Internacional

Estreito de Hormuz: Irã começa a cobrar taxas de navios e eleva tensão no comércio global

O governo do Irã passou a exigir taxas de navios no Estreito de Hormuz, medida que reforça o controle estratégico do país sobre uma das principais rotas marítimas de energia do mundo. A cobrança, ainda sem regras claras, já impacta o transporte marítimo internacional e levanta preocupações no setor.

Cobrança pode chegar a US$ 2 milhões por viagem

De acordo com informações de mercado, alguns navios comerciais estão sendo solicitados a pagar valores que podem chegar a US$ 2 milhões por travessia. A prática ocorre de forma irregular, sem padrão definido, funcionando como uma espécie de “pedágio informal”.

Relatos indicam que parte das embarcações já realizou pagamentos, embora os critérios e mecanismos de cobrança ainda não estejam totalmente transparentes.

Conflito geopolítico influencia restrições

A medida ocorre em meio ao aumento das tensões envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel. Desde o início do conflito, Teerã vem impondo restrições à circulação de embarcações ligadas direta ou indiretamente a seus adversários.

O Estreito de Hormuz é responsável pela passagem de cerca de 25% do petróleo mundial, além de grandes volumes de produtos petroquímicos essenciais para a economia global.

Questionamentos sobre legalidade internacional

A iniciativa iraniana tem gerado reações de outros países. A Índia, por exemplo, reforçou que a liberdade de navegação no estreito é garantida por normas internacionais e que não cabe a nenhum país cobrar pelo uso da rota.

O posicionamento veio após embarcações indianas conseguirem deixar o Golfo Pérsico transportando gás liquefeito de petróleo (GLP).

Proposta pode virar regra oficial

No cenário político interno, o tema também avança. Um parlamentar iraniano afirmou recentemente que há uma proposta em andamento para formalizar a cobrança pelo uso do estreito como rota segura de navegação.

Caso seja aprovada, a medida pode institucionalizar a cobrança e ampliar seus impactos no comércio internacional.

Países do Golfo veem risco estratégico

Produtores de energia do Golfo Pérsico demonstram preocupação com a possibilidade de cobrança, mesmo que informal. Segundo fontes do setor, a prática levanta questões sobre soberania e pode abrir precedentes perigosos.

Além disso, há temor de que o corredor energético global seja utilizado como instrumento político, aumentando a instabilidade nos mercados de petróleo e gás.

FONTE: Jornal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGEM: Envato

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Comércio Internacional

Acordo Mercosul–União Europeia pode entrar em vigor em maio e ampliar comércio do Brasil

O acordo Mercosul–União Europeia pode começar a produzir efeitos já em maio, caso os processos de ratificação sejam concluídos dentro do prazo. A previsão é que aproximadamente 5 mil produtos brasileiros passem a entrar no mercado europeu com tarifa zero, ampliando as oportunidades de exportações do Brasil.

A informação foi destacada pela secretária de Comércio Exterior, Tatiana Prazeres, em entrevista ao jornal Valor. Segundo ela, o desafio agora é transformar o potencial do acordo em negócios concretos.

“O acordo abre uma série de oportunidades, mas é preciso que o setor privado assuma esse processo e transforme essas possibilidades em comércio real”, afirmou.

Evento em São Paulo deve orientar setores da economia

Para explicar as mudanças trazidas pelo tratado, o governo brasileiro prepara uma agenda de divulgação voltada ao setor produtivo. No dia 27 de março, o vice-presidente Geraldo Alckmin deve participar de um evento em São Paulo ao lado do presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban.

Durante o encontro, especialistas vão promover workshops técnicos para detalhar os impactos do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia em diferentes segmentos da economia, incluindo regras de origem e cronograma de redução tarifária.

Abertura do mercado também será gradual para produtos europeus

O tratado também prevê redução de tarifas para produtos da União Europeia que entram no Mercosul. No entanto, essa abertura será feita de forma progressiva.

Inicialmente, apenas 14,5% das importações brasileiras provenientes da Europa terão tarifa zerada. Mesmo assim, cerca de 96% desses itens já possuem alíquota base de zero, o que indica impacto imediato limitado e uma transição gradual para os setores nacionais.

Negociações duraram mais de duas décadas

As negociações do acordo Mercosul–União Europeia começaram há mais de 20 anos. A primeira versão foi concluída em 2019, mas o texto voltou a ser discutido em 2023 para ajustes em pontos sensíveis.

Entre os temas mais debatidos esteve a possibilidade de o Brasil aplicar taxas de exportação sobre minerais críticos, considerados estratégicos para a indústria global. A versão atual permite que o país adote esse mecanismo caso considere necessário.

Outro dispositivo incluído no tratado é uma cláusula de reequilíbrio, que poderá ser acionada caso novas regras europeias — como políticas ambientais ou tarifas de carbono — afetem as concessões comerciais previstas.

Impactos esperados na economia brasileira

Estudos do governo indicam que o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia pode gerar efeitos positivos para a economia brasileira.

Entre os resultados estimados estão:

  • crescimento do PIB brasileiro;
  • aumento das exportações brasileiras;
  • maior fluxo de importações de tecnologia e insumos;
  • expansão dos investimentos estrangeiros;
  • redução de preços para consumidores.

A expectativa é que a indústria nacional também se beneficie do acesso a insumos mais competitivos, ampliando sua capacidade de exportação para outros mercados.

Guerra no Oriente Médio e comércio global

Durante a entrevista, Tatiana Prazeres também comentou os impactos da guerra no Oriente Médio sobre o comércio internacional. Segundo ela, o principal fator de preocupação é o efeito do conflito sobre os preços do petróleo.

Além disso, o cenário pode gerar problemas logísticos, elevando custos de frete marítimo, seguros e combustíveis, o que tende a pressionar a inflação global.

Para o Brasil, os principais reflexos podem ocorrer nos preços dos combustíveis, na taxa de câmbio e nas cadeias de comércio ligadas a produtos como fertilizantes, milho, frango e açúcar — itens importantes nas relações comerciais com países do Oriente Médio.

Relações comerciais com os Estados Unidos seguem em diálogo

A secretária também destacou que o diálogo comercial entre Brasil e Estados Unidos continua em nível técnico, mesmo após o fim de tarifas adicionais que haviam sido aplicadas a produtos brasileiros.

Com o encerramento da medida em março, setores como madeira, móveis e calçados já se preparam para retomar vendas ao mercado norte-americano.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Carol Carquejeiro/Valor

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Internacional

EUA investigam trabalho forçado em cadeias produtivas e incluem o Brasil na lista

Os Estados Unidos abriram uma nova frente de apuração sobre trabalho forçado em cadeias produtivas internacionais, colocando o Brasil entre os países analisados. A investigação foi iniciada pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) e envolve dezenas de parceiros comerciais do país.

A apuração ocorre no âmbito da Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento utilizado pelo governo norte-americano para investigar práticas consideradas desleais no comércio internacional.

Investigação dos EUA mira práticas de trabalho forçado

De acordo com o USTR, cerca de 60 países estão sendo analisados para verificar se permitem ou não a entrada em seus mercados de produtos produzidos com trabalho forçado.

Segundo o embaixador e Representante Comercial dos EUA, Jamieson Greer, mesmo com o consenso internacional sobre a proibição dessa prática, muitos governos ainda não conseguem impedir que produtos fabricados nessas condições circulem no comércio global.

Na avaliação do representante, essa situação pode gerar uma vantagem competitiva artificial, prejudicando trabalhadores e empresas americanas, que precisam competir com produtos potencialmente mais baratos.

O objetivo das investigações é verificar se os governos estrangeiros adotaram medidas suficientes para impedir a importação ou a circulação de bens produzidos por meio de exploração laboral.

Países na lista de investigação comercial

A investigação do governo dos Estados Unidos inclui economias de diferentes regiões do mundo. Entre os países analisados estão:

Argélia, Angola, Argentina, Austrália, Bahamas, Bahrein, Bangladesh, Brasil, Camboja, Canadá, Chile, China, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, Egito, El Salvador, União Europeia, Guatemala, Guiana, Honduras, Hong Kong, Índia, Indonésia, Iraque, Israel, Japão, Jordânia, Cazaquistão, Kuwait, Líbia, Malásia, México, Marrocos, Nova Zelândia, Nicarágua, Nigéria, Noruega, Omã, Paquistão, Peru, Filipinas, Catar, Rússia, Arábia Saudita, Singapura, África do Sul, Coreia do Sul, Sri Lanka, Suíça, Taiwan, Tailândia, Trinidad e Tobago, Turquia, Emirados Árabes Unidos, Reino Unido, Uruguai, Venezuela e Vietnã.

Brasil já era alvo de investigação comercial

Antes mesmo da nova apuração sobre trabalho forçado, o governo norte-americano já havia sinalizado uma investigação contra o Brasil por práticas comerciais desleais.

Na ocasião, o presidente Donald Trump mencionou a possibilidade de medidas adicionais ao anunciar um pacote de tarifas que poderia chegar a 50% sobre determinados produtos.

O que pode acontecer após a investigação

Caso o USTR conclua que houve práticas comerciais incompatíveis com as regras internacionais, a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 permite ao governo dos EUA adotar diferentes medidas.

Entre as possíveis ações estão:

  • Aplicação de tarifas adicionais ou restrições à importação;
  • Suspensão ou retirada de benefícios comerciais existentes;
  • Negociação de acordos obrigatórios para que o país investigado interrompa as práticas questionadas ou ofereça compensações.

Como funcionam as investigações da Seção 301

Qualquer pessoa, empresa ou entidade pode solicitar ao USTR a abertura de uma investigação com base na Seção 301. Além disso, o próprio representante comercial pode iniciar o processo por iniciativa própria.

As apurações são conduzidas por um grupo chamado Comitê da Seção 301, que integra o Comitê de Política Comercial do governo norte-americano.

Durante o processo, o comitê:

  • analisa petições apresentadas por interessados;
  • promove audiências públicas;
  • avalia evidências e impactos comerciais;
  • apresenta recomendações ao Comitê de Política Comercial.

A decisão final cabe ao Representante Comercial dos Estados Unidos, que também deve solicitar consultas com o país investigado no início do processo.

Caso não haja um acordo considerado satisfatório entre as partes, o governo norte-americano pode recorrer aos mecanismos formais de resolução de disputas da Organização Mundial do Comércio (OMC) ou de acordos comerciais existentes.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: US Embassy/Reprodução

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Transporte

Cancelamentos de viagens marítimas chegam a 8% em meio a tensões no Estreito de Ormuz

O aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio, especialmente envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, já começa a refletir no transporte marítimo de contêineres. De acordo com análise da consultoria Drewry, cerca de 8% dos itinerários programados por companhias de navegação foram cancelados nas principais rotas globais nas próximas semanas.

A instabilidade em torno do Estreito de Ormuz, uma das rotas mais estratégicas para o comércio mundial, levou algumas linhas de navegação a suspender reservas relacionadas ao Golfo Pérsico e redirecionar embarcações para trajetos alternativos.

Desvios de rotas e atrasos no Mar Vermelho pressionam o setor

Além da situação no Golfo, o setor também continua lidando com atrasos na normalização das rotas pelo Mar Vermelho e pelo Canal de Suez.

Com a persistência dos riscos na região, muitos serviços seguem operando pelo trajeto mais longo ao redor do Cabo da Boa Esperança, aumentando tempo de trânsito e custos operacionais para o transporte marítimo internacional.

Mais de 50 cancelamentos registrados entre março e abril

Segundo levantamento da Drewry, entre as semanas 11 e 15 do calendário logístico — período de 9 de março a 12 de abril — foram anunciados 55 cancelamentos de viagens, considerando aproximadamente 705 partidas programadas.

O volume representa uma taxa de cancelamento de 8% nas rotas analisadas. Ainda assim, o impacto operacional permanece relativamente controlado no curto prazo.

A expectativa é de que 92% das viagens planejadas sejam realizadas conforme o cronograma, mantendo a maior parte da capacidade marítima ativa.

Rota transpacífica concentra maioria dos cancelamentos

A análise também indica que os cancelamentos estão concentrados em rotas específicas do comércio global.

A distribuição observada foi a seguinte:

  • 53% dos cancelamentos ocorreram na rota transpacífica em direção ao leste
  • 27% na rota transatlântica rumo ao oeste
  • 20% nos serviços entre Ásia e Europa/Mediterrâneo

Esses corredores marítimos fazem parte das chamadas rotas leste-oeste, consideradas as mais importantes do transporte global de contêineres.

Alianças marítimas apresentam desempenhos diferentes

Entre as alianças operacionais avaliadas pela Drewry, a Gemini Cooperation apresentou um desempenho considerado mais estável.

A parceria registrou uma taxa de cancelamento de apenas 3%, sem interrupções nas principais rotas leste-oeste, o que indica maior regularidade na programação de serviços.

Tarifas de frete apresentam leve alta global

O cenário de incerteza também começa a influenciar o mercado de fretes marítimos. O Índice Mundial de Contêineres (WCI) da Drewry registrou alta semanal de 3%, alcançando US$ 1.958 por FEU (contêiner de 40 pés).

Entre as principais rotas, o comportamento das tarifas foi distinto:

  • Transpacífico: aumento de 8%
  • Transatlântico: queda de 2%
  • Ásia–Europa/Mediterrâneo: valores relativamente estáveis

Risco de capacidade reduzida no transporte marítimo

Para a consultoria, apesar da estabilidade atual das tarifas, fatores operacionais podem alterar esse cenário nas próximas semanas.

Entre os pontos de atenção estão:

  • congestionamento portuário
  • desvios de rotas marítimas
  • ajustes na programação das companhias

Além disso, viagens mais longas podem manter navios e contêineres vazios ocupados por períodos maiores, reduzindo gradualmente a capacidade efetiva disponível no mercado.

Impacto para embarcadores pode aumentar

No curto prazo, os donos de carga (shippers) tendem a sentir impacto limitado. No entanto, se as interrupções nas rotas persistirem, o mercado pode enfrentar:

  • tempos de trânsito mais longos
  • redução de capacidade logística
  • maior volatilidade nas tarifas de frete marítimo

Esse cenário afetaria principalmente as principais rotas leste-oeste do comércio global, fundamentais para o fluxo de mercadorias entre Ásia, Europa e Américas.

FONTE: Modais em Foco
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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Internacional

EUA iniciam investigações comerciais para ampliar pressão tarifária de Trump

O governo dos Estados Unidos abriu novas frentes de investigação sobre práticas comerciais desleais envolvendo grandes parceiros comerciais. A medida faz parte da estratégia do presidente Donald Trump para reforçar a pressão por meio de tarifas comerciais, após uma decisão judicial que enfraqueceu seu programa tarifário.

A iniciativa foi anunciada pelo representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, e pode resultar na imposição de novas taxas contra algumas das principais economias globais.

Investigação da Seção 301 mira grandes parceiros comerciais

A investigação foi aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo utilizado pelos EUA para contestar práticas comerciais consideradas injustas.

Segundo Greer, o foco inicial recai sobre 16 parceiros comerciais relevantes, entre eles:

  • China
  • União Europeia
  • Índia
  • Japão
  • Coreia do Sul
  • México

Outros países também estão sob análise por excesso de capacidade industrial, incluindo:

Taiwan, Vietnã, Tailândia, Malásia, Camboja, Cingapura, Indonésia, Bangladesh, Suíça e Noruega.

O Canadá, segundo maior parceiro comercial dos EUA, não foi incluído na lista inicial.

De acordo com o governo norte-americano, a investigação pretende analisar indícios de excesso estrutural de capacidade produtiva, caracterizado por fatores como superávits comerciais persistentes, produção acima da demanda e capacidade industrial ociosa.

Nova apuração sobre trabalho forçado nas cadeias globais

Além do tema industrial, o governo também abrirá uma segunda investigação com base na mesma legislação. O objetivo é restringir a importação de produtos fabricados com trabalho forçado.

A análise deverá abranger mais de 60 países e pode ampliar restrições já aplicadas a mercadorias provenientes da região de Xinjiang, na China.

Essas medidas seguem o precedente da Uyghur Forced Labor Prevention Act, sancionada pelo ex-presidente Joe Biden, que limita a entrada de produtos associados ao trabalho forçado da etnia uigur.

Autoridades chinesas negam as acusações de abusos e afirmam que as políticas na região têm caráter de desenvolvimento econômico e segurança.

Estratégia para manter pressão tarifária

As novas investigações surgem após a Suprema Corte dos Estados Unidos invalidar, em fevereiro, o principal mecanismo utilizado pelo governo para aplicar tarifas globais com base em uma lei de emergências nacionais.

Como alternativa, Trump estabeleceu uma tarifa temporária de 10% por 150 dias, com base na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, enquanto o governo prepara novas medidas permanentes.

O cronograma definido inclui:

  • 15 de abril: prazo final para comentários públicos
  • Início de maio: realização de audiência pública
  • Até o verão norte-americano: possível anúncio de novas tarifas comerciais

Segundo Greer, as investigações podem servir como instrumento para manter negociações comerciais ativas e incentivar parceiros a cumprir acordos já firmados com Washington.

Reunião entre EUA e China deve discutir comércio

O movimento ocorre em paralelo a negociações diplomáticas. Autoridades do governo Trump, lideradas pelo secretário do Tesouro Scott Bessent, devem se reunir com representantes da China em Paris.

O encontro busca preparar o terreno para uma reunião entre Trump e o presidente chinês Xi Jinping, prevista para ocorrer em Pequim no final de março.

Durante seu primeiro mandato, Trump utilizou a Seção 301 para justificar tarifas de cerca de 25% sobre produtos chineses, política que desencadeou uma série de disputas comerciais entre as duas maiores economias do mundo.

Agora, o foco da nova investigação recai sobre o aumento da produção industrial subsidiada por governos, fenômeno que, segundo autoridades americanas, estaria inundando o mercado global com produtos de baixo custo.

Entre os fatores analisados estarão:

  • subsídios governamentais
  • salários domésticos artificialmente baixos
  • atuação de empresas estatais
  • crédito subsidiado
  • práticas cambiais
  • padrões ambientais e trabalhistas reduzidos

Impactos para o comércio internacional

Especialistas apontam que a iniciativa pode intensificar disputas comerciais e afetar cadeias globais de fornecimento, especialmente em setores industriais estratégicos.

Ao mesmo tempo, a estratégia reforça o discurso de proteção à manufatura norte-americana e à redução do déficit comercial dos Estados Unidos, temas centrais da política econômica defendida por Trump.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: Thomson Reuters

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Comércio Internacional

Exportações da China crescem 21,8% no início de 2026 e superam expectativas do mercado

A China começou 2026 com um desempenho expressivo no comércio exterior. As exportações chinesas avançaram 21,8% em dólares entre janeiro e fevereiro, superando com ampla margem as previsões do mercado e indicando continuidade do ritmo forte após o superávit comercial recorde registrado no ano passado.

O resultado também ficou muito acima da expansão de 6,6% registrada em dezembro e da estimativa de 7,1% apontada por economistas consultados. O desempenho reforça a posição da segunda maior economia do mundo como um dos principais motores do comércio global.

Segundo especialistas, a demanda internacional por produtos tecnológicos tem sido um dos principais fatores por trás do avanço das remessas chinesas.

Tecnologia e eletrônicos lideram crescimento das exportações

O setor de tecnologia aparece entre os principais impulsionadores das exportações da China. A venda de circuitos integrados e produtos eletrônicos ganhou força com o aumento global de investimentos ligados à inteligência artificial.

Para Xu Tianchen, economista sênior da Economist Intelligence Unit, esse movimento já era esperado diante da expansão do setor tecnológico.

Além disso, alguns segmentos tradicionais também surpreenderam positivamente. “O crescimento das exportações de roupas, têxteis e bolsas foi inesperado, considerando o desempenho fraco desses setores em 2025 diante da concorrência do Sudeste Asiático e do Sul da Ásia”, avaliou o economista.

Embarques podem acelerar com demanda dos EUA

Analistas apontam que o ritmo das exportações pode se intensificar no curto prazo. Há expectativa de que os dados de março mostrem um aumento adicional nos embarques, especialmente para os Estados Unidos.

Esse movimento estaria relacionado à tentativa de fabricantes chineses de antecipar exportações enquanto permanece em vigor a suspensão de tarifas comerciais determinada pela Suprema Corte norte-americana.

Outro fator seria o retorno de empresas chinesas a setores de menor valor agregado, como o têxtil, ampliando a presença do país nesses mercados.

Tensões geopolíticas ainda são risco para o comércio

Apesar do cenário positivo, economistas alertam que tensões geopolíticas podem afetar o comércio global nos próximos meses.

Ainda é incerto o impacto de possíveis conflitos envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, especialmente diante do risco de interrupções no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial.

Caso ocorram restrições no fluxo de energia ou transporte marítimo, a cadeia global de suprimentos poderia ser afetada.

China amplia estoques de commodities estratégicas

Nos primeiros meses do ano, a China também reforçou seus estoques de commodities essenciais para a indústria, incluindo minério de ferro e petróleo bruto.

A estratégia ajuda a proteger o setor produtivo contra eventuais oscilações nos mercados internacionais de energia e matérias-primas.

Superávit comercial cresce no início do ano

Os dados oficiais mostram ainda que o superávit comercial chinês atingiu US$ 213,6 bilhões entre janeiro e fevereiro, superando com folga os US$ 169,21 bilhões registrados no mesmo período de 2025.

O resultado também ficou acima da previsão de economistas, que projetavam um saldo de US$ 179,6 bilhões.

As importações da China também apresentaram crescimento significativo no início de 2026, com alta de 19,8% no bimestre, acelerando em relação ao avanço de 5,7% observado em dezembro.

Fonte: Infomoney com informações de Reuters.

TEXTO: Redação

IMAGEM: Reprodução Infomoney / China Daily via REUTERS//File Photo

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Internacional

Acordo UE–Mercosul e setor de lácteos: o que realmente muda com a validação política

A recente validação política do Acordo UE–Mercosul recolocou o setor de lácteos no centro das discussões sobre comércio internacional. Diferentemente de outros segmentos do agronegócio, a cadeia de leite e derivados costuma ser mais curta, altamente sensível a variações de preços e historicamente protegida por tarifas elevadas em diversos mercados.

Por esse motivo, alterações nas regras de acesso ao mercado tendem a provocar reações rápidas por parte das empresas. Mesmo antes da entrada oficial em vigor do tratado, o setor privado costuma antecipar decisões estratégicas envolvendo investimentos, planejamento produtivo, contratos comerciais e adequações às exigências sanitárias, regulatórias e de rotulagem.

Esse cenário ocorre em meio a um ambiente político complexo dentro da própria União Europeia. O Conselho do bloco já aprovou medidas que autorizam a assinatura do acordo e avançam na preparação para sua implementação comercial. Apesar disso, alguns países europeus ainda demonstram resistência, sobretudo aqueles com setores agrícolas considerados mais sensíveis.

Como era o comércio de lácteos antes do acordo

Antes da negociação entre os blocos, o comércio de lácteos entre Mercosul e União Europeia era limitado por um conjunto de barreiras tarifárias e exigências regulatórias rigorosas.

Uma das principais barreiras eram as tarifas Nação Mais Favorecida (NMF), aplicadas a produtos importados de países membros da Organização Mundial do Comércio quando não existe acordo preferencial. No caso do setor agroalimentar, a União Europeia mantém tarifas médias mais altas do que em bens industriais, e os produtos lácteos estão entre os mais protegidos, com picos tarifários e mecanismos adicionais de controle.

Além disso, a UE administra cotas tarifárias (TRQs) para determinados produtos lácteos. Essas cotas, no entanto, não eram direcionadas especificamente aos países do Mercosul e muitas vezes eram abertas a exportadores de diferentes origens, com processos administrativos complexos que dificultavam o acesso efetivo de produtores sul-americanos.

Outro fator relevante são as exigências sanitárias europeias. Para exportar ao bloco, é necessário cumprir regras rigorosas de certificação veterinária, rastreabilidade, habilitação de estabelecimentos e conformidade regulatória. Esses requisitos geram custos elevados e podem limitar a competitividade de exportadores com menor escala.

No fluxo inverso, o principal obstáculo para os produtos europeus no Mercosul era tarifário. Antes do acordo, itens como queijos e leite em pó enfrentavam tarifas próximas de 28% no bloco sul-americano, enquanto fórmulas infantis tinham taxas em torno de 18%.

O que muda com o Acordo UE–Mercosul

O novo acordo comercial estabelece um modelo de liberalização gradual para produtos sensíveis, como é o caso dos lácteos.

Na prática, o tratado combina cotas tarifárias (TRQs) com reduções progressivas de tarifas ao longo do tempo. Dentro dessas cotas, a tarifa pode chegar a zero após determinado período de transição. Já para volumes que ultrapassarem o limite estabelecido, permanece a tarifa padrão.

Esse formato busca equilibrar abertura comercial com proteção gradual ao setor, permitindo que produtores se adaptem ao aumento da concorrência internacional.

Impactos para produtores do Mercosul e da União Europeia

A tendência é que a pressão competitiva se concentre em segmentos específicos, principalmente queijos maturados, queijos especiais e ingredientes industriais derivados do leite. Ao mesmo tempo, o acordo pode estimular estratégias de diferenciação baseadas em qualidade, origem geográfica e atributos funcionais dos produtos.

No desenho geral do acordo, observa-se uma assimetria de interesses entre os blocos. Países do Mercosul, especialmente o Brasil, adotaram uma postura mais defensiva nas negociações, enquanto a União Europeia atuou de forma mais ofensiva.

O setor lácteo é considerado sensível no Mercosul devido à sua importância econômica e social. A cadeia produtiva envolve grande número de produtores de menor escala e produtos essenciais para o mercado interno, como leite em pó, muçarela, creme de leite e leite condensado. Por isso, o bloco buscou limitar a abertura por meio de cotas, reduções graduais de tarifas e exclusões de alguns itens estratégicos.

Já a União Europeia possui uma indústria láctea altamente competitiva e orientada à exportação. Nesse contexto, o Mercosul é visto como mercado estratégico, sobretudo para produtos de maior valor agregado, como queijos europeus e fórmulas infantis.

Liberalização comercial não é simétrica

Os cronogramas de redução tarifária e os volumes das cotas previstos no acordo não são equivalentes para os dois lados. Na prática, eles funcionam principalmente como mecanismos para administrar a abertura gradual do mercado do Mercosul às importações europeias.

Isso significa que o comércio de lácteos entre UE e Mercosul não será totalmente liberalizado de forma recíproca. O fluxo de produtos do Mercosul para a Europa continuará sujeito a tarifas mais altas e exigências sanitárias rigorosas.

Perspectivas para o setor lácteo

Quando analisado especificamente sob a ótica do setor de leite e derivados, o Acordo UE–Mercosul tende a apresentar vantagens maiores para a União Europeia.

Para os países do Mercosul, a abertura comercial ocorre de forma seletiva e gradual, o que pode reduzir impactos imediatos. Ainda assim, os resultados de longo prazo dependerão de políticas domésticas, estratégias empresariais e da capacidade de adaptação da cadeia produtiva regional.

FONTE: MilkPoint
TEXTO: Redação
IMAGEM: Lactalis

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Seguro Internacional

Seguro marítimo dispara com escalada do conflito no Irã e tensão no Estreito de Ormuz

O agravamento do conflito no Golfo Pérsico está provocando uma forte alta nos custos de seguro marítimo de risco de guerra, com prêmios que, em alguns casos, aumentaram mais de 1.000%. A elevação repentina das tarifas pressiona o transporte internacional de energia por uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta.

A escalada do conflito começou após ataques aéreos conduzidos por Israel e pelos Estados Unidos contra alvos em Teerã no dia 28 de fevereiro. Desde então, o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz — um dos principais gargalos do comércio global — passou a enfrentar sérios riscos operacionais.

Tensão militar eleva risco para navios

No início de março, o governo iraniano declarou que poderia abrir fogo contra embarcações que tentassem atravessar a região. Desde o início das hostilidades, ao menos nove navios sofreram danos nas proximidades do estreito.

Esse cenário levou seguradoras a rever rapidamente as condições do seguro de risco de guerra para navios, cobertura que protege armadores contra prejuízos provocados por conflitos armados ou atos de terrorismo. Embora a maioria das apólices seja anual, algumas são contratadas especificamente para viagens em áreas consideradas perigosas.

Segundo especialistas do setor, a escalada militar aumentou significativamente a exposição das companhias de navegação e das empresas de energia que dependem da rota para transportar cargas.

Custos de transporte e energia sob pressão

O aumento das tarifas de seguro evidencia como o conflito está elevando os custos do transporte marítimo global. Analistas alertam que, se a crise se prolongar, o impacto poderá chegar ao consumidor final, pressionando a inflação.

Stephen Rudman, responsável pela área marítima da Ásia na corretora global Aon, explicou que o mercado reagiu rapidamente devido ao risco de perdas concentradas.

De acordo com ele, caso vários navios sejam atingidos simultaneamente na mesma região, os prejuízos podem alcançar cifras bilionárias.

Rudman também afirmou que os prêmios adicionais para navios que transitam em zonas de alto risco estão subindo de forma acentuada e devem continuar variando no curto prazo.

Prêmios de seguro podem chegar a milhões por embarcação

Estimativas de analistas da Jefferies indicam que as perdas potenciais do setor, considerando navios já atingidos desde o início do conflito, podem alcançar até US$ 1,75 bilhão.

Com petroleiros avaliados normalmente entre US$ 200 milhões e US$ 300 milhões, o novo custo de seguro chega a cerca de 3% do valor do casco. Isso significa que o prêmio de seguro de guerra marítimo pode atingir aproximadamente US$ 7,5 milhões por embarcação.

Antes da escalada militar, a taxa média girava em torno de 0,25%, equivalente a cerca de US$ 625 mil.

Estreito de Ormuz concentra grande parte do petróleo mundial

O impacto da crise é ainda maior devido à importância estratégica da rota. Dados da empresa de análise Vortexa mostram que mais de 20 milhões de barris por dia de petróleo e derivados passam pelo Estreito de Ormuz.

Esse volume representa cerca de um quinto do petróleo consumido globalmente.

Atualmente, cerca de mil embarcações permanecem no Golfo Pérsico e regiões próximas, metade delas formada por petroleiros e navios de gás. O valor total desses navios supera US$ 25 bilhões.

Seguradoras acompanham situação e mantêm cobertura

Segundo Sheila Cameron, diretora-executiva da Lloyd’s Market Association, a maioria dessas embarcações está segurada no mercado londrino, e as apólices continuam válidas por enquanto.

Ainda assim, o mercado acompanha de perto os desdobramentos do conflito.

Especialistas alertam que resseguradoras podem reagir elevando os limites mínimos de perdas para cobertura ou reduzindo a capacidade de proteção oferecida às seguradoras primárias, o que aumentaria ainda mais os riscos financeiros.

Rotas alternativas podem encarecer cadeias globais

Caso o trânsito pelo estreito se torne inviável, embarcações poderão ser forçadas a utilizar rotas alternativas, como o Cabo da Boa Esperança, ou recorrer a corredores terrestres.

Essa mudança aumentaria significativamente o tempo de transporte e os custos logísticos das cadeias de suprimento internacionais.

EUA avaliam escolta naval para petroleiros

Diante da tensão crescente, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a Marinha norte-americana pode começar a escoltar petroleiros que atravessarem o Estreito de Ormuz.

Além disso, o governo norte-americano avalia oferecer seguro de risco político e garantias financeiras para o comércio marítimo na região.

Ainda não está claro, porém, se eventuais medidas abrangeriam embarcações e cargas de todas as nacionalidades.

Sem alternativas imediatas, muitos armadores devem manter suas operações e aceitar pagar os prêmios mais altos de seguro.

Para o economista Michel Léonard, do Insurance Information Institute, a situação atual ilustra bem o nível de risco enfrentado pelo setor. Segundo ele, “é como tentar segurar um prédio em chamas”.

FONTE: Portal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Internacional

Acordo de Livre Comércio MERCOSUL-Singapura entra em vigor e amplia acesso ao mercado asiático

O Acordo de Livre Comércio MERCOSUL-Singapura começou a produzir efeitos bilaterais em 1º de março para o Uruguai. O Paraguai já havia iniciado a vigência do tratado em 1º de fevereiro, após a conclusão dos procedimentos internos e o depósito dos instrumentos de ratificação exigidos pelos dois países.

A implementação do acordo representa um passo importante para o bloco sul-americano, que busca ampliar sua presença no comércio internacional e fortalecer conexões estratégicas com a região da Ásia-Pacífico.

Integração comercial e novos mercados

Considerado um marco para o bloco, o acordo comercial entre MERCOSUL e Singapura cria novas oportunidades de integração econômica. A iniciativa também reforça o papel de Singapura como parceiro estratégico e porta de entrada para mercados asiáticos.

Com a entrada em vigor do tratado, empresas dos países envolvidos passam a contar com melhores condições para ampliar negócios, exportações e cooperação comercial.

Acordo de nova geração

O tratado é classificado como um acordo de nova geração, pois vai além da redução de tarifas. O documento inclui regras modernas voltadas ao comércio de bens e serviços, além de temas como investimentos, compras públicas, propriedade intelectual, comércio eletrônico e incentivo às micro, pequenas e médias empresas.

A expectativa é que a parceria contribua para o crescimento do comércio bilateral, além de aumentar a previsibilidade regulatória e estimular novos investimentos entre os países participantes.

Aprovação do tratado

O Acordo de Livre Comércio MERCOSUL-Singapura foi aprovado pelo Conselho do Mercado Comum (CMC) por meio da Decisão nº 17/23. A formalização ocorreu durante a LXIII Cúpula de Chefes de Estado do MERCOSUL, realizada em 7 de dezembro de 2023, no Rio de Janeiro.

FONTE: Mercosul
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Mercosul

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Exportação

Guerra no Oriente Médio muda rota de navios com commodities brasileiras e encarece exportações

A escalada do conflito no Oriente Médio já começa a afetar a logística de exportações brasileiras de commodities. Navios carregados com produtos do agronegócio do Brasil que seguiam para países da região estão interrompendo a viagem antes do destino final e descarregando mercadorias em portos considerados seguros.

Segundo relatos de traders e exportadores, a carga está sendo retirada das embarcações em portos fora da zona de conflito e depois segue por transporte terrestre até o destino final.

A mudança logística envolve remessas com destino a países como Israel, Iraque, Irã, Kuwait e Emirados Árabes Unidos, áreas que têm enfrentado tensões militares e riscos para o transporte marítimo.

Navios interrompem viagens e redirecionam cargas

De acordo com um operador do mercado de açúcar, algumas companhias marítimas estão declarando o chamado “fim de viagem” em determinadas rotas. Na prática, isso significa que os navios não chegam ao destino originalmente contratado.

Em vez disso, a carga é descarregada em um porto intermediário e os clientes precisam organizar a retirada e o transporte até o destino final.

Alguns contêineres de açúcar brasileiro já passaram por esse processo. As mercadorias foram descarregadas em portos alternativos e seguiram por via terrestre. Nesse caso, os custos adicionais da nova logística foram repassados aos compradores.

Exportadores de carne recebem aviso de redirecionamento

Uma empresa brasileira de médio porte do setor de exportação de carne bovina informou ter recebido um comunicado da Mediterranean Shipping Company (MSC) anunciando o encerramento de viagens para cargas destinadas ao Golfo Pérsico.

Dois contêineres da companhia, que estavam a caminho de Dubai, podem ser desviados para outro porto fora da área de risco. Nesse caso, os custos extras devem ser pagos pelo próprio exportador.

No aviso enviado aos clientes, a transportadora informou que toda carga atualmente em trânsito será desviada para o porto seguro mais próximo, onde será descarregada e disponibilizada para retirada.

Além disso, será aplicada uma taxa adicional obrigatória de US$ 800 por contêiner para cobrir despesas decorrentes da mudança de rota. Custos de movimentação, armazenagem e outras taxas portuárias também passam a ser responsabilidade do dono da carga.

Mudança de destino depende de nova reserva

Exportadores que desejarem enviar a mercadoria para outro destino precisarão fazer uma nova reserva de transporte marítimo.

Outra alternativa é solicitar a mudança do porto final — processo conhecido como Change of Destination (COD). No entanto, a aceitação desse pedido dependerá de fatores como:

• viabilidade operacional
• rotas disponíveis dos navios
• evolução da situação de segurança no Oriente Médio

Mesmo quando aceito, o pedido não garante que a carga chegará exatamente ao destino solicitado e não elimina custos extras gerados pelo conflito.

Seguro marítimo e Canal de Suez geram novas preocupações

Outro desafio envolve o seguro de guerra para transporte marítimo. Para navios que já estavam em viagem rumo ao Oriente Médio, as condições permanecem inalteradas.

Já para novos embarques, seguradoras passaram a cancelar coberturas ou revisar contratos individualmente, geralmente com prêmios mais elevados.

O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes, Roberto Perosa, afirmou que o conflito também tem provocado restrições no tráfego do Canal de Suez.

Uma alternativa para os navios é contornar o Cabo da Boa Esperança, rota mais longa que liga o Atlântico ao Índico.

Segundo Perosa, o impacto ainda é limitado, mas tende a crescer.

Empresas que já enviaram mercadorias à região devem negociar soluções logísticas e compensações com importadores. A prioridade, segundo ele, é garantir que clientes recebam produtos que já foram pagos.

Exportações de carne podem sofrer impacto bilionário

As exportações brasileiras de carne bovina para o Oriente Médio movimentaram cerca de US$ 2 bilhões em 2025.

Entretanto, a guerra envolvendo o Irã e possíveis restrições no Estreito de Ormuz podem afetar até US$ 6 bilhões em negócios, estima a Abiec.

Esse valor inclui cargas que passam pelo hub logístico da região antes de seguir para outros mercados — cerca de 30% a 40% de tudo o que o Brasil enviou no ano passado.

Companhias marítimas também já suspenderam novas reservas de contêineres refrigerados para cargas com destino ao Oriente Médio ou que precisem transitar pela região.

No caso do mercado global de açúcar, operadores afirmam que ainda não houve interrupções relevantes no fluxo de comércio.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Freepik

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