Comércio Exterior

Balança comercial: governo reduz previsão de superávit do Brasil em 2026 para US$ 84,4 bilhões

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) revisou para baixo a estimativa para o desempenho da balança comercial brasileira em 2026. A projeção atual aponta para um superávit de US$ 84,4 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 420,3 bilhões.

Em julho, a expectativa do governo era de um saldo positivo de US$ 90 bilhões. Mesmo com a redução, o resultado projetado ainda representa uma alta de aproximadamente 24% em relação ao superávit registrado em 2025, de US$ 68,1 bilhões.

Queda do petróleo reduz projeção para o comércio exterior

A revisão está relacionada principalmente ao comportamento dos preços do petróleo. O barril chegou a disparar para US$ 138 em abril, após a entrada dos Estados Unidos em conflito com o Irã, mas perdeu valor posteriormente.

A oscilação da commodity afeta tanto as exportações quanto as importações brasileiras. O país está entre os grandes vendedores de petróleo bruto, mas também depende da compra de derivados no mercado internacional.

Com isso, a estimativa para as exportações brasileiras em 2026 caiu de US$ 394,4 bilhões para US$ 382,5 bilhões. Apesar do corte, o valor projetado ainda representa crescimento de 9,8% sobre o resultado de 2025.

Para as importações, a previsão passou de US$ 304,4 bilhões para US$ 298,1 bilhões, alta de 6,4% em relação ao ano anterior.

Na comparação entre as duas revisões, a expectativa de vendas externas perdeu US$ 11,9 bilhões, enquanto a previsão para as compras externas foi reduzida em US$ 6,3 bilhões. A diferença explica a redução da estimativa para o saldo comercial.

Governo já revisou previsão duas vezes em 2026

Esta é a segunda alteração feita pelo Mdic na estimativa para o ano. A projeção inicial apontava para um superávit de US$ 72,1 bilhões, número que subiu para US$ 90 bilhões em julho.

Para alcançar o novo resultado de US$ 84,4 bilhões, o Brasil precisará registrar um saldo positivo próximo de US$ 22 bilhões entre outubro e dezembro, segundo cálculos baseados nos dados divulgados pelo ministério.

O montante é praticamente igual ao registrado no último trimestre de 2025, quando o superávit comercial chegou a US$ 21,8 bilhões.

Superávit de setembro cresce 146,4%

O desempenho mais recente da balança comercial também contribuiu para o cenário positivo. Em setembro, o Brasil registrou superávit de US$ 7,74 bilhões, avanço de 146,4% sobre os US$ 3,14 bilhões contabilizados no mesmo mês de 2025.

Foi o melhor resultado mensal desde junho, quando o saldo positivo alcançou US$ 9 bilhões.

As exportações brasileiras somaram US$ 34,42 bilhões em setembro, crescimento de 12,9% na comparação anual. Já as importações recuaram 2,4%, para US$ 26,68 bilhões.

Com isso, a corrente de comércio — resultado da soma das exportações e importações — alcançou US$ 61,1 bilhões, alta de 5,6%.

Petróleo impulsiona exportações

O avanço das vendas externas em setembro ocorreu principalmente devido à valorização dos produtos exportados. Em média, os preços aumentaram 9,9%, enquanto o volume embarcado cresceu 2,3%.

O mês teve 21 dias úteis, um a menos que setembro de 2025. Considerando a média diária, as exportações apresentaram crescimento de 18,3%.

O petróleo bruto foi um dos principais responsáveis pelo desempenho das vendas externas.

Europa amplia compras de produtos brasileiros

Entre os principais destinos das exportações, a Europa registrou o maior crescimento. As vendas brasileiras para o continente avançaram 51,9% em setembro, chegando a US$ 8,3 bilhões.

As exportações de petróleo bruto para a região tiveram alta ainda mais expressiva, de 143,8%.

Para os Estados Unidos, as vendas cresceram 31,9% no mês, alcançando US$ 3,5 bilhões. Apesar do avanço registrado em setembro, o acumulado do ano ainda apresenta queda de 6,5% nas exportações brasileiras para o mercado americano.

Já as vendas para a China recuaram 7,6% em setembro, para US$ 7,9 bilhões. Na Argentina, a retração foi de 25,2%.

FONTE: O Globo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Dado Galdieri/Bloomberg

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Comércio Exterior

Balança comercial brasileira tem superávit de US$ 7,7 bilhões em setembro

A balança comercial brasileira encerrou setembro com superávit de US$ 7,7 bilhões, resultado de US$ 34,4 bilhões em exportações e US$ 26,7 bilhões em importações. O saldo representa uma alta de 146,4% em relação ao mesmo mês de 2025, quando o resultado positivo foi de US$ 3,1 bilhões. Os dados foram divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) nesta terça-feira (6).

No acumulado de janeiro a setembro de 2026, o Brasil registra superávit comercial de US$ 62,3 bilhões. Na comparação com agosto, o saldo de setembro apresentou crescimento de aproximadamente 5,5%.

O desempenho das exportações foi positivo nos três principais setores da economia. A agropecuária registrou crescimento de US$ 320 milhões, equivalente a 4,8%. Na indústria de transformação, o avanço foi de US$ 890 milhões, ou 5,3%.

Já a indústria extrativa apresentou o maior crescimento, com aumento de US$ 2,69 bilhões, uma alta de 39,8% na comparação com setembro do ano anterior.

Na agropecuária, entre os produtos que contribuíram para o resultado estão a soja, cujas exportações cresceram 11,9%, e o café não torrado, com avanço de 8,7%.

Na indústria de transformação, os destaques foram os óleos combustíveis de petróleo, que tiveram alta de 39,1%, e os farelos de soja e outros alimentos destinados à alimentação animal, com crescimento de 47,7%.

Considerando os nove primeiros meses de 2026, todos os grandes setores apresentaram aumento no valor exportado em relação ao mesmo período do ano passado. A agropecuária cresceu 8,9%, a indústria extrativa avançou 21,2% e a indústria de transformação teve alta de 6,3%.

Do lado das importações, os resultados foram diferentes entre os segmentos da economia. A indústria de transformação registrou queda de 3,2%, enquanto as compras externas da agropecuária cresceram 9,3% e as da indústria extrativa aumentaram 7,4%.

Apesar dos avanços registrados em dois setores, o resultado geral das importações foi influenciado principalmente pela forte redução nas compras de determinados produtos.

Entre os principais recuos estão as aquisições de plataformas, embarcações e estruturas flutuantes, que caíram 98%, e de motores e máquinas não elétricos, com redução de 79,1%.

No acumulado de janeiro a setembro, as importações da agropecuária recuaram 10,1%, enquanto as compras da indústria extrativa diminuíram 3,9%. Em sentido contrário, a indústria de transformação apresentou crescimento de 5,8%.

Com o resultado de setembro, a balança comercial do Brasil mantém trajetória positiva em 2026. O desempenho é sustentado pelo crescimento das exportações em diferentes setores, especialmente pela expansão da indústria extrativa e pelo avanço de produtos relevantes da pauta exportadora brasileira.

Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), com informações da CNN Brasil.

Texto: Redação

Imagem: Porto de Itajaí

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Comércio Exterior

Porto Cabello movimenta 10 navios simultaneamente em operação portuária na Venezuela

O Porto Cabello, na Venezuela, realizou uma operação simultânea envolvendo 10 navios, em uma jornada marcada pela movimentação de diferentes tipos de cargas.

Entre as embarcações atendidas estavam quatro navios porta-contêineres, um navio do tipo Ro-Ro, utilizado para o transporte de veículos, e uma embarcação destinada ao transporte de granéis líquidos.

Operação movimentou milhares de contêineres

Segundo o Ministério do Poder Popular para os Transportes da Venezuela, a operação contou com equipes especializadas e equipamentos voltados à movimentação de cargas.

Ao longo dos trabalhos, foram movimentados 3.833 contêineres, enquanto 101.844 toneladas de carga geral foram retiradas das embarcações.

A operação também incluiu a recepção de 135 veículos e o embarque de 5.040 toneladas de melaço destinado à exportação.

Porto reforça papel na cadeia logística

O governo venezuelano destacou que o volume de operações realizado simultaneamente reforça a importância de Porto Cabello para o comércio nacional e internacional.

A atuação integrada das equipes e o uso de equipamentos especializados foram apontados como fatores para garantir maior produtividade nas operações portuárias.

A empresa responsável pela administração dos principais portos venezuelanos também reafirmou o compromisso de manter operações com foco em agilidade, segurança e eficiência, buscando fortalecer a cadeia nacional de abastecimento.

O desempenho de Porto Cabello ocorre em um contexto de ampliação da movimentação portuária e reforça a importância do complexo marítimo para o fluxo de mercadorias da Venezuela.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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Comércio Exterior

Movimentação de cargas nos portos do Biobío cresce 6,4% em agosto de 2026

Os portos da Região do Biobío, no Chile, movimentaram 2.515.983 toneladas de cargas em agosto de 2026, um aumento de 6,4% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Os dados foram divulgados pelo Instituto Nacional de Estatísticas (INE).

Segundo o levantamento, o crescimento anual foi sustentado pelo desempenho positivo registrado nos diferentes serviços portuários da região.

Carga importada lidera avanço nos portos

A maior contribuição para o resultado veio da carga desembarcada do exterior, que totalizou 810.298 toneladas e cresceu 10,3% em 12 meses.

O desempenho foi impulsionado principalmente pela movimentação de granéis sólidos, que avançou 81,2%. O volume de contêineres aumentou 23,8%, enquanto o granéis líquido e gasoso registrou alta de 6,3%.

Já a carga embarcada para o exterior somou 1.150.070 toneladas. O segmento, que representou 45,7% de toda a movimentação regional, apresentou crescimento de 4%, com destaque para o aumento de 14,5% na carga transportada em contêineres.

Cabotagem e transbordo também avançam

O serviço de cabotagem movimentou 437.999 toneladas em agosto, alta de 3,3% na comparação anual. O resultado foi favorecido principalmente pelo crescimento de 32,8% na carga desembarcada.

As operações de reestiva e transbordo também apresentaram desempenho positivo. Foram movimentadas 72.373 toneladas, volume 26% superior ao registrado um ano antes.

Dentro desse segmento, a atividade de reestiva cresceu 21,3%, enquanto os transbordos tiveram forte expansão, de 372,5%.

O serviço de trânsito, por sua vez, movimentou 45.243 toneladas, aumento de 3,8% em 12 meses. O resultado foi influenciado pelo crescimento de 5,5% da carga desembarcada.

Contêineres chegam a 144 mil TEU

O relatório do INE aponta ainda um crescimento expressivo na movimentação de contêineres nos terminais portuários do Biobío.

Em agosto, foram movimentados 144.339 TEU, alta de 18,3% em relação ao mesmo período de 2025.

Os contêineres de 40 pés responderam pela maior parte do movimento, com 69.627 unidades, equivalentes a 93,2% do total. Essa categoria registrou crescimento de 19,4%.

Já os contêineres de 20 pés somaram 5.085 unidades, uma queda de 5,6% na comparação anual.

Transporte rodoviário registra queda

Apesar do avanço na movimentação portuária, o transporte de cargas pelas rodovias do Biobío apresentou retração no período.

As praças de pedágio da região registraram 489.431 passagens de veículos de carga em agosto de 2026. O número representa uma redução de 1,6% frente a agosto de 2025, ou 8.164 passagens a menos.

Os veículos pesados com três ou mais eixos, responsáveis por aproximadamente 78% do transporte pesado regional, contabilizaram 381.610 passagens, queda de 0,9%.

Entre os caminhões de dois eixos, foram registradas 107.821 passagens, uma retração de 4,2% em 12 meses.

Os dados mostram, assim, comportamentos distintos entre os modais: enquanto o transporte marítimo de cargas ganhou força nos portos do Biobío em agosto, o fluxo de veículos pesados nas rodovias da região apresentou redução.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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Portos

Porto Coronel aposta em captar até 50% das importações de alimentos que chegam por Valparaíso e San Antonio

O Porto Coronel, no Chile, avalia que a Região do Biobío tem potencial para assumir uma parcela significativa das importações de alimentos que atualmente entram no país pelos portos de Valparaíso e San Antonio. Segundo a projeção do terminal, até 50% desse fluxo poderia ser direcionado para a região.

A estratégia contempla principalmente produtos como bananas, carnes e alimentos refrigerados, que poderiam desembarcar diretamente nos terminais da região do Grande Concepción, reduzindo a necessidade de transporte rodoviário desde a zona central chilena.

Biobío busca ampliar participação na logística de importação

Para Javier Lobo, gerente comercial do Porto Coronel, o principal desafio é integrar os diferentes terminais da região para que o Biobío passe a competir como um sistema logístico unificado.

“Temos portos eficientes e capacidade para buscar cargas que hoje percorrem centenas de quilômetros da região central para o sul”, afirmou o executivo. Segundo ele, uma atuação coordenada poderia atrair novos volumes, estimular a atividade econômica, gerar empregos e contribuir para uma logística mais descentralizada no Chile.

Entre os mercados identificados está o de bananas, com aproximadamente 12 mil contêineres refrigerados entrando todos os anos pela Região de Valparaíso. O segmento de carnes refrigeradas representa um volume equivalente a cerca de metade desse mercado.

Considerando também outras cargas alimentícias, o Porto Coronel estima um potencial adicional de 5 mil a 6 mil contêineres reefer por ano. Atualmente, o terminal movimenta aproximadamente 23 mil contêineres refrigerados de exportação. O novo fluxo, portanto, representaria cerca de um quarto desse movimento atual.

Nova estrutura da SAG e Aduana amplia capacidade

Um dos elementos que pode viabilizar a expansão é o novo setor SAG/Aduana, construído pelo Porto Coronel com investimento próximo de US$ 1 milhão.

A estrutura está na etapa final antes de sua inauguração e permitirá ampliar o tipo de mercadoria atendida, realizar fiscalizações dentro do próprio terminal e fazer o transbordo direto de caminhões para contêineres.

A expectativa é reduzir deslocamentos, prazos e custos nas operações de comércio exterior. A infraestrutura também poderá abrir caminho, mediante avaliações futuras, para habilitações relacionadas ao USDA e ao Senasa.

Novos fluxos podem estimular serviços logísticos

Os efeitos de uma eventual transferência dessas importações para o Biobío podem ultrapassar os limites do porto. Com maior movimentação de cargas, a região poderia desenvolver novos armazéns, serviços de armazenagem refrigerada, transporte especializado e centros de distribuição próximos aos mercados consumidores.

Atualmente, o Porto Coronel gera mais de 2 mil empregos diretos e indiretos, dos quais 75% estão relacionados a moradores de Coronel e Lota. Para Lobo, a chegada de novos fluxos de carga também poderia fortalecer a cadeia produtiva ligada aos serviços logísticos.

Exportações também estão no plano de expansão

A estratégia do terminal não se limita às importações. O mercado de exportação também é considerado fundamental para ampliar e diversificar a matriz de cargas do Porto Coronel.

As regiões de Ñuble e Maule movimentam mais de 123 mil contêineres por ano, principalmente com vinhos, maçãs, cerejas, kiwis e outras frutas. Desse total, aproximadamente 70% seguem pelos portos de Valparaíso, enquanto cerca de 7% utilizam instalações portuárias do Biobío.

Para o Porto Coronel, ampliar sua participação nesse mercado pode contribuir para a sustentabilidade de longo prazo do terminal e manter na própria região uma parcela maior dos investimentos, da atividade logística e da geração de empregos.

Porto Coronel se destaca em ranking internacional

A eficiência operacional também aparece como um dos pontos fortes do terminal. O Porto Coronel ficou na 26ª posição do Container Port Performance Index (CPPI) 2025, ranking desenvolvido pelo Banco Mundial e pela S&P Global Market Intelligence.

A avaliação considera mais de 400 terminais de contêineres em todo o mundo e posicionou o Porto Coronel como o terminal chileno mais bem colocado na classificação, além de colocá-lo entre os portos de melhor desempenho da América Latina.

O resultado reforça a trajetória do terminal em eficiência operacional, continuidade dos serviços e capacidade de adaptação diante das exigências crescentes do setor portuário.

Infraestrutura é desafio para ampliar competitividade

O gerente-geral do Porto Coronel, Patricio Román Lois, considerou o reconhecimento uma sinalização importante para a competitividade logística do Biobío e do Chile.

Segundo o executivo, a região já dispõe de infraestrutura, capacidade operacional e mão de obra para ampliar sua participação no comércio exterior. O próximo passo seria avançar em infraestrutura logística, conectividade e integração entre os diferentes modais de transporte.

Román também destacou projetos de infraestrutura considerados estratégicos para a região, entre eles a concessão da Ruta Pie de Monte, que ligará San Pedro de la Paz a Coronel, a entrada definitiva em operação do Puente Industrial sobre o rio Biobío e os investimentos previstos para ampliar a capacidade ferroviária da região.

Para o executivo, esses projetos podem criar condições mais favoráveis para absorver o crescimento das exportações do centro-sul chileno e contribuir para uma rede logística mais equilibrada e competitiva em todo o país.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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Especialista

Como diagnosticar uma operação logística antes de propor uma solução

Em um mercado cada vez mais pressionado por custos, prazos e eficiência, encontrar soluções para os desafios logísticos exige mais do que identificar um problema aparente. É necessário compreender como a operação funciona, avaliar seus processos e considerar as pessoas envolvidas em cada etapa.

Ao longo de quase 30 anos no setor de transporte e logística, construí minha experiência passando por diferentes funções, desde ajudante de motorista até atividades ligadas à operação, gestão de frota, logística portuária, cabotagem, comercial e desenvolvimento de projetos.

Essa vivência me ensinou a importância de olhar para a operação de forma integrada. Antes de propor uma mudança, é preciso entender o cenário e identificar o que realmente precisa ser resolvido.

Uma dificuldade logística pode ter diferentes origens. Um atraso, por exemplo, não deve ser analisado de maneira isolada. É importante compreender o fluxo operacional, os processos envolvidos e os fatores que podem estar interferindo no resultado.

O mesmo vale para custos elevados, baixa produtividade ou problemas de comunicação entre equipes.

Por isso, o primeiro passo é conhecer a realidade da operação. Isso significa observar como as atividades são executadas, ouvir os profissionais envolvidos e entender as necessidades do cliente.

5 pontos que devem ser observados em um diagnóstico logístico

1. Entender o fluxo operacional

É fundamental conhecer as etapas da operação, desde a entrada do pedido no sistema até a entrega final. Compreender esse fluxo permite visualizar como as atividades se conectam e identificar pontos que merecem uma análise mais aprofundada.

2. Avaliar os custos

A gestão de custos precisa considerar mais do que os valores mais evidentes. É importante observar fatores relacionados à frota, manutenção, produtividade e execução dos processos, buscando compreender onde estão as oportunidades de melhoria.

3. Analisar a gestão de frota

A frota precisa ser avaliada considerando sua utilização, manutenção, disponibilidade e relação com as necessidades da operação. Uma análise integrada ajuda a compreender como as decisões relacionadas aos veículos e às equipes podem afetar o desempenho logístico.

4. Considerar as pessoas e a comunicação

Os profissionais que participam da operação conhecem dificuldades e particularidades do trabalho diário. Ouvir essas pessoas e compreender a comunicação entre as equipes é parte importante da análise, especialmente quando existem conflitos ou dificuldades de execução.

5. Compreender a necessidade do cliente

Uma solução logística precisa estar alinhada à necessidade de quem contrata o serviço. Isso exige compreender as características da demanda, as condições operacionais e os objetivos envolvidos, evitando propostas que não correspondam à realidade do cliente.

O problema nem sempre está onde parece

Uma das dificuldades na gestão logística é tratar apenas o sintoma de um problema, sem compreender sua origem. Quando uma operação apresenta resultados abaixo do esperado, a resposta não deve ser necessariamente uma mudança imediata. Antes, é preciso investigar os fatores envolvidos e entender como eles se relacionam. Essa análise ajuda a direcionar as decisões e a construir soluções mais coerentes com as necessidades identificadas.

Conhecer a logística na prática permite compreender melhor os desafios enfrentados por motoristas, equipes operacionais, gestores e clientes. Essa visão contribui para aproximar o planejamento da realidade do transporte e permite avaliar as decisões considerando diferentes etapas da cadeia logística.

Na minha atuação com comercial, gestão de projetos e frota, procuro justamente conectar essas perspectivas para compreender os desafios e identificar possibilidades de solução.

Diagnosticar antes de agir

Uma operação logística reúne processos, pessoas, recursos e decisões que precisam funcionar de maneira integrada. Por isso, antes de propor uma solução, considero essencial compreender o cenário, avaliar os custos, ouvir os envolvidos e identificar a origem das dificuldades.

Afinal, uma solução logística começa pelo entendimento correto do problema.

É essa combinação entre experiência prática, visão operacional e compreensão das necessidades do cliente que procuro levar ao meu trabalho.

Imagem: Ilustrativa / Feita com IA

Fábio Lins é profissional do setor de transporte e logística, com 30 anos de experiência e uma trajetória construída da operação à gestão. Formado em Gestão Comercial, atualmente, integra a Sigatrans Logística, aliando conhecimento prático, experiência em gestão e visão estratégica para o desenvolvimento de soluções logísticas eficientes.

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Eventos

DF Group inaugura nova sede em Itajaí e marca nova fase de sua trajetória

Encontro reuniu clientes, parceiros e amigos no dia 1º de outubro e celebrou o crescimento do grupo, que nasceu em uma pequena sala e hoje reúne diferentes soluções para logística e comércio exterior


A noite de 1º de outubro marcou um novo capítulo na história da DF Group. Em Itajaí, no Litoral Norte de Santa Catarina, clientes, parceiros, amigos e integrantes da equipe se reuniram para celebrar a inauguração da nova sede do grupo, em um momento que simboliza não apenas a expansão da estrutura física, mas também uma nova fase de crescimento e consolidação da empresa.

Com 115 metros quadrados, o novo escritório foi projetado para acompanhar o crescimento da operação e oferecer uma estrutura mais adequada para receber equipe, clientes e parceiros.

Mais do que uma nova sede, a inauguração representa a evolução de um projeto que começou há mais de uma década, em uma sala de menos de 9 metros quadrados, a partir da iniciativa de Tarcísio Olivier Defanti. Ao longo dos anos, seus irmãos se juntaram ao projeto e a empresa ampliou gradualmente sua atuação, dando origem a diferentes negócios e soluções dentro da cadeia logística.

Hoje, Tarcísio Olivier Defanti, Luiz Eduardo Defanti e Daniel Malta integram a sociedade e a diretoria da DF Group, que reúne diferentes frentes de atuação voltadas à logística e ao comércio exterior. “Durante muitos anos, a DF teve uma atuação mais concentrada no agronegócio. Até que, em 2023, enfrentamos um cenário de colapso logístico que nos levou a redirecionar o nosso leme. Foi a partir desse momento que surgiu a ideia de criar um ecossistema, buscando gerar mais eficiência e eficácia para as operações. Essa é uma nova fase também pelos desafios de estarmos em Itajaí, onde está concentrada uma grande parte dos agentes de carga do Brasil. Queremos oferecer algo diferenciado ao mercado, com suporte em todas as etapas do processo e uma solução cada vez mais completa para os nossos clientes,” destaca Tarcísio.

Um ecossistema de soluções

A expansão da DF Group também foi acompanhada pela diversificação de suas operações. Atualmente, o grupo reúne empresas com atuações complementares, como a DF Soluções Logísticas, voltada à gestão integrada da cadeia; a DF Cargo, especializada em frete internacional; e a TEXVIA, com foco em inteligência e gestão do transporte rodoviário.

Essa estrutura deu forma ao conceito de “One Stop Shop Logistics Solutions”, que busca reunir diferentes serviços e competências em uma mesma plataforma, facilitando a gestão das operações e ampliando o suporte oferecido aos clientes.

“Estamos procurando oferecer tudo aquilo que sentimos que o mercado precisa. Muito mais do que transportar cargas, queremos oferecer consultoria e atender toda a cadeia logística, entregando um suporte completo aos nossos clientes. É um desafio muito grande, mas também uma oportunidade de fazer diferente”, explica o diretor Daniel Malta.

Na prática, a proposta envolve acompanhar diferentes momentos da operação, desde a preparação da carga até sua chegada ao destino. Entre os serviços estão transporte rodoviário e multimodal, despacho aduaneiro, armazenagem, frete internacional, operações portuárias para cargas especiais, cross docking, estruturas de Redex/Clia, gerenciamento operacional e consultoria em comércio exterior.

“Queremos nos especializar cada vez mais nisso. Atuamos desde o fechamento do booking, passando pela coleta e pelo transporte, até a entrega no destino final. Ou seja, acompanhamos toda a cadeia logística, desde a preparação da carga até a chegada ao destino”, reforça Luiz Eduardo Defanti.

Crescer sem perder a proximidade

A expansão da DF Group acontece em um mercado em que logística e comércio exterior exigem cada vez mais integração entre diferentes etapas da operação. Nesse cenário, o grupo aposta na combinação entre estrutura, conhecimento de mercado e proximidade com os clientes.

A nova sede em Itajaí representa não apenas a expansão da estrutura da DF Group, mas também um passo importante na trajetória construída pelo grupo ao longo dos anos. Essa história também é compartilhada por quem acompanha de perto o crescimento da empresa. É o caso de Suelen Veiga Pereira, analista de exportação que atua em Paranaguá e integra a equipe desde 2019, sendo a funcionária mais antiga da DF Group.

Para ela, permanecer na empresa ao longo desses anos está diretamente ligado ao ambiente de trabalho e às oportunidades de crescimento. “É uma empresa em que você se sente abraçada e incentivada a crescer junto. Acredito que isso também explica o fato de eu estar há tanto tempo aqui. A DF já é um sucesso, e a inauguração deste novo escritório é mais uma prova de tudo o que construímos até agora,” comemora.

A inauguração reuniu pessoas que fizeram e continuam fazendo parte dessa trajetória. Entre conversas, reencontros e novos projetos, o evento celebrou uma história construída ao longo de mais de dez anos e abriu espaço para uma nova etapa.

Da pequena sala que deu origem ao negócio à estrutura atual, a DF Group chega a esse novo momento mantendo como parte de sua identidade a busca por soluções integradas e pelo relacionamento próximo com quem participa de sua história.

A nova sede simboliza esse movimento: olhar para o que foi construído até aqui, sem perder de vista os próximos passos.

VEJA AS FOTOS AQUI: https://flic.kr/s/aHBqjD6UPX

Texto: ReConecta News

Imagens: ReConecta News / Giovana Santos

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Importação

Governo Regulamenta Cotas de Importação do Acordo Mercosul–EFTA

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), por meio da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), publicou uma portaria no Diário Oficial da União para disciplinar as regras de alocação de cotas de importação previstas no Acordo Mercosul–EFTA. A medida regulamenta o Decreto nº 13.126 e estabelece os procedimentos para que empresas nacionais possam usufruir das preferências tarifárias negociadas com o bloco europeu.

Cronograma de Vigência e Países Envolvidos

O tratado de livre comércio passa a vigorar de forma gradual entre os signatários. O intercâmbio comercial com a Islândia foi o primeiro a ser ativado, seguido pela Noruega no mês de novembro. As nações restantes que compõem a Associação Europeia de Livre Comércio — Suíça e Liechtenstein — ainda concluem trâmites jurídicos internos para oficializar a vigência do instrumento.

Nesta fase inicial, a regulamentação abrange exclusivamente as cotas de importação, contemplando um grupo restrito de mercadorias:

  • Vinhos e derivados
  • Queijos e produtos lácteos selecionados
  • Fórmulas infantis
  • Chocolates

Procedimentos e Operacionalização via Siscomex

Para acessar os benefícios tarifários dentro dos limites de volume fixados pelo acordo, os importadores devem solicitar uma licença específica diretamente pelo Portal Único Siscomex. Após a emissão eletrônica pela Secex, o documento precisa ser vinculado à Declaração Única de Importação (Duimp) em até 60 dias, observando os tetos máximos por operador.

Caso o volume da cota se esgote, as operações subsequentes passam a ser tributadas pelas alíquotas extracota normais. Itens livres de cotas seguem as regras gerais de origem previstas no tratado.

Abertura de Mercado e Perspectivas para o Comércio Exterior

As cotas representam uma fração de um compromisso muito mais abrangente. A EFTA eliminará integralmente as tarifas de importação para os setores industrial e pesqueiro logo na entrada em vigor. No total, quase 99% da pauta exportadora brasileira terá acesso facilitado aos mercados europeus, enquanto o Brasil liberalizará cerca de 97% das importações vindas do bloco em diferentes cronogramas de desgravação.

Empresas e operadores interessados em detalhar cronogramas de redução de tarifas, regras de origem e demais exigências regulatórias podem consultar o Painel de Dados oficial e os manuais de suporte disponíveis no portal de comércio exterior.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/MDIC

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Comércio Exterior, Transporte

Frete marítimo sobe quase 300% e muda rotas de cargas no Brasil

O aumento do frete marítimo internacional já começa a alterar a dinâmica das cargas brasileiras. Nos últimos meses, empresas passaram a buscar alternativas entre diferentes portos para reduzir os impactos da alta dos custos, enquanto operadores portuários relatam atrasos, mudanças nas escalas e menor previsibilidade na chegada dos navios.

No transporte de contêineres, os valores do frete internacional chegaram a registrar uma alta próxima de 300% nos últimos cinco meses. O cenário é influenciado por uma combinação de fatores, entre eles as tensões geopolíticas, a elevação do preço do combustível utilizado pelas embarcações e mudanças nas rotas marítimas globais.

Cargas são deslocadas entre portos

Segundo Jesualdo Silva, presidente da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP), empresas de diferentes setores já estão reorganizando suas operações para minimizar os efeitos do aumento do frete.

Uma das consequências é o deslocamento de cargas entre portos brasileiros, estratégia adotada por empresas que buscam alternativas diante da elevação dos custos logísticos. Parte do mercado, no entanto, tem optado por absorver o aumento das despesas.

Além do impacto financeiro, os operadores apontam uma redução na regularidade das escalas. Atrasos e alterações nas rotas podem provocar períodos de concentração de navios em determinados portos, seguidos por momentos de menor movimentação.

A valorização do petróleo elevou o preço do bunker, combustível utilizado pelos navios, tornando-se um dos principais componentes da pressão sobre o frete marítimo. Ao mesmo tempo, os conflitos e tensões geopolíticas têm levado empresas de navegação a modificar trajetos internacionais. Rotas mais longas aumentam o tempo de viagem e podem exigir mudanças no ritmo das operações. De acordo com a ABTP, mais de 700 linhas marítimas foram afetadas pelo cenário atual.

Para Jesualdo Silva, o resultado é uma perda de confiabilidade nas escalas portuárias. Quando os atrasos se acumulam, navios que deveriam chegar em intervalos regulares podem acabar chegando praticamente ao mesmo tempo. O efeito é uma combinação de períodos de ociosidade com filas de embarcações aguardando espaço para atracação. Os impactos passaram a ser percebidos com maior intensidade nos últimos quatro meses.

Frete rodoviário também influencia mudança de cargas

A pressão sobre a logística brasileira não está restrita ao transporte marítimo. O aumento do frete rodoviário também contribuiu para a reorganização dos fluxos de cargas, favorecendo o deslocamento de parte das operações para o Arco Norte. A movimentação demonstra como a combinação dos custos dos diferentes modais pode influenciar decisões sobre rotas, portos de embarque e desembarque e estratégias de distribuição.

Na avaliação de Caio Morel, diretor-executivo da Associação Brasileira dos Terminais de Contêineres (Abratec), o atual cenário reforça a importância de ampliar a capacidade da infraestrutura logística brasileira.

Entre as necessidades apontadas estão investimentos em terminais, equipamentos e acessos aquaviários e terrestres, considerados fundamentais para acompanhar as mudanças no comércio exterior e dar maior eficiência à movimentação de cargas.

Apesar da forte alta do frete marítimo, a movimentação nos terminais associados à Abratec ainda não apresenta retração. No acumulado de 2026, o volume de contêineres movimentados registra crescimento de aproximadamente 5% em comparação com o mesmo período de 2025.

O dado indica que, até o momento, a elevação dos custos logísticos não impediu o avanço da movimentação de contêineres no país, embora tenha aumentado a pressão sobre empresas e operadores de toda a cadeia de comércio exterior.

Fonte: CNN.

Texto: Redação

Imagem: CNN / Reuters / Athit Perawongmetha

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Logística

Maersk destaca resiliência como novo fator de eficiência logística

Eventos climáticos extremos, conflitos geopolíticos, mudanças nas rotas comerciais e limitações de infraestrutura estão transformando a forma como empresas avaliam a eficiência logística. Para Ricardo Rocha, presidente da Maersk para a Costa Leste da América do Sul, rapidez no transporte continua sendo importante, mas já não é suficiente diante das frequentes interrupções nas cadeias de abastecimento.

Em entrevista à Agência Transporte Moderno durante o ABX 2026, o executivo afirmou que as empresas precisam combinar velocidade, tecnologia, alternativas operacionais e capacidade de resposta para manter o fluxo de mercadorias mesmo quando uma etapa da cadeia é afetada.

Tarifas dos EUA alteram fluxo de cargas entre Brasil e América do Norte

Entre os impactos recentes sobre as operações da companhia estão as novas tarifas adotadas pelos Estados Unidos para produtos brasileiros.

Segundo Rocha, o volume de cargas transportadas entre a América do Norte e o Brasil caiu quase 30% no ano passado. A redução modificou a dinâmica dos serviços e trouxe desafios adicionais para a formação dos preços no transporte internacional de cargas.

O executivo ponderou que não é possível atribuir diretamente às tarifas um percentual específico de aumento nos custos logísticos da indústria automotiva. A Maersk atende diferentes setores e os efeitos da redução dos volumes são distribuídos entre as cadeias atendidas pela companhia.

O setor automotivo, porém, representa uma parcela importante da operação. De acordo com Rocha, a empresa responde por aproximadamente 30% da movimentação de importação e exportação, em contêineres, de peças e componentes relacionados à indústria automobilística.

Menor volume pode elevar custos da operação

A queda na demanda também afeta a utilização da capacidade disponível. Com menos cargas, as empresas podem precisar reorganizar embarcações, equipamentos e serviços, fazendo com que os efeitos das mudanças comerciais ultrapassem o impacto direto das tarifas.

Alterações nos volumes podem modificar a programação dos navios, a utilização de equipamentos e a estrutura de preços. Como consequência, os reflexos chegam a diferentes pontos das cadeias de abastecimento.

Nesse cenário, a definição de eficiência logística também passa por mudanças. Para Rocha, transportar uma carga rapidamente entre dois pontos continua sendo uma prioridade, mas é necessário ter capacidade para mudar rotas, acionar parceiros ou utilizar alternativas quando uma determinada estrutura deixa de funcionar.

Resiliência ganha espaço na estratégia logística

A Maersk considera a resiliência logística um componente cada vez mais importante da operação.

A experiência dos últimos anos reforçou essa necessidade. A pandemia de Covid-19 provocou fortes interrupções no comércio mundial e evidenciou a dependência das economias em relação ao transporte marítimo.

Segundo Rocha, cerca de 90% do comércio mundial é movimentado por via marítima. Outros episódios também expuseram a vulnerabilidade das cadeias globais, como o bloqueio do Canal de Suez, a redução do tráfego no Canal do Panamá provocada pela seca e os conflitos no Oriente Médio.

Esses acontecimentos podem alterar não apenas os tempos de trânsito, mas também a disponibilidade de navios e equipamentos, os custos e a programação das empresas.

Para a companhia, manter alternativas operacionais é fundamental para responder a interrupções que podem atingir grandes corredores internacionais ou estruturas locais de infraestrutura.

Seca na Amazônia impõe desafios ao abastecimento de Manaus

No Brasil, a região amazônica é um exemplo dos efeitos provocados pela combinação entre eventos climáticos e restrições de infraestrutura.

A estiagem e a redução do nível dos rios dificultam o abastecimento da indústria de Manaus, que depende fortemente do transporte fluvial. Com menor profundidade, os navios enfrentam restrições de calado e precisam adaptar suas operações.

Uma das alternativas adotadas pela Maersk foi deslocar, em parceria com outra empresa, a estrutura de atendimento do píer de Manaus para uma área localizada no meio do rio Amazonas. A medida permitiu a chegada dos navios mesmo diante das limitações de profundidade.

A solução, contudo, não elimina todos os impactos da seca. As embarcações podem chegar ao novo ponto de operação, mas não conseguem manter a mesma velocidade de carregamento e descarregamento registrada em condições normais.

Com isso, aumenta o tempo necessário para movimentar as mercadorias e, consequentemente, o custo logístico.

Empresa mantém diálogo com autoridades

Para enfrentar as limitações de navegação na região amazônica, a Maersk afirma manter diálogo com autoridades do Amazonas e do governo federal.

A empresa busca apresentar os impactos das condições de navegação sobre as cadeias de abastecimento e discutir os possíveis efeitos no curto, médio e longo prazo.

A companhia também trabalha na orientação dos clientes sobre como alterações nas condições de transporte podem interferir em suas operações.

Segundo Rocha, a construção de alternativas depende tanto de medidas internas quanto da cooperação com parceiros e autoridades. Em Manaus, o desafio é encontrar formas de manter o abastecimento industrial durante períodos de níveis mais baixos dos rios, ainda que algumas soluções impliquem custos adicionais e menor produtividade.

Infraestrutura precisa acompanhar crescimento da demanda

A necessidade de alternativas operacionais também está relacionada aos desafios estruturais da infraestrutura logística brasileira.

Rocha defende investimentos capazes de acompanhar o crescimento da movimentação de cargas, mas destaca a importância de regras claras e de condições previsíveis para o setor.

Na avaliação do executivo, a previsibilidade é necessária para que empresas possam planejar investimentos de longo prazo e para que os usuários tenham acesso a operações mais competitivas.

A transformação dos fluxos do comércio internacional aumenta a necessidade de ampliar a capacidade brasileira de movimentação de cargas. Parte da infraestrutura portuária do país, segundo Rocha, ainda utiliza equipamentos e instalações antigos em comparação com estruturas de mercados mais desenvolvidos.

A defasagem pode limitar a capacidade operacional e elevar custos, além de aumentar a exposição das cadeias de abastecimento a gargalos.

Maersk mantém investimentos no Brasil

Presente no Brasil há 50 anos, a Maersk continua realizando investimentos no país, segundo Rocha.

A empresa emprega mais de 3 mil pessoas e mantém operações em diferentes regiões brasileiras. O executivo cita aproximadamente R$ 2 bilhões em investimentos, incluindo projetos relacionados à eletrificação.

Os aportes ocorrem em um momento de transformação do setor de transporte, que busca ampliar a capacidade, reduzir custos, aumentar a eficiência e avançar na transição energética.

Nesse processo, a empresa também considera importante contar com maior previsibilidade regulatória para estruturar investimentos de longo prazo.

Tecnologia passa a apoiar decisões diante de rupturas

Além da infraestrutura física, a estratégia da Maersk envolve a utilização de tecnologia na logística.

A companhia procura integrar navios, equipamentos e demais ativos a sistemas tecnológicos e à atuação de parceiros. A proposta é criar alternativas quando uma rota é interrompida, um terminal sofre restrições ou um evento climático reduz a capacidade de determinada operação.

Nesse modelo, a tecnologia não serve apenas para acelerar processos ou acompanhar cargas. Ela também passa a contribuir para a tomada de decisões diante de situações de ruptura.

Para a Maersk, a eficiência logística passa, portanto, pela capacidade de manter o fluxo de mercadorias mesmo diante de imprevistos. A combinação entre rapidez, tecnologia, infraestrutura, parceiros e alternativas operacionais ganha espaço como estratégia para aumentar a resiliência das cadeias de abastecimento.

FONTE: Transporte Moderno
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/Linkedin

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