Tecnologia

China avança na adoção de robôs em fábricas e deixa EUA para trás

Dados da Federação Internacional de Robótica apontam que mais de dois milhões de robôs já estão sendo utilizados em fábricas chinesas. Apenas no ano passado, o país adicionou mais de 300 mil dispositivos à sua força de trabalho.

Este número é maior do que o restante do mundo combinado. Para se ter uma ideia, os Estados Unidos, principal rival da China na disputa pela hegemonia tecnológica global, disponibilizaram apenas 34 mil máquinas no mesmo período.

China trata os avanços em robótica como estratégia nacional

  • De acordo com reportagem do New York Times, o levantamento revela um domínio completo do setor pelos chineses.
  • Além de fabricar e instalar robôs em fábricas em um ritmo muito maior do que qualquer outro país do mundo, a China está aperfeiçoando os dispositivos.
  • Para isso, Pequim tem estimulado as empresas nacionais a se tornarem líderes em robótica e outras tecnologias avançadas, como semicondutores e inteligência artificial.
  • Os robôs utilizados em fábricas já são capazes de soldar peças de carros, levantar caixas em correias transportadoras e muito mais.

Impulsos para a indústria doméstica

Segundo a publicação, as fábricas chinesas instalaram mais de 150 mil robôs por ano desde 2017. No início de 2025, estes espaços foram responsáveis por quase um terço de todos os produtos manufaturados do mundo, o que faz com que a China supere sozinha os números dos Estados Unidos, Alemanha, Japão, Coreia do Sul e Grã-Bretanha juntos.

Esta estratégia começou em 2015, quando Pequim adotou como prioridade os avanços em robótica. O objetivo era aumentar a produção interna, dependendo menos de produtos manufaturados avançados estrangeiros.

As indústrias chinesas receberam acesso quase ilimitado a empréstimos de bancos controlados pelo Estado a taxas de juros baixas, bem como injeções diretas de dinheiro do governo e outras assistências. Já em 2021, as autoridades chinesas anunciaram um plano nacional para expandir a implantação de robôs.

Os resultados são claros. A participação do país na fabricação mundial de robôs aumentou no ano passado para um terço da oferta global, contra um quarto em 2023. No geral, a China tem cinco vezes mais máquinas trabalhando em suas fábricas do que os Estados Unidos.

Até o ano passado, a China instalava mais robôs importados em suas fábricas. Mas, em 2024, isso mudou: quase três quintos das tecnologias instaladas eram nacionais.

Fonte: Olhar Digital

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Economia

China cobre seus desertos com painéis solares para alimentar sua economia

Em um deserto no norte da China, um mar de painéis solares azuis cobre a areia e se adapta ao relevo das dunas como se fossem ondas. 

“Antes não havia nada aqui (…), estava completamente deserto”, lembra Chang Yongfei, nativo desta região da Mongólia Interior, que costumava trabalhar no setor do carvão, um pilar histórico da economia local. 

A 700 quilômetros de Pequim, centenas de milhares de painéis representam a acelerada transição energética da China, o maior emissor mundial de gases de efeito estufa. 

O presidente chinês, Xi Jinping, comprometeu-se na quarta-feira, em um discurso por videoconferência durante uma cúpula especial da ONU, a reduzir as emissões globais do país entre 7% e 10% até 2035 em relação ao ano de maiores emissões, que acredita-se será 2025. 

Entre 2022 e 2030, as instalações solares nos desertos e áreas áridas terão produzido o triplo da capacidade elétrica de um país como a França, segundo um documento de planejamento. 

Imagens de satélite analisadas pela AFP confirmam a rápida expansão da energia fotovoltaica nos grandes desertos chineses durante os últimos dez anos. 

Em Ordos, no deserto de Kubuqi, visitado por uma equipe da AFP, mais de 100 km² de areia foram cobertos com painéis solares, o que equivale à superfície de cidades como Lisboa ou Paris. 

No entanto, essa opção apresenta inúmeros desafios: as tempestades de areia podem danificar as instalações, e temperaturas muito altas reduzem sua eficácia. 

Além disso, o acúmulo de areia nos painéis exige uma quantidade considerável de água para limpá-los, em áreas que, no entanto, são secas. 

Para mitigar as dificuldades, os painéis utilizados em Kubuqi são equipados com ventiladores capazes de se limparem automaticamente e usam uma tecnologia de dupla face que permite também captar a luz refletida na areia, segundo a imprensa estatal.

– Atração turística –

A distância entre os desertos e os centros de consumo é outro obstáculo. As centrais solares de Kubuqi têm como objetivo abastecer as longínquas regiões de Pequim, Tianjin ou Hebei. 

Existe um risco de “congestionamento nas linhas de transmissão”, indica David Fishman, sócio da consultoria Lantau Group. 

Por isso, várias províncias agora “restringem a aprovação de novos projetos”, acrescenta. 

Também é preciso lidar com o aumento do turismo, impulsionado por vídeos virais de expedições em quadriciclos ou passeios de camelo. 

Ao volante de seu 4×4, Chang Yongfei, que trabalhava na mineração de carvão, agora se dedica a essa atividade para ganhar a vida. 

Seus chalés com vistas panorâmicas para as dunas, a poucos passos do campo solar, são um grande sucesso nas redes sociais. 

“Essa transição [energética] tem sido muito boa para a região”, destaca o homem de 46 anos, embora admita estar “muito preocupado” com a possibilidade de que o campo solar acabe engolindo o deserto e, com ele, a prosperidade turística.

– Manutenção do carvão –

Outras vozes destacam que a intensa produção de energia solar não levou ao abandono do carvão. 

A China lançou, no primeiro semestre de 2025, novas capacidades de produção de eletricidade a partir de carvão nunca vistas desde 2016, segundo um relatório do Centro de Pesquisa sobre Energia e Ar Limpo (CREA, na sigla em inglês) e do Global Energy Monitorl (GEM). 

Ao redor de Kubuqi, caminhões manchados pela fuligem, trens intermináveis cheios de carvão e grandes chaminés testemunham o vigor dessa indústria. 

Por fim, a instalação de grandes campos solares nos desertos lança dúvidas sobre seu impacto no clima, indica Zhengyao Lu, pesquisador da Universidade de Lund. 

Segundo ele, a absorção de calor por grandes superfícies escuras pode modificar os fluxos atmosféricos e ter “efeitos colaterais negativos, como uma redução das chuvas” em outras regiões. 

Em vez de cobrir a maior área possível, ele defende um “desenvolvimento mais inteligente, localizado e organizado”. 

No entanto, os riscos da energia solar “ainda são menores em comparação com os perigos de manter as emissões de gases de efeito estufa”, explicou.

Fonte: AFP

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Negócios

Montadoras chinesas avançam e já superam 10% das vendas no Brasil

BYD, GWM e outras fabricantes disputam espaço com montadoras tradicionais em meio ao crescimento dos híbridos e elétricos

As montadoras chinesas consolidaram presença marcante no mercado automotivo brasileiro. Segundo reportagem publicada pelo Estadão, em menos de quatro anos desde a chegada da BYD e da GWM, as marcas do país asiático já respondem por mais de 10% das vendas de carros de passeio no Brasil.

Dados da consultoria K.Lume mostram que, entre janeiro e agosto, a participação dos chineses chegou a 11% do mercado. Isso significa que hoje é mais comum encontrar uma concessionária de fabricantes da China do que de montadoras tradicionais como Toyota, Renault, Hyundai e Honda, que têm presença industrial no país há décadas.

Rede em expansão

Um levantamento da Neocom aponta que BYD, GWM, Omoda & Jaecoo (O&J) e GAC somam atualmente 347 pontos de venda, entre concessionárias e showrooms. Esse número já coloca as marcas chinesas atrás apenas de Stellantis (mais de mil lojas), General Motors (565) e Volkswagen (443). Boa parte dessa estrutura foi construída com importações, mas algumas já contam com operações locais, como a fábrica da GWM em Iracemápolis (SP) e o complexo da BYD em Camaçari (BA), que está prestes a iniciar a produção.

Metas ambiciosas

A estratégia das fabricantes chinesas é clara: a BYD busca figurar entre as cinco maiores marcas do país, já ocupando a sétima posição em automóveis. A GWM, por sua vez, projeta alcançar até 300 mil unidades vendidas no Brasil, embora sua produção local comece limitada a 50 mil veículos por ano.

Esse avanço, no entanto, deve enfrentar maior concorrência. Stellantis, GM e Volkswagen já preparam lançamentos de híbridos e elétricos no país, ampliando a disputa em um setor que ainda encontra barreiras de crescimento, como a falta de infraestrutura de recarga e dúvidas sobre a revenda. Pesquisa da Webmotors aponta que quase metade dos consumidores considera esses fatores entraves na decisão de compra.

Obstáculos regulatórios

As vendas de veículos chineses no Brasil se multiplicaram por sete nos últimos três anos, justamente no momento em que enfrentavam barreiras tarifárias nos Estados Unidos e na Europa. Projeções da Bright Consulting indicam que, até 2025, essas marcas devem ultrapassar 260 mil unidades comercializadas, mantendo fatia de 10% do mercado, incluindo utilitários leves.

Mas a trajetória não será sem desafios. Sob pressão da Anfavea, o governo brasileiro vem elevando gradualmente o imposto de importação para híbridos e elétricos. A alíquota máxima de 35% voltará a vigorar em julho de 2026 e, a partir de 2027, também valerá para veículos que tiverem montagem final no Brasil.

Competição crescente

Para Alexandre Ayres, CEO da Neocom, a tendência é de desaceleração do crescimento chinês diante da reação das marcas tradicionais. Ele cita como exemplo o mercado paulistano, onde o Fastback híbrido da Fiat foi responsável por quase metade da expansão das vendas de eletrificados no primeiro semestre.

“A Fiat foi a marca que mais cresceu nesse segmento, o que evidencia o desafio que as montadoras chinesas enfrentarão à medida que as marcas tradicionais de grande volume lançarem seus produtos elétricos e híbridos”, afirmou Ayres.

Com mais concorrência, maior tributação e limites estruturais, o avanço das fabricantes chinesas deve encontrar ritmo mais moderado nos próximos anos. Ainda assim, a participação já conquistada em tão pouco tempo evidencia a força do novo polo global de mobilidade que começa a transformar o setor automotivo brasileiro.

Fonte: Brasil 247

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Comércio Exterior, Mercado Internacional

China tenta atrair Trump para mesa de negociação, diz especialista ao WW

Dados indicam queda nas exportações chinesas para os EUA nos primeiros oito meses do ano, sugerindo tentativa de reaproximação comercial

A China demonstra sinais de buscar uma reaproximação comercial com os Estados Unidos, utilizando a compra de soja como possível instrumento de negociação. A estratégia surge em um momento em que o país asiático enfrenta significativas perdas em seu comércio exterior. Durante o WW, José Pimenta, diretor de Comércio Internacional da BMJ consultores, afirmou que a China quer chamar o presidente Donald Trump para mesa de negociação.

De acordo com dados recentes, as exportações chinesas para os Estados Unidos registraram uma queda expressiva de 15% nos primeiros oito meses deste ano. O impacto é particularmente significativo em produtos de alto valor agregado, incluindo máquinas, equipamentos eletrônicos e medicamentos.

Histórico da Relação Comercial

Entre 2000 e 2017, os Estados Unidos direcionavam 60% de suas exportações globais de soja para o mercado chinês. No entanto, esse cenário mudou drasticamente após 2018, com uma redução vertiginosa nas compras por parte da China.

Em uma demonstração de possível abertura ao diálogo, o principal negociador chinês realizou encontros com produtores do meio-oeste americano. Esta movimentação sugere uma tentativa de reavaliar as relações comerciais entre as duas nações, especialmente considerando a importância histórica do comércio de soja.

O Brasil, como um dos principais exportadores de soja para a China, que representa 35% do total das exportações brasileiras, também se encontra diretamente envolvido neste cenário de redistribuição comercial global.

Fonte: CNN Brasil

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Internacional

Revista diz que China restringiu conteúdo religioso na internet

A revista Bitter Winter, que acompanha violações de direitos na China, publicou em seu site na última quinta-feira (18) a tradução de uma nova regulamentação do governo chinês que restringe a atuação do clero religioso na internet. O documento, com 18 artigos, foi divulgado oficialmente em 15 de setembro pela Administração Nacional de Assuntos Religiosos chinesa.

Segundo a tradução da revista, o texto estabelece que líderes religiosos só podem pregar ou ensinar pela internet em plataformas oficiais, controladas por instituições registradas e licenciadas pelo governo. O uso de redes sociais, transmissões ao vivo ou grupos de mensagens para evangelização fica proibido.

O regulamento também proíbe a evangelização de menores, a realização de rituais religiosos online, a arrecadação de fundos pela internet e o uso de inteligência artificial para criar ou divulgar conteúdo religioso. A norma ainda veta vínculos de religiosos com grupos estrangeiros e exige apoio explícito ao Partido Comunista e à “sinicização” das religiões, ou seja, o alinhamento com a ideologia estatal.

Religiosos que descumprirem as regras podem ter credenciais suspensas, contas online encerradas e até serem investigados criminalmente. Já as plataformas que não obedecerem podem sofrer sanções do governo.

A revista Bitter Winter reforça que sua tradução busca dar clareza sobre a medida e evitar interpretações equivocadas. O Pleno.Newsreproduz abaixo, na íntegra, os 18 artigos traduzidos pela publicação:

Artigo 1: Estes regulamentos são estabelecidos de acordo com os Regulamentos sobre Assuntos Religiosos, as Medidas para a Administração do Clero Religioso, as Medidas para a Administração dos Serviços de Informação da Internet, as Medidas para a Administração dos Serviços de Informação Religiosa da Internet e outras leis e regulamentos, para regular a conduta online do clero religioso e manter a ordem no campo religioso da Internet.

Artigo 2: O clero religioso que participa de atividades online deve amar a pátria, apoiar a liderança do Partido Comunista Chinês, defender o sistema socialista, cumprir as leis e regulamentos nacionais e cumprir as disposições pertinentes sobre a gestão de assuntos religiosos. Deve observar a moralidade social, manter a ordem pública e os bons costumes, dar o exemplo no cumprimento da “Convenção de Autodisciplina sobre o Uso Civilizado da Internet”, seguir as regras e regulamentos religiosos e aceitar a supervisão governamental e a supervisão social.

Artigo 3: O clero religioso deve defender os valores socialistas fundamentais, seguir o princípio de independência e autogestão das religiões do nosso país, aderir à sinicização das religiões do nosso país, orientar ativamente as religiões para que se adaptem à sociedade socialista e promover a harmonia religiosa, social e étnica ao usar a Internet.

Artigo 4: O clero religioso que se envolve em atividades online fora de sua capacidade oficial deve seguir as leis, regulamentações e regras nacionais relevantes sobre gestão de assuntos religiosos; ao registrar e usar contas online públicas para compartilhar informações e mensagens instantâneas como clero religioso, eles são obrigados a enviar seus certificados de clero aos provedores de serviços de internet para verificação.

Artigo 5: O clero religioso só pode pregar ou fornecer educação religiosa e treinamento online por meio de sites, aplicativos, fóruns e plataformas semelhantes que sejam legalmente estabelecidos por grupos religiosos, escolas religiosas, templos, mosteiros e igrejas e que tenham obtido uma “Licença de Serviços de Informações Religiosas na Internet”.

Artigo 6: O clero religioso deve desenvolver bons hábitos online, resistir intencionalmente à cultura online negativa e não deve se autopromover ou usar tópicos e conteúdos religiosos para atrair atenção e tráfego.

Fonte: PLENO NEWS 

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Comércio Exterior

China sinaliza que compras de soja dos EUA dependem da remoção de tarifas

China, o maior comprador mundial de soja, ainda não reservou nenhuma carga de soja dos EUA de sua safra de outono, disseram operadores, optando pelo fornecimento vindo da América do Sul

Os Estados Unidos devem remover o que a China descreveu como tarifas irracionais e criar condições para expandir o comércio bilateral, disse um porta-voz do Ministério do Comércio chinês nesta quinta-feira (25), quando perguntado se a China compraria soja americana.

A China, o maior comprador mundial de soja, ainda não reservou nenhuma carga de soja dos EUA de sua safra de outono, disseram operadores, optando pelo fornecimento vindo da América do Sul.

Os agricultores dos EUA podem perder bilhões de dólares em vendas de soja devido às tensões comerciais não resolvidas que interromperam as exportações para a China.

Na segunda-feira (22), o negociador sênior de comércio da China, Li Chenggang, reuniu-se com líderes políticos e empresariais do Meio-Oeste dos EUA, onde a maior parte da soja norte-americana é colhida, sinalizando que a segunda maior economia do mundo poderia comprar alguns grãos de soja dos EUA antes de negociações comerciais mais abrangentes.

No entanto, a discordância em relação aos detalhes técnicos parece estar complicando as negociações, com as autoridades comerciais da China e dos EUA devendo se reunir novamente nesta quinta-feira.

“Com relação ao comércio de soja, os Estados Unidos devem tomar medidas positivas para cancelar as tarifas não razoáveis relevantes para criar condições para a expansão do comércio bilateral”, disse o porta-voz do Ministério do Comércio da China, He Yadong, em uma coletiva de imprensa.

Fonte: CNN Brasil

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Economia, Internacional, Mercado Internacional

Desdolarização à vista? Moeda chinesa já é realidade em negociações com empresas brasileiras

“Não vamos mais usar o dólar em nossos negócios com a China”, diz Caito Maia, CEO da Chilli Beans

Já reparou que o dólar não é mais a única moeda que manda no comércio global?

Incentivada pelo Governo brasileiro, a desdolarização já é realidade em algumas empresas brasileiras. Um exemplo é a Chilli Beans, que passou a pagar fornecedores diretamente em renminbi (yuan).

O movimento ganhou força em 2025 com a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, que escalou com novas tarifas impostas pelos EUA a produtos chineses e brasileiros. 

Nesse cenário, empresas como a Chilli Beans enxergaram a oportunidade de cortar custos, reduzir a volatilidade cambial e fortalecer suas relações diretas com o mercado asiático.

Segundo o fundador e CEO Caito Maia (foto), a mudança não é pontual: o plano é abandonar de vez o dólar como intermediário e realizar todas as operações diretamente com a China. E ele não está sozinho.

A China já investiu mais de US$2,2 bilhões no Brasil só em 2025. O Brasil firmou acordos para negociar em real e yuan sem depender do dólar.

O BRICS avança na criação de um sistema alternativo de pagamentos para reduzir a influência do dólar no comércio global.

Tudo isso aponta para uma realidade clara: entender e negociar com a China não é mais uma opção, é uma vantagem competitiva.

Brasil, yuan e BRICS: por que empresas brasileiras estão negociando em yuan?

Nos últimos dois anos, o uso do yuan (renminbi, RMB) nas transações entre Brasil e China saiu do campo das intenções para ganhar tração prática: acordos entre bancos centrais, linhas de swap, avanços em infraestrutura de pagamentos e iniciativas privadas vêm reduzindo o papel exclusivo do dólar nas cadeias de comércio bilaterais. 

O movimento faz parte de uma tendência global de desdolarização associada ao fortalecimento político e econômico do bloco BRICS, e que traz oportunidades e riscos diretos para empresas brasileiras que exportam e importam com a China.

Em maio deste ano, o Banco Central do Brasil anunciou a assinatura de um swap cambial com o Banco Popular da China, com teto de R$157 bilhões: uma ferramenta que facilita liquidez em moeda local e reduz a necessidade de intermediação em dólares. 

É um sinal institucional claro de que as autoridades estão abrindo espaço para pagamentos diretos fora do dólar.

Paralelamente, dados de provedores internacionais de pagamentos mostram que, embora o RMB ainda seja uma fatia pequena do mercado global de pagamentos, sua presença tem subido nos últimos anos, com a China ampliando canais como o CIPS (sistema alternativo ao SWIFT), incentivando bancos estrangeiros a se conectar e promovendo liquidações em RMB. 

Ao mesmo tempo, estatísticas oficiais chinesas e relatórios de instituições financeiras apontam crescimento expressivo do uso do yuan em trade finance e em operações regionais.

Vantagens para empresas brasileiras de negociar em yuan

As motivações são variadas e combinam fatores econômicos, estratégicos e geopolíticos:

  • Redução de custos e menor exposição cambial: operar diretamente em RMB pode reduzir taxas de conversão e spread bancário quando o principal parceiro comercial é a China (menos etapas de conversão via dólar). Além disso, elimina o risco de flutuação do dólar entre emissão e liquidação.
     
  • Segurança e autonomia: acordos de swap e integração com CIPS/clearing banks diminuem a dependência de infraestruturas dominadas por países terceiros e reduzem riscos associados a sanções ou bloqueios em sistemas internacionais.
     
  • Pressão política e estratégica: a participação ativa no BRICS e as iniciativas de internacionalização do RMB fazem parte de uma agenda maior, a fim de diversificar parceiros e instrumentos financeiros para aumentar a autonomia estratégica do Brasil nas relações internacionais.
     
  • Menor custo de transação: se fornecedor e comprador aceitam RMB, elimina conversões intermediárias via dólar, com potencial ganho de 1–3% em custos financeiros segundo estimativas de mercado e bancos chineses.
     
  • Competitividade comercial: compradores chineses às vezes oferecem descontos para pagamentos em RMB, porque reduzem o custo e o risco deles.
     
  • Acesso a novos instrumentos financeiros: com linhas de swap e bancos autorizados a operar em RMB, empresas – inclusive PMEs via fintechs – encontram alternativas de financiamento e recebíveis em moeda chinesa.

Em comparação com o dólar, que é uma moeda consolidada e mais usada em todo o mundo, o yuan ainda pode ficar para trás. 

Mas com as eventuais sanções e medidas financeiras vindas dos EUA, somados aos custos de conversão para países não dolarizados, o yuan se mostra uma opção interessante.

Reais impactos da aliança Brasil-China para empresas brasileiras

Há 15 anos a China é o maior parceiro comercial do Brasil, seguido pelos EUA.

No agro, por exemplo, 70% das 100 milhões de toneladas de soja importadas pela China em 2024 vieram do Brasil.

No 1º semestre de 2025, a venda de terras raras para a China triplicou: aproximadamente US$6,7 milhões em minerais que serão utilizados na indústria tecnológica, como smartphones e aviões. E a tendência é aumentar.

Os impactos do estreitamento da relação comercial entre os dois países:

  • Redução do custo operacional em cadeias ligadas à China: fabricantes, agronegócio e exportadores de commodities podem ganhar margem se ampliarem liquidações em RMB.
     
  • Maior dependência econômica: liquidações e financiamento em RMB aproximam empresas e bancos brasileiros da infraestrutura e política monetária chinesa, o que pode aumentar a exposição a decisões de Pequim (ex.: controles de capital).
     
  • Transformação de práticas de financiamento: desenvolvimento de linhas de crédito, factoring e seguros em RMB pode criar novas janelas de capital para PMEs, mas exigirá adaptação operacional (treinamento, sistemas de pagamento, gestão de risco).
     
  • Pressões políticas e de imagem: empresas que estreitarem laços financeiros com a China podem enfrentar escrutínio adicional em mercados e governos alinhados com os EUA; decisões comerciais poderão ganhar conotação geopolítica.

Possíveis riscos e desafios:

  • Volatilidade e controles de capital chineses: o RMB não é totalmente livre-flutuante como o dólar; políticas domésticas chinesas podem afetar disponibilidade e convertibilidade.
     
  • Infraestrutura e padronização: integração a sistemas como CIPS exige parcerias bancárias e novas rotinas de compliance e KYC; nem todos os bancos brasileiros ou plataformas fintech estão preparados.
     
  • Menor profundidade de mercado: hedges e derivativos em RMB ainda são menos líquidos que em dólar, elevando o custo de proteção contra risco cambial em operações maiores.

O que empresas brasileiras devem considerar

A maior internacionalização do yuan e a acomodação institucional entre os dois países aumentam as opções para empresas brasileiras reduzirem custos e diversificarem riscos em suas negociações com a China. 

Ao mesmo tempo, a transição traz desafios, que vão desde infraestrutura financeira até riscos geopolíticos e operacionais. 

Para exportadores e importadores, a estratégia mais realista hoje é híbrida: aproveitar instrumentos em RMB quando houver vantagem comprovada.

De forma prática, essa é a recomendação de especialistas para quem deseja se preparar para negociar com a China:

  • Mapear contrapartes: priorizar clientes/fornecedores chineses dispostos a negociar em RMB e negociar cláusulas claras de conversão e hedge.
     
  • Avaliar parceiros financeiros: trabalhar com bancos que tenham canais diretos em RMB ou com fintechs que ofereçam conta e liquidação em yuan.
     
  • Hedge e planejamento: mesmo operando em RMB, avaliar instrumentos de proteção (quando disponíveis) e cenários sobre volatilidade e controles cambiais.
     
  • Compliance e governança: reforçar controles de compliance, entender regras de exportação/importação e exigências de clearing (CIPS vs SWIFT).

E por que isso importa?

A China já se consolidou como o principal parceiro comercial do Brasil, responsável por grande parte das exportações do país.

Com as novas políticas econômicas, o Brasil está abrindo cada vez mais mercados, investimentos e oportunidades aos produtos chineses no país. 

Essa relação entre os dois países promete gerar bons frutos, e para garantir competitividade e relevância no mercado, é preciso se adaptar.

A StartSe percebeu esses sinais e criou a Imersão China: uma imersão de 5 dias nos principais ecossistemas chineses da atualidade.

Os principais sócios da StartSe e mais um grupo seleto de 30 empresários e executivos visitarão empresas de tecnologia, conversarão com especialistas em varejo, carros autônomos, IA e robótica e negócios.

Entenderão como a China une governo, mercado e academia para alcançar modelos inéditos de inovação, como alcançam escala e velocidade através dos 5 princípios chineses de negócio: pragmatismo, foco em resultado, adaptação, colaboração e visão de longo prazo.

Ou como os chineses já incorporaram o chamado Ambiente de Teste em Larga Escala: onde eles testam soluções rapidamente, ajustando-as em tempo real.

E, ainda, a Cultura do Fazer Acontecer: com experimentação contínua, aceitação do erro como aprendizado e execução rápida são práticas comuns.

Esses são apenas alguns dos aprendizados valiosos proporcionados por essa imersão. Além do networking estratégico e das oportunidades de negócios com investidores e empresas chinesas.

Fonte: StartSe

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Notícias

Supertufão Ragasa atinge Hong Kong e sul da China com fortes chuvas

Com ventos que chegam a 200 km/h, Ragasa deve se aproximar ainda mais das cidades nas próximas horas

O supertufão Ragasa, o ciclone tropical mais poderoso do ano, atingiu Hong Kong e o sul da China nesta quarta-feira (24), no horário local, com ventos de força equivalente à de um furacão e chuvas intensas, forçando o fechamento da cidade e o cancelamento de mais de 700 voos.

Milhões de pessoas podem ser afetadas pela forte tempestade que deve passar ao sul das principais cidades de Hong Kong, Macau, Shenzhen e Guangzhou, antes de atingir o continente novamente no oeste da província de Guangdong, na China continental.

Pelo menos 14 pessoas morreram em Taiwan quando uma barreira de água se rompeu no condado oriental de Hualien, informou o corpo de bombeiros do condado na manhã de quarta-feira (22).

Nos dias que antecederam a chegada da tempestade, moradores correram aos supermercados em busca de mantimentos, esvaziando prateleiras e enfrentando longas filas, temendo que o comércio permanecesse fechado por até dois dias.

À medida que o tufão se aproximava, muitos residentes reforçaram janelas com fita adesiva, tentando evitar ferimentos causados por possíveis estilhaços de vidro.

Com ventos que chegam a 200 km/h, Ragasa deve se aproximar ainda mais da cidade nas próximas horas, passando a cerca de 100 km ao sul do território densamente povoado.

A expectativa é de que o sistema mantenha sua intensidade enquanto avança rumo à costa da província chinesa de Guangdong, lar de mais de 125 milhões de pessoas, onde deve tocar o solo por volta do meio-dia (0400 GMT).

Em resposta à ameaça, as autoridades de Hong Kong elevaram o alerta para o nível 10, o mais alto do sistema de sinais de tempestade, determinando o fechamento de empresas e a suspensão de serviços de transporte público.

Além disso, o governo emitiu um alerta de inundações, já que chuvas torrenciais continuam a atingir a cidade, com algumas vias já parcialmente alagadas, segundo o South China Morning Post.

O observatório meteorológico alertou para uma possível elevação do nível do mar, comparável à registrada durante os devastadores tufões Hato (2017) e Mangkhut (2018), que causaram bilhões de dólares em prejuízos.

Fonte: CNN Brasil

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Internacional

China está no Brasil para auditoria sobre gripe aviária; União Europeia reabriu comércio nesta terça-feira

Uma comitiva do governo chinês está no Brasil nesta semana para fazer uma auditoria com o objetivo de comprovar que o Brasil está livre da gripe aviária, disse o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luis Rua, ao g1.

“Depois de finalizada a auditoria, eles emitirão um parecer”, afirmou Rua, acrescentando que esse documento já pode conter uma decisão da China.

Os chineses são os maiores importadores de carne de frango do Brasil. Eles interromperam o comércio em 16 de maio, após o país detectar o seu 1º e único caso de gripe aviária em uma granja comercial, em Montenegro (RS).

O foco foi encerrado no mesmo mês e o Brasil já se declarou livre da doença.

UE retomou comércio

Nesta terça-feira (23), a União Europeia, que é a sétima maior importadora de frango do Brasil, retomou as suas compras de forma gradual.

O cronograma ficou assim:

a partir de 23 de setembro: todo o território brasileiro, com exceção do Rio Grande do Sul, fica liberado para exportar. A autorização, contudo, é voltada para os frangos produzidos a partir de 18 de setembro;

2 de outubro: Rio Grande do Sul é liberado, com exceção da área ao redor da granja atingida em Montenegro (RS);

16 de outubro: liberação das exportações de áreas ao redor da granja.

No início de setembro, a UE já tinha reconhecido o Brasil como livre da gripe aviária.

“Com a oficialização da reabertura, a expectativa do setor é que as exportações se restabeleçam nos patamares anteriormente praticados, com possibilidade de incrementos devido à demanda reprimida durante este período de suspensão”, disse a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), em nota.

Entre janeiro e maio, as exportações de carne de frango para o bloco europeu alcançaram 125,3 mil toneladas, volume então 20,8% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior. Em receita, foram cerca de US$ 386,3 milhões, saldo 38% maior em relação ao obtido no ano anterior.

Com a mudança, a China passa a ser o único grande mercado do produto que mantém restrições ao frango de todo o país.

O Brasil se declarou livre da doença no dia 18 de junho, após ficar 28 dias sem registrar novos casos em granjas.

O prazo começou a ser contado em 22 de maio, depois do fim da desinfecção da granja de Montenegro (RS). Lá, cerca de uma semana antes, foi detectado o primeiro e único foco da doença em aves comerciais no Brasil.

Além da União Europeia, outros 16 países já tinham retirado as restrições de exportação à carne de frango do Brasil. Entre eles, está o Japão, terceiro maior comprador do Brasil, e o Iraque, 9º maior comprador.

Fonte: G1

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Sustentabilidade

Brasil e China seguem no diálogo sobre sustentabilidade e transparência nas cadeias produtivas agropecuárias

Plataforma Agro Brasil+Sustentável e programa Caminho Verde Brasil foram apresentados à CAAS, reforçando a cooperação em inovação e no desenvolvimento do agronegócio

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) recebeu, na sexta-feira (19), delegação chinesa ligada à Academia Chinesa de Ciências Agrícolas (CAAS). A agenda principal do encontro foi a sustentabilidade e a transparência nas cadeias produtivas agropecuárias, além das experiências e avanços dos dois países nesses assuntos.

A comitiva esteve com o secretário de Inovação, Desenvolvimento Sustentável, Irrigação e Cooperativismo, Pedro Neto, que destacou a importância dos diálogos Brasil x China, especialmente para a construção de um entendimento comum sobre aspectos de produção sustentável relevantes para os dois países. Nesse contexto, o secretário ressaltou a robustez do marco regulatório brasileiro para as atividades agropecuárias, dando ênfase à importância do Código Florestal Brasileiro como marco legal que alia a preservação da vegetação nativa ao uso sustentável do solo.

No encontro, foram apresentadas duas importantes iniciativas de políticas públicas desenvolvidas no Brasil. A primeira foi a Plataforma AgroBrasil+Sustentável, uma ferramenta digital governamental que integra dados oficiais para gerar informações rastreáveis e confiáveis sobre a produção agropecuária sustentável no país, facilitando o acesso do produtor a políticas públicas e mercados. Para Pedro Neto, “um dos maiores desafios dos produtores brasileiros é comprovar que seguem a legislação ambiental sem promover desmatamento. Por isso, o Mapa desenvolveu a Plataforma AgroBrasil+Sustentável, ferramenta digital oficial que promove transparência e evidencia o compromisso da produção agropecuária brasileira com a sustentabilidade”.

A outra iniciativa apresentada foi o Caminho Verde Brasil, programa que incentiva o aumento da produção sem abertura de novas áreas, priorizando a recuperação de pastagens degradadas. A meta é restaurar até 40 milhões de hectares nos próximos dez anos, transformando-os em áreas agricultáveis de alta produtividade. A apresentação do Caminho Verde foi feita pelo coordenador-geral de Promoção de Investimentos Estrangeiros e Cooperação do Mapa, André Okubo, que ressaltou que a proposta é transformar um passivo ambiental em oportunidade, ampliando a produção de alimentos sem comprometer nossos biomas.

Representando a comitiva chinesa, o diretor-geral do Instituto de Economia e Desenvolvimento Agrícola da CAAS, Hu Xiangdong, destacou a similaridade entre a instituição e a Embrapa e apontou oportunidades de aprofundar a cooperação técnica e científica. “Podemos fortalecer nossas relações para além do comércio, ampliando parcerias em inovação e desenvolvimento agrícola”, declarou.

Brasil e China têm uma relação diplomática e de amizade que já dura cinco décadas e contam com um ambiente de diálogo e cooperação estruturado na Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Consulta e Cooperação (COSBAN), onde acontecem as discussões estratégicas sobre temas relevantes. Além disso, os dois países seguem conversando sobre sustentabilidade nas cadeias produtivas agropecuárias como forma de fortalecer os vínculos de cooperação e também comerciais, especialmente em um momento de oportunidade geopolítica.

Ao final do encontro, o secretário Pedro Neto enfatizou que as duas iniciativas se complementam e projetam o agronegócio brasileiro como referência internacional em sustentabilidade.

Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária

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