Economia

Dólar em queda reacende debate sobre controles de capital na China

A recente desvalorização do dólar voltou a impulsionar, na China, o debate sobre a flexibilização dos controles de capital. Economistas influentes defendem que o momento é favorável para ampliar a conversibilidade do yuan e aumentar sua presença nas finanças internacionais, aproveitando um ambiente externo mais propício e menor risco de fuga de recursos.

Para esses analistas, a fraqueza da moeda americana abre uma janela histórica para tornar o yuan mais atrativo globalmente, desde que a abertura da conta de capital seja conduzida de forma gradual e estratégica.

Abertura da conta de capital ganha apoio no mercado

Em artigo recente, Miao Yanliang, estrategista-chefe da China International Capital Corp., avaliou que as condições atuais permitem avançar na liberalização dos fluxos financeiros sem provocar saídas expressivas de capital. Segundo ele, maior flexibilidade cambial tende a atrair investimentos estrangeiros, especialmente em um ciclo de valorização do yuan combinado à perda de força do dólar.

Na mesma direção, Ju Jiandong, professor de finanças da Universidade Tsinghua, classificou este ano e o próximo como uma “janela estratégica” para ampliar a abertura da conta de capital chinesa, diante da valorização da moeda local e do aumento das tensões geopolíticas globais.

Internacionalização do yuan volta ao centro da estratégia

As manifestações de economistas reforçam sinais emitidos pelo presidente Xi Jinping desde 2024, quando defendeu a meta de tornar o yuan amplamente utilizado no comércio e nas finanças internacionais, com ambição de transformá-lo em moeda de reserva.

Nas últimas semanas, discursos e publicações intensificaram as especulações de que Pequim pode recolocar a liberalização dos fluxos de capital como eixo central da estratégia de internacionalização da moeda. O processo havia perdido força após a crise cambial de 2015, quando uma tentativa de maior liberalização resultou em forte instabilidade.

Queda do dólar muda o cálculo das autoridades chinesas

O contexto atual é distinto daquele observado há uma década. Em 2025, o dólar registrou a maior queda anual em oito anos, refletindo incertezas geradas pela política econômica dos Estados Unidos. No mesmo período, o yuan teve seu melhor desempenho desde 2020 em termos nominais.

Esse cenário fortaleceu o argumento de que a China precisa reduzir o descompasso entre seu peso como potência manufatureira global e o alcance limitado de sua moeda. Hoje, o país mantém um regime de câmbio flutuante administrado, com restrições significativas a investimentos e remessas internacionais.

Planos oficiais indicam maior ambição até 2030

Sinais de mudança também aparecem nos documentos oficiais. A proposta apresentada pelo Partido Comunista para o plano econômico até 2030 inclui o compromisso de avançar na internacionalização do yuan e ampliar a abertura da conta de capital, em termos mais assertivos do que os adotados no plano anterior.

Apesar dos avanços no uso do yuan em liquidações comerciais e financiamentos internacionais, sua participação nas reservas globais ainda é inferior a 2%, segundo dados do Fundo Monetário Internacional, mantendo a moeda distante do protagonismo do dólar.

Risco de fuga de capitais segue como principal obstáculo

A principal preocupação das autoridades continua sendo o risco de saídas abruptas de capital, capazes de desestabilizar mercados e a economia doméstica. Em 2015, uma tentativa malsucedida de flexibilização cambial provocou pânico entre investidores e levou à perda de cerca de US$ 1 trilhão em reservas internacionais em dois anos.

Para Miao Yanliang, no entanto, o ambiente mudou. Ele avalia que investidores estrangeiros demonstram maior interesse em ativos chineses, enquanto empresas e famílias locais já diversificaram parte de seus investimentos no exterior por canais regulados, reduzindo pressões por novas saídas.

Abertura gradual deve marcar próximos passos

Apesar do novo impulso, especialistas acreditam que Pequim manterá uma abordagem cautelosa. Para Gary Ng, economista do Natixis, pode haver espaço para testes pontuais, como o uso do yuan na negociação de commodities, no financiamento e na liquidação de projetos internacionais.

Autoridades regulatórias também sinalizam avanços graduais. Xiao Sheng, da Administração Estatal de Câmbio, afirmou recentemente que o foco será a otimização dos canais existentes de investimento transfronteiriço, com simplificação de programas voltados a investidores estrangeiros e estímulo ao financiamento internacional.

FONTE: InfoMoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Bloomberg

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Economia

Dólar recua a R$ 5,18 e registra menor fechamento desde maio de 2024

O dólar comercial encerrou a segunda-feira (9) em forte queda e fechou abaixo de R$ 5,20, impulsionado por um ambiente externo mais favorável aos mercados emergentes, como o Brasil. O movimento ganhou força após a China reduzir a compra de títulos do Tesouro dos Estados Unidos (treasuries), o que enfraqueceu a moeda norte-americana no mercado global.

A divisa dos EUA caiu 0,59%, encerrando o dia cotada a R$ 5,1886, o menor valor desde 28 de maio de 2024. No acumulado de 2026, o dólar já registra desvalorização de 5,47% frente ao real.

Ibovespa sobe com apoio de grandes ações

No mercado acionário, o Ibovespa operou em alta, sustentado principalmente pelo desempenho positivo das blue chips. Ações de Petrobras, Vale, Itaú Unibanco e Bradesco lideraram os ganhos do índice.

Por outro lado, os papéis do BTG Pactual figuraram entre as maiores quedas do pregão, após a divulgação do balanço trimestral. Por volta das 17h18, o principal índice da B3 avançava 1,76%, aos 186.127,57 pontos.

Banco Central adota discurso de cautela

No cenário doméstico, investidores também repercutiram declarações do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, durante evento da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), em São Paulo. Segundo ele, a recente melhora dos indicadores não representa uma “volta da vitória” contra a inflação.

Galípolo destacou que o foco da autoridade monetária, neste momento, está na calibragem da política monetária, sinalizando cautela nas próximas decisões.

Mais cedo, o Banco Central divulgou o Boletim Focus, que trouxe nova revisão para baixo na expectativa de inflação.

Boletim Focus reduz projeções de inflação

A mediana das projeções para o IPCA de 2026 caiu de 3,99% para 3,97%, permanecendo 0,53 ponto percentual abaixo do teto da meta, fixado em 4,50%. Há um mês, a estimativa era de 4,05%.

Entre as projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a expectativa subiu de 3,90% para 3,96%. Para 2027, a mediana seguiu estável em 3,80% pela 14ª semana consecutiva.

O IPCA de 2025 fechou em 4,26%, segundo o IBGE, resultado inferior tanto à última mediana do Focus (4,31%) quanto à estimativa do próprio Banco Central (4,4%).

Análise técnica aponta resistência no Ibovespa

De acordo com análise semanal do BB Investimentos, o Ibovespa mantém tendência de alta, mas apresenta sinais de perda de fôlego no curto prazo.

“O comportamento das últimas três semanas indica um padrão de esgotamento do movimento altista, com resistência em torno dos 187,5 mil pontos e suporte imediato na região dos 182 mil pontos”, destacou a instituição em relatório.

Exterior adiciona cautela aos mercados

No cenário internacional, a semana começou com viés negativo nos futuros das bolsas norte-americanas. Para a equipe da Ágora Investimentos, o ambiente externo pode trazer volatilidade adicional aos ativos brasileiros, com investidores à espera da divulgação de indicadores econômicos relevantes.

BTG Pactual divulga lucro recorde

O BTG Pactual anunciou lucro líquido ajustado de R$ 4,60 bilhões no quarto trimestre, alta de 40,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado veio levemente acima da expectativa de analistas consultados pela LSEG, que projetavam R$ 4,56 bilhões.

A receita do maior banco de investimentos da América Latina cresceu 35,1%, alcançando o recorde de R$ 9,09 bilhões. O ROAE (retorno sobre o patrimônio) ficou em 27,6%, ante 23,0% um ano antes.

China reduz exposição a títulos dos EUA

No exterior, um dos principais vetores de impacto foi a decisão da China de orientar seus bancos a frear a compra de treasuries americanos. A medida busca reduzir riscos e evitar concentração excessiva em ativos dos Estados Unidos.

Atualmente, o país asiático detém cerca de US$ 850 bilhões em títulos da dívida norte-americana, sendo aproximadamente US$ 300 bilhões sob responsabilidade de bancos chineses. A mudança de postura reforça a reavaliação estratégica de Pequim no cenário financeiro global.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Amanda Perobelli

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Internacional

Convite de Trump ao Brasil para bloco de minerais críticos expõe disputa global com a China

O convite feito pelos Estados Unidos ao Brasil para integrar um novo bloco comercial de minerais críticos revela mais do que uma iniciativa econômica. A proposta faz parte de uma estratégia geopolítica do governo de Donald Trump para reduzir a dependência americana da China em insumos essenciais para a indústria tecnológica e para a transição energética global.

A avaliação é do analista de Economia da CNN, Gabriel Monteiro, em comentário no CNN Novo Dia. Segundo ele, o movimento representa uma resposta direta à hegemonia chinesa nesse setor estratégico.

Estratégia americana e contrapeso à China

O convite foi direcionado a 54 países e tem como objetivo estruturar um grupo capaz de funcionar como contrapeso à China no mercado internacional de minerais. A ideia é estabelecer regras mínimas de produção, além de discutir preços de referência para esses materiais.

De acordo com Monteiro, trata-se de uma iniciativa que pode ser interpretada como claramente “anti-China”, ao tentar reduzir a influência de Pequim sobre cadeias produtivas consideradas vitais para o futuro da economia global.

Importância dos minerais críticos para a economia global

Recursos como lítio, manganês e cobre são indispensáveis para setores em rápida expansão, como mobilidade urbana, carros elétricos e fabricação de equipamentos eletrônicos. Atualmente, a China domina grande parte da produção mundial desses minerais, com destaque para as terras raras, o que acende alertas entre países ocidentais e seus aliados.

Impactos e dilemas para o Brasil

Para o Brasil, a adesão ao bloco traz desafios relevantes. “Se a iniciativa americana der certo, isso pode colocar o Brasil contra a parede”, avalia Monteiro. O analista lembra que o país se beneficia de uma posição de relativa neutralidade, mantendo relações comerciais estratégicas tanto com a China quanto com os Estados Unidos.

Estados Unidos, Japão e países europeus acusam a China de usar subsídios estatais para reduzir artificialmente os preços desses minerais, inviabilizando projetos privados em outras regiões. Prática semelhante é alvo de investigações no Brasil no caso do aço chinês, que estaria prejudicando a indústria siderúrgica nacional.

Oportunidades econômicas e riscos geopolíticos

Por outro lado, um cenário de maior competição internacional pode abrir oportunidades para o Brasil. O país possui reservas relevantes de minerais críticos, mas ainda depende de investimentos externos para ampliar a exploração e o processamento desses recursos.

O principal desafio, no entanto, será equilibrar os potenciais ganhos econômicos com os riscos geopolíticos de uma eventual escolha de lado na disputa entre as grandes potências globais.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Rádio Pampa

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Internacional

China critica plano dos EUA para criar bloco comercial de minerais críticos

A China manifestou oposição à proposta dos Estados Unidos de formar um bloco comercial preferencial com países aliados voltado ao fornecimento de minerais críticos. A posição foi divulgada nesta quinta-feira (5) pelo Ministério das Relações Exteriores da China, que criticou a adoção de regras definidas por grupos restritos de países.

Segundo o governo chinês, iniciativas desse tipo podem prejudicar a ordem econômica e comercial internacional, ao impor normas que não representam os interesses globais. A pasta reforçou que a economia mundial deve ser regida por princípios amplos e não por acordos exclusivos.

China defende comércio internacional aberto e inclusivo

Durante coletiva de imprensa regular, o porta-voz do ministério, Lin Jian, afirmou que a manutenção de um ambiente comercial internacional aberto, inclusivo e universalmente benéfico atende aos interesses comuns de todas as nações.

A declaração sinaliza a preocupação de Pequim com movimentos que possam fragmentar cadeias globais de suprimentos, especialmente em áreas estratégicas como a de minerais críticos, essenciais para tecnologias avançadas, transição energética e indústria de defesa.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: David Gray/Reuters

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Exportação

Produção e exportações impulsionam o Brasil como líder global da pecuária

Em 2025, a pecuária brasileira atingiu um marco histórico: além de manter a liderança como maior exportador de carne bovina, o país superou os Estados Unidos e se tornou o maior produtor mundial pela primeira vez em décadas. Segundo dados do USDA compilados por consultorias privadas, o Brasil produziu 12,35 milhões de toneladas, contra 11,8 milhões de toneladas nos EUA.

O resultado reflete mudanças estruturais no setor, como aumento da produtividade, uso intensivo de tecnologia e reorganização do ciclo pecuário. Com participação de cerca de 20% da produção global de carne bovina, o país consolida seu papel estratégico na segurança alimentar internacional.

Fatores que impulsionaram a produção

A consultoria Athenagro aponta que parte do avanço se deve ao maior abate de fêmeas nos últimos anos, típico de ciclos de liquidação, que aumentou a oferta de carne no curto prazo. Além disso, ganhos de eficiência dentro da porteira elevaram o peso médio das carcaças e reduziram a idade ao abate, garantindo mais produção sem expansão do rebanho.

Liderança nas exportações

No mercado internacional, o Brasil também se destaca. Dados da Abiec mostram que as exportações de carne bovina somaram mais de 3,5 milhões de toneladas em 2025, atendendo mais de 150 países e registrando a maior receita da história. Segundo a associação, a cadeia da pecuária de corte movimenta bilhões de dólares, gera milhões de empregos e é pilar do superávit da balança comercial brasileira.

Desafios nos Estados Unidos

Enquanto o Brasil cresce, os EUA enfrentam dificuldades. O rebanho americano está no menor nível em cerca de 70 anos, afetado por secas severas que reduziram pastagens e elevaram custos de alimentação. O país se aproxima do segundo maior volume de importações de carne bovina da história, atrás apenas de 2004, ano marcado por casos de encefalopatia espongiforme bovina.

Segundo Hyberville Neto, diretor da HN Agro, a situação atual reflete uma inversão histórica: “Mais de duas décadas depois, os EUA aumentam importações, enquanto o Brasil alcança seu recorde de exportações”.

China: motor da expansão

A China foi responsável por quase metade do faturamento e do volume das exportações brasileiras em 2025, com mais de 1,5 milhão de toneladas importadas, segundo a Athenagro. A demanda chinesa estimulou investimentos em tecnologia, ampliação da produção e ajustes nos sistemas produtivos, especialmente para o boi jovem, abatido antes dos 30 meses, reduzindo o ciclo pecuário e aumentando o giro de capital.

A relação entre Brasil e China se tornou central no comércio internacional de carne bovina, permitindo que o país respondesse rapidamente a aumentos de demanda e se consolidasse como fornecedor estratégico de proteína animal.

Tecnologias e sistemas produtivos avançados

O crescimento da pecuária brasileira também está ligado à adoção de sistemas intensivos e semi-intensivos, onde o gado é terminado em áreas controladas com alimentação balanceada, acelerando ganho de peso e reduzindo tempo até o abate.

O aprimoramento da genética tropicalizada, especialmente da raça Nelore e cruzamentos industriais, aumentou a eficiência alimentar e o rendimento de carcaça. A integração lavoura-pecuária transformou áreas degradadas em sistemas produtivos de alta eficiência, elevando a taxa de lotação e reduzindo a necessidade de novas áreas.

Projeções da HN Agro indicam que, em 2026 e 2027, o Brasil pode iniciar uma fase de ajuste do rebanho, enquanto os EUA começam a estabilizar seu plantel, ainda que lentamente. A diferença estrutural entre os dois sistemas, porém, permanece significativa.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: karandaev/GettyImages

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Investimento

China anuncia investimento de R$ 200 milhões para construir fábrica de tratores no Sudeste

A China colocou R$ 200 milhões na mesa para viabilizar a construção de uma fábrica de tratores em Maricá, na Região Metropolitana Leste Fluminense, no Rio de Janeiro. O projeto, resultado de negociações entre representantes brasileiros e chineses, tem como foco impulsionar a agricultura familiar e fortalecer a cadeia produtiva local.

O investimento estrangeiro promete alterar a dinâmica econômica do município, ampliando a circulação de recursos, estimulando o comércio e abrindo espaço para uma nova frente industrial no Sudeste.

Fábrica será construída em Ponta Negra com modelo inovador

Segundo o prefeito de Maricá, Washington Quaquá (PT), a unidade industrial será instalada em Ponta Negra, nas proximidades da RJ-106. O empreendimento seguirá o formato de Parceria Público, Privada e Popular (PPPP), um modelo que reúne governo, iniciativa privada e organizações populares, como cooperativas.

Na prática, os tratores fabricados serão direcionados principalmente a pequenas e médias propriedades rurais, atendendo agricultores familiares que hoje dependem de equipamentos considerados defasados.

Projeto prevê geração de empregos e arrecadação de impostos

De acordo com a prefeitura, a fábrica deve gerar empregos diretos e indiretos, além de ampliar a arrecadação municipal por meio de impostos. A expectativa é que os equipamentos produzidos contribuam para modernizar o campo e aumentar a produtividade agrícola em diferentes regiões do país.

Para Quaquá, o projeto representa um uso estratégico dos recursos do petróleo. “Essa fábrica transforma o dinheiro do petróleo em uma indústria que vai revolucionar a agricultura familiar, gerar empregos qualificados em Maricá e fortalecer a produção de alimentos no Brasil”, afirmou o prefeito.

MST destaca caráter histórico da parceria com a China

Apesar da expectativa da população, ainda não há prazo definido para o início das obras. Mesmo assim, o anúncio já é tratado como um marco por lideranças do setor rural. Para João Pedro Stédile, um dos fundadores do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a iniciativa inaugura um arranjo societário inédito no país.

Segundo ele, trata-se de um modelo que combina investimento chinês, participação estatal e organização popular. “É uma parceria que desenvolve o país e resolve um problema concreto da agricultura que realmente produz alimentos. É um dia histórico para o Brasil”, declarou.

FONTE: Correio do Povo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Matheus Alter

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Economia

Xi Jinping defende renminbi como moeda de reserva global e reforça ambição da China no sistema monetário

Declarações do presidente chinês detalham os pilares de uma “moeda poderosa” em um momento de questionamento da hegemonia do dólar e reconfiguração da ordem financeira internacional

A China deu mais um sinal claro de que pretende ampliar o papel do renminbi (yuan) no sistema monetário global. O presidente Xi Jinping defendeu que a moeda chinesa alcance o status de moeda de reserva internacional, com uso amplo no comércio, nos investimentos e nos mercados de câmbio. Trata-se da manifestação mais direta até agora sobre a ambição chinesa de disputar espaço com moedas tradicionais, como o dólar e o euro.

As declarações foram publicadas pela revista Qiushi, órgão teórico do Partido Comunista Chinês, e repercutidas pelo Financial Times. Embora o texto tenha origem em um discurso feito em 2024 a autoridades regionais, sua divulgação agora é interpretada como um sinal político de que a agenda monetária ganhou prioridade estratégica.

Os pilares da “moeda poderosa” defendida por Pequim

No comentário divulgado, Xi Jinping afirma que a China precisa construir uma moeda capaz de sustentar maior presença internacional. Para isso, aponta uma série de fundamentos considerados essenciais.

Entre eles estão a existência de um banco central forte, com capacidade de gestão monetária eficiente; instituições financeiras competitivas em escala global; e centros financeiros internacionais capazes de atrair capital estrangeiro e influenciar a formação de preços no mercado mundial.

Ao detalhar esses elementos, o líder chinês deixa claro que a internacionalização do renminbi vai além da ampliação do comércio exterior. O projeto envolve credibilidade institucional, profundidade de mercado, liquidez, segurança jurídica e capacidade de precificação — características historicamente associadas à consolidação do dólar como moeda dominante.

Dólar pressionado e avanço da lógica multipolar

A divulgação do posicionamento de Xi ocorre em um contexto de maior incerteza no cenário financeiro internacional. Um dólar mais fraco, mudanças na condução da política monetária dos Estados Unidos e o aumento das tensões geopolíticas têm levado bancos centrais a reavaliar sua exposição a ativos denominados na moeda americana.

Segundo o Financial Times, esse ambiente abre espaço para que Pequim acelere sua estratégia. Para Kelvin Lam, economista sênior da Pantheon Macroeconomics, a ênfase no renminbi reflete “rupturas recentes na ordem global” e uma percepção mais aguda, por parte da China, de que o sistema internacional passa por transformação.

Esse diagnóstico é compartilhado por autoridades chinesas. O presidente do Banco do Povo da China, Pan Gongsheng, já havia afirmado que o mundo caminha para um sistema monetário internacional multipolar, no qual o renminbi competiria com outras moedas relevantes.

Mais presença no comércio, pouca relevância nas reservas

Apesar dos avanços, a presença do renminbi nas reservas internacionais ainda é limitada. A moeda chinesa ganhou espaço nos pagamentos e no financiamento do comércio, especialmente após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, tornando-se a segunda mais utilizada nessa modalidade.

No entanto, quando o indicador é reserva oficial, o cenário muda. Dados do Fundo Monetário Internacional indicam que, no terceiro trimestre de 2025, o dólar ainda respondia por cerca de 57% das reservas globais, enquanto o euro representava aproximadamente 20%. O renminbi ocupava apenas a sexta posição, com participação de 1,93%.

A diferença revela que a internacionalização da moeda chinesa avança em ritmos distintos. No comércio, acordos bilaterais e redes de parceiros impulsionam o uso. Já nas reservas, a decisão dos bancos centrais é mais conservadora e depende de fatores como convertibilidade plena, abertura da conta de capital e previsibilidade institucional.

Reformas sensíveis e limites do modelo chinês

Analistas ouvidos pelo Financial Times ressaltam que a ampliação do papel do renminbi como moeda de reserva exigiria reformas profundas, incluindo maior abertura financeira e liberdade de fluxos de capital. Essas mudanças, no entanto, entram em tensão com o modelo chinês, que mantém forte controle estatal sobre o sistema financeiro.

Além disso, parceiros comerciais pressionam a China por uma valorização maior da moeda. O argumento é que o renminbi estaria subvalorizado, favorecendo exportações e contribuindo para um superávit comercial recorde de US$ 1,2 trilhão no ano passado.

A diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, chegou a pedir correções nos “desequilíbrios” da economia chinesa, citando deflação e uma depreciação real da taxa de câmbio. Pequim, por sua vez, nega o uso do câmbio como instrumento de vantagem comercial. O vice-presidente do banco central, Zou Lan, afirmou recentemente que não há intenção de enfraquecer a moeda com esse objetivo.

Estabilidade cambial e disputa de narrativas

Apesar do discurso de projeção global, a política cambial chinesa segue orientada pela estabilidade. Autoridades têm sinalizado tolerância a uma apreciação moderada do renminbi, mas mantêm como prioridade a preservação de seu papel como reserva de valor.

Para Kelvin Lam, o conceito de “moeda forte” defendido por Pequim pode significar mais controle e menos volatilidade, e não necessariamente liberalização total — o que difere das exigências tradicionais de uma moeda de reserva global.

Ainda assim, há visões mais otimistas. Zhang Jun, economista-chefe da China Galaxy Securities, avalia que a retomada do crescimento doméstico e os investimentos em tecnologia emergente podem sustentar uma valorização gradual do renminbi no longo prazo.

Impactos para investidores e para a ordem financeira global

Embora as declarações de Xi não indiquem uma mudança imediata nos mercados, elas reforçam uma direção estratégica. Para Han Shen Lin, diretor para China do The Asia Group, o objetivo não é substituir o dólar rapidamente, mas posicionar o yuan como um contrapeso relevante em uma ordem financeira cada vez mais fragmentada.

Nesse sentido, a tentativa de elevar o renminbi ao status de moeda de reserva deve ser entendida como parte de uma estratégia mais ampla de soberania financeira e redistribuição de poder global. O ritmo dessa transição dependerá de até que ponto Pequim estará disposta a promover reformas que aumentem a confiança externa sem abrir mão do controle interno — um dilema central para o futuro do sistema monetário internacional.

Fonte: BRASIL 247, com informações do Financial Times e do Fundo Monetário Internacional (FMI).

TEXTO: REDAÇÃO

IMAGEM: REPRODUÇÃO CNN / PIXABAY

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Portos

Panamá negocia com Maersk para operação temporária de portos estratégicos do Canal

O governo do Panamá confirmou que está em negociação com a dinamarquesa Maersk para a operação temporária de portos estratégicos do Canal do Panamá, após a Justiça anular a concessão da empresa de Hong Kong CK Hutchison. Os terminais afetados estão localizados nas duas extremidades da via interoceânica, considerada essencial para o comércio marítimo global.

O anúncio foi feito nesta sexta-feira (30) pelo presidente panamenho José Raúl Mulino, que afirmou que as conversas envolvem uma subsidiária do grupo APM Moller Maersk, reconhecida pela experiência e capacidade técnica para assumir, de forma transitória, a administração dos terminais.

Decisão judicial e críticas internacionais

A Suprema Corte de Justiça do Panamá declarou inconstitucionais os contratos que permitiam à Panama Ports Company (PPC), ligada à CK Hutchison, operar desde 1997 os portos de Balboa e Cristóbal. A decisão provocou reação imediata da China, que classificou o movimento como prejudicial aos interesses de suas empresas.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Guo Jiakun, afirmou que Pequim adotará todas as medidas necessárias para proteger seus direitos comerciais. Autoridades de Hong Kong também condenaram o que consideram interferência de governos estrangeiros em relações econômicas privadas.

Transição administrativa e nova concessão

Segundo Mulino, os contratos anulados são “leoninos” e desfavoráveis ao país. Ele garantiu que, até a implementação da decisão judicial, haverá continuidade das operações atuais, seguida de uma transição administrativa ordenada. Ao final do processo, o Panamá pretende lançar uma nova concessão sob condições mais vantajosas.

A Maersk confirmou, em comunicado, estar disposta a assumir a gestão provisória para mitigar riscos ao fluxo logístico e evitar impactos nos serviços essenciais ao comércio regional e internacional.

Importância estratégica do Canal do Panamá

O Canal do Panamá é utilizado principalmente por Estados Unidos e China e responde por cerca de 5% do comércio marítimo mundial. Apenas os EUA concentram aproximadamente 40% do tráfego de contêineres que passam pela rota.

Apesar das alegações do ex-presidente americano Donald Trump, que voltou a ameaçar “retomar” o canal sob o argumento de influência chinesa, o governo panamenho nega qualquer controle de Pequim sobre a via, administrada por uma entidade pública autônoma.

Impacto econômico e venda em suspenso

A decisão judicial ocorre em meio à tentativa da CK Hutchison de vender sua participação nos portos panamenhos a um consórcio liderado pela BlackRock, em um negócio avaliado em US$ 22,8 bilhões. O acordo, anunciado em março de 2025, perdeu força após alertas da China sobre possíveis prejuízos a seus interesses globais.

Após o anúncio do Panamá, as ações do conglomerado controlado pelo bilionário Li Ka-shing recuaram 4,6% na Bolsa de Hong Kong.

Para o economista Kelvin Lam, da consultoria Pantheon Macroeconomics, a decisão judicial dificilmente pode ser dissociada da pressão política dos Estados Unidos. Segundo ele, o episódio tende a aumentar a cautela de investidores estrangeiros em projetos de infraestrutura estratégica na região.

FONTE: Istoé Dinheiro
TEXTO: Redação
IMAGEM: AFP/Arquivos

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Importação

China suspende importação de carne bovina da Irlanda após confirmação de doença

A China suspendeu a importação de carne bovina da Irlanda após a confirmação de casos da doença da língua azul no rebanho do país europeu. A decisão foi anunciada apenas duas semanas depois de Pequim ter reaberto seu mercado ao produto irlandês, encerrando um bloqueio que já durava mais de um ano.

Detecção da doença aciona alerta sanitário

A confirmação foi feita nesta quarta-feira (28) pelo Ministério da Agricultura da Irlanda. Segundo o órgão, o primeiro foco da doença foi identificado no último sábado em um rebanho localizado no sudeste do país. Após a notificação oficial, as autoridades chinesas informaram que a suspensão das compras entrou em vigor a partir de terça-feira.

Nos dias seguintes, novos casos do vírus da língua azul foram detectados em outros três rebanhos da mesma região, ampliando o alerta sanitário e reforçando a decisão chinesa de interromper temporariamente as importações.

Doença não afeta humanos, mas impacta o comércio

A língua azul atinge bovinos, ovinos e outros ruminantes e é transmitida por insetos. Apesar de não representar risco à saúde humana, a enfermidade provoca restrições sanitárias que afetam diretamente o comércio internacional de carnes, especialmente em mercados rigorosos como o chinês.

Reabertura recente do mercado chinês

A China havia retomado as importações de carne bovina irlandesa no dia 12 de janeiro, durante uma visita oficial do primeiro-ministro da Irlanda, Micheál Martin, a Pequim. A liberação ocorreu após a revogação de uma proibição imposta em 2024, quando foi registrado um caso de encefalopatia espongiforme bovina, conhecida como mal da vaca louca, no país.

Governo irlandês tenta reverter decisão

Em comunicado, o ministro da Agricultura da Irlanda, Martin Heydon, classificou a nova suspensão como um revés para o setor. Ele afirmou que o governo mantém diálogo permanente com as autoridades sanitárias chinesas, com o objetivo de conter a disseminação da doença e retomar as exportações o mais rápido possível.

A China é um dos maiores importadores de carne bovina do mundo e ocupa posição estratégica no comércio global do setor, o que torna qualquer restrição sanitária especialmente relevante para países exportadores.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Helena Lopes/Unsplash

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Internacional

China alcança recorde histórico na produção de grãos e supera 714 milhões de toneladas

A China registrou em 2025 a maior produção de grãos de sua história, alcançando 714,9 milhões de toneladas, segundo dados oficiais divulgados pelo governo. O volume representa um crescimento de 8,4 milhões de toneladas em relação ao ano anterior e consolida o país acima do patamar de 700 milhões de toneladas pelo segundo ano consecutivo.

Safra cresce apesar de desafios climáticos

De acordo com o Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais, o desempenho foi alcançado mesmo diante de condições climáticas adversas, como secas, enchentes e períodos prolongados de chuvas em diferentes regiões do país. A resiliência da produção reforça a estratégia chinesa de fortalecer a segurança alimentar.

Colheitas de outono impulsionam crescimento

O vice-ministro da Agricultura, Zhang Xingwang, afirmou que as colheitas de outono foram responsáveis por mais de 90% da expansão anual. O crescimento da produção se concentrou principalmente nas províncias do nordeste da China, além da Mongólia Interior e de Xinjiang, que juntas responderam por cerca de 70% do avanço nacional.

Entre as culturas, o milho teve papel decisivo, contribuindo com aproximadamente 75% do aumento total da produção de grãos.

Soja e carnes mantêm trajetória de alta

No segmento de oleaginosas, a soja alcançou 20,91 milhões de toneladas, permanecendo acima da marca de 20 milhões pelo quarto ano consecutivo. Já a produção total de proteínas animais — incluindo carnes suína, bovina, ovina e de aves — avançou 4,2%, somando 100,72 milhões de toneladas.

Tecnologia impulsiona produtividade no campo

O governo chinês atribui parte relevante do desempenho ao avanço da tecnologia agrícola. A taxa de mecanização do plantio e da colheita chegou a 76,7%, enquanto a frota de drones agrícolas ultrapassou 300 mil unidades, cobrindo aproximadamente 30 milhões de hectares.

Esse progresso também se refletiu na renda rural, com aumento real de 6% no rendimento disponível per capita da população do campo.

Reformas agrárias estão no radar do governo

Para os próximos anos, o Ministério da Agricultura anunciou a aceleração de reformas estruturais, incluindo a ampliação de programas-piloto que estendem os contratos de terras rurais por mais 30 anos, medida considerada estratégica para dar previsibilidade aos produtores e sustentar o crescimento do setor.

FONTE: Agro Estadão
TEXTO: Redação
IMAGEM: Adobe Stock

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