Importação

Importações de calçados crescem e reduzem geração de empregos na indústria brasileira

O avanço das importações de calçados voltou a acender o alerta na indústria nacional. Dados da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), elaborados com base nas informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), mostram que o Brasil importou 25,9 milhões de pares no primeiro semestre deste ano, movimentando US$ 307 milhões. Os volumes representam crescimento de 15,9% em quantidade e de 13% em valor na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Somente em junho, as compras externas chegaram a 3 milhões de pares, com desembolso de US$ 48,1 milhões, altas de 1% em volume e 7,6% em receita frente ao mesmo mês de 2025.

Concorrência internacional afeta empregos no Brasil

Segundo o presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, o aumento das importações ocorre em um momento delicado para a indústria brasileira, que também enfrenta retração nas exportações e maior concorrência de produtos estrangeiros.

De acordo com a entidade, parte dessa concorrência estaria relacionada a práticas consideradas desleais no comércio internacional. A associação afirma que já alertou o Governo Federal sobre os impactos da chamada importação predatória e estima que o setor deixou de gerar aproximadamente 7,8 mil empregos diretos apenas no primeiro semestre em razão do crescimento das compras externas.

Países asiáticos concentram maior parte das importações

A Ásia segue como principal fornecedora de calçados importados, respondendo por 87,2% de todos os pares adquiridos pelo Brasil no semestre.

A China lidera o ranking, com o envio de 9,7 milhões de pares ao mercado brasileiro, equivalentes a US$ 26,5 milhões. O volume cresceu 27,4%, enquanto o valor das importações aumentou 13,3% em relação ao mesmo período do ano passado. Em junho, foram importados 408,4 mil pares chineses, totalizando US$ 4,14 milhões.

Na segunda posição aparece o Vietnã, que exportou 6,83 milhões de pares para o Brasil entre janeiro e junho, movimentando US$ 150,57 milhões. O crescimento foi de 5,2% em volume e 17,9% em receita. No mês de junho, o país asiático embarcou 1,23 milhão de pares, com faturamento de US$ 26 milhões.

A Indonésia completa a lista dos principais fornecedores. No acumulado do semestre, foram enviados 3,68 milhões de pares, somando US$ 69,24 milhões. Apesar da alta anual, os números de junho mostraram retração nas importações provenientes do país.

Além dos calçados prontos, o Brasil também ampliou as compras de componentes para calçados, como cabedais, solas, saltos e palmilhas. As importações desses itens alcançaram US$ 26,48 milhões no semestre, crescimento de 19,4%, tendo China, Vietnã e Paraguai como principais origens.

Exportações registram forte queda no semestre

Enquanto as importações avançaram, as exportações de calçados seguiram em trajetória oposta. Entre janeiro e junho, o Brasil embarcou 49 milhões de pares, que renderam US$ 408,2 milhões. Na comparação anual, houve queda de 7% no volume exportado e de 17,9% na receita.

Esse desempenho contribuiu para uma redução de 55,1% na balança comercial do setor calçadista, o pior resultado para um primeiro semestre desde o início da série histórica, em 1997.

Em junho, as exportações somaram 8,1 milhões de pares e US$ 59,16 milhões. Apesar do aumento de 18,1% no volume embarcado, a receita caiu 15,7%.

Estados Unidos seguem como principal destino

Mesmo diante das dificuldades provocadas por tarifas de importação, os Estados Unidos permaneceram como o principal mercado para os calçados brasileiros.

No primeiro semestre, foram exportados 5,6 milhões de pares para o país, gerando US$ 85,25 milhões. Os resultados representam queda de 3,6% em volume e de 23,6% em faturamento em comparação ao mesmo período de 2025.

A Argentina ocupou a segunda posição entre os destinos, com 2,72 milhões de pares importados do Brasil. O mercado argentino, no entanto, apresentou forte retração, com recuos superiores a 57% tanto em quantidade quanto em receita.

Em sentido contrário, o Paraguai ajudou a reduzir parte das perdas. O país importou 4,18 milhões de pares brasileiros, registrando crescimento de 13,1% na receita, apesar da leve redução no volume embarcado.

Rio Grande do Sul lidera exportações brasileiras

Entre os estados exportadores, o Rio Grande do Sul manteve a liderança no primeiro semestre, com embarques de 17,65 milhões de pares, responsáveis por US$ 201,83 milhões em receita.

O Ceará aparece na segunda colocação, com exportações de 14 milhões de pares e faturamento de US$ 76,86 milhões, enquanto São Paulo ocupa a terceira posição, com 2,9 milhões de pares exportados e receita de US$ 41,83 milhões.

Embora esses estados permaneçam como os principais polos exportadores, todos registraram redução na receita obtida com as vendas externas ao longo do período.

FONTE: Abicalçados
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Abicalçados

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Comércio Exterior

Brasil Soberano: governo anuncia pacote de R$ 18,5 bilhões para empresas afetadas por tarifas dos EUA

O governo federal apresentou, nesta quarta-feira (22), uma nova etapa do programa Brasil Soberano, destinando até R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito, garantias e instrumentos financeiros para apoiar empresas prejudicadas pelas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

A medida tem como foco os setores com maior dependência do mercado norte-americano e busca minimizar os efeitos das barreiras comerciais enquanto seguem as negociações entre Brasil e EUA.

Do total anunciado, R$ 13,5 bilhões serão provenientes do Tesouro Nacional, enquanto outros R$ 5 bilhões serão disponibilizados pelo BNDES. O programa também prevê mecanismos de garantias públicas para facilitar o acesso ao crédito e reduzir os custos das operações para as empresas.

Recursos poderão financiar capital de giro, inovação e expansão de mercados

As empresas contempladas poderão utilizar os recursos para diversas finalidades, entre elas:

  • Capital de giro;
  • Compra de máquinas e equipamentos;
  • Investimentos produtivos;
  • Inovação tecnológica;
  • Adequação de produtos às exigências internacionais;
  • Expansão e abertura de novos mercados para exportação.

O anúncio foi realizado no mesmo dia em que entrou em vigor a tarifa de 25% aplicada pelos Estados Unidos sobre parte das exportações brasileiras.

Além disso, o governo acompanha a possibilidade de uma nova sobretaxa de 12,5%, que poderá ser anunciada pela administração do presidente Donald Trump na sexta-feira (24), em decorrência de uma investigação relacionada ao uso de trabalho forçado. Ainda não há confirmação se essa cobrança será cumulativa à tarifa já vigente.

Lula afirma que Brasil seguirá crescendo apesar das barreiras comerciais

Durante o lançamento da nova fase do programa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o país já enfrentou outras crises e voltou a crescer, defendendo que o atual cenário não impedirá o avanço da economia brasileira.

Segundo o presidente, o Brasil continuará buscando alternativas para fortalecer sua presença no comércio internacional, destacando que existem novos mercados, moedas e parceiros comerciais dispostos a ampliar relações com o país.

Lula também ressaltou que a estratégia dos Estados Unidos de ampliar tarifas contra diferentes países faz parte de um contexto geopolítico mais amplo, mas afirmou que o Brasil seguirá diversificando suas oportunidades comerciais.

Setores mais afetados terão prioridade no acesso aos recursos

O pacote concentra apoio nos segmentos considerados mais vulneráveis às novas restrições impostas pelos Estados Unidos.

Entre os principais setores beneficiados estão:

  • Máquinas e equipamentos;
  • Siderurgia;
  • Metalurgia;
  • Autopeças;
  • Papel e celulose;
  • Produtos químicos;
  • Madeira;
  • Móveis;
  • Demais bens industriais de maior valor agregado.

Segundo o governo, essas atividades concentram parte significativa das exportações brasileiras destinadas ao mercado americano e podem enfrentar dificuldades para manter investimentos e competitividade caso o conflito comercial se prolongue.

Programa Brasil Soberano amplia alcance na terceira etapa

Esta é a terceira fase do Brasil Soberano, criado após o anúncio das primeiras tarifas impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros.

As etapas anteriores priorizaram ações emergenciais e diálogo com representantes da indústria. Agora, a estratégia passa a ampliar a participação dos bancos públicos e fortalecer instrumentos financeiros para dar suporte às empresas exportadoras.

O programa também passa a atender novos segmentos do setor produtivo, incluindo exportadores ligados à:

  • Agricultura;
  • Pecuária;
  • Florestas plantadas;
  • Pesca;
  • Aquicultura;
  • Mineração;
  • Cooperativas e associações desses setores.

MP define grupos prioritários para receber apoio

A medida provisória estabelece três grupos de atendimento.

Grupo 1 – Setores diretamente atingidos pelas tarifas dos EUA

Inclui segmentos enquadrados nas Seções 232 e 301 da legislação americana, como:

  • Aço;
  • Alumínio;
  • Automotivo;
  • Móveis;
  • Madeira;
  • Máquinas e equipamentos;
  • Papel;
  • Açúcar;
  • Plásticos;
  • Cerâmica;
  • Calçados;
  • Carvão.

Grupo 2 – Setores industriais estratégicos

Estão contemplados:

  • Têxtil;
  • Químicos;
  • Farmacêutico;
  • Automotivo;
  • Equipamentos de informática;
  • Produtos eletrônicos e ópticos;
  • Máquinas e materiais elétricos;
  • Equipamentos de transporte;
  • Borracha e plástico;
  • Máquinas industriais;
  • Minerais críticos;
  • Fertilizantes.

Grupo 3 – Exportadores para países do Golfo Pérsico

O programa também contempla empresas que exportam para:

  • Arábia Saudita;
  • Catar;
  • Bahrein;
  • Emirados Árabes Unidos;
  • Iraque;
  • Irã;
  • Kuwait;
  • Omã.

Linhas de crédito terão juros diferenciados

As condições de financiamento variam conforme o setor e a modalidade de crédito.

As taxas anunciadas são:

  • Giro Grande: 9,80%;
  • Giro MPME: 8,30%;
  • Giro Exportação: 8,30%;
  • BK: 8,00%;
  • Linha para Minerais Críticos: 3,00%;
  • Investimento: 6,50%.

Os grupos 1 e 3 terão acesso a todas as modalidades de financiamento, enquanto o grupo 2 poderá utilizar apenas as linhas de Investimento e BK.

Governo mantém negociações com os Estados Unidos

Além das medidas de apoio financeiro, o governo brasileiro segue atuando na frente diplomática para tentar reduzir ou reverter as restrições comerciais impostas pelos Estados Unidos.

Paralelamente, Brasília aguarda a conclusão da investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que poderá definir a aplicação de uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros.

Enquanto o cenário comercial permanece indefinido, o pacote anunciado busca preservar empregos, investimentos, a competitividade da indústria brasileira e a capacidade de exportação das empresas.

FONTE: Infomoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Ricardo Stuckert/PR

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Portos

Porto de Paranaguá amplia exportações e registra alta de 86% no envio de cargas de outros estados

O Porto de Paranaguá segue fortalecendo sua posição como um dos principais corredores de exportação do Brasil. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), reunidos pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), mostram que os terminais paranaenses embarcaram 9,62 milhões de toneladas de mercadorias originadas em outros estados durante o primeiro semestre de 2026.

O volume representa um crescimento de 9,9% em comparação ao mesmo período de 2025, quando foram exportadas 8,75 milhões de toneladas.

Volume de cargas quase dobrou em oito anos

Na comparação com 2018, o desempenho evidencia uma expansão ainda mais expressiva. Em oito anos, a quantidade de produtos de outras unidades da Federação exportados pelo Porto de Paranaguá aumentou 85,8%, passando de 5,17 milhões para 9,62 milhões de toneladas.

Segundo o diretor-presidente do Ipardes, Jorge Callado, os resultados refletem a consolidação do Paraná como um dos principais eixos logísticos do país, ampliando sua importância no escoamento da produção nacional para o mercado externo.

Mato Grosso do Sul lidera embarques pelo terminal paranaense

Entre os estados que mais utilizam a estrutura portuária, o Mato Grosso do Sul ocupa a primeira posição, com 4,05 milhões de toneladas exportadas no primeiro semestre deste ano.

Na sequência aparecem São Paulo, com 2,09 milhões de toneladas, e Mato Grosso, responsável por 1,83 milhão de toneladas embarcadas. O porto também atende produtores de Goiás, Santa Catarina, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Rondônia e Tocantins.

Valor das exportações supera US$ 7 bilhões

Além do crescimento em volume, as operações registraram avanço financeiro. As cargas provenientes de outros estados movimentaram US$ 7,26 bilhões entre janeiro e junho de 2026, resultado 14,8% superior aos US$ 6,32 bilhões contabilizados no mesmo período do ano anterior.

Entre os principais produtos exportados estão a soja, responsável por mais da metade do total embarcado, com 4,88 milhões de toneladas. Também tiveram destaque o farelo de soja, açúcar, óleo de soja, carnes bovina e de aves e milho.

Investimentos ampliam capacidade e consolidam referência nacional

O avanço na movimentação acompanha os investimentos realizados pela Portos do Paraná para aumentar a capacidade operacional do complexo portuário e atender ao crescimento da demanda por logística portuária.

O reconhecimento também se reflete em premiações. O Porto de Paranaguá já foi eleito seis vezes o melhor porto do Brasil em avaliação promovida pela Secretaria Nacional de Portos, que considera critérios como eficiência operacional, qualidade da gestão administrativa e transparência.

FONTE: Maringá Post
TEXTO: Redação
IMAGEM: Portos do Paraná

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Informação

FIESC e Governo de Santa Catarina criam grupo de trabalho para enfrentar novo tarifaço dos EUA

A Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC) e o Governo de Santa Catarina deram início a uma força-tarefa para acompanhar os efeitos do novo tarifaço dos Estados Unidos sobre as empresas exportadoras catarinenses. A decisão foi tomada durante uma reunião realizada nesta terça-feira (21), que reuniu representantes da indústria, quatro secretários estaduais e equipes técnicas do governo.

As novas tarifas impostas pelos Estados Unidos começam a valer nesta quarta-feira (22) e acendem um alerta para setores com forte presença no mercado internacional.

Mais da metade das exportações catarinenses pode ser afetada

Durante o encontro, o presidente da FIESC, Gilberto Seleme, ressaltou que o impacto da nova rodada de tarifas deverá ser semelhante ao registrado anteriormente.

Segundo levantamento da entidade, 54,5% da pauta de exportações de Santa Catarina poderá ser atingida pelas novas alíquotas. Para Seleme, o momento exige atuação conjunta entre o poder público e o setor produtivo, especialmente porque muitas empresas ainda enfrentam reflexos das medidas anteriores.

Grupo técnico vai avaliar medidas de apoio à indústria

O secretário de Estado da Fazenda, Cleverson Siewert, reafirmou o compromisso do governo em manter diálogo permanente com a indústria para identificar alternativas que possam minimizar os efeitos econômicos das novas barreiras comerciais.

De acordo com o secretário, foi criado um grupo de trabalho que reunirá informações técnicas para analisar os impactos da medida e subsidiar futuras decisões voltadas à preservação da competitividade das empresas catarinenses.

Siewert destacou ainda a relevância da indústria para a economia estadual, lembrando que o setor responde por cerca de 35% dos empregos formais e por aproximadamente 30% do Produto Interno Bruto (PIB) de Santa Catarina.

Diversificação de mercados ganha força na estratégia estadual

Outro tema discutido durante a reunião foi a necessidade de ampliar a presença das empresas catarinenses em novos mercados internacionais.

O secretário de Articulação Internacional, Paulo Bornhausen, afirmou que o comércio exterior continuará sendo um fator decisivo para o crescimento econômico do estado. Segundo ele, as mudanças no cenário geopolítico e nas cadeias globais de suprimentos exigirão uma atuação permanente dos setores público e privado.

Na avaliação do secretário, o grupo criado para acompanhar os impactos do tarifaço poderá se tornar uma estrutura permanente para monitorar questões relacionadas ao comércio internacional.

Internacionalização de empresas está entre as prioridades

Além das ações voltadas às empresas já exportadoras, FIESC e governo estadual defenderam o fortalecimento de programas de promoção comercial e de internacionalização, com o objetivo de ampliar a participação de novas empresas catarinenses no mercado externo.

O secretário de Planejamento, Arão Josino da Silva, destacou que a expansão da presença internacional das empresas deve integrar a estratégia de desenvolvimento econômico de longo prazo do estado.

Também participou da reunião o secretário de Estado da Indústria, Comércio e Serviços, Leodegar Tiscoski.

Próximos passos

Como encaminhamento, as equipes técnicas da FIESC e do Governo de Santa Catarina iniciarão a troca de informações para avaliar os desdobramentos das novas tarifas e elaborar medidas que possam reduzir os impactos sobre a indústria catarinense, preservar a competitividade das empresas e fortalecer o comércio exterior do estado.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Filipe Scotti

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Exportação

Exportações do Brasil para a União Europeia crescem US$ 3 bilhões no primeiro semestre de 2026

As exportações brasileiras para a União Europeia (UE) registraram forte crescimento nos primeiros meses após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. Dados da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) mostram que, somente em maio e junho de 2026, as vendas brasileiras ao bloco aumentaram US$ 2 bilhões, um avanço de 26% em relação ao mesmo período do ano passado.

Os dois meses correspondem ao início da aplicação provisória do acordo, que passou a valer em 1º de maio e prevê a redução ou eliminação de tarifas para diversos produtos comercializados entre os dois blocos.

Primeiro semestre registra alta de 12,8% nas exportações

No acumulado de janeiro a junho de 2026, o Brasil exportou US$ 26,9 bilhões para os países da União Europeia, resultado 12,8% superior ao registrado no mesmo período de 2025.

Em valores absolutos, o crescimento foi de US$ 3 bilhões. Desse total, cerca de dois terços foram concentrados justamente nos meses de maio e junho, indicando os primeiros efeitos positivos da implementação provisória do acordo comercial.

Acordo ainda aguarda aprovação definitiva

Embora já produza efeitos nas relações comerciais, o acordo Mercosul-UE ainda depende da aprovação do Tribunal de Justiça da União Europeia e do Parlamento Europeu para entrar em vigor de forma definitiva.

Enquanto isso, empresas brasileiras já começam a aproveitar as vantagens proporcionadas pela redução de tarifas em diversos segmentos exportadores.

Sul do Brasil concentra maior potencial de novos exportadores

Além do aumento nas vendas externas, a ApexBrasil mapeou o potencial de expansão das exportações por estado, identificando oportunidades para empresas que ainda podem ingressar no mercado europeu.

A Região Sul aparece como a principal beneficiada pelo acordo, concentrando o maior número de oportunidades para novos negócios.

Os estados com maior potencial identificado são:

  • Santa Catarina: 167 oportunidades;
  • São Paulo: 127;
  • Paraná: 76;
  • Rio Grande do Sul: 74;
  • Ceará: 69;
  • Bahia: 67;
  • Pernambuco: 53;
  • Maranhão: 13;
  • Alagoas: 13;
  • Piauí: 7.

Segundo a ApexBrasil, o levantamento reforça o potencial de ampliação das exportações brasileiras para o mercado europeu, especialmente em estados com forte presença da indústria e do agronegócio.

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

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Exportação

Exportações de rochas naturais batem recorde e alcançam R$ 843,5 milhões em junho

As exportações brasileiras de rochas naturais atingiram um marco histórico em junho de 2026. O setor faturou US$ 165,2 milhões (aproximadamente R$ 843,5 milhões), o maior valor mensal já registrado, representando um crescimento de 34,1% na comparação com o mesmo mês do ano anterior.

Os números foram divulgados pela Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas) e refletem o bom desempenho das vendas externas no último mês.

Resultado do semestre ainda fica abaixo de 2025

Apesar do recorde em junho, o desempenho acumulado do primeiro semestre ainda apresenta retração em relação ao ano passado.

Entre janeiro e junho, o setor exportou US$ 711,1 milhões (cerca de R$ 3,6 bilhões), resultado 4,2% inferior ao registrado no mesmo período de 2025.

Quartzitos ampliam participação e lideram crescimento

Os quartzitos brasileiros seguem como o principal destaque da indústria. No primeiro semestre, o material respondeu por 60,3% do faturamento das exportações, somando US$ 428,5 milhões (aproximadamente R$ 2,1 bilhões).

O desempenho representa uma alta de 6,7% em comparação ao mesmo período do ano passado e estabelece um novo recorde para o segmento.

Enquanto isso, outras categorias tradicionais registraram queda nas vendas externas:

  • Granito: retração de 18,4%;
  • Mármore: queda de 26,7%;
  • Ardósia: redução de 7%.

Demanda internacional impulsiona os quartzitos brasileiros

O crescimento dos quartzitos acompanha a expansão da procura mundial por materiais naturais utilizados em projetos de arquitetura, design de interiores e construção de alto padrão.

O Brasil possui uma das maiores reservas e uma ampla variedade comercial desse tipo de rocha, fator que fortalece sua competitividade no mercado internacional.

Segundo o presidente da Centrorochas, Tales Machado, a diversidade geológica brasileira tem permitido ao setor ampliar a oferta de produtos de maior valor agregado, sem deixar de buscar oportunidades para outros minerais, como a ardósia.

Estados Unidos seguem na liderança; China acelera importações

Os Estados Unidos permaneceram como o principal destino das exportações brasileiras de rochas naturais, respondendo por 51,2% das vendas internacionais. No entanto, as compras norte-americanas totalizaram US$ 364,3 milhões (cerca de R$ 1,8 bilhão), registrando queda de 14,4% em relação ao primeiro semestre de 2025.

Em sentido oposto, a China ampliou significativamente sua participação, elevando as importações em 32,8% e alcançando US$ 147,7 milhões (aproximadamente R$ 754,6 milhões). O país consolida-se como o mercado com maior ritmo de crescimento para as rochas brasileiras.

Novos mercados ampliam oportunidades para o setor

No segmento de rochas brutas, outros mercados também apresentaram resultados expressivos. As importações de blocos brasileiros cresceram:

  • China: +34,6%;
  • Índia: +23,3%;
  • Polônia: +33,7%.

O avanço dessas economias reforça as perspectivas de diversificação dos destinos das exportações brasileiras e amplia as oportunidades para a indústria nacional de rochas ornamentais.

FONTE: Folha Vitória
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/Centrorochas


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Comércio Exterior

Tarifa de 25% dos EUA sobre produtos do Brasil entra em vigor e amplia tensão comercial

Começou a valer à 1h01 (horário de Brasília) desta quarta-feira (22) a tarifa de 25% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, medida que intensifica as tensões comerciais entre os dois países. A decisão havia sido oficializada na semana passada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), após a conclusão de uma investigação conduzida pelo órgão.

A nova cobrança é resultado de um processo iniciado depois que o governo norte-americano anunciou, em julho de 2025, um primeiro tarifaço contra o Brasil, com alíquota de 50% sobre determinados produtos.

Investigação apontou supostas práticas comerciais consideradas inadequadas

Em junho deste ano, o USTR propôs a aplicação da tarifa com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, instrumento utilizado para investigar e responder a práticas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses norte-americanos.

Mesmo diante de audiências públicas em que representantes da sociedade civil manifestaram oposição à medida, o governo dos EUA concluiu que políticas brasileiras relacionadas ao comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, sistema de patentes, combate à pirataria, etanol e desmatamento ilegal criariam insegurança jurídica e prejudicariam a competitividade de empresas americanas.

Durante as negociações, integrantes do governo dos Estados Unidos criticaram o nível de participação do Brasil nas tratativas. Já representantes brasileiros classificaram as exigências apresentadas por Washington como desfavoráveis para os setores da indústria e do agronegócio, além de relatarem falta de clareza nas demandas norte-americanas.

Governo brasileiro mantém negociações e avalia medidas de resposta

Em reação ao anúncio da nova tarifa, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a decisão representa um episódio negativo nas relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos. O Palácio do Planalto também informou que poderá recorrer aos mecanismos previstos na Lei da Reciprocidade.

Apesar disso, a estratégia adotada pelo Executivo prioriza o diálogo. Entre as ações planejadas estão:

  • Manter as negociações com o governo dos Estados Unidos;
  • Intensificar a busca por novos mercados para exportação;
  • Adotar respostas baseadas em critérios técnicos.

O posicionamento foi reforçado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Marcio Elias Rosa, que destacaram a continuidade das conversas com autoridades americanas e o trabalho conjunto com o setor produtivo.

Brasil busca reduzir impactos sobre exportadores

Segundo o governo, além de tentar reverter a decisão norte-americana, o foco é minimizar os prejuízos para empresas brasileiras afetadas pelo aumento das tarifas.

Marcio Elias Rosa afirmou que a medida adotada pelos Estados Unidos é considerada injustificada pelo governo brasileiro, mas ressaltou que o país continuará negociando e oferecerá apoio aos setores impactados.

Lei da Reciprocidade segue em análise com cautela

Inicialmente, integrantes da equipe econômica indicaram que a aplicação da Lei da Reciprocidade era uma possibilidade caso a tarifa fosse confirmada. Posteriormente, o discurso passou a enfatizar uma postura mais cautelosa.

O governo avalia estudos de impacto antes de qualquer decisão, buscando evitar novos desgastes diplomáticos, impedir um eventual aumento das tarifas e reduzir riscos de alta nos preços ao consumidor brasileiro.

Setor produtivo defende diálogo e evita escalada comercial

Nos últimos dias, representantes da indústria e do agronegócio participaram de reuniões com o governo federal para discutir os efeitos da medida. A principal preocupação é preservar as exportações brasileiras sem provocar uma escalada nas disputas comerciais.

O vice-presidente Geraldo Alckmin reforçou que o objetivo não é promover retaliações, mas buscar uma solução negociada. Ainda assim, destacou que o Brasil possui instrumentos legais para defender seus interesses caso seja necessário.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN Brasil

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Comércio Exterior

Lei da Reciprocidade orienta resposta do Brasil ao tarifaço dos EUA e governo prepara pacote de apoio

O governo federal reforçou que a Lei da Reciprocidade não tem caráter de retaliação aos Estados Unidos, mas representa um mecanismo legal para responder a medidas consideradas prejudiciais ao comércio brasileiro. A declaração foi feita nesta terça-feira (21) pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, após reunião com representantes dos setores impactados pelas novas tarifas anunciadas pelo governo norte-americano.

Segundo Alckmin, o objetivo da legislação é restabelecer condições de equilíbrio nas relações comerciais entre os dois países, sem estimular uma escalada de conflitos econômicos. “A ideia não é retaliação. A reciprocidade busca corrigir uma situação em que o Brasil está sendo prejudicado”, afirmou.

A reunião contou também com a participação do ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, que apresentou as ações em estudo para reduzir os impactos sobre os exportadores brasileiros.

Governo estrutura resposta em três frentes

A estratégia do Executivo diante do novo tarifaço dos Estados Unidos está baseada em três pilares principais:

  • apoio financeiro às empresas afetadas;
  • ampliação de mercados internacionais para as exportações brasileiras;
  • diálogo permanente com os setores produtivos para avaliar os impactos das medidas.

As novas tarifas impostas pelos Estados Unidos preveem uma alíquota de 25% sobre produtos brasileiros, com possibilidade de um acréscimo de 12,5% em determinados casos. Caso isso ocorra, aproximadamente 18% das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano, equivalentes a cerca de US$ 7,4 bilhões, poderão ser afetadas.

Pacote prevê crédito e flexibilização para exportadores

Entre as iniciativas em análise está a oferta de linhas de financiamento por meio do programa Brasil Soberano, destinadas ao capital de giro e investimentos das empresas prejudicadas pelas novas tarifas. Outra medida avaliada é a flexibilização temporária das regras do drawback, regime que concede isenção, suspensão ou restituição de tributos para insumos utilizados na produção de bens exportados.

A proposta busca garantir mais prazo para que empresas que perderem mercado nos Estados Unidos cumpram seus compromissos de exportação sem perder os benefícios fiscais. O governo também discute ajustes temporários nas exigências relacionadas à manutenção de empregos para empresas que eventualmente recebam apoio emergencial.

Para Márcio Elias Rosa, a prioridade é reduzir os impactos sobre a indústria nacional. “O governo brasileiro precisa agir para socorrer os setores afetados e adotar medidas capazes de amenizar os prejuízos provocados por uma decisão considerada injustificada”, destacou o ministro.

Diversificação de mercados ganha prioridade

Além das medidas internas, a ApexBrasil intensificará as ações para ampliar a presença dos produtos brasileiros em novos mercados internacionais.

Entre os destinos considerados estratégicos estão:

  • Índia;
  • México;
  • Singapura;
  • Japão;
  • países do Sudeste Asiático.

O governo também pretende acelerar as negociações dos acordos comerciais entre Mercosul e União Europeia, Mercosul e EFTA e Mercosul e Singapura, como forma de ampliar oportunidades para os exportadores brasileiros.

A avaliação é que a diversificação dos mercados pode reduzir a dependência das vendas para os Estados Unidos, especialmente em segmentos industriais de maior valor agregado.

Setores mais afetados pelas tarifas

Os segmentos que concentram maior exposição às novas tarifas incluem:

  • eletroeletrônicos;
  • máquinas e equipamentos;
  • autopeças;
  • calçados;
  • outros produtos industriais exportados para o mercado norte-americano.

Segundo o governo, os Estados Unidos são atualmente o principal destino das exportações brasileiras de eletroeletrônicos e respondem por cerca de 25% das vendas externas do setor de máquinas e equipamentos.

Próximos passos

O Executivo trabalha com um cronograma para definir as medidas de resposta. Na próxima sexta-feira, é aguardada uma posição oficial do governo norte-americano sobre a possível aplicação adicional de 12,5% de tarifa em produtos brasileiros ligados a acusações de trabalho forçado. Já no dia 29 de julho, entra em vigor a sobretaxa de 25% para mercadorias brasileiras que já estiverem em trânsito para os Estados Unidos.

Até essa data, o Ministério do Desenvolvimento pretende concluir reuniões com representantes dos setores de plásticos, máquinas, veículos, autopeças, borracha e calçados, consolidando um diagnóstico dos impactos para definir o pacote final de apoio. Também está prevista uma missão comercial à Índia, com foco na abertura de novas oportunidades para fabricantes brasileiros, especialmente da indústria de máquinas e equipamentos.

Fonte: Agência Brasil.

Texto: Redação

Imagem: Arquivo ReConecta News

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Comércio Exterior

Tarifa de 50% dos EUA sobre produtos do Canadá amplia tensão comercial entre os países

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a aplicação de uma tarifa de 50% sobre a maioria dos produtos canadenses, intensificando o embate comercial entre os dois países. A justificativa da Casa Branca é que o Canadá mantém práticas consideradas discriminatórias contra produtos norte-americanos, como automóveis, bebidas alcoólicas e laticínios.

A medida representa um novo capítulo na disputa comercial e pode provocar impactos na economia, pressionando a inflação e desgastando ainda mais a relação entre dois dos principais parceiros econômicos da América do Norte.

Governo dos EUA cita retaliações do Canadá

De acordo com um integrante do governo norte-americano, que falou sob condição de anonimato, o Canadá foi um dos poucos países — ao lado da China — a responder com medidas de retaliação às tarifas anteriormente impostas por Trump.

Segundo a fonte, o presidente assinou três proclamações com base na Seção 338 da Lei de Comércio de 1930, dispositivo legal que permite a adoção de sanções comerciais contra países considerados responsáveis por práticas discriminatórias. No ano passado, parlamentares democratas chegaram a propor a revogação desse mecanismo por entenderem que ele poderia ser utilizado para gerar instabilidade econômica.

Produtos isentos e impacto sobre o comércio

Apesar da abrangência da nova política tarifária, alguns setores permanecerão isentos da cobrança adicional. Produtos ligados ao setor de energia, potássio, pescados e minerais críticos não serão afetados.

Por outro lado, a tarifa passará a incidir sobre mercadorias que anteriormente tinham isenção prevista pelo Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA/T-MEC). O tratado comercial firmado em 2020 expirou recentemente, abrindo uma nova rodada de negociações que poderá se estender até 2036.

Incêndios florestais também entram na discussão

Além das questões comerciais, Trump determinou que seus assessores avaliem a possibilidade de impor novas tarifas ao Canadá sob o argumento de que os incêndios florestais no país prejudicam a qualidade do ar em território norte-americano.

A declaração amplia o escopo das disputas entre os dois governos, incluindo fatores ambientais nas discussões sobre comércio exterior.

Encontro entre Trump e premiê canadense não tratou de tarifas

No último domingo, Trump esteve ao lado do primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, durante a final da Copa do Mundo. Apesar da reunião pública, integrantes da administração norte-americana afirmaram que o encontro não teve caráter oficial nem envolveu negociações sobre comércio ou tarifas.

Carney tem adotado uma postura crítica em relação às políticas comerciais da Casa Branca e busca fortalecer as relações econômicas do Canadá com outros mercados internacionais.

Automóveis, bebidas e laticínios estão no centro da disputa

Em sua justificativa, Trump afirmou que o Canadá impõe barreiras comerciais a veículos, bebidas alcoólicas e produtos lácteos dos Estados Unidos.

No setor automotivo, o presidente citou a manutenção de uma tarifa de 25% sobre determinados veículos norte-americanos que não atendem aos critérios preferenciais previstos pelo antigo T-MEC.

Em relação às bebidas alcoólicas, Trump criticou a decisão das províncias canadenses de interromper a compra e a venda de produtos americanos, medida adotada em resposta às tarifas impostas anteriormente pelos Estados Unidos.

Já no segmento de laticínios, o presidente voltou a acusar o Canadá de favorecer produtos europeus em detrimento dos norte-americanos, especialmente no mercado de queijos, tema recorrente nas disputas comerciais entre os dois países.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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Comércio Exterior

Tarifaço dos EUA leva governo a ouvir setores afetados antes de definir medidas

O governo federal iniciou uma série de reuniões com os segmentos econômicos impactados pelo tarifaço dos EUA, com o objetivo de avaliar os efeitos das novas taxas sobre a economia brasileira antes de anunciar possíveis medidas de resposta.

A estratégia prevê consultas diretas com representantes de cada setor para identificar prejuízos relacionados a empregos, produção, contratos e exportações, além de mapear a necessidade de apoio financeiro às empresas.

Governo avalia impactos antes de decidir sobre reciprocidade

As reuniões serão coordenadas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), que conduz as negociações em conjunto com o Palácio do Planalto.

Durante os encontros, empresários e representantes dos setores afetados poderão apresentar um diagnóstico dos impactos provocados pelas tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos, além de sugerir ações consideradas necessárias para minimizar os prejuízos.

Segundo informações divulgadas, a intenção do governo é reunir dados concretos antes de decidir se adotará medidas de reciprocidade comercial ou destinará recursos para apoiar os segmentos mais prejudicados.

Cautela orienta estratégia do governo

Apesar da pressão causada pelo aumento das tarifas, o governo mantém uma postura de cautela. Até o momento, não há definição sobre a aplicação da Lei de Reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional e considerada uma possível resposta às medidas adotadas pelos Estados Unidos.

Integrantes da administração federal defendem que qualquer decisão seja tomada com base em uma análise criteriosa dos impactos econômicos e das consequências para o país.

Outro fator que pesa nas discussões é a responsabilidade fiscal. A avaliação é de que o governo deve oferecer suporte aos setores afetados, mas dentro dos limites do orçamento público. Por isso, as medidas estudadas deverão ser adaptadas às necessidades específicas de cada segmento da economia.

Investigação pode resultar em novas tarifas

Além da tarifa de 25% já anunciada, o Brasil também acompanha uma investigação conduzida pelos Estados Unidos sobre suspeitas de trabalho forçado.

A conclusão do processo é aguardada para sexta-feira (24) e poderá resultar na aplicação de uma tarifa adicional de 12,5%.

O Brasil integra um grupo com mais de 50 países investigados. Caso a nova taxação seja confirmada, ela poderá ser cumulativa, elevando ainda mais os custos para determinados setores exportadores.

Nos bastidores, a expectativa do governo é de um desfecho desfavorável, com poucas chances de o Brasil receber tratamento diferente do aplicado aos demais países envolvidos na investigação.

Questão comercial também ganha dimensão política

O cenário das negociações também envolve aspectos políticos. De acordo com fontes do governo, não há expectativa de avanço nas conversas com os Estados Unidos antes das eleições de outubro. Assim, qualquer eventual revisão das tarifas ou retomada das negociações dependeria do período pós-eleitoral.

Integrantes do governo avaliam que as medidas adotadas pelos Estados Unidos têm impacto sobre o ambiente político brasileiro. Nesse contexto, aliados da esquerda passaram a relacionar o tarifaço ao senador Flávio Bolsonaro (PL), utilizando o termo “tariflávio” como parte do discurso político. A defesa da soberania nacional também deve voltar a ocupar espaço na estratégia de comunicação do governo diante da disputa eleitoral.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Remessa Online

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