Comércio Exterior

Mercosul–União Europeia: Senado aprova acordo comercial que cria maior zona de livre comércio do mundo

O Senado Federal aprovou, nesta quarta-feira (4), o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, concluindo a tramitação do tratado no Congresso Nacional. A votação ocorreu de forma unânime entre os parlamentares.

O texto foi formalizado por meio do Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 41/2026 e agora aguarda apenas a promulgação pelo presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União-AP). Com essa etapa final, o pacto será oficialmente internalizado no ordenamento jurídico brasileiro.

Redução de tarifas impulsiona comércio internacional

O acordo prevê uma ampla redução de tarifas entre os dois blocos econômicos. Pelo cronograma estabelecido, os países do Mercosul — Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai — eliminarão tarifas sobre 91% dos produtos europeus em um prazo de até 15 anos.

Em contrapartida, a União Europeia deverá retirar tarifas de 95% dos bens exportados pelo Mercosul em um período de até 12 anos. A medida tende a ampliar o fluxo de comércio entre os blocos e fortalecer as relações econômicas entre América do Sul e Europa.

Maior zona de livre comércio do planeta

Com a implementação do tratado, será formada a maior zona de livre comércio do mundo, reunindo um mercado com mais de 720 milhões de habitantes.

A expectativa é de que a abertura comercial favoreça o aumento das trocas internacionais, além de estimular investimentos e parcerias estratégicas entre empresas dos dois blocos.

Impacto nas exportações brasileiras

Estimativas da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) indicam que o acordo pode gerar um crescimento de aproximadamente US$ 7 bilhões nas exportações brasileiras.

Além do aumento nas vendas externas, o tratado também deve contribuir para diversificar a pauta exportadora do país, abrindo novas oportunidades para diferentes setores produtivos, incluindo a indústria.

Na semana passada, os parlamentos de Argentina e Uruguai já haviam aprovado o acordo, reforçando o avanço da implementação do tratado dentro do Mercosul.

União Europeia avalia aplicação provisória

Do lado europeu, o Parlamento Europeu solicitou, em janeiro, uma análise jurídica do acordo ao Tribunal de Justiça da União Europeia. Mesmo com a avaliação em andamento, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, declarou recentemente que o bloco pretende aplicar o tratado de forma provisória a partir de maio.

O acordo conta com forte apoio de países como Alemanha e Espanha, mas enfrenta resistência principalmente da França, que teme impactos competitivos no setor agropecuário europeu.

Fonte: Agência Brasil.

TEXTO: Conteúdo produzido com suporte de IA, sob curadoria editorial da equipe ReConecta News.

IMAGEM: ILUSTRATIVA / ARQUIVO / RECONECTA NEWS

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Indústria

Conflito no Irã acende alerta para indústria catarinense

O atual conflito no Irã gera preocupação para a indústria de Santa Catarina, impactando não apenas oportunidades de expansão, mas também a logística de embarque de insumos estratégicos.

Riscos para mercados e logística

A instabilidade no Oriente Médio dificulta a abertura de novos mercados internacionais e aumenta a complexidade do transporte de matérias-primas essenciais, com possíveis atrasos e aumento de custos nas rotas comerciais.

Oportunidades de aproximação regional

Ao mesmo tempo, crises globais podem incentivar o fortalecimento das relações comerciais com mercados mais próximos e previsíveis. Países do Mercosul surgem como alternativas estratégicas, promovendo maior segurança logística e consolidando cadeias de suprimentos regionais.

O cenário evidencia a necessidade de adaptação rápida das empresas catarinenses para minimizar riscos e aproveitar oportunidades em regiões geograficamente mais próximas.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Marco Favero/SECOM

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Comércio Internacional

MERCOSUL inicia aplicação provisória do acordo comercial com a União Europeia

O MERCOSUL ativou o mecanismo para a aplicação provisória do Acordo Interino de Comércio com a União Europeia (UE), permitindo reduções tarifárias, maior acesso a novos mercados e condições comerciais mais vantajosas para os países signatários.

Notificação e trâmites legais

Argentina e Uruguai notificaram os depositários do acordo sobre a conclusão de todos os procedimentos legais internos necessários para a entrada em vigor, concedendo ainda seu aval à aplicação provisória.

No Brasil, o acordo já foi aprovado pela Câmara dos Deputados e segue em análise no Senado Federal. Em Paraguai, o tratado também está em tramitação parlamentar.

União Europeia confirma início da aplicação provisória

Em resposta, a União Europeia anunciou que dará início à aplicação provisória do acordo, conforme informou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

O Acordo Interino prevê que a aplicação provisória comece no primeiro dia do segundo mês seguinte à data em que a UE e cada Estado do MERCOSUL notifiquem mutuamente a conclusão de seus procedimentos internos ou a ratificação formal do acordo, confirmando sua concordância com a implementação provisória.

Benefícios para o comércio internacional

A medida representa um passo importante para o fortalecimento das relações comerciais entre o MERCOSUL e a União Europeia, facilitando o comércio de produtos, reduzindo barreiras tarifárias e promovendo maior integração econômica entre os continentes.

FONTE: Mercosur
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Folha de PE

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Portos

China anuncia ação judicial para recuperar controle de portos no Canal do Panamá

O governo da China informou que adotará medidas legais para defender os interesses de sua empresa de Hong Kong que administrava os portos de Balboa e Cristóbal, no Canal do Panamá, após a revogação da concessão pelas autoridades panamenhas.

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Mao Ning, declarou em Pequim que o país atuará para proteger os direitos legítimos de suas companhias e assegurar segurança jurídica aos investimentos em infraestrutura estratégica.

Disputa envolve concessão bilionária

Os terminais de Balboa e Cristóbal eram operados há mais de 25 anos pela empresa CK Hutchison Holdings, por meio da subsidiária Panama Ports Company.

Ao longo desse período, foram investidos mais de US$ 1,8 bilhão em infraestrutura portuária, modernização de guindastes e sistemas de movimentação de carga. Os dois terminais estão posicionados em áreas estratégicas nas entradas do canal, considerado uma das rotas marítimas mais relevantes do planeta.

Após decisão da Suprema Corte do Panamá apontar supostas irregularidades contratuais, o governo local assumiu temporariamente o controle das operações e transferiu a concessão para operadores europeus.

Portos passam a operadores europeus

O terminal de Balboa passou à gestão da APM Terminals, ligada ao grupo dinamarquês Maersk. Já o porto de Cristóbal foi concedido à Terminal Investment Limited, empresa associada à suíça MSC.

A mudança administrativa coloca em risco os investimentos chineses acumulados ao longo de décadas e amplia a tensão diplomática em torno do controle de ativos estratégicos no comércio marítimo internacional.

Canal do Panamá no centro da geopolítica

O episódio reforça a crescente disputa geopolítica em torno do Canal do Panamá, responsável por cerca de 5% a 6% do comércio marítimo global. A via é essencial para as rotas entre Ásia, América e Europa.

A China figura entre os principais usuários do canal, respondendo por aproximadamente 21% do volume de cargas transportadas. O governo chinês sustenta que a ação judicial não busca apenas proteger uma empresa específica, mas garantir previsibilidade jurídica para investimentos internacionais em infraestrutura crítica.

Analistas avaliam que pressões ligadas a interesses dos Estados Unidos podem ter influenciado a decisão panamenha, refletindo a tradicional influência de Washington sobre projetos estratégicos na América Latina.

Crescente presença chinesa na América Latina

A disputa ocorre em um contexto de expansão da presença econômica chinesa na região. Entre 2003 e 2022, os investimentos da China na América Latina superaram US$ 187 bilhões, abrangendo portos, energia, telecomunicações e obras de infraestrutura.

O intercâmbio comercial entre a China e os países latino-americanos ultrapassa US$ 500 bilhões, consolidando o país asiático como parceiro estratégico. Atualmente, Pequim representa cerca de 16,9% do comércio total da região com o mundo, superando a União Europeia e aproximando-se da participação norte-americana.

O caso dos portos panamenhos evidencia que a disputa vai além do campo empresarial, envolvendo interesses geopolíticos, influência estratégica e controle de rotas fundamentais para o comércio global.

FONTE: Brasil de Fato
TEXTO: Redação
IMAGEM: AFP

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Comércio Internacional

UE anuncia aplicação provisória do acordo com o Mercosul após ratificação de Argentina e Uruguai

A União Europeia (UE) confirmou que dará início à aplicação provisória do acordo com o Mercosul, após a ratificação do tratado por Argentina e Uruguai, concluída na quinta-feira. O anúncio foi feito em Bruxelas pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

A medida acelera a implementação do que poderá se tornar a maior zona de livre comércio do mundo, reunindo cerca de 720 milhões de pessoas.

Comissão Europeia acelera processo

De acordo com von der Leyen, a Comissão decidiu formalizar a aplicação provisória do tratado após intensas consultas com Estados-membros e representantes do Parlamento Europeu.

Pelas regras do bloco, basta que um país do Mercosul conclua os trâmites internos e notifique oficialmente a UE para que o acordo possa entrar em vigor de forma provisória. Com Argentina e Uruguai já tendo concluído essa etapa, a Comissão optou por avançar.

A expectativa agora recai sobre Brasil e Paraguai, que também devem ratificar o acordo em breve.

Segundo a presidente da Comissão, o avanço demonstra “confiança e vontade política” dos parceiros sul-americanos em fortalecer a relação birregional.

Mercado ampliado e redução de tarifas

O acordo UE–Mercosul prevê:

  • Redução de bilhões de euros em tarifas comerciais
  • Ampliação do acesso a mercados para pequenas e médias empresas europeias
  • Integração econômica em escala inédita entre os blocos

Para von der Leyen, o tratado representa uma vantagem estratégica para a Europa em um cenário global marcado por forte concorrência e instabilidade geopolítica.

Ela destacou que a aplicação provisória é, por definição, temporária. O acordo só será plenamente concluído após o consentimento do Parlamento Europeu.

Resistências políticas e risco no Parlamento Europeu

Apesar do avanço, a decisão não elimina o risco político. A entrada em vigor provisória sem aprovação final do Parlamento pode ampliar tensões internas.

O tratado ainda depende de ratificação formal do Parlamento Europeu. Um grupo de eurodeputados conseguiu aprovar um pedido de parecer ao Tribunal de Justiça da União Europeia para avaliar a compatibilidade do acordo com os tratados do bloco — medida que pode atrasar o processo entre um e dois anos.

A votação revelou divisão apertada: 334 votos favoráveis à revisão jurídica contra 324 contrários. O resultado evidenciou que o acordo comercial Mercosul–UE não possui apoio consolidado na Casa.

O comissário europeu de Comércio, Maroš Šefčovič, afirmou ao site Politico, no fim de janeiro, que líderes europeus e parlamentares têm pressionado pela continuidade do processo.

Protestos agrícolas e nova salvaguarda

O setor agrícola europeu segue como principal foco de resistência ao tratado. Agricultores temem aumento da concorrência com produtos do Mercosul.

Recentemente, o Parlamento Europeu aprovou uma nova salvaguarda agrícola, por 483 votos a favor, 102 contra e 67 abstenções. O mecanismo permite suspender temporariamente preferências tarifárias caso importações agrícolas do Mercosul prejudiquem produtores europeus.

A regra estabelece que a Comissão poderá abrir investigação quando:

  • As importações de produtos sensíveis — como aves, carne bovina, ovos, citrinos e açúcar — aumentarem 5% em média ao longo de três anos;
  • Os preços de importação ficarem 5% abaixo do valor praticado internamente na UE.

Estados-membros ou representantes do setor também poderão solicitar investigação caso haja risco de prejuízo grave.

Estratégia de autonomia e cenário geopolítico

Para a liderança europeia, o acordo de parceria estratégica com o Mercosul é peça central na estratégia de autonomia econômica do bloco, especialmente diante de tensões comerciais globais e da necessidade de diversificar parceiros confiáveis.

Von der Leyen classificou o tratado como um dos mais relevantes da primeira metade do século e afirmou que ele reforça a resiliência, o crescimento e a independência europeia.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Toby Melville/Pool via AP

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Comércio Internacional

Comissão aprova acordo Mercosul-UE; texto segue para votação na Câmara

A Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul aprovou nesta terça-feira (24) o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE). Com a medida, o tratado caminha para criar uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, conectando dois blocos com mais de 700 milhões de pessoas.

Com a aprovação na comissão, o texto seguirá para o Plenário da Câmara dos Deputados. O presidente da Casa, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que a votação deve ocorrer ainda nesta semana, priorizando a previsibilidade nas relações comerciais internacionais.

Benefícios e impacto econômico do acordo

Assinado em 17 de janeiro no Paraguai, o tratado prevê redução gradual ou eliminação de tarifas de importação e exportação, que chegam a mais de 90% do comércio entre os blocos.

O relator da proposta, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), destacou que o acordo trará condições mais favoráveis para os setores produtivos brasileiros, estimulando inovação e possibilitando a importação de bens de capital e novas tecnologias, criando um ciclo de desenvolvimento econômico sustentável.

Negociado por mais de 25 anos, o acordo estabelece:

  • Regras comuns para comércio de produtos industriais e agrícolas;
  • Estímulo a investimentos e harmonização de padrões regulatórios;
  • Ampliação do fluxo de bens e serviços entre América do Sul e União Europeia.

Apesar de questionamentos na União Europeia, que enviou o acordo ao Tribunal de Justiça da UE, a expectativa é que sua aplicação provisória comece em março, segundo diplomatas.

Tramitação no Congresso Nacional

O processo no Brasil começou com o envio da mensagem presidencial ao Congresso, em 2 de fevereiro. Após análise da comissão da Câmara, o texto seguirá para votação no Plenário e depois será enviado ao Senado Federal.

Paralelamente, cada país do Mercosul precisa aprovar o tratado internamente, seguindo seus ritos legislativos. A ratificação completa por todos os países é necessária para que o acordo entre plenamente em vigor, podendo haver implementação em momentos distintos em cada Estado.

A Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado criou um grupo de trabalho para acompanhar a implantação do acordo. Segundo o presidente da CRE, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), o grupo terá foco nos desdobramentos da integração entre Mercosul e União Europeia.

FONTE: G1
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Youtube

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Investimento

Suape inicia missão estratégica na ASEAN para expansão global e atração de investimentos

O Complexo Industrial e Portuário de Suape deu início a uma missão estratégica no Sudeste Asiático com foco na expansão global, atração de investimentos e abertura de novas rotas marítimas que integrem o terminal pernambucano às principais conexões internacionais.

Roteiro internacional liderado por Suape

A comitiva, comandada pelo diretor-presidente Armando Bisneto, começou a agenda por Singapura e seguirá para Malásia e Indonésia. O objetivo é apresentar aos empresários, autoridades governamentais e instituições financeiras os projetos estruturantes em andamento, a infraestrutura disponível e o novo ciclo de desenvolvimento do complexo portuário.

Entre os destaques estão a construção do terminal de cargas e contêineres da APM Terminals, a implantação de duas fábricas de e-metanol e os avanços na transição energética, reforçando a proposta de tornar Suape um polo logístico competitivo e sustentável no comércio global.

Suape-Brasil-ASEAN: cooperação institucional

A missão, chamada Suape-Brasil-ASEAN, conta com apoio da Frente Parlamentar Mista Brasil-ASEAN e do Ministério das Relações Exteriores. O bloco da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), que inclui Timor-Leste, Camboja, Brunei, Laos, Myanmar, Filipinas, Vietnã e Tailândia, é uma das regiões mais dinâmicas do comércio internacional.

Na Malásia, a comitiva visitará terminais portuários e complexos industriais, incluindo o maior polo de refino de petróleo e petroquímica do país. Durante a etapa, estão previstos Memorandos de Entendimento voltados à cooperação técnica e ao intercâmbio estratégico entre autoridades portuárias.

Em Jacarta, capital da Indonésia, o grupo se reunirá com o Secretariado-Geral da ASEAN e com dirigentes da Indonesia Investment Authority, fundo soberano voltado a investimentos em infraestrutura, economia digital, saúde e economia verde.

Fortalecimento da presença internacional de Suape

Segundo o diretor-presidente, a missão é continuidade das articulações iniciadas em Brasília, em dezembro de 2025, quando foi firmado um termo de cooperação para ampliar o diálogo institucional entre Suape e a ASEAN.

A expectativa é que a agenda internacional fortaleça a presença de Suape no cenário global, aumente as oportunidades de negócios e consolide o complexo como hub estratégico do Nordeste brasileiro.

FONTE: Jornal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/JP

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Exportação

Exportações do agro brasileiro diante das novas tarifas dos EUA

As exportações do agro brasileiro voltaram ao centro das atenções após a reformulação das tarifas de importação dos Estados Unidos. A mudança foi anunciada pelo presidente Donald Trump depois que a Suprema Corte dos Estados Unidos suspendeu o tarifaço que vinha sendo aplicado desde abril de 2025.

Na sexta-feira (20/2), a Casa Branca confirmou o fim das cobranças anteriores e oficializou uma nova taxa global de 10%, com início para 24 de fevereiro. No dia seguinte, Trump afirmou que a alíquota subiria para 15%, justificando a decisão como forma de corrigir práticas consideradas prejudiciais à economia americana.

Novo cenário abre oportunidades para o Brasil

Mesmo com o ambiente de incerteza no comércio internacional, especialistas avaliam que o novo desenho tarifário pode gerar oportunidades ao Brasil.

Em entrevista à Globo Rural, o pesquisador Felippe Serigati, do Fundação Getulio Vargas (FGV Agro), afirmou que o impacto tende a ser positivo, ainda que limitado.

Segundo ele, parte relevante dos produtos agropecuários já havia sido retirada da tarifa majorada de 40%, que chegava a 50% com acréscimos adicionais. Itens como carne bovina, suco de laranja, café em grão, papel e celulose — responsáveis por grande parcela das vendas brasileiras aos EUA — praticamente não sofrem alteração significativa com a nova taxa.

Setores que podem se beneficiar

Alguns segmentos, no entanto, enxergam possibilidade de retomada nas vendas. Entre eles estão:

  • Pescados
  • Café solúvel
  • Mel

Esses produtos não haviam sido contemplados por reduções anteriores e podem ganhar competitividade com a tarifa uniforme.

Apesar disso, o pesquisador alerta que não há expectativa de crescimento explosivo nas exportações. O efeito positivo deve ocorrer de forma gradual.

Dados do sistema Agrostat, do Ministério da Agricultura e Pecuária, mostram que, em 2024 — antes da vigência do tarifaço — o Brasil exportou mais de 30 mil toneladas de pescado aos Estados Unidos. Em 2025, com a sobretaxa, o volume caiu para 27 mil toneladas.

Alívio pode ser temporário

Especialistas recomendam cautela. A avaliação é que o cenário pode mudar rapidamente, caso o governo americano utilize novos instrumentos legais para alterar novamente as alíquotas de importação.

A própria decisão da Suprema Corte não esgota todas as possibilidades jurídicas para futuras majorações, o que mantém o ambiente de negócios sob vigilância.

O que o Brasil mais vende aos EUA

Em 2025, os produtos florestais lideraram as exportações brasileiras para o mercado norte-americano, respondendo por mais de 26% do valor comercializado. Na sequência aparecem café e carnes.

“Taxa é igual para o mundo inteiro”, diz assessor

O assessor especial do Ministério da Agricultura, Carlos Augustin, avalia que a nova política tarifária não deve gerar impacto relevante sobre as cadeias exportadoras do agro brasileiro.

Segundo ele, o fato de a tarifa ser aplicada de maneira uniforme reduz o risco de prejuízo competitivo ao Brasil. Augustin também classificou como bem-sucedida a atuação diplomática brasileira nas negociações que antecederam a suspensão do tarifaço.

O assessor esteve recentemente nos Estados Unidos para acompanhar a divulgação de dados do United States Department of Agriculture (USDA). Na avaliação dele, a competitividade do agronegócio brasileiro tem incomodado produtores norte-americanos, especialmente em commodities como soja, carne e algodão.

A expectativa do setor agora é acompanhar os desdobramentos políticos e comerciais para avaliar se o novo modelo tarifário se consolidará ou sofrerá novas alterações.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Getty Images

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Comércio Internacional

Tarifa de Trump sobre importações entra em vigor com alíquota de 10%

A nova tarifa de Trump sobre importações passou a valer à meia-noite desta terça-feira (14), mas com percentual inferior ao inicialmente anunciado. Em vez dos 15% divulgados no sábado, a alíquota aplicada será de 10%.

A mudança ocorre porque o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ainda não assinou a ordem executiva que oficializaria a taxa maior. Assim, permanece válida a medida publicada anteriormente, fixando a cobrança em 10%.

Alfândega confirma início da nova tarifa

A aplicação da tarifa foi confirmada pela U.S. Customs and Border Protection (CBP), responsável pelo controle aduaneiro norte-americano. Em comunicado, o órgão informou o início da vigência da sobretaxa.

A definição do percentual adiciona mais um capítulo de incerteza ao cenário do comércio internacional, afetando exportadores brasileiros e empresas de diversos países que mantêm negócios com os Estados Unidos.

Apesar das oscilações, a alíquota de 10% é considerada menos onerosa do que o chamado tarifaço anunciado anteriormente, que previa sobretaxas de até 50% para determinados parceiros comerciais.

Decisão da Suprema Corte influenciou medida

A nova tarifa surge após decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que invalidou o pacote original de aumento de impostos. Por seis votos a três, os magistrados entenderam que o presidente não pode elevar tributos sem autorização expressa do Congresso, revogando as medidas adotadas desde abril do ano passado.

Em reação, Trump criticou publicamente a decisão e anunciou a aplicação da taxa de 10% com base na Seção 122 da Lei de Comércio. O dispositivo autoriza o presidente a impor tarifas de até 10% por um período de 150 dias para corrigir déficits comerciais ou desequilíbrios na balança de pagamentos. A ordem executiva correspondente foi assinada no mesmo dia.

Anúncio de 15% ainda não foi formalizado

No sábado, o presidente afirmou que a tarifa poderia subir para 15%. No entanto, até o momento, não houve assinatura de novo decreto confirmando a elevação. De acordo com a imprensa norte-americana, o documento segue em elaboração.

A indefinição reforça o clima de instabilidade nas relações comerciais internacionais.

Impactos para o Brasil e produtos isentos

Mesmo diante das idas e vindas da Casa Branca, o governo brasileiro e representantes do setor produtivo avaliam que o novo percentual tende a ser menos prejudicial ao Brasil.

Entre os principais produtos brasileiros exportados aos EUA que permanecem isentos estão:

  • Petróleo
  • Café
  • Aviões
  • Suco de laranja
  • Carne bovina

Outro fator considerado positivo é que, diferentemente da União Europeia e do Japão, o Brasil não acelerou negociações para um acordo bilateral específico.

A expectativa agora recai sobre o encontro previsto entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, programado para março, nos Estados Unidos. Exportadores apostam que a reunião poderá abrir espaço para eventual flexibilização da tarifa sobre importações.

FONTE: Veja Negócios
TEXTO: Redação
IMAGEM: Alex Wong/Getty Images

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Comércio Internacional

Trump eleva tarifa global para 15% e amplia tensão no comércio internacional

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que a tarifa global sobre produtos importados será elevada de 10% para 15%, intensificando a instabilidade no comércio internacional. A decisão foi divulgada um dia após a Suprema Corte dos EUA considerar ilegal o uso de poderes emergenciais para impor tarifas recíprocas.

Em publicação nas redes sociais no sábado (21), Trump afirmou que a elevação passa a valer “com efeito imediato” e classificou a medida como legal e necessária para proteger os interesses econômicos americanos.

Decisão da Suprema Corte pressiona estratégia comercial

A medida ocorre em meio à reação do governo à decisão da Suprema Corte dos EUA, que, por 6 votos a 3, entendeu que o presidente extrapolou sua autoridade ao utilizar a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) para aplicar tarifas que variavam entre 10% e 50% sobre diversos parceiros comerciais.

Segundo os ministros, a tentativa de contornar o Congresso não encontra respaldo constitucional. A decisão representa um revés significativo para a política de tarifas recíprocas defendida por Trump.

Base legal muda após revés judicial

Para manter a estratégia comercial ativa, o governo agora recorre à Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, que autoriza o presidente a impor tarifas por até 150 dias sem aprovação do Congresso. Ainda assim, a medida pode enfrentar resistência de parlamentares democratas e de parte dos republicanos.

Na sexta-feira (20), poucas horas após a decisão judicial, Trump havia anunciado uma tarifa fixa de 10%, com vigência prevista para 24 de fevereiro, às 12h01 (horário de Washington), conforme comunicado da Casa Branca. No entanto, no dia seguinte, decidiu ampliar a alíquota para 15%, indicando que o percentual anterior era insuficiente.

Até o momento, não foram divulgados detalhes oficiais sobre a data exata de entrada em vigor da nova tarifa de 15%.

Impactos econômicos e novas investigações

A mudança reforça o cenário de volatilidade econômica e amplia a incerteza entre parceiros comerciais. O governo também determinou a abertura acelerada de novas investigações com base na Seção 301 da Lei de Comércio, que permite a imposição de tarifas após a constatação de práticas comerciais consideradas desleais.

O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou que as apurações devem abranger temas como excesso de capacidade industrial, trabalho forçado, políticas de preços farmacêuticos, tributação de serviços digitais e práticas relacionadas ao comércio de frutos do mar, arroz e outros produtos.

Além disso, o presidente avalia aplicar tarifas entre 15% e 30% sobre automóveis estrangeiros, mantendo, porém, isenções previstas no acordo comercial entre Estados Unidos, México e Canadá.

Reino Unido reage e empresas buscam reembolsos

Após a mudança anunciada por Trump, o governo do Reino Unido declarou esperar que sua relação comercial privilegiada com os EUA seja preservada, apesar do novo cenário tarifário.

No campo jurídico, a decisão da Suprema Corte também levanta dúvidas sobre o destino das receitas já arrecadadas. Segundo levantamento da Bloomberg, mais de 1.500 empresas ingressaram com ações judiciais em tribunais comerciais antes do julgamento.

A Corte não definiu se importadores terão direito a reembolsos, deixando a questão para instâncias inferiores. Estima-se que a exposição financeira possa chegar a US$ 170 bilhões — mais da metade do total arrecadado com as tarifas implementadas durante o governo Trump.

Apesar disso, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que a arrecadação tarifária deverá permanecer praticamente estável em 2026, mesmo após a decisão judicial.

FONTE: Bloomberg Línea
TEXTO: Redação
IMAGEM:  Bonnie Cash/UPI/Bloomberg

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