Tecnologia

China aposta em manufatura avançada para impulsionar inovação global em tecnologia

Indústria chinesa atrai investimentos estrangeiros e consolida protagonismo em veículos elétricos, robótica e computadores

O jornal Global Times destacou que a China vem transformando sua capacidade de manufatura em um motor global de inovação tecnológica, reunindo empresas de ponta, fábricas inteligentes e parcerias internacionais que reposicionam o país como líder em setores estratégicos. O movimento ficou evidente durante a World Manufacturing Convention 2025, realizada em Hefei, província de Anhui, que apresentou ao mundo lançamentos de veículos, computadores e soluções em robótica.

Um dos maiores atrativos da convenção foi o sedã premium MAEXTRO S800, desenvolvido pela JAC Motors em parceria com a Huawei. O carro de luxo combina design sofisticado, chassi digital e avançada tecnologia de condução inteligente. A produção ocorre na MAEXTRO Super Factory, uma planta totalmente digitalizada, equipada com mais de 1.800 robôs que automatizam processos de estamparia, soldagem, pintura e montagem.

“A participação da NIO na convenção ao longo dos últimos anos mostra como a manufatura chinesa evolui de forma contínua, com os veículos de nova energia puxando a transformação e gerando produtos cada vez mais qualificados”, afirmou Yu Dongming, gerente-geral da NIO em Anhui.

Robótica e fábricas inteligentes

Outro destaque foi a EFORT Intelligent Robot, fabricante chinesa de robôs industriais, que apresentou soluções em soldagem, pintura e manipulação avançada. “Podemos oferecer soluções completas de robótica inteligente para montadoras internacionais”, disse You Wei, presidente e CEO da empresa. Em 2024, a companhia vendeu mais de 16 mil robôs industriais, já reconhecidos por marcas como Maserati, BMW e Volkswagen.

As plantas da NIO e da Lenovo em Hefei também chamaram atenção. A LCFC Electronics Technology, hub de produção da Lenovo, fabrica anualmente 40 milhões de laptops — um em cada oito vendidos no mundo. Entre as inovações, foi apresentado o ThinkBook Plus Gen 6 Rollable Laptop, com tela expansível de 14 para 16,7 polegadas, que conquistou blogueiros e especialistas de tecnologia internacionais.

Energia e baterias de nova geração

No setor de energia, a Gotion High-Tech enfatizou o papel da manufatura inteligente como diferencial competitivo em suas 20 bases globais. “Com padrões unificados pela sede na China e replicados em todas as unidades, nossa capacidade de produção vem conquistando reconhecimento internacional”, destacou Chen Wei, executivo sênior da empresa.

O avanço da indústria chinesa também fortalece parcerias com multinacionais. O CEO do Grupo Volkswagen, Oliver Blume, ressaltou que as linhas altamente automatizadas de Anhui estão entre as mais avançadas do conglomerado. “Até 2030, lançaremos cerca de 50 modelos elétricos e eletrificados neste mercado. Com parcerias locais, conseguimos acelerar em 30% o ciclo de inovação. Não estamos apenas planejando, estamos entregando”, afirmou.

Já a fornecedora de autopeças Marelli apontou que a força da manufatura chinesa acelera tanto o atendimento local quanto projetos globais. “As capacidades de inovação e produção da China nos permitem oferecer soluções personalizadas e rápidas para os clientes”, disse Stefano Petrilli, chefe global de operações da Marelli Propulsion.

Segundo dados oficiais, a China já conta com mais de 35 mil fábricas-modelo básicas e 230 de excelência, consolidando-se como referência mundial em manufatura inteligente. Em 2024, o país atraiu 826,25 bilhões de yuans (cerca de US$ 116,1 bilhões) em investimentos estrangeiros diretos, sendo 11,7% destinados à indústria de alta tecnologia.

Para Zhang Xianfeng, professor da Universidade de Tecnologia de Hefei, a indústria chinesa não apenas fortalece o mercado interno, mas também se tornou “um motor vital para o crescimento global da indústria de alta qualidade”.

Fonte: Brasil 247

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Notícias

Supertufão atinge Filipinas e gera alertas na China e Taiwan.

Regiões chinesas preveem o deslocamento de cerca de 400 mil pessoas.

A tempestade mais forte do ano até agora atingiu o norte das Filipinas com ventos destrutivos e chuvas torrenciais, provocando a retirada de milhares de pessoas e os preparativos de prevenção nas proximidades de Hong Kong, Taiwan e China continental.


O supertufão Ragasa, conhecido nas Filipinas como Nando, atingiu a Ilha Panuitan, na província de Cagayan, no norte do país, nesta segunda-feira (22), segundo a PAGASA (Agência meteorológica do país) — após gerar ventos sustentados de mais de 267 km/h, o equivalente a um furacão de categoria 5.

Dezenas de milhares de pessoas podem ser afetadas pela tempestade, que deve passar por partes do país insular asiático antes de se dirigir às principais cidades de Hong Kong e Macau, e à província de Guangdong, na China continental.

Na manhã desta segunda-feira (22), a tempestade estava localizada a pouco mais de mil quilômetros a leste-sudeste de Hong Kong e se movia para oeste a aproximadamente 23 km/h.

Mesmo sem atingir diretamente as Filipinas, as faixas externas do Ragasa desencadearão chuvas torrenciais e rajadas de vento destrutivas de mais de 315 km/h.

Inundações e deslizamentos de terra são possíveis no norte de Luzon, onde os totais de chuva podem ultrapassar 400 mm em alguns pontos.

Ondas enormes de três metros ou mais ameaçam inundar áreas costeiras das Ilhas Batanes e Babuyan, nas Filipinas, no leste de Taiwan e, posteriormente, no sul da China e do Vietnã.

Milhares de pessoas fogem com a chegada do tufão

A agência meteorológica das Filipinas emitiu o sinal de vento de ciclone tropical mais alto, na manhã desta segunda-feira, para o norte das Ilhas Babuyan, alertando para condições “potencialmente muito destrutivas” e “um alto risco de tempestades fatais” nessas áreas.

Alertas de inundação também foram emitidos para áreas baixas de Luzon, nas Filipinas, já que os ventos de Ragasa intensificam as chuvas torrenciais de monções e a ameaça de inundações devastadoras.
O arquipélago sofre com múltiplos tufões anualmente, mas a crise climática causada pelo homem tornou as tempestades mais imprevisíveis e extremas, deixando os mais pobres do país mais vulneráveis.

Em 2024, as Filipinas foram atingidas por quatro tufões em menos de duas semanas, causando grandes danos com chuvas torrenciais, tempestades e deslizamentos de terra.

Hong Kong, Taiwan e Guangdong em alerta 

Em outras partes da região, as autoridades anunciaram diversas medidas de proteção para os civis antes que a tempestade chegue ao continente — incluindo o fechamento de escolas, a interrupção de importantes linhas de transporte e ordens de retirada.

Na China, as autoridades estavam se preparando para realocar 400 mil pessoas de áreas baixas e costeiras de Shenzhen — uma megacidade com cerca de 17,5 milhões de habitantes.
Mais ao norte, os trens serão gradualmente suspensos na terça-feira (23) em toda a província de Guangdong, informaram as autoridades ferroviárias.

Autoridades de Taiwan emitiram um alerta terrestre e marítimo, anunciaram a suspensão de alguns serviços de balsa e o fechamento de trilhas naturais nos condados do sul e do leste — em antecipação a fortes chuvas e inundações. No leste do Condado de Hualien, cerca de 300 moradores foram colocados em estado de alerta para retirada.

A companhia aérea Cathay Pacific Airways, com sede em Hong Kong, interromperá os voos de passageiros programados para partir e chegar à cidade na noite de terça-feira (23), segundo a agência de notícias Associated Press. Mais de 500 voos devem ser cancelados.
Todas as escolas em Hong Kong estarão suspensas de terça a quarta-feira (24), informou o governo nesta segunda-feira (22). Os escritórios distritais locais fornecerão abrigos temporários, enquanto a polícia de emergência, os bombeiros e as equipes médicas estão de prontidão total.

As condições do mar podem ser semelhantes às de tempestades mortais e destrutivas anteriores, incluindo o Tufão Hato, que trouxe ventos fortes e inundações às cidades de Macau e Hong Kong em 2017, e o Tufão Mangkhut, que atingiu Hong Kong e o sul da China após matar dezenas nas Filipinas em 2018, alertou o governo.

No mês passado, Hong Kong registrou o maior número de chuvas diárias durante o mês de agosto desde o início dos registros em 1884.

“Eventos extremos de precipitação tornaram-se mais frequentes. O recorde horário de precipitação na Sede do Observatório de Hong Kong costumava ser quebrado uma vez a cada poucas décadas no passado. No entanto, o recorde foi quebrado várias vezes nas últimas décadas”, informou o Observatório de Hong Kong.

Crise climática impulsiona tufões

O Pacífico Ocidental é a bacia tropical mais ativa da Terra, e setembro costuma ser seu trecho mais movimentado. O tufão é um lembrete de quão rapidamente as tempestades nesta região podem se intensificar e quão destrutivas elas podem ser à medida que se aproximam de litorais densamente povoados.

As temperaturas globais dos oceanos atingiram níveis recordes nos últimos oito anos. Oceanos mais quentes, turbinados pelo aquecimento global causado pelo homem, fornecem energia suficiente para o fortalecimento das tempestades.

A rápida intensificação do Supertufão Ragasa ocorreu por meio de um ciclo de substituição da parede do olho, em que um anel secundário de tempestades se forma fora do núcleo da tempestade e gradualmente substitui a parede do olho interna original.

Uma vez concluído, a tempestade emerge maior, com um campo de ventos mais amplo e um olho mais poderoso. Essas explosões de fortalecimento estão se tornando mais comuns à medida que o mundo aquece.

Fonte: CNN Brasil

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Tecnologia

China traça rota para se tornar potência científica em 10 anos

Balanço do governo destaca avanços do 14º Plano Quinquenal e metas para consolidar liderança global até 2035

Nos últimos cinco anos, a China passou por um momento histórico de avanços em ciência e tecnologia, alcançando um novo patamar no cenário mundial. Esses resultados fazem parte do 14º Plano Quinquenal (2021-2025), que orienta as metas de desenvolvimento do país.

Nesta quarta-feira (18), o ministro da Ciência e Tecnologia, Yin Hejun, apresentou em Pequim um balanço desses progressos em coletiva de imprensa organizada pelo Conselho de Estado. Ao lado de vice-ministros, ele destacou que as conquistas obtidas até agora são inéditas e fundamentais para que a China atinja seu grande objetivo: tornar-se uma potência global em ciência e tecnologia.

Próximos passos

Segundo Yin Hejun, a China tem um horizonte muito claro: faltam apenas dez anos para atingir a meta de se consolidar como uma potência científica e tecnológica. Ele ressaltou que o país já percorreu um caminho importante, mas que os próximos cinco anos serão decisivos para consolidar as bases dessa transformação. No 15º Plano Quinquenal (2026-2030), o governo definiu quatro grandes diretrizes:

1. Integrar educação, ciência e formação de talentos

A ideia é investir de forma coordenada em universidades, centros de pesquisa e empresas, formando profissionais altamente qualificados. O objetivo é reduzir a distância entre o conhecimento acadêmico e o setor produtivo, garantindo que novos cientistas, engenheiros e técnicos estejam preparados para os desafios tecnológicos do futuro.

2. Aprofundar a ligação entre inovação científica e industrial
A China quer acelerar o processo de transformar descobertas em produtos e serviços aplicáveis no mercado. Isso inclui áreas estratégicas como inteligência artificial, biotecnologia, energias renováveis e exploração espacial. O foco é que os avanços saiam rapidamente dos laboratórios e fortaleçam setores-chave da economia.

3. Criar um ambiente de inovação de classe mundial
Para atrair e manter talentos, o governo promete reduzir burocracias, ampliar linhas de financiamento, fortalecer a infraestrutura de pesquisa e incentivar colaborações internacionais. A ideia é transformar a China em um destino atrativo para cientistas e empreendedores de todo o mundo, em condições competitivas com os principais polos globais.

4. Elevar de forma ampla a capacidade nacional de inovação
Mais do que aumentar investimentos, o objetivo é melhorar a eficiência no uso dos recursos. Isso inclui o fortalecimento da pesquisa básica, a criação de polos regionais de inovação e o estímulo a ecossistemas tecnológicos que possam gerar impacto direto na economia e na sociedade.

Yin destacou que essas medidas fazem parte de um planejamento estratégico de longo prazo, no qual ciência e tecnologia são tratadas como pilares para o desenvolvimento econômico, a segurança nacional e a projeção internacional da China.

“Essas medidas vão consolidar as bases para que a China se firme como líder global em ciência e tecnologia”, afirmou o ministro, reforçando que a inovação é vista como o motor central da modernização chinesa.

Avanços recentes

Nos últimos anos, a China registrou conquistas de grande impacto em diferentes áreas da ciência e da tecnologia, consolidando-se como um dos países mais dinâmicos nesse campo.

Tecnologia quântica, ciências da vida e dos materiais
Pesquisadores chineses fizeram descobertas originais que podem transformar setores inteiros. Na área quântica, há avanços em comunicação segura e computação de altíssima capacidade, capazes de revolucionar o futuro da informática. Em ciências da vida, os progressos vão de técnicas médicas inovadoras a biotecnologias com aplicações na agricultura e na indústria farmacêutica. Já em ciências dos materiais, novos compostos mais leves e resistentes têm potencial para mudar desde a construção civil até a fabricação de eletrônicos de ponta.

Exploração espacial
O país também se consolidou como potência espacial. A Estação Espacial Tiangong entrou em operação regular, funcionando como base para experimentos científicos em órbita e símbolo da autonomia chinesa no espaço. Outro marco foi a missão Chang’e-6, que trouxe à Terra amostras do lado oculto da Lua — feito inédito que amplia o conhecimento científico sobre a formação do satélite e fortalece a posição da China na corrida lunar.

Comunicação e digitalização
No campo das telecomunicações, a China avançou com a implementação em larga escala do 5G, que já sustenta serviços de cidades inteligentes, sistemas de transporte, logística, saúde digital e até agricultura de precisão. A infraestrutura instalada não só impulsiona a economia digital doméstica, mas também ajuda o país a influenciar padrões globais em tecnologias emergentes.

Indústria automotiva e transição energética
Na área automotiva, a China se tornou líder mundial na produção e venda de veículos de nova energia (VNEs), como carros elétricos e híbridos. Essa expansão é resultado da combinação entre investimentos maciços em inovação, forte apoio governamental e crescente demanda interna. O desempenho não só reposiciona a indústria automotiva mundial, mas também contribui diretamente para as metas ambientais chinesas, de redução de emissões de carbono e fortalecimento da economia verde.

Investimentos em pesquisa e desenvolvimento
Essas conquistas se sustentam em uma base sólida de investimento. Apenas em 2024, a China aplicou mais de 3,6 trilhões de yuans (cerca de R$ 2,59 trilhões) em pesquisa e desenvolvimento (P&D), o que representa um crescimento de 48% em relação a 2020. O gasto em P&D já equivale a 2,68% do PIB, superando a média da União Europeia. Além do aporte financeiro, o país conta hoje com o maior número de pesquisadores do mundo, consolidando um ecossistema de inovação robusto e com capacidade de gerar impacto em escala global.

Posição internacional

Os investimentos crescentes em ciência e tecnologia tiveram reflexos claros na posição da China no cenário global. O país subiu do 14º lugar em 2020 para o 10º lugar em 2024 no ranking mundial de inovação, mostrando que sua estratégia de longo prazo está dando resultados concretos. Esse avanço coloca a China ao lado das maiores potências tecnológicas do planeta.

Indústria de alta tecnologia em expansão
Um dos motores dessa ascensão foi o crescimento da indústria de alta tecnologia, que registrou um aumento de 42% em valor agregado nos últimos cinco anos. Esse desempenho é puxado por setores estratégicos como semicondutores, que são a base da revolução digital; biotecnologia, essencial para a medicina e a agricultura do futuro; e energias renováveis, fundamentais para a transição ecológica e para a redução das emissões de carbono.

A força da “nova economia”
Outro destaque é a consolidação da chamada “nova economia”, formada por novas indústrias, modelos de negócio e áreas emergentes como inteligência artificial, comércio eletrônico e veículos inteligentes. Em 2024, esse setor já representava 18% do PIB chinês, revelando o peso crescente de atividades ligadas à inovação na estrutura produtiva do país.

Protagonismo das empresas privadas
As empresas privadas ganharam um papel cada vez mais central nesse processo. Elas respondem hoje por 77% de todos os investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D), superando a dependência de recursos exclusivamente estatais e mostrando a vitalidade de um setor empresarial que aposta na inovação como diferencial competitivo.

Explosão de empresas de alta tecnologia
O ambiente de negócios também se transformou rapidamente. O número de empresas de alta tecnologia passou de pouco mais de 270 mil em 2020 para mais de 500 mil em 2024, um aumento de 83%. Esse crescimento revela não apenas o fortalecimento de grandes conglomerados, mas também a criação de espaço para startups e companhias inovadoras, capazes de gerar soluções ágeis e criativas em diferentes áreas.

Com esses avanços, a China se consolidou como um dos principais polos de inovação do mundo, combinando escala de investimentos, expansão industrial e dinamismo empresarial para sustentar sua ambição de liderar a economia global do futuro.

Reformas no setor científico

Além dos altos investimentos, a China também passou por uma profunda transformação na forma de organizar sua ciência e incentivar a inovação. O governo percebeu que não bastava apenas colocar mais dinheiro: era preciso mudar as regras do jogo para que pesquisadores, empresas e instituições tivessem mais liberdade, competição saudável e estímulos para produzir resultados rápidos e relevantes.

Novos modelos de incentivo
Foram criados diferentes mecanismos para estimular a inovação:

Ranking competitivo: equipes de pesquisa disputam diretamente entre si para ver quem chega primeiro à solução de um problema. Esse modelo aumenta a eficiência e estimula a criatividade.

Corrida de cavalos: vários grupos trabalham simultaneamente na mesma questão, mas apenas a solução mais eficaz é implementada. Isso evita dependência de uma única equipe e amplia as chances de sucesso.

Líder da cadeia: uma instituição de referência assume a coordenação do projeto como um todo, garantindo foco, organização e integração entre diferentes atores.

Menos burocracia, mais dinamismo
Outra frente importante foi a flexibilização na gestão de recursos. Pesquisadores passaram a ter mais autonomia para usar verbas públicas e privadas, reduzindo a burocracia que muitas vezes travava o andamento de projetos. Além disso, foram criadas avaliações específicas para jovens cientistas, permitindo que eles assumam papéis de liderança e tragam ideias novas sem depender apenas de estruturas hierárquicas tradicionais.

Apoio financeiro ao ecossistema de inovação
No campo financeiro, o governo lançou pacotes de estímulo para fortalecer o ambiente de inovação. Isso inclui fundos especiais para startups tecnológicas, linhas de crédito facilitadas e incentivos fiscais. O resultado já pode ser medido: desde 2021, 376 empresas de base científica e tecnológica abriram capital na STAR Market, a bolsa de inovação de Xangai. Esse movimento não só garante novas fontes de financiamento para essas empresas, como também mostra a confiança dos investidores no potencial tecnológico do país.

Essas reformas estruturais ajudaram a criar um ambiente mais competitivo, flexível e atrativo para pesquisadores e empreendedores, consolidando a ciência como um dos motores da economia chinesa.

Fonte: Revista Fórum

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Evento

Brasil e China promovem em São Paulo Fórum de Cooperação Financeira

Objetivo é ampliar o diálogo bilateral

Representantes dos governos brasileiro e chinês realizaram, na tarde dessa terça-feira (16), na capital paulista, o 2º Fórum de Cooperação Financeira Brasil-China. Para a manhã desta quarta (17), está prevista a 11ª Reunião da Subcomissão Econômico-Financeira Brasil-China, que integra a Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (Cosban).

De acordo com a secretária de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, Tatiana Rosito, que chefia a delegação brasileira, os encontros pretendem oferecer subsídios à agenda governamental dos dois países para incrementar o diálogo bilateral.

“Buscamos estruturar os trabalhos de forma a aprofundar o conhecimento mútuo sobre os mercados, explorar suas potencialidades, ampliar a conectividade financeira e mobilizar recursos privados para o financiamento sustentável”, disse.

Tatiana Rosito acrescentou que o evento servirá aos representantes governamentais para ouvir o setor privado dos países sobre suas prioridades, seus desafios e as potenciais parcerias, “áreas em que os governos podem atuar para facilitar, ampliar e tornar mais dinâmicas a cooperação financeira bilateral”, afirmou.

Moedas locais

O presidente do Conselho Empresarial Brasil China (CEBC), embaixador Luiz Augusto de Castro Neves, destacou que o aprofundamento das relações financeiras entre os países é a nova fronteira do desenvolvimento das relações Brasil-China. De acordo com Neves, os países têm fortes laços comerciais e de investimentos, mas ainda apresentam conexões financeiras limitadas. 

“Temos avançado na facilitação das transações em moedas locais, que têm o potencial de reduzir custos, mitigar riscos cambiais e expandir os laços financeiros entre empresas de ambos os países”.

A delegação brasileira conta com integrantes dos ministério das Relações Exteriores, da Agricultura e Pecuária, da Casa Civil, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, da Superintendência de Seguros Privados (Susep), da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.

A delegação chinesa tem representantes do Ministério das Relações Exteriores, da Administração Nacional de Regulação Financeira, da Comissão de Regulação de Valores Mobiliários, do Banco de Desenvolvimento da China e do Banco de Importação-Exportação da China.

Fonte: Agência Brasil

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Internacional

China anuncia medidas para impulsionar consumo de serviços e estimular crescimento

Medidas também se comprometeram a atrair mais capital estrangeiro e privado para setores como o de assistência médica de médio e alto padrão

A China divulgou nesta terça-feira medidas para impulsionar o consumo de serviços, prometendo abrir ainda mais setores como internet e cultura e incentivar a realização de eventos esportivos internacionais, em uma tentativa de apoiar a economia em desaceleração.

As medidas, divulgadas em conjunto por nove agências governamentais, incluindo o Ministério do Comércio, o Ministério das Finanças e o banco central, também se comprometeram a atrair mais capital estrangeiro e privado para setores como o de assistência médica de médio e alto padrão.

As autoridades também planejam introduzir mais eventos esportivos internacionais, apoiar os governos locais na realização de atividades esportivas de massa e desenvolver eventos de alto nível, ligas profissionais e marcas esportivas.

Em agosto, a produção industrial e as vendas no varejo da China registraram o crescimento mais fraco desde o ano passado, mantendo a pressão sobre Pequim para que implemente mais estímulos para evitar uma forte desaceleração na segunda maior economia do mundo.

O país promoverá a abertura dos setores de internet, cultura, telecomunicações, assistência médica e educação, ao mesmo tempo em que flexibilizará o acesso ao mercado de assistência médica de médio e alto padrão e férias de lazer.

A China buscará atrair mais visitantes estrangeiros expandindo a entrada sem visto e melhorando as políticas de visto.

De acordo com as agências, a China usará recursos do governo central e títulos especiais locais para apoiar a construção de instalações culturais, turísticas, de cuidados com idosos, infantis e esportivas.

As ferramentas de política monetária serão implementadas para incentivar as instituições financeiras a expandir a oferta de crédito no consumo de serviços e aumentar os empréstimos para empresas do setor.

Em agosto, a China revelou subsídios de juros para empresas em oito setores de serviços ao consumidor, incluindo serviços de alimentação e turismo, em uma tentativa de apoiar o consumo de serviços em meio a uma economia em desaceleração.

Economistas e consultores de políticas chineses pediram que se intensificasse o apoio ao crescente setor de serviços do país para impulsionar o consumo, que os principais líderes priorizaram este ano para estimular o crescimento em meio às disputas sobre tarifas comerciais com os Estados Unidos.

A China também alocou 231 bilhões de iuanes (US$32,47 bilhões) em títulos especiais do Tesouro para um programa de troca de bens de consumo, com foco em eletrodomésticos, telefones celulares e tablets.

Fonte: InfoMoney

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Sustentabilidade

Leilão de energia renovável da China sinaliza desafios para desenvolvedores de energia solar

Os preços da energia solar no primeiro leilão provincial da China sob seu novo mecanismo de precificação de energia renovável foram tão baixos que poderiam desencorajar novos investimentos em projetos no país, disseram analistas.

O leilão da semana passada realizado na província de Shandong, considerado um termômetro para os leilões nacionais, sinaliza que os preços das energias renováveis no futuro serão mais baixos do que no sistema anterior — embora não necessariamente tão baixos quanto em Shandong, onde um excesso de investimentos em energia solar fez com que os preços caíssem.

Com base nos resultados, “eu não seria muito otimista em outras províncias, a menos que seja em províncias litorâneas com forte crescimento de (demanda de) energia”, disse Alan Lau, analista da Jefferies.

O leilão faz parte de uma reforma anunciada em fevereiro com o objetivo de introduzir uma precificação de mercado no maior produtor mundial de energia renovável.

Anteriormente, os projetos de energia renovável na China contavam com uma taxa de retorno garantida, vinculada ao preço de referência do carvão. Isso oferecia aos desenvolvedores uma previsibilidade valiosa, mas corria o risco de gerar investimentos excessivos.

A partir de junho, os operadores da rede de transmissão local concederão contratos para novos projetos de energia renovável com base em leilões que determinam um preço de liquidação conforme o maior lance, após selecionar as propostas da menor para a maior até que a meta de geração da província seja atingida.

Os geradores renováveis devem vender no mercado, mas serão compensados se o preço cair abaixo do preço de compensação do leilão, ou preço de exercício.

Shandong, uma das principais províncias para energias renováveis, foi a primeira a realizar leilões.

O preço de liquidação para a energia solar foi de 225 iuanes (US$31,58) por megawatt-hora (MWh), de acordo com uma reportagem da mídia estatal na sexta-feira, citando a operadora de rede de Shandong. Os desenvolvedores poderiam apresentar propostas entre 123 iuanes/MWh e 350 iuanes/MWh.

Os investidores teriam dificuldades para obter uma taxa de retorno aceitável a esse preço, disse Lau.

Muitos dos projetos de Shandong já estavam concluídos e, portanto, estavam “desesperados” para vender sua energia a uma taxa fixa, disse Lauri Myllyvirta, cofundador do Centre for Research on Energy and Clean Air, com sede em Helsinque.

O sistema oferece mais segurança do que a alternativa de vender no mercado spot de Shandong.

Fonte: Reuters

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Internacional

Ações de fabricantes de chips da China disparam com investigação contra EUA

As ações de fabricantes de chips analógicos da China dispararam nas bolsas do país depois que Pequim abriu investigações contra o setor de semicondutores dos Estados Unidos, alimentando expectativas de que as empresas locais ganhem participação de mercado.

As ações da SG Micro, uma desenvolvedora de chips analógicos com sede em Pequim, dispararam o limite diário de 20% em Shenzhen nesta segunda-feira, 15.

A 3Peak, outra fabricante chinesa, fechou em alta de 9,68% em Xangai.

A OmniVision Integrated Circuits Group ganhou 1,88% e a Suzhou Novosense Microelectronics subiu 10,79%.

Apesar dos fortes ganhos das fabricantes de chips analógicos, o setor mais amplo de semicondutores fechou misto nesta segunda-feira.

A SMIC, maior produtora de semicondutores da China, avançou 0,40% em Hong Kong, enquanto a Cambricon Technologies, projetista de chips de inteligência artificial, recuou 3,23 em Xangai.

A China anunciou no sábado (13) que iniciou duas investigações contra o setor de semicondutores dos EUA: uma sobre chips analógicos americanos por suposto dumping e outra sobre discriminação mais ampla contra a indústria chinesa.

Segundo analistas do Citi, as investigações favorecem os fabricantes chineses de chips analógicos. A participação doméstica nesse segmento ainda é baixa, representando apenas entre 10% e 15% da receita global das companhias chinesas.

Com o esforço de Pequim para ampliar a produção local, “é provável que fornecedores domésticos ganhem participação de mercado nos próximos anos”, disseram em relatório.

O Citi colocou a OmniVision e a SG Micro em “monitoramento de catalisadores” positivo de 90 dias, destacando que a China pode impor tarifas sobre circuitos integrados analógicos dos EUA ou restrições ao uso de chips americanos.

Fonte: CNN Brasil

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Internacional, Mercado Internacional, Negócios, Tributação

A situação dos produtores de soja dos EUA é outro lembrete para Washington: editorial do Global Times.

No domingo, horário local, a China e os EUA iniciaram conversas em Madri, Espanha, para discutir questões como as medidas tarifárias unilaterais dos EUA, o abuso dos controles de exportação e o TikTok. Na véspera das negociações, surgiram notícias de que os produtores de soja dos EUA estão “perdendo bilhões de dólares em vendas de soja para a China na metade de sua principal temporada de comercialização”. Nos últimos anos, a guerra comercial de Washington contra a China tem sido um esforço de perde-perde, muitas vezes saindo pela culatra. A situação dos produtores de soja dos EUA é um exemplo típico.

Agora é a temporada de colheita de soja nos EUA, mas os debates sobre “soja invendável” estão crescendo em todo o país. Muitos agricultores estão profundamente preocupados em “se preparar para colher sua safra neste outono sem pedidos de compra da China pela primeira vez em muitos anos”. Alguns agricultores dos EUA até postaram vídeos nas redes sociais expressando desespero por não poderem vender suas safras para a China, apesar de colherem mais do que o normal. Desde a década de 1990, a vasta demanda do mercado chinês levou os produtores dos EUA a inovar na criação, atualizar as linhas de produção e melhorar os sistemas de transporte, criando vários empregos. Por muitos anos, metade de todas as exportações de soja dos EUA foi para a China, da qual os agricultores americanos se beneficiaram tremendamente. Uma única soja pode parecer pequena, mas reflete que a China e os EUA são parceiros naturais na cooperação agrícola e destaca a essência ganha-ganha das relações econômicas e comerciais bilaterais.

No entanto, nos últimos anos, quando os EUA impuseram tarifas excessivamente altas à China, Pequim foi forçada a cobrar tarifas sobre a soja e outros produtos dos EUA. Isso levou as empresas chinesas a recorrer ao fornecimento de soja do Brasil, Argentina e outros países, ao mesmo tempo em que promoveu a diversificação das importações e construiu reservas estratégicas para salvaguardar a segurança alimentar e a estabilidade da cadeia de suprimentos da China. Alguns meios de comunicação dos EUA recentemente divulgaram a alegação de que a China está usando a soja como uma “arma” na guerra comercial, tratando os agricultores americanos como “moeda de troca”. Tais narrativas ignoram completamente o fato de que Washington iniciou as tarifas injustificadas, ignoram que os compradores chineses naturalmente têm todos os motivos para diversificar as fontes de abastecimento e, o mais importante, não conseguem entender que a abordagem da China às relações com os EUA é baseada em “respeito mútuo, coexistência pacífica e cooperação ganha-ganha”.

Os agricultores dos EUA não deveriam ter que pagar o preço pela guerra comercial de Washington com a China. O recente excesso de estoque de soja e a queda dos preços são uma prova inequívoca dos erros políticos de Washington. Em agosto, o presidente da Associação Americana de Soja, Caleb Ragland, escreveu ao presidente dos EUA, instando o governo a chegar a um acordo com a China o mais rápido possível para aliviar a crise enfrentada pelos produtores de soja. Atualmente, os efeitos sobrepostos de tarifas e controles de exportação causaram vários choques na cadeia industrial, na cadeia de suprimentos e na cadeia de inovação. O impacto negativo dos EUA empunhando arbitrariamente o “bastão tarifário” na economia global tornou-se cada vez mais evidente. Além disso, os próprios EUA estão experimentando alta inflação e alto desemprego devido a questões tarifárias, aumentando o risco de um “pouso forçado” econômico.

Infelizmente, Washington ainda precisa aprender o suficiente com os desafios enfrentados por seus produtores domésticos de soja e continua no caminho errôneo de politizar e armar questões econômicas e comerciais. Em 12 de setembro, o Departamento de Comércio dos EUA anunciou que vários chinesesAs entidades foram acrescentadas à sua lista de controlo das exportações. Como observou um porta-voz do Ministério do Comércio chinês, com a China e os EUA programados para realizar negociações econômicas e comerciais na Espanha a partir de 14 de setembro, a decisão dos EUA de sancionar as empresas chinesas levanta questões sobre suas verdadeiras intenções. O respeito igual é uma condição prévia necessária para iniciar uma nova ronda de negociações. Se um lado tentar forçar o outro a aceitar certos resultados por meio de sanções unilaterais, preocupações generalizadas de segurança, aplicação seletiva e outras formas de “pressão máxima” antes das negociações, isso só criará ruído e corroerá a confiança mútua. Isso aumentará os custos de chegar a um consenso nas negociações para ambos os países, resultando em uma perda para ambos os lados.

A cooperação igualitária é o caminho certo a seguir para as duas grandes potências. Desde o estabelecimento das relações diplomáticas, o investimento bidirecional entre a China e os EUA cresceu de quase zero para US$ 260 bilhões, e o comércio bilateral anual se expandiu de menos de US$ 2,5 bilhões para mais de US$ 680 bilhões em 2024, com ambos os países se beneficiando significativamente de sua cooperação. Os altos e baixos na relação entre os dois países nos últimos anos também ofereceram lições negativas. Abordar as questões por meio de pressão, sanções, isolamento, contenção e bloqueio só aumentará os custos e minará as expectativas. Politizar as trocas econômicas e tecnológicas normais e colocar todas as questões em um contexto de “segurança nacional” não apenas falhará em resolver “problemas internos”, mas também prejudicará a estabilidade das próprias cadeias industriais e de suprimentos. Recorrer a “culpar a China” pelas necessidades políticas domésticas só intensificará o confronto e prejudicará os interesses legítimos das empresas e do público.

Nos últimos meses, guiadas por importantes consensos alcançados pelos chefes de Estado da China e dos EUA, as equipes econômicas e comerciais de ambos os lados realizaram três rodadas de negociações em Genebra, Londres e Estocolmo, alcançando um consenso positivo. Isso demonstra que o diálogo igualitário é o caminho mais eficaz para aliviar o confronto e expandir o consenso, com os benefícios mútuos entre os dois países superando em muito seus conflitos e diferenças.

A posição da China tem sido consistente e clara: insistimos no respeito mútuo e na consulta igualitária, salvaguardando resolutamente nossos direitos e interesses legítimos, bem como o sistema de comércio multilateral, e promovendo um ambiente de negócios aberto, justo, justo e não discriminatório para que as empresas chinesas continuem operando nos EUA. A comunidade internacional saúda o progresso gradual feito nas consultas China-EUA e espera que ambos os lados continuem avançando no caminho do diálogo e da negociação, injetando energia positiva na manutenção da ordem econômica e comercial internacional.

Fonte: Globo Times

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Notícias

China abre investigação contra os EUA com foco em chips na véspera da reabertura de negociações, em Madri

Ação do governo chinês prepara um início tenso para reunião entre o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e o vice-primeiro-ministro He Lifeng para discutir questões econômicas e de segurança nacional

A China anunciou que abriu duas investigações direcionadas ao setor de tecnologia dos Estados Unidos que envolvem equipamentos eletrônicos como chips e inteligência artificial (IA). O anúncio surge um dia antes de uma nova rodada de negociações comerciais entre as duas potências mundiais. Representantes de Pequim e Washignton se reúnem deste domingo até a próxima quarta-feira, na Espanha.

As investigações chinesas surgem logo após os EUA adicionarem mais 23 empresas baseadas na China à sua lista de entidades que impõem restrições a negócios ou de “agir de forma contrária à segurança nacional ou aos interesses de política externa dos EUA.”

O Ministério do Comércio chinês afirmou em comunicado neste sábado que abriu uma investigação antidumping relacionada a circuitos integrados (CIs) analógicos – de sinais mistos e de processamento de sinais digitais – fabricados nos Estados Unidos. Esses chips são muito usados ​​em equipamentos eletrônicos e são vendidos por empresas americanas como Texas Instruments e a Analog Devices.

Ao mesmo tempo, o ministério também iniciou uma investigação antidiscriminação sobre as medidas dos EUA contra o setor de chips chinês, de acordo com um comunicado separado.

A repreensão pública da China às medidas comerciais dos EUA prepara um início tenso para a reunião de vários dias entre altos funcionários de ambos os lados. O Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, deve se encontrar esta semana com o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, em Madri, para discutir comércio, questões econômicas e de segurança nacional.

As negociações ocorrem após meses de idas e vindas e uma pausa nas tarifas elevadas por Trump, com os dois países afirmando que buscam um acordo mutuamente aceitável.

Os semicondutores se tornaram um terreno-chave de disputa, à medida que os EUA cortaram o acesso da China aos aceleradores de inteligência artificial (IA) mais avançados e usaram o licenciamento de alguns hardwares menos potentes da Nvidia como moeda de barganha — embora autoridades chinesas tenham resistido e expressado reservas sobre riscos de segurança.

O estado instável das negociações também se manifestou recentemente com a primeira utilização chinesa de uma chamada investigação de anticircunvenção, que levou à imposição de tarifas antidumping sobre importações americanas de fibra óptica. Esse instrumento deve ter um papel maior no futuro, segundo a TV estata chinesal.

“Os EUA tomaram uma série de proibições e restrições contra a China no campo de circuitos integrados nos últimos anos, incluindo investigações 301 e medidas de controle de exportação”, disse um porta-voz do ministério do Comércio em outro comunicado. “Essas práticas protecionistas são suspeitas de discriminação contra a China e representam contenção e supressão do desenvolvimento de chips avançados e indústrias de alta tecnologia da China, como inteligência artificial.”

Funcionários do Representante de Comércio dos EUA e porta-vozes da Texas Instruments e da Analog Devices não responderam imediatamente a pedidos de comentário.

As discussões entre Bessent e He abordarão, entre outros assuntos, o status do TikTok, da ByteDance, um serviço que o presidente Donald Trump estimou poder valer até US$ 500 bilhões para os EUA. O TikTok tem até a próxima semana para chegar a um acordo que garanta a continuidade de suas operações nos EUA, embora esses prazos já tenham sido prorrogados várias vezes este ano.

Esforços para combater a lavagem de dinheiro também estarão na pauta, segundo o Departamento do Tesouro dos EUA.

A China afirmou em janeiro que investigará alegações de que os EUA despejam chips de menor qualidade e subsidiam injustamente seus próprios fabricantes de chips, marcando uma das respostas retaliatórias mais fortes de Pequim às sanções tecnológicas americanas.

A investigação antidumping terá duração de cerca de um ano e poderá ser estendida por mais seis meses, se necessário, enquanto a investigação antidiscriminação geralmente leva cerca de três meses, segundo o órgão regulador do comércio.

Fonte: O Globo

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Mercado de trabalho

Emprego no comércio Brasil-China cresce mais que nas demais parcerias

A parceria comercial entre o Brasil e a China tem rendido à economia brasileira um crescimento no número de empregos formais maior que as expansões proporcionadas por demais parceiros.

A parceria comercial entre o Brasil e a China tem rendido à economia brasileira um crescimento no número de empregos formais maior que as expansões proporcionadas por demais parceiros.

De 2008 a 2022, o número de empregos ligados a exportações para a China cresceu 62%, superando as expansões identificadas nas parcerias com Estados Unidos (32,3%), Mercosul (25,1%), União Europeia (22,8%) e demais países da América do Sul (17,4%).

No mesmo período, os postos formais de trabalho ligados a atividades de importação proveniente da China cresceram 55,4%, acima das expansões registradas no comércio importador com a América do Sul (21,7%), União Europeia (21%), Estados Unidos (8,7%) e Mercosul (0,3%).

A constatação está no estudo Análise Socioeconômica do Comércio Brasil-China, divulgado esta semana pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), em parceria com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

O CEBC é uma instituição sem fins lucrativos que promove o diálogo entre empresas dos dois países. O levantamento considerou parceiros no Mercosul a Argentina, Paraguai e Uruguai.

Mais emprego na importação

De acordo com o estudo, nas atividades ligadas a importações, a parceria Brasil-China é a maior empregadora, com mais de 5,567 milhões de postos de trabalho, 145 a mais que a União Europeia (UE). O ano de 2022 foi o primeiro da série histórica (iniciada em 2008) em que o comércio sino-brasileiro atingiu o topo do ranking de empregos.

Já as atividades ligadas ao setor exportador empregavam mais de 2 milhões de pessoas no comércio sino-brasileiro.

Apesar de ter sido o maior aumento ante 2008 (+62%), o comércio exportador para a China fica atrás dos demais parceiros em número absoluto de emprego, perdendo para Mercosul (3,8 milhões), União Europeia (3,6 milhões), América do Sul (3,5 milhões) e os Estados Unidos (3,4 milhões).

A analista do CEBC, Camila Amigo, explica que o comércio sino-brasileiro é o que tem menos empregos na exportação por causa do perfil da pauta exportadora para a China, dominada por produtos agropecuários e minerais.

“Esses setores, embora altamente competitivos e estratégicos, geram proporcionalmente menos postos de trabalho devido ao seu alto nível de mecanização em comparação a segmentos industriais mais diversificados, como aqueles que têm maior peso nas exportações brasileiras para Estados Unidos, União Europeia e Mercosul”, diz à Agência Brasil.

Os dados sobre vagas ocupadas foram colhidos pelos pesquisadores por meio da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), um relatório que empresas fornecem ao Ministério do Trabalho e Emprego. Dessa forma, os dados da pesquisa se referem a empregos formais.

O CEBP separa o número de empregos entre importadoras e exportadoras, pois algumas empresas atuam nas duas pontas, o que causaria duplicidade se os dois contingentes fossem somados.

Metade do superávit brasileiro

A China é o principal parceiro econômico do Brasil, seja nas exportações ou importações. Em 2024 existiam no Brasil cerca de 3 milhões de empresas que exportaram para a China e 40 mil com atividade de importação.

Em 2024, segundo o estudo, o país asiático foi destino de 28% das vendas externas brasileiras e origem de 24% de nossas compras externas.

A parceria tem resultado em superávit no lado brasileiro, isto é, vendemos mais do que compramos. Em dez anos, o Brasil acumulou saldo positivo de US$ 276 bilhões. Esse montante representa metade (51%) do nosso superávit com o mundo como um todo nesse período.

Para os autores do estudo, a relação comercial com a China é estratégica não apenas no comércio exterior, sendo também um pilar da estabilidade macroeconômica.

“A manutenção do superávit comercial do Brasil com a China por tantos anos contribuiu para reduzir a vulnerabilidade externa e elevar as reservas internacionais do país”, assinala trecho.

“Esse cenário favoreceu o equilíbrio do balanço de pagamentos com a entrada líquida de dólares, o que ajudou a suavizar a volatilidade cambial, proteger a economia de choques internacionais e ancorar expectativas em períodos de instabilidade global”, completa o texto.

Futuro da relação

A analista Camila Amigo avalia que no cenário em que o Brasil enfrenta o tarifaço imposto pelo governo dos Estados Unidos, que aplica taxas de até 50% parte dos produtos brasileiros vendidos aos americanos, o comércio sino-brasileiro apresenta bases sólidas e estruturais e se sustenta na complementaridade entre os dois países.

“A China depende do Brasil como fornecedor estável de alimentos, energia e minerais, enquanto o Brasil garante acesso ao maior mercado consumidor do mundo e importa produtos importantes para a produção nacional”, avalia.

“O futuro da relação comercial sino-brasileira deve estar baseado em confiança, buscar por diversificação das exportações, sustentabilidade e inclusão socioeconômica, aproveitando não apenas a demanda por commodities, mas também o espaço para novos produtos e novas empresas nesse comércio”, conclui.

Fonte: Bem Paraná

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