Informação

Brasil se torna o segundo maior fornecedor de petróleo para a China e supera Arábia Saudita

O Brasil assumiu a segunda posição entre os maiores fornecedores de petróleo bruto para a China, ultrapassando a Arábia Saudita. Dados alfandegários divulgados na terça-feira (20) mostram que o país asiático importou 44,29 milhões de toneladas de petróleo brasileiro nos primeiros nove meses de 2026, enquanto as compras do fornecedor saudita somaram 43,12 milhões de toneladas no mesmo período.

Com a mudança no ranking, a Arábia Saudita caiu para a quinta colocação, ficando atrás também do Iraque e dos Emirados Árabes Unidos. A Rússia permanece na liderança das exportações de petróleo para o mercado chinês.

Exportações brasileiras de petróleo crescem em setembro

O avanço do Brasil foi impulsionado pelo aumento dos embarques no mês de setembro. No período, a China recebeu 5,15 milhões de toneladas de petróleo brasileiro, volume 18% superior ao registrado no mesmo mês de 2025.

Na direção oposta, as exportações sauditas para o país asiático apresentaram forte retração. Em setembro, foram embarcadas 2,70 milhões de toneladas, uma queda de 62% na comparação anual.

Os números reforçam o crescimento da participação brasileira no mercado internacional de petróleo e a importância da China como destino das exportações nacionais da commodity.

Rússia mantém liderança no fornecimento à China

Apesar do avanço brasileiro, a Rússia segue como principal origem do petróleo bruto importado pela China. Em setembro, os embarques russos alcançaram 9,94 milhões de toneladas, crescimento de 20% em relação ao mesmo mês de 2025.

Confira o volume de petróleo bruto fornecido à China pelos principais países em setembro de 2026:

  • Rússia: 9,94 milhões de toneladas
  • Brasil: 5,15 milhões de toneladas
  • Iraque: 4,84 milhões de toneladas
  • Emirados Árabes Unidos: 3 milhões de toneladas
  • Arábia Saudita: 2,70 milhões de toneladas
  • Indonésia: 1,72 milhão de toneladas
  • Kuwait: 1,62 milhão de toneladas
  • Omã: 1,22 milhão de toneladas
  • Malásia: 1,16 milhão de toneladas
  • Angola: 0,93 milhão de toneladas

Os dados indicam uma mudança na composição dos fornecedores chineses, com o Brasil ampliando sua presença e a Arábia Saudita perdendo espaço.

China não registra importações de petróleo dos EUA, Venezuela e Irã

Os registros alfandegários também apontam que, em setembro, não houve importações de petróleo bruto provenientes dos Estados Unidos, da Venezuela ou do Irã.

O resultado ocorre em um cenário de mudanças nos fluxos globais de energia, no qual os volumes exportados por diferentes países influenciam a posição de cada fornecedor no mercado chinês.

A ascensão brasileira à segunda colocação consolida o país como um dos principais parceiros da China no abastecimento de petróleo bruto, atrás apenas da Rússia.

FONTE: Mídia Max
TEXTO: Redação
IMAGEM: Petrobras/Divulgação

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Exportação

Exportações brasileiras de carne suína batem recorde em 2026, apesar de queda em setembro

As exportações brasileiras de carne suína atingiram um volume recorde no acumulado de janeiro a setembro de 2026, mesmo com a redução dos embarques na comparação anual. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que o Brasil exportou 1,179 milhão de toneladas nos nove primeiros meses do ano, alta de 6,3% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram embarcadas 1,109 milhão de toneladas.

O resultado representa o maior volume já registrado para o período e reforça o desempenho do setor de suinocultura brasileiro no mercado internacional.

Embarques de carne suína recuam na comparação anual

Em setembro, o Brasil exportou 133,5 mil toneladas de carne suína. O volume ficou 3% acima do registrado em agosto, mas apresentou queda de 11,1% frente a setembro de 2025.

Naquele mês, os embarques haviam alcançado o maior patamar da série histórica da Secex, iniciada em 1997, marca superada apenas em março de 2026, quando o país enviou 152,2 mil toneladas ao exterior.

A receita com as vendas internacionais somou US$ 287,3 milhões em setembro. O valor permaneceu praticamente estável em relação a agosto, com leve recuo de 0,2%, mas ficou 21,6% abaixo do registrado no mesmo mês do ano anterior.

O preço médio de exportação também apresentou retração. A tonelada de carne suína foi comercializada, em média, por US$ 2.152, queda de 3,1% na comparação mensal.

Filipinas lideram as compras de carne suína brasileira

As Filipinas permaneceram como principal destino da carne suína do Brasil em setembro. O país asiático importou 25,7 mil toneladas, volume 10,2% superior ao de agosto.

Apesar do avanço mensal, a participação filipina no total exportado pelo Brasil caiu para 19,2%, ante 32,7% em setembro de 2025.

O Japão manteve a segunda posição entre os compradores, com 15,9 mil toneladas. O resultado representou uma redução de 3,3% em relação ao mês anterior.

Já o Chile registrou o crescimento mais expressivo entre os principais destinos destacados, com aumento de 79,5% nas compras frente a agosto. Os embarques para o mercado chileno chegaram a 14,4 mil toneladas, levando o país a superar a China no ranking.

A China, por sua vez, passou para a quarta colocação, com importações de 11,4 mil toneladas, queda de 24,7% na comparação mensal.

Terceiro trimestre registra um dos maiores volumes da história

Entre julho e setembro, as exportações brasileiras de carne suína totalizaram 393,1 mil toneladas. O desempenho foi o terceiro maior já registrado para um trimestre.

O volume ficou abaixo apenas dos embarques do segundo trimestre de 2026, que somaram 397,4 mil toneladas, e do terceiro trimestre de 2025, quando o país exportou 395,6 mil toneladas.

Os números indicam que, apesar da desaceleração observada em setembro, o comércio exterior de carne suína brasileira segue em patamar elevado.

Exportações acumuladas mantêm trajetória de crescimento

O recorde registrado entre janeiro e setembro demonstra a expansão dos embarques brasileiros no mercado internacional, mesmo diante de oscilações mensais nos volumes, na receita e nos preços médios.

A evolução das compras por países como Filipinas, Japão e Chile também evidencia mudanças na distribuição dos destinos da produção nacional.

Com 1,179 milhão de toneladas exportadas nos nove primeiros meses de 2026, o Brasil mantém o melhor resultado histórico para o período, segundo os dados da Secex.

FONTE: Cepea – Boletim do Suíno
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Cepea

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Comércio Internacional

União Europeia prepara novas restrições às importações da China, afirma Ursula von der Leyen

A União Europeia (UE) pretende ampliar as medidas de proteção comercial contra produtos chineses, com novas restrições às importações que vão além das salvaguardas negociadas recentemente com Pequim. O anúncio foi feito na sexta-feira (16) pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, após uma cúpula de líderes do bloco.

Segundo a dirigente, o acordo firmado com a China para reduzir pela metade as importações de carros híbridos chineses não será suficiente para corrigir os desequilíbrios estruturais do comércio entre as duas economias.

O déficit comercial europeu na troca de bens com a China supera 1 bilhão de euros por dia, conforme os números apresentados por von der Leyen. Para ela, o cenário exige novas iniciativas de proteção à indústria europeia.

UE avalia novas medidas de proteção à indústria europeia

Von der Leyen afirmou que a Comissão Europeia pretende atender às demandas dos setores industriais por mecanismos adicionais de defesa comercial. A proposta inclui novas medidas de salvaguarda para enfrentar os efeitos da concorrência internacional sobre as empresas do bloco.

A presidente também declarou que a iniciativa conta com apoio expressivo dos líderes europeus, indicando uma disposição política para avançar com instrumentos que protejam a economia regional.

O objetivo é reduzir vulnerabilidades comerciais e responder aos desequilíbrios que, na avaliação da Comissão, afetam a competitividade das empresas europeias diante dos fornecedores chineses.

França defende proteção para produtos químicos e ferroligas

Após a reunião de cúpula, o presidente francês, Emmanuel Macron, defendeu que as ações europeias priorizem setores considerados estratégicos, como produtos químicos, plásticos e ferroligas.

A manifestação reforça a preocupação de governos europeus com os impactos da concorrência externa sobre segmentos industriais relevantes para a economia do continente.

As discussões também envolvem a necessidade de criar mecanismos capazes de responder com rapidez a práticas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses da União Europeia.

Proposta franco-alemã prevê reação rápida a pressões externas

A presidente da Comissão Europeia recebeu favoravelmente um documento apresentado por França e Alemanha no mês anterior. A proposta defende o fortalecimento da economia europeia por meio de um mecanismo que permita reagir rapidamente a países cujas ações prejudiquem os interesses do bloco.

Nesse contexto, a Comissão pretende desenvolver um instrumento de defesa econômica que possibilite restringir o acesso ao mercado único europeu quando a medida for considerada necessária.

A iniciativa busca ampliar a capacidade de resposta da UE diante de pressões comerciais e outras ações externas que possam comprometer seus setores produtivos.

Comissão Europeia prepara medidas contra dependência de fornecedores

Outra frente de atuação envolve a redução da dependência das empresas europeias em relação a fornecedores únicos de determinados insumos essenciais.

De acordo com von der Leyen, a Comissão Europeia deverá apresentar em dezembro uma proposta para criar um novo instrumento voltado à diversificação do abastecimento de insumos críticos.

A medida pretende diminuir riscos associados à concentração de fornecedores e fortalecer a segurança das cadeias produtivas europeias, especialmente em setores expostos a interrupções no comércio internacional.

UE também quer mecanismo contra retaliações econômicas

Além das restrições comerciais e das medidas para diversificar fornecedores, a Comissão Europeia pretende propor um mecanismo de solidariedade destinado a apoiar países e setores atingidos por coerção econômica ou retaliações de agentes externos ao bloco.

A proposta busca coordenar uma resposta coletiva quando um Estado-membro ou segmento econômico sofrer pressões que possam afetar suas atividades comerciais.

As iniciativas fazem parte de um esforço mais amplo da União Europeia para fortalecer sua autonomia econômica, proteger a indústria regional e ampliar sua capacidade de reação diante das tensões comerciais com a China e outros parceiros internacionais.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: AP/Omar Havana

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Exportação

RS bate recorde histórico de exportações em setembro e China lidera destinos

O Rio Grande do Sul registrou recorde histórico de exportações em setembro, com vendas externas de US$ 2,5 bilhões. O resultado representa o maior valor mensal desde o início da série histórica, em 1997, e supera em 0,7% o recorde anterior, alcançado em agosto de 2021.

Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) e mostram o desempenho positivo do comércio exterior gaúcho, mesmo diante das turbulências no cenário internacional.

Soja, celulose e transformadores impulsionam exportações gaúchas

O avanço das vendas internacionais foi impulsionado principalmente pela soja, celulose e transformadores elétricos. Entre os destaques está a soja, um dos principais produtos do agronegócio do Estado e uma mercadoria estratégica nas relações comerciais com a China.

Principal destino das exportações do Rio Grande do Sul, o país asiático ampliou as compras de soja gaúcha em setembro. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o crescimento foi de 23,2%, após um período de desempenho menos favorável ao longo de 2026.

Para o professor Marcos Lélis, da Escola de Gestão e Negócios da Unisinos, a recuperação das compras chinesas pode ter compensado parte dos resultados mais fracos registrados anteriormente.

“É possível que tenha compensado o ano todo e qualquer movimento deles estoura o total da exportação gaúcha”, avalia o especialista.

União Europeia amplia compras de produtos do Estado

A União Europeia também registrou, em setembro, o maior valor de compras de produtos gaúchos para o mês. Entre os itens que contribuíram para o resultado estão o farelo de soja e outros derivados do grão.

O desempenho ocorre em um momento de aproximação comercial entre os dois blocos, após o acordo entre Mercosul e União Europeia mencionado no levantamento.

Exportações para os Estados Unidos quase dobram

Mesmo diante das tarifas comerciais impostas pelo presidente norte-americano Donald Trump, os Estados Unidos também se destacaram como destino das exportações gaúchas.

Em comparação com setembro do ano passado, os embarques para o mercado norte-americano quase dobraram. A base de comparação, porém, foi influenciada pelo início da política tarifária de Trump naquele período.

Os Estados Unidos são compradores de transformadores produzidos no Rio Grande do Sul, um dos segmentos que ajudaram a impulsionar o resultado recorde do comércio exterior estadual.

Comércio exterior gaúcho alcança melhor resultado mensal da série histórica

O recorde de setembro evidencia a importância das exportações do agronegócio e da indústria para a economia do Rio Grande do Sul. A retomada das compras chinesas, o desempenho da União Europeia e o avanço das vendas aos Estados Unidos contribuíram para levar os embarques ao maior patamar mensal já registrado.

FONTE: Gaúcha GZH
TEXTO: Redação
IMAGEM: Antonio Valiente / Agencia RBS

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Exportação

Exportações de soja de Mato Grosso caem 49,71% em setembro de 2026

As exportações de soja de Mato Grosso registraram queda de 49,71% em setembro de 2026, na comparação com agosto. O recuo está relacionado à redução sazonal da disponibilidade do grão para embarque. Apesar da retração mensal, o estado mantém desempenho positivo no acumulado do ano, com 30,97 milhões de toneladas exportadas entre janeiro e setembro, alta de 6,15% em relação ao mesmo intervalo de 2025.

Os dados foram divulgados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) e mostram que, embora os embarques tenham perdido força em setembro, o volume acumulado das vendas externas segue acima do registrado no ano anterior.

Menor oferta de soja reduz embarques em setembro

A queda nas exportações acompanha o comportamento sazonal da oferta de soja disponível para o mercado internacional. Com a diminuição do volume de grãos disponível para embarque nesta época do ano, os envios ao exterior recuaram em relação ao mês anterior.

No entanto, o resultado mensal não comprometeu o desempenho das exportações do agronegócio mato-grossense no acumulado de 2026. Nos nove primeiros meses do ano, o estado embarcou 30,97 milhões de toneladas de soja, superando em 6,15% o volume contabilizado no mesmo período de 2025.

China segue como principal destino da soja de Mato Grosso

A China permaneceu como o principal mercado consumidor da soja produzida em Mato Grosso. Entre janeiro e setembro de 2026, o país asiático concentrou 59,13% do volume total exportado pelo estado.

Apesar da liderança chinesa no acumulado do ano, a participação do país nos embarques mensais apresentou redução. O levantamento divulgado pelo Imea, entretanto, não apresenta informações que esclareçam os fatores responsáveis por essa mudança.

A relevância do mercado chinês reforça a importância da demanda internacional para o desempenho das exportações de soja brasileira, especialmente para Mato Grosso, um dos principais estados produtores e exportadores da oleaginosa.

Exportações de soja podem perder ritmo até o fim do ano

A perspectiva de menor disponibilidade do grão indica que os embarques de soja de Mato Grosso podem continuar desacelerando nos próximos meses. Mesmo diante desse cenário, a expectativa é de que o estado finalize 2026 com um volume exportado próximo ao registrado no ano passado.

O resultado dependerá do ritmo das operações de exportação durante os últimos meses do ano. Até setembro, o balanço permanece favorável em relação a 2025, apesar da queda expressiva observada na comparação entre agosto e setembro.

Dessa forma, o comportamento dos embarques no último trimestre será determinante para definir o resultado anual das exportações de soja de Mato Grosso.

FONTE: Agrolink
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pixabay

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Agronegócio

Brasil amplia produção de sorgo e ganha espaço no mercado chinês, pressionando liderança dos EUA

O Brasil está ampliando sua participação no mercado global de sorgo e começa a disputar espaço com os Estados Unidos em um segmento estratégico para o comércio internacional de grãos. Com o aumento da produção nacional e a abertura do mercado chinês, o país fortalece sua posição entre os principais produtores e exportadores da cultura.

O avanço ocorre em um cenário de incertezas comerciais para os agricultores norte-americanos, que enfrentam oscilações na demanda chinesa e uma redução prevista na produção do cereal. Depois de conquistar posições de destaque em culturas como soja e algodão, além de ampliar sua presença no mercado de carne bovina, o Brasil passa a representar um concorrente cada vez mais relevante também no sorgo.

Tim Lust, diretor executivo da Associação Nacional de Produtores de Sorgo dos Estados Unidos, reconhece a velocidade desse crescimento. Segundo ele, a produção brasileira vem avançando rapidamente e reduzindo a distância em relação à norte-americana.

Além do Brasil, os produtores dos Estados Unidos enfrentam a concorrência da Austrália e da Argentina, que ocupam posições importantes entre os exportadores mundiais do grão.

China se torna peça-chave na disputa pelo mercado de sorgo

A China é um dos principais destinos do sorgo comercializado internacionalmente. O cereal é utilizado tanto na alimentação de suínos quanto na fabricação do baijiu, bebida alcoólica tradicional chinesa.

Historicamente, o mercado chinês teve grande importância para os produtores norte-americanos. As exportações dos Estados Unidos para o país asiático já superaram US$ 2 bilhões há mais de uma década. Entretanto, as relações comerciais entre as duas potências e as mudanças na demanda provocaram fortes oscilações nas compras.

Em 2019, durante a primeira guerra comercial entre os governos de Donald Trump e da China, as exportações norte-americanas de sorgo recuaram para aproximadamente US$ 186 milhões. Em 2025, o valor caiu ainda mais, chegando a US$ 86 milhões.

A demanda chinesa por importações continua enfraquecida diante da ampla disponibilidade de grãos no mercado doméstico. Esse cenário dificulta o planejamento dos agricultores dos Estados Unidos, que dependem de previsibilidade comercial para decidir quais culturas plantar.

Produtores dos EUA reduzem área e enfrentam queda na produção

A instabilidade das exportações tem levado parte dos agricultores norte-americanos a substituir o sorgo por culturas com maior potencial de retorno e mercados consumidores mais diversificados, como milho e soja.

Em estados como Nebraska, essa mudança já ocorre nas áreas de cultivo. Além disso, a produção de sorgo dos Estados Unidos deve diminuir 33% na safra atual em relação à anterior, segundo as estimativas citadas no levantamento. A redução da área plantada e os efeitos da seca nas Planícies do Sul estão entre os fatores que pressionam o resultado.

Diante das dificuldades, representantes do setor defendem a ampliação dos acordos comerciais. Lust enviou uma carta a Trump no mês passado solicitando que o governo buscasse compromissos para a compra anual de 5 milhões a 7 milhões de toneladas de sorgo norte-americano pela China.

Listas divulgadas pelos dois países após uma reunião entre Trump e Xi Jinping, realizada em setembro, também indicaram a previsão de redução de tarifas chinesas sobre produtos agrícolas dos Estados Unidos, incluindo sorgo, trigo e milho.

Agricultores buscam alternativas ao mercado internacional

Enquanto parte dos produtores norte-americanos tenta recuperar o acesso à China, outros procuram reduzir a exposição às oscilações do comércio exterior.

Brad Dusenbery, agricultor de Nebraska, cultiva cerca de 700 acres e está construindo um pequeno moinho em Beatrice, no sudeste do estado. O projeto prevê a fabricação de farinha de sorgo para diferentes aplicações alimentícias, incluindo biscoitos e pães para hambúrgueres.

O produtor também está migrando para métodos de cultivo orgânico e pretende priorizar o mercado interno, em vez de depender das exportações.

A estratégia reflete a preocupação com a falta de estabilidade nas relações comerciais e a busca por alternativas que permitam agregar valor ao cereal dentro do próprio país.

Brasil amplia cultivo de sorgo na segunda safra

No Brasil, o movimento é de expansão. O sorgo vem conquistando espaço como alternativa de segunda safra, cultivada após a colheita da soja. A cultura apresenta boa adaptação a diferentes condições de clima e solo, característica que favorece sua utilização em diversas regiões agrícolas.

Um relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), divulgado no ano passado, destacou a ampla adaptação do cereal às condições brasileiras.

Outro fator que impulsiona o setor é a demanda da indústria de biocombustíveis. Grandes fabricantes de etanol, como a Inpasa, ampliaram sua capacidade industrial com unidades preparadas para processar tanto milho quanto sorgo.

Essa combinação de condições agronômicas favoráveis, demanda industrial e oportunidades de exportação contribui para o crescimento da cultura no país.

Produção brasileira pode atingir 10 milhões de toneladas até 2031

A produção de sorgo no Brasil mais que dobrou nos últimos quatro anos, e as perspectivas indicam continuidade desse avanço.

Estimativa do Rabobank aponta que o país poderá alcançar uma produção de 10 milhões de toneladas até 2031. O volume representa um crescimento expressivo em relação às aproximadamente 6 milhões de toneladas registradas na última safra mencionada.

Para Frederico Botelho, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o ritmo de expansão abre a possibilidade de o Brasil superar os Estados Unidos e assumir a liderança mundial na produção do cereal nos próximos anos.

A evolução dependerá da continuidade dos investimentos, da expansão da área cultivada, da demanda industrial e da consolidação de novos mercados consumidores.

Primeiro embarque para a China abre nova oportunidade para o Brasil

A expansão da produção brasileira ganhou um impulso importante com a abertura do mercado chinês. Em agosto, a Cofco, empresa estatal chinesa de comercialização de grãos, embarcou a primeira carga de sorgo brasileiro com destino à China.

A operação marcou o início de uma nova etapa para o setor e reforçou as expectativas de crescimento das exportações nacionais.

Dados compilados pela Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (ANEC) indicavam a previsão de embarques de até 2,4 milhões de toneladas de sorgo a partir dos portos brasileiros até o fim de outubro daquele ano, principalmente para o mercado chinês. Em 2025, não haviam sido registrados embarques significativos, segundo as informações apresentadas.

A abertura comercial cria uma alternativa adicional para o escoamento da produção e pode estimular novos investimentos na cadeia produtiva.

Diversificação de fornecedores favorece o sorgo brasileiro

A estratégia chinesa de diversificar suas fontes de abastecimento pode beneficiar diretamente o Brasil. Ao evitar a dependência de um único fornecedor, o país asiático abre espaço para ampliar as compras de outros produtores internacionais.

Marco Castelli, diretor comercial da Agrobom, empresa mineira de armazenamento e comercialização de grãos, avalia que essa política favorece a consolidação do mercado brasileiro de sorgo.

Com o crescimento da oferta nacional, o avanço da indústria de etanol e a abertura de novos destinos comerciais, o Brasil reúne condições para ampliar sua participação no comércio internacional do cereal.

O desafio será transformar o aumento da produção em presença duradoura no mercado externo, em um ambiente marcado pela concorrência internacional e pelas mudanças nas relações comerciais.

FONTE: Bloomberg Línea
TEXTO: Redação
IMAGEM: Edwin Remsberg/VWPics/AP

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Comércio Exterior

China rejeita limite da UE para exportações de carros híbridos

A China rejeitou a proposta da União Europeia (UE) para limitar voluntariamente as exportações de carros híbridos chineses ao mercado europeu, aumentando a pressão nas negociações comerciais entre Pequim e Bruxelas.

A recusa ocorre em um momento de tentativa de aproximação entre os dois lados, que buscam evitar uma nova escalada das tensões comerciais. Diante do impasse, a Comissão Europeia avalia a possibilidade de estabelecer unilateralmente restrições temporárias às importações de veículos híbridos fabricados na China.

A informação foi divulgada pelo Financial Times, que citou dois diplomatas familiarizados com as negociações.

UE avalia limitar importações de veículos chineses

O comissário europeu do Comércio, Maros Sefcovic, iniciou nesta quinta-feira uma visita de dois dias a Pequim. Entre os objetivos da viagem está a busca por um acordo capaz de reduzir o crescente déficit comercial da União Europeia com a China e evitar novas medidas de retaliação.

A proposta apresentada inicialmente por Bruxelas previa que Pequim restringisse as exportações de automóveis híbridos para cerca de 15% do mercado europeu. Atualmente, os veículos chineses representam mais de um terço desse segmento.

A alternativa negociada seria adotada de forma voluntária, mas a rejeição chinesa pode levar a UE a recorrer a medidas comerciais próprias, incluindo possíveis aumentos de tarifas.

Salvaguarda pode criar novas quotas de importação

Após a negativa de Pequim, a Comissão Europeia passou a analisar a criação de uma medida temporária de salvaguarda comercial. O mecanismo permitiria estabelecer uma quota para a entrada de veículos chineses e aplicar tarifas adicionais elevadas sobre os automóveis que ultrapassassem o limite estabelecido.

A ideia é chegar a um volume de importações que a China possa aceitar informalmente, reduzindo o risco de uma nova reação comercial.

No entanto, a medida não poderia ser direcionada exclusivamente à China. Outros fornecedores, como Reino Unido, Coreia do Sul e Japão, também seriam incluídos no sistema, com quotas calculadas de acordo com seus históricos de exportação para o mercado europeu.

Disputa envolve carros elétricos e tarifas

O aumento das exportações chinesas de veículos híbridos para a Europa ganhou força depois que Bruxelas aplicou direitos compensatórios de até 35% sobre automóveis elétricos produzidos na China. Essas tarifas são cobradas além da taxa convencional de 10%.

Pequim reagiu com medidas comerciais direcionadas a produtos europeus, entre eles conhaque, carne suína e laticínios, ampliando o alcance da disputa entre os dois mercados.

França e Alemanha pedem resposta mais firme

De acordo com o Financial Times, autoridades europeias consideram que as negociações em Pequim terão dificuldades para avançar caso não haja uma solução para o crescimento das importações de automóveis híbridos.

A dimensão do déficit comercial europeu com a China também preocupa os governos dos Estados-membros. O saldo negativo chegou a aproximadamente 1 bilhão de euros por dia.

França e Alemanha apresentaram nesta semana uma posição conjunta defendendo uma atuação mais firme da Comissão Europeia diante das práticas comerciais chinesas.

Os dois países alertaram para o risco de um “choque industrial maciço” em setores considerados estratégicos para a economia europeia, como as indústrias farmacêutica, aeroespacial, automotiva, química e de máquinas-ferramentas.

Berlim e Paris também propõem um novo instrumento que permita restringir rapidamente a entrada de determinados produtos no mercado europeu. Segundo os dois governos, o mecanismo poderia funcionar ainda como forma de dissuadir eventuais retaliações de Pequim.

Terras raras e relação com a Rússia entram nas negociações

As discussões entre China e União Europeia não se limitam ao setor automotivo. Outro tema relevante são os controles chineses sobre a exportação de terras raras, ímãs e minerais críticos, materiais fundamentais para as indústrias de automóveis, tecnologias de energia limpa e defesa.

Diplomatas citados pelo Financial Times afirmam que aproximadamente 90% dos pedidos de licenciamento apresentados por empresas europeias foram aprovados pelas autoridades chinesas. O processo, porém, exige que as companhias forneçam informações comerciais e industriais consideradas sensíveis.

Pequim também pressiona Bruxelas pelo fim das sanções contra empresas chinesas acusadas de apoiar a Rússia na guerra contra a Ucrânia. O governo chinês ainda quer a retirada de restrições europeias à exportação de tecnologias avançadas, incluindo equipamentos para fabricação de semicondutores produzidos pela empresa neerlandesa ASML.

China critica restrições voluntárias às exportações

Um terceiro diplomata ouvido pelo jornal britânico demonstrou ceticismo sobre a possibilidade de um acordo durante as atuais negociações.

O Ministério do Comércio da China, por sua vez, afirmou no mês passado que se opõe firmemente às restrições voluntárias às exportações. Segundo Pequim, esse tipo de medida viola as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e entra em conflito com os princípios de economia de mercado e concorrência justa.

As negociações em Pequim, portanto, envolvem não apenas o comércio de automóveis híbridos, mas também tarifas, acesso a mercados, minerais estratégicos, tecnologia e sanções relacionadas à guerra na Ucrânia.

FONTE: SIC Notícias
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/SIC

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Comércio Exterior

Exportações do Brasil para China e União Europeia impulsionam superávit comercial em 2026

O Brasil ampliou as vendas externas e registrou forte avanço no superávit da balança comercial em 2026. Dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) na terça-feira (6/10) mostram que o saldo positivo acumulado de janeiro a setembro cresceu 34,8% em relação ao mesmo período do ano passado.

Exportações brasileiras somam US$ 284,65 bilhões

Entre janeiro e setembro de 2026, as exportações brasileiras alcançaram US$ 284,65 bilhões, alta de 10,4% na comparação anual. No mesmo período, as importações avançaram 5,0%, chegando a US$ 222,26 bilhões.

Com esse resultado, o comércio exterior brasileiro registrou superávit de US$ 62,40 bilhões, crescimento de 34,8%. Já a corrente de comércio, que reúne exportações e importações, movimentou US$ 506,91 bilhões, aumento de 8,0%.

China amplia compras de produtos brasileiros

A China foi um dos principais destinos responsáveis pelo crescimento das exportações brasileiras. Nos nove primeiros meses do ano, as vendas para o mercado chinês somaram US$ 84,68 bilhões, alta de 12,0% em relação ao mesmo intervalo de 2025.

O resultado reforça a importância do país asiático para a pauta de exportações do Brasil, especialmente entre os principais parceiros comerciais brasileiros.

União Europeia também aumenta importações do Brasil

As vendas brasileiras para a União Europeia tiveram desempenho ainda mais expressivo no período. Entre janeiro e setembro, as exportações para o bloco cresceram 20,0% e totalizaram US$ 44,15 bilhões.

O avanço das compras europeias contribuiu para o desempenho positivo da balança comercial brasileira ao longo de 2026.

Setembro registra alta nas exportações

Considerando apenas setembro, as exportações brasileiras cresceram 12,9% frente ao mesmo mês de 2025 e alcançaram US$ 34,42 bilhões.

Na direção contrária, as importações recuaram 2,4%, para US$ 26,68 bilhões. A diferença entre os dois fluxos resultou em um superávit comercial de US$ 7,74 bilhões, aumento de 146,4% na comparação anual.

A corrente de comércio de setembro ficou em US$ 61,10 bilhões, alta de 5,6%.

FONTE: Agência Gov
TEXTO: Redação
IMAGEM: Gilberto Sousa/CNI

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Comércio Exterior

Balança comercial: governo reduz previsão de superávit do Brasil em 2026 para US$ 84,4 bilhões

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) revisou para baixo a estimativa para o desempenho da balança comercial brasileira em 2026. A projeção atual aponta para um superávit de US$ 84,4 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 420,3 bilhões.

Em julho, a expectativa do governo era de um saldo positivo de US$ 90 bilhões. Mesmo com a redução, o resultado projetado ainda representa uma alta de aproximadamente 24% em relação ao superávit registrado em 2025, de US$ 68,1 bilhões.

Queda do petróleo reduz projeção para o comércio exterior

A revisão está relacionada principalmente ao comportamento dos preços do petróleo. O barril chegou a disparar para US$ 138 em abril, após a entrada dos Estados Unidos em conflito com o Irã, mas perdeu valor posteriormente.

A oscilação da commodity afeta tanto as exportações quanto as importações brasileiras. O país está entre os grandes vendedores de petróleo bruto, mas também depende da compra de derivados no mercado internacional.

Com isso, a estimativa para as exportações brasileiras em 2026 caiu de US$ 394,4 bilhões para US$ 382,5 bilhões. Apesar do corte, o valor projetado ainda representa crescimento de 9,8% sobre o resultado de 2025.

Para as importações, a previsão passou de US$ 304,4 bilhões para US$ 298,1 bilhões, alta de 6,4% em relação ao ano anterior.

Na comparação entre as duas revisões, a expectativa de vendas externas perdeu US$ 11,9 bilhões, enquanto a previsão para as compras externas foi reduzida em US$ 6,3 bilhões. A diferença explica a redução da estimativa para o saldo comercial.

Governo já revisou previsão duas vezes em 2026

Esta é a segunda alteração feita pelo Mdic na estimativa para o ano. A projeção inicial apontava para um superávit de US$ 72,1 bilhões, número que subiu para US$ 90 bilhões em julho.

Para alcançar o novo resultado de US$ 84,4 bilhões, o Brasil precisará registrar um saldo positivo próximo de US$ 22 bilhões entre outubro e dezembro, segundo cálculos baseados nos dados divulgados pelo ministério.

O montante é praticamente igual ao registrado no último trimestre de 2025, quando o superávit comercial chegou a US$ 21,8 bilhões.

Superávit de setembro cresce 146,4%

O desempenho mais recente da balança comercial também contribuiu para o cenário positivo. Em setembro, o Brasil registrou superávit de US$ 7,74 bilhões, avanço de 146,4% sobre os US$ 3,14 bilhões contabilizados no mesmo mês de 2025.

Foi o melhor resultado mensal desde junho, quando o saldo positivo alcançou US$ 9 bilhões.

As exportações brasileiras somaram US$ 34,42 bilhões em setembro, crescimento de 12,9% na comparação anual. Já as importações recuaram 2,4%, para US$ 26,68 bilhões.

Com isso, a corrente de comércio — resultado da soma das exportações e importações — alcançou US$ 61,1 bilhões, alta de 5,6%.

Petróleo impulsiona exportações

O avanço das vendas externas em setembro ocorreu principalmente devido à valorização dos produtos exportados. Em média, os preços aumentaram 9,9%, enquanto o volume embarcado cresceu 2,3%.

O mês teve 21 dias úteis, um a menos que setembro de 2025. Considerando a média diária, as exportações apresentaram crescimento de 18,3%.

O petróleo bruto foi um dos principais responsáveis pelo desempenho das vendas externas.

Europa amplia compras de produtos brasileiros

Entre os principais destinos das exportações, a Europa registrou o maior crescimento. As vendas brasileiras para o continente avançaram 51,9% em setembro, chegando a US$ 8,3 bilhões.

As exportações de petróleo bruto para a região tiveram alta ainda mais expressiva, de 143,8%.

Para os Estados Unidos, as vendas cresceram 31,9% no mês, alcançando US$ 3,5 bilhões. Apesar do avanço registrado em setembro, o acumulado do ano ainda apresenta queda de 6,5% nas exportações brasileiras para o mercado americano.

Já as vendas para a China recuaram 7,6% em setembro, para US$ 7,9 bilhões. Na Argentina, a retração foi de 25,2%.

FONTE: O Globo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Dado Galdieri/Bloomberg

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Tecnologia

Robôs humanoides chineses dançam com espadas em tradicional dança saudita em Riade

Robôs humanoides chineses surpreenderam convidados durante uma celebração oficial em Riade, capital da Arábia Saudita, ao participar de uma apresentação inspirada na tradicional ardha saudita, dança masculina marcada por passos sincronizados, cantos e espadas erguidas.

A performance ocorreu no salão da embaixada da China durante as comemorações do aniversário da fundação da República Popular da China. Vestidas com estruturas metálicas e revestimentos claros, as máquinas reproduziram movimentos coletivos característicos da manifestação cultural saudita.

Um vídeo curto da apresentação, publicado no YouTube, chamou atenção justamente pelo contraste entre a tradição centenária e a robótica chinesa. A cena também ganhou significado diplomático ao colocar máquinas desenvolvidas na China dentro de um dos símbolos culturais mais reconhecidos da Arábia Saudita.

Robôs reproduzem movimentos da ardha saudita

A ardha é uma dança tradicional masculina da Arábia Saudita. Normalmente apresentada em fileiras ou círculos, ela envolve movimentos coordenados, marcação dos passos no chão e o levantamento de espadas ou rifles, acompanhados por cantos associados à coragem e à união.

Na cerimônia em Riade, os robôs foram programados para acompanhar o padrão básico dos movimentos. As máquinas mantiveram o alinhamento e reproduziram a cadência do grupo, incluindo o gesto de erguer as espadas.

A escolha da dança não parece ter sido aleatória. Por seu caráter cerimonial, a ardha ocupa espaço importante em celebrações nacionais e eventos oficiais sauditas. Ao utilizar esse repertório, a apresentação aproximou a tecnologia chinesa de um elemento específico da identidade cultural local.

O contraste entre tradição e tecnologia

O impacto da apresentação está justamente na combinação de elementos aparentemente opostos.

De um lado, está uma tradição praticada há gerações por homens sauditas em cerimônias e festividades. Do outro, aparecem máquinas humanoides executando movimentos programados para acompanhar esse mesmo código coletivo.

A proposta não é substituir os dançarinos humanos, mas demonstrar que a robótica humanoide já consegue reproduzir movimentos coordenados em situações que vão além de ambientes industriais ou laboratórios.

O contraste entre a rigidez mecânica dos robôs e a fluidez associada à dança tradicional cria uma imagem facilmente compreensível mesmo para quem desconhece os detalhes da cultura saudita.

Tecnologia chinesa ganha espaço em uma celebração oficial

A apresentação também pode ser interpretada como uma demonstração do avanço da robótica chinesa em aplicações de entretenimento, eventos e interação social.

Robôs humanoides produzidos por empresas chinesas vêm sendo apresentados em feiras, centros de demonstração, estádios e outros espaços públicos. Em Riade, porém, as máquinas foram inseridas diretamente na programação de uma celebração diplomática.

Para realizar uma apresentação desse tipo, é necessário combinar controle de equilíbrio, coordenação dos movimentos, programação da coreografia e mecanismos de segurança. A operação se torna ainda mais relevante em um ambiente fechado e próximo de convidados.

Em vez de apresentar apenas equipamentos, folders ou discursos sobre inovação, a embaixada colocou a própria tecnologia em movimento diante do público.

A dança como instrumento de diplomacia tecnológica

China e Arábia Saudita mantêm relações estreitas em áreas como energia, investimentos, infraestrutura e diversificação econômica. A aproximação tecnológica passou a fazer parte desse relacionamento, especialmente diante dos planos sauditas de modernização ligados à Visão 2030.

Nesse contexto, a performance dos robôs assume um significado que vai além do entretenimento.

Ao reproduzir uma manifestação cultural saudita durante uma festa oficial chinesa, a apresentação transmite uma mensagem de adaptação e reconhecimento cultural. A tecnologia não aparece isoladamente, mas inserida em um símbolo associado ao país anfitrião.

A escolha também reforça o conceito de soft power tecnológico, no qual produtos e capacidades de inovação são usados para construir uma imagem positiva e ampliar a influência internacional.

Por que o vídeo chamou tanta atenção

A apresentação reúne elementos com forte potencial de circulação nas redes sociais: robôs humanoides, espadas, uma dança tradicional e o ambiente formal de uma embaixada.

Em poucos segundos, o espectador consegue visualizar as máquinas alinhadas, levantar as espadas e acompanhar o ritmo coletivo. O resultado gera uma combinação de estranhamento e curiosidade.

Esse formato também ajuda a transformar uma demonstração realizada para um público restrito em conteúdo compartilhável internacionalmente.

Mais do que um comunicado oficial sobre os avanços da indústria, o vídeo mostra os equipamentos executando uma tarefa cultural específica. Isso facilita a compreensão da capacidade tecnológica por parte de quem não acompanha o setor de automação e inteligência artificial.

Robôs humanoides entram na disputa por visibilidade

A apresentação em Riade ocorre em meio à crescente competição internacional pelo desenvolvimento da robótica humanoide.

Empresas de diferentes países buscam demonstrar que seus robôs podem caminhar, manter o equilíbrio, manipular objetos e executar tarefas cada vez mais complexas. Nesse cenário, eventos públicos servem também como vitrines para testar a percepção das pessoas diante dessas máquinas.

Levar um robô para o centro de uma festa diplomática acrescenta outra dimensão à demonstração: a aceitação social.

A máquina deixa de aparecer apenas como equipamento industrial e passa a desempenhar um papel reconhecível em uma cerimônia.

O significado para as relações entre China e Arábia Saudita

A escolha do dia 1º de outubro, data que marca a fundação da República Popular da China, acrescenta uma camada simbólica à apresentação.

Celebrar a data chinesa em Riade utilizando um elemento tradicional saudita cria uma imagem de reciprocidade cultural. A mensagem pode ser compreendida mesmo sem um longo discurso: a tecnologia chinesa ocupa o espaço da cerimônia enquanto reproduz um gesto associado à cultura do país anfitrião.

Para autoridades, empresários e convidados presentes, a imagem dos robôs no centro do salão funciona como uma demonstração concreta da capacidade tecnológica chinesa.

Para o público online, a mesma imagem transforma-se em uma peça de comunicação internacional.

O que a cena revela sobre o soft power chinês

Tradicionalmente, o soft power de um país pode ser construído por meio de cultura, esporte, cinema, educação e intercâmbios. Atualmente, a tecnologia também desempenha papel importante nessa estratégia.

Robôs, drones, inteligência artificial e outras tecnologias avançadas podem funcionar como símbolos da capacidade industrial de um país.

No caso de Riade, a especificidade da apresentação aumenta seu valor simbólico. Programar máquinas para reproduzir uma dança local exige mais do que simplesmente fazê-las caminhar ou mover os braços. É preciso adaptar os movimentos ao ritmo e à formação característica da apresentação.

O resultado reforça a imagem de uma indústria capaz de combinar hardware, sensores, automação e software em uma única demonstração.

O impacto para países como o Brasil

O episódio também interessa a países que ampliam relações comerciais e tecnológicas com a China, incluindo o Brasil.

A presença chinesa já é significativa em áreas como veículos elétricos, eletrônicos, infraestrutura digital, automação e manufatura. À medida que a robótica humanoide avança, demonstrações como a realizada em Riade ajudam a indicar quais podem ser os próximos mercados para essas tecnologias.

No Brasil, robôs costumam aparecer em demonstrações relacionadas à indústria, logística, soldagem, atendimento e automação. A apresentação saudita amplia esse imaginário ao mostrar uma máquina participando de um contexto cultural e diplomático.

Isso não significa que uma apresentação artística seja suficiente para comprovar questões como segurança, transferência tecnológica, geração de empregos ou viabilidade econômica. O episódio funciona, sobretudo, como uma demonstração de ambição e capacidade de comunicação tecnológica.

Da fábrica ao palco diplomático

A principal mensagem da apresentação em Riade está na mudança de papel atribuída aos robôs.

Eles não aparecem apenas como ferramentas destinadas a uma linha de produção. Também podem ser utilizados como atrações, demonstrações tecnológicas e elementos de comunicação internacional.

Ao colocar robôs chineses para executar a ardha diante de convidados em uma celebração oficial, a China combinou inovação e cultura em uma única imagem.

O resultado é uma cena que permanece na memória justamente pela combinação incomum: máquinas humanoides reproduzindo uma tradição saudita no interior da representação diplomática chinesa.

Mais do que uma dança, a performance funciona como uma vitrine da evolução da robótica humanoide chinesa e de como a tecnologia pode ser incorporada à diplomacia, ao entretenimento e à comunicação cultural.

FONTE: Diário do Litoral
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Diário do Litoral

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