indústria brasileira no mercado internacional.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/US Embassy

Ler Mais
Comércio Internacional

Acordo UE-Mercosul enfrenta novas barreiras e gera preocupação com acesso ao mercado europeu

A entrada em vigor do acordo UE-Mercosul trouxe expectativas de ampliação do comércio e dos investimentos entre os dois blocos. No entanto, uma série de novas medidas discutidas ou adotadas pela União Europeia tem gerado preocupações entre os países sul-americanos, especialmente o Brasil, que vê crescer o risco de restrições ao acesso ao mercado europeu mesmo após concessões negociadas ao longo de décadas.

Em um cenário global marcado por tensões comerciais, barreiras regulatórias e enfraquecimento das regras multilaterais, especialistas avaliam que acordos comerciais já não garantem, por si só, acesso estável aos mercados internacionais.

Restrição ao aço abre primeiro foco de tensão

O primeiro grande teste para a relação entre os dois blocos envolve o setor siderúrgico. Bruxelas pretende implementar novas restrições às importações de aço com o argumento de combater a sobrecapacidade global de produção, atribuída principalmente à China.

A proposta prevê uma redução significativa das cotas de exportação atualmente disponíveis e a elevação da tarifa aplicada aos volumes que ultrapassarem esses limites, passando de 25% para 50%.

A medida causa desconforto porque o acordo Mercosul-União Europeia prevê justamente a eliminação dessas tarifas. Para países como Brasil e Argentina, a iniciativa reduz parte dos benefícios comerciais que haviam sido negociados no tratado.

Suspensão da carne bovina amplia insatisfação

Outro episódio que gerou reação em Brasília foi a suspensão das importações de determinados produtos de carne bovina brasileira pela União Europeia.

O bloco europeu justificou a decisão com preocupações relacionadas à presença de antimicrobianos utilizados na produção animal. Embora o tema já estivesse sendo discutido entre as partes, autoridades brasileiras consideraram a medida desproporcional, especialmente por ter sido adotada logo após o início da vigência do acordo.

Agora, a expectativa é que a documentação enviada pelo governo brasileiro permita uma reavaliação da decisão e uma eventual reabertura parcial do mercado europeu para esses produtos.

Açúcar, soja e biocombustíveis também entram no radar

As preocupações não se limitam ao setor pecuário. Em maio, a União Europeia suspendeu por um ano um regime aduaneiro que facilitava a entrada de açúcar bruto destinado ao refino e posterior reexportação.

A medida afeta diretamente o Brasil, principal fornecedor dentro desse sistema.

Além disso, mudanças recentes na política europeia para biocombustíveis classificaram o óleo de soja como matéria-prima de alto risco de mudança indireta no uso da terra, associando sua produção a potenciais impactos sobre o desmatamento. A decisão reduz as oportunidades de acesso do produto ao mercado europeu.

União Europeia busca ampliar autossuficiência agrícola

Novas propostas em discussão também podem afetar as exportações agrícolas do Mercosul.

Bruxelas avalia estratégias para aumentar a produção interna de oleaginosas e proteínas vegetais, elevando a participação da produção europeia no abastecimento do bloco. A iniciativa poderá reduzir a dependência de importações de soja provenientes do Brasil, Argentina e Estados Unidos.

Paralelamente, a União Europeia pretende ampliar as compras desses produtos da Ucrânia, país que busca ingressar oficialmente no bloco europeu.

Novas regras industriais podem criar obstáculos adicionais

O setor industrial também acompanha com atenção a elaboração de novos mecanismos de proteção ao mercado europeu.

Entre as propostas está o chamado Industrial Accelerator Act, iniciativa que pretende fortalecer a indústria local por meio de exigências de produção doméstica para acesso a licitações públicas e programas de subsídios.

Na avaliação de especialistas, caso seja implementada sem mecanismos de equilíbrio, a medida poderá restringir o acesso de empresas do Mercosul ao mercado europeu de compras governamentais.

Taxa de carbono e lei antidesmatamento elevam desafios

Outro ponto de atenção é o Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira (CBAM), conhecido como taxa de carbono da União Europeia. Previsto para entrar em vigor plenamente em 2027, o instrumento poderá gerar custos adicionais para exportadores brasileiros de determinados produtos.

No mesmo ano, passará a valer a rigorosa Lei Antidesmatamento da União Europeia, que estabelecerá critérios para a comercialização de commodities como soja, carne bovina, café, madeira, cacau, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados como couro, chocolate, pneus e móveis.

As regras restringirão a entrada de mercadorias associadas a áreas desmatadas após 2020.

Cresce percepção de desequilíbrio no acordo

A sucessão de medidas tem alimentado a percepção, em setores produtivos do Mercosul, de que as concessões obtidas no acordo comercial podem ser reduzidas por novas exigências regulatórias, sanitárias, ambientais ou industriais.

Enquanto os compromissos assumidos pelos países sul-americanos permanecem válidos, o surgimento de novas barreiras gera dúvidas sobre os ganhos efetivos esperados com o tratado.

Para exportadores e representantes da indústria, o desafio agora será garantir que os benefícios negociados no acordo UE-Mercosul sejam preservados e não sejam gradualmente limitados por mudanças regulatórias posteriores.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Agência Sebrae de Notícias

Ler Mais
Comércio Exterior

Comércio Brasil-Argentina movimenta US$ 31 bilhões e amplia oportunidades para exportadores brasileiros

O intercâmbio comercial entre Brasil e Argentina alcançou aproximadamente US$ 31 bilhões em 2025, consolidando o país vizinho como um dos principais parceiros econômicos do Brasil. Os dados fazem parte do novo Perfil de Comércio e Investimentos – Argentina, divulgado pela ApexBrasil, que destaca o fortalecimento da integração regional e o crescimento das oportunidades para empresas brasileiras.

Atualmente, a Argentina ocupa a posição de terceiro maior destino das exportações brasileiras no mundo e segue como o principal parceiro comercial do Brasil dentro do Mercosul.

Economia argentina em recuperação favorece exportações

Segundo o levantamento, a economia argentina registrou crescimento de 4,4% em 2025, impulsionada principalmente pelos setores agropecuário, energético e mineral.

A retomada da atividade econômica tem aumentado a demanda por produtos importados, criando um ambiente favorável para a expansão dos negócios brasileiros no mercado argentino. O cenário fortalece a presença de empresas nacionais que buscam ampliar suas vendas internacionais com vantagens logísticas e tarifárias proporcionadas pela proximidade regional.

Exportações brasileiras crescem mais de 30%

As vendas do Brasil para a Argentina somaram US$ 18,1 bilhões em 2025, representando um avanço de 31,4% em relação ao ano anterior.

O desempenho reforça a posição do Brasil como principal fornecedor do mercado argentino, respondendo por 24,3% das importações do país, à frente de grandes economias globais como China e Estados Unidos.

Setor automotivo lidera a pauta comercial

O segmento automotivo continua sendo o principal elo produtivo entre os dois países e lidera as exportações brasileiras para a Argentina.

Entre os produtos com maior participação estão:

  • Veículos de passeio;
  • Caminhões e veículos de carga;
  • Autopeças;
  • Motores automotivos.

Além do setor automotivo, a indústria brasileira também mantém forte presença em áreas de maior valor agregado, incluindo máquinas industriais, equipamentos elétricos, papel, cartão e maquinário agrícola.

ApexBrasil identifica mais de 1.900 oportunidades de negócios

O estudo aponta um amplo potencial de expansão para empresas brasileiras interessadas no mercado argentino. O Mapa de Oportunidades da ApexBrasil identificou mais de 1.900 possibilidades comerciais para exportadores nacionais.

As oportunidades estão concentradas em segmentos nos quais o Brasil possui elevada competitividade, como:

  • Produtos químicos;
  • Bens manufaturados;
  • Máquinas e equipamentos;
  • Equipamentos de transporte.

O levantamento também destaca espaço para crescimento em áreas como equipamentos médicos, fertilizantes, instrumentos industriais, insumos produtivos e produtos tecnológicos.

Mercosul garante vantagens competitivas para empresas brasileiras

Um dos principais fatores que favorecem o comércio bilateral é a estrutura institucional do Mercosul.

O bloco assegura benefícios tarifários para grande parte dos produtos brasileiros exportados à Argentina, reduzindo custos e ampliando a competitividade das empresas nacionais. Além disso, diversos produtos industriais operam sob regimes específicos que proporcionam maior previsibilidade e estabilidade nas relações comerciais.

Investimentos bilaterais também avançam

A integração entre os dois países não se limita ao comércio de mercadorias. Os investimentos bilaterais também registram crescimento expressivo.

Em 2024, o estoque de investimentos argentinos no Brasil alcançou US$ 2,2 bilhões, avanço de 155,6% em comparação ao ano anterior. Os recursos estão concentrados principalmente nos setores de varejo, indústria, serviços e cadeias ligadas ao segmento automotivo e agroindustrial.

Por outro lado, o Brasil permanece entre os principais investidores estrangeiros na Argentina, com estoque acumulado de aproximadamente US$ 8,6 bilhões distribuídos em diversos setores produtivos da economia.

Mercado argentino segue estratégico para empresas brasileiras

Com a recuperação econômica da Argentina, a ampliação das exportações e as vantagens proporcionadas pelo Mercosul, o mercado argentino continua sendo uma das principais portas de entrada para empresas brasileiras que desejam expandir sua presença internacional.

A combinação de proximidade geográfica, integração produtiva e acordos comerciais fortalece as perspectivas de crescimento para exportadores, cooperativas e indústrias nacionais nos próximos anos.

FONTE: apexBrasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/apexBrasil

Ler Mais
Evento

Shenzhen amplia relações com o Brasil em conferência de negócios realizada em São Paulo

Representantes dos setores público e privado do Brasil e da China participaram, em São Paulo, de uma conferência voltada ao fortalecimento das relações comerciais e à ampliação das oportunidades de negócios entre os dois países.

Promovido pela cidade chinesa de Shenzhen e pelo distrito de Luohu, o encontro reuniu autoridades, empresários e instituições financeiras para discutir iniciativas ligadas ao comércio internacional, investimentos, infraestrutura, inovação e cooperação econômica.

Mais de 150 participantes estiveram presentes no evento, que teve como foco a construção de novas parcerias e o aprofundamento dos laços entre as duas economias.

Cooperação bilateral ganha destaque

Durante a conferência, o cônsul-geral da China em São Paulo, Yu Peng, ressaltou os avanços alcançados na cooperação econômica sino-brasileira e defendeu a ampliação dos intercâmbios em setores estratégicos.

A presença de representantes governamentais e entidades de promoção comercial foi apontada como um fator importante para estimular a confiança dos investidores e criar um ambiente favorável para novos projetos empresariais.

Segundo integrantes do setor produtivo, o apoio institucional contribui para reduzir barreiras e fortalecer a atração de investimentos estrangeiros no Brasil.

Novo escritório de contato de Shenzhen é inaugurado em São Paulo

Um dos principais anúncios do encontro foi a inauguração do ponto de contato de Shenzhen em São Paulo, iniciativa criada para facilitar a aproximação entre empresas brasileiras, chinesas e latino-americanas.

A estrutura servirá como canal de apoio para organizações interessadas em expandir operações internacionais, além de atuar na conexão entre potenciais parceiros comerciais e investidores.

A expectativa é que o novo espaço contribua para acelerar projetos de cooperação e ampliar a presença de empresas dos dois países em mercados estratégicos.

Empresas destacam oportunidades de negócios

Para representantes do setor empresarial, o evento funcionou como uma importante plataforma de aproximação entre companhias brasileiras e chinesas.

Durante os debates, foram apresentadas oportunidades de negócios e iniciativas voltadas ao fortalecimento da integração econômica, permitindo que empresários conhecessem melhor os ambientes de negócios de Shenzhen, São Paulo e outras regiões do Brasil.

O intercâmbio de experiências também foi apontado como uma ferramenta relevante para impulsionar novos investimentos e ampliar as relações comerciais bilaterais.

Inovação e tecnologia impulsionam novas parcerias

Ao longo da programação, empresas, instituições financeiras e órgãos públicos participaram de painéis e apresentações voltados para temas como cooperação industrial, desenvolvimento sustentável, inovação tecnológica e expansão de investimentos.

Especialistas destacaram que setores como agronegócio, indústria e tecnologia vêm ampliando sua interação com parceiros chineses, criando oportunidades para troca de conhecimento, desenvolvimento de soluções inovadoras e fortalecimento da competitividade empresarial.

A tendência, segundo participantes, é de crescimento dos investimentos chineses no Brasil e do avanço das empresas brasileiras no mercado asiático nos próximos anos.

Cinco acordos de cooperação são assinados

O encontro foi encerrado com a assinatura de cinco acordos de cooperação entre instituições e empresas dos dois países.

Os entendimentos abrangem áreas ligadas ao comércio, prestação de serviços e cooperação institucional, reforçando o compromisso de ampliar as relações econômicas entre Brasil e China.

Com a criação do novo ponto de contato de Shenzhen em São Paulo e a formalização das parcerias, a expectativa é de que os negócios bilaterais ganhem ainda mais impulso nos próximos anos.

FONTE: Xinhua
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Xinhua

Ler Mais
Transporte

El Niño pode impactar o transporte marítimo global e acender alerta no Canal do Panamá

O avanço do fenômeno El Niño no Oceano Pacífico já mobiliza autoridades climáticas e preocupa o setor de transporte marítimo internacional. A confirmação oficial do evento pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) aumenta os temores sobre possíveis impactos em rotas comerciais, operações portuárias e cadeias globais de suprimentos nos próximos meses.

Segundo as projeções mais recentes, o fenômeno climático pode alcançar intensidade histórica até o fim de 2026, elevando o risco de restrições em importantes corredores logísticos ao redor do mundo.

NOAA alerta para possibilidade de um dos maiores eventos já registrados

A NOAA confirmou o desenvolvimento do El Niño no Pacífico tropical e divulgou previsões que apontam para um fortalecimento significativo do fenômeno nos próximos meses.

De acordo com o Centro de Previsão Climática da agência, há 88% de probabilidade de que o evento atinja intensidade considerada forte entre novembro e janeiro. Além disso, existe uma chance de 63% de que ele alcance níveis classificados como muito fortes.

Caso esse cenário se confirme, o fenômeno poderá ser comparado aos episódios de 1997-1998 e 2015-2016, considerados alguns dos mais intensos desde o início dos registros modernos, em 1950.

Canal do Panamá volta ao centro das preocupações

Um dos principais reflexos do fortalecimento do El Niño pode ocorrer no Canal do Panamá, uma das rotas marítimas mais estratégicas do comércio global.

Durante o ciclo climático de 2023-2024, a região enfrentou uma severa estiagem que reduziu significativamente os níveis dos reservatórios responsáveis pela operação da via. Como consequência, a Autoridade do Canal do Panamá precisou limitar o calado das embarcações e diminuir em até 40% o número diário de travessias.

O processo de recuperação das operações levou cerca de um ano após a normalização das condições climáticas.

Medidas preventivas já foram anunciadas

Mesmo antes da confirmação oficial da NOAA, a Autoridade do Canal do Panamá já havia adotado ações preventivas para enfrentar um possível agravamento da situação.

Entre as medidas está a redução do calado máximo permitido para embarcações que utilizam as eclusas neopanamax, que passará a ser de 49,5 pés a partir de julho. A decisão foi baseada na possibilidade de um novo período de escassez hídrica associado ao fenômeno climático.

Com o monitoramento contínuo das condições meteorológicas, especialistas avaliam que novas restrições poderão ser implementadas caso o fenômeno atinja os níveis projetados.

Exportações dos EUA aumentam pressão sobre a rota

Além dos desafios climáticos, o Canal do Panamá enfrenta um aumento expressivo da demanda por espaço de navegação.

Dados da Clarksons Research indicam que as exportações energéticas dos Estados Unidos seguem em níveis recordes. O volume de transporte de derivados de petróleo, gás liquefeito de petróleo (GLP) e etano tem ampliado a disputa por vagas de trânsito na hidrovia.

Esse cenário pode tornar ainda mais complexa a gestão operacional do canal caso as restrições de água sejam ampliadas.

Efeitos podem atingir outras rotas e sistemas hidroviários

Os impactos do El Niño não se limitam ao Panamá. O aquecimento das águas do Pacífico equatorial altera padrões atmosféricos em diversas regiões do planeta, influenciando regimes de chuva e períodos de seca.

Historicamente, eventos intensos estão associados à redução das precipitações em áreas da América Central e do Sudeste Asiático, aumentando o risco de dificuldades para sistemas logísticos dependentes de rios, canais e hidrovias.

As mudanças também podem afetar regiões que dependem das monções para manter níveis adequados de navegação e abastecimento hídrico.

Temporada de furacões pode trazer alívio parcial

Embora o fenômeno represente riscos para diversas operações marítimas, ele também pode gerar efeitos positivos em determinadas rotas.

O El Niño costuma aumentar o cisalhamento dos ventos sobre o Oceano Atlântico, condição que normalmente dificulta a formação e o fortalecimento de furacões.

Isso pode reduzir a ocorrência de tempestades tropicais nas áreas do Golfo do México e do Caribe, beneficiando operações de navegação e transporte marítimo durante o segundo semestre de 2026.

Mercado de grãos também pode sentir os efeitos

O setor de granéis sólidos e o comércio agrícola estão entre os segmentos mais sensíveis às alterações climáticas provocadas pelo fenômeno.

Mudanças nos regimes de chuva podem afetar importantes regiões produtoras de soja, milho e outros grãos na Índia, Austrália e partes do Sudeste Asiático. A redução da produção ou alterações nas safras costumam influenciar diretamente os fluxos comerciais globais e a demanda por navios graneleiros.

Com isso, armadores, exportadores e operadores logísticos acompanham atentamente as projeções climáticas para avaliar possíveis impactos nos mercados ao longo dos próximos doze meses.

FONTE: Splash 247
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

Ler Mais
Portos

Porto de Yangpu amplia conexão marítima e inaugura nova rota de contêineres para a Índia

O Porto de Yangpu, principal terminal de cargas da Zona de Livre Comércio de Hainan, na China, iniciou oficialmente a operação de uma nova rota marítima de contêineres com destino à Índia. A iniciativa amplia a presença do porto no sul da Ásia e representa o segundo serviço regular da instalação para a região.

O novo corredor logístico liga Yangpu aos portos de Haiphong, no Vietnã, Singapura e Mundra, na Índia. Com isso, passa a integrar importantes centros portuários do sul da China, da região do Golfo de Beibu e do mercado sul-asiático.

Exportações de Hainan devem ganhar mais agilidade

A expectativa é que a nova ligação marítima ofereça um canal mais rápido para o escoamento de produtos de Hainan, incluindo óleo de canola, insumos da indústria química e outras mercadorias destinadas ao mercado indiano.

Além das cargas produzidas na província chinesa, o porto também deverá funcionar como ponto estratégico de transbordo para mercadorias oriundas de outras regiões da China com destino ao sul da Ásia.

Corredor internacional ganha reforço logístico

A nova operação consolida o papel do Porto de Yangpu como um dos principais hubs do Novo Corredor Internacional de Comércio Terra-Mar, importante rede logística que conecta o oeste da China aos mercados globais.

Segundo as autoridades marítimas locais, foram realizadas ações de coordenação com empresas de navegação para adequar a gestão do tráfego marítimo, além do reforço das patrulhas em canais de navegação e áreas portuárias.

Segurança e eficiência operacional marcaram viagem inaugural

Durante a primeira viagem da nova rota, os órgãos responsáveis empregaram sistemas de monitoramento de embarcações, patrulhamento eletrônico e serviços de escolta para garantir a segurança da operação.

As autoridades também promoveram ajustes nos procedimentos de inspeção portuária, com o objetivo de acelerar o desembaraço aduaneiro, aumentar a eficiência operacional e reduzir os custos logísticos para as empresas envolvidas.

Expansão da presença de Yangpu no sul da Ásia

A expansão das conexões marítimas de Yangpu com o sul da Ásia teve início em outubro de 2019, quando o porto lançou sua primeira rota regional, conectando a cidade chinesa aos portos de Port Klang, na Malásia, e Chittagong, em Bangladesh.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

Ler Mais
Agronegócio

Produtos agroalimentares brasileiros ganham destaque na Thaifex Anuga Asia 2026

O Brasil participou da Thaifex Anuga Asia 2026, realizada em Bangkok, na Tailândia, apresentando ao mercado internacional a diversidade e a qualidade dos produtos agroalimentares brasileiros. A ação integra a estratégia de fortalecimento do agronegócio brasileiro e de ampliação das exportações para mercados considerados estratégicos.

Durante o evento, o país promoveu uma ampla variedade de alimentos e bebidas, evidenciando o potencial da produção nacional e sua capacidade de atender diferentes demandas globais.

Pavilhão Brasil reuniu empresas e produtos de diversas regiões

Coordenado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE), o Pavilhão Brasil contou com a participação de 14 empresas nacionais.

Os expositores apresentaram produtos como café, açaí, pão de queijo, vinhos, castanhas, carnes, coco, óleos vegetais, grãos, chocolates e snacks, demonstrando a variedade da produção agroindustrial brasileira.

A iniciativa permitiu que as empresas ampliassem sua rede de contatos, identificassem novas oportunidades de negócios e fortalecessem a imagem do Brasil como fornecedor confiável de alimentos e bebidas de qualidade.

Feira reúne milhares de expositores e compradores internacionais

Reconhecida como a principal feira de alimentos e bebidas da Ásia, a Thaifex Anuga Asia 2026 reuniu 3.590 expositores de 56 países e recebeu mais de 90 mil visitantes profissionais de mais de 140 nações.

O evento é considerado uma das mais relevantes plataformas globais para promoção comercial, geração de negócios e identificação de tendências do setor alimentício.

Qualidade, inovação e sustentabilidade impulsionam imagem do Brasil

Ao longo da programação, o Pavilhão Brasil destacou atributos cada vez mais valorizados pelo mercado internacional, como sustentabilidade, inovação, competitividade e qualidade dos produtos nacionais.

A participação brasileira também evidenciou a capacidade do país de atender diferentes perfis de consumidores, oferecendo soluções que combinam tradição, tecnologia e segurança alimentar.

Estratégia busca ampliar exportações no Sudeste Asiático

A presença na feira reforça os esforços do governo brasileiro para expandir mercados, diversificar a pauta exportadora e aumentar a participação dos produtos agroalimentares brasileiros em regiões de alto potencial de crescimento, especialmente no Sudeste Asiático.

A expectativa é que os contatos e negociações iniciados durante o evento contribuam para a abertura de novas oportunidades comerciais e para o fortalecimento da presença do agronegócio nacional no exterior.

FONTE: Ministério da Agricultura e Pecuária
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/MAPA

Ler Mais
Exportação

Frutas brasileiras ganham espaço na Índia com missão comercial apoiada pelo Mapa

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) apoiou uma missão comercial da Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas) à Índia com o objetivo de ampliar a presença das frutas brasileiras no mercado indiano. A iniciativa reuniu exportadores nacionais, importadores, redes varejistas e operadores logísticos em uma série de encontros voltados à geração de negócios e à abertura de novas oportunidades comerciais.

Entre os produtos destacados na agenda estiveram abacate, limão tahiti e maçã, frutas que apresentam potencial de crescimento em um país com mais de 1,4 bilhão de habitantes e demanda crescente por alimentos importados.

Missão fortalece relacionamento com importadores e varejistas

A programação contou com o apoio do adido agrícola do Brasil na Índia, Roberto Papa, em articulação com a Embaixada do Brasil em Nova Délhi.

Durante a visita, a delegação percorreu diferentes etapas da cadeia de distribuição de frutas, conhecendo de perto o funcionamento do mercado local e identificando oportunidades para ampliar a participação dos produtos brasileiros.

Em Nova Délhi, os representantes do setor visitaram o Azadpur Subzi Mandi, considerado o principal centro atacadista de frutas e hortaliças da capital indiana. A agenda também incluiu passagens por mercados tradicionais, lojas especializadas em produtos importados, frutarias e estabelecimentos voltados ao segmento de alimentos orgânicos.

Segundo os participantes da missão, representantes do varejo indiano demonstraram interesse crescente na importação de frutas produzidas no Brasil.

Logística e requisitos sanitários estiveram entre os temas discutidos

Outro compromisso da delegação ocorreu na empresa Suri Agrofresh, localizada em Kundli, no estado de Haryana. No local, os exportadores conheceram estruturas de armazenamento refrigerado e debateram questões relacionadas à logística internacional, exigências sanitárias e condições comerciais para a entrada de frutas brasileiras no mercado indiano.

As discussões buscaram identificar caminhos para fortalecer a competitividade da fruticultura brasileira e facilitar o acesso dos produtos nacionais aos canais de distribuição da Índia.

Evento apresentou potencial da produção brasileira

A programação em Nova Délhi foi encerrada com o evento “Terroir of Brazil: a taste of Brazilian fruits and typical dishes”, realizado na Residência Oficial da Embaixada do Brasil.

O encontro reuniu autoridades, empresários, importadores e representantes do setor privado indiano para promover degustações, apresentar a diversidade da produção nacional e destacar oportunidades de negócios ligadas ao setor de frutas frescas.

Durante o evento também foi lançado o Centro de Distribuição Móvel (CDM), uma iniciativa da Adidância Agrícola em Nova Délhi destinada à promoção de produtos brasileiros. A ferramenta permite o acesso a informações sobre empresas, produtos e oportunidades comerciais por meio de QR Code, com conteúdo disponível em português, inglês e hindi.

Participação em feira reforça estratégia de expansão

Após os compromissos na capital indiana, a missão seguiu para Mumbai, onde participou da Fresh India Show 2026, uma das principais feiras do setor de frutas e hortaliças da região.

A agenda também incluiu uma visita técnica ao Porto de Mumbai para avaliação das condições logísticas voltadas à importação de frutas frescas, etapa considerada estratégica para o fortalecimento das exportações brasileiras.

Exportações de frutas mantêm trajetória de crescimento

A missão ocorre em um momento favorável para o setor. Dados recentes mostram que as exportações brasileiras de frutas frescas registraram crescimento superior a 20% em valor e 13% em volume no primeiro trimestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Desde 2023, o Brasil conquistou 34 novas aberturas de mercado para frutas nacionais, ampliando o alcance internacional da produção e fortalecendo a posição do país no comércio global de alimentos.

A busca por novos parceiros comerciais na Índia reforça a estratégia de diversificação dos destinos de exportação e amplia as perspectivas para a fruticultura brasileira nos próximos anos.

FONTE: Ministério ds Agricultura e Pecuária
TEXTO: Redação
IMAGEM: Abrafrutas

Ler Mais
Comércio Internacional

Canadá propõe ampliar acordo de livre comércio da América do Norte por mais 16 anos

O governo do Canadá defendeu a renovação do acordo de livre comércio que integra as economias da América do Norte por mais 16 anos. A proposta foi apresentada às autoridades dos Estados Unidos e do México às vésperas do processo de revisão do tratado, previsto para começar em julho.

A iniciativa busca preservar a estabilidade econômica da região e garantir maior previsibilidade para empresas e investidores que dependem da integração comercial entre os três países.

Ottawa quer fortalecer o T-MEC e reduzir incertezas

O ministro canadense responsável pelas relações comerciais com os Estados Unidos, Dominic LeBlanc, enviou uma carta oficial aos representantes dos governos americano e mexicano sugerindo a extensão do acordo.

A proposta tem como objetivo evitar um cenário de revisões frequentes que possa comprometer a segurança jurídica e os investimentos de longo prazo na região.

O tratado, conhecido como T-MEC (Tratado entre México, Estados Unidos e Canadá), é considerado um dos principais instrumentos de integração econômica do continente, conectando cadeias produtivas e impulsionando o comércio entre os três países.

Negociações avançam em Washington

Nos últimos dias, representantes dos governos envolvidos intensificaram as conversas em Washington para discutir possíveis ajustes e o futuro do acordo comercial.

Durante as negociações, LeBlanc alertou para os riscos de submeter o tratado a avaliações anuais. Segundo ele, revisões constantes poderiam gerar instabilidade para empresas e dificultar decisões relacionadas a investimentos, produção e expansão de negócios.

A preocupação canadense é garantir que o ambiente econômico permaneça previsível para os setores que dependem diretamente do comércio regional.

Líderes canadenses reagem a declarações dos EUA

Além das discussões comerciais, autoridades canadenses também reagiram a declarações recentes vindas da Casa Branca sobre uma eventual integração territorial entre os dois países.

O primeiro-ministro da província de Ontário, Doug Ford, rejeitou publicamente qualquer possibilidade nesse sentido e reforçou que o Canadá mantém sua soberania plena.

A manifestação ocorreu em meio ao aumento das discussões políticas envolvendo a relação bilateral entre Ottawa e Washington.

Tarifas e medidas protecionistas preocupam parceiros do acordo

O governo canadense reconhece a existência de diversos pontos de atrito nas relações comerciais com os Estados Unidos. Autoridades do país identificam aproximadamente 30 questões que ainda geram divergências entre os dois mercados.

Nesse contexto, a manutenção do acordo de livre comércio da América do Norte é vista como fundamental para reduzir os impactos de medidas protecionistas, especialmente sobre setores estratégicos.

Produtos como alumínio, manufaturados e outros bens industriais permanecem sensíveis a mudanças tarifárias e restrições comerciais.

Renovação do tratado pode fortalecer integração econômica

Para Canadá e México, a ampliação da vigência do T-MEC representa uma forma de preservar os mecanismos de cooperação econômica e evitar possíveis rupturas nas relações comerciais da região.

A expectativa é que a renovação do acordo reforce os princípios de reciprocidade entre os parceiros e contribua para a continuidade do fluxo de investimentos, comércio e desenvolvimento econômico na América do Norte.

Com a revisão do tratado se aproximando, as negociações devem ganhar intensidade nas próximas semanas, enquanto os três países buscam construir consenso sobre o futuro da integração regional.

FONTE: Todo Logistica News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Todo Logistica News

Ler Mais
Comércio Internacional

Mauro Vieira contesta tarifas dos EUA e afirma que justificativas contra o Brasil não se sustentam

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que o governo brasileiro apresentou argumentos suficientes para rebater as justificativas utilizadas pelos Estados Unidos na proposta de aplicação de tarifas sobre produtos nacionais. Segundo ele, as alegações norte-americanas não possuem base legítima para justificar a medida.

Brasil reforça defesa em reunião com representante comercial dos EUA

Durante encontro ministerial da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), realizado em Paris, Vieira se reuniu com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, para tratar das negociações envolvendo as tarifas.

Em entrevista à Globonews, o chanceler relatou que Greer classificou as conversas entre os dois países como positivas e destacou o bom andamento do diálogo bilateral sobre o tema.

Governo brasileiro questiona condução de investigações americanas

De acordo com Vieira, o Brasil destacou às autoridades norte-americanas que os resultados de duas investigações sobre supostas práticas comerciais desleais foram divulgados antes do prazo previamente acertado entre os presidentes dos dois países, durante reunião bilateral realizada em maio.

O ministro ressaltou que todas as informações solicitadas foram fornecidas pelo governo brasileiro e afirmou esperar que os esclarecimentos sejam considerados na avaliação final.

“Apresentamos todos os dados necessários e demonstramos que não existem razões concretas para que o Brasil seja alvo dessas tarifas. Os argumentos utilizados foram devidamente contestados”, declarou.

Relatório dos EUA recomenda tarifa de 25% sobre produtos brasileiros

No início do mês, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) divulgou um relatório recomendando a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.

O documento aponta supostas práticas consideradas “irrazoáveis” ou “discriminatórias” por parte do Brasil. A análise abrange temas como comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, incluindo o Pix, além de propriedade intelectual, combate à corrupção, mercado de etanol, concessão de tarifas preferenciais e ações relacionadas ao desmatamento ilegal.

Agenda internacional incluiu negociações com União Europeia e outros países

Além das conversas com os Estados Unidos, Mauro Vieira participou de uma série de encontros bilaterais durante o evento da OCDE.

Entre os compromissos, o chanceler se reuniu com Maros Sefcovic, comissário da União Europeia para Comércio e Segurança Econômica, para discutir a implementação do acordo entre Mercosul e União Europeia.

A agenda também incluiu reuniões com autoridades da Coreia do Sul, Espanha, Canadá, Suíça e República Tcheca, reforçando a estratégia brasileira de ampliar o diálogo comercial e diplomático com parceiros internacionais.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook