Investimento

Acordo Mercosul-UE pode impulsionar investimentos franceses no Brasil, avalia indústria

Mesmo diante da resistência de setores agrícolas e do governo da França ao acordo entre Mercosul e União Europeia, a indústria francesa já se movimenta para ampliar sua presença no Brasil. A expectativa é que a implementação provisória do tratado, prevista para maio, favoreça novos aportes e fortaleça o fluxo de negócios.

Empresários franceses avaliam que a redução de tarifas e melhores condições de acesso ao mercado sul-americano devem estimular investimentos estrangeiros no Brasil, especialmente em setores estratégicos.

Acordo enfrenta entraves políticos na Europa

O avanço do tratado ocorre em meio a divergências dentro do bloco europeu. Embora países como Alemanha e Espanha apoiem o acordo, o presidente Emmanuel Macron mantém posição crítica.

O processo de ratificação foi temporariamente suspenso após o Parlamento Europeu solicitar análise jurídica ao Tribunal de Justiça da União Europeia, o que pode atrasar a implementação definitiva.

Setores industriais miram oportunidades no mercado brasileiro

Entidades empresariais como o Medef defendem o acordo e buscam garantir competitividade frente a outros países europeus. A meta é aproveitar a redução de barreiras comerciais para expandir exportações e operações no Mercosul.

Entre os segmentos com maior interesse estão vinhos, laticínios, indústria química, farmacêutica, móveis e design, além de produtos voltados ao consumo doméstico.

Brasil ganha destaque na estratégia de expansão

O Brasil aparece como principal destino dentro do bloco, impulsionado pelo tamanho do mercado e pelas oportunidades em diferentes cadeias produtivas. A Business France tem registrado aumento na procura de empresas interessadas em explorar o país.

O cenário internacional também contribui para essa movimentação. Tensões comerciais e tarifas aplicadas por outras economias têm levado empresas francesas a buscar diversificação, com maior foco na América Latina.

Investimentos recentes reforçam tendência

Nos últimos meses, empresas francesas ampliaram operações no Brasil em diferentes setores. Projetos incluem expansão industrial, abertura de fábricas e investimentos em inovação, com foco em infraestrutura, construção civil e bens de consumo.

Além disso, áreas como energia e recursos naturais também surgem como potenciais destinos de capital, impulsionadas pela estabilidade relativa da região em comparação a outros mercados globais.

Pequenas e médias empresas também devem avançar

A expectativa é que o acordo comercial facilite a entrada de pequenas e médias empresas francesas no Mercosul. O país europeu possui um grande número de companhias desse porte interessadas em diversificar mercados e ampliar exportações.

Apesar do forte estoque de investimentos franceses no Brasil, o volume de comércio bilateral ainda é considerado baixo em relação ao potencial. O tratado é visto como uma oportunidade para ampliar as trocas e fortalecer a relação econômica entre os dois países.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Bom Dia França

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Agronegócio

Acordo Mercosul-UE pode elevar exportações brasileiras em 13% até 2038, diz Alckmin

O acordo Mercosul-UE tem potencial para ampliar as exportações brasileiras em cerca de 13% até 2038, segundo projeção do vice-presidente Geraldo Alckmin. A declaração foi feita pouco antes do início da vigência provisória do tratado, marcada para 1º de maio.

De acordo com o governo, a redução gradual de tarifas já começa com impacto relevante: aproximadamente 5 mil produtos terão imposto zerado logo na fase inicial, favorecendo o fluxo comercial entre os blocos.

Indústria pode ter crescimento ainda maior

O setor industrial brasileiro deve ser um dos principais beneficiados. A estimativa é de que as exportações da indústria cresçam até 26% com a implementação completa do acordo.

Entre os segmentos com ganhos imediatos estão frutas, açúcar, carne bovina, frango e maquinário, que devem se beneficiar da abertura de mercado e da redução de barreiras comerciais.

Entrada em vigor ainda é provisória

Apesar do início previsto, o acordo ainda enfrenta questionamentos dentro da União Europeia. Países como a França levaram o tema à Justiça europeia, o que mantém a aplicação em caráter provisório.

Mesmo assim, o cronograma de eliminação tarifária segue em andamento e deve ser concluído ao longo de até 12 anos.

Impacto inicial na balança comercial

Projeções da Agência Brasileira de Promoção de Exportações (Apex) indicam que o acordo pode gerar um incremento de até US$ 1 bilhão na balança comercial brasileira já no primeiro ano.

Além disso, estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) aponta que o tratado pode elevar o Produto Interno Bruto (PIB) em 0,46% entre 2024 e 2040, o equivalente a mais de US$ 9 bilhões.

Salvaguardas geram reação no setor agrícola

O acordo inclui mecanismos de proteção, como a possibilidade de suspender importações caso haja aumento superior a 5% em relação à média recente. A medida gerou preocupação no agronegócio brasileiro, que teme restrições adicionais.

Segundo o governo, no entanto, as regras são equilibradas e podem ser acionadas por ambos os lados em caso de distorções no comércio.

Mercosul amplia acordos comerciais

Após um período sem novos tratados, o Mercosul intensificou sua agenda internacional. Nos últimos anos, o bloco firmou acordos com países como Singapura e com o grupo europeu Efta.

Há ainda negociações em andamento com Emirados Árabes Unidos e Canadá, além da possibilidade de ampliação do bloco, com o avanço da adesão da Bolívia e o interesse demonstrado pela Colômbia.

Relações comerciais com os Estados Unidos seguem no radar

Paralelamente ao acordo com a Europa, o Brasil busca avanços nas negociações com os Estados Unidos. Alguns setores, como aço, alumínio, cobre e automóveis, ainda enfrentam tarifas elevadas.

O país também é alvo de investigações comerciais norte-americanas, que podem resultar em novas tarifas. Representantes brasileiros já iniciaram diálogos para esclarecer os pontos questionados e evitar impactos negativos no comércio bilateral.

FONTE: Istoé
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Adriano Machado/Foto de arquivo

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Exportação

Exportação de fertilizantes da Indonésia mira Brasil e outros países em meio à demanda global

A exportação de fertilizantes da Indonésia entrou no radar de grandes mercados internacionais. O país asiático negocia o envio de cerca de 1 milhão de toneladas de fertilizantes para Brasil, Índia, Tailândia e Filipinas, conforme informou o secretário de gabinete indonésio.

O volume em discussão se soma a um acordo já concluído para exportação de 250 mil toneladas destinadas à Austrália, ampliando a presença do país no comércio global de insumos agrícolas.

Produção supera demanda interna

Dados oficiais indicam que a Indonésia possui capacidade relevante de produção. A fabricação de ureia no país chega a aproximadamente 7,8 milhões de toneladas, enquanto o consumo doméstico gira em torno de 6,3 milhões de toneladas.

Esse excedente permite ao país atuar como fornecedor estratégico no mercado internacional de fertilizantes, especialmente em um cenário de maior instabilidade global.

Escassez global pressiona mercado

A busca por novos fornecedores ocorre em um contexto de escassez de fertilizantes, agravado por tensões geopolíticas envolvendo o Irã. Países em desenvolvimento têm enfrentado dificuldades para garantir o abastecimento, o que eleva a importância de acordos comerciais como o negociado pela Indonésia.

Especialistas apontam que, apesar de ganhos recentes com a alta dos preços de petróleo e gás, esses benefícios tendem a ser temporários, mantendo o mercado global sob pressão.

Impacto para o agronegócio

Para países como o Brasil, um dos maiores consumidores de insumos agrícolas, a ampliação da oferta internacional pode ajudar a reduzir custos e garantir maior estabilidade no fornecimento. O acesso a novos parceiros comerciais é visto como essencial para sustentar a produtividade do agronegócio.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Forbes

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Comércio Internacional

Acordo Mercosul-UE avança para ratificação apesar de contestação judicial europeia

O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia (UE) está previsto para entrar em vigor provisoriamente em 1º de maio, enquanto ainda aguarda ratificação definitiva. Mesmo antes disso, representantes dos dois blocos já apontam vantagens comerciais iniciais e demonstram confiança de que o processo será concluído rapidamente.

Parlamento Europeu recorre à Justiça, mas impacto é minimizado

Apesar do cenário positivo, o Parlamento Europeu levou o tratado à mais alta instância judicial da UE, questionando sua compatibilidade com normas e tratados vigentes. Durante a feira industrial Hannover Messe, autoridades europeias e brasileiras reduziram o peso da ação, avaliando que o tribunal tende a validar o acordo.

Segundo o deputado alemão Bernd Lange, presidente do Comitê de Comércio Internacional, não há resistência significativa à aplicação provisória. Ele destacou que eventuais preocupações já foram incorporadas ao texto final e que a aprovação parlamentar deve ocorrer em poucos meses.

Prazo de análise e divisões políticas na Europa

A corte europeia informou que revisões desse tipo costumam durar entre 18 e 24 meses, embora possam ser aceleradas. Mais de 140 parlamentares — principalmente de grupos de esquerda, ambientalistas e da extrema-direita — apoiaram a contestação.

No campo político, países como Alemanha, Portugal e Espanha defendem o acordo, enxergando oportunidades para ampliar exportações, reduzir dependência da China e acessar matérias-primas estratégicas. Em contrapartida, França, Polônia, Hungria, Áustria e Irlanda lideram a oposição, especialmente por preocupações com o impacto sobre o setor agrícola europeu.

Brasil reage e defende complementaridade agrícola

Durante visita a Portugal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a contestação judicial como um “equívoco”. Já o embaixador brasileiro junto à UE, Pedro Miguel da Costa e Silva, afirmou que os questionamentos já estão contemplados na legislação europeia e nas regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Lula também rebateu críticas de agricultores europeus, destacando a complementaridade agrícola entre os blocos, em vez de concorrência direta.

Mecanismo de reequilíbrio gera dúvidas

Um dos pontos mais debatidos é o chamado mecanismo de reequilíbrio, que permitiria a países latino-americanos solicitar compensações caso novas regras europeias prejudiquem vantagens comerciais previstas. Alguns parlamentares temem que essa cláusula limite a soberania da UE.

O embaixador brasileiro argumenta que o dispositivo já existe em acordos internacionais e que o tratado inclui princípios modernos, como o princípio da precaução, voltado à proteção de consumidores e do meio ambiente.

Impactos econômicos e foco industrial

Além de simplificar regras comerciais, o acordo deve impulsionar investimentos estrangeiros no Mercosul, especialmente no Brasil, maior economia do bloco. Autoridades brasileiras reforçam que o tratado vai além do agronegócio, com foco relevante em parcerias industriais.

Sustentabilidade e meio ambiente no centro do debate

O governo brasileiro também destaca compromissos com sustentabilidade, combate ao desmatamento e uma matriz energética mais limpa que a europeia. Segundo representantes diplomáticos, as regras do acordo ajudam a reforçar essa agenda ambiental.

Um mercado de mais de 700 milhões de pessoas

O acordo Mercosul-UE prevê a criação de uma área de livre comércio com mais de 700 milhões de consumidores. A expectativa é de eliminação gradual de tarifas sobre cerca de 91% das importações do Mercosul e 95% das importações europeias, ampliando significativamente o fluxo comercial entre as regiões.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Valor

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Exportação

Exportações de DDG e DDGS crescem e China impulsiona nova fase do setor

O avanço das exportações de DDG e DDGS brasileiros tem reforçado o otimismo no mercado internacional. A recente chegada da primeira remessa desses coprodutos à China marca um passo importante na diversificação de destinos, ampliando a presença do produto nacional além dos mais de 25 países já atendidos.

A estratégia de expansão internacional é vista como essencial para sustentar o crescimento do setor, especialmente diante do aumento acelerado da produção.

Produção em alta exige novos mercados

O crescimento das usinas de etanol de milho tem elevado significativamente a oferta de coprodutos voltados à alimentação animal. Na safra 2025/26, o Brasil atingiu quase 5 milhões de toneladas de DDG e DDGS, um avanço de cerca de 20% em relação ao ciclo anterior.

Com projeções que indicam possível duplicação da produção na próxima década, o setor busca equilibrar oferta e demanda para evitar excedentes no mercado interno e pressão sobre os preços.

Expansão industrial sustenta avanço

Atualmente, o país possui 27 usinas em operação, incluindo uma nova unidade em Luís Eduardo Magalhães. Além disso, há outras 14 plantas em construção e mais 14 em fase de licenciamento, o que reforça o cenário de crescimento contínuo da indústria.

A ampliação da capacidade produtiva acompanha o aumento da moagem de milho, o que, por consequência, eleva a disponibilidade de coprodutos para nutrição animal. Esse movimento exige planejamento para preservar a competitividade do setor.

Impacto no mercado de proteínas

A previsão é de que a produção de farelo de milho alcance entre 10 e 12 milhões de toneladas até 2030. Apesar da capacidade de absorção interna, o produto disputa espaço com o farelo de soja, amplamente utilizado nas cadeias de avicultura e suinocultura.

Nesse cenário, produtores tendem a ajustar a composição das rações conforme a variação de preços, o que pode levar a uma acomodação nos valores dos coprodutos ao longo do tempo.

Como o DDG representa entre 20% e 23% do faturamento das usinas, sua valorização é determinante para manter a competitividade do etanol de milho frente ao etanol de cana-de-açúcar.

China abre nova fronteira comercial

A entrada da China no mercado comprador é considerada um marco estratégico. Desde 2023, iniciativas de promoção internacional vêm sendo intensificadas, refletindo no salto das exportações — que passaram de cerca de US$ 1 milhão em 2021 para aproximadamente US$ 190 milhões nos anos recentes.

A abertura oficial do mercado chinês, ocorrida em maio do ano passado, ampliou as perspectivas de crescimento. O primeiro embarque, com 62 mil toneladas, simboliza o início de uma nova etapa, impulsionada pela demanda do país asiático.

Além disso, a redução das compras chinesas de DDG dos Estados Unidos cria uma oportunidade relevante para o Brasil consolidar sua presença e fortalecer sua posição no comércio global de farelo de milho.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Canal Rural Mato Grosso

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Logística

Logística europeia enfrenta alta de custos e riscos operacionais em meio à crise global

O setor de logística europeia atravessa um período de forte pressão diante do cenário geopolítico instável. Relatórios recentes do setor indicam que os custos de transporte registraram aumentos de dois dígitos no primeiro trimestre, levando empresas a reformular suas cadeias de suprimentos em busca de maior resiliência.

O principal desafio, no entanto, está na imprevisibilidade das rotas comerciais estratégicas. Esse cenário amplia os riscos operacionais na logística europeia, impactando diretamente os preços finais de bens de consumo.

Fretes mais caros e prazos mais longos

Os dados mais recentes mostram que os fretes marítimos para os principais portos do norte da Europa subiram cerca de 15% em março. Com isso, o custo de envio de contêineres a partir da Ásia permanece em patamares historicamente elevados.

Além da alta nos preços, o tempo médio de trânsito aumentou entre 10 e 14 dias, reflexo do redirecionamento de rotas comerciais. A situação pressiona financeiramente importadores que dependem de operações logísticas precisas.

Outro fator de preocupação é o aumento de 8% nas primas de seguros de carga, ampliando ainda mais os custos operacionais no setor.

Falta de caminhoneiros limita transporte terrestre

A escassez de mão de obra segue como um dos principais gargalos. Estima-se que faltem mais de 450 mil motoristas profissionais para atender à demanda atual no continente.

Diante disso, empresas têm acelerado investimentos em automação logística para compensar a falta de trabalhadores. Tecnologias de gestão de pátios e armazenagem vêm registrando crescimento anual de cerca de 20%.

Mesmo com esses avanços, o sistema de transporte terrestre opera próximo ao limite de sua capacidade, o que eleva o risco de atrasos e ineficiências.

Energia cara e transição sustentável desafiam o setor

O custo do combustível para transporte também tem contribuído para a volatilidade do setor, com oscilações semanais em torno de 12%. Esse cenário afeta diretamente as margens das empresas de navegação e transporte.

Para reduzir a dependência do petróleo, parte das frotas tem adotado combustíveis alternativos, mas a infraestrutura ainda é insuficiente, especialmente na Europa Oriental, onde a rede de recarga para caminhões elétricos segue limitada.

A busca por sustentabilidade na logística exige uma transição energética rápida, mas cuidadosamente planejada para evitar novos gargalos operacionais.

Inflação logística deve persistir em 2026

A expectativa é de que a inflação logística permaneça elevada ao longo de 2026, mantendo o setor sob pressão. Em resposta, a União Europeia trabalha para fortalecer corredores comerciais mais seguros e eficientes.

Especialistas apontam que a adoção de tecnologia será decisiva para enfrentar o cenário de alta volatilidade. A eficiência operacional e a visibilidade completa da cadeia de suprimentos devem determinar quais empresas conseguirão se manter competitivas nos próximos anos.

FONTE: Todo Logistica News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Todo Logistica News

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Comércio Internacional

Desdolarização do BRICS avança com comércio em moedas locais e nova plataforma em blockchain

O movimento de desdolarização do BRICS ganha força com mudanças concretas no comércio internacional entre seus membros. Rússia e China já realizam praticamente todas as suas transações bilaterais sem o uso do dólar, enquanto o bloco desenvolve uma solução digital própria para ampliar esse modelo.

Comércio em moedas locais ganha escala no BRICS

Dados recentes mostram que Rússia e China conduzem cerca de 99,1% de suas trocas comerciais utilizando moedas locais, como rublo e yuan. O avanço representa uma mudança significativa em relação ao padrão anterior, dominado pelo dólar.

O Brasil segue a mesma tendência. Desde 2023, o comércio bilateral com a China movimenta aproximadamente 100 bilhões de dólares por ano com liquidação em moedas próprias. Esse cenário evidencia que a desdolarização deixou de ser apenas uma proposta política e passou a integrar a prática econômica entre os países do bloco.

Apesar disso, o dólar ainda predomina no sistema global, respondendo por cerca de 90% das transações cambiais. No entanto, sua participação nas reservas internacionais caiu ao longo das últimas décadas, sinalizando uma mudança gradual no equilíbrio financeiro global.

Unidade BRICS: sistema em blockchain busca substituir o SWIFT

Como parte dessa transformação, o bloco propõe a criação da Unidade BRICS, uma ferramenta digital baseada em blockchain voltada para pagamentos internacionais.

O sistema funcionará como um mecanismo de compensação para transações entre países membros, permitindo operações diretas em moedas locais sem necessidade de conversão para o dólar. A proposta também elimina a dependência do sistema SWIFT, amplamente utilizado nas transações globais.

A tecnologia blockchain oferece uma vantagem estratégica: a descentralização. Isso reduz a influência de decisões externas e limita o impacto de sanções econômicas sobre os países participantes.

Embora ainda esteja em fase inicial, a iniciativa é vista como um passo importante na construção de uma infraestrutura financeira independente.

Lula descarta moeda única, mas reforça integração financeira

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que não há planos para a criação de uma moeda única do BRICS. Segundo ele, o foco está em ampliar o uso de moedas locais no comércio internacional, e não substituir as moedas nacionais.

A estratégia prioriza acordos bilaterais e mecanismos que aumentem a autonomia financeira dos países. Essa visão também é compartilhada pelo Novo Banco de Desenvolvimento, que defende a expansão de operações fora do dólar como caminho para um sistema mais equilibrado.

Divergências internas mostram limites da desdolarização

Apesar dos avanços, nem todos os membros do BRICS seguem o mesmo ritmo. A Índia, por exemplo, adota uma postura mais cautelosa em relação à redução do uso do dólar.

Autoridades indianas destacam a importância da moeda americana para a estabilidade global e demonstram resistência a iniciativas mais radicais, como uma possível moeda comum.

Essa diferença de posicionamento revela desafios internos para o bloco, que precisa conciliar interesses distintos enquanto avança na agenda de integração financeira.

Impactos para empresas e comércio internacional

A expansão do uso de moedas locais no BRICS pode trazer benefícios diretos para empresas envolvidas em comércio exterior. Entre eles, estão:

  • Redução de custos com conversão cambial
  • Menor exposição à volatilidade do dólar
  • Maior previsibilidade nas transações internacionais

Com iniciativas como a Unidade BRICS e acordos bilaterais, o bloco constrói gradualmente uma alternativa ao modelo financeiro tradicional. Embora a transição seja progressiva, os números indicam que a desdolarização do BRICS já está em curso.

FONTE: Click Petróleo e Gás
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CPG

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Internacional

Estreito de Ormuz registra aumento na movimentação após cessar-fogo entre EUA e Irã

Poucas horas após o início do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, o Estreito de Ormuz voltou a apresentar intensa circulação de navios. Sites de monitoramento, como o Vessel Finder, registraram dezenas de embarcações na manhã desta quarta-feira (8/04/2026), refletindo o impacto imediato da trégua.

A pausa nos conflitos, acordada na terça-feira, prevê a suspensão de ataques norte-americanos e israelenses ao território iraniano por duas semanas. Em contrapartida, o Irã concordou em reabrir o estreito, uma rota estratégica para o transporte de petróleo, responsável por cerca de 20% do consumo global diário.

Histórico de tensão e bloqueios

Desde o início da escalada militar, Teerã ameaçava fechar o estreito em retaliação a ataques dos EUA e de Israel, colocando em risco embarcações comerciais. Durante a manhã, a TV estatal iraniana informou que o primeiro navio cruzou o estreito com segurança após a implementação do cessar-fogo.

Fontes do setor indicam que o Irã pretende cobrar uma taxa de passagem, embora ainda não haja registros de cobrança.

Negociações no Paquistão e papel da mediação

O cessar-fogo permitirá que delegações do Irã e dos EUA se encontrem em Islamabad, no Paquistão, para discutir um acordo de paz definitivo. O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, anunciou que as negociações ocorrerão na sexta-feira (10/04/2026), destacando a importância do diálogo para a estabilidade regional.

O presidente americano, Donald Trump, e o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirmaram que a trégua terá validade de duas semanas, mantendo o estreito aberto. A delegação iraniana será liderada pelo presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, enquanto os EUA ainda não confirmaram oficialmente os participantes, mas podem incluir o vice-presidente J.D. Vance, o enviado especial Steve Witkoff e Jared Kushner.

Condições do Irã e expectativas de paz

O ministro das Relações Exteriores do Irã confirmou que a passagem pelo Estreito será segura durante o período da trégua, com coordenação das Forças Armadas do país. Araghchi afirmou que os EUA aceitaram usar a proposta de 10 pontos do Irã como base para negociação, que inclui: não agressão, controle iraniano do estreito, suspensão de sanções, revogação de resoluções internacionais e compensações financeiras.

O presidente Trump declarou que os objetivos militares dos EUA já foram alcançados e que a trégua oferece tempo para concluir um acordo de paz definitivo. Segundo ele, quase todos os pontos de divergência já foram resolvidos, e as negociações de duas semanas permitirão finalizar o pacto.

Riscos e tensão contínua

Apesar da trégua, a Guarda Revolucionária iraniana alertou que permanecerá “com as mãos no gatilho” caso haja ataques adicionais de EUA ou Israel. Bombardeios recentes atingiram infraestruturas estratégicas no Irã, incluindo a ilha de Kharg e instalações petrolíferas, enquanto Israel atacou pontes, ferrovias e petroquímicas.

Analistas alertam que qualquer nova ofensiva pode impactar o fornecimento de energia e a estabilidade regional, reforçando a importância das negociações em Islamabad para evitar escaladas futuras.

FONTE: G1
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/ Vessel Finder

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Comércio Internacional

Déficit comercial dos EUA cresce com alta das importações e exportações recordes

O déficit comercial dos Estados Unidos voltou a avançar em fevereiro, refletindo o aumento das importações mesmo diante de um desempenho histórico das exportações. O resultado reforça a pressão do setor externo sobre o crescimento econômico no início de 2026.

Déficit aumenta e surpreende projeções

De acordo com dados divulgados pelo Departamento de Comércio, o saldo negativo da balança comercial dos EUA subiu 4,9% em fevereiro, totalizando US$ 57,3 bilhões.

O número veio acima do registrado em janeiro, que foi revisado para US$ 54,7 bilhões. Ainda assim, o resultado ficou abaixo da expectativa de analistas do mercado, que projetavam um déficit maior, na casa de US$ 61 bilhões.

Exportações atingem nível histórico

Mesmo com o aumento do déficit, o desempenho das exportações americanas foi destaque. Em fevereiro, as vendas externas cresceram 4,2%, alcançando um recorde de US$ 314,8 bilhões.

O avanço reflete a demanda internacional aquecida por produtos dos Estados Unidos, embora não tenha sido suficiente para compensar o ritmo das importações.

Importações avançam e pressionam balança comercial

As importações também registraram crescimento relevante no período, subindo 4,3% e atingindo US$ 372,1 bilhões.

Esse movimento foi determinante para o aumento do déficit, indicando maior consumo interno e dependência de produtos estrangeiros — fatores que tendem a ampliar o desequilíbrio comercial.

Instabilidade política e impacto nas estatísticas

Os dados recentes ainda refletem um cenário de instabilidade. Órgãos oficiais seguem ajustando atrasos na divulgação de indicadores, provocados por paralisações administrativas anteriores.

Além disso, mudanças nas políticas comerciais dos EUA têm contribuído para a volatilidade dos números. Decisões judiciais e medidas tarifárias recentes alteraram o fluxo de comércio internacional.

Tarifas e tensões comerciais seguem no radar

Em fevereiro, a Suprema Corte dos Estados Unidos invalidou tarifas implementadas anteriormente com base em legislação emergencial. Como resposta, o governo anunciou uma nova tarifa global temporária, válida por até 150 dias.

A política tarifária tem sido defendida como instrumento para reduzir o déficit comercial e fortalecer a indústria nacional. No entanto, o setor manufatureiro acumula perdas de empregos desde 2025, o que levanta dúvidas sobre a eficácia dessas medidas.

Conflitos geopolíticos podem afetar o comércio global

O cenário internacional também adiciona incertezas. Analistas apontam que a escalada de conflitos envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã pode impactar o fluxo global de mercadorias.

As restrições no transporte de energia e fertilizantes pelo Estreito de Ormuz tendem a reduzir volumes de comércio e pressionar custos logísticos, com possíveis reflexos na economia americana e mundial.

Perspectivas para o crescimento econômico

Com importações em alta e exportações fortes, o comércio exterior deve continuar exercendo influência sobre o desempenho do PIB dos EUA no primeiro trimestre.

O comportamento da balança comercial, aliado a fatores geopolíticos e decisões de política econômica, será determinante para o ritmo de crescimento nos próximos meses.

FONTE: Infomoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Mike Blake

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Comércio Internacional

Reembolso de tarifas nos EUA pode levar até 45 dias, diz agência alfandegária

A Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA informou que avança na criação de um sistema para reembolso de tarifas consideradas ilegais, mas alertou que o processamento dos pedidos pode levar até 45 dias.

A medida envolve cerca de US$ 166 bilhões em tarifas alfandegárias, cuja devolução foi determinada após decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos.

Sistema de reembolso ainda está em desenvolvimento

Em documento enviado ao Tribunal de Comércio Internacional dos EUA, o representante da agência, Brandon Lord, afirmou que o novo portal de solicitações está entre 60% e 85% concluído.

O sistema, voltado para processamento e revisão de pedidos, deve começar a operar em etapas. Apesar do progresso, ainda não há uma data oficial para o início das solicitações, embora a previsão inicial aponte para o fim de abril.

Pedidos serão liberados em fases

A liberação dos pedidos seguirá critérios de prioridade. Na primeira fase, serão contempladas:

  • declarações aduaneiras finalizadas nos últimos 80 dias
  • processos com status de suspensão, prorrogação ou revisão
  • operações envolvendo armazéns alfandegados

A estratégia busca organizar a alta demanda e acelerar a análise dos casos mais recentes.

Milhares de importadores já estão aptos ao reembolso

Segundo o documento, cerca de 26.664 importadores já concluíram o cadastro para receber os valores por via eletrônica. Esse grupo representa aproximadamente 78% das importações impactadas, somando cerca de US$ 120 bilhões em tarifas pagas.

No total, mais de 330 mil importadores foram afetados, com cobrança de tarifas sobre cerca de 53 milhões de remessas.

Decisão da Suprema Corte derrubou tarifas de Trump

A devolução dos valores ocorre após a Suprema Corte invalidar tarifas impostas por Donald Trump, com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA).

A decisão representou um revés significativo para a política comercial adotada à época, mas não detalhou como os reembolsos deveriam ser realizados — responsabilidade que ficou com o tribunal especializado em comércio internacional.

Empresas pressionam por devolução mais rápida

Grandes empresas, como a FedEx, recorreram à Justiça para garantir o direito ao reembolso. Já pequenos importadores demonstraram preocupação com os custos e a complexidade do processo.

O juiz Richard Eaton chegou a determinar que os reembolsos fossem iniciados com o sistema atual da agência. No entanto, a CBP propôs um novo modelo, que promete simplificar o procedimento e evitar a necessidade de ações judiciais individuais.

Novo modelo busca agilizar devolução de tarifas

A expectativa da agência é que o novo sistema torne o processo mais eficiente e acessível, mesmo diante do grande volume de pedidos.

Ainda assim, o prazo de até 45 dias para análise indica que a liberação dos recursos deve ocorrer de forma gradual, ao longo dos próximos meses.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/InfoMoney

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