Comércio Internacional

Tufão Dolphin coloca China em alerta e mobiliza evacuações na costa leste

A aproximação do tufão Dolphin levou a China a reforçar as medidas de prevenção e manter o alerta amarelo, o terceiro nível mais alto da escala meteorológica do país. A tempestade deve atingir a costa leste chinesa entre o fim de domingo (9) e a manhã de segunda-feira (10), com potencial para provocar ventos intensos, chuvas volumosas e impactos em áreas costeiras.

Segundo o Centro Meteorológico Nacional da China, o Dolphin, 13º tufão nomeado da temporada, segue pelo Mar da China Oriental em direção às províncias de Zhejiang e Fujian.

Na atualização mais recente, o sistema apresentava ventos sustentados entre 42 e 45 metros por segundo e pressão atmosférica mínima de aproximadamente 950 hectopascais. A previsão indica deslocamento para oeste entre 15 e 20 km/h, com possibilidade de manter ou até ampliar sua intensidade antes de alcançar o continente. Após o impacto, a tendência é que o fenômeno siga para oeste-noroeste, perdendo força gradualmente.

Ventos fortes e chuvas intensas preocupam autoridades

Os serviços meteorológicos alertam para condições severas no Mar da China Oriental e em áreas costeiras da região. Próximo ao centro do tufão, as rajadas podem ultrapassar 46 metros por segundo, enquanto outras áreas marítimas devem registrar ventos superiores a 28 metros por segundo.

Além da ventania, a previsão aponta acumulados expressivos de chuva, especialmente no norte de Taiwan e no litoral do leste chinês. A expectativa é que as precipitações mais intensas atinjam a costa chinesa a partir de domingo, aumentando o risco de alagamentos, enxurradas e deslizamentos de terra.

Províncias reforçam ações preventivas

Diante da aproximação do ciclone, governos locais intensificaram os protocolos de emergência. Em Zhejiang, foram suspensas ligações marítimas de passageiros, obras em áreas costeiras foram interrompidas e embarcações receberam orientação para buscar abrigo.

Mais de 10 mil moradores de ilhas próximas ao litoral já foram retirados preventivamente das áreas de risco.

Na província vizinha de Fujian, as autoridades ativaram o nível quatro de resposta a emergências, enquanto Guangdong adotou restrições à navegação no Estreito de Taiwan para reduzir os riscos durante a passagem da tempestade.

A preocupação das autoridades chinesas vai além dos impactos sobre a população. A aproximação do tufão também coloca em alerta o setor de comércio exterior, já que a costa leste da China concentra alguns dos maiores portos do mundo, responsáveis por grande parte das exportações e importações do país. Ventos intensos e mar agitado podem provocar a suspensão de operações portuárias, atrasos na atracação e saída de navios, cancelamento de rotas marítimas e impactos na cadeia logística global, afetando o transporte de cargas e o abastecimento de mercados internacionais.

Japão também sofre impactos do Dolphin

Antes de seguir em direção à China, o Dolphin provocou medidas de emergência no Japão. Na província de Kagoshima, mais de cinco mil pessoas receberam ordens de evacuação e mais de 600 voos foram cancelados, afetando cerca de 86 mil passageiros.

El Niño pode intensificar temporada de tufões

Especialistas da Administração Meteorológica da China (CMA) avaliam que o fortalecimento do El Niño deve tornar os tufões mais intensos ao longo de agosto, mesmo que o número de sistemas permaneça próximo da média histórica.

A expectativa é que entre dois e três tufões provoquem impactos significativos no país neste mês. Além disso, o fenômeno climático tende a favorecer ondas de calor mais frequentes e volumes de chuva acima do normal em diversas regiões chinesas.

Ainda há incertezas sobre a trajetória definitiva do Dolphin. Dependendo do deslocamento, o sistema poderá concentrar seus efeitos sobre Zhejiang, Fujian, Xangai e parte das províncias de Jiangxi e Anhui ou avançar mais ao norte, levando chuva para a Planície do Norte da China e contribuindo para amenizar a intensa onda de calor registrada na região.

O tufão chega em um período de eventos climáticos extremos no país, marcado por enchentes, deslizamentos de terra e ciclones que já provocaram mortes, grandes evacuações e elevados prejuízos em diferentes províncias. Como resposta, o governo chinês anunciou recursos emergenciais para apoiar operações de resgate, assistência às famílias afetadas e recuperação das áreas atingidas.

Com informações de Diário do Povo Online, Administração Meteorológica da China (CMA), Xinhua, Bloomberg, Global Times, SIC Notícias e Lusa.

Texto: Redação

Imagem: ilustrativa gerada por IA.

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Tecnologia

China coloca em operação o primeiro caminhão de mineração elétrico com bateria de sódio

A China deu um passo inédito no setor de mineração ao colocar em operação o primeiro caminhão de mineração 100% elétrico movido por baterias de íons de sódio. O veículo começou a operar na mina da Sanyou, localizada em Tangshan, no norte do país, marcando um avanço no desenvolvimento de soluções para transporte pesado com menor impacto ambiental.

O projeto foi desenvolvido pela HiNa Battery em parceria com a Tonly Heavy Industry, utilizando como base a plataforma do caminhão fora de estrada TLE120, projetada para operações em minas.

Bateria de sódio oferece recarga rápida e longa vida útil

O caminhão utiliza o sistema de baterias da série Haixing, com capacidade total de 676 kWh e densidade energética superior a 165 Wh/kg nas células. A configuração foi projetada para atender às exigências do transporte de grandes cargas em percursos curtos, comuns na atividade mineradora.

Segundo a fabricante, a recarga completa pode ser realizada em um intervalo entre 20 e 25 minutos. Além disso, a bateria suporta mais de 8 mil ciclos de carga, mesmo com uso frequente de carregamento rápido, garantindo uma vida útil semelhante à do próprio veículo.

Por que apostar em baterias de sódio?

As baterias de íons de sódio vêm ganhando espaço como alternativa às tradicionais baterias de lítio, principalmente em aplicações industriais.

Entre as principais vantagens está o melhor desempenho em temperaturas extremamente baixas. Esse tipo de bateria perde menos capacidade durante o frio intenso, característica importante para operações em minas a céu aberto no norte da China.

Outro benefício é a redução das emissões de poluentes e do nível de ruído em comparação aos caminhões movidos a diesel, que ainda predominam no setor de mineração.

Tecnologia já passou por testes em veículos pesados

Antes da estreia do caminhão de mineração, a HiNa Battery participou de outro projeto envolvendo baterias de sódio. Em junho, a montadora FAW Jiefang concluiu testes com um cavalo-mecânico elétrico equipado com uma bateria de 339 kWh.

De acordo com a empresa, o veículo percorreu mais de 15 mil quilômetros ao longo de quase sete meses de avaliações e manteve mais de 90% da capacidade útil mesmo operando em temperaturas de até 40°C negativos.

Baterias de sódio ainda enfrentam desafios

Apesar dos avanços, a tecnologia ainda encontra obstáculos para se popularizar no mercado de veículos de passeio.

Um dos principais desafios é a densidade energética, inferior à das baterias de fosfato de ferro-lítio (LFP). Como exemplo, a versão anterior do caminhão TLE120, equipada com bateria de lítio, oferecia 801 kWh, capacidade superior à da nova versão com bateria de sódio.

Outro fator é o custo de produção. Atualmente, a HiNa Battery estima que as células de sódio custem entre 0,5 e 0,7 yuan por Wh, enquanto as de lítio variam entre 0,3 e 0,5 yuan por Wh.

A expectativa da empresa é reduzir esse valor até 2027 ou 2028, tornando as baterias de sódio mais competitivas no mercado.

Projeto servirá como base para novas tecnologias

Durante a operação na mina, o caminhão será monitorado para coletar dados sobre desempenho, autonomia e resistência em condições reais de trabalho.

As informações devem contribuir para o desenvolvimento de futuras versões do veículo. Paralelamente, a Tonly Heavy Industry já disponibiliza um sistema de troca rápida de baterias para caminhões de mineração, reforçando a aposta da empresa em soluções para eletrificação do transporte pesado.

FONTE: Auto Papo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Hina Battery

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Exportação

Sucata de alumínio começa a faltar no Brasil após aumento das exportações para a China

O crescimento das exportações de sucata de alumínio para a China já provoca reflexos no mercado brasileiro. A redução da oferta do material, considerado essencial para a reciclagem de alumínio e para a descarbonização da indústria, tem preocupado fabricantes, que alertam para riscos à competitividade e aos investimentos no setor.

Segundo dados da Associação Brasileira do Alumínio (Abal), cerca de 80% da sucata exportada pelo Brasil segue para países asiáticos. A China concentra quase um quarto desse volume, impulsionando um aumento de 590% nos embarques desde 2022.

Reciclagem depende da disponibilidade de sucata

A reciclagem é apontada como uma das principais estratégias para reduzir as emissões de carbono na produção de alumínio. O reaproveitamento do material permite uma economia de até 95% no consumo de energia em comparação à fabricação a partir da bauxita.

Entretanto, a escassez de sucata de alumínio tem dificultado o avanço dessa transição. Empresas do setor afirmam que a concorrência com o mercado externo vem reduzindo a oferta do insumo no país.

A Novelis, líder em reciclagem de alumínio no Brasil, chegou a encerrar um centro de coleta em Juiz de Fora (MG) devido à dificuldade de obter matéria-prima. Já a Alumini1 informou que enfrentou interrupções no abastecimento em março deste ano, período em que fornecedores priorizaram exportações após mudanças temporárias na tributação das vendas internas.

Falta de matéria-prima ameaça competitividade

Para a indústria, o aumento das exportações de sucata pode comprometer não apenas a produção nacional, mas também a geração de valor agregado no país.

A Novelis afirma que suas chapas de alumínio já possuem cerca de 80% de conteúdo reciclado e que esse índice poderia ser ainda maior caso houvesse maior disponibilidade de sucata no mercado interno. A empresa possui capacidade para reciclar até 500 mil toneladas de alumínio por ano e mantém uma rede de centros de coleta em diferentes regiões do Brasil.

Representantes do setor defendem que o país priorize a transformação da matéria-prima em produtos industrializados antes de exportá-la, fortalecendo a economia e preservando empregos.

Brasil mantém vantagem ambiental

Especialistas destacam que o Brasil possui uma posição privilegiada na produção de alumínio de baixo carbono. A fabricação do alumínio primário utiliza predominantemente energia hidrelétrica, enquanto a reciclagem reduz significativamente as emissões de gases de efeito estufa.

Outro diferencial é o índice de reciclagem de latas de alumínio. Em 2024, o país reaproveitou 97,3% das embalagens consumidas, equivalente a quase 34 bilhões de unidades, desempenho considerado o melhor do mundo.

Atualmente, a reciclagem representa cerca de 57% da oferta nacional de alumínio, contribuindo para diminuir o consumo de energia e os impactos ambientais.

Disputa global por sucata deve aumentar

O avanço das tecnologias ligadas à transição energética, como veículos elétricos, painéis solares e sistemas de transmissão de energia, deve ampliar ainda mais a demanda mundial por alumínio.

Estimativas do International Aluminium Institute (IAI) indicam que o consumo global do metal poderá crescer cerca de 40% até 2030. Já a procura por alumínio destinado às energias renováveis e aos carros elétricos deve quintuplicar até 2035.

Esse cenário intensifica a disputa internacional pela sucata, considerada um insumo estratégico para ampliar a produção sustentável.

Setor defende medidas para preservar o mercado interno

Diante da crescente concorrência internacional, entidades do setor avaliam que o Brasil precisa discutir mecanismos para garantir o abastecimento da indústria nacional.

Entre as alternativas defendidas estão a criação de um imposto sobre a exportação de sucata ou a adoção de regras que priorizem o atendimento da demanda doméstica antes das vendas ao exterior, prática já utilizada por alguns países.

Para especialistas, fortalecer a economia circular e ampliar o processamento do material dentro do país pode gerar mais competitividade, agregar valor à cadeia produtiva e evitar que investimentos brasileiros beneficiem apenas mercados estrangeiros.

FONTE: O Globo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/Novelis

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Internacional

China endurece regras para proteção de chips e amplia punições contra plágio de semicondutores

A China anunciou mudanças nas regras que protegem os projetos de layout de circuitos integrados (CI) desenvolvidos no país. As alterações endurecem os critérios para registro, aumentam as exigências de originalidade e ampliam os mecanismos de responsabilização em casos de violação de direitos relacionados aos semicondutores.

Com as novas diretrizes, empresas terão mais dificuldade para obter proteção legal sobre projetos inspirados ou copiados de concorrentes, fortalecendo o combate ao plágio no setor de tecnologia.

Registro exigirá comprovação da contribuição criativa

As mudanças se concentram nos layouts físicos dos chips, responsáveis pela organização dos componentes eletrônicos sobre o silício e considerados uma das etapas mais complexas do desenvolvimento de circuitos integrados.

A partir da atualização das regras, os pedidos de registro deverão identificar claramente quais partes do projeto representam inovação própria. Essa exigência permitirá às autoridades distinguir elementos criados pela empresa daqueles obtidos por meio de licenciamento ou de tecnologias de código aberto.

Segundo o governo chinês, a medida busca tornar o processo de proteção intelectual mais rigoroso, dificultando registros baseados em projetos sem inovação efetiva e valorizando empresas com capacidade tecnológica comprovada.

Fiscalização poderá identificar origem real dos chips

Outro objetivo das novas normas é ampliar o controle sobre a origem dos chips registrados no país.

Com informações mais detalhadas nos pedidos de proteção, as autoridades terão melhores condições para verificar se determinado semicondutor foi realmente projetado e desenvolvido na China ou se se trata de um produto obtido no exterior e posteriormente apresentado como tecnologia nacional.

Tribunais poderão aplicar indenizações maiores por infração

As mudanças também atingem a esfera judicial. A partir de meados de outubro, os tribunais chineses poderão calcular indenizações por infração levando em consideração tanto os prejuízos sofridos pelo titular dos direitos quanto os lucros obtidos pela parte infratora.

Além da compensação financeira, a legislação passa a prever a aplicação de danos punitivos em casos considerados mais graves.

A regulamentação também esclarece procedimentos relacionados ao licenciamento, à transferência de direitos e ao uso de projetos de layout de circuitos integrados como garantia em operações comerciais.

Outro ponto previsto nas novas regras determina que empresas e instituições responsáveis pelo desenvolvimento de layouts protegidos ofereçam remuneração e reconhecimento adequados aos profissionais envolvidos na criação dessas tecnologias.

Produção de chips no exterior pode enfrentar novas restrições

Paralelamente às mudanças já aprovadas, autoridades chinesas estudam adotar medidas adicionais para limitar a produção de tecnologias estratégicas fora do território nacional.

Caso essas propostas avancem e recebam aprovação do governo e do Partido Comunista Chinês, empresas do país poderão ser impedidas de fabricar seus projetos em fundições estrangeiras, como as instalações da TSMC, em Taiwan, e da Samsung Foundry, na Coreia do Sul.

Nesse cenário, os fabricantes chineses passariam a depender exclusivamente de empresas locais, como a SMIC e a Hua Hong, apesar de essas fabricantes ainda apresentarem limitações tecnológicas em comparação com os principais líderes globais do setor.

Semicondutores seguem como prioridade estratégica da China

As novas regulamentações reforçam a estratégia chinesa de fortalecer sua indústria nacional de semicondutores, considerada essencial para reduzir a dependência tecnológica externa e ampliar a competitividade do país no mercado global.

Apesar das discussões sobre restringir a fabricação no exterior, especialistas avaliam que a China ainda enfrenta desafios para produzir internamente os chips mais avançados. Até o momento, não há confirmação de que uma eventual proibição às fundições estrangeiras será implementada, e essa possibilidade segue em análise pelas autoridades chinesas.

FONTE: Adrenaline
TEXTO: Redação
IMAGEM: Unsplash

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Internacional

China amplia presença no mercado de tratores e aumenta pressão sobre a indústria brasileira

A crescente participação da China no mercado de tratores representa um novo desafio para a indústria nacional de máquinas agrícolas, que já enfrenta os reflexos da retração nos investimentos dos produtores rurais nas últimas safras. Dados inéditos da COGO Inteligência em Agronegócio revelam que, entre janeiro e junho de 2026, o Brasil importou US$ 200,4 milhões em tratores, totalizando 14.985 unidades. Desse volume, 67% tiveram origem chinesa.

Estudo aponta vantagem competitiva dos fabricantes chineses

O levantamento foi elaborado com base em informações oficiais de comércio exterior, registros da Receita Federal e dados corporativos das fabricantes asiáticas. Segundo a consultoria, as empresas chinesas conseguem produzir tratores com custos até 27% menores em comparação às indústrias instaladas no Brasil.

Entre os fatores que explicam essa vantagem estão a maior escala de produção, o menor custo do aço e despesas reduzidas com mão de obra. Como consequência, os equipamentos chegam ao mercado brasileiro com preços entre 30% e 40% inferiores aos praticados pelas marcas tradicionais do setor.

Para Carlos Cogo, sócio-diretor da COGO Inteligência em Agronegócio, o movimento deixou de ser apenas um aumento nas importações e passou a representar uma estratégia industrial completa. Segundo ele, além da chegada dos produtos, fabricantes chinesas estão ampliando fábricas, estruturando redes de distribuição e oferecendo soluções próprias de financiamento.

Fabricantes chinesas aceleram investimentos no Brasil

Entre os destaques do estudo está a expansão da YTO, líder do mercado chinês de tratores, que anunciou a instalação de uma fábrica em Caruaru (PE). O investimento previsto varia entre R$ 150 milhões e R$ 500 milhões, com expectativa de gerar até 3 mil empregos e capacidade inicial de produzir entre 100 e 120 tratores por mês a partir do fim de 2026.

Outro projeto identificado pela consultoria prevê um aporte de R$ 200 milhões para uma unidade com capacidade de fabricar 5 mil tratores por ano, volume equivalente a cerca de 10% de todo o mercado brasileiro registrado em 2025.

A XCMG também amplia sua atuação no país por meio do Banco XCMG, instituição financeira com carteira de crédito de R$ 697 milhões. Embora atualmente o foco esteja em outros segmentos, a estrutura poderá ser direcionada ao financiamento de máquinas agrícolas.

Já a Zoomlion declarou como objetivo conquistar 10% do mercado brasileiro, apostando em uma estratégia integrada que reúne venda de equipamentos e serviços financeiros.

Avanço vai além dos tratores

A ofensiva das empresas chinesas não se restringe ao segmento de tratores. O estudo mostra que fabricantes como Boshiran, CRCHI e Swan já realizam testes e comercializam colhedoras de algodão em Mato Grosso, principal estado produtor da cultura.

Ao mesmo tempo, marcas como Lovol, YTO e Zoomlion expandem sua atuação no mercado de colheitadeiras de grãos, utilizando a mesma estrutura comercial desenvolvida para os tratores.

Segundo a consultoria, esse modelo de expansão segue um padrão observado anteriormente em outros setores da economia brasileira: inicia-se pela importação de equipamentos, evolui para a instalação de fábricas, nacionalização de componentes e, posteriormente, busca acesso a linhas públicas de crédito, como Finame e Moderfrota.

Setor nacional acompanha avanço com preocupação

A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) já reconheceu que o crescimento da presença chinesa representa atualmente um desafio ainda maior para o setor do que as tarifas impostas pelos Estados Unidos, conforme declaração de sua presidência à imprensa em julho de 2026.

Para Carlos Cogo, a participação ainda reduzida das fabricantes chinesas no mercado brasileiro não deve ser interpretada como um limite para sua expansão, mas como o início de um processo de crescimento.

Na avaliação do especialista, a resposta da indústria instalada no Brasil dependerá menos de medidas de proteção comercial e mais de investimentos em eficiência, inovação tecnológica, qualidade no pós-venda, fortalecimento das redes de distribuição e ampliação das alternativas de crédito aos produtores.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN

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Notícias

EUA ampliam lista de restrições e incluem 43 empresas chinesas por suspeitas de trabalho forçado

Os Estados Unidos ampliaram a lista de empresas sujeitas a restrições comerciais ao incluir 43 companhias chinesas suspeitas de envolvimento com práticas relacionadas ao trabalho forçado na região de Xinjiang. A atualização representa a maior expansão desde a criação da relação de entidades monitoradas pela legislação norte-americana.

Com as novas inclusões, a lista passa a reunir 187 empresas, reforçando a aplicação da Lei de Prevenção do Trabalho Forçado Uigur (UFLPA), criada para impedir a entrada de produtos associados a violações de direitos humanos no mercado dos EUA.

Lei exige comprovação da origem dos produtos

A UFLPA, aprovada pelo Congresso dos Estados Unidos em 2021, estabelece a presunção de que mercadorias produzidas em Xinjiang podem ter sido fabricadas com mão de obra forçada, principalmente de uigures e outras minorias étnicas.

Para reverter essa presunção, exportadores precisam apresentar documentação que comprove a rastreabilidade da cadeia de fornecimento e demonstre que os produtos não têm relação com trabalho compulsório.

Segundo o Departamento de Segurança Interna dos EUA, a partir de 3 de agosto, a Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) passará a bloquear automaticamente a entrada de mercadorias produzidas pelas 43 empresas recém-incluídas na lista, salvo comprovação em contrário.

Empresas atuam em diversos setores industriais

As companhias adicionadas ao cadastro pertencem a diferentes segmentos da economia chinesa, incluindo as indústrias de alumínio, cobre, algodão, vestuário, além da produção de tomates e derivados.

De acordo com as autoridades norte-americanas, essas empresas são suspeitas de obter matérias-primas provenientes de Xinjiang ou de manter vínculos com programas governamentais relacionados ao recrutamento, transporte ou utilização de trabalhadores pertencentes a grupos étnicos considerados vulneráveis.

China reage e critica decisão dos Estados Unidos

O governo chinês contestou a ampliação das restrições e classificou a medida como uma forma de coerção econômica.

Em nota divulgada pelo Ministério do Comércio, Pequim afirmou que as sanções carecem de fundamentos concretos, prejudicam as cadeias globais de suprimentos e contrariam os entendimentos firmados anteriormente entre os líderes dos dois países para estabilizar as relações comerciais.

O governo chinês também declarou que adotará medidas para proteger os interesses de suas empresas diante das novas restrições impostas por Washington.

Pequim nega acusações sobre trabalho forçado

A embaixada da China em Washington voltou a rejeitar as acusações envolvendo violações de direitos humanos em Xinjiang.

Segundo representantes diplomáticos, a legislação chinesa proíbe o trabalho forçado, e os trabalhadores da região têm liberdade para escolher suas atividades profissionais. O governo também classificou as denúncias apresentadas pelos Estados Unidos como infundadas.

A ampliação da lista ocorre em um momento de persistente tensão entre as duas maiores economias do mundo, mantendo o tema dos direitos humanos, do comércio internacional e das cadeias globais de produção no centro das disputas entre Washington e Pequim.

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

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Internacional

Índia supera China e se torna o segundo maior fornecedor de marítimos do mundo

A Índia alcançou uma posição inédita no mercado marítimo internacional ao ultrapassar a China e assumir o posto de segundo maior fornecedor de profissionais do setor no mundo. A liderança continua com as Filipinas, conforme aponta o Relatório da Força de Trabalho de Marítimos BIMCO-ICS 2026.

Segundo o levantamento, o país asiático conta atualmente com 311.936 marítimos atuando na frota mundial, o equivalente a 12,16% da força de trabalho global. O avanço representa uma evolução significativa em relação a 2015, quando a Índia respondia por apenas 5,2% do total de profissionais embarcados.

Número de oficiais e tripulantes cresce em ritmo acelerado

Do contingente de trabalhadores indianos, 140.718 são oficiais, representando 13,41% da categoria em nível mundial. Outros 171.218 profissionais atuam como tripulantes (ratings), o que corresponde a 11,29% da força de trabalho global nesse segmento.

Com esse crescimento, a Índia deixou para trás países tradicionalmente fortes na formação de mão de obra marítima, como China, Rússia e Indonésia, consolidando sua relevância no setor de transporte marítimo internacional.

Expansão da mão de obra acompanha investimentos na indústria naval

Embora tenha avançado rapidamente na formação de profissionais, a participação da Índia na construção naval ainda é considerada modesta. Atualmente, o país ocupa posições entre o 19º e o 22º lugar no ranking mundial, com menos de 1% de participação no mercado, segundo dados da consultoria KPMG.

Para reduzir essa diferença em relação aos líderes globais — China, Coreia do Sul e Japão, responsáveis por cerca de 93% da produção mundial de navios —, o governo indiano lançou um programa de incentivos de aproximadamente 69.725 crore de rúpias, valor equivalente a cerca de R$ 44 bilhões.

Os recursos serão destinados à ampliação da capacidade dos estaleiros e ao fortalecimento do financiamento da indústria naval.

Brasil enfrenta déficit de oficiais da Marinha Mercante

Enquanto a Índia amplia sua presença no mercado internacional, o Brasil convive com uma escassez crescente de profissionais da Marinha Mercante, especialmente de oficiais.

Levantamento realizado pela Associação Brasileira de Armadores de Cabotagem (Abac) em parceria com o Syndarma/Abeam identificou, no primeiro semestre de 2025, 356 vagas não preenchidas entre as empresas associadas. O número não considera demandas da Petrobras e da Transpetro, o que indica um déficit ainda maior.

A falta de mão de obra especializada tem levado empresas a recorrer às chamadas dobras de embarque, prática em que o oficial permanece embarcado além do período originalmente previsto, aumentando a carga de trabalho e os desafios operacionais.

Estudos apontam déficit ainda maior nos próximos anos

As projeções para o setor indicam que a situação pode se agravar até o fim da década.

Pesquisa elaborada pela Fundação Vanzolini, em parceria com o Centro de Inovação em Logística e Infraestrutura Portuária (CILIP) da USP, estima uma carência entre 2 mil e 4 mil oficiais da Marinha Mercante até 2030. Em um cenário mais crítico, o déficit poderá alcançar 11.363 profissionais.

O estudo recomenda ampliar significativamente a formação de novos oficiais, sugerindo a capacitação de pelo menos 500 marítimos adicionais por ano.

Capacidade de formação é considerada insuficiente

Atualmente, a formação de oficiais da Marinha Mercante no Brasil é realizada exclusivamente pela Marinha do Brasil, por meio do Centro de Instrução Almirante Graça Aranha (CIAGA), no Rio de Janeiro, e do Centro de Instrução Almirante Braz de Aguiar (CIABA), em Belém.

As duas instituições formam, juntas, pouco menos de 300 novos oficiais por ano, volume considerado insuficiente para atender à crescente demanda dos setores naval, portuário e offshore, que seguem em expansão no país.

FONTE: Portos e Navios
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portos e Navios

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Agronegócio

China muda estratégia para o agro e pode impactar o futuro do agronegócio brasileiro

A China iniciou uma nova fase de desenvolvimento para o setor agropecuário, adotando uma estratégia semelhante à que impulsionou sua expansão industrial nas últimas décadas. O foco agora está em pesquisa, tecnologia, biotecnologia e investimentos direcionados para fortalecer a produção agrícola e reduzir a dependência externa.

A avaliação é da especialista em China Larissa Wachholz, referência brasileira em relações sino-brasileiras, investimentos, infraestrutura, agronegócio e políticas públicas. Ela participou de um encontro com produtores rurais, empresários e representantes do setor de sementes que integram uma missão técnica ao país asiático. A agenda coincide com a implementação do 15º Plano Quinquenal, que transforma a agricultura e a inovação genética em prioridades estratégicas do governo chinês.

Segurança alimentar ganha papel estratégico em Pequim

Segundo Larissa, a segurança alimentar deixou de ser apenas uma política agrícola e passou a integrar diretamente a estratégia nacional de estabilidade econômica e social da China.

A preocupação se intensificou diante da necessidade de garantir o abastecimento de uma população de aproximadamente 1,4 bilhão de habitantes. Para o governo chinês, eventuais falhas no fornecimento de alimentos podem provocar impactos sociais e econômicos relevantes.

Esse cenário foi reforçado por uma sequência de crises. Entre 2017 e 2018, a peste suína africana reduziu drasticamente o rebanho de suínos do país. Em seguida vieram a pandemia de Covid-19 e o aumento das tensões comerciais com os Estados Unidos, evidenciando fragilidades na cadeia de suprimentos e acelerando os investimentos para ampliar a produção interna.

Envelhecimento da população pressiona produtividade

Outro fator que influencia a nova política agrícola é a mudança demográfica. O rápido envelhecimento da população chinesa, consequência da antiga política do filho único, aumenta a necessidade de ganhos de produtividade no campo.

Com menos pessoas em idade ativa nas próximas décadas, o governo aposta em automação, inovação e tecnologias capazes de elevar a eficiência da produção agrícola.

Além disso, Pequim busca diminuir sua dependência tecnológica em setores considerados estratégicos, incluindo o agronegócio.

Sementes e biotecnologia tornam-se prioridade nacional

Entre as principais mudanças está o fortalecimento da indústria de sementes. O governo atualizou a legislação, ampliou os investimentos em pesquisa, flexibilizou normas para organismos geneticamente modificados (OGMs) e direcionou recursos para empresas e centros de desenvolvimento.

Na visão da especialista, as sementes passaram a ocupar um papel semelhante ao dos chips na indústria tecnológica, tornando-se um dos ativos mais estratégicos para garantir produtividade e autonomia agrícola.

Planejamento de longo prazo acelera mudanças

O modelo chinês segue baseado em planejamento estatal de longo prazo. A cada cinco anos, o governo define metas econômicas, científicas e tecnológicas que orientam investimentos públicos, financiamento e políticas industriais.

Esse mecanismo ajuda a explicar a rapidez com que o país reorganiza setores considerados estratégicos.

A recuperação da suinocultura após a peste suína africana é apontada como exemplo. Mesmo diante do ceticismo internacional, a China reorganizou sua cadeia produtiva, investiu em digitalização, tecnologia e conseguiu acelerar a recomposição do rebanho dentro das metas estabelecidas.

China continuará importando alimentos, mas quer reduzir dependências

Apesar do fortalecimento da produção doméstica, a estratégia chinesa não significa o fim das importações de alimentos.

Segundo Larissa, o objetivo do governo é reduzir o crescimento da dependência externa, especialmente em produtos considerados estratégicos, e não interromper as compras internacionais.

A urbanização acelerada transformou os hábitos alimentares da população. Atualmente, cerca de 65% dos chineses vivem nas cidades, o que elevou significativamente o consumo de carnes, frutas e alimentos de maior valor agregado.

Esse movimento impulsionou o crescimento do agronegócio brasileiro, principalmente por meio das exportações de soja, utilizada na produção de ração animal.

Soja continua estratégica, mas demanda pode crescer em ritmo menor

Mesmo permanecendo como o maior comprador mundial de soja, a China intensifica investimentos em genética, melhoramento de sementes e aumento da produtividade para reduzir a necessidade de ampliar continuamente as importações.

Essa estratégia ajuda a explicar a projeção do Ministério da Agricultura da China, que estima importações de 95,5 milhões de toneladas de soja na safra 2026/27, volume inferior ao registrado no ciclo anterior em razão da redução do plantel de matrizes suínas.

Para especialistas, o desafio para o Brasil não está na manutenção das exportações atuais, mas em compreender que a expansão da demanda chinesa tende a ocorrer em ritmo mais moderado.

Mudanças também criam oportunidades para o Brasil

As transformações na política agrícola chinesa podem abrir novas oportunidades para empresas brasileiras.

A transição energética conduzida pelo país asiático deve ampliar a demanda por matérias-primas destinadas à produção de combustíveis sustentáveis para aviação e navegação, além de favorecer mercados ligados ao etanol de milho, produtos de base biológica e novas soluções tecnológicas para o campo.

Nesse cenário, especialistas avaliam que o Brasil poderá fortalecer sua parceria com a China não apenas como fornecedor de commodities, mas também por meio da cooperação em inovação, tecnologia e competitividade no setor agropecuário.

FONTE: Forbes
TEXTO: Redação
IMAGEM: Getty Images

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Internacional

Consulados dos EUA podem ser fechados em cinco países, incluindo Canadá e Japão

O governo dos Estados Unidos estuda reduzir sua presença diplomática no exterior com o fechamento de cinco representações em diferentes países. A informação foi revelada por fontes ouvidas pela Reuters, que afirmam que o Departamento de Estado já comunicou o plano ao Congresso norte-americano.

Caso seja confirmada, a medida representará uma rara redução da rede diplomática dos EUA sem relação direta com uma crise geopolítica específica.

Missões afetadas estão na Ásia, América e África

Segundo as fontes, a notificação enviada a comissões do Congresso prevê o encerramento das atividades da embaixada em St. George’s, em Granada, além dos consulados localizados em Nagoya (Japão), Medan (Indonésia) e Winnipeg (Canadá).

O plano também inclui o fechamento do escritório de extensão da embaixada dos EUA em Douala, nos Camarões.

Essas representações exercem papel importante na prestação de serviços consulares e na defesa dos interesses americanos em regiões distantes das capitais, onde normalmente estão instaladas as embaixadas.

Redução faz parte de reestruturação diplomática

De acordo com a Reuters, a iniciativa integra um processo mais amplo de reorganização da estrutura do Departamento de Estado iniciado durante o governo do presidente Donald Trump.

Ainda no início da atual administração, estudos internos passaram a avaliar o encerramento de quase uma dúzia de missões diplomáticas como parte da política “America First”, voltada à redução de custos e à reestruturação da burocracia federal.

O Escritório de Gestão e Orçamento da Casa Branca chegou a defender um plano ainda mais amplo, com a possibilidade de fechamento de até 30 representações diplomáticas no exterior.

Governo defende eficiência da rede diplomática

Integrantes da administração argumentam, de forma reservada, que algumas missões de menor porte apresentam baixa relação entre custos e resultados, tornando-se dispensáveis dentro da estratégia de racionalização dos gastos públicos.

Em nota divulgada no domingo (2), o Departamento de Estado não confirmou oficialmente o fechamento das unidades, mas afirmou que trabalha para garantir uma presença diplomática “eficiente e eficaz” ao redor do mundo.

O órgão também destacou que seguirá todos os procedimentos legais de comunicação ao Congresso antes da adoção de qualquer medida.

O secretário de Estado, Marco Rubio, tem defendido as iniciativas de redução de despesas, afirmando que a reestruturação busca tornar a instituição mais enxuta e menos burocrática.

Especialistas alertam para impacto estratégico

A proposta, porém, enfrenta críticas de parlamentares democratas e de ex-integrantes das áreas de política externa e segurança nacional.

Na avaliação desses grupos, a diminuição da presença diplomática dos Estados Unidos, somada ao enfraquecimento da Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (USAID), pode reduzir a influência norte-americana em diversas regiões do mundo.

Segundo essa análise, o eventual recuo diplomático abriria espaço para que países como China e Rússia ampliem sua atuação internacional.

China mantém presença em parte das cidades

Durante o governo do ex-presidente Joe Biden, os Estados Unidos ampliaram sua rede diplomática principalmente na região do Pacífico, considerada estratégica na disputa por influência com a China.

Entre as cidades incluídas no atual plano de cortes, a China mantém representações diplomáticas em St. George’s, Nagoya e Medan. Já em Douala e Winnipeg, não há missões diplomáticas chinesas em funcionamento.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Paul Weaver/Unsplash

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Agronegócio

Máquinas agrícolas chinesas avançam no Brasil e aumentam pressão sobre a indústria nacional

A presença de fabricantes de máquinas agrícolas chinesas no mercado brasileiro vem crescendo rapidamente e intensifica a concorrência com empresas tradicionais do setor. Além de ampliar as importações, companhias da China passaram a investir em produção local, estrutura financeira e expansão da rede de distribuição no país.

Um levantamento da Cogo Inteligência em Agronegócio aponta que essa estratégia tem fortalecido a participação das marcas chinesas, que oferecem tratores e colheitadeiras com preços entre 30% e 40% inferiores aos praticados pelos fabricantes já consolidados no Brasil.

China lidera importações de tratores

Dados da consultoria mostram que, entre janeiro e junho de 2026, o Brasil importou US$ 200,4 milhões em tratores, totalizando 14.985 unidades. Desse volume, 67% tiveram origem na China.

Segundo o estudo, a competitividade das fabricantes chinesas é resultado de fatores como elevada escala de produção, menor custo de matérias-primas, especialmente do aço, e despesas reduzidas com mão de obra. Com isso, o custo de fabricação pode ser até 27% menor em comparação com empresas instaladas no Brasil.

Fabricantes ampliam investimentos no mercado brasileiro

Para o sócio-diretor da Cogo Inteligência em Agronegócio, Carlos Cogo, o avanço das empresas chinesas já não se limita à importação de equipamentos.

De acordo com o especialista, o movimento inclui a instalação de fábricas, criação de operações financeiras próprias e fortalecimento dos canais de venda, caracterizando uma estratégia industrial de longo prazo.

Entre os investimentos anunciados está o projeto da fabricante YTO, que pretende instalar uma unidade em Caruaru (PE). O aporte previsto varia entre R$ 150 milhões e R$ 500 milhões, com capacidade estimada de produção entre 100 e 120 tratores por mês a partir do final de 2026.

Outro empreendimento identificado pela consultoria prevê investimento de R$ 200 milhões para fabricar até 5 mil tratores por ano.

Crédito próprio fortalece estratégia comercial

Além da produção, empresas chinesas também ampliam sua atuação na oferta de financiamento para aquisição de equipamentos.

A XCMG já opera no Brasil com banco próprio, cuja carteira de crédito soma R$ 697 milhões e pode ser utilizada para financiar máquinas agrícolas.

Já a Zoomlion estabeleceu como objetivo conquistar 10% do mercado brasileiro, combinando a venda de equipamentos com soluções de crédito para produtores rurais.

Concorrência se estende a outros segmentos

O estudo indica que a expansão das fabricantes chinesas também alcança mercados como o de colheitadeiras de grãos e colhedoras de algodão, especialmente em Mato Grosso, utilizando a mesma estrutura comercial desenvolvida para os tratores.

Segundo a consultoria, o modelo adotado pelas empresas segue uma estratégia já observada em outros setores econômicos: inicialmente ampliam as importações, depois investem em produção local e, por fim, buscam integrar-se às linhas de financiamento disponíveis no país.

Indústria brasileira terá de investir em competitividade

Na avaliação da Cogo Inteligência em Agronegócio, a resposta da indústria nacional não deve se restringir a medidas de proteção comercial.

Para enfrentar a concorrência internacional, fabricantes brasileiros precisarão ampliar investimentos em tecnologia, inovação, qualidade dos equipamentos, assistência técnica, pós-venda e alternativas de financiamento ao produtor rural.

Esses fatores tendem a ser decisivos para preservar a competitividade da indústria brasileira diante do avanço das empresas chinesas no mercado de máquinas agrícolas.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: IA

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