Exportação

Exportações do Brasil para o Canadá batem recorde em 2025 e crescem 15%

O Brasil registrou em 2025 o maior volume de exportações já destinado ao Canadá, alcançando US$ 7,25 bilhões, o que representa um crescimento de 15% em relação a 2024. O resultado é o mais elevado da série histórica anual iniciada em 2018, segundo dados do Quick Trade Facts (QTF), levantamento da Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CCBC).

Importações também avançam e saldo é recorde

As importações brasileiras de produtos canadenses acompanharam o movimento de alta e somaram US$ 3,14 bilhões, avanço de 13% na comparação anual. Com isso, o saldo da balança comercial bilateral ficou positivo em US$ 4,11 bilhões, o maior já registrado entre os dois países.

A corrente de comércio entre Brasil e Canadá — soma de exportações e importações — cresceu 14% em 2025, reforçando o fortalecimento das relações comerciais em um ano marcado por instabilidades no comércio global, especialmente após o aumento de tarifas promovido pelos Estados Unidos.

Canadá amplia participação no comércio exterior brasileiro

A relevância do Canadá no comércio exterior do Brasil também aumentou. A participação canadense nas exportações totais brasileiras passou de 1,9% em 2024 para 2,1% em 2025. Já nas importações, a fatia subiu de 1,06% para 1,12%, indicando maior integração econômica entre os dois mercados.

Mineração, agronegócio e indústria puxam crescimento

O desempenho recorde das exportações brasileiras ao Canadá foi impulsionado principalmente por produtos da extração mineral, como ouro, ferro e níquel, além de itens do agronegócio, com destaque para café verde e carnes bovina e suína. A indústria de transformação também contribuiu para o resultado positivo.

Mesmo com quedas em segmentos como aeronaves, açúcar e alumina, o avanço expressivo de ouro, café e proteínas animais foi decisivo para o novo recorde. O setor de carnes, inclusive, enfrenta recentemente restrições impostas pela China, um de seus principais mercados.

Ouro lidera pauta exportadora

O ouro em forma bruta, também conhecido como bulhão dourado, manteve-se como o principal produto exportado pelo Brasil ao Canadá. Apenas no primeiro semestre, o item respondeu por US$ 1,35 bilhão em exportações, ante US$ 765 milhões no mesmo período de 2024, conforme o estudo da CCBC.

No acumulado do ano, as vendas brasileiras ao mercado canadense superaram em mais de US$ 900 milhões o recorde anterior, registrado em 2024, confirmando a aceleração do intercâmbio comercial entre os dois países.

Avaliação positiva do setor

Para Hilton Nascimento, diretor-presidente da CCBC, os números refletem um movimento consistente. “Os dados de 2025 indicam que o Brasil consolidou e ampliou sua presença no mercado canadense. O crescimento em ouro, café e carnes demonstra a competitividade da pauta exportadora brasileira, mesmo diante de um cenário econômico global desafiador”, afirmou.

FONTE: Datamar News
TEXTO: Redação
IMAGEM: InfoMoney

Ler Mais
Internacional

China critica plano dos EUA para criar bloco comercial de minerais críticos

A China manifestou oposição à proposta dos Estados Unidos de formar um bloco comercial preferencial com países aliados voltado ao fornecimento de minerais críticos. A posição foi divulgada nesta quinta-feira (5) pelo Ministério das Relações Exteriores da China, que criticou a adoção de regras definidas por grupos restritos de países.

Segundo o governo chinês, iniciativas desse tipo podem prejudicar a ordem econômica e comercial internacional, ao impor normas que não representam os interesses globais. A pasta reforçou que a economia mundial deve ser regida por princípios amplos e não por acordos exclusivos.

China defende comércio internacional aberto e inclusivo

Durante coletiva de imprensa regular, o porta-voz do ministério, Lin Jian, afirmou que a manutenção de um ambiente comercial internacional aberto, inclusivo e universalmente benéfico atende aos interesses comuns de todas as nações.

A declaração sinaliza a preocupação de Pequim com movimentos que possam fragmentar cadeias globais de suprimentos, especialmente em áreas estratégicas como a de minerais críticos, essenciais para tecnologias avançadas, transição energética e indústria de defesa.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: David Gray/Reuters

Ler Mais
Comércio Internacional

Acordo Mercosul-União Europeia avança no Congresso com articulação por votação rápida

O Acordo Mercosul-União Europeia entrou na agenda prioritária do Congresso Nacional após articulação entre representantes do Legislativo e do Executivo. Parlamentares que integram a representação brasileira no Parlasul e comissões de Relações Exteriores reforçaram a necessidade de uma tramitação rápida da proposta, com o objetivo de levar o texto à votação ainda neste mês.

Compromisso político para acelerar a votação

Durante reunião realizada em Brasília, deputados de diferentes partidos e senadores manifestaram consenso sobre a relevância estratégica do acordo para o país. O grupo se comprometeu a atuar de forma coordenada para que a proposta seja apreciada no plenário da Câmara dos Deputados até o fim de fevereiro, encurtando os prazos legislativos.

Integração regional e efeitos internacionais

A expectativa é que a rápida internalização do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia pelos países do bloco sul-americano amplie as chances de entrada em vigência provisória do tratado. Esse movimento é visto como fundamental para fortalecer a integração econômica, ampliar o acesso a mercados internacionais e aumentar a previsibilidade nas relações comerciais.

Brasil e Mercosul avançam de forma coordenada

Segundo representantes do governo, os países do Mercosul vêm encaminhando suas propostas de forma alinhada. No caso brasileiro, o envio do texto ao Congresso ocorreu logo no início do ano legislativo, sinalizando prioridade política ao tema e disposição para avançar nas etapas internas de aprovação.

Senado também defende urgência na análise

Além da mobilização na Câmara, houve compromisso de atuação para acelerar a tramitação no Senado Federal. A intenção é evitar gargalos entre as Casas Legislativas e garantir que o processo de ratificação do Acordo Mercosul-UE ocorra de maneira fluida e coordenada.

Participaram do encontro parlamentares como Arlindo Chinaglia (PT-SP), Nelsinho Trad (PSD-MT), Zeca Dirceu (PT-PR), Áureo Ribeiro (SDD-RJ), Bohn Gass (PT-RS), Beto Richa (PSDB-PR), Dilceu Sperafico (PP-PR), Giovani Cherini (PL-RS), Afonso Motta (PDT-RS), Rodrigo Gambale (Pode-SP), Bebeto (PP-RJ), Jandira Feghali (PCdoB-RJ), Renata Abreu (Pode-SP), Danrlei de Deus Hinterholz (PSD-RS), Odair Cunha (PT-MG) e Ana Paula Leão (PP-MG).

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Júlio César Silva/MDIC

Ler Mais
Economia

Xi Jinping defende renminbi como moeda de reserva global e reforça ambição da China no sistema monetário

Declarações do presidente chinês detalham os pilares de uma “moeda poderosa” em um momento de questionamento da hegemonia do dólar e reconfiguração da ordem financeira internacional

A China deu mais um sinal claro de que pretende ampliar o papel do renminbi (yuan) no sistema monetário global. O presidente Xi Jinping defendeu que a moeda chinesa alcance o status de moeda de reserva internacional, com uso amplo no comércio, nos investimentos e nos mercados de câmbio. Trata-se da manifestação mais direta até agora sobre a ambição chinesa de disputar espaço com moedas tradicionais, como o dólar e o euro.

As declarações foram publicadas pela revista Qiushi, órgão teórico do Partido Comunista Chinês, e repercutidas pelo Financial Times. Embora o texto tenha origem em um discurso feito em 2024 a autoridades regionais, sua divulgação agora é interpretada como um sinal político de que a agenda monetária ganhou prioridade estratégica.

Os pilares da “moeda poderosa” defendida por Pequim

No comentário divulgado, Xi Jinping afirma que a China precisa construir uma moeda capaz de sustentar maior presença internacional. Para isso, aponta uma série de fundamentos considerados essenciais.

Entre eles estão a existência de um banco central forte, com capacidade de gestão monetária eficiente; instituições financeiras competitivas em escala global; e centros financeiros internacionais capazes de atrair capital estrangeiro e influenciar a formação de preços no mercado mundial.

Ao detalhar esses elementos, o líder chinês deixa claro que a internacionalização do renminbi vai além da ampliação do comércio exterior. O projeto envolve credibilidade institucional, profundidade de mercado, liquidez, segurança jurídica e capacidade de precificação — características historicamente associadas à consolidação do dólar como moeda dominante.

Dólar pressionado e avanço da lógica multipolar

A divulgação do posicionamento de Xi ocorre em um contexto de maior incerteza no cenário financeiro internacional. Um dólar mais fraco, mudanças na condução da política monetária dos Estados Unidos e o aumento das tensões geopolíticas têm levado bancos centrais a reavaliar sua exposição a ativos denominados na moeda americana.

Segundo o Financial Times, esse ambiente abre espaço para que Pequim acelere sua estratégia. Para Kelvin Lam, economista sênior da Pantheon Macroeconomics, a ênfase no renminbi reflete “rupturas recentes na ordem global” e uma percepção mais aguda, por parte da China, de que o sistema internacional passa por transformação.

Esse diagnóstico é compartilhado por autoridades chinesas. O presidente do Banco do Povo da China, Pan Gongsheng, já havia afirmado que o mundo caminha para um sistema monetário internacional multipolar, no qual o renminbi competiria com outras moedas relevantes.

Mais presença no comércio, pouca relevância nas reservas

Apesar dos avanços, a presença do renminbi nas reservas internacionais ainda é limitada. A moeda chinesa ganhou espaço nos pagamentos e no financiamento do comércio, especialmente após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, tornando-se a segunda mais utilizada nessa modalidade.

No entanto, quando o indicador é reserva oficial, o cenário muda. Dados do Fundo Monetário Internacional indicam que, no terceiro trimestre de 2025, o dólar ainda respondia por cerca de 57% das reservas globais, enquanto o euro representava aproximadamente 20%. O renminbi ocupava apenas a sexta posição, com participação de 1,93%.

A diferença revela que a internacionalização da moeda chinesa avança em ritmos distintos. No comércio, acordos bilaterais e redes de parceiros impulsionam o uso. Já nas reservas, a decisão dos bancos centrais é mais conservadora e depende de fatores como convertibilidade plena, abertura da conta de capital e previsibilidade institucional.

Reformas sensíveis e limites do modelo chinês

Analistas ouvidos pelo Financial Times ressaltam que a ampliação do papel do renminbi como moeda de reserva exigiria reformas profundas, incluindo maior abertura financeira e liberdade de fluxos de capital. Essas mudanças, no entanto, entram em tensão com o modelo chinês, que mantém forte controle estatal sobre o sistema financeiro.

Além disso, parceiros comerciais pressionam a China por uma valorização maior da moeda. O argumento é que o renminbi estaria subvalorizado, favorecendo exportações e contribuindo para um superávit comercial recorde de US$ 1,2 trilhão no ano passado.

A diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, chegou a pedir correções nos “desequilíbrios” da economia chinesa, citando deflação e uma depreciação real da taxa de câmbio. Pequim, por sua vez, nega o uso do câmbio como instrumento de vantagem comercial. O vice-presidente do banco central, Zou Lan, afirmou recentemente que não há intenção de enfraquecer a moeda com esse objetivo.

Estabilidade cambial e disputa de narrativas

Apesar do discurso de projeção global, a política cambial chinesa segue orientada pela estabilidade. Autoridades têm sinalizado tolerância a uma apreciação moderada do renminbi, mas mantêm como prioridade a preservação de seu papel como reserva de valor.

Para Kelvin Lam, o conceito de “moeda forte” defendido por Pequim pode significar mais controle e menos volatilidade, e não necessariamente liberalização total — o que difere das exigências tradicionais de uma moeda de reserva global.

Ainda assim, há visões mais otimistas. Zhang Jun, economista-chefe da China Galaxy Securities, avalia que a retomada do crescimento doméstico e os investimentos em tecnologia emergente podem sustentar uma valorização gradual do renminbi no longo prazo.

Impactos para investidores e para a ordem financeira global

Embora as declarações de Xi não indiquem uma mudança imediata nos mercados, elas reforçam uma direção estratégica. Para Han Shen Lin, diretor para China do The Asia Group, o objetivo não é substituir o dólar rapidamente, mas posicionar o yuan como um contrapeso relevante em uma ordem financeira cada vez mais fragmentada.

Nesse sentido, a tentativa de elevar o renminbi ao status de moeda de reserva deve ser entendida como parte de uma estratégia mais ampla de soberania financeira e redistribuição de poder global. O ritmo dessa transição dependerá de até que ponto Pequim estará disposta a promover reformas que aumentem a confiança externa sem abrir mão do controle interno — um dilema central para o futuro do sistema monetário internacional.

Fonte: BRASIL 247, com informações do Financial Times e do Fundo Monetário Internacional (FMI).

TEXTO: REDAÇÃO

IMAGEM: REPRODUÇÃO CNN / PIXABAY

Ler Mais
Portos

Superporto no Brasil vai receber navios gigantes e impulsionar comércio internacional

O Brasil, que perde bilhões todos os anos por gargalos de infraestrutura, dá um passo importante para o comércio exterior. As obras de ampliação em portos estratégicos, como o Porto de Itapoá (SC) e as dragagens em Santos (SP), estão sendo concluídas antes do prazo, preparando o país para receber navios gigantes de 366 metros, conhecidos como New Panamax.

A modernização desses terminais não apenas aumenta a capacidade de movimentação de cargas, como também posiciona o Brasil na rota das principais linhas de navegação global, deixando de ser apenas um destino secundário.

Navios colossais: o que são e por que importam

Um navio New Panamax de 366 metros é comparável a mais de três campos de futebol enfileirados ou a um prédio de 120 andares deitado. Cada um desses gigantes do mar pode transportar até 15.000 contêineres, aumentando significativamente a eficiência do comércio internacional.

A chegada desses navios ao litoral brasileiro representa não apenas avanço tecnológico, mas também um impacto direto na competitividade do país no mercado global, tornando exportações mais rápidas e baratas.

Dragagem e alargamento: obras essenciais para operação segura

Para que esses supernavios possam atracar, os portos precisam de calado profundo e canais de acesso mais largos. As obras de aprofundamento em Santos e ampliação em Itapoá garantem a segurança das manobras e permitem que os navios operem com carga máxima.

Além de fortalecer a logística, algumas intervenções, como a recuperação de faixas de areia, podem beneficiar o turismo local. No entanto, o foco principal continua sendo econômico: aumentar a eficiência e reduzir perdas no transporte de cargas.

Impacto econômico para produtores e consumidores

O efeito dessas obras é sentido em todo o país. Com portos capazes de receber navios maiores, o custo do frete internacional por contêiner diminui, reduzindo o chamado “Custo Brasil”. Isso torna produtos como a soja do Mato Grosso e manufaturados de São Paulo mais competitivos em mercados da Ásia e da Europa.

A ANTAQ (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) acompanha de perto o setor, garantindo que os ganhos logísticos se reflitam em maior eficiência e menor custo para produtores e consumidores.

Brasil preparado para o novo ciclo global

Com terminais privados entregando obras antecipadas e concessões públicas em andamento, o país demonstra preparo para um novo ciclo do comércio internacional. A capacidade de receber navios colossais não é apenas um diferencial: é uma exigência para competir globalmente.

Para acompanhar o andamento das obras, o site do Porto de Santos disponibiliza atualizações constantes sobre dragagens, ampliações e modernizações dos terminais.

FONTE: BMC News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/BMC News

Ler Mais
Internacional

Pequim e Londres reforçam parceria econômica com pacote de investimentos e diálogo estratégico

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, e o presidente chinês, Xi Jinping, celebraram nesta quinta-feira a retomada do diálogo estratégico entre Reino Unido e China, destacando acordos que incluem um significativo investimento da AstraZeneca. Segundo os líderes, o pacote econômico beneficiará ambos os países e marca uma nova fase nas relações bilaterais.

A cúpula ocorreu no Grande Salão do Povo, durante a visita de quatro dias de Starmer à China — a primeira de um primeiro-ministro britânico em oito anos. A reunião formal e o almoço duraram cerca de três horas, e os dois líderes discutiram não apenas cooperação econômica, mas também segurança internacional, a guerra da Rússia na Ucrânia, direitos humanos, futebol e Shakespeare.

Investimento da AstraZeneca fortalece cooperação

Starmer apresentou um plano da AstraZeneca para investir US$ 15 bilhões em pesquisa e desenvolvimento de novos medicamentos na China, mostrando como a parceria econômica pode gerar benefícios mútuos.

O primeiro-ministro britânico enfatizou que laços mais estreitos permitirão ao Reino Unido manter um diálogo franco em áreas de desacordo, reforçando a importância de uma relação madura e estratégica.

“A China é um ator vital no cenário global, e é fundamental que construamos uma relação mais sofisticada, na qual possamos identificar oportunidades de colaboração, mas também permitir um diálogo significativo sobre áreas em que discordamos”, disse Starmer.

Xi Jinping, por sua vez, destacou que as relações passaram por “reviravoltas” que não beneficiaram nenhum dos lados e reafirmou a disposição da China em desenvolver uma parceria de longo prazo com o Reino Unido.

“Podemos alcançar um resultado que resista ao teste da história”, afirmou Xi, acompanhado de seus principais ministros.

Contexto internacional e avanços comerciais

A visita de Starmer acontece em meio a tensões comerciais provocadas pelas políticas do ex-presidente Donald Trump, incluindo ameaças de tarifas e disputas territoriais. Nesse contexto, outros líderes ocidentais, como o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, também buscaram estreitar laços econômicos com Pequim para reduzir barreiras comerciais.

Durante a viagem, Starmer anunciou avanços em negociações para reduzir tarifas sobre uísque britânico e um novo acordo de isenção de visto para turistas do Reino Unido que permaneçam na China por até 30 dias.

O líder britânico afirmou que a relação bilateral atravessa “um bom momento” e está acompanhado por mais de 50 líderes empresariais, reforçando a dimensão econômica da visita.

FONTE: Infomoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Carl Court/Pool via REUTERS

Ler Mais
Importação

China suspende importação de carne bovina da Irlanda após confirmação de doença

A China suspendeu a importação de carne bovina da Irlanda após a confirmação de casos da doença da língua azul no rebanho do país europeu. A decisão foi anunciada apenas duas semanas depois de Pequim ter reaberto seu mercado ao produto irlandês, encerrando um bloqueio que já durava mais de um ano.

Detecção da doença aciona alerta sanitário

A confirmação foi feita nesta quarta-feira (28) pelo Ministério da Agricultura da Irlanda. Segundo o órgão, o primeiro foco da doença foi identificado no último sábado em um rebanho localizado no sudeste do país. Após a notificação oficial, as autoridades chinesas informaram que a suspensão das compras entrou em vigor a partir de terça-feira.

Nos dias seguintes, novos casos do vírus da língua azul foram detectados em outros três rebanhos da mesma região, ampliando o alerta sanitário e reforçando a decisão chinesa de interromper temporariamente as importações.

Doença não afeta humanos, mas impacta o comércio

A língua azul atinge bovinos, ovinos e outros ruminantes e é transmitida por insetos. Apesar de não representar risco à saúde humana, a enfermidade provoca restrições sanitárias que afetam diretamente o comércio internacional de carnes, especialmente em mercados rigorosos como o chinês.

Reabertura recente do mercado chinês

A China havia retomado as importações de carne bovina irlandesa no dia 12 de janeiro, durante uma visita oficial do primeiro-ministro da Irlanda, Micheál Martin, a Pequim. A liberação ocorreu após a revogação de uma proibição imposta em 2024, quando foi registrado um caso de encefalopatia espongiforme bovina, conhecida como mal da vaca louca, no país.

Governo irlandês tenta reverter decisão

Em comunicado, o ministro da Agricultura da Irlanda, Martin Heydon, classificou a nova suspensão como um revés para o setor. Ele afirmou que o governo mantém diálogo permanente com as autoridades sanitárias chinesas, com o objetivo de conter a disseminação da doença e retomar as exportações o mais rápido possível.

A China é um dos maiores importadores de carne bovina do mundo e ocupa posição estratégica no comércio global do setor, o que torna qualquer restrição sanitária especialmente relevante para países exportadores.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Helena Lopes/Unsplash

Ler Mais
Sem Categoria

Acordos comerciais impulsionam mercados, mas competências produtivas sustentam o desenvolvimento

O comércio internacional passa por uma transformação estrutural, marcada por maior incerteza, avanço de barreiras comerciais e fragmentação das regras globais. Estudos sobre ciclos econômicos de longo prazo indicam que a rivalidade entre Estados Unidos e China tende a inaugurar um período prolongado de restrições ao comércio, e não a encerrá-lo, a exemplo do que ocorreu no fim do século XIX, quando tarifas elevadas se espalharam a partir das grandes potências.

Acordos ganham valor em um cenário de fragmentação

Nesse contexto, acordos comerciais construídos ao longo do tempo e sustentados por instituições sólidas passam a ter relevância estratégica para a indústria. Caso sejam concluídos os trâmites para sua entrada em vigor, o acordo Mercosul–União Europeia pode oferecer um ambiente mais previsível e seguro, com oportunidades distintas para diferentes perfis de exportadores.

Ainda assim, o caminho para o desenvolvimento econômico não está na simples ampliação dos volumes exportados. O avanço consistente depende da sofisticação produtiva e da capacidade de capturar valor ao longo das cadeias industriais.

Duas rotas possíveis para a inserção internacional

Uma das rotas naturais abertas pelo acordo é a das cadeias de valor baseadas em commodities, essenciais para a indústria, mas estruturalmente limitadas como motor de desenvolvimento. A outra, mais estreita e exigente, envolve a captura de valor industrial por meio da hipersegmentação de mercados, especialmente diante da demanda europeia por bens manufaturados e semimanufaturados mais sofisticados.

Para acessar essa via, escala e custo deixam de ser suficientes. As empresas precisam incorporar engenharia, padronização, certificações, rastreabilidade, sustentabilidade verificável e diferenciação de produto, atributos que dependem de investimentos produtivos, decisões estratégicas e coordenação ao longo das cadeias.

Globalização criou a base, mas o potencial segue subutilizado

Apesar de a globalização ter revolucionado a logística internacional, com avanços no transporte aéreo, sistemas de frio e coordenação digital, esse potencial segue amplamente subexplorado. Hoje, tornou-se viável atender mercados europeus exigentes em poucos dias, inclusive com produções especializadas e perecíveis, algo impensável no passado.

Esse cenário abre espaço para capturar mais valor e dinamizar setores de tecnologia madura, por meio de estratégias voltadas a nichos altamente exigentes, fortalecendo o desenvolvimento regional e promovendo melhor distribuição de renda ao longo das cadeias produtivas.

Competências não surgem automaticamente com o acordo

A construção dessas competências, no entanto, não é automática nem resulta apenas do acesso preferencial ao mercado europeu. Ela exige coordenação estratégica, intencionalidade clara e atuação conjunta de empresas, associações setoriais e políticas públicas, com foco explícito em aumentar o valor por unidade exportada.

Elementos como inovação aplicada, engenharia de precisão, design, padronização sanitária e governança de cadeia são fruto de escolhas deliberadas e investimentos persistentes. Sem esse esforço, o acordo tende apenas a reforçar padrões já existentes de especialização; com ele, pode se tornar um instrumento real de transformação produtiva.

Experiências internacionais mostram o caminho

A Dinamarca se tornou referência na produção de alimentos funcionais ao integrar pesquisa nutricional, design de produto e políticas públicas voltadas à inovação e à sustentabilidade. A articulação entre universidades, indústrias e distribuidores permitiu a criação de produtos com alto valor agregado, baseados em confiança científica e identidade de marca.

A Áustria seguiu trajetória semelhante ao transformar sua vocação florestal em vantagem competitiva global. Investimentos em engenharia da madeira, certificações ambientais e design converteram recursos naturais em soluções construtivas e mobiliário de alto padrão, com forte valor agregado.

Modelos comparáveis podem ser observados na produção de lácteos na Nova Zelândia, que migrou de um enfoque puramente volumétrico para produtos diferenciados e ingredientes premium.

Oportunidades e desafios para o Brasil

No Brasil, já existem sinais positivos em iniciativas como cafés especiais no Paraná, cacau no sul da Bahia, além de potencial claro em frutas frescas, vinhos, queijos e móveis. O desafio central não é apenas explorar vantagens comparativas naturais, mas evitar ficar prisioneiro delas.

Em um comércio global mais fragmentado, o acordo com a União Europeia pode funcionar como catalisador para a construção deliberada de competências produtivas voltadas a mercados nichados e exigentes. A oportunidade só será plenamente aproveitada se o país desenvolver cadeias de valor capazes de transformar recursos naturais em bens sofisticados, com maior valor agregado e melhor distribuição de renda. Sem esse salto qualitativo, o Brasil pode até exportar mais, mas seguirá se desenvolvendo pouco.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Freepik

Ler Mais
Comércio Internacional

Descarbonização vira exigência para exportações à União Europeia com novas regras ambientais

A descarbonização deixou de ser um diferencial competitivo e passou a ser um requisito obrigatório para empresas que exportam à União Europeia (UE). Desde 1º de janeiro, está em vigor o Carbon Border Adjustment Mechanism (CBAM), mecanismo que impõe novas exigências ambientais a produtos importados pelo bloco.

O que é o CBAM e quem é impactado

O CBAM afeta diretamente exportadores de aço, alumínio, cimento, ferro, fertilizantes, eletricidade e hidrogênio, setores com alta intensidade de emissões. A medida foi criada para combater a chamada “fuga de carbono”, evitando que a produção seja transferida para países com regras ambientais menos rigorosas.

Na prática, o mecanismo estabelece uma taxação sobre importações provenientes de países que não adotam padrões equivalentes de precificação ou controle de emissões de gases de efeito estufa. As empresas precisam comprovar a pegada de carbono de seus produtos para manter o acesso ao mercado europeu.

Desafio regulatório e mudança no comércio global

Para a presidente da Câmara de Comércio Exterior da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC), Maitê Bustamante, o CBAM representa mais do que uma nova exigência regulatória. Segundo ela, o mecanismo sinaliza uma transformação estrutural no comércio internacional.

“O tema deixa de ser uma discussão de longo prazo e passa a demandar ações imediatas da indústria, com investimentos em mensuração de emissões, eficiência energética e estratégias de descarbonização”, afirma.

Competitividade e valorização de produtos sustentáveis

O impacto do CBAM vai além de uma possível barreira comercial. O novo modelo tende a favorecer empresas que já adotam práticas sustentáveis, ampliando a competitividade de produtos com menor intensidade de carbono e facilitando o acesso a mercados mais exigentes do ponto de vista ambiental.

Reflexos para a indústria catarinense

No caso de Santa Catarina, a adaptação é ainda mais estratégica devido ao perfil exportador do estado e à diversidade de setores industriais com forte presença no mercado europeu. De acordo com Bustamante, a adequação às regras do CBAM exige não apenas ajustes técnicos, mas também planejamento estratégico e acesso a informações qualificadas. A documentação oficial está disponível no site da Comissão Europeia.

Apoio às empresas e orientação técnica

A FIESC tem atuado no apoio às indústrias, oferecendo orientação sobre os impactos do CBAM, esclarecendo exigências regulatórias e estimulando soluções que fortaleçam a competitividade industrial em um cenário de economia de baixo carbono. Empresas interessadas podem tirar dúvidas pelo e-mail geint@fiesc.com.br.

Controle de efluentes e práticas ESG

Durante o encontro, o consultor da FIESC Luís Henrique Cândido da Silveira apresentou parâmetros e padrões para o controle de efluentes líquidos industriais. Na sequência, Julia Iasmin detalhou o WEEN ESG, programa da Pronatur voltado à gestão e implementação de práticas ESG, auxiliando empresas de diferentes portes a estruturar, mensurar e evoluir em suas estratégias de sustentabilidade.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Filipe Scotti

Ler Mais
Comércio

UE e Índia firmam acordo histórico e criam uma das maiores áreas de livre comércio do mundo

A União Europeia (UE) e a Índia formalizaram nesta terça-feira (27) um acordo comercial de grande alcance que cria uma zona de livre comércio envolvendo aproximadamente 2 bilhões de pessoas. O pacto encerra quase 20 anos de negociações e passa a figurar entre os maiores acordos comerciais globais em termos de população e peso econômico.

O entendimento surge em um contexto de instabilidade geopolítica, com o objetivo de reduzir impactos da concorrência chinesa e das tensões geradas pela guerra tarifária dos Estados Unidos.

Acordo representa fatia expressiva da economia global

Antes do encontro com o presidente do Conselho Europeu, António Costa, e com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, destacou a dimensão econômica do pacto. Segundo ele, o acordo responde por cerca de 25% do PIB mundial e aproximadamente um terço do comércio internacional.

Ursula von der Leyen afirmou que o tratado marca um momento histórico na relação entre os dois blocos, ao estabelecer uma área de livre comércio com potencial de ganhos mútuos em escala global.

Redução de tarifas deve impulsionar comércio bilateral

Os últimos impasses foram resolvidos na segunda-feira, permitindo a conclusão do texto final. A expectativa é de que o acordo estimule o comércio bilateral por meio da redução de tarifas em diversos setores estratégicos.

De acordo com Bruxelas, a diminuição das tarifas indianas sobre produtos europeus pode gerar uma economia de até 4 bilhões de euros por ano para empresas da UE. A Alemanha classificou o pacto como um vetor relevante de crescimento econômico e geração de empregos.

Automóveis, vinhos e alimentos entre os setores beneficiados

Com a entrada em vigor do acordo, as tarifas indianas sobre automóveis europeus cairão de 110% para 10%. No setor de bebidas, a taxa sobre vinhos será reduzida de 150% para 20%.

Já os impostos aplicados a massas e chocolates, atualmente em torno de 50%, serão completamente eliminados, segundo autoridades europeias. A UE avalia que poderá dobrar suas exportações para o mercado indiano, tradicionalmente protegido.

Índia aposta em exportações e modernização

Do lado indiano, o governo espera ampliar as vendas externas de têxteis, joias, pedras preciosas e produtos de couro. Em 2024, o comércio de mercadorias entre as partes alcançou 120 bilhões de euros, enquanto o setor de serviços somou 60 bilhões de euros, conforme dados oficiais da UE.

Bruxelas vê na Índia uma oportunidade estratégica, diante do mercado de 1,5 bilhão de habitantes e do crescimento econômico acelerado, que atingiu 8,2% no último trimestre.

Índia deve ganhar espaço no ranking das maiores economias

Segundo projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI), a Índia deve ultrapassar o Japão ainda neste ano e se tornar a quarta maior economia do mundo, atrás apenas de Estados Unidos, China e Alemanha. O governo indiano projeta que o país poderá alcançar a terceira posição antes de 2030.

Para Nova Délhi, a Europa é vista como uma fonte estratégica de tecnologia, investimentos e inovação, fundamentais para acelerar a modernização econômica e a criação de milhões de empregos.

Cooperação vai além do comércio

Além do livre comércio, UE e Índia pretendem avançar em acordos sobre circulação de trabalhadores temporários, intercâmbio de estudantes, pesquisadores e profissionais qualificados, além de cooperação nas áreas de segurança e defesa.

Na área militar, a Índia vem diversificando seus fornecedores e reduzindo a dependência da Rússia, enquanto países europeus buscam estratégia semelhante em relação aos Estados Unidos.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reuters

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook