Comércio Exterior

União Europeia propõe tarifa de 50% para aço importado fora de cota

A Comissão Europeia apresentou nesta terça-feira (7) uma proposta que pode transformar o mercado siderúrgico do bloco. O plano prevê a elevação da tarifa sobre importações de aço e alumínio fora da cota de 25% para 50%, medida que busca conter os efeitos da supercapacidade global na indústria europeia.

Tarifa mais alta contra concorrência desleal

Segundo a Comissão, o objetivo é proteger a indústria siderúrgica europeia dos impactos da entrada de produtos mais baratos, principalmente da China e de outras economias asiáticas. Para o comissário europeu da Indústria, Stéphane Séjourné, essa é uma “nova cláusula de salvaguarda para o aço” e faz parte do esforço de reindustrialização da Europa.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, reforçou a necessidade de agir com rapidez: “A supercapacidade global está prejudicando nossa indústria. Precisamos avançar agora”.

Redução de cotas e novo sistema de rastreabilidade

Além da tarifa mais alta, o pacote inclui a redução das cotas de importação de aço sem tarifa para 18,3 milhões de toneladas anuais — uma queda de 47% em relação ao ano anterior. A proposta também cria um mecanismo de rastreabilidade dos mercados de aço para evitar desvios comerciais.

Substituição do mecanismo atual

As medidas sugeridas devem substituir o atual sistema de salvaguarda, que estabelece uma alíquota de 25% e tem validade até junho de 2026. Caso aprovada, a mudança dobrará a tarifa fora de cota, ampliando a proteção ao setor.

Próximos passos

O texto segue agora para análise do Parlamento Europeu e do Conselho da União Europeia. Para entrar em vigor, será necessário o apoio de uma maioria qualificada dos países-membros.

Em comunicado, a Comissão afirmou ainda que convida “outros países com ideias semelhantes” a cooperar contra a supercapacidade mundial, defendendo cadeias de suprimento seguras e maior acesso mútuo aos mercados.

Contexto internacional

A indústria do aço na Europa enfrenta dificuldades há anos devido às importações baratas. O cenário se intensificou após os Estados Unidos, sob o governo de Donald Trump, elevarem para 50% as tarifas sobre aço e alumínio logo no início de sua gestão.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Andrey Rudakov/Bloomberg

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Industria

CEO da Ford alerta que EUA estão atrás da China na indústria e cobra mais investimentos

O CEO da Ford, Jim Farley, fez um alerta contundente sobre a competitividade americana ao afirmar que os Estados Unidos estão “muito atrás da China” em setores industriais e de tecnologia. O executivo participou do Ford Pro Accelerate Summit, em Detroit, onde reuniu centenas de líderes de manufatura, logística e construção para discutir a chamada “economia essencial”.

China avança, EUA perdem espaço

Farley destacou que a falta de investimentos consistentes nos EUA contrasta com a estratégia de países asiáticos como China, Coreia do Sul e Japão, que direcionam recursos massivos para treinamento, inovação e apoio político. “Estamos muito atrás… É humilhante olhar onde estamos em relação à economia essencial e ao reconhecimento da importância desses empregos”, afirmou.

Segundo ele, a escassez de mão de obra qualificada e a queda da produtividade já comprometem a indústria americana. O executivo criticou a desvalorização de trabalhadores essenciais — como técnicos, construtores e transportadores — e pediu novas políticas públicas e parcerias privadas para reduzir burocracias e apoiar pequenos negócios.

Lições da Ásia para o mercado de trabalho

Na avaliação de Farley, o sucesso asiático está no fortalecimento de sistemas robustos, que valorizam socialmente a mão de obra técnica e garantem sua renovação por meio de programas de aprendizagem e capacitação profissional. Ele lembrou que a Ford enfrenta carência de técnicos em todo o mundo e defendeu maior engajamento das empresas com escolas técnicas, sindicatos e organizações comunitárias.

O papel da política industrial

O executivo também comentou sobre a política econômica e comercial americana. Para ele, medidas como tarifas e barreiras regulatórias podem agravar a escassez de trabalhadores, caso não venham acompanhadas de investimentos sólidos em educação técnica e produtividade.

A governadora de Michigan, Gretchen Whitmer, presente no evento, reforçou a preocupação e disse que, sem ação imediata, a China pode dominar setores estratégicos. Ela citou a presença maciça de montadoras chinesas no Salão de Munique como exemplo da velocidade com que o país asiático avança sobre mercados globais.

Caminhos para o futuro

Tanto Farley quanto Whitmer defenderam uma expansão da educação profissional nos EUA, inspirada em modelos da Alemanha e do Leste Asiático. Eles pediram mais oportunidades de formação técnica e vocacional, redução de barreiras de entrada e maior reconhecimento social de empregos essenciais, que muitas vezes oferecem alta remuneração e possibilidade de empreendedorismo.

Para Whitmer, setores como encanamento, transporte e serviços essenciais precisam voltar a ser valorizados. “Esses empregos tornam nossa vida possível e não podem ser substituídos por tecnologia”, afirmou.

FONTE: Estadão
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Exame

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Exportação

China prioriza Argentina e Austrália e deixa Brasil e EUA de fora em compras de soja e carne bovina

Importadores chineses compraram milhões de toneladas de soja da Argentina em setembro, logo após Buenos Aires suspender temporariamente os impostos de exportação sobre grãos e derivados.

Ao mesmo tempo, a carne bovina australiana ganhou terreno no mercado chinês, enquanto as vendas dos Estados Unidos recuaram com força em meio a licenças vencidas para plantas frigoríficas e à escalada tarifária entre Washington e Pequim.

O movimento acendeu um alerta no governo norte-americano e reconfigurou o tabuleiro do agronegócio no curto prazo.

Soja argentina ganha força com isenção de impostos

A decisão do governo de Javier Milei de suspender, por prazo limitado, as retenciones sobre soja, milho, trigo e derivados tornou os embarques argentinos mais competitivos.

Negociadores chineses fecharam ao menos 20 carregamentos, algo próximo de 1,3 milhão de toneladas, com embarques previstos para novembro e início de 2026.

Segundo relatos de mercado, os volumes deste mês alcançaram o maior patamar em sete anos, ocupando um espaço que, em anos anteriores, tenderia a ser suprido por fornecedores dos Estados Unidos.

Embora a China tradicionalmente concentre boa parte das compras do quarto trimestre na safra norte-americana, a combinação entre tarifas bilaterais, preços internos elevados nos EUA e a janela fiscal aberta pela Argentina empurrou os chineses para a América do Sul.

De acordo com reportagens internacionais, essa rodada de compras cobriu mais da metade das necessidades de curto prazo de esmagadoras chinesas, reduzindo a urgência de buscar grão norte-americano na virada da safra.

Governo Trump reage à aproximação entre China e Argentina

A guinada chinesa causou incômodo dentro do governo Donald Trump.

Durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York, um fotógrafo registrou o secretário do Tesouro, Scott Bessent, lendo no celular uma mensagem atribuída a “BR”, interpretação corrente para a secretária da Agricultura, Brooke Rollins.

O teor apontava preocupação com o efeito colateral do alívio tributário argentino sobre os agricultores dos EUA e com a rota de vendas para a China.

Em público, integrantes do gabinete tentaram conter o desgaste.

Bessent afirmou que o apoio dos EUA a Buenos Aires se dá por meio de linha de swap de crédito, não por desembolsos diretos, e que o objetivo é dar estabilidade financeira à economia argentina.

Em paralelo, associações do setor agrícola norte-americano relataram perda de espaço na China e pediram previsibilidade nas negociações comerciais.

Carne bovina australiana substitui produto americano

No mercado de proteína bovina, a curva também virou.

Após Pequim retomar autorizações e retirar sanções impostas a vários frigoríficos australianos nos últimos anos, os embarques da Austrália para a China aceleraram.

Já os EUA sentiram um choque duplo: além da reacensão da disputa tarifáriacentenas de registros de plantas e entrepostos frigorificados norte-americanos expiraram, afetando a capacidade de exportação.

Os números recentes ilustram a mudança de fluxo.

As vendas dos EUA para a China despencaram para algo próximo de US$ 8 milhões em julho e US$ 10 milhões em agosto, bem abaixo dos valores superiores a US$ 100 milhões observados nos mesmos meses do ano anterior.

No sentido oposto, a Austrália ampliou rapidamente sua fatia de mercado, amparada por oferta mais abundante e por um produto que atende nichos chineses de grão-alimentado.

Grandes processadoras americanas também enfrentam rebanho apertado e preços domésticos recordes, o que reduz a competitividade no exterior.

Brasil mantém liderança nas exportações de soja

Apesar do título sugerir um afastamento, o Brasil continua sendo o principal fornecedor de soja à China em 2025, com recordes de embarque ao longo do primeiro semestre e volumes robustos em agosto.

O que ocorreu, neste recorte de setembro, foi uma substituição tática: diante da brecha tributária aberta por Buenos Aires, compradores chineses aproveitaram para antecipar parte das compras na Argentina.

No caso da carne bovina, o reposicionamento favoreceu a Austrália, não o Brasil.

Ainda assim, há pontos de atenção para produtores brasileiros.

Em janeiro, a China suspendeu temporariamente embarques de algumas tradings e cooperativas por exigências fitossanitárias, ainda que o impacto global tenha sido limitado e depois atenuado.

Além disso, a volatilidade tarifária global e a intensificação da disputa comercial entre Washington e Pequim podem redistribuir demanda entre fornecedores de forma súbita, inclusive deslocando negócios da América do Sul conforme preços e regras mudem.

Efeitos imediatos no comércio agrícola global

Para a soja, a demanda chinesa por grão argentino deve se concentrar na janela em que a suspensão de impostos estiver vigente ou até que o teto estipulado pelo governo seja alcançado.

Esse fator, mais o câmbio e o avanço da colheita norte-americana, tende a pesar sobre prêmios e curvas futuras nas próximas semanas.

Por outro lado, esmagadoras chinesas relatam margens positivas com a soja sul-americana, reforçando o apetite por cargas adicionais se a janela fiscal for prorrogada.

Na carne bovina, os EUA enfrentam um processo mais difícil de reverter.

Mesmo que parte dos registros seja renovada e que haja alívio tarifário temporário em setores específicos, a quebra de continuidade no fornecimento costuma penalizar quem perde gôndola.

A Austrália, com oferta crescente e status sanitário reconhecido pela China, tende a consolidar contratos no último trimestre, enquanto os frigoríficos brasileiros seguem disputando nichos na Ásia com restrições pontuais.

Política comercial molda o novo mapa do agronegócio

O pano de fundo é eminentemente político.

Tarifas recíprocas elevadas, investigações e exigências regulatórias têm reconfigurado rotas de commodities desde o início do ano.

Em resposta, a China diversificou origens, escalou compras no Brasil e ativou a Argentina quando houve corte tributário.

Do lado norte-americano, produtores pressionam por alívio e previsibilidade, mas esbarram em uma estratégia tarifária que o governo considera parte de uma agenda de segurança econômica mais ampla.

No curto prazo, o resultado é um triângulo competitivo — Brasil, Argentina e Austrália — atendendo ao maior comprador global de soja e um dos maiores de carne bovina, enquanto os Estados Unidos lidam com restrições próprias e com o custo de vender para um cliente que responde de forma contundente a cada tarifa ou regra nova.

Diante dessa nova configuração, qual país do Cone Sul ganhará mais espaço se a janela fiscal argentina for prorrogada e a Austrália mantiver o embalo no mercado chinês?

FONTE: Click Petróleo e Gás
IMAGEM: Reprodução/Click Petróleo e Gás

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Industria

Indústria de máquinas cresce 10,6% em 2025, mas ritmo desacelera

Receita do setor ultrapassa R$ 200 bilhões até agosto

A indústria de máquinas e equipamentos registrou R$ 200,8 bilhões em receita entre janeiro e agosto de 2025, alta de 10,6% em relação ao mesmo período de 2024, segundo a Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos).

Apesar do resultado positivo, o setor mostra desaceleração no crescimento. Até julho, o avanço acumulado era de 13,6%.

Impacto do tarifaço e queda em agosto

Em agosto, com o início do tarifaço dos Estados Unidos contra o Brasil, a receita de vendas recuou 5,6% frente ao mesmo mês do ano anterior, totalizando R$ 26,5 bilhões.

Segundo a Abimaq, o desempenho estava dentro das expectativas. A entidade prevê que os próximos meses mantenham o ritmo mais lento, reflexo da política monetária contracionista e das barreiras comerciais impostas pelo governo norte-americano.

Mercado interno em alta, exportações estáveis

De janeiro a agosto, as vendas internas somaram R$ 153,2 bilhões, crescimento de 12,7% ante 2024. Já as exportações alcançaram US$ 8,3 bilhões, praticamente estáveis, com leve queda de 0,1%.

Entre os destaques positivos, cresceram as vendas de máquinas agrícolas, de bens de consumo não duráveis e de componentes industriais. O maior impulso veio da América do Sul, especialmente Argentina, Chile e Peru.

Mudança nos destinos das exportações

O desempenho internacional mostrou realocação de mercados em 2025:

  • América do Norte: queda de 9% nas compras;
  • Europa: crescimento de 11,6%;
  • América do Sul: avanço de 17,2%.

Na região sul-americana, a Argentina se destacou com salto de 47,2% nas aquisições, puxado pelo aumento nas compras de máquinas agrícolas (+82,8%) e para construção civil (+80,1%).

Nos Estados Unidos, que ainda representam 25,9% das exportações brasileiras, houve retração de 7,5%, principalmente devido à menor demanda por máquinas para construção civil (-14,9%). Em 2024, a participação norte-americana era de 26,9%.

Importações sobem com força, China lidera

As importações de máquinas e equipamentos somaram US$ 21,1 bilhões até agosto, alta de 9,1% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A China segue como principal fornecedora, responsável por 31,8% do total importado no acumulado do ano. Apenas em agosto, o país respondeu por 30,6% das compras, com aumento mensal de 12,9%. No comparativo anual, o crescimento das importações vindas da China foi de 18%.

FONTE: Modais em Foco
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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Exportação

Exportação de carnes do Brasil cresce mais de 50% apesar de tarifas dos EUA

Setor dribla barreiras impostas por Donald Trump

Mesmo com a tarifa de 50% aplicada pelos Estados Unidos às carnes brasileiras desde 6 de agosto, as exportações do setor não perderam fôlego. Enquanto as vendas totais do Brasil para o mercado americano recuaram 18% em agosto, o setor de carnes mostrou resiliência e expandiu sua presença em outros destinos internacionais.

Queda para os EUA, salto no mercado global

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), os embarques de carnes para os EUA caíram 46% em agosto, somando US$ 37 milhões. Ainda assim, a perda foi compensada pela forte demanda mundial: as exportações totais de carnes cresceram 56%, alcançando US$ 1,5 bilhão, um dos maiores volumes já registrados.

Dados preliminares de setembro reforçam a tendência. A média diária de exportação de carne bovina foi de R$ 1,6 milhão, alta de 53% em relação ao mesmo período de 2024. O desempenho levou a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) a revisar sua projeção de crescimento anual para 2025 de 12% para 14%.

Demanda aquecida na Ásia e em mercados emergentes

Segundo o presidente da Abiec, Roberto Perosa, o cenário é favorável porque há uma escassez global de carne. “Nossos principais competidores, como Estados Unidos e Austrália, enfrentam dificuldades de produção. Enquanto isso, a demanda cresce, especialmente na Ásia, onde países como Vietnã, Malásia, Indonésia e Filipinas estão aumentando o consumo de carne bovina”, explicou.

A China, que já representa 60% das exportações brasileiras, aumentou as compras em 90% em agosto. Outros mercados também registraram altas expressivas: Rússia (109%), México (300%) e Chile (30%).

EUA continuam estratégicos para o setor

Apesar da expansão em novos destinos, Perosa lembra que o mercado americano segue fundamental:

“Os Estados Unidos eram nosso segundo maior comprador e são altamente rentáveis. Redirecionar as vendas é possível, mas trabalhamos com margens apertadas de 3% a 4%. Perder um mercado que oferece maior rentabilidade impacta todo o sistema de vendas”, afirmou.

FONTE: Veja
TEXTO: Redação
IMAGEM: Paula Bronstein/Getty Images/VEJA

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Importação

Governo prorroga direito antidumping sobre alho importado da China por mais 5 anos

Medida busca proteger produtores nacionais

O governo federal decidiu estender por mais cinco anos o direito antidumping aplicado às importações brasileiras de alho fresco ou refrigerado da China. A prorrogação foi oficializada nesta terça-feira (30) por meio de resoluções do Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex), publicadas no Diário Oficial da União (DOU).

O que é o antidumping

A prática de dumping ocorre quando um país exporta produtos a preços inferiores aos praticados em seu próprio mercado interno, configurando uma forma de concorrência desleal. Essa estratégia pode prejudicar os produtores do país importador ao reduzir artificialmente os preços.

Para neutralizar esses efeitos, governos aplicam taxas adicionais ou definem cotas de importação sobre os produtos estrangeiros que se enquadram nessa prática. No caso do alho chinês, a medida foi considerada necessária para garantir condições justas de competição no mercado brasileiro.

FONTE: Valor Econõmico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Internacional

A China prepara um plano de retaliação antes do prazo dos EUA para a taxa portuária

A China está tomando medidas preventivas contra os planos dos EUA de aumentar taxas portuárias para cargas ligadas à China.

O premier chinês Li Qiang assinou um decreto do Conselho de Estado no fim de semana, que estabelece que a China tomará as contramedidas necessárias contra países ou regiões que imponham ou apoiem proibições discriminatórias, restrições ou medidas semelhantes direcionadas a operadores chineses, embarcações ou tripulações envolvidas no transporte marítimo internacional e serviços relacionados.

O Representante Comercial dos EUA (USTR) deve impor as taxas portuárias a partir de 14 de outubro, embora as regras finais ainda não tenham sido publicadas. A Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP) está trabalhando em um sistema de arrecadação.

A falta de clareza da legislação que está por vir levou alguns a argumentar que, como outras táticas de negociação adotadas pela equipe de comércio de Donald Trump neste ano, o prazo de 14 de outubro pode ser estendido ou até mesmo cancelado.

“Nem todos estão convencidos de que as taxas de atracação portuária do USTR em 14 de outubro para navios e operadores chineses irão se concretizar, já que a questão pode fazer parte das negociações em andamento entre EUA e China”, comentou Judah Levine, chefe de pesquisa da Freightos, plataforma de reservas de contêineres, em nota a clientes no início deste mês.

FONTE: Splash 247
IMAGEM: Reprodução/Splash 247

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Comércio

A agência de comércio do Brasil recomenda a mudança para exportações de alto valor para a China

As commodities ainda dominam o comércio, mas a ApexBrasil vê espaço para crescimento em alimentos processados, comércio eletrônico e produtos sustentáveis

Mesmo com o crescimento da China desacelerando — de taxas de dois dígitos entre 1980 e 2010 para uma projeção de 4,5% a 5% ao ano — o país continua oferecendo ao Brasil oportunidades “escondidas nos grandes números” do comércio de commodities.

Um estudo da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), encomendado pelo Valor, constatou que o ritmo mais lento reflete uma mudança na natureza das oportunidades, e não uma redução em seu número. O novo ciclo de crescimento da China prioriza qualidade em vez de quantidade, criando espaço para o Brasil fornecer bens com maior valor agregado, alinhados ao modelo econômico em evolução do país.

A agência, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e com escritórios na China, vem mapeando oportunidades para exportações e investimentos brasileiros.

A desaceleração da China reflete fatores estruturais, como o envelhecimento da população, a transição para uma economia mais baseada em serviços e inovação, e ajustes internos para reduzir a dependência de gastos pesados em infraestrutura e indústrias de baixa tecnologia.

Mesmo em ritmo mais lento, o crescimento da China permanece entre os mais altos das grandes economias. Em termos absolutos, observou a Apex, isso significa adicionar ao PIB chinês a cada ano o equivalente à economia inteira de um país de médio porte, mantendo a China como um mercado estratégico para o Brasil.

Novos nichos para exportações brasileiras

A atual fase de crescimento da China traz tendências favoráveis aos exportadores brasileiros: a segurança alimentar continua sendo prioridade; a classe média urbana impulsiona a demanda por conveniência e produtos de maior valor; o comércio eletrônico, que respondeu por quase 30% das vendas de bens de consumo em 2024, em um mercado avaliado em US$ 2,22 trilhões, cria visibilidade para café, vinhos e frutas; e há crescente demanda por alimentos naturais e funcionais ligados à saúde e bem-estar.

Embora o comércio bilateral ainda seja dominado por commodities, existem nichos pouco explorados com alto valor agregado. Alimentos processados, produtos de soja, sucos, snacks saudáveis e itens congelados de conveniência poderiam atender às necessidades dos consumidores urbanos chineses. Além da alimentação, cosméticos naturais, vinhos e espumantes, produtos de madeira e design sustentável, biotecnologia e suplementos, energia renovável e minerais estratégicos também apresentam potencial. O Brasil poderia ainda expandir em celulose e bioprodutos, entrando em embalagens sustentáveis e papéis especiais.

A Apex destacou que o Brasil deve olhar além das commodities tradicionais, com o e-commerce como canal estratégico. Os consumidores chineses são cada vez mais exigentes, tornando crucial que o Brasil ofereça produtos que se destaquem em qualidade, inovação e sustentabilidade. Essa mudança beneficiaria não apenas as empresas, mas também as cadeias de suprimento, as comunidades locais e a economia como um todo.

Desafios da diversificação das exportações

Tatiana Prazeres, secretária de comércio exterior do Brasil, afirmou que o perfil de exportações do país para a China já está mudando, embora sem alterar o domínio dos “grandes números”. Com soja, petróleo e minério de ferro ainda respondendo por cerca de 75% das exportações, os ganhos de outros produtos ainda não são visíveis na escala macro acompanhada pelos analistas.

“O Brasil não precisa se contentar em vender soja, petróleo e minério de ferro para a China. Essa realidade muitas vezes é ignorada por quem foca apenas na visão macro”, disse ela em entrevista ao Valor. Ela apontou categorias de exportação que tiveram crescimento dramático de 2024 para 2025: chocolate e preparações à base de cacau, praticamente inexistentes antes, cresceram mais de 1.000%; tubos e conexões de plástico quase 980%; torneiras e válvulas quase 800%; óleos essenciais mais de 100%; e carne bovina congelada cerca de 40%.

Embora pequenos em termos absolutos, esses ganhos podem sinalizar mercados pouco explorados para o Brasil, acrescentou. “Isso não muda nosso perfil geral de exportação para a China, mas para as empresas envolvidas pode ser transformador. Até para cadeias de suprimento e comunidades locais. E, em um contexto global desafiador, encontrar novos destinos é altamente relevante.”

Para Prazeres, o principal desafio está na falta de conhecimento sobre a China. Ela destacou três camadas no comércio exterior: competitividade, apoio à exportação e relacionamento com a China. As duas primeiras são limitadas pelo chamado “custo Brasil”, que afeta todos os mercados. A terceira é única, moldada pela ampla falta de entendimento do mercado chinês. Segundo ela, todas as três devem ser tratadas simultaneamente.

“O setor privado precisa estar mais presente na China. É necessário ter presença física, construir relacionamentos, compreender o ecossistema digital chinês, que é completamente diferente do nosso”, disse. Embora a China seja competitiva em setores industriais, ela não impõe grandes barreiras a produtos industriais, deixando oportunidades que as empresas brasileiras ainda precisam explorar.

Ela afirmou que parcerias público-privadas devem impulsionar esses esforços, já que muitas iniciativas privadas dependem do suporte adequado do governo. Ao mesmo tempo, as próprias empresas devem se engajar para transformar oportunidades em negócios concretos.

Welber Barral, ex-secretário de comércio exterior e sócio da BMJ Consultants, observou que produtos de valor agregado têm forte impacto nas cadeias de suprimento, mas que a responsabilidade inicial recai sobre o setor privado. Por se tratar de uma agenda de nicho, envolve principalmente pequenas e médias empresas (PMEs), ainda inexperientes em exportações. “Acho que falta iniciativa ao setor privado. As empresas ainda olham pouco para o exterior. Poderiam fazer mais e, depois, exigir mais do governo também”, disse.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) destacou que os baixos níveis de inovação do Brasil limitam a capacidade das empresas, especialmente PMEs, de competir em mercados sofisticados que exigem produtos de alta tecnologia e diferenciados. Exportar continua sendo um desafio não apenas por falta de iniciativa ou know-how, mas também por obstáculos externos, como gargalos logísticos, altos custos de transporte, ineficiências portuárias, lacunas de infraestrutura, volatilidade cambial, taxas de juros e a estratégia nacional de comércio ainda recente.

A CNI defendeu parcerias em pesquisa, desenvolvimento e inovação, afirmando que “linhas de financiamento direcionadas, programas de inovação, segurança jurídica e capacitação profissional são condições essenciais”.

Fonte: Valor International
Imagem:  Júlio César Silva/MDIC

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Comércio

BYD foca em internacionalização e espera exportar 20% das vendas globais em 2025

A montadora chinesa de veículos elétricos BYD estima que as exportações respondam por aproximadamente 20% de suas vendas globais em 2025, impulsionadas pelo lançamento de novos modelos, segundo o South China Morning Post nesta segunda-feira (29).

Expectativa de entregas internacionais

De acordo com o jornal, a empresa prevê entre 800 mil e 1 milhão de veículos vendidos fora da China continental no próximo ano, dentro de um total projetado de 4,6 milhões de unidades. A informação foi confirmada por Li Yunfei, gerente-geral de branding e relações públicas da BYD.

Ajuste na meta global de vendas

A projeção reforça reportagem da Reuters, divulgada no início do mês, que apontou redução de até 16% na meta de vendas da BYD para 2025. A revisão reflete o crescimento anual mais lento em cinco anos e sinais de que a fase de expansão acelerada da empresa pode estar se estabilizando.

Internacionalização como estratégia de crescimento

Li Yunfei destacou que “as entregas internacionais terão uma contribuição maior nos próximos anos”, citando que a frota própria de navios porta-carros da BYD tem impulsionado o aumento das exportações.

Em 2024, as vendas fora da China representaram menos de 10% das 4,26 milhões de unidades entregues pela fabricante, segundo o SCMP. A mudança estratégica evidencia o foco crescente da BYD na internacionalização, em meio à intensificação da concorrência no mercado interno chinês de veículos elétricos.

FONTE: InfoMoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reuters/Claudia Greco

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Internacional

Ponte mais alta do mundo é inaugurada na China e encurta viagem de horas para minutos

Nova obra em Guizhou desafia recordes de engenharia

A China inaugurou neste domingo (28) a ponte mais alta do mundo. Localizada a 625 metros acima do rio Beipan, a Ponte do Grande Cânion Huajiang, na província de Guizhou, levou três anos para ser concluída e promete transformar a logística da região.

Viagem que levava horas agora dura minutos

O novo projeto reduz drasticamente o tempo de deslocamento em um desfiladeiro que antes exigia duas horas de viagem, agora percorrível em apenas dois minutos. A infraestrutura representa um avanço significativo para o transporte e a conectividade local.

Região de Guizhou se consolida como polo de pontes altas

Curiosamente, a antiga ponte mais alta do mundo, com 565 metros de altura, está a apenas 100 quilômetros da nova construção. Esse dado evidencia o rápido desenvolvimento da província, que abriga quase metade das 100 pontes mais altas do planeta.

Dimensões impressionantes da Ponte do Grande Cânion Huajiang

Com 1.420 metros de comprimento, a ponte é quase dez vezes mais alta que a famosa Ponte Golden Gate, em São Francisco, nos Estados Unidos, reforçando a grandiosidade da obra e a capacidade técnica envolvida na sua construção.

FONTE: InfoMoney
IMAGEM: REPRODUÇÃO / InfoMoney

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