Comércio Internacional

Câmara de Itajaí recebe delegação de Xangai para ampliar relações comerciais e institucionais

A Câmara de Vereadores de Itajaí recebeu, na manhã desta sexta-feira (28), uma delegação do Governo Municipal de Xangai, na China. A visita reuniu principalmente integrantes da Comissão Municipal de Comércio de Xangai e teve como propósito aproximar as duas cidades e ampliar oportunidades de cooperação.

A agenda foi organizada pela Invest Itajaí e contou com a participação de vereadores, representantes do Executivo Municipal, do Porto de Itajaí, do setor logístico, do comércio e da Univali.

Delegação de Xangai conhece estrutura da Câmara de Itajaí

Durante a visita, os representantes chineses conheceram as instalações da Câmara e receberam informações sobre o funcionamento do Legislativo Municipal de Itajaí.

Na sequência, uma reunião apresentou aos integrantes da comitiva diferentes características e potencialidades do município. O encontro também permitiu que os visitantes esclarecessem dúvidas e conhecessem melhor os produtos e serviços de Itajaí.

A intenção foi apresentar o município como um possível parceiro para a expansão de negócios e para o fortalecimento das relações comerciais entre Brasil e China.

Xangai vê potencial para ampliar relações com Itajaí

O vice-diretor da Comissão Municipal de Comércio de Xangai, Zhang Jie, destacou o potencial de Itajaí para contribuir com a aproximação entre a cidade chinesa e o Brasil.

Segundo ele, o município catarinense pode assumir um papel importante na ampliação das relações entre os dois países, especialmente a partir de novas oportunidades de comércio internacional e cooperação.

A presença de representantes do porto, da cadeia logística e do setor empresarial também contribuiu para apresentar a estrutura econômica de Itajaí aos visitantes.

Instituto Confúcio pode ser instalado em Itajaí

Além das oportunidades na área comercial, a delegação chinesa demonstrou interesse na possibilidade de instalação de uma unidade do Instituto Confúcio em Itajaí.

A instituição integra uma rede internacional de centros educacionais sem fins lucrativos ligada ao governo chinês. Seu trabalho é voltado principalmente à divulgação da língua mandarim e da cultura chinesa em diferentes países.

A eventual implantação de uma sede em Itajaí poderia ampliar os intercâmbios culturais e educacionais entre o município e a China.

Autoridades e empresários são convidados a visitar Xangai

Ao término da reunião, representantes do poder público e empresários de Itajaí receberam um convite para conhecer Xangai e participar de uma feira de negócios na cidade chinesa.

A iniciativa abre espaço para novas conversas e possíveis parcerias nas áreas comercial, logística, empresarial, educacional e cultural.

Xangai é uma das principais cidades da China

Considerada a maior cidade da China, Xangai possui população estimada em quase 30 milhões de habitantes, de acordo com estimativa da Organização das Nações Unidas (ONU).

A cidade também abriga o maior porto do mundo, responsável pela movimentação de mais de 47 milhões de TEUs por ano, o que reforça sua relevância para o comércio internacional e para a cadeia logística global.

Itajaí, por sua vez, busca fortalecer sua posição como polo portuário e logístico, tornando o intercâmbio com uma das principais cidades comerciais da China uma oportunidade estratégica para o município.

FONTE: Câmara de Vereadores de Itajaí
TEXTO: Redação
IMAGEM: Davi Spuldaro / CVI

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Portos

Porto Itapoá inaugura escritório em Xangai para ampliar negócios com a China

O Porto Itapoá inaugurou nesta quarta-feira (26) um escritório em Xangai, na China, com a estratégia de ampliar sua presença no mercado asiático e fortalecer os negócios entre empresas brasileiras e chinesas. A nova unidade está localizada em uma das principais cidades industriais e logísticas do país, que também abriga o maior terminal portuário de contêineres do mundo.

A instalação do escritório ocorre em um momento de expansão das operações do terminal catarinense, que se prepara para receber navios de grande porte com capacidade máxima de carga.

A estrutura em Xangai pretende aproximar o Porto Itapoá de novos clientes, parceiros, armadores e empresas ligadas ao comércio exterior, além de estreitar relações com companhias que já mantêm negócios com o Brasil.

Por que Xangai foi escolhida pelo Porto Itapoá

A escolha da cidade chinesa tem caráter estratégico. Xangai é um dos principais centros logísticos e empresariais da China e reúne uma extensa rede de indústrias, empresas de comércio exterior, operadores logísticos, armadores e fornecedores que atuam nas cadeias globais de produção e distribuição.

Para o CEO do Porto Itapoá, Ricardo Arten, estar fisicamente na cidade permite ao terminal catarinense acompanhar mais de perto um mercado de grande relevância para suas operações.

“Estar em Xangai significa estar mais próximo de um mercado que tem uma importância enorme para o Brasil e, particularmente, para o Porto Itapoá. Nosso objetivo é fortalecer os relacionamentos que já existem, identificar novas oportunidades e mostrar para empresas que ainda não utilizam o Terminal toda a capacidade que temos para atender suas operações”, afirma.

China responde por quase metade das importações do terminal

A relevância da China para o comércio exterior do Porto Itapoá aparece nos números das operações realizadas no primeiro semestre de 2026.

Entre janeiro e junho, 49,4% das importações movimentadas pelo terminal tiveram a China como origem. No sentido contrário, 17,9% das exportações que passaram pelo porto catarinense tiveram o país asiático como destino.

A relação é especialmente significativa para produtos ligados às cadeias agroindustriais e florestais. Mais de 90% das cargas exportadas pelo Porto Itapoá para a China no primeiro semestre estavam concentradas nesses segmentos.

Entre os principais produtos estão:

  • Papel e celulose: 50,13%;
  • Carnes refrigeradas e congeladas: 43,97%;
  • Algodão: 2,72%;
  • Madeira: 2,12%.

Os dados reforçam a importância da conexão comercial entre Santa Catarina, a região Sul e a China, além de apontarem espaço para ampliar os fluxos de mercadorias entre os mercados.

Escritório em Xangai busca novas cargas e oportunidades

A presença do Porto Itapoá na China também deverá servir para monitorar mudanças capazes de afetar as cadeias de suprimentos brasileiras.

Entre os movimentos que poderão ser acompanhados estão alterações na produção industrial, novos investimentos, abertura de fábricas, mudanças na demanda, lançamento de produtos e modificações na programação dos serviços marítimos.

“Não se trata apenas de ter uma estrutura física na China. Queremos compreender melhor o que está acontecendo naquele mercado e transformar essa proximidade em informação útil para nossos clientes e para o comércio exterior brasileiro. Uma decisão tomada na origem pode produzir efeitos importantes milhares de quilômetros depois”, explica Arten.

Segundo o executivo, a unidade também poderá aproximar o terminal de empresas chinesas interessadas em investir no Brasil.

A chegada de novos investimentos industriais, por exemplo, pode gerar demanda tanto para a importação de máquinas, componentes e equipamentos quanto para a posterior exportação de produtos fabricados no país.

Porto Itapoá quer ampliar conexão entre Brasil e Ásia

A expansão para Xangai faz parte de uma estratégia voltada à criação de novos relacionamentos e oportunidades comerciais. A expectativa é que a proximidade com o mercado chinês contribua para o desenvolvimento de novas rotas marítimas, serviços e fluxos de comércio.

“Nosso objetivo é construir relações de longo prazo. O escritório será uma ponte entre empresas brasileiras e asiáticas, aproximando os diferentes elos da cadeia e criando condições para que novas oportunidades de comércio possam ser desenvolvidas”, conclui Arten.

Com a nova unidade, o Porto Itapoá em Santa Catarina amplia sua atuação internacional e busca transformar a presença física na China em uma ferramenta para atrair cargas, investimentos e novas conexões para o terminal catarinense.

FONTE: NSC Total
TEXTO: Redação
IMAGEM: Porto Itapoá/Divulgação

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Exportação

Nova cota dos EUA para carne bovina pode abrir alternativa ao mercado chinês

A ampliação temporária da cota de importação de carne bovina pelos Estados Unidos é vista pelo setor frigorífico brasileiro como uma oportunidade para reduzir os impactos do esgotamento da cota destinada à China. A medida, que prevê mais 300 mil toneladas de carne bovina magra com tarifa reduzida, entra em vigor em 1º de setembro.

A Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) avaliou positivamente a decisão do governo norte-americano. Segundo a entidade, o aumento do volume autorizado pode favorecer a competitividade da carne bovina brasileira no mercado dos Estados Unidos em um momento de maior pressão sobre o comércio internacional.

EUA ampliam cota para carne bovina magra

A decisão do presidente Donald Trump estabelece, pelos próximos 90 dias, uma ampliação de 300 mil toneladas na cota de importação de carne bovina magra pelos Estados Unidos.

O volume adicional inclui as chamadas trimmings, ou aparas de carne, que são utilizadas principalmente na fabricação de carne moída.

Para a Abrafrigo, a medida chega em um momento estratégico para o setor brasileiro e representa uma possibilidade adicional de acesso ao mercado americano de carne bovina.

Medida pode reduzir efeitos da cota chinesa

Em comunicado, a associação destacou que a nova oportunidade comercial poderá ajudar a amenizar os efeitos provocados pelo esgotamento da cota de exportação para a China, um dos principais destinos da carne bovina brasileira.

A entidade considera que o aumento temporário da cota nos EUA cria uma alternativa para os frigoríficos brasileiros em um cenário de maior restrição e disputa no comércio internacional de proteínas.

Abrafrigo cobra habilitação de novos frigoríficos

Apesar da avaliação positiva, a Abrafrigo criticou a ausência de frigoríficos de Pará, Acre e Maranhão entre as plantas habilitadas a exportar para os Estados Unidos.

Na avaliação da entidade, essa limitação impede que os ganhos proporcionados pela nova cota sejam distribuídos de forma equilibrada entre os diferentes Estados produtores de carne bovina.

O presidente executivo da Abrafrigo, Paulo Mustefaga, defendeu a ampliação das habilitações brasileiras para o mercado internacional.

Segundo ele, o país precisa continuar trabalhando para autorizar novos Estados e frigoríficos exportadores, ampliando o acesso a diferentes destinos e permitindo que um número maior de produtores e empresas aproveite as oportunidades geradas pelo comércio exterior.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/Mapa

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Internacional

China amplia presença militar ao redor de Taiwan e ilha reforça defesa com drones

A China intensificou a pressão sobre Taiwan ao ampliar de forma significativa a presença de embarcações governamentais nas águas próximas à ilha. Em julho, um número recorde de navios da Guarda Costeira chinesa, barcos de pesquisa científica e outras embarcações oficiais foi identificado na região.

Dados oficiais compartilhados com a agência AFP apontam que 244 embarcações chinesas foram detectadas ao redor de Taiwan durante o mês. A média equivale a cerca de oito navios por dia.

Presença chinesa cresce rapidamente

O volume registrado em julho representa uma forte alta em comparação com os meses anteriores. Em junho, foram identificadas 55 embarcações, enquanto maio teve 30 registros.

A movimentação continuou em agosto. Apenas nos primeiros 21 dias do mês, 152 navios chineses foram detectados nas proximidades de Taiwan. Desde maio, o número acumulado chegou a 1.247 embarcações ao redor da ilha e de seus territórios periféricos.

Entre os navios identificados em julho, aproximadamente 60% pertenciam à Guarda Costeira da China. As demais embarcações eram, em sua maioria, navios de pesquisa ou outros meios vinculados ao governo chinês.

Um alto funcionário da Guarda Costeira de Taiwan, que falou à AFP sob condição de anonimato, afirmou que o aumento da atividade chinesa demonstra o agravamento do cenário.

Navios de pesquisa geram preocupação militar

A intensificação da presença chinesa também levanta preocupações sobre possíveis preparativos para operações militares. Além de um eventual bloqueio naval, que poderia comprometer a entrada de petróleo, alimentos e outros produtos essenciais nos portos taiwaneses, a atuação de navios oceanográficos chama atenção das autoridades.

A Guarda Costeira de Taiwan estima que a China possua mais de 120 navios de pesquisa oceanográfica. Cerca de 41 deles estariam sendo monitorados em áreas próximas à ilha.

Os dados coletados por essas embarcações, como informações sobre o fundo do mar, correntes marítimas e condições oceânicas, podem ter utilidade estratégica em futuras operações navais, especialmente em ações envolvendo submarinos.

Tensão entre China e Taiwan permanece

Pequim considera Taiwan parte de seu território e não descarta o uso da força para assumir o controle da ilha. A relação entre os dois lados é marcada por décadas de tensão, que se intensificou a partir de 2016, quando o Partido Progressista Democrático (DPP) chegou ao poder em Taiwan.

O aumento das atividades marítimas chinesas ocorre, portanto, em um contexto de crescente preocupação com a possibilidade de uma crise militar no Estreito de Taiwan.

Taiwan aprova investimento bilionário em drones

Como parte da resposta à pressão chinesa, o Parlamento de Taiwan aprovou na quinta-feira, 27, um orçamento de US$ 7,5 bilhões, equivalente a aproximadamente R$ 38 bilhões, destinado à aquisição de drones produzidos localmente.

A medida teve o respaldo dos principais partidos de oposição, o Kuomintang (KMT) e o Partido Popular Taiwanês (TPP).

Nos últimos anos, Taiwan vem ampliando os gastos com defesa nacional e fortalecendo sua indústria militar. A estratégia busca aumentar a capacidade doméstica de fabricação de armas, equipamentos e munições diante da possibilidade de um conflito.

Indústria de defesa também passa por mudanças

No fim de julho, o Ministério da Defesa de Taiwan informou que o país pretende testar medidas para transferir linhas de produção de armamentos e adaptar fábricas civis para atividades militares.

A iniciativa tem como objetivo garantir a continuidade da produção mesmo em um cenário de ataques chineses contra instalações industriais e centros de fabricação de equipamentos de defesa.

O movimento mostra que, além de reforçar sua capacidade militar, Taiwan busca aumentar a resiliência de sua indústria de defesa diante de uma eventual escalada das tensões com Pequim.

FONTE: Veja
TEXTO: Redação
IMAGEM: TED ALJIBE/AFP/Getty Images

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Comércio Exterior

China muda hábitos alimentares e abre oportunidades para a indústria de alimentos de SC

As mudanças nos hábitos alimentares da China e a estratégia do país para aumentar a produção doméstica de alimentos devem entrar no radar da indústria catarinense. Estudo do Observatório FIESC mostra que fatores como urbanização, industrialização e crescimento da renda estão alterando o perfil de consumo chinês, com possíveis reflexos sobre as exportações de Santa Catarina para a China.

A análise foi apresentada nesta terça-feira (25), durante reunião do Conselho de Alimentos e Bebidas da FIESC.

Mudanças no consumo chinês exigem atenção de SC

Para Rosimeri Francener, presidente do Conselho de Alimentos e Bebidas da FIESC, acompanhar a transformação do mercado chinês é essencial para antecipar movimentos capazes de afetar a economia catarinense.

Segundo ela, a indústria atravessa uma transformação significativa nos padrões globais de produção e consumo e precisa se preparar para continuar competitiva diante dessas mudanças.

A pesquisadora Tamires Costa, do Observatório FIESC, explica que a China vem adotando medidas para ampliar a produção nacional de alimentos e incorporar mais tecnologia à indústria do setor.

Entre os objetivos estabelecidos nos planos quinquenais está o aumento da produção de grãos, que deverá passar de 650 milhões para 725 milhões de toneladas até 2030.

Autossuficiência chinesa pode pressionar exportações

Embora tenha uma produção agrícola de grande escala, a China ainda depende do mercado externo em determinadas cadeias, como a soja. Em segmentos importantes para Santa Catarina, porém, o nível de produção doméstica é elevado.

No caso do frango, a autossuficiência chinesa chega a 98%. Para a carne suína, o índice é de 97%. Os dois produtos estão entre os principais itens da pauta exportadora catarinense destinada ao mercado chinês.

Os dados do Observatório FIESC mostram uma diferença importante no desempenho das exportações. Enquanto as vendas brasileiras dos produtos analisados cresceram 47% na série histórica considerada, as exportações catarinenses registraram queda de 34%.

Carne suína mostra impacto da recuperação chinesa

A trajetória da carne suína catarinense ajuda a explicar os efeitos da mudança no mercado chinês.

Durante o período mais crítico da peste suína africana, a autossuficiência da China caiu de 97% para 89% em 2020. A redução da produção doméstica abriu espaço para fornecedores estrangeiros e impulsionou as vendas de Santa Catarina.

Em 2021, o Estado chegou a exportar US$ 758 milhões em carne suína para a China. Com a recuperação da produção chinesa nos anos seguintes, porém, Santa Catarina perdeu aproximadamente US$ 490 milhões em exportações entre 2021 e 2024.

O cenário demonstra como a dependência de poucos produtos e de um único grande mercado pode aumentar a exposição da indústria às mudanças na oferta e na demanda internacional.

Diversificação pode ampliar espaço para SC na China

O estudo do Observatório FIESC aponta que Santa Catarina possui alternativas para diversificar as exportações de alimentos destinadas ao mercado chinês.

Entre os produtos catarinenses que já são produzidos e exportados e apresentam potencial de crescimento estão:

  • Pescados e crustáceos;
  • Preparações alimentícias;
  • Miudezas comestíveis;
  • Farinha de carne;
  • Produtos para alimentação animal;
  • Leite em pó.

A estratégia pode incluir ainda o avanço de produtos com maior valor agregado. A mudança no perfil de consumo dos chineses cria espaço para alimentos processados, segmento no qual a indústria catarinense possui capacidade de transformar matérias-primas em produtos de maior valor.

Condição sanitária é diferencial competitivo

Além da capacidade industrial, Santa Catarina conta com um diferencial importante para ampliar sua presença no mercado asiático: a condição sanitária do Estado.

De acordo com Tamires Costa, esse fator pode contribuir para aumentar a competitividade dos produtos catarinenses e facilitar a conquista de novos espaços no mercado chinês de alimentos.

A expansão, entretanto, depende de uma estratégia que acompanhe de perto as políticas de autossuficiência alimentar da China e as mudanças no comportamento dos consumidores.

Indústria catarinense precisa reduzir concentração

Para o setor produtivo de Santa Catarina, o principal desafio é diminuir a dependência de um grupo restrito de produtos e ampliar a variedade de itens exportados.

Isso envolve diversificar a pauta, investir em produtos de maior valor agregado e prospectar novos destinos internacionais. A estratégia pode reduzir a vulnerabilidade da indústria catarinense às oscilações de demanda provocadas pelas mudanças no mercado chinês.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Magnific

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Logística

Crise logística na Ásia eleva frete marítimo e ameaça abastecimento de pneus no Brasil

Os custos do frete marítimo internacional entre a China e o Brasil continuam em forte alta e já chegam a US$ 9.500 por contêiner de 40 pés para embarques previstos entre 1º e 7 de setembro. As cotações variam conforme o armador, a disponibilidade de espaço e equipamentos e as condições de negociação.

O cenário aumenta a preocupação dos importadores brasileiros de pneus, que já vinham acompanhando a deterioração das condições logísticas no mercado asiático. A Associação Brasileira dos Importadores e Distribuidores de Pneus (ABIDIP) havia utilizado anteriormente o valor de US$ 8.300 como referência para o frete, montante que já foi ultrapassado pelas novas cotações.

Portos chineses enfrentam congestionamento e risco climático

Além da alta dos preços, os importadores enfrentam dificuldades para garantir espaço nos navios. Informações recebidas pela ABIDIP em 24 de agosto apontam a possibilidade de três novos tufões afetarem regiões portuárias estratégicas, como Shenzhen, Ningbo e Shanghai.

Os principais portos chineses já registram atrasos, omissões de escalas e falta de equipamentos. Também há dificuldades para que os armadores disponibilizem navios suficientes para retirar os contêineres acumulados nos terminais.

Segundo informações repassadas à entidade pelo setor de transporte internacional, o backlog portuário nos principais portos chineses estaria próximo de 400 mil TEUs.

As dificuldades também já afetam a programação dos armadores. Entre os relatos recebidos pelo setor, a HMM (Hyundai Merchant Marine) teria informado que sua próxima operação em Shanghai está prevista apenas para 22 de setembro, após remanejamentos para atender outros portos e recuperar escalas atrasadas.

Para Ricardo Alípio, presidente da ABIDIP, a situação deixou de ser apenas uma questão relacionada ao preço do transporte.

“Até algumas semanas atrás discutíamos principalmente o preço do frete. Agora, temos uma preocupação adicional: conseguir espaço e equipamento para embarcar.”

Segundo ele, a combinação de fretes próximos de US$ 10 mil, congestionamento portuário, atrasos e cancelamentos de escalas pode comprometer a regularidade do abastecimento no mercado brasileiro.

Setembro pode ser crítico para importadores de pneus

A expectativa do setor é de que setembro apresente uma forte restrição de espaço nos navios, principalmente nas rotas com origem na China.

A situação preocupa especialmente os importadores de pneus, que precisam antecipar suas operações para manter os estoques destinados ao mercado nacional.

Os associados da ABIDIP atuam principalmente no mercado de reposição, atendendo consumidores, revendedores, frotistas, motoristas de aplicativo, transportadores urbanos e pequenos empreendedores.

A entidade avalia que a redução da oferta e a elevação dos custos de importação podem chegar ao consumidor por meio do aumento dos preços dos pneus.

“O pneu é um item obrigatório de segurança. Se aumentamos simultaneamente o custo logístico e as barreiras à importação, quem acaba pagando essa conta é o consumidor brasileiro”, afirma Alípio.

O presidente da entidade também alerta que preços mais elevados podem fazer motoristas adiarem a substituição de pneus desgastados, aumentando os riscos à segurança no trânsito.

Frete mais caro aumenta pressão sobre o preço dos pneus

A ABIDIP já havia calculado os efeitos da combinação entre frete marítimo e tributação. No cenário considerado pela entidade, com frete de US$ 8.300 e eventual aumento do Imposto de Importação para 35%, um pneu 185/60 R15 poderia passar de R$ 254,90 para R$ 331,97.

O aumento estimado seria de 30,2%.

Com as atuais cotações podendo chegar a US$ 9.500 por contêiner, a pressão exercida pelos custos logísticos tornou-se ainda maior do que a considerada no levantamento inicial.

ABIDIP critica possível aumento do Imposto de Importação

A crise logística ocorre enquanto está em discussão uma possível elevação do Imposto de Importação sobre pneus de passeio, dos atuais 25% para 35%.

Para a ABIDIP, aplicar uma nova tarifa neste momento representaria um segundo impacto sobre uma cadeia que já enfrenta custos elevados por fatores externos.

“O Brasil não controla tufões, congestionamentos nos portos asiáticos ou a disponibilidade de navios. Mas controla sua política tarifária”, afirma Ricardo Alípio.

A entidade defende que eventuais medidas de proteção à indústria nacional sejam adotadas por meio dos mecanismos de defesa comercial previstos na legislação, sem comprometer a concorrência, a previsibilidade e o abastecimento.

Diversificação de fornecedores é vista como segurança de abastecimento

Na avaliação da ABIDIP, manter diferentes fontes de fornecimento torna-se ainda mais importante diante da atual crise internacional.

A entidade considera que restringir alternativas de importação em um momento de dificuldades logísticas pode aumentar a vulnerabilidade do mercado brasileiro.

“A competitividade deve ser construída com produtividade, inovação e eficiência, e não simplesmente com o aumento de tarifas”, conclui Alípio.

FONTE: 54 Psi

TEXTO: Redação

IMAGEM: Reprodução/54 Psi

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Economia

China amplia rede do yuan digital e autoriza mais 8 bancos a operar o e-CNY

O Banco Central da China autorizou mais oito instituições financeiras a oferecer serviços relacionados ao yuan digital, também conhecido como e-CNY. Anunciada em 17 de agosto de 2026, a nova rodada elevou para 30 o número de bancos habilitados a operar com a moeda digital chinesa.

A iniciativa faz parte da estratégia de Pequim para ampliar a presença do e-CNY no sistema financeiro e estimular sua utilização em pagamentos cotidianos. Esta é a segunda rodada de autorizações realizada em 2026 e está alinhada às diretrizes estabelecidas pelo 15º Plano Quinquenal da China.

Oito bancos entram na rede do e-CNY

Entre as novas instituições autorizadas estão três bancos nacionais de capital aberto:

  • Ping An Bank;
  • Hengfeng Bank;
  • China Bohai Bank.

Também foram incluídos cinco bancos comerciais urbanos:

  • Bank of Shanghai;
  • Bank of Hangzhou;
  • Huishang Bank;
  • Bank of Changsha;
  • Guangxi Beibu Gulf Bank.

Com a expansão, os seis grandes bancos estatais chineses e os 12 bancos nacionais de capital aberto passaram a estar habilitados a operar com o yuan digital.

Em abril, o Banco Popular da China (PBOC, na sigla em inglês) havia incorporado outras 12 instituições à rede. No início do projeto, eram 10 operadores, incluindo os principais bancos estatais e instituições privadas associadas à Tencent e ao Ant Group.

Segundo a autoridade monetária, os oito novos participantes começarão a prestar os serviços depois que concluírem os preparativos técnicos. O banco central também informou que pretende continuar ampliando a rede de operadores de acordo com a demanda do mercado.

Projeto do yuan digital alcança 26 regiões

O programa piloto do e-CNY já está presente em 26 regiões distribuídas por 17 unidades provinciais da China. A gestão do sistema fica em Pequim, enquanto Xangai concentra um centro voltado às operações internacionais.

O yuan digital é uma CBDC (moeda digital de banco central) emitida diretamente pelo Banco Popular da China. Ao contrário do bitcoin e de outras criptomoedas, o e-CNY é controlado pela autoridade monetária e mantém seu valor atrelado ao yuan.

Em 2026, novas funcionalidades aproximaram a moeda digital das características dos depósitos bancários, ampliando suas possibilidades de utilização dentro do sistema financeiro.

E-CNY avança no mercado de títulos

A expansão do yuan digital na China também chegou ao mercado de capitais. Em agosto, o Bank of Xiamen realizou a primeira emissão no país de um título financeiro verde denominado em e-CNY.

A operação movimentou 3 bilhões de yuans, com vencimento em três anos e juros de 1,6% ao ano. Os recursos serão destinados ao financiamento de projetos ambientais.

Anteriormente, em junho, o Huaihe Energy Holdings Group havia emitido um título de médio prazo de 1 bilhão de yuans relacionado a ativos de carbono, com liquidação realizada em yuan digital.

Governo amplia uso em pagamentos cotidianos

Além das aplicações financeiras, Pequim busca tornar o e-CNY mais presente na rotina dos consumidores.

O aplicativo oficial da moeda passou a disponibilizar códigos para pagamento de transporte público em oito cidades, incluindo Xangai, Chongqing e Hangzhou.

A estratégia pretende aumentar a utilização do e-CNY em pagamentos do dia a dia, complementando sua expansão dentro do sistema bancário e financeiro chinês.

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

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Internacional

Tufão Narra provoca enchentes e deslizamentos na China e no Vietnã

O tufão Narra provocou enchentes e deslizamentos de terra no norte do Vietnã e na região de Guangxi, no sul da China. As fortes chuvas associadas ao fenômeno também causaram danos à infraestrutura e destruíram áreas de plantações.

Na China, o avanço das águas obrigou as autoridades a retirar cerca de 54 mil pessoas de áreas de risco. Segundo a emissora estatal CCTV, desse total, 8.087 foram encaminhadas para abrigos de emergência.

Chuvas intensas deixam mortos e milhares de desalojados no Vietnã

No norte do Vietnã, os dias de chuva provocados pelo Narra deixaram uma pessoa morta e afetaram mais de 4,3 mil famílias.

O tufão permaneceu sobre o Golfo de Beibu, também conhecido como Golfo de Tonkin. Apesar da permanência sobre a região, os serviços meteorológicos informaram que o sistema não deveria tocar o solo, mas continuaria provocando chuvas intensas no norte do país.

As províncias montanhosas de Lang Son e Cao Bang registraram entre 236 e 300 milímetros de chuva nas 24 horas anteriores à manhã de segunda-feira. O volume elevado provocou alagamentos e deslizamentos.

Ha Long Bay também é afetada pelas enchentes

A província de Quang Ninh, onde está localizada a Baía de Ha Long, reconhecida como Patrimônio Mundial pela Unesco, também sofreu com as inundações.

Partes da região ficaram alagadas, afetando atividades como turismo, pesca e transporte.

As condições climáticas ainda interromperam atividades escolares e de trabalho. Segundo as autoridades, os temporais derrubaram conexões de energia que atendiam aproximadamente 55 mil famílias.

As chuvas também destruíram mais de 10 mil hectares de arroz e outras plantações, ampliando os prejuízos provocados pelo tufão.

Enchentes avançam no sul da China

Na China, o impacto do tufão Narra também foi significativo. As águas de pelo menos 15 rios ultrapassaram os níveis considerados de alerta em estações de monitoramento.

Imagens divulgadas pela CCTV mostraram áreas de Chongzuo tomadas pela água. As enchentes cobriram estradas e atingiram conjuntos de construções de poucos andares.

Equipes de resgate foram mobilizadas para retirar moradores de áreas alagadas. Alguns socorristas atravessaram trechos com água na altura dos joelhos, enquanto outros utilizaram barcos para alcançar pessoas isoladas.

Previsão indica mais chuva na região

A previsão meteorológica aponta para a continuidade das chuvas torrenciais em Guangxi, Guangdong, Hainan e Fujian.

Segundo a CCTV, os temporais devem persistir até quarta-feira, mantendo o risco de novos alagamentos e deslizamentos em áreas afetadas.

FONTE: Reuters

TEXTO: Redação

IMAGEM: cnsphoto via Reuters

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Agronegócio

China acelera compras de soja dos EUA diante de risco de safra menor e preços mais altos

A China aumentou o ritmo de compras de soja dos Estados Unidos em meio às preocupações com o potencial da nova safra norte-americana e à possibilidade de preços mais elevados nos próximos meses.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou nesta sexta-feira (21) uma venda de 1,432 milhão de toneladas de soja da safra 2026/27. Desse total, 712 mil toneladas foram destinadas à China, enquanto outras 720 mil toneladas tiveram como destino países não divulgados — volume que o mercado considera que também possa ter como destino os chineses.

China já responde por quase metade das vendas

A nova operação reforça o avanço da demanda pela soja norte-americana. Segundo levantamento da Agrinvest Commodities, o relatório semanal divulgado na quinta-feira apontava 11,86 milhões de toneladas já comprometidas da safra 2026/27.

Com os negócios anunciados posteriormente, o volume indicado de vendas chega a 13,58 milhões de toneladas, equivalente a aproximadamente 30% das 45,18 milhões de toneladas que o USDA estima que os Estados Unidos exportarão no ciclo.

Desse total, 6,54 milhões de toneladas têm a China como destino, o equivalente a 48% das vendas já contabilizadas.

A Agrinvest também destaca que outras 870 mil toneladas atualmente registradas como “destinos desconhecidos” ainda podem ser atribuídas a compradores específicos ao longo do ano comercial.

Vendas americanas ganham ritmo

De acordo com a consultoria, os dados oficiais de 13 de agosto já mostravam que o programa de exportação dos Estados Unidos estava acima dos níveis registrados nas três temporadas anteriores, ficando atrás somente de 2022/23.

Os anúncios mais recentes ampliaram essa diferença e reforçaram a percepção de aceleração da demanda internacional pela soja dos EUA.

Somente nesta semana, além da venda anunciada nesta sexta-feira, o USDA havia informado negócios de 136 mil toneladas na terça-feira (18) e de outras 150 mil toneladas para destinos não revelados na quinta-feira (20).

Compras ocorrem antes de possível alta em Chicago

Na Bolsa de Chicago (CBOT), o anúncio do USDA ajudou a limitar as perdas durante o pregão desta sexta-feira, mas não foi suficiente para impedir a realização de lucros após uma semana de fortes altas.

Por volta das 13h50, no horário de Brasília, o contrato de novembro era negociado a US$ 12,34 por bushel, enquanto o vencimento de março de 2027 estava em US$ 12,54.

As cotações ganharam força ao longo da semana após os dados do Pro Farmer Crop Tour indicarem problemas relevantes em importantes regiões produtoras dos Estados Unidos. Os resultados levantaram dúvidas sobre o potencial produtivo da nova safra e aumentaram as expectativas de possíveis revisões nas estimativas de produção, produtividade e estoques pelo USDA.

Clima nos EUA aumenta preocupação com oferta

O cenário de clima adverso nos Estados Unidos é acompanhado de perto pelo mercado, principalmente diante da possibilidade de uma produção abaixo das expectativas iniciais.

A perspectiva de menor oferta potencial ocorre justamente em um momento de fortalecimento da demanda chinesa. A China, maior importadora mundial de commodities agrícolas, vem ampliando as compras de soja americana enquanto busca garantir matéria-prima para a produção de ração.

Até meados de agosto, os dados oficiais indicavam que os chineses já haviam comprado quase 6 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos.

A operação de 712 mil toneladas anunciada nesta sexta-feira representa o maior volume de compra diária da temporada, em um movimento que ocorre antes do encontro previsto para setembro entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping.

Produtores americanos acompanham reação do mercado

A movimentação dos compradores chineses também é observada pelos produtores dos Estados Unidos. Lee Brooke, presidente do conselho da Associação de Soja de Iowa, afirmou à Bloomberg que os agricultores vêm buscando demanda em mercados menores enquanto a China também recorre a outros fornecedores.

Para o produtor Brian Nilson, do Nebraska, um dos estados atingidos por condições climáticas adversas, o cenário evidencia o dilema entre produção agrícola e preços da soja.

Na avaliação do produtor, preços mais elevados normalmente aparecem quando há problemas na produção, criando um equilíbrio delicado para quem depende da atividade agrícola.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

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Transporte

Trem maglev da China atinge 800 km/h em apenas 5,3 segundos em teste

A China registrou um novo marco no desenvolvimento de trens de levitação magnética (maglev). Um protótipo experimental alcançou 800 km/h partindo do repouso em apenas 5,3 segundos, estabelecendo um recorde mundial de aceleração em curta distância.

O teste foi realizado em 24 de novembro de 2025, em uma pista experimental de apenas um quilômetro no Laboratório Donghu, na província de Hubei. A informação foi divulgada posteriormente pela imprensa chinesa.

O resultado representa o terceiro recorde alcançado pela mesma equipe em um intervalo de seis meses. Em junho de 2025, o veículo havia atingido 650 km/h em sete segundos. Depois, a marca chegou perto dos 700 km/h antes do novo salto para 800 km/h.

Como funciona um trem maglev?

O termo maglev vem de “levitação magnética”. Diferentemente dos trens convencionais, esse sistema utiliza forças eletromagnéticas para suspender e movimentar o veículo sem o contato permanente entre rodas e trilhos.

A tecnologia elimina boa parte do atrito mecânico, permitindo que o trem alcance velocidades muito superiores às observadas em sistemas ferroviários tradicionais.

Em determinados modelos, o veículo começa o deslocamento apoiado sobre rodas auxiliares. Conforme ganha velocidade, os sistemas eletromagnéticos assumem progressivamente a sustentação e fazem o trem levitar acima da via.

A ausência de contato direto também reduz ruído e vibração, além de diminuir perdas provocadas pelo atrito.

Velocidade se aproxima à de um avião comercial

A marca de 800 km/h coloca o protótipo chinês em uma faixa de velocidade próxima à de um avião comercial, que normalmente cruza em velocidades ao redor de 885 km/h.

A China, porém, ainda está em uma fase experimental. O objetivo de longo prazo é desenvolver sistemas capazes de conectar grandes centros urbanos e reduzir drasticamente o tempo de deslocamento entre cidades.

O país já possui linhas maglev em operação, enquanto Japão e Coreia do Sul também desenvolvem e utilizam essa tecnologia.

Protótipo não foi projetado para transportar passageiros

Apesar do número impressionante, o teste não significa que passageiros possam viajar atualmente a 800 km/h nesse tipo de trem.

Um dos principais obstáculos é a aceleração extrema registrada no experimento. O protótipo atingiu cerca de 2,9 G, nível de força incompatível com uma aceleração tão rápida para o transporte convencional de passageiros.

Na prática, uma versão comercial teria de utilizar uma aceleração muito mais gradual para proporcionar condições adequadas de conforto e segurança.

Precisão da pista é um dos grandes desafios

Outro obstáculo está na própria infraestrutura necessária para operar um trem de levitação magnética em alta velocidade.

Segundo as informações divulgadas sobre o projeto, o alinhamento da pista precisa ser mantido dentro de uma margem de aproximadamente 0,5 milímetro. Em velocidades extremas, pequenas irregularidades podem comprometer o funcionamento do sistema.

Os custos também são um desafio. A construção de uma infraestrutura maglev exige investimentos elevados, além de sistemas sofisticados de controle e uma grande demanda energética.

Tecnologia pode ter aplicações além dos trens

Os pesquisadores chineses avaliam que a tecnologia maglev pode encontrar aplicações que vão além do transporte de passageiros.

Uma das possibilidades é utilizar sistemas de aceleração magnética para impulsionar foguetes, drones e aeronaves militares antes da decolagem. A ideia seria fornecer velocidade inicial ao veículo e, com isso, reduzir parte do combustível necessário para deixar o solo.

O recorde de 800 km/h, portanto, representa principalmente um avanço experimental. Transformar esse desempenho em um sistema comercial exigirá superar desafios relacionados à aceleração, infraestrutura, consumo de energia, custos e segurança.

FONTE: O Globo
TEXTO: Redação
IMAGEM: YouTube / Silent Traveler

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