Portos

Porto da Imetame firma parceria com gigante holandesa para operar terminal de contêineres em Aracruz

O Porto da Imetame deu um passo estratégico rumo ao início das operações de contêineres em Aracruz, no Norte do Espírito Santo. O grupo capixaba firmou um acordo com a holandesa Hanseatic Global Terminals (HGT), que prevê a aquisição de 50% das ações da Imetame Logística Porto (ILP). A parceria estabelece uma joint venture voltada exclusivamente à operação de terminal de contêineres.

Pelo acordo, as duas empresas serão responsáveis pelo desenvolvimento e pela operação do futuro terminal “Hanseatic Global Terminals Aracruz”, concebido como uma moderna estrutura portuária para transbordo e importação e exportação de cargas.

Terminal terá capacidade para 1,2 milhão de TEUs por ano

A previsão é que o terminal de contêineres de Aracruz entre em operação até meados de 2028. Em sua fase plena, a estrutura deverá alcançar uma capacidade anual aproximada de 1,2 milhão de TEUs, unidade equivalente a um contêiner de 20 pés.

O projeto inclui 750 metros de cais, equipamentos de movimentação de contêineres de última geração e profundidade operacional inicial de 17 metros, permitindo a atracação de navios de grande porte. Os valores envolvidos na transação não foram divulgados, conforme informado em comunicado oficial.

Hanseatic Global Terminals reforça presença no Brasil

A Hanseatic Global Terminals é subsidiária integral da Hapag-Lloyd, uma das maiores companhias de transporte marítimo de contêineres do mundo, com sede em Hamburgo, na Alemanha. A empresa opera uma frota de cerca de 255 navios, com capacidade total aproximada de 1,8 milhão de TEUs, atendendo rotas na América Latina, Oriente Médio, além dos corredores transatlântico e transpacífico.

Porto capixaba integra estratégia global da HGT

Para a HGT, o investimento no porto de Aracruz faz parte de uma estratégia mais ampla de expansão na América Latina. Segundo o CEO da empresa, Dheeraj Bhatia, a região é considerada prioritária dentro do plano global do grupo.

O executivo destaca que o novo hub na costa leste brasileira amplia o portfólio de terminais da companhia e ajuda a mitigar limitações de capacidade em um mercado em crescimento. O empreendimento também tende a beneficiar o Brasil ao oferecer uma alternativa logística mais próxima dos mercados consumidores e das principais rotas internacionais de navegação.

Grupo Imetame aposta em desenvolvimento regional

O presidente do Grupo Imetame, Etore Selvatici Cavallieri, ressaltou a importância da parceria com a HGT, destacando a experiência internacional da empresa holandesa na gestão de terminais de contêineres.

Além da eficiência operacional, o grupo capixaba afirma que o projeto tem compromisso com o desenvolvimento regional, incluindo a geração de empregos e o estímulo a negócios locais.

HGT planeja expandir para mais de 30 terminais até 2030

Atualmente, a Hanseatic Global Terminals administra participações em 21 terminais portuários e operações logísticas complementares em 11 países, distribuídos por cinco continentes. A meta é ampliar esse portfólio para mais de 30 terminais até 2030, com foco em regiões estratégicas como América Latina, Flórida (EUA), Índia e polos logísticos da Europa.

O fechamento da joint venture em Aracruz ainda depende da aprovação de autoridades regulatórias e do cumprimento de condições usuais para operações desse porte.

Porto da Imetame será polo logístico multimodal

Com 45 anos de atuação, o Grupo Imetame, sediado em Aracruz, reúne empresas nos setores de metalurgia, pedras ornamentais, energia, petróleo e gás, empregando mais de 5 mil pessoas. O porto é considerado um dos projetos mais relevantes da trajetória do grupo.

O empreendimento portuário ocupará uma área superior a 1 milhão de metros quadrados e foi projetado como um terminal privado multipropósito, apto a operar contêineres, carga geral, granéis sólidos, granéis líquidos e operações Ship to Ship. A expectativa é que o complexo se consolide como um dos principais polos logísticos do Brasil, fortalecendo a competitividade do comércio exterior brasileiro.

FONTE: Folha de Vitória
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Folha de Vitória

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Comércio Exterior

Importação nº 124/2025: Decex anuncia ajustes na validação da Duimp no drawback isenção

O Departamento de Operações de Comércio Exterior (Decex), vinculado à Secretaria de Comércio Exterior (Secex), comunicou que serão realizados ajustes sistêmicos no processo de importação. A atualização prevê que o campo “Descrição Complementar da Mercadoria”, preenchido na elaboração do item da Declaração Única de Importação (Duimp), passe a ser utilizado como principal parâmetro de validação em relação à descrição do item de insumo de reposição no ato concessório de drawback isenção.

Problemas enfrentados no modelo atual

Atualmente, para o uso da Duimp, é exigido que o conteúdo do campo “Denominação do Produto” seja replicado na lista de descrições do item de reposição do ato concessório de drawback isenção. Esse procedimento tem causado inconsistências, já que tanto a Declaração de Importação (DI) do insumo quanto a descrição registrada na Duimp acabam sendo validadas com base nesse campo.

Como resultado, surgem mensagens impeditivas que bloqueiam o registro da Duimp, decorrentes de exigências normativas que não consideram adequadamente a descrição complementar da mercadoria.

DI seguirá disponível durante a transição

Enquanto os aprimoramentos nos sistemas não forem concluídos, a Declaração de Importação (DI) continuará habilitada para operações de reposição de insumos dentro do regime tributário e do fundamento legal do Drawback Isenção. A medida garante a continuidade das operações de comércio exterior durante o período de adaptação.

Evolução dos sistemas do Novo Processo de Importação

O Decex reforça que a evolução dos sistemas é fundamental para corrigir falhas e ajustar situações não previstas, especialmente em fases de transição para o Novo Processo de Importação (NPI). Por esse motivo, o desligamento definitivo dos sistemas LI/DI não ocorrerá antes que todas as ocorrências registradas nos módulos do NPI sejam devidamente solucionadas.

FONTE: O Globo
TEXTO: Redação
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Comércio Exterior

Novo marco do Portal Único impulsiona a modernização do comércio exterior

Etapa da transição integra os controles do MAPA e amplia a padronização dos procedimentos administrativos.

Dezembro se consolidou como um mês de virada para o comércio exterior brasileiro. O Portal Único deu mais um passo relevante ao avançar na transição para um modelo mais simples, integrado e eficiente de controle das operações de importação e exportação no país.

Nessa etapa, foram migrados para o Portal Único, por meio da Declaração Única de Importação (Duimp), novos tipos de operações que antes eram realizados pelo antigo módulo de Licença de Importação e Declaração de Importação (LI/DI), instrumentos utilizados no modelo anterior, conforme o cronograma oficial divulgado no Siscomex, o Sistema Integrado de Comércio Exterior do governo federal.

Ao mesmo tempo, todos os modelos de LPCOs, que abrangem licenças, permissões, certificados e outros documentos exigidos pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), foram integrados ao Novo Portal Único. Com isso, o Tratamento Administrativo conduzido pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) passa a ser realizado de forma praticamente integral dentro da nova plataforma.

O vice-presidente da República e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, destacou que as iniciativas modernizam a forma como o Brasil importa e refletem o compromisso do governo federal com a execução do cronograma de transição para o novo modelo do comércio exterior, de forma segura, gradual e planejada.

“É mais um marco na transformação do comércio exterior brasileiro, com benefícios para o setor público, para as empresas e para a sociedade. O Portal Único se consolida como o guichê único do comércio exterior brasileiro, trazendo mais segurança e agilidade e menos burocracia para todos os operadores”, afirmou Alckmin.

Na prática, a mudança significa menos sistemas distintos, maior integração entre os órgãos públicos e regras mais padronizadas para quem opera no comércio exterior. A centralização das autorizações, a troca automática de informações e a uniformização dos procedimentos geram ganhos diretos de eficiência, reduzem incertezas e custos e tornam os processos mais previsíveis para empresas e operadores logísticos.

O avanço também melhora a comunicação entre os sistemas governamentais, diminui retrabalhos e contribui para um ambiente de negócios mais transparente, moderno e alinhado às boas práticas internacionais de facilitação do comércio.

A etapa, observadas as exceções estabelecidas, incluiu ainda o desligamento de operações específicas do modelo antigo. Entre elas estão aquelas relacionadas ao regime de Drawback Suspensão, que permite a suspensão de tributos para insumos usados na produção de bens exportados, quando realizadas no modal de transporte marítimo. Da mesma forma, as operações dos regimes Recof e Repetro, utilizados por setores industriais e de petróleo e gás, foram descontinuadas no modal de transporte aéreo. Também foram desativadas as operações sob controle do Decex que envolvem importação de material usado e exame de similaridade, tanto no transporte marítimo quanto no aéreo.

Maior integração

O Portal Único de Comércio Exterior é uma iniciativa do governo federal voltada à redução da burocracia, do tempo e dos custos nas exportações e importações brasileiras. Implementado de forma modular desde 2014, o sistema substitui gradualmente o antigo Siscomex, já processa 100 por cento das exportações e passa a contemplar também as importações.

A adoção da Duimp e de novas tecnologias desenvolvidas com o apoio do Serpro amplia a integração entre órgãos públicos e privados, permite o preenchimento único de informações, agiliza fiscalizações e pagamentos e reduz em até 99 por cento o uso de papel, tornando os processos mais rápidos, transparentes e previsíveis, com ganhos diretos de eficiência e competitividade para o comércio exterior brasileiro.

Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

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Portos

EUA avaliam sanções contra a Espanha por suposta restrição de acesso a portos

Os Estados Unidos avaliam a adoção de medidas de retaliação contra a Espanha após o avanço de uma investigação sobre supostas restrições de acesso a portos espanhóis. Um ano depois do início do processo, a Federal Maritime Commission (FMC) considera aplicar sanções que podem incluir multas milionárias, limitações de carga e até a proibição de entrada de navios com bandeira espanhola em portos norte-americanos.

Navios dos EUA estariam entre os afetados

De acordo com a FMC, a apuração envolve normas e práticas adotadas pelo governo espanhol que, direta ou indiretamente, estariam impedindo o acesso de determinadas embarcações aos seus portos. Entre os casos já identificados, estariam navios de bandeira dos Estados Unidos, inclusive embarcações operadas dentro do U.S. Maritime Security Program.

Em atualização divulgada recentemente, a Comissão informou que dados coletados junto a diversas fontes confirmam que ao menos três navios norte-americanos tiveram a entrada negada em portos da Espanha em novembro de 2024. Segundo o órgão, a política que motivou essas recusas continua em vigor.

Relação com cargas ligadas a Israel amplia debate

A investigação agora busca aprofundar informações sobre a política espanhola de recusar acesso portuário a navios que transportam cargas com destino ou origem em Israel. A FMC solicitou contribuições de armadores, embarcadores e demais partes interessadas, com o objetivo de avaliar tanto as ações de fiscalização adotadas pela Espanha quanto os impactos sobre o comércio exterior dos EUA.

Para a Comissão, os indícios reunidos até o momento sugerem que as leis ou regulações espanholas podem estar criando condições desfavoráveis ao transporte marítimo internacional, afetando diretamente a navegação ligada ao comércio externo norte-americano.

Multas e restrições estão entre as possíveis respostas

Com base nesse cenário, a FMC informou que estuda quais medidas corretivas seriam adequadas para neutralizar os efeitos dessas práticas. Entre as opções consideradas estão restrições ao transporte de cargas, a recusa de entrada de navios com bandeira da Espanha e a aplicação de multas que podem chegar a US$ 2,3 milhões por viagem, valor já ajustado pela inflação.

Apesar da gravidade do tema, o órgão reforçou que nenhuma decisão final foi tomada. Segundo a FMC, todas as ações futuras dependerão da análise detalhada das provas reunidas e seguirão estritamente o marco legal que rege a atuação da Comissão.

FONTE: Shipping Telegraph
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Shipping Telegraph

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Portos

Porto de Santos projeta novo recorde anual na movimentação de cargas

O Porto de Santos manteve, em novembro, a trajetória de crescimento registrada ao longo de 2025 e voltou a atingir marcas históricas na movimentação de cargas. No mês, foram movimentadas 16,13 milhões de toneladas, o maior volume já registrado para um novembro. No acumulado do ano, o total chegou a 171,62 milhões de toneladas, outro recorde para o período.

Com esse resultado, faltam apenas 7,4 milhões de toneladas para que o complexo portuário supere o recorde anual de 2024, quando foram movimentadas 179,8 milhões de toneladas. O desempenho reforça a expectativa de que o Porto alcance um novo marco histórico até o encerramento do ano.

Crescimento na movimentação de contêineres

A movimentação de contêineres também apresentou avanço significativo em 2025. Entre janeiro e novembro, o volume acumulado chegou a 5,4 milhões de TEUs, crescimento de 8% na comparação com o ano anterior e novo recorde histórico. O TEU é a unidade padrão equivalente a um contêiner de 20 pés.

Segundo o presidente da Autoridade Portuária de Santos, Anderson Pomini, os números confirmam a necessidade de investimentos estruturais. Ele destaca a ampliação da Poligonal do Porto de Santos, com formalização prevista para janeiro, além da continuidade das melhorias na infraestrutura de acesso, como o aprofundamento do canal e as obras das avenidas perimetrais.

Desempenho de novembro

Na comparação com novembro de 2024, o crescimento total da movimentação foi de 13,9%. Os embarques avançaram de 10,01 milhões para 11,57 milhões de toneladas, alta de 15,6%. Já os desembarques passaram de 4,10 milhões para 4,56 milhões de toneladas, crescimento de 11,1%.

Entre as cargas embarcadas, açúcar, milho e soja superaram 2 milhões de toneladas cada, liderando o desempenho mensal. Nos desembarques, o principal destaque foi o adubo, com volume acima de 1 milhão de toneladas.

No segmento de contêineres, novembro também entrou para a história como o melhor mês já registrado no Porto de Santos, com 489,15 mil TEUs, aumento de 5,3% em relação ao mesmo período de 2024.

Resultado acumulado em 2025

De janeiro a novembro, o Porto de Santos movimentou mais de 171,2 milhões de toneladas, o que representa crescimento de 2,7% em comparação com igual período do ano passado. Os embarques somaram 126,68 milhões de toneladas, alta de 3%, enquanto os desembarques alcançaram 44,95 milhões de toneladas, avanço de 1,8%.

No acumulado do ano, o desempenho dos contêineres consolidou o ritmo de expansão, com 5,4 milhões de TEUs movimentados e crescimento de 8%, reforçando a posição do Porto como o principal hub logístico do país.

Agronegócio impulsiona os resultados

O agronegócio seguiu como o principal motor da movimentação portuária em 2025. As cargas com maior participação no período foram soja em grãos, com 33,83 milhões de toneladas, açúcar, com 22,45 milhões de toneladas, e milho, com 12,65 milhões de toneladas.

Outro destaque foi a celulose, que registrou crescimento de 20,3% no ano, totalizando 8,9 milhões de toneladas movimentadas pelo Porto de Santos.

FONTE: Modais em Foco
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/APS

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Comércio Exterior

Recomendações práticas para empresas exportadoras na era das plataformas tecnológicas

A modernização do comércio exterior deixou de ser uma opção e passou a ser um fator decisivo para a competitividade das empresas brasileiras no mercado global. Automação, Inteligência Artificial, plataformas tecnológicas e integração de dados já fazem parte da rotina das exportações mais eficientes e seguras.

Para falar sobre esse novo cenário e trazer orientações práticas para empresas exportadoras, conversamos com Mariana Pires Tomelin, especialista em Comércio Exterior com mais de 15 anos de experiência, referência em internacionalização de indústrias e no uso estratégico de tecnologias aplicadas ao COMEX.

À frente da Exon Trade Business Intelligence, Mariana atua no desenvolvimento de soluções que unem conhecimento técnico, conformidade regulatória e inovação digital, auxiliando empresas a reduzirem riscos, aumentarem eficiência e conquistarem novos mercados globais.

Confira a entrevista completa:

1. Quais os primeiros passos para empresas que querem modernizar suas operações?
MARIANA: O ponto de partida é realizar um diagnóstico digital completo, avaliando fluxos operacionais, sistemas ERP, integração com o Portal Único e vulnerabilidades de compliance. Essa análise permite definir prioridades, reduzir redundâncias e adotar tecnologias compatíveis com o nível de maturidade da empresa. O processo deve ser conduzido com apoio técnico especializado para garantir alinhamento com a legislação vigente.

2. Que ferramentas são indispensáveis em 2025?
MARIANA: Ferramentas de gestão aduaneira integradas, sistemas de IA preditiva, plataformas de análise cambial e soluções de rastreabilidade de embarques são essenciais. Essas tecnologias permitem controle total do ciclo de exportação, desde a geração de documentos até o desembaraço, garantindo precisão fiscal e eficiência logística.

3. Como as plataformas tecnológicas estão mudando o perfil das exportações?
MARIANA: As plataformas SaaS democratizam o acesso ao comércio exterior, permitindo que pequenas e médias empresas realizem operações complexas com a mesma eficiência das grandes corporações. Elas automatizam o controle de regimes aduaneiros, otimizam o cálculo de tributos e facilitam a integração com transportadores, reduzindo custos e tempo de resposta.

4. O que diferencia quem tem sucesso nesse ambiente?
MARIANA: O diferencial está na capacidade de transformar dados em estratégia. Empresas que combinam tecnologia com orientação especializada conseguem reduzir erros operacionais, acessar novos mercados e aumentar margens de lucro. O domínio técnico e a experiência prática são indispensáveis para interpretar corretamente os resultados gerados por sistemas inteligentes.

5. Como a IA pode evitar erros e penalidades?
MARIANA: A IA atua de forma preventiva, identificando inconsistências fiscais, divergências de classificação NCM e erros de origem que poderiam gerar multas ou bloqueios alfandegários. Ela cruza dados históricos, fiscais e operacionais, emitindo alertas automáticos que permitem correção antes do embarque. Isso eleva o nível de conformidade e segurança jurídica da empresa.

6. Qual o papel da capacitação contínua?
MARIANA: A capacitação garante que o profissional compreenda tanto as ferramentas tecnológicas quanto o contexto regulatório em que elas operam. O aprendizado deve ser constante, incluindo cursos técnicos, certificações e atualizações sobre tratados internacionais. Profissionais capacitados são essenciais para sustentar a evolução tecnológica com base legal sólida.

7. Sua mensagem final aos exportadores brasileiros:
MARIANA: O futuro do comércio exterior depende da união entre conhecimento técnico, automação e adaptação contínua. Empresas que investem em consultoria qualificada e equipes atualizadas conseguem operar de forma mais ágil, reduzir riscos e posicionar-se com competitividade nos mercados globais em transformação.

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Agronegócio

Agronegócio brasileiro sustenta a balança comercial e responde pela maior parte do superávit

Os dados históricos deixam evidente o peso do agronegócio brasileiro na economia nacional. Entre 1997 e novembro de 2025, período considerado nas estatísticas disponíveis, apenas em 2005 e 2006 o superávit comercial total do país superou, de forma marginal, o saldo gerado pelo agro. Ainda assim, a diferença foi mínima e dentro de uma margem estatística pouco relevante.

Nos demais anos, o superávit do agronegócio foi amplamente superior ao resultado geral da balança comercial, exercendo papel decisivo para evitar déficits externos e garantindo fluxo de divisas ao país. Em 2024, esse protagonismo ficou ainda mais claro, quando o saldo do agro foi quase o dobro do superávit total brasileiro.

Exportações do agro seguem determinantes em 2025

Em 2025, a importância do setor se mantém em patamar elevado. Até novembro, as exportações do agronegócio representaram 48,85% do total exportado pelo Brasil, praticamente metade de tudo o que o país vendeu ao exterior.

O dado mais expressivo, porém, está no resultado da balança. O saldo comercial do agronegócio correspondeu a 136,36% do superávit geral, ou seja, mais do que o dobro do resultado total do país. Isso indica que outros segmentos da economia apresentaram déficits que foram compensados exclusivamente pelo desempenho do agro.

Impacto direto nas contas externas e na renda nacional

Os números mostram que, sem a contribuição do agronegócio, o Brasil enfrentaria dificuldades severas para honrar compromissos externos, importar insumos estratégicos e manter o equilíbrio das contas públicas. O efeito direto seria a redução da disponibilidade de recursos, com reflexos negativos sobre o crescimento econômico e o nível de renda da população.

Apesar desse papel central, o setor permanece no centro de debates e críticas dentro do próprio ambiente político nacional. O contraste entre a relevância econômica do agro brasileiro e o tratamento que recebe nas discussões públicas levanta questionamentos sobre os rumos futuros da economia sem sua principal âncora comercial.

BALANÇA COMERCIAL BRASIL: TOTAL E AGRONEGÓCIO (EXP. – IMP. – SALDO) (US$ BILHÕES)

1997:

TOTAL: EXP. 52,9 – IMP. 60,5 – SALDO -7,6 (AGRO: EXP. 23,4- IMP. 8,2 – SALDO 15,2)

1998

TOTAL: EXP. 51,1 – IMP. 58,7 – SALDO -7,6 (AGRO: EXP. 21,6 – IMP. 8,0 – SALDO 13,6)

1999

TOTAL: EXP. 47,9 – IMP. 50,2 – SALDO -2,3 (AGRO: EXP. 20,5 – IMP. 5,7 – SALDO 14,8)

2000

TOTAL: EXP. 55,0 – IMP. 57,0 – SALDO -2,0 (AGRO: EXP. 20,6 – IMP. 5,8 – SALDO 14,8)

2001

TOTAL: EXP. 58,0 – IMP. 56,6 – SALDO 1,4 (AGRO: EXP. 23,9 – IMP. 4,8 – SALDO 19,1)

2002

TOTAL: EXP. 60,2 – IMP. 48,3 – SALDO 11,9 (AGRO: EXP. 24,8 – IMP. 4,4 – SALDO 20,4)

2003

TOTAL: EXP. 72,8 – IMP. 49,3 – SALDO 23,5 (AGRO: EXP. 30,6 – IMP. 4,7 – SALDO 25,9)

2004

TOTAL: EXP. 95,1 – IMP. 63,8 – SALDO 31,3 (AGRO: EXP. 39,0 – IMP. 4,8- SALDO 34,2)

2005

TOTAL: EXP. 118,6 – IMP. 74,7 – SALDO 43,9 (AGRO: EXP. 43,6 – IMP. 5,1 – SALDO 38,5)

2006

TOTAL: EXP. 137,6 – IMP. 92,5 – SALDO 45,1 (AGRO: EXP. 49,5 – IMP. 6,7 – SALDO 42,8)

2007

TOTAL: EXP. 159,8 – IMP. 122,0 – SALDO 37,8 (AGRO: EXP. 58,4 – IMP. 8,7 – SALDO 49,7 )

2008

TOTAL: EXP. 195,8 – IMP. 174,7 – SALDO 21,1 (AGRO: EXP. 71,8 – IMP. 11,9 – SALDO 59,9)

2009

TOTAL: EXP. 151,8 – IMP. 129,4 – SALDO 22,4 (AGRO: EXP. 64,8 – IMP. 9,9 – SALDO 54,9)

2010

TOTAL: EXP. 200,4 – IMP. 183,3 – SALDO 17,1 (AGRO: EXP.76,4 – IMP.13,4 – SALDO 63,0)

2011

TOTAL: EXP. 253,7 – IMP. 228,0 – SALDO 25,7 (AGRO: EXP. 95,0 – IMP. 17,5 – SALDO 77,5)

2012

TOTAL: EXP. 240,0 – IMP. 225,2 – SALDO 14,8 (AGRO: EXP. 95,8 – IMP. 16,4 – SALDO 79,4)

2013

TOTAL: EXP. 232,5 – IMP. 241,5 – SALDO -9,0 (AGRO: EXP. 100,0 – IMP. 17,1 – SALDO 82,9)

2014

TOTAL: EXP. 220,9 – IMP. 230,8 – SALDO -9,9 (AGRO: EXP. 96,7 – IMP. 16,6 – SALDO 80,1)

2015

TOTAL: EXP. 186,8 – IMP. 173,1 – SALDO 13,7 (AGRO: EXP. 88,2 – IMP. 13,1 – SALDO 75,1)

2016

TOTAL: EXP. 179,5 – IMP. 139,3 – SALDO 40,4 (AGRO: EXP. 84,9 – IMP. 13,6 – SALDO 71,3)

2017

TOTAL: EXP. 215,0 – IMP. 159,0 – SALDO 56,0 (AGRO: EXP. 96,0 – IMP. 14,1 – SALDO 81,9)

2018

TOTAL: EXP. 231,9 – IMP. 185,3 – SALDO 46,6 (AGRO: EXP. 101,7 – IMP. 14,1 – SALDO 87,6)

2019

TOTAL: EXP. 221,1 – IMP. 185,9 – SALDO 35,2 (AGRO: EXP. 96,8 – IMP. 13,8 – SALDO 83,0)

2020

TOTAL: EXP. 209,2 – IMP. 158,8 – SALDO 50,4 (AGRO: EXP. 100,8 – IMP. 13,0 – SALDO 87,8)

2021

TOTAL: EXP. 280,6 – IMP. 219,4 – SALDO 61,2 (AGRO: EXP. 120,6 – IMP. 15,5 – SALDO 105,1)

2022

TOTAL: EXP. 334,5 – IMP. 272,7 – SALDO 61,8 (AGRO: EXP.159,1 – IMP. 17,2 – SALDO 141,9)

2023

TOTAL: EXP. 339,6 – IMP. 240,8 – SALDO 98,8 (AGRO: EXP. 166,5 – IMP. 16,6 – SALDO 149,9)

2024

TOTAL: EXP. 337,0 – IMP. 262,5 – SALDO 74,5 (AGRO: EXP. 164,4 – IMP. 19,3 – SALDO 145,1)

2025 (TOTAL até Novembro) (AGRO até Novembro)

TOTAL:EXP. 317,82-IMP. 259,98- SALDO 57,84 (AGRO: EXP.155,25 – IMP.18,54 – SALDO 136,71)

FONTE: Samir Keedi
TEXTO: Redação
IMAGEM: Freepik

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Comércio Exterior, Economia

Governo encerra o ano com cortes no imposto de importação e reforço à proteção da indústria brasileira.

O governo federal fechou o ano com um conjunto de medidas voltadas ao comércio exterior, combinando redução de tarifas, ampliação de incentivos e fortalecimento de instrumentos de defesa comercial. O objetivo é proteger a indústria brasileira, garantir o abastecimento de insumos estratégicos e enfrentar práticas consideradas desleais no mercado internacional.

As decisões foram tomadas durante a 232ª reunião ordinária do Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex), realizada em 18 de dezembro, e envolvem cortes no imposto de importação, ampliação de Ex-tarifários, aumento temporário de tarifas e avanços na aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica.

Redução do imposto de importação assegura insumos estratégicos

Um dos principais pontos do pacote foi a diminuição temporária do Imposto de Importação para matérias-primas essenciais, por meio da Lista de Exceções à Tarifa Externa Comum (Letec) e de mecanismos voltados ao combate ao desabastecimento.

A medida busca garantir previsibilidade a setores dependentes de insumos importados, reduzindo custos em momentos de escassez global. Segundo o governo, a iniciativa ajuda a evitar gargalos produtivos, preservar empregos e minimizar impactos de oscilações internacionais de preços sobre a economia doméstica.

Ampliação de Ex-tarifários estimula investimento e modernização

Outro destaque foi a liberação de um volume expressivo de Ex-tarifários, instrumento que reduz o imposto de importação quando não há produção nacional equivalente.

Ao todo, foram aprovados:

  • 1.206 Ex-tarifários para bens de capital;
  • 119 Ex-tarifários para bens de informática e telecomunicações;
  • 3 Ex-tarifários para bens de capital autopropulsados.

As concessões, que incluem novos pedidos, prorrogações e renovações, terão validade de até dois anos. A expectativa é impulsionar investimentos, ampliar a automação e elevar a produtividade industrial, fortalecendo setores estratégicos da indústria nacional.

Medidas antidumping são reforçadas contra concorrência desleal

Na área de defesa comercial, o Gecex aprovou a aplicação e a prorrogação de medidas antidumping, com base em análises técnicas do Departamento de Defesa Comercial (Decom), vinculado à Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

Entre as decisões estão:

  • Aplicação de direito antidumping sobre cabos de fibras ópticas, com modulação por interesse público;
  • Imposição de medidas sobre fibras ópticas;
  • Prorrogação de ações antidumping contra fios de náilon, louças de mesa e pneus automotivos.

Por outro lado, os direitos antidumping sobre luvas para procedimentos não cirúrgicos foram suspensos, também por razões de interesse público. Segundo o governo, o equilíbrio entre proteção industrial e impacto sobre consumidores orientou as decisões.

Tarifas sobem para parafusos e produtos químicos

O pacote inclui ainda a elevação temporária do imposto de importação para parafusos e produtos químicos, no âmbito da Lista de Elevações Tarifárias por Desequilíbrios Comerciais Conjunturais (Lista DCC).

A medida responde a aumentos atípicos das importações, que pressionam a produção nacional. Com a alta das tarifas, o governo pretende conter surtos de importação, dar fôlego aos fabricantes locais e restabelecer condições mais equilibradas de concorrência.

Lei de Reciprocidade Econômica avança na relação com os EUA

No campo diplomático, o Gecex analisou um pleito relacionado à Lei de Reciprocidade Econômica em relação aos Estados Unidos. A legislação autoriza o Brasil a adotar medidas equivalentes diante de restrições impostas por outros países a produtos e empresas nacionais.

O comitê decidiu aguardar o avanço das negociações diplomáticas antes de criar o grupo de trabalho previsto em decreto. A eventual aplicação da norma pode abrir caminho para respostas simétricas às barreiras enfrentadas pela indústria brasileira no mercado norte-americano.

Estratégia combina abertura comercial e proteção à indústria

No conjunto, as decisões refletem uma estratégia que equilibra abertura comercial e proteção da produção nacional. A combinação de redução de tarifas para insumos, ampliação de Ex-tarifários, reforço do antidumping e uso de instrumentos de reciprocidade econômica busca garantir concorrência justa e segurança no abastecimento.

Ao encerrar o ano com esse pacote, o governo sinaliza que a indústria brasileira permanece no centro da política de comércio exterior, tanto no aspecto técnico quanto no diplomático.

Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Texto: Redação

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Exportação

Tarifas dos EUA impulsionam diversificação das exportações de dispositivos médicos brasileiros

A imposição de uma tarifa de 50% sobre dispositivos médicos brasileiros pelos Estados Unidos, anunciada em 6 de agosto, levou o setor a acelerar uma estratégia que já vinha sendo discutida: a diversificação das exportações. Antes da medida, as taxas giravam em torno de 10%. Em poucas semanas, o impacto foi imediato: até o fim de agosto, as vendas ao mercado americano recuaram 30%, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Dispositivos Médicos (ABIMO).

Diante do cenário, fabricantes brasileiros passaram a priorizar a expansão para a Ásia, com foco em países como Japão, China e Índia, além de outros mercados emergentes.

Perfil do setor e concentração em pequenas empresas

A indústria brasileira de dispositivos médicos engloba desde instrumentos médico-odontológicos até equipamentos ópticos, eletroterapia, sistemas eletromagnéticos e de irradiação. De acordo com a ABIMO, o setor é majoritariamente formado por empresas de menor porte: 88,6% são microempresas, 8,9% pequenas, 2,2% médias e apenas 0,2% grandes companhias, incluindo multinacionais como Stryker, Bayer e Siemens Healthineers, que mantêm operações no Brasil.

Maquira mantém aposta nos EUA e amplia presença na Ásia

Com faturamento anual de R$ 150 milhões, o Grupo Dental Maquira, sediado em Maringá (PR), é um exemplo de empresa de médio porte impactada pelo tarifaço. Cerca de 25% da receita vem das exportações. A companhia estava em fase de expansão nos Estados Unidos, com a criação de uma subsidiária local, quando as tarifas foram elevadas.

Segundo Daniel Maia, diretor de exportação e marketing internacional da empresa, a estratégia precisou ser ajustada. A Maquira passou a vender diretamente ao mercado americano, eliminando intermediários para recompor margens. A mudança começou em outubro e, segundo a empresa, os resultados iniciais são positivos.

A companhia produz resinas, biomateriais, cimentos e peças ortodônticas e aposta na reputação do Brasil no segmento odontológico. Paralelamente, a Maquira intensificou a atuação em países asiáticos como Japão, Filipinas, Indonésia, Singapura e Taiwan.

Exportações do setor recuam no ano, mas EUA seguem como principal destino

Entre janeiro e novembro de 2025, as exportações brasileiras de dispositivos médicos somaram US$ 1,05 bilhão, queda de 2,27% em relação ao mesmo período de 2024. As vendas aos Estados Unidos alcançaram US$ 266 milhões, com alta de 5,71%, sustentada pelo desempenho positivo nos sete primeiros meses do ano, antes da elevação das tarifas.

Apesar do impacto, os EUA continuam sendo o principal mercado externo do setor. Segundo Larissa Gomes, gerente de marketing internacional e projetos da ABIMO, o segmento não foi incluído nas exceções tarifárias concedidas posteriormente pelo governo de Donald Trump, que reviu parte das sobretaxas aplicadas a outros produtos.

Alliage avalia produção local nos EUA como alternativa

A Alliage, fabricante de equipamentos de imagem odontológica de alta tecnologia, também revisou sua estratégia. Atualmente, 40% da produção é destinada à exportação, com os Estados Unidos na liderança, seguidos pela Argentina.

De acordo com o CEO Caetano Biagi, a empresa enfrenta concorrência direta de fabricantes globais do Japão, Finlândia e Coreia do Sul, que também buscam compensar perdas em mercados tradicionais. Como parte do plano de expansão internacional, a Alliage adquiriu a japonesa PreXion, especializada em tomógrafos odontológicos, com operação na Califórnia.

Caso as tarifas americanas sejam mantidas, a empresa considera montar equipamentos diretamente nos EUA. Hoje, a produção está concentrada em Ribeirão Preto (SP), com cerca de 80% dos fornecedores localizados no Brasil. A companhia também avança em mercados como Emirados Árabes Unidos e Índia.

Crescimento da demanda abre oportunidades na Ásia

A ampliação do acesso a procedimentos cirúrgicos em países asiáticos tem criado novas oportunidades para fabricantes brasileiros. Segundo Elias Magalhães, CEO da Hpbio, especializada em produtos para implantes e cirurgias, áreas como a neurocirurgia estão entre as que mais crescem globalmente.

Em 2025, as exportações representaram 40% do faturamento da empresa. Entre os cinco maiores clientes internacionais em volume, três estão na Ásia: Indonésia, Paquistão e China, conforme explica Flávia Rodrigues, diretora de negócios internacionais da companhia.

A Hpbio firmou recentemente um novo contrato com a Double Medical, sua distribuidora na China, com a meta de equiparar, naquele mercado, as vendas domésticas de válvulas programáveis.

Regulação e protecionismo dificultam avanço na China

Para acessar o mercado chinês, a Hpbio precisou enfrentar um rigoroso processo regulatório, que envolve inspeções locais, validações laboratoriais e treinamentos clínicos. Além disso, a empresa teve de superar o ceticismo em relação à tecnologia brasileira, em um mercado dominado por gigantes como a americana Medtronic e a alemã Aesculap, do grupo B. Braun.

Segundo a ABIMO, o ambiente regulatório da China é altamente protecionista, com processos de aprovação caros e restritivos. Apesar dos avanços industriais do país, o segmento de dispositivos médicos ainda fica atrás de polos tecnológicos como Japão, Coreia do Sul e Singapura em termos de qualidade e inovação.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Portos

Porto de Imbituba encerra 2025 com investimentos históricos e salto na capacidade operacional

O Porto de Imbituba conclui 2025 consolidado como um dos principais polos da logística portuária de Santa Catarina, impulsionado por um conjunto de obras estruturantes, modernização tecnológica e avanços institucionais. Entre os marcos do ano está a autorização da Marinha do Brasil, por meio da Capitania dos Portos de Santa Catarina, para a realização de 40 manobras experimentais com navios porta-contêineres de até 366 metros de comprimento (LOA).

A medida posiciona o terminal em um novo nível de competitividade, permitindo a operação de embarcações de grande porte e ampliando sua integração aos corredores logísticos internacionais.

Gestão e investimentos sustentam desempenho do complexo

Para o secretário de Portos, Aeroportos e Ferrovias de Santa Catarina, Beto Martins, os resultados refletem uma operação organizada, equipes qualificadas e investimentos focados na modernização do complexo portuário, com ganhos diretos em eficiência e sustentabilidade.

Na avaliação do diretor-presidente da SCPAR Porto de Imbituba, Christiano Lopes, o desempenho confirma a efetividade do planejamento estratégico adotado no estado. Segundo ele, o porto se consolida como ativo essencial para a indústria catarinense, o agronegócio e a ampliação da presença do estado no comércio exterior, reforçando a infraestrutura logística como referência nacional.

Cais 3 passa pela maior intervenção desde 1979

O ano de 2025 também marca o início do maior ciclo de obras da história do porto. O Cais 3 recebe investimentos públicos superiores a R$ 115 milhões, sendo R$ 91 milhões destinados às obras em execução. A intervenção inclui recuperação estrutural, reforço, ampliação, instalação de colunas de contenção e construção de dolfins de atracação e amarração.

Com as melhorias, o comprimento operacional do cais será ampliado de 200 para 335 metros. Além disso, está prevista para 2026 a contratação das obras de dragagem e derrocagem, com aprofundamento programado para ocorrer entre dezembro de 2026 e março de 2027, durante a paralisação das operações do Cais 3.

Intervenções ampliam eficiência dos berços de atracação

Paralelamente, o Cais 2 avança na implantação de um novo dolfim de amarração. Somadas às obras de derrocagem no Cais 1, os investimentos públicos chegam a cerca de R$ 15 milhões. As melhorias permitirão que os dois berços operem até quatro navios simultaneamente.

No Cais 1, seguem as obras de ampliação da área de acostagem, com previsão de elevação da profundidade para 15 metros, o que deve resultar em ganhos relevantes de eficiência operacional em todo o complexo portuário.

Mais de R$ 300 milhões em investimentos públicos previstos

Além das obras em cais, o Porto de Imbituba projeta mais de R$ 300 milhões em investimentos públicos, contemplando ações como dragagem, drenagem, recuperação do molhe de abrigo, melhorias em acessos, portarias e outros projetos estruturantes, além da expansão das conexões marítimas.

Outro avanço institucional foi a assinatura do novo Convênio de Delegação entre União, Estado e SCPAR Porto de Imbituba, que unifica a administração dos portos de Imbituba e Laguna pelos próximos 25 anos, fortalecendo a governança portuária catarinense e criando sinergias operacionais.

Novas rotas marítimas ampliam integração logística

No campo logístico, o porto incorporou a linha marítima semanal Puma, que se soma às rotas Brazex e ALCT-2. A ampliação das rotas fortalece a ligação entre Uruguai, Nordeste brasileiro e mercados da Ásia, com impacto direto no fluxo de cargas de maior valor agregado.

Modernização tecnológica avança com novo datacenter

A modernização tecnológica também foi destaque em 2025, com a inauguração de um novo datacenter, fruto de investimento de R$ 8,5 milhões. A estrutura amplia a capacidade de armazenamento e processamento de dados em tempo real, além de reforçar a conectividade entre empresas e operadores que atuam no complexo portuário.

Movimentação de cargas supera expectativas em 2025

Do ponto de vista operacional, o desempenho foi superior ao esperado. Entre janeiro e outubro, o Porto de Imbituba movimentou 6,17 milhões de toneladas e contabilizou 268 atracações. Outubro foi o mês mais intenso, com 714,7 mil toneladas e 27 navios atendidos.

As exportações somaram 2,53 milhões de toneladas, impulsionadas por coque calcinado, coque não calcinado e farelo de milho. Já as importações atingiram 2,86 milhões de toneladas, alta de 2,5% em relação a 2024, com destaque para hulha betuminosa, sal e insumos industriais.

A cabotagem também apresentou crescimento, com 547,3 mil toneladas embarcadas e 136,8 mil desembarcadas, enquanto o transbordo avançou 113,1% na comparação anual.

Os granéis sólidos lideraram a movimentação, representando 77,8% do total, seguidos pela carga conteinerizada, com 17,3% e mais de 1,06 milhão de toneladas. No comércio exterior, o porto movimentou mais de US$ 1,44 bilhão, reforçando sua relevância para a balança comercial de Santa Catarina.

Relação com a comunidade e perspectivas para 2026

Além dos resultados operacionais, o Porto de Imbituba ampliou sua atuação social. Mais de R$ 170 mil foram destinados a entidades locais por meio do projeto Arraiá do Porto, e o programa Porto de Portas Abertas já recebeu mais de 8 mil visitantes. Somados, investimentos em cultura, esporte e projetos sociais alcançaram cerca de R$ 700 mil ao longo do ano.

Com a expectativa de ultrapassar 7 milhões de toneladas movimentadas em 2025 e com projetos estruturantes em andamento, o Porto de Imbituba encerra o ano preparado para um novo ciclo de crescimento, inovação e integração logística no Sul do Brasil.

FONTE: Portal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuário

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