Logística

Conflito portuário no Uruguai afeta exportações de pescado e desvia cargas para Argentina e Brasil

O prolongado conflito portuário no Uruguai já provoca impactos diretos sobre as exportações de pescado e leva empresas a buscar alternativas logísticas em portos da Argentina e do Brasil. As dificuldades para embarcar as cargas podem resultar em esperas de duas a três semanas, pressionando o fluxo financeiro das empresas pesqueiras.

O cenário ganhou força nos últimos dias após cinco grandes companhias de navegação que atuam no país alertarem o governo uruguaio sobre os efeitos das interrupções recorrentes no Porto de Montevidéu.

Cinco armadores cobram solução para as interrupções

Maersk Uruguay, Ocean Network Express (ONE), CMA CGM Uruguay, Cosco Shipping Lines e Hapag-Lloyd Uruguay encaminharam uma carta a seis ministros do governo uruguaio. No documento, as empresas pedem medidas capazes de restabelecer a previsibilidade das operações portuárias.

Segundo as companhias, mais de 35 dias de interrupções ou restrições operacionais foram acumulados desde o início de 2026. Entre os principais efeitos estão atrasos, perda de cargas de transbordo e dificuldades para manter os serviços marítimos dentro da programação.

O problema está concentrado na Terminal Cuenca del Plata (TCP), principal terminal especializado em contêineres do Porto de Montevidéu. A paralisação ocorre em meio às negociações entre a administração da terminal e os trabalhadores para a renovação do acordo coletivo.

Terminal movimenta cerca de 80% dos contêineres do país

A dimensão do conflito está relacionada à importância da TCP para o comércio exterior uruguaio. Segundo Carlos Abel Olivera, diretor-executivo da empresa pesqueira Novabarca, aproximadamente 80% dos contêineres do Uruguai passam pela terminal.

Dessa forma, qualquer interrupção nas operações repercute diretamente sobre as cadeias de exportação e importação.

Para o setor pesqueiro, os efeitos já são sentidos na rotina das empresas. A dificuldade para conseguir espaço nos navios tem provocado acúmulo de produtos acabados em câmaras frigoríficas, além de atrasos nos recebimentos.

Exportadores enfrentam atrasos de até três semanas

Olivera relatou que a frequência dos embarques caiu significativamente. Antes, segundo ele, a empresa conseguia retirar as cargas duas ou três vezes por semana. Agora, a espera pode chegar a duas ou três semanas.

O atraso afeta diretamente o capital de giro das empresas pesqueiras. Depois de capturado e processado, o pescado precisa permanecer armazenado até que seja possível embarcá-lo. Enquanto isso, continuam os custos de produção, conservação e armazenamento.

Para as empresas, o produto estocado representa recursos financeiros que ainda não retornaram ao caixa. O efeito se espalha pela cadeia de pagamentos e dificulta o cumprimento de compromissos comerciais.

Cargas começam a ser direcionadas para outros portos

A falta de regularidade também ameaça a capacidade dos exportadores de cumprir os prazos acordados com compradores internacionais.

Diante das dificuldades em Montevidéu, operadores de comércio exterior já passaram a considerar Buenos Aires, na Argentina, e Santos, no Brasil, como alternativas para o embarque das mercadorias.

A mudança pode alterar os fluxos logísticos regionais e reduzir a utilização do porto uruguaio por determinados segmentos exportadores.

Navieras alertam para perda de confiabilidade de Montevidéu

As cinco companhias marítimas afirmam que a repetição das interrupções está prejudicando a confiabilidade comercial do Porto de Montevidéu.

Além das cargas que deixam de ser embarcadas, as empresas alertam para a possibilidade de perda de operações de transbordo. Esse tipo de movimentação é importante para conectar cargas da região aos serviços marítimos internacionais.

A redução dos transbordos também pode afetar a competitividade do comércio exterior uruguaio e a manutenção de empregos relacionados às operações portuárias.

Negociação envolve cerca de 550 trabalhadores

O conflito tem como um de seus principais pontos a negociação de um novo acordo coletivo para aproximadamente 550 trabalhadores da TCP.

A estrutura societária da terminal é formada majoritariamente pela empresa belga Katoen Natie, que detém 80% de participação, enquanto os outros 20% pertencem à Administração Nacional de Portos do Uruguai.

As divergências trabalhistas deram origem a sucessivas interrupções ao longo dos últimos meses, afetando a programação das operações.

Governo estabelece serviços mínimos

Diante da continuidade das medidas, o governo uruguaio determinou, em setembro, um regime de serviços mínimos para preservar atividades consideradas essenciais.

A medida inclui operações como carregamento e descarregamento de navios, recebimento de contêineres de importação e exportação, armazenamento e atendimento de cargas refrigeradas e produtos perecíveis.

O modelo adotado no Uruguai é diferente do existente na Argentina, onde há a possibilidade de utilização da conciliação obrigatória para suspender medidas durante uma negociação trabalhista.

No caso uruguaio, o governo tem atuado por meio de negociações e da definição de serviços mínimos, enquanto trabalhadores e empresa continuam tentando chegar a um acordo.

Setor pesqueiro já sente impacto financeiro

A pressão sobre o comércio exterior uruguaio aumenta à medida que as interrupções continuam.

Para a indústria pesqueira, os efeitos já incluem menor frequência de embarques, lotação das câmaras frigoríficas, atraso no recebimento dos pagamentos e dificuldades para cumprir os prazos acordados com clientes internacionais.

Ao mesmo tempo, a perda de previsibilidade vem incentivando parte dos operadores a transferir cargas para portos de outros países da região, aumentando a pressão sobre a posição de Montevidéu como ponto estratégico da logística sul-americana.

FONTE: PESCARE
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/PESCARE

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Comércio Exterior

Acordo Mercosul-EFTA: governo regulamenta cotas de importação

O governo federal regulamentou os procedimentos para utilização das cotas de importação previstas no Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), formada por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein.

A Portaria da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) na quinta-feira (1º de outubro). A medida estabelece como as empresas brasileiras poderão utilizar as preferências tarifárias negociadas no acordo.

A regulamentação ocorre em meio à entrada em vigor do tratado para diferentes países. O acordo passa a valer para as relações comerciais entre Brasil e Islândia em 1º de outubro. Para a Noruega, a vigência está prevista para novembro. Suíça e Liechtenstein ainda precisam concluir os procedimentos internos necessários para a implementação do acordo.

O novo normativo regulamenta o Decreto nº 13.126, de 23 de setembro de 2026, e estabelece, para este ano, os procedimentos relacionados às cotas tarifárias de importação de produtos originários da EFTA.

Quais produtos estão incluídos nas cotas?

As cotas negociadas para as importações brasileiras abrangem um grupo específico de produtos:

  • Vinhos;
  • Queijos;
  • Fórmulas infantis;
  • Chocolates.

Dentro dos limites quantitativos estabelecidos no acordo, os produtos poderão entrar no Brasil com as preferências tarifárias negociadas entre os blocos.

Quando o volume máximo previsto para determinada cota for atingido, as operações seguintes ficarão sujeitas às tarifas aplicáveis às importações realizadas fora da cota.

Como solicitar a preferência tarifária

Para utilizar uma das cotas, o importador deverá solicitar uma licença de importação por meio do Portal Único Siscomex.

Depois que a Secex emitir o documento eletrônico, o importador terá até 60 dias para vinculá-lo à Declaração Única de Importação (Duimp). Também deverão ser observados, quando aplicáveis, os limites máximos de utilização por operador estabelecidos na regulamentação.

Para mercadorias que não estão sujeitas às cotas, o acesso às preferências tarifárias previstas no acordo depende do cumprimento das regras de origem e dos demais requisitos estabelecidos para cada operação.

Regras para exportações serão definidas posteriormente

Neste primeiro momento, a regulamentação trata exclusivamente da utilização das cotas de importação pelo Brasil.

No caso da Islândia, não foi criada uma cota bilateral para produtos do Mercosul. A Noruega, por sua vez, estabeleceu cotas tarifárias para determinados produtos exportados pelo bloco sul-americano.

As regras para que empresas brasileiras possam utilizar essas cotas nas exportações ainda serão estabelecidas em uma regulamentação específica.

Acordo Mercosul-EFTA amplia acesso a mercados

As cotas tarifárias representam apenas uma parte dos compromissos assumidos no Acordo Mercosul-EFTA. O tratado prevê uma abertura mais ampla dos mercados dos países da EFTA para produtos brasileiros.

Pelo acordo, a EFTA eliminará 100% das tarifas de importação aplicadas aos setores industrial e pesqueiro a partir da entrada em vigor do instrumento.

Considerando os setores agrícola e industrial, quase 99% do valor das exportações brasileiras para os países da EFTA terão acesso ao livre comércio.

Por país, o acordo prevê que 100% das exportações brasileiras para Islândia e Liechtenstein estejam incluídas no regime de livre comércio. Na Noruega, o percentual será de 99,8%, enquanto na Suíça chegará a 97,7%.

Brasil também reduzirá tarifas para produtos da EFTA

Do lado brasileiro, aproximadamente 97% do comércio com os países da EFTA será liberalizado em regime de livre comércio.

Outros 1,2% serão submetidos a desgravação tarifária parcial, que poderá ocorrer por meio de cotas tarifárias e preferências fixas.

Nos produtos incluídos nos cronogramas de redução tarifária, a diminuição dos impostos ocorrerá de forma gradual. Os prazos negociados variam entre a entrada em vigor do acordo e períodos de quatro, oito, dez e 15 anos.

Produtos agrícolas considerados sensíveis, incluindo determinados laticínios, chocolates e fórmulas para alimentação infantil, foram incluídos no sistema de cotas. O mecanismo garante a aplicação de condições tarifárias preferenciais dentro de volumes previamente estabelecidos.

Onde consultar as regras do acordo

Empresas e profissionais de comércio exterior podem consultar as condições de acesso aos mercados, as preferências tarifárias e outras informações relacionadas ao acordo no Painel de Dados do Mercosul-EFTA e nos materiais disponibilizados pelo Portal Siscomex.

Os conteúdos reúnem informações sobre desgravação tarifária, regras de origem e indicações geográficas, além de orientações para auxiliar os operadores na utilização das preferências comerciais previstas no tratado.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/ABRA

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Comércio Exterior

Brasil e Estados Unidos avançam em diálogo sobre comércio bilateral

Brasil e Estados Unidos deram mais um passo nas negociações sobre a agenda comercial bilateral. Os ministros Mauro Vieira, das Relações Exteriores, e Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, reuniram-se na quarta-feira (30), em Milwaukee, nos Estados Unidos, com o representante de Comércio norte-americano, Jamieson Greer.

O encontro ocorreu paralelamente à Reunião de Ministros do Comércio do G20 e teve como foco os principais temas que envolvem as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.

Negociações comerciais entre Brasil e EUA avançam

A reunião deu continuidade ao diálogo de alto nível iniciado depois da conversa telefônica entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, realizada em 21 de agosto.

Desde então, representantes dos dois governos vêm mantendo contatos para discutir questões relacionadas ao comércio bilateral e buscar alternativas para os temas que afetam as relações econômicas entre os países.

Durante o encontro, os ministros brasileiros reforçaram a disposição do Brasil de buscar soluções por meio de diálogo e negociação. A posição brasileira tem como referência a defesa dos interesses nacionais e a ampliação das oportunidades para empresas e setores produtivos dos dois mercados.

Brasil e EUA discutem tarifas e barreiras comerciais

Segundo a nota conjunta, a conversa ocorreu de maneira construtiva e abordou os principais pontos da agenda comercial Brasil-EUA.

Os dois países reconheceram a necessidade de avançar na resolução dos obstáculos atualmente existentes e demonstraram interesse em trabalhar com agilidade para alcançar um entendimento considerado satisfatório para ambas as partes.

Entre os assuntos que deverão fazer parte das próximas etapas estão as questões tarifárias e não tarifárias, que podem afetar o fluxo de produtos e as condições de acesso aos mercados brasileiro e norte-americano.

Grupo de Trabalho será criado

Como resultado da reunião, o governo dos Estados Unidos deverá apresentar, nas próximas semanas, um documento com uma proposta para definir o escopo das negociações.

O material deverá contemplar os temas tarifários e não tarifários que serão analisados pelos dois governos.

Também ficou acertada a criação de um Grupo de Trabalho voltado à discussão de questões relacionadas a um possível acordo entre Brasil e Estados Unidos.

A iniciativa representa mais uma etapa do processo de negociação comercial entre os dois países, que buscam avançar na construção de soluções para os temas pendentes da relação bilateral.

FONTE: Ministério das Relações Exteriores
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Agência Brasil

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Eventos

ABDT divulga programação do XXXIII Simpósio de Estudos Tributários, que debate Reforma Tributária, infraestrutura e comércio exterior

A Reforma Tributária estará no centro dos debates do XXXIII Simpósio de Estudos Tributários da Academia Brasileira de Direito Tributário (ABDT), que será realizado nos dias 15 e 16 de outubro de 2026, no Novotel, em Itajaí (SC). Com o tema “Tributação, Infraestrutura, Logística e Comércio Exterior”, o encontro terá dois dias de programação e reunirá especialistas de diferentes áreas para discutir os efeitos da mudança no sistema tributário brasileiro.

A programação contempla temas relacionados à transição para o novo modelo de tributação, impactos econômicos e municipais, incentivos fiscais, indústria, comércio exterior, e-commerce, infraestrutura, setor marítimo-portuário, classificação fiscal, contencioso tributário e aduana.

Entre os participantes estão autoridades públicas, juristas, economistas, executivos e representantes de entidades ligadas ao comércio exterior e à infraestrutura. O evento é promovido pela ABDT e terá como sede o Novotel, localizado na Rua Lauro Muller, 170, no Centro de Itajaí.

Primeiro dia terá abertura com ministro do TCU

A programação começa na quinta-feira, 15 de outubro, às 8h, com o credenciamento dos participantes. Às 8h30, será realizada a abertura oficial, com Marcelo Campos, presidente da ABDT, e Victor Macedo, coordenador executivo do simpósio.

Na sequência, às 9h, o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Augusto Nardes, fará a conferência de abertura, com o tema “Governança e os efeitos econômicos da Reforma Tributária”.

Após o coffee break, às 10h30, começa o primeiro painel do evento, dedicado à Reforma Tributária, transição e desafios, sob a presidência de mesa de Thais Manske. Participam Marcos Cintra, doutor em Economia pela Harvard University; Everardo Maciel, consultor tributário e ex-secretário da Receita Federal; e Luís Eduardo Schoueri, livre-docente e professor titular de Direito Tributário da Faculdade de Direito da USP.

Após o intervalo para almoço, a programação segue às 14h com o painel “A Reforma Tributária e os impactos na economia municipal”, presidido por Maurício Klein. O debate contará com Robison Coelho, prefeito de Itajaí; Leonidas Nora Junior, presidente da Associação das Tradings de Santa Catarina (ASTRA); e Eduardo Bohora, secretário municipal da Fazenda de Itajaí.

Guerra fiscal e fim dos incentivos entram na pauta

Ainda durante a tarde, o simpósio promove discussões sobre os efeitos da reforma na política fiscal e nas atividades empresariais.

Às 15h, o terceiro painel aborda “Reforma Tributária e Guerra Fiscal”, com mediação de Simone Davel e participação de Adilson Rodrigues Pires, advogado e doutor em Direito Econômico e Sociedade; e Halley Henares, presidente da Associação Brasileira de Advocacia Tributária (ABAT).

Às 16h30, após o coffee break, o quarto painel trata de um dos temas de maior impacto para empresas e governos: “O fim dos incentivos fiscais: consequências, desafios e alternativas”. O debate será presidido por Thiago Custódio e contará com Thális Andrade, doutor em Direito pela USP; Solon Sehn, advogado e doutor em Direito Tributário pela PUC/SP; e Fernando Pieri, advogado e presidente da ABEAD.

Encerrando o primeiro dia, às 17h30, o simpósio volta sua atenção para os setores produtivos e para as operações internacionais com o painel “A Reforma Tributária na indústria, no comércio exterior e no e-commerce”.

O debate terá como presidente de mesa Alessandra Carioni e contará com Victor Macedo, advogado e mestre em Direito Tributário pela FGV/SP; Rogério David, advogado e mestre em Direito pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO); e Fernanda Kotzias, advogada e doutora em Direito do Comércio Internacional pela PUC/SP.

O encerramento do primeiro dia está previsto para as 18h30.

Infraestrutura e setor portuário abrem a programação do segundo dia

Na sexta-feira, 16 de outubro, os debates começam às 9h com o painel “Setor de infraestrutura e a Reforma Tributária”, presidido por Silvia Varela.

Participam Suzana Soares Melo, advogada e doutora em Direito Econômico, Financeiro e Tributário pela USP; Luana Debatin Tomasi, advogada e mestre em Direito pela UFSC; e Carolina Sena, advogada e doutora em Direito Tributário pela UFSC.

Após o coffee break, às 10h30, o simpósio coloca o setor marítimo-portuário no centro das discussões. O painel “A visão atual do setor marítimo portuário na transição da Reforma Tributária” terá como presidente de mesa James Winter e reunirá nomes de destaque do segmento.

Estão confirmados Anderson Pomini, presidente da Autoridade Portuária do Porto de Santos; Mario Povia, presidente do Instituto Brasileiro de Infraestrutura (IBI); Osmari Castilho, CEO da Portonave; e Eduardo Nery, diretor de Relações Governamentais da MSC.

O painel coloca em discussão os desafios enfrentados pela infraestrutura e pelo setor portuário diante da transição para o novo sistema tributário, tema de impacto direto sobre operações logísticas e de comércio exterior.

Classificação fiscal e contencioso tributário

No período da tarde, às 14h, a programação segue com o painel “Classificação fiscal, atualidades e novos desafios”, presidido por Giovana Baruffi. O debate contará com Douglas Winter, advogado e mestrando em Direito Aduaneiro pela Universidade Católica de Brasília; Daniela Floriano, advogada e doutoranda em Direito pela UFMG; e Júlio César Soares, advogado e mestrando em Direito Aduaneiro pela Universidade Católica de Brasília.

Às 15h, o quarto painel do segundo dia será dedicado à relação entre Reforma e contencioso tributário, sob a presidência de Marcelo Campos. Participam Gustavo Brigagão, advogado e presidente honorário da ABDF; e José Maria Arruda, livre-docente pela USP e pós-doutor em Economia pela FGV e em Direito Econômico pelo Max Planck Institut, da Alemanha.

Painel de encerramento | XXXIII Simpósio de Estudos Tributários da ABDT

Como fechamento de dois dias de debates e atualização jurídica, o simpósio encerra sua programação com um tema central para o cenário tributário brasileiro: “Reforma e o contencioso tributário”.

📅 16/10, a partir das 15h

Sob a presidência de mesa de Marcelo Campos, o painel contará com dois grandes nomes do Direito: Gustavo Brigagão, advogado e presidente honorário da ABDF, e José Maria Arruda, livre-docente pela USP e pós-doutor em Economia pela FGV e em Direito Econômico pelo Max Planck Institut, da Alemanha.

Um debate para refletir sobre os desafios jurídicos decorrentes da Reforma Tributária e seus possíveis impactos na relação entre contribuintes e Fisco.

Um debate conectado à realidade de Itajaí

Ao reunir, em uma mesma programação, especialistas em Direito Tributário, representantes do poder público, empresários, executivos dos setores portuário e marítimo, profissionais do comércio exterior e integrantes da Receita Federal, o simpósio coloca em pauta os diferentes impactos da Reforma Tributária sobre atividades estratégicas para a economia.

A escolha de Itajaí como sede também aproxima o debate da realidade de uma região fortemente ligada à infraestrutura, logística, atividade portuária e comércio exterior. A programação oficial prevê dois dias de discussões, com painéis que percorrem desde os aspectos econômicos e jurídicos da reforma até questões práticas relacionadas à indústria, aos municípios, aos portos, à classificação fiscal e às operações aduaneiras.

As inscrições podem ser feitas pelo link.

Texto: ReConecta News

Imagem: ABDT

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Comércio Internacional

Brasil e EUA criam grupo de trabalho para negociar tarifas sobre produtos brasileiros

Brasil e Estados Unidos decidiram estabelecer um grupo de trabalho exclusivo para tratar das tarifas impostas por Washington às exportações brasileiras e de outros assuntos relacionados à relação comercial entre os dois países.

O entendimento foi anunciado nesta quarta-feira (30), após uma reunião entre o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, e o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer. O encontro ocorreu em Milwaukee, no estado de Wisconsin.

A reunião aconteceu durante o encontro de ministros do Comércio do G20, que reúne as principais economias do mundo, além da União Europeia e da União Africana.

Grupo vai discutir tarifas e barreiras comerciais

De acordo com o MDIC, os Estados Unidos devem apresentar nas próximas semanas um documento com uma proposta para definir o escopo das negociações.

O material deverá indicar os temas que serão tratados pelo novo grupo, incluindo questões tarifárias e não tarifárias que afetam o comércio bilateral.

A criação do mecanismo estabelece um canal específico para discutir os principais obstáculos ao comércio entre Brasil e EUA e buscar alternativas para avançar em um possível entendimento entre os governos.

Em comunicado, o governo brasileiro afirmou que os ministros reforçaram a disposição de buscar soluções por meio do diálogo e da negociação, com o objetivo de defender os interesses do Brasil e ampliar as oportunidades para empresas e setores produtivos dos dois países.

Segundo o governo brasileiro, a reunião teve caráter construtivo. As duas partes reconheceram a necessidade de superar os entraves existentes e demonstraram disposição para continuar trabalhando em busca de um acordo.

Tarifas dos Estados Unidos estão no centro das negociações

A criação do grupo ocorre enquanto permanecem em vigor sobretaxas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

Em julho, o governo norte-americano anunciou uma tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros, aplicada com base na Seção 301 da legislação comercial dos Estados Unidos.

Também foi estabelecida uma sobretaxa adicional de 10% ou 12,5% para produtos importados de países enquadrados pelos Estados Unidos em sua política relacionada ao trabalho forçado.

Segundo o MDIC, as duas medidas anunciadas em julho atingem parte das exportações brasileiras.

As tarifas comerciais estão entre os principais assuntos tratados pelos dois governos, mas a agenda de negociação também inclui barreiras e outras questões não tarifárias que afetam o fluxo de mercadorias entre Brasil e Estados Unidos.

Lula e Trump já haviam retomado diálogo comercial

A nova etapa das negociações dá sequência aos contatos iniciados entre os dois governos nas últimas semanas.

Em 21 de agosto, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump conversaram por telefone. Depois da ligação, representantes brasileiros e norte-americanos retomaram as tratativas sobre a relação comercial.

Dez dias depois, ministros e equipes técnicas dos dois países participaram de uma reunião virtual para discutir os próximos passos.

O encontro realizado em Milwaukee representa a primeira etapa presencial dessa nova fase do diálogo comercial entre Brasil e Estados Unidos.

Documento dos EUA deve definir próximos passos

Agora, a expectativa é pelo envio do documento norte-americano que deverá estabelecer o escopo das negociações.

Com base na proposta, o novo grupo de trabalho deverá analisar tarifas, barreiras não tarifárias e outros temas do comércio bilateral, além de avaliar possíveis caminhos para um entendimento entre os dois países.

A reunião ocorre paralelamente ao encontro ministerial do G20 sobre comércio, realizado em Milwaukee nos dias 30 de setembro e 1º de outubro. O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, é o anfitrião do evento.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Alan Santos/PR

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Comércio Exterior

Brasil e Estados Unidos avançam em diálogo sobre comércio bilateral

Brasil e Estados Unidos deram mais um passo nas negociações sobre a agenda comercial bilateral. Os ministros Mauro Vieira, das Relações Exteriores, e Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, reuniram-se na quarta-feira (30), em Milwaukee, nos Estados Unidos, com o representante de Comércio norte-americano, Jamieson Greer.

O encontro ocorreu paralelamente à Reunião de Ministros do Comércio do G20 e teve como foco os principais temas que envolvem as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.

Negociações comerciais entre Brasil e EUA avançam

A reunião deu continuidade ao diálogo de alto nível iniciado depois da conversa telefônica entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, realizada em 21 de agosto.

Desde então, representantes dos dois governos vêm mantendo contatos para discutir questões relacionadas ao comércio bilateral e buscar alternativas para os temas que afetam as relações econômicas entre os países.

Durante o encontro, os ministros brasileiros reforçaram a disposição do Brasil de buscar soluções por meio de diálogo e negociação. A posição brasileira tem como referência a defesa dos interesses nacionais e a ampliação das oportunidades para empresas e setores produtivos dos dois mercados.

Brasil e EUA discutem tarifas e barreiras comerciais

Segundo a nota conjunta, a conversa ocorreu de maneira construtiva e abordou os principais pontos da agenda comercial Brasil-EUA.

Os dois países reconheceram a necessidade de avançar na resolução dos obstáculos atualmente existentes e demonstraram interesse em trabalhar com agilidade para alcançar um entendimento considerado satisfatório para ambas as partes.

Entre os assuntos que deverão fazer parte das próximas etapas estão as questões tarifárias e não tarifárias, que podem afetar o fluxo de produtos e as condições de acesso aos mercados brasileiro e norte-americano.

Grupo de Trabalho será criado

Como resultado da reunião, o governo dos Estados Unidos deverá apresentar, nas próximas semanas, um documento com uma proposta para definir o escopo das negociações.

O material deverá contemplar os temas tarifários e não tarifários que serão analisados pelos dois governos.

Também ficou acertada a criação de um Grupo de Trabalho voltado à discussão de questões relacionadas a um possível acordo entre Brasil e Estados Unidos.

A iniciativa representa mais uma etapa do processo de negociação comercial entre os dois países, que buscam avançar na construção de soluções para os temas pendentes da relação bilateral.

FONTE: Ministério das Relações Exteriores
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Agência Brasil

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Comércio Exterior

Brasil e União Europeia discutem comércio, aço e retomada de exportações

Brasil e União Europeia avançaram nas discussões sobre comércio exterior, exportações brasileiras e medidas que afetam o intercâmbio de produtos entre os dois mercados. Os temas foram tratados em uma reunião realizada em 30 de setembro, em Milwaukee, nos Estados Unidos, à margem do encontro de Ministros do Comércio do G20.

Participaram da reunião o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e o comissário para Comércio e Segurança Econômica da Comissão Europeia, Maroš Šefčovič.

Acordo Mercosul-UE amplia fluxo comercial

Durante o encontro, os representantes destacaram os resultados considerados expressivos no crescimento dos fluxos de comércio após a entrada em vigor do acordo Mercosul-União Europeia, em maio deste ano.

Além dos efeitos do acordo, a agenda incluiu outros assuntos de interesse comercial entre Brasil e União Europeia, especialmente as restrições europeias à importação de aço e as regras relacionadas ao uso de antimicrobianos em produtos agrícolas.

União Europeia revisa cotas para importação de aço

Em relação ao setor siderúrgico, a representação europeia informou que está em curso uma revisão da distribuição das quotas de produtos de aço. Segundo o comunicado, a mudança poderá trazer efeitos positivos para as exportações brasileiras.

O processo de revisão ainda terá novas etapas previstas para 2027, quando deverão ocorrer outras avaliações sobre a alocação das cotas.

Exportações de carne de aves e mel podem ser retomadas

Outro ponto discutido foi o uso de antimicrobianos na produção agrícola. A União Europeia mencionou o resultado positivo de uma auditoria realizada no Brasil algumas semanas antes.

A expectativa apresentada pelo lado europeu é de que, após a conclusão dos procedimentos burocráticos, as exportações brasileiras de carne de aves e mel para a União Europeia possam ser retomadas no curto prazo.

Brasil busca autorização para carne bovina

O governo brasileiro também manifestou interesse em obter um procedimento mais rápido para a autorização das exportações de carne bovina ao mercado europeu.

A medida segue entre os assuntos comerciais discutidos entre os dois lados, em um contexto de ampliação das relações econômicas entre Brasil e União Europeia.

FONTE: Ministério das Relações Exteriores
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Infomoney

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Exportação

PEIEX reúne entidades e empresas em Itajaí para avaliar resultados e ampliar preparação para o mercado internacional

Santa Catarina tem cerca de 1,5 milhão de empresas, mas apenas 0,17% delas exportam atualmente, o equivalente a aproximadamente 2,6 mil empresas. O cenário mostra o potencial ainda existente para ampliar a participação catarinense no comércio exterior e foi um dos contextos discutidos durante a 3ª Reunião do Comitê Consultivo do PEIEX – Núcleo Itajaí, realizada em 30 de setembro, no Giardino Del Porto, em Itajaí.

O encontro reuniu representantes da ApexBrasil, Sebrae/SC, Senai, associações empresariais e empresas participantes do programa para avaliar resultados e discutir estratégias de preparação para o mercado internacional.

Os números apresentados pelo gestor do Núcleo PEIEX Itajaí, Renan Moreira, mostram que 119 empresas da região já participam do programa. Deste total, 77 concluíram a qualificação e 42 estão em atendimento. A meta é incorporar outras 45 empresas até maio de 2027. Em Santa Catarina, o PEIEX já contabiliza 773 empresas atendidas, com previsão de alcançar mais 351 até maio de 2027.

Realizado pela ApexBrasil em parceria com o Sebrae/SC, o Programa de Qualificação para Exportação oferece atendimento gratuito para empresas interessadas em iniciar ou estruturar sua atuação no comércio exterior. O atual ciclo do Núcleo Itajaí começou em junho de 2025 e segue até dezembro de 2027. A meta é atender 150 empresas da região.

Preparação antes de chegar ao mercado internacional

Para o coordenador de Acesso a Mercados do Sebrae/SC, Jefferson Reis Bueno, a preparação para exportar também contribui para melhorar a própria gestão das empresas. “O nível de exigência do mercado internacional faz com que o empresário se prepare melhor, qualifique seus processos e, consequentemente, se torne mais competitivo também no mercado interno,” explica.

Segundo José Mendes, especialista da Coordenação de Competitividade da ApexBrasil, destacou que a internacionalização precisa ser construída por etapas. O processo envolve desde a sensibilização das empresas e a qualificação empresarial até a criação de mecanismos para gerar oportunidades de negócios no exterior. “É preciso ter estratégia e segurança para exportar,” ressalta.

As empresas atendidas pelo Núcleo Itajaí estão distribuídas por 14 setores da economia. Entre os segmentos com maior participação estão moda e vestuário, alimentos e bebidas, serviços e tecnologia, cosméticos, máquinas e equipamentos, economia criativa e moveleiro. Os mercados trabalhados também são diversos, incluindo países da América do Sul, Estados Unidos e União Europeia.

Estado prepara rede para ampliar internacionalização

Durante a reunião, Emerson Luis Pereira, secretário adjunto de Articulação Internacional e Projetos Estratégicos de Santa Catarina, apresentou ações do Governo do Estado voltadas à ampliação das exportações e à qualificação das empresas.

Uma delas é a Rede Catarinense de Internacionalização, proposta que reúne governo e setor produtivo em uma estratégia integrada, com ações planejadas até 2030. A iniciativa está estruturada em quatro pilares: negócios e internacionalização; certificação e acesso a mercados; competitividade e tecnologia; e serviços e promoção comercial.

Como as empresas podem participar do PEIEX

Empresas interessadas em começar a exportar ou estruturar sua atuação internacional podem procurar o Núcleo PEIEX Itajaí. O atendimento é gratuito e busca identificar o nível de preparação da empresa, apontar oportunidades de melhoria e orientar a construção de uma estratégia para o mercado internacional.

Texto: ReConecta News

Imagens: ReConecta News / Giovana Santos

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Exportação

UE pode suspender barreiras às exportações de aves e mel do Brasil

A União Europeia (UE) deverá reavaliar a suspensão das exportações brasileiras de carne de aves e mel após uma auditoria realizada no Brasil em agosto. O relatório elaborado pelo bloco apresentou conclusões positivas sobre os controles adotados pelo país para o uso de antimicrobianos, incluindo antibióticos, nessas duas cadeias produtivas.

As exportações dos produtos brasileiros para o mercado europeu estão suspensas desde 3 de setembro. Na avaliação inicial, a UE considerou que o sistema brasileiro de controle não oferecia garantias suficientes para atender às novas regras europeias sobre a utilização de antibióticos.

Segundo fontes diplomáticas ouvidas pela coluna, o resultado da auditoria representa uma sinalização favorável e abre a possibilidade de que aves e mel brasileiros voltem ao mercado europeu até novembro.

Carne bovina enfrenta prazo mais longo

A situação é diferente para a carne bovina brasileira. O principal desafio para o governo está na retirada do produto da lista de itens excluídos pela União Europeia.

Como o critério adotado pelo bloco considera o tempo de vida dos animais, a suspensão relacionada à proteína bovina pode durar significativamente mais. Segundo as informações levantadas pela coluna, o prazo poderia chegar a dois anos.

O governo brasileiro também recebeu a informação oficial de que uma nova auditoria sobre a cadeia de carne de aves deverá ser realizada pela UE em 2027.

De acordo com fontes oficiais, a nova inspeção serviria também para responder a setores europeus que questionaram o resultado positivo da primeira auditoria.

Relatório aponta adequação dos controles brasileiros

O documento elaborado após a missão técnica concluiu que a estrutura brasileira apresenta condições para atender às exigências europeias relacionadas ao uso de antimicrobianos.

Segundo o relatório, a legislação, os procedimentos adotados e o treinamento dos fiscais, além dos mecanismos de controle utilizados no país, são considerados capazes de cumprir as exigências previstas no Regulamento (UE) 2019/6 para as cadeias de aves e mel.

Na produção avícola, um dos pontos destacados foi a separação da linha destinada ao mercado europeu. No caso do mel, a avaliação levou em conta a ausência de produtos registrados para utilização em abelhas e os controles aplicados ao fornecimento desses produtos aos apicultores.

A auditoria também considerou que o sistema brasileiro de fiscalização oferece uma base adequada para que as autoridades nacionais possam certificar o cumprimento das restrições europeias sobre determinados antimicrobianos nos certificados sanitários exigidos para as exportações.

Governo brasileiro questiona suspensão

Apesar da avaliação positiva, integrantes da diplomacia brasileira questionam os motivos que levaram à suspensão dos produtos e os impactos econômicos e de imagem provocados pela medida.

Fontes diplomáticas citadas pela coluna avaliam que pressões protecionistas na Europa podem ter influenciado a decisão. Segundo esse entendimento, parte do setor europeu vê o Brasil como um concorrente de grande escala no agronegócio e defende mecanismos de proteção ao mercado do bloco.

Essa discussão ganhou relevância após a entrada em vigor do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, cuja negociação se estendeu por mais de 25 anos.

Comitê técnico vai decidir sobre retorno dos produtos

O próximo passo será a convocação de um comitê técnico da União Europeia, responsável por avaliar a retirada das restrições e a eventual reinclusão de aves e mel brasileiros na lista de produtos autorizados para entrada no bloco.

Embora seja um órgão de caráter técnico, fontes diplomáticas apontam que a decisão também está sujeita a pressões políticas.

França, Irlanda e Polônia estão entre os países que lideram a oposição ao acordo entre Mercosul e UE. Segundo uma fonte diplomática, um eventual voto contrário desses países à relistagem brasileira poderia reforçar a interpretação de que a suspensão teve motivação protecionista, e não exclusivamente relacionada ao cumprimento das normas sanitárias.

A decisão, porém, não depende de unanimidade. Até o momento, as autoridades europeias ainda não informaram ao governo brasileiro a data exata da votação.

Brasil avalia medidas caso barreira seja mantida

O governo brasileiro acompanha o processo e pretende continuar pressionando pela retirada das restrições. Fontes diplomáticas não descartam a adoção de medidas de reequilíbrio comercial caso as barreiras europeias permaneçam.

Também está no radar a possibilidade de levar a questão a organismos internacionais, incluindo a Organização Mundial do Comércio (OMC). Embora o sistema multilateral de comércio enfrente dificuldades, inclusive em razão da ofensiva do governo Donald Trump contra mecanismos multilaterais, a organização continua sendo considerada uma via possível, ainda que com efeitos principalmente simbólicos.

Reino Unido fará auditoria sobre carne brasileira

Outra avaliação importante ocorrerá em outubro. Na semana de 13 de outubro, o Reino Unido deverá enviar uma missão ao Brasil para verificar os controles relacionados ao uso de antimicrobianos na produção destinada à exportação de carne de aves, mel e carne bovina.

Um resultado positivo na auditoria britânica, especialmente em relação à carne bovina, poderá contribuir para uma futura revisão da posição europeia e favorecer a reintegração do Brasil ao mercado da União Europeia também nesse segmento.

FONTE: UOL
TEXTO: Redação
IMAGEM: Paulo Whitaker

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Logística

Confiabilidade dos itinerários marítimos globais cai ao menor nível desde 2022

A confiabilidade dos serviços marítimos globais voltou a recuar em agosto e atingiu o menor patamar desde setembro de 2022. O resultado foi influenciado principalmente pela forte congestão portuária na Ásia, segundo a 181ª edição do relatório Global Liner Performance (GLP), da consultoria Sea-Intelligence.

O índice global caiu pelo segundo mês consecutivo, com redução de 5,9 pontos percentuais em relação a julho. Com isso, a confiabilidade dos itinerários ficou em 49,9% em agosto.

O levantamento acompanha o desempenho de mais de 60 companhias marítimas em 34 rotas comerciais.

Atrasos dos navios também aumentam

Além da queda na regularidade dos serviços, o levantamento registrou aumento no tempo de atraso das embarcações.

O atraso médio dos navios que chegaram fora do horário programado avançou 0,60 dia em relação a julho, alcançando 6,81 dias. Esse foi o maior intervalo registrado desde março de 2022.

Na comparação com agosto de 2025, o atraso médio ficou 1,92 dia maior, indicando uma piora significativa na pontualidade do transporte marítimo internacional.

Maersk registra maior confiabilidade entre as grandes companhias

Entre as 13 principais companhias de navegação avaliadas pela Sea-Intelligence, a Maersk apresentou o maior índice de confiabilidade em agosto, com 67,3%.

Na sequência apareceram:

  • Hapag-Lloyd: 61,5%;
  • MSC: 55,2%;
  • CMA CGM: 50,6%.

Essas foram as quatro únicas empresas do grupo a superar a marca de 50%.

Na outra ponta, a Wan Hai apresentou o menor índice entre as 13 companhias analisadas, com 23,2%.

Todas as 13 companhias tiveram queda em agosto

Nenhuma das empresas avaliadas apresentou melhora mensal no indicador de confiabilidade em agosto.

A ONE registrou a menor queda, de 3,5 pontos percentuais. Já a PIL teve o recuo mais expressivo, de 10,1 pontos percentuais.

A comparação com agosto de 2025 também mostrou deterioração generalizada. Nenhuma das 13 companhias apresentou avanço na confiabilidade dos itinerários em relação ao mesmo período do ano anterior.

A Maersk teve a menor redução anual, de 8,9 pontos percentuais, enquanto a PIL registrou o maior recuo, de 31,1 pontos percentuais.

Ao todo, 12 das 13 empresas analisadas tiveram quedas de dois dígitos na comparação anual.

Gemini lidera entre as alianças marítimas

Entre as principais alianças de transporte marítimo, a Gemini apresentou índice de confiabilidade de 77,8% no período entre julho e agosto de 2026.

O resultado ficou acima dos registrados pela MSC, com 70,1%, e pela Ocean Alliance, com 48,3%.

A Premier Alliance apresentou o menor índice entre as alianças avaliadas, com 43,2%.

Congestionamento portuário afeta regularidade global

Os dados da Sea-Intelligence mostram que a confiabilidade dos itinerários marítimos continua sob pressão, especialmente diante dos problemas de congestionamento registrados em portos asiáticos.

A combinação entre menor cumprimento dos horários e aumento dos atrasos médios pode afetar o planejamento das cadeias de logística internacional, transporte de contêineres e comércio exterior.

O relatório Global Liner Performance analisa a pontualidade dos serviços em 34 rotas comerciais e mais de 60 companhias marítimas.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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