Internacional

Ataque ao Irã expõe disputa geopolítica entre EUA, China e Israel, avaliam especialistas

A nova ofensiva de Estados Unidos e Israel contra o Irã reacendeu o debate internacional sobre as reais motivações do conflito. Para analistas de relações internacionais, a ação militar não se limita à alegada contenção do programa nuclear iraniano, mas integra uma estratégia mais ampla de reorganização do equilíbrio de poder no Oriente Médio e de enfrentamento indireto à China.

Especialistas ouvidos pela Agência Brasil apontam que o discurso de “ataque preventivo” não se sustenta diante dos avanços diplomáticos recentes. Na véspera da ofensiva, o chanceler de Omã, Badr bin Hamad Albusaidi, que media as negociações, afirmou que o Irã aceitara não manter estoques de urânio enriquecido — material essencial para a produção de armas nucleares.

A declaração indicava proximidade de um acordo inédito. Ainda assim, os bombardeios foram executados.

Troca de regime e hegemonia regional

Para a professora Rashmi Singh, da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, a movimentação militar sugere uma tentativa de enfraquecer o governo iraniano em um momento considerado estratégico. Segundo ela, Washington e Tel Aviv avaliam que Teerã atravessa fragilidades internas e regionais, o que abriria espaço para pressionar por mudanças políticas no país. A especialista também relaciona o contexto às eleições gerais previstas em Israel, destacando o impacto do conflito na política doméstica do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

Conflito pode atingir interesses chineses

O professor Robson Valdez, do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa, observa que a explicação baseada apenas na “contenção nuclear” é insuficiente. Na avaliação dele, o embate afeta diretamente os interesses da China, principal compradora do petróleo iraniano, cujo escoamento depende do estratégico Estreito de Ormuz. Um eventual agravamento do conflito poderia comprometer cadeias energéticas e pressionar o comércio global.

Além disso, o Irã ocupa posição central nos projetos de infraestrutura e integração econômica liderados por Pequim na Eurásia. Enfraquecer Teerã, portanto, teria reflexos diretos sobre a presença chinesa na região.

Disputa por influência no Oriente Médio

O cientista político Ali Ramos argumenta que a iniciativa busca garantir a supremacia estratégica de Israel diante do arsenal iraniano, que inclui mísseis balísticos e drones.

Já o professor Mohammed Nadir, da Universidade Federal do ABC, considera que o objetivo central é impedir o surgimento de uma potência regional capaz de rivalizar com Israel. Para ele, o conflito também atende à lógica de assegurar a primazia israelense no Oriente Médio com respaldo norte-americano.

A lembrança da invasão do Iraque em 2003, justificada à época pela existência de armas de destruição em massa nunca comprovadas, reaparece como paralelo histórico nas análises.

Imperialismo e redesenho geopolítico

O professor Roberto Goulart Menezes, da Universidade de Brasília, sustenta que a tensão entre Washington e Teerã remonta à Revolução Islâmica de 1979 e que o programa nuclear iraniano tem sido utilizado, ao longo das décadas, como argumento político. Ele lembra que o Irã é signatário do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) e está sujeito a inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica. Ainda assim, permanece sob sanções econômicas severas.

Para parte dos especialistas, o episódio deve ser interpretado dentro da rivalidade estratégica entre Estados Unidos e China, que extrapola tarifas comerciais e alcança rotas energéticas, infraestrutura e influência diplomática na Eurásia.

Contexto recente das negociações

As hostilidades atuais ocorrem após a saída unilateral dos Estados Unidos, ainda no primeiro mandato de Donald Trump, do acordo nuclear firmado em 2015 durante o governo de Barack Obama.

Desde então, Washington passou a exigir não apenas restrições ao programa nuclear iraniano, mas também o desmonte de mísseis de longo alcance e o fim do apoio a grupos como Hamas e Hezbollah.

Na mais recente rodada de negociações, mediada por Omã, a proposta iraniana de zerar o estoque de urânio enriquecido era considerada um avanço significativo. Mesmo assim, o ataque foi realizado.

O conflito marca mais um capítulo na longa disputa geopolítica que envolve segurança nuclear, petróleo, rotas comerciais e hegemonia regional no Oriente Médio.

Fonte: Agência Brasil

TEXTO: Conteúdo produzido com suporte de IA, sob curadoria editorial da equipe ReConecta News.

IMAGEM: Reprodução Infomoney / WANA (Agência de Notícias da Ásia Ocidental) via REUTERS

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Internacional

Minerais críticos: EUA enviam missão ao Brasil para discutir investimentos e cooperação estratégica

Representantes do governo dos Estados Unidos desembarcam no Brasil em março para uma agenda focada no setor de minerais críticos e estratégicos. Os encontros ocorrerão em São Paulo e devem reunir autoridades, empresários e investidores interessados em ampliar a cooperação bilateral e viabilizar possíveis financiamentos a projetos no país.

A iniciativa ocorre em meio ao esforço americano para reduzir a dependência global da China na cadeia de suprimentos de insumos considerados essenciais para tecnologia, defesa e transição energética.

Missão americana terá foco político e financeiro

A comitiva será composta por integrantes do Departamento de Estado dos Estados Unidos, do Departamento de Comércio dos Estados Unidos e da U.S. International Development Finance Corporation (DFC), agência responsável por fomentar investimentos estratégicos em países em desenvolvimento. Representantes da embaixada americana no Brasil também participarão.

Segundo fontes envolvidas na organização da agenda, a forte presença do Departamento de Estado é interpretada como sinal claro de interesse político de Washington nas negociações sobre terras raras, grafite, níquel e outros minerais estratégicos.

As reuniões começam em 16 de março, com um fórum central marcado para o dia 18. O evento discutirá possibilidades de cooperação Brasil-EUA, mapeamento de projetos e eventual apoio financeiro a mineradoras consideradas elegíveis.

Encontro entre Lula e presidente dos EUA pode influenciar agenda

O tom das conversas em São Paulo pode ser impactado por um possível encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, previsto para ocorrer em Washington no mesmo período.

Caso a reunião presidencial aconteça antes das agendas no Brasil, ela poderá balizar politicamente os debates técnicos. Se ocorrer depois, os fóruns em São Paulo devem funcionar como etapa preparatória, alinhando expectativas e identificando projetos com potencial de destravar investimentos americanos.

No setor privado, há expectativa de que os diálogos avancem para a assinatura de um memorando de entendimento, possivelmente nos moldes de acordos recentes firmados pelos EUA com Índia e Arábia Saudita.

Projetos de terras raras estão no radar

Entre os empreendimentos acompanhados de perto está o Projeto Caldeira, da australiana Meteoric Resources. Considerado um dos maiores depósitos de terras raras fora da China, o ativo já recebeu carta de intenção de financiamento do Export-Import Bank of the United States.

Outras iniciativas nas áreas de grafite e níquel também aparecem como candidatas a receber apoio financeiro caso as negociações avancem.

Disputa geopolítica e domínio chinês

O interesse americano está inserido em um cenário global de forte concentração produtiva. Dados da Agência Internacional de Energia indicam que cerca de 91% do refino mundial de terras raras ocorre na China, que também responde por aproximadamente 94% da fabricação de ímãs permanentes utilizados em turbinas eólicas, motores elétricos e equipamentos militares.

A entidade classifica essa concentração como risco geopolítico relevante, já que o domínio chinês permite influência sobre preços, oferta e o ritmo de desenvolvimento de tecnologias estratégicas, como veículos elétricos, semicondutores e sistemas de armazenamento de energia.

Para Washington, a questão envolve diretamente a segurança nacional e a liderança tecnológica.

Brasil tem potencial, mas produção ainda é incipiente

Nesse contexto, o Brasil surge como alternativa estratégica. O país possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, embora a produção ainda seja limitada.

O setor carece de um marco regulatório específico e de maior consolidação da cadeia produtiva. Ainda assim, empresas internacionais já iniciaram estudos geológicos e aquisições de projetos no território brasileiro, sinalizando que o país pode ganhar protagonismo na nova geopolítica dos minerais críticos.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Evelyn Hockstein

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Comércio Internacional

China suspende habilitação de novos frigoríficos brasileiros por três anos, diz Mapa

A China não deverá autorizar a habilitação de novos frigoríficos brasileiros pelos próximos três anos. A informação foi divulgada pelo assessor especial do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Carlos Ernesto Augustin, após evento realizado em Brasília.

Segundo ele, a decisão está vinculada às medidas de salvaguarda aplicadas pelo país asiático sobre a carne bovina importada, o que pode impactar diretamente novos entrantes no mercado exportador.

Declaração foi feita após questionamento sobre cota de exportação

Augustin afirmou a jornalistas que o governo chinês comunicou que não haverá novas habilitações durante o período de vigência das restrições, estimado em três anos.

A declaração ocorreu após questionamento sobre a necessidade de criação de uma reserva técnica dentro da cota brasileira de carne bovina, estimada em cerca de 1,1 milhão de toneladas para 2026. De acordo com o assessor, não haveria motivo para essa reserva, já que não estão previstas novas autorizações para plantas frigoríficas no período.

O tema deve ser debatido na próxima reunião extraordinária do Comitê-Executivo de Gestão (Gecex), vinculado à Câmara de Comércio Exterior (Camex), órgão ligado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Entre os pontos da pauta está justamente a regulamentação da cota de exportação de carne bovina para a China.

Setor privado questiona interpretação

Apesar da posição apresentada pelo assessor do Mapa, representantes do setor frigorífico afirmam que não receberam comunicação oficial do governo chinês sobre a suspensão das habilitações.

A avaliação de fontes do mercado é de que a leitura pode ser uma interpretação interna e que ainda existe expectativa de novas autorizações ao longo deste ano. A percepção de parte do setor é de que a ampliação do número de plantas habilitadas poderia aumentar a concorrência entre exportadores brasileiros.

Regulamentação da cota gera cautela

Outro ponto sensível é a forma de regulamentação da cota de exportação. O setor privado evita organizar internamente a distribuição por receio de que a iniciativa seja interpretada como formação de cartel, prática considerada ilegal no comércio internacional.

Por isso, há expectativa de que a definição ocorra por meio de instância governamental, reduzindo riscos jurídicos e garantindo respaldo institucional à decisão.

Divergência sobre volume exportado

Em relação ao pleito brasileiro para que cargas embarcadas em dezembro sejam contabilizadas fora da cota, fontes do setor avaliam que a solicitação dificilmente terá efeito.

A divergência ocorre porque a China considera como volume importado a carga que chega aos seus portos, enquanto o Brasil contabiliza o que é embarcado. Essa diferença metodológica teria gerado uma variação de cerca de 300 mil toneladas no ano passado, quando o total registrado pelo lado chinês teria alcançado aproximadamente 1,4 milhão de toneladas.

Impacto nos preços e na oferta

Mesmo diante das incertezas, a expectativa do mercado é de manutenção ou até elevação dos preços pagos pela China. Os cortes exportados ao país asiático possuem características específicas e nem sempre encontram fácil redirecionamento para outros destinos.

Esse cenário pode levar à redução no ritmo de abates no Brasil, afetando a oferta destinada ao mercado chinês. Ao mesmo tempo, a demanda de outros compradores internacionais, como os Estados Unidos, segue aquecida, sustentando o cenário de preços firmes para a carne bovina brasileira.

FONTE: Agro Estadão
TEXTO: Redação
IMAGEM: Adobe Stock

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Agronegócio

Exportações do agronegócio: São Paulo lidera ranking nacional em janeiro

As exportações do agronegócio colocaram São Paulo na primeira posição entre os estados brasileiros em janeiro de 2026. O desempenho garantiu ao estado um superávit de US$ 1,31 bilhão, resultado de US$ 1,84 bilhão em embarques externos frente a US$ 530 milhões em importações.

Com isso, o estado respondeu por 17,1% de todos os embarques do agro brasileiro, superando Mato Grosso (16,7%) e Minas Gerais (11,5%) no ranking nacional.

Peso do agro na balança comercial paulista

Mesmo com território menor que o de outros grandes produtores rurais, o setor agropecuário teve papel estratégico na economia paulista. Em janeiro, o agronegócio paulista representou 40,9% de todas as exportações do estado.

Já as importações do setor corresponderam a 8% do total estadual, reforçando a relevância do campo na composição da balança comercial de São Paulo.

Complexo sucroalcooleiro lidera embarques

O complexo sucroalcooleiro foi o principal destaque da pauta exportadora, respondendo por 25,3% do total embarcado, o equivalente a US$ 465,3 milhões. O açúcar concentrou praticamente todo esse valor.

Na sequência aparecem:

  • Produtos florestais: 18,8% (US$ 346,9 milhões), com forte participação da celulose;
  • Carnes: 16,6% (US$ 305,8 milhões), impulsionadas pela carne bovina;
  • Sucos: 8,9%, majoritariamente suco de laranja;
  • Café: 7,2%, com predominância do café verde.

Juntos, esses cinco segmentos concentraram 76,8% das vendas externas do agro paulista.

O complexo soja respondeu por 2,7% das exportações em janeiro, com expectativa de avanço nos próximos meses, à medida que a colheita ganha ritmo.

Desempenho em relação ao ano anterior

Na comparação com janeiro de 2025, houve crescimento nas exportações de produtos florestais, carnes e complexo soja. Por outro lado, os segmentos sucroalcooleiro, de café e de sucos apresentaram retração, refletindo variações de preços internacionais e volumes embarcados.

Principais destinos das exportações

A China manteve-se como o principal mercado comprador, absorvendo 21,9% das exportações do agro paulista. Em seguida aparecem a União Europeia, com 18,1%, e os Estados Unidos, com 8,1%.

Os dados foram elaborados pelo Instituto de Economia Agrícola, órgão vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: CNN International

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Comércio Internacional

Déficit comercial dos EUA chega a US$ 901 bilhões em 2025 mesmo com tarifas de Trump

Os Estados Unidos encerraram 2025 com um déficit comercial de US$ 901,5 bilhões — um dos maiores já registrados desde 1960. O resultado foi contabilizado apesar da política de aumento de tarifas implementada pelo presidente Donald Trump ao longo do ano.

Somente em dezembro, o saldo negativo nas trocas de bens e serviços atingiu US$ 70,3 bilhões, acima do mês anterior, consolidando um período de forte instabilidade no comércio exterior americano.

Tarifas elevadas não reduziram desequilíbrio

A estratégia da Casa Branca priorizou o aumento de tarifas sobre diversos parceiros comerciais, com foco especial na China. A iniciativa buscava reduzir a dependência de importações e fortalecer a indústria doméstica.

Mesmo assim, o impacto sobre o déficit agregado foi limitado. Avaliações de mercado indicam que, apesar da volatilidade gerada pelos anúncios tarifários, o desequilíbrio nas contas externas permaneceu praticamente inalterado no acumulado do ano.

Enquanto isso, a China — principal alvo das medidas — encerrou 2025 com superávit superior a US$ 1 trilhão, o maior já registrado por um país. Ainda que as exportações chinesas para os EUA tenham diminuído, o país asiático ampliou vendas para outros mercados, sobretudo na Ásia, redirecionando fluxos comerciais.

Volatilidade nas importações e exportações

Ao longo de 2025, os dados mensais mostraram oscilações expressivas, refletindo a reação de importadores norte-americanos aos sucessivos anúncios de tarifas.

Empresas anteciparam compras de itens como ouro e produtos farmacêuticos antes da entrada em vigor de novos tributos, provocando picos temporários nas importações.

Em dezembro, as importações avançaram 3,6%, impulsionadas por acessórios de informática e veículos automotores. Já as exportações recuaram 1,7%, pressionadas principalmente pela queda nos embarques de ouro.

A leitura superou a maior parte das estimativas do mercado compiladas pela Bloomberg.

Impacto sobre o PIB e projeções revisadas

Antes da divulgação dos números oficiais, o modelo GDPNow, do Federal Reserve Bank of Atlanta, estimava que as exportações líquidas acrescentariam cerca de 0,6 ponto percentual ao crescimento do quarto trimestre, projetado em 3,6%.

Com os dados consolidados, economistas passaram a revisar as projeções, indicando contribuição menor do setor externo para o Produto Interno Bruto (PIB).

Em termos reais, descontada a inflação, o déficit de mercadorias alcançou US$ 97,1 bilhões em dezembro, o maior nível desde julho. O comércio de ouro para fins não industriais não entra no cálculo oficial do PIB norte-americano.

Analistas apontam que, apesar do saldo externo negativo, as importações de bens de capital, especialmente equipamentos ligados à inteligência artificial (IA), sinalizam investimento doméstico robusto no fim do ano.

Disputa comercial e decisão da Suprema Corte

A política tarifária defendida por Donald Trump tem como objetivo estimular a produção interna, proteger empregos industriais e reduzir a dependência de produtos estrangeiros. O governo também contesta estudos que indicam que consumidores americanos absorveram parte relevante do custo das tarifas.

Um ponto ainda pendente é a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos sobre a autoridade presidencial para impor tarifas amplas com base em legislação de emergência. O tribunal pode se pronunciar nos próximos dias.

Mudança no mapa dos déficits bilaterais

No recorte por países, o déficit com a China caiu para aproximadamente US$ 202 bilhões, o menor patamar em mais de 20 anos.

Por outro lado, os déficits com México e Vietnã atingiram níveis recordes, indicando reconfiguração das cadeias de fornecimento. O saldo negativo com Taiwan também alcançou máxima histórica, de US$ 146,8 bilhões, enquanto o déficit com o Canadá recuou.

Os dados sugerem que, embora a política tarifária tenha alterado a geografia do comércio, o impacto estrutural sobre o déficit total dos Estados Unidos foi limitado em 2025.

FONTE: Brasil 247
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Mike Blake

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Exportação

Exportação de carne bovina do Brasil cresce 16,4% em janeiro e amplia receitas

A exportação de carne bovina do Brasil iniciou o ano em ritmo acelerado. Em janeiro, os embarques somaram 278 mil toneladas, alta de 16,4% em comparação com o mesmo período do ano passado.

Em termos financeiros, o desempenho foi ainda mais expressivo: as vendas externas renderam US$ 1,416 bilhão, avanço de 37,9% na mesma base de comparação.

Os números têm como base dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, compilados pela Associação Brasileira dos Frigoríficos.

China lidera compras e amplia participação

Principal destino da carne bovina brasileira, a China respondeu por uma fatia significativa dos negócios no primeiro mês de 2026.

As vendas ao país asiático alcançaram US$ 650,33 milhões, crescimento de 44,9% frente a janeiro de 2025. O volume embarcado chegou a 119,96 mil toneladas, avanço de 31,6%.

Com isso, a China concentrou 43,10% do volume total exportado e 45,9% da receita gerada pelo setor no período.

Limite de cota pode restringir embarques

Apesar do bom desempenho, a Abrafrigo alerta que as exportações para a China ao longo de 2026 estarão condicionadas ao limite de 1,1 milhão de toneladas, estabelecido após a adoção de medidas de salvaguarda comercial pelo governo chinês.

Segundo a entidade, os embarques que excederem essa cota poderão ser taxados em 55%, o que tende a reduzir a competitividade da proteína brasileira acima do teto permitido.

Estados Unidos ampliam compras

Os Estados Unidos mantiveram a posição de segundo maior importador da carne bovina do Brasil e ampliaram significativamente suas aquisições em janeiro.

Considerando também os subprodutos bovinos, as vendas totalizaram US$ 193,74 milhões, alta de 39,41%.

Quando analisada apenas a carne bovina in natura, o crescimento foi ainda mais expressivo: 92,7% na comparação anual, atingindo US$ 161,6 milhões.

União Europeia registra retração na carne in natura

A União Europeia reduziu as compras de carne bovina in natura no início do ano. No entanto, a queda foi compensada por maior demanda por produtos como carne industrializada e sebo bovino fundido.

No consolidado, o bloco europeu — terceiro maior mercado da proteína brasileira — movimentou US$ 84,93 milhões em janeiro de 2026, crescimento de 26,4% em relação ao mesmo mês do ano anterior.

Outros mercados em destaque

Após China, Estados Unidos e União Europeia, aparecem como principais compradores:

  • Chile
  • Emirados Árabes Unidos
  • Egito
  • Países Baixos

De acordo com a Abrafrigo, 99 países ampliaram as compras de carne bovina brasileira em janeiro, enquanto 40 reduziram seus volumes importados.

FONTE: InfoMoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/Abiec

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Importação

China zera tarifas de importação para 53 países africanos a partir de 2026

A China anunciou que vai eliminar as tarifas de importação para produtos provenientes de 53 países da África com os quais mantém relações diplomáticas. A medida passa a valer em 1º de maio de 2026 e integra a estratégia de fortalecimento das relações comerciais sino-africanas.

A informação foi divulgada pela emissora estatal China Central Television (CCTV).

Medida amplia acesso ao mercado chinês

Com a adoção da tarifa zero, exportadores africanos terão acesso facilitado ao vasto mercado chinês, considerado um dos maiores do mundo. A iniciativa faz parte de uma política mais ampla de estímulo ao comércio exterior e à cooperação econômica entre a China e o continente africano.

De acordo com a reportagem, o governo chinês também pretende avançar na negociação e assinatura de novos acordos de parceria econômica conjunta, ampliando a integração comercial.

Canal verde deve acelerar exportações africanas

Outro ponto destacado é a expansão de mecanismos que facilitem o fluxo de mercadorias, como o chamado “canal verde”, sistema que agiliza a liberação de produtos africanos no território chinês.

A expectativa é que a combinação de isenção tarifária, novos acordos comerciais e processos aduaneiros mais rápidos impulsione as exportações africanas e fortaleça os laços econômicos bilaterais.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM:Adek Berry-Pool/Getty Images

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Exportação

Exportação de carne bovina para a China pode atingir cota em setembro, alerta Cepea

O Brasil pode alcançar já em setembro o limite da cota de exportação de carne bovina para a China, caso o ritmo atual de embarques seja mantido. O alerta foi divulgado por pesquisadores do Cepea, com base nos dados de janeiro, mês em que o país asiático concentrou 46,3% das exportações brasileiras da proteína.

Do total de 258,94 mil toneladas de carne bovina enviadas ao mercado externo no período, quase metade teve a China como destino. O cenário é ainda mais intenso em Mato Grosso, onde 57,5% das 83,06 mil toneladas exportadas seguiram para o país asiático, representando um crescimento de 89,23% em relação a janeiro de 2025.

Cotas chinesas e tarifas adicionais

Em dezembro, o Ministério do Comércio da China (Mofcom) definiu que, em 2026, o Brasil poderá exportar até 1,106 milhão de toneladas de carne bovina sem tarifa extra. O volume que ultrapassar esse teto estará sujeito a uma sobretaxa de 55%, tornando a operação menos competitiva.

As cotas já estabelecidas indicam aumento gradual:

  • 2027: 1,128 milhão de toneladas
  • 2028: 1,154 milhão de toneladas

Janeiro registra recorde de embarques

Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que, apenas em janeiro de 2026, o Brasil enviou 119,63 mil toneladas de carne bovina à China, o maior volume já registrado para um mês de janeiro. Desse total, 47,76 mil toneladas tiveram origem em Mato Grosso.

Segundo o Cepea, se esse ritmo for mantido ao longo do ano, o país tende a esgotar a cota chinesa ainda no terceiro trimestre, antecipando impactos sobre preços, logística e contratos internacionais.

China lidera compras da carne brasileira

Em 2025, Mato Grosso exportou 978,32 mil toneladas de carne bovina para 92 países. A China respondeu por 536,92 mil toneladas, consolidando-se como principal destino da proteína. A Rússia, segunda colocada, adquiriu apenas 58,84 mil toneladas, evidenciando a forte concentração no mercado chinês.

Governo propõe controle das exportações

Diante do cenário, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) encaminhou, na última sexta-feira (6), um ofício à Câmara de Comércio Exterior (Camex) sugerindo a criação de um sistema de controle das exportações de carne bovina para a China.

A proposta prevê:

  • Distribuição proporcional da cota conforme o histórico de vendas das empresas
  • Escalonamento trimestral dos volumes autorizados
  • Melhor gestão do limite imposto pelo mercado chinês

A informação foi revelada pela Folha de S.Paulo e confirmada pelo Valor Econômico.

Setor avalia impactos e alternativas

Para o presidente do Sindifrigo-MT, Paulo Bellicanta, a salvaguarda chinesa é legítima e demonstra proteção ao produtor local. No entanto, ele ressalta que o desafio está na adaptação das regras à dinâmica do comércio brasileiro, que opera com contratos firmados e prazos curtos entre produção, embarque e entrega.

Já a Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) chama atenção para a restrição global da oferta de carne, causada pela redução do rebanho em grandes produtores, como os Estados Unidos.

Segundo o diretor técnico da entidade, Francisco Manzi, a medida chinesa pode incentivar o Brasil a diversificar mercados. Ele também defende o fortalecimento do consumo interno, destacando que um aumento de três quilos por habitante ao ano já compensaria boa parte da restrição imposta pela China.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Freepik

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Exportação

Governo avalia limitar exportações de carne bovina para a China para evitar crise no setor

O governo federal estuda a adoção de mecanismos para regular o volume de carne bovina exportado para a China por empresas brasileiras. A proposta surge diante do risco de colapso nos preços e no nível de emprego do setor, conforme aponta um ofício do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

Segundo o documento, o cenário é resultado direto das salvaguardas comerciais impostas pela China no fim do ano passado para a importação da proteína animal.

Salvaguardas chinesas reduzem espaço para exportações

Como estratégia de proteção aos produtores locais, a China estabeleceu para 2026 um limite de importação de carne bovina brasileira sujeito à tarifa padrão de 12%. O volume que ultrapassar 1,1 milhão de toneladas passa a ser taxado em 55%, elevando a carga tributária total para 67%, considerada inviável para o comércio.

Com base nos dados de 2025, técnicos do Mapa estimam uma queda de cerca de 35% na demanda chinesa, o equivalente a aproximadamente 600 mil toneladas a menos de carne brasileira absorvidas pelo mercado asiático.

Governo alerta para desorganização do mercado

No ofício, assinado pelo secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Luis Rua, o ministério avalia que a ausência de coordenação pode gerar impactos negativos em toda a cadeia produtiva da pecuária bovina.

Entre os principais riscos apontados estão:

  • Disputa desordenada entre exportadores, com antecipação de embarques para ocupar a cota chinesa
  • Pressão de baixa nos preços, provocada pela concorrência entre frigoríficos
  • Redirecionamento excessivo da oferta para outros mercados, gerando desequilíbrios
  • Impactos econômicos em regiões dependentes da pecuária
  • Concentração das cotas em grandes grupos empresariais

De acordo com o Mapa, esse conjunto de fatores amplia o choque negativo de demanda e eleva o risco de colapso de preços e empregos no setor.

Proposta prevê cotas e licenças de exportação

Para mitigar os efeitos das restrições chinesas, o ministério propõe a criação de um sistema nacional de cotas de exportação, com distribuição proporcional entre empresas privadas, baseada no histórico recente de vendas para a China.

O modelo também prevê:

  • Reserva técnica para inclusão de novos e pequenos exportadores
  • Uso de licenças de exportação
  • Bloqueio automático de embarques que ultrapassem os limites autorizados

Entre os frigoríficos brasileiros habilitados a exportar para a China estão JBS, Minerva e Marfrig.

China segue como principal destino da carne brasileira

Apesar das incertezas, a China manteve a liderança como principal destino da carne bovina brasileira em janeiro. As importações somaram 123,2 mil toneladas, segundo dados do MDIC, compilados pela Abiec.

O volume representa um aumento de 35% em relação a janeiro de 2025, quando o país asiático importou 91,2 mil toneladas da proteína.

Decisão deve avançar na Camex

O ofício do Mapa foi encaminhado à secretaria-executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex), vinculada ao MDIC. A recomendação é que o tema seja analisado na próxima reunião do Comitê Executivo de Gestão da Camex (Gecex), prevista para esta quinta-feira (12).

FONTE: Gazeta
TEXTO: Redação
IMAGEM: Marcelo Elias/Gazeta do Povo/Arquivo

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Economia

Dólar em queda reacende debate sobre controles de capital na China

A recente desvalorização do dólar voltou a impulsionar, na China, o debate sobre a flexibilização dos controles de capital. Economistas influentes defendem que o momento é favorável para ampliar a conversibilidade do yuan e aumentar sua presença nas finanças internacionais, aproveitando um ambiente externo mais propício e menor risco de fuga de recursos.

Para esses analistas, a fraqueza da moeda americana abre uma janela histórica para tornar o yuan mais atrativo globalmente, desde que a abertura da conta de capital seja conduzida de forma gradual e estratégica.

Abertura da conta de capital ganha apoio no mercado

Em artigo recente, Miao Yanliang, estrategista-chefe da China International Capital Corp., avaliou que as condições atuais permitem avançar na liberalização dos fluxos financeiros sem provocar saídas expressivas de capital. Segundo ele, maior flexibilidade cambial tende a atrair investimentos estrangeiros, especialmente em um ciclo de valorização do yuan combinado à perda de força do dólar.

Na mesma direção, Ju Jiandong, professor de finanças da Universidade Tsinghua, classificou este ano e o próximo como uma “janela estratégica” para ampliar a abertura da conta de capital chinesa, diante da valorização da moeda local e do aumento das tensões geopolíticas globais.

Internacionalização do yuan volta ao centro da estratégia

As manifestações de economistas reforçam sinais emitidos pelo presidente Xi Jinping desde 2024, quando defendeu a meta de tornar o yuan amplamente utilizado no comércio e nas finanças internacionais, com ambição de transformá-lo em moeda de reserva.

Nas últimas semanas, discursos e publicações intensificaram as especulações de que Pequim pode recolocar a liberalização dos fluxos de capital como eixo central da estratégia de internacionalização da moeda. O processo havia perdido força após a crise cambial de 2015, quando uma tentativa de maior liberalização resultou em forte instabilidade.

Queda do dólar muda o cálculo das autoridades chinesas

O contexto atual é distinto daquele observado há uma década. Em 2025, o dólar registrou a maior queda anual em oito anos, refletindo incertezas geradas pela política econômica dos Estados Unidos. No mesmo período, o yuan teve seu melhor desempenho desde 2020 em termos nominais.

Esse cenário fortaleceu o argumento de que a China precisa reduzir o descompasso entre seu peso como potência manufatureira global e o alcance limitado de sua moeda. Hoje, o país mantém um regime de câmbio flutuante administrado, com restrições significativas a investimentos e remessas internacionais.

Planos oficiais indicam maior ambição até 2030

Sinais de mudança também aparecem nos documentos oficiais. A proposta apresentada pelo Partido Comunista para o plano econômico até 2030 inclui o compromisso de avançar na internacionalização do yuan e ampliar a abertura da conta de capital, em termos mais assertivos do que os adotados no plano anterior.

Apesar dos avanços no uso do yuan em liquidações comerciais e financiamentos internacionais, sua participação nas reservas globais ainda é inferior a 2%, segundo dados do Fundo Monetário Internacional, mantendo a moeda distante do protagonismo do dólar.

Risco de fuga de capitais segue como principal obstáculo

A principal preocupação das autoridades continua sendo o risco de saídas abruptas de capital, capazes de desestabilizar mercados e a economia doméstica. Em 2015, uma tentativa malsucedida de flexibilização cambial provocou pânico entre investidores e levou à perda de cerca de US$ 1 trilhão em reservas internacionais em dois anos.

Para Miao Yanliang, no entanto, o ambiente mudou. Ele avalia que investidores estrangeiros demonstram maior interesse em ativos chineses, enquanto empresas e famílias locais já diversificaram parte de seus investimentos no exterior por canais regulados, reduzindo pressões por novas saídas.

Abertura gradual deve marcar próximos passos

Apesar do novo impulso, especialistas acreditam que Pequim manterá uma abordagem cautelosa. Para Gary Ng, economista do Natixis, pode haver espaço para testes pontuais, como o uso do yuan na negociação de commodities, no financiamento e na liquidação de projetos internacionais.

Autoridades regulatórias também sinalizam avanços graduais. Xiao Sheng, da Administração Estatal de Câmbio, afirmou recentemente que o foco será a otimização dos canais existentes de investimento transfronteiriço, com simplificação de programas voltados a investidores estrangeiros e estímulo ao financiamento internacional.

FONTE: InfoMoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Bloomberg

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