Internacional

EUA propõem ao Brasil grupo de trabalho sobre terras raras e minerais estratégicos

Os Estados Unidos sugeriram ao Brasil a criação de um grupo de trabalho voltado à cooperação no setor de minerais críticos e estratégicos, com ênfase nas terras raras — insumos essenciais para tecnologias de ponta.

A proposta foi apresentada pelo encarregado de Negócios norte-americano, Gabriel Escobar, em reunião com representantes do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) e de mineradoras. O Ibram confirmou a informação e destacou que será responsável por conduzir as discussões iniciais, em conjunto com a Embaixada dos EUA.

Investimentos e próximos encontros

Enquanto o governo brasileiro avalia a proposta, o Ibram discutirá com empresas associadas oportunidades de investimento na produção mineral nacional, que podem atrair capital norte-americano.

Novas reuniões entre representantes dos EUA e do setor mineral brasileiro estão previstas para 2025, incluindo um encontro em dezembro, nos Estados Unidos, promovido pela embaixada brasileira em parceria com o Ibram.

Contexto geopolítico e dependência da China

A iniciativa ocorre em meio às negociações comerciais entre os presidentes Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva, e ao debate sobre um possível acordo de fornecimento seguro de terras raras aos EUA. O tema ganhou relevância após a China restringir a exportação desses materiais, intensificando preocupações em Washington.

Atualmente, cerca de 60% da mineração mundial de terras raras ocorre em território chinês, mas o país domina 91% do refino global e 94% da produção de ímãs permanentes, usados em turbinas eólicas, motores elétricos e equipamentos militares. A Agência Internacional de Energia (IEA) alerta que essa concentração representa um risco geopolítico severo, pois permite à China controlar preços e o ritmo de avanços tecnológicos estratégicos.

Brasil no radar global de minerais críticos

O Brasil surge como um potencial parceiro estratégico: detém a segunda maior reserva de terras raras do mundo, embora sua produção e refino ainda sejam incipientes. A ausência de um marco regulatório específico e de uma cadeia produtiva consolidada limita o aproveitamento do recurso.

Mesmo assim, empresas ocidentais já iniciaram projetos de exploração e mapeamento geológico no país. Paralelamente, o governo federal criou o Conselho Nacional de Política Mineral, responsável por definir diretrizes para o uso sustentável e estratégico desses recursos. Na Câmara dos Deputados, avança o debate sobre a Política Nacional de Minerais Críticos.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reuters/Stringer

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Comércio Internacional

China anuncia novas regras cambiais para impulsionar o comércio internacional e reduzir custos

A Administração Estatal de Câmbio da China anunciou, em 29 de outubro, um conjunto de nove novas medidas voltadas a simplificar e agilizar as transações cambiais internacionais. O objetivo é aumentar a eficiência nas operações financeiras, reduzir custos e reforçar a estabilidade do comércio exterior chinês.

Desde 2022, a China vem conduzindo um projeto-piloto de alta abertura cambial no comércio transfronteiriço, com foco na redução de burocracias e documentos nas operações de conta corrente internacional. Atualmente, o programa já abrange 11 regiões e movimenta cerca de US$ 1,7 trilhão em transações.

A nova etapa permitirá a inclusão de mais empresas, liberando capital e fortalecendo a competitividade global. Um porta-voz da Yangtze Optical Fibre and Cable destacou que a adesão ao projeto pode liberar mais de RMB 100 milhões por ano em fluxo de caixa, contribuindo para a expansão internacional da companhia. As mudanças também permitem que companhias compensem pagamentos de bens e serviços relacionados — como frete, seguro, armazenagem e desembaraço aduaneiro —, o que reduz custos operacionais e acelera as transferências internacionais.

As novas regras também focam em pequenas e médias empresas (PMEs) envolvidas no e-commerce transfronteiriço, setor que segue em alta no país. Dados da alfândega chinesa indicam que o comércio eletrônico internacional alcançou RMB 2,06 trilhões nos três primeiros trimestres de 2025, representando crescimento de 6,4% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Para fortalecer o setor, os bancos chineses serão estimulados a ampliar o crédito para PMEs indicadas por plataformas de e-commerce e empresas integradoras de comércio exterior, classificando-as como empresas de alta credibilidade. As instituições financeiras também poderão automatizar liquidações cambiais com base em pedidos eletrônicos e dados logísticos, alinhando-se à dinâmica digital do e-commerce. Além disso, serão incentivadas a oferecer atendimento personalizado e serviços de câmbio mais rápidos.

O comércio de serviços da China, segundo maior do mundo, movimentou US$ 509,1 bilhões no primeiro semestre de 2025, um avanço de 6% frente ao ano anterior. As novas diretrizes visam otimizar a gestão financeira de projetos internacionais, especialmente os de engenharia e construção contratados no exterior. As medidas permitirão administração centralizada de fundos e remanejamento mais flexível de recursos, reduzindo a necessidade de financiamentos externos. De acordo com a SINOHYDRO Corporation, as mudanças podem diminuir a imobilização de capital em RMB 500 milhões e reduzir perdas cambiais anuais em RMB 30 milhões, aumentando a competitividade global da empresa. Além disso, as novas regras simplificam adiantamentos e reembolsos de despesas de serviços, permitindo pagamentos diretos a fornecedores de transporte, armazenagem e manutenção.

FONTE: News CN

TEXTO: Redação

IMAGEM: Ding Lei/Xinhua

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Internacional

Trump encerra viagem à Ásia com visita à Coreia do Sul

Enquanto Trump voava de volta a Washington, ele disse nas redes sociais que Xi havia autorizado a compra de “quantidades massivas” de soja e outros produtos agrícolas americanos. “Nossos fazendeiros ficarão muito felizes!”, escreveu Trump. O Ministério do Comércio da China afirmou que os dois lados chegaram a um consenso na Coreia do Sul sobre a “expansão do comércio agrícola” e outras questões, mas não forneceu detalhes.

Quando o presidente Trump pediu a realização de testes nucleares, pouco antes de conversas com o líder chinês Xi Jinping, ele pode ter acrescentado inadvertidamente uma nova complicação a um dos temas mais difíceis entre seus países: a rivalidade em armas nucleares.

Trump declarou na quinta-feira que “devido aos programas de testes de outros países, instruí o Departamento de Guerra a começar a testar nossas armas nucleares em igualdade de condições”. Sua ordem pode ter sido motivada por uma afirmação do presidente Vladimir V. Putin, feita alguns dias antes, de que a Rússia havia realizado com sucesso o voo de teste de um míssil de cruzeiro movido a energia nuclear e com capacidade nuclear — embora o teste não envolvesse uma detonação.

Os movimentos em direção à retomada de testes explosivos de ogivas nucleares colocariam ainda mais em risco o tratado que, por décadas, restringiu todos, exceto alguns poucos países, de realizá-los. Se os Estados Unidos realmente retomarem os testes nucleares, “isso daria, na prática, uma carta branca à China e à Rússia para retomarem testes nucleares de rendimento total, algo que nenhum dos dois países faz há vários anos”, disse Ankit Panda, autor de The New Nuclear Age.

“O regime de não proliferação nuclear está sob imensa pressão no momento. Rússia, China e Estados Unidos nem sequer conseguem concordar sobre os princípios básicos que realmente sustentam o regime de não proliferação”, afirmou Panda, pesquisador sênior da Carnegie Endowment for International Peace.

Trump e sua administração podem esclarecer seus comentários nas próximas horas ou dias. Panda e outros especialistas disseram que Trump pode ter querido dizer que pretende testar mísseis com capacidade nuclear, e não detonar dispositivos nucleares subterrâneos.

Quando questionado posteriormente sobre suas declarações sobre testes de armas nucleares, Trump sugeriu que elas não estavam relacionadas à China. “Tinha a ver com outros”, disse ele, sem citar países. “Parece que todos estão fazendo testes nucleares.”

Mas as palavras combativas de Trump por si só podem reforçar a desconfiança de Pequim quanto às intenções nucleares dos EUA. As armas nucleares são uma área em que a falta de confiança entre China e Estados Unidos tem se aprofundado, com poucas perspectivas de um acordo rápido.

Sob o comando de Xi, a China tem expandido rapidamente seu arsenal nuclear após décadas mantendo uma força relativamente modesta. A China possui cerca de 600 ogivas nucleares, a maioria projetada para mísseis terrestres, segundo um levantamento publicado no início deste ano por especialistas da Federação de Cientistas Americanos. Isso ainda é muito menos que as milhares de ogivas nucleares que Estados Unidos e Rússia possuem.
Mas a velocidade da expansão da China, assim como a crescente ameaça de Moscou, tem provocado apelos em Washington por uma modernização mais rápida das forças nucleares dos EUA para deter dois grandes adversários.

A Rússia praticamente concluiu a modernização de todas as suas forças nucleares, e a China está modernizando e ampliando seu arsenal em uma velocidade impressionante”, disse Elbridge A. Colby, subsecretário de Defesa na administração Trump, durante sua audiência de confirmação no Senado no início deste ano.

O próximo plano de desenvolvimento da China, divulgado em resumo esta semana, prevê o “fortalecimento das capacidades de dissuasão estratégica” — termo que inclui forças nucleares — como uma prioridade militar para os próximos cinco anos. E, no mês passado, a China exibiu sua crescente coleção de mísseis com capacidade nuclear, incluindo os que podem ser lançados de submarinos e aviões bombardeiros, em um desfile militar em Pequim.

Xi usou o desfile para enfatizar a “tríade nuclear” em amadurecimento da China — isto é, a capacidade de ameaçar inimigos com ataque nuclear por terra, mar e ar —, disse Lin Po-chou, pesquisador do Instituto de Pesquisa de Defesa Nacional e Segurança, um grupo financiado pelo governo em Taipei, Taiwan.

O ritmo da expansão nuclear da China “continuará e não mudará apenas por causa do anúncio de Trump sobre o aumento dos testes de armas nucleares”, disse Lin.

Evidências de satélite sugerem que a China pode estar preparando instalações para realizar testes nucleares subterrâneos, possivelmente como um sinal de que poderia responder na mesma moeda se outros países retomarem os testes.

A China realizou seu primeiro teste nuclear em 1964 e o último em 1996, pouco antes da adoção do Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares, uma moratória global adotada pela maioria dos países. (A China, assim como os Estados Unidos, assinou, mas não ratificou o tratado.)

A China realizou cerca de 45 testes no total, menos do que as centenas conduzidas pelos Estados Unidos ou pela Rússia. Como resultado, os cientistas chineses de armas nucleares provavelmente tiveram que trabalhar com menos dados do que outras potências para projetar suas ogivas. Desde 1996, a China e outras potências atômicas têm verificado e testado ogivas usando testes subcríticos, que não chegam a causar explosões atômicas.

Mas imagens de satélite revelaram novas construções em Lop Nur, o local de testes nucleares da China em Xinjiang, uma região no extremo oeste do país. A atividade inclui novos túneis que poderiam ser usados para testes nucleares subterrâneos, o que pode ajudar no desenvolvimento de novas armas nucleares, escreveram dois especialistas, Renny Babiarz e Jason Wang, em um estudo recente sobre a área.

Se Trump realmente ordenar novos testes nucleares, levaria cerca de 18 meses para que os Estados Unidos preparassem o provável local de testes em Nevada, disse Panda, o especialista da Carnegie Endowment for International Peace. China e Rússia, segundo ele, provavelmente conseguiriam agir um pouco mais rápido.

FONTE: The New York Times
IMAGEM: Haiyun Jiang/The New York Times

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Tecnologia

Crise global de chips pode paralisar montadoras no Brasil nas próximas semanas, alerta MDIC

A escassez de chips volta a preocupar a indústria automotiva brasileira. O secretário do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Uallace Moreira, alertou nesta terça-feira (29) que algumas montadoras de automóveis podem ser obrigadas a suspender a produção nas próximas duas a três semanas, caso a crise internacional de fornecimento de semicondutores não seja solucionada.

“Se não houver uma solução nesse curto espaço de tempo, pode haver um processo de paralisação em algumas montadoras”, afirmou Moreira.

Impasse entre China e Holanda agrava crise

O problema decorre de uma disputa entre China e Holanda pelo controle da fabricante de microprocessadores Nexperia, responsável por cerca de 40% do mercado global de semicondutores básicos. A tensão se intensificou após o governo holandês assumir o controle da empresa, alegando preocupações de propriedade intelectual e segurança nacional, já que a controladora chinesa Wingtech está sob sanções dos Estados Unidos.

As restrições impostas por Pequim impactaram diretamente o fornecimento global. Embora os chips da Nexperia não sejam considerados de alta complexidade, eles são essenciais para o setor automotivo, utilizado em larga escala na fabricação de veículos e produtos eletrônicos.

Governo busca diálogo com a China

Segundo o MDIC, o ministro Geraldo Alckmin e o secretário Moreira se reuniram com o presidente da Anfavea, Igor Calvet, para discutir soluções. O governo brasileiro tenta abrir canal diplomático com a China, buscando garantir que o país não sofra os efeitos colaterais da disputa geopolítica.

“Nosso objetivo é deixar claro que o Brasil está fora desse conflito e não pode ser penalizado por ele”, destacou Moreira.

O ministro Alckmin já entrou em contato com o embaixador brasileiro em Pequim e com o embaixador chinês em Brasília, solicitando o início de negociações bilaterais. O representante chinês teria se comprometido a dialogar com autoridades locais, enquanto o diplomata brasileiro fará a mediação com a Nexperia.

Indústria em alerta com possível paralisação

A Anfavea reforçou a preocupação com a escassez de chips, lembrando que situação semelhante durante a pandemia provocou paralisações e queda na produção. Estimativas da entidade indicam que um carro moderno utiliza entre 1.000 e 3.000 chips, o que torna qualquer interrupção no fornecimento um risco imediato.

Apesar de fontes do setor apontarem possíveis substitutos — como Infineon, NXP e Texas Instruments —, a troca de fornecedores exige tempo, já que os componentes precisam passar por processos rigorosos de aprovação técnica antes de serem usados nas linhas de montagem.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: Acervo Volkswagen do Brasil

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Internacional

Passo a passo, como a China assumiu o controle de minerais críticos no mundo

O controle chinês de terras raras vitais para a produção militar e tecnológica, como o samário e o disprósio, confere a Pequim enorme poder global

Há mais de um ano, a China vem criando um elaborado conjunto de regras para proteger suas exportações de minerais dos quais o resto do mundo não pode viver sem. Esses minerais com nomes obscuros, a maioria deles chamados de metais de terras raras, são vitais para a fabricação de uma vasta gama de bens militares e civis, desde caças a jatos até semicondutores e carros.

Os controles de exportação deram a Pequim uma enorme alavancagem porque a China é o fornecedor dominante. O país é o único produtor, por exemplo, de samário, um metal de terra rara usado em muitas aplicações militares.

A China também é o único país a dominar a difícil arte de refinar disprósio ultrapuro: o suprimento mundial inteiro, necessário para chips super-rápidos, vem de uma única fábrica perto de Xangai.

Talvez o mais importante: a China fabrica 90% dos ímãs de terras raras do mundo, usados em eletrônicos e motores elétricos. É a única produtora de alguns tipos de ímã pequenos usados em carros.

Pequim invocou as novas regras pela primeira vez no final do ano passado. Autoridades suspenderam as remessas para os Estados Unidos de quatro elementos metálicos, mas ainda não terras raras, em retaliação depois que Washington impôs limites rigorosos à exportação para a China dos semicondutores de mais alto desempenho.

Desde então, a China usou os controles de exportação para apertar cada vez mais o acesso às suas terras raras.

Esses controles se tornaram um ponto chave de discórdia com o governo dos EUA. Espera-se que sejam discutidos na quinta-feira, 30, quando o presidente Donald Trump se reunirá com Xi Jinping, o líder da China.

Altos formuladores de políticas dos EUA expressaram esperança após as negociações comerciais de domingo de que a China pudesse adiar a aplicação de suas novas regras. A China arrisca danos a longo prazo à sua própria economia com as normas, ao prejudicar a imagem do país como um fornecedor confiável.

Aqui está como a China construiu seu embargo regulatório em torno de minerais críticos.

Cronologia dos controles de exportação da China

1º de outubro de 2024

O tiro de largada: Requisitos detalhados de documentação

A China começa a exigir que os exportadores de metais de terras raras obtenham informações detalhadas de todos os clientes no exterior sobre exatamente como os metais serão usados em suas cadeias de suprimentos.

Resultado: A regra dá ao Ministério do Comércio um roteiro abrangente dos tipos e quantidades de terras raras de que empresas em todo o mundo precisam.

3 de dezembro de 2024

Restrições a quatro minerais que não são de terras raras

A China interrompe as exportações para os Estados Unidos de quatro elementos metálicos que não são de terras raras, mas ainda são muito necessários. O Ministério do Comércio restringe qualquer remessa adicional de gálio ou germânio, necessários para a fabricação de alguns tipos de semicondutores, e remessas de antimônio ou tungstênio, usados em munições e outras aplicações militares.

Resultado: Pela primeira vez, a China não apenas limita as exportações diretamente para os Estados Unidos, mas também proíbe empresas em outros países de transferir materiais para empresas dos EUA.

4 de abril de 2025

Controles de exportação sobre alguns metais e ímãs de terras raras

A China impõe controles de exportação em sete dos 17 elementos de terras raras, bem como em ímãs feitos com eles, interrompendo as remessas para todos os países, não apenas os Estados Unidos. Nos dois meses seguintes, o Ministério do Comércio aprova pouquíssimas licenças de exportação. Montadoras e seus fornecedores nos Estados Unidos, Europa e Japão esgotam seus estoques e, em alguns casos, atrasam a produção. O ritmo de emissão de licenças acelera durante o verão (do hemisfério norte), mas muitas fábricas no exterior ainda enfrentam escassez severa.

Resultado: Mais de seis meses depois, as exportações permanecem interrompidas para um elemento de terra rara, o samário, que é vital para ímãs militares. Para outras seis itens e para os ímãs, a China concede licenças de seis meses. Muitas dessas licenças precisarão de renovação em breve.

9 de outubro de 2025

Interrupção da transferência de segredos técnicos de terras raras

Em uma das várias ações naquele dia, o Ministério do Comércio da China ordena uma interrupção imediata, exceto com sua aprovação, de qualquer transferência para fora do país de tecnologia ou informação necessária para quase todo o processo de terras raras — da mineração à reciclagem. Para restringir os esforços de outros países para desenvolver seus próprios setores de terras raras, a ordem proíbe uma ampla gama de atividades, desde o licenciamento de propriedade intelectual chinesa até a contratação de pessoal da China.

Resultado: A China emprega amplamente os controles de exportação para tentar salvaguardar seu domínio quase completo sobre a indústria.

9 de outubro de 2025

Interrupção das exportações de equipamentos de processamento de terras raras.

O Ministério do Comércio também emite uma longa lista de fornos, produtos químicos e outros equipamentos e materiais que são essenciais para o processamento de terras raras, dizendo que nenhum tem permissão para deixar a China sem aprovação a partir de 8 de novembro.

Resultado: A China é a principal produtora de equipamentos para refinarias de terras raras e fábricas de ímãs, então isso pode atrasar os esforços de outros países para estabelecer sua própria produção.

9 de outubro de 2025

Bloqueio de exportações de mais cinco elementos de terras raras

O ministério adiciona mais cinco tipos de terra rara à lista de sete que foi emitida em 4 de abril para as quais são necessárias licenças de exportação, bem como ímãs e outros materiais feitos a partir delas. A regra entra em vigor em 8 de novembro.

Resultado: Ao expandir o número de terras raras que exigem licenças, o governo da China afirmaria uma autoridade mais ampla sobre as cadeias de suprimentos globais.

9 de outubro de 2025

Restrição de equipamentos de fabricação de baterias

O ministério emite uma longa lista de materiais de fabricação de baterias que não poderão deixar a China sem permissão especial a partir de 8 de novembro.

Resultado: Essas mudanças dariam à China mais poder sobre os fabricantes de veículos elétricos do mundo, que são grandes consumidores de baterias, bem como empresas de eletricidade que precisam de tecnologia chinesa para construir grandes baterias de armazenamento em rede para energia solar ou eólica.

9 de outubro de 2025

Proibição de exportações de serras diamantadas e equipamentos semelhantes

O ministério interrompe a exportação de materiais super-rígidos, como serras diamantadas, que são usadas na fabricação de semicondutores e pastilhas solares, a partir de 8 de novembro.

Conclusão: Isso poderia ajudar a China a alcançar a liderança na fabricação de semicondutores e proteger sua participação de 98% no mercado global na fabricação de pastilhas solares, o componente mais importante dos painéis solares.

9 de outubro de 2025

Controle do comércio de ímãs de terras raras fabricados fora da China

O ministério proíbe qualquer movimentação sem sua permissão através de qualquer fronteira nacional de ímãs feitos fora da China se as terras raras da China representarem pelo menos 0,1% do valor do ímã, a partir de 1º de dezembro. A permissão do ministério também é necessária para movimentações de ímãs feitos no exterior com tecnologias de terras raras originalmente desenvolvidas pela China. O ministério redigiu a regra de forma ambígua, de modo que possa se aplicar não apenas a ímãs, mas também a praticamente qualquer coisa fabricada fora da China que inclua vestígios de terras raras, desde motores elétricos a assentos de carro. Os pedidos de permissão ao ministério devem fornecer detalhes extensos sobre os produtos e como serão usados. Os pedidos para produção militar serão “em princípio” negados.

Resultado: A China, que se inclinou para a Rússia na guerra da Ucrânia, poderia usar esta regra para impedir que outros países fornecem armas à Ucrânia ou construam seu próprio arsenal.

14 de outubro de 2025

Interrupção das exportações para a Europa de chips de computador Nexperia

A Nexperia, uma empresa na Holanda que foi adquirida em 2018 por um consórcio chinês, anuncia que foi ordenada a interromper as exportações de semicondutores da China. As montadoras europeias, incluindo a Volkswagen, em breve devem ficar sem chips de computador.

Resultado: A China, que agiu depois que o governo holandês assumiu a direção da Nexperia, mostra novamente como pode usar os controles de exportação para afetar as cadeias de suprimentos globais.

FONTE: The New York Times
IMAGEM: REUTERS/David Becker

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Aeroportos

Aeroporto de Daxing completa 6 anos e se consolida como maior hub aéreo da China

O Aeroporto Internacional de Daxing, em Pequim, completou 6 anos de operação em setembro de 2025, consolidando-se como o maior aeroporto da China em área de terminal de passageiros. Com investimento de 80 bilhões de yuans, a estrutura foi projetada para receber mais de 100 milhões de passageiros por ano, reforçando seu papel estratégico no transporte aéreo da região.

Arquitetura inovadora e eficiência para passageiros

O terminal, com formato de estrela-do-mar, ocupa mais de 700 mil metros quadrados, permitindo que os passageiros se desloquem entre os portões de embarque em apenas 8 minutos a pé. A localização central integra uma zona econômica de 150 quilômetros quadrados, planejada para logística, tecnologia e serviços, tornando o aeroporto um verdadeiro hub multifuncional.

A construção do Aeroporto de Daxing foi planejada para atender ao aumento da demanda de voos na capital chinesa e impulsionar o desenvolvimento econômico local. Inaugurado apenas 4 anos e 9 meses após o início das obras, o complexo é considerado um exemplo de planejamento ágil e eficiente.

Sustentabilidade e inovação ambiental

O aeroporto incorpora diversas soluções sustentáveis, incluindo aproveitamento de luz natural, sistemas de ventilação inteligentes, energia solar e armazenamento de gelo para climatização, alinhando operações de grande escala com responsabilidade ambiental.

Metas estratégicas até 2028

A administração do Aeroporto de Daxing definiu objetivos ambiciosos para os próximos anos:

  • Atender 72 milhões de passageiros;
  • Movimentar 2 milhões de toneladas de carga;
  • Realizar 630 mil operações aéreas por ano.

Além de servir como hub aéreo, o complexo integra operações de transporte, conexões culturais e infraestrutura multimodal, reunindo rodovias, metrô e linhas ferroviárias de alta velocidade em um único espaço eficiente e moderno.

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

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Tecnologia

China inaugura primeiro data center subaquático movido a energia eólica

Xangai deu um passo histórico na integração entre tecnologia da informação e energia renovável com a conclusão do primeiro data center subaquático do mundo alimentado por energia eólica. O projeto foi finalizado nesta terça-feira (21) na Área Especial de Lin-gang, na Zona Piloto de Livre Comércio de Xangai, e recebeu um investimento de 1,6 bilhão de yuans (aproximadamente US$ 226 milhões). Com capacidade de 24 megawatts, o centro promete maior eficiência energética e menor impacto ambiental.

Inovação em computação sustentável

Desenvolvido pela Shanghai Hicloud Technology e pelo Shenergy Group, em parceria com a China Telecom, a INESA e a Third Harbor Engineering da China Communications Construction Company, o projeto utiliza mais de 95% de eletricidade proveniente de fontes renováveis. Segundo Su Yang, gerente-geral da Shanghai Hicloud Technology, o sistema subaquático consegue reduzir o consumo de energia em 22,8%. O comitê administrativo de Lin-gang ressalta que o centro funciona como modelo de desenvolvimento de baixo carbono para o setor de TI, integrando infraestrutura tecnológica com energia limpa offshore.

Conservação de água e uso eficiente do espaço

O novo data center elimina a necessidade de água doce e aproveita a água do mar como sistema natural de resfriamento. Essa estratégia reduz o consumo energético com refrigeração de até 50% em centros convencionais para menos de 10%. Além disso, diminui em mais de 90% a ocupação de espaço terrestre. A primeira fase do projeto já está concluída, atingindo um PUE (Power Usage Effectiveness) inferior a 1,15, índice considerado avançado na indústria. Para efeito de comparação, as metas do governo chinês exigem que todos os novos ou reformados data centers grandes e mega operem com PUE abaixo de 1,25 até o final de 2025.

Estratégia de Xangai para a indústria de computação

O projeto também fortalece a estratégia de Xangai de expandir a computação inteligente. Em março de 2025, o governo municipal anunciou investimento de mais de 200 bilhões de yuans até 2027, com capacidade estimada de 200 EFLOPS. A expansão inclui novos clusters de computação em Lin-gang, fortalecendo o setor de computação em nuvem. Wu Xiaohua, secretário adjunto do comitê do Partido da Área Especial de Lin-gang, afirma que a iniciativa integra economia digital, energia renovável e economia marítima, reforçando o objetivo de Xangai de se tornar um centro global de inovação tecnológica.

Potencial da energia eólica offshore

Huang Dinan, presidente do Shenergy Group, destacou que o Mar da China Oriental possui mais de 3.000 horas anuais de operação para geração de energia eólica, garantindo eletricidade limpa e estável para a cidade e seus setores produtivos. A integração entre energia eólica offshore e data centers submarinos permite uso coordenado de recursos de geração, rede e carga, atendendo à demanda crescente por energia renovável no setor de TI. Durante a cerimônia, as empresas firmaram acordo para desenvolver um novo data center offshore com capacidade de 500 megawatts. Wang Shifeng, presidente da Third Harbor Engineering, observou que a expansão de centros subaquáticos dependerá de avanços tecnológicos e redução de custos operacionais.

Avanço da rede nacional de computação sustentável

O projeto reforça a estratégia chinesa de criar uma rede de computação de baixo carbono. Desde 2022, a iniciativa “Dados do Leste, Computação do Oeste” visa distribuir o processamento de dados entre regiões mais desenvolvidas do leste e áreas do interior, aproveitando menores custos energéticos e maior disponibilidade de espaço.

FONTE: Exame
TEXTO: Redação
IMAGEM: Getty Images

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Comércio Internacional

Brasil avança em negociações com China e União Europeia para criar mercado internacional de carbono

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o Brasil está em negociações avançadas com a China e a União Europeia para estabelecer um mercado internacional de carbono. O objetivo é integrar os sistemas de comércio de créditos de carbono e fortalecer a cooperação global no combate às mudanças climáticas. Em entrevista à TV Globo, Haddad destacou que a meta é anunciar a coalizão durante a COP30, conferência do clima da ONU que ocorrerá em Belém (PA), em novembro. Segundo ele, o governo brasileiro vem articulando o projeto para posicionar o país como protagonista na agenda ambiental global.

Entenda como funciona o mercado de carbono

O mercado de carbono é um sistema que recompensa empresas e governos que reduzem emissões de gases de efeito estufa. Quem polui menos gera créditos de carbono, que podem ser vendidos a quem ainda não consegue cumprir suas metas ambientais. Esse mecanismo incentiva a transição energética e acelera a redução do uso de combustíveis fósseis. “Você começa a levar em consideração o quanto de energia fóssil foi utilizada na produção de uma mercadoria, e esse processo de mensuração faz a transição energética acontecer mais rapidamente”, explicou Haddad.

Brasil quer liderar nova aliança climática

Além de integrar os mercados, a coalizão internacional pretende definir metas graduais de redução de emissões de carbono, estimulando práticas mais sustentáveis em escala global. Haddad ressaltou que o Brasil tem condições de liderar esse debate, como já demonstrou ao criar o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), lançado na COP28, em Dubai, em 2023. O ministro acrescentou que o governo trabalha há dois anos para consolidar apoio de diversos países e abrir caminho para ações concretas na área ambiental. “Podemos ter uma grande coalizão em torno de um mercado internacional de carbono. Isso pode fazer toda a diferença, com equilíbrio econômico e incentivo à inovação tecnológica”, disse.

Ciência e tecnologia como aliadas da transição verde

Haddad também lembrou que o avanço tecnológico tem tornado a energia limpa cada vez mais acessível. Ele citou o exemplo das placas solares, cujo preço caiu drasticamente nos últimos anos, e defendeu o papel da ciência nesse processo. “A ciência está dando passos céleres em busca de soluções tecnológicas. Precisamos agir para que os países deixem de depender do petróleo”, concluiu.

FONTE: G1
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Adriano Machado

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Comércio Exterior

Aproximação entre EUA e China acende alerta no mercado da soja brasileira

A reaproximação entre Estados Unidos e China nas negociações comerciais reacende a preocupação entre produtores e exportadores de soja no Brasil. Caso um acordo tarifário seja firmado, o país pode enfrentar queda nas exportações e recuo nos preços internos do grão, que ainda está no início do plantio da nova safra.

Desde o início da guerra comercial, em fevereiro deste ano, a soja brasileira vinha se beneficiando da perda de espaço do produto americano no mercado chinês. Em setembro, a China não importou um único grão de soja dos EUA, algo que não acontecia desde novembro de 2018, segundo autoridades alfandegárias chinesas. No mesmo período, as compras de soja brasileira somaram 10,96 milhões de toneladas, um aumento de 30% em relação a setembro de 2024, representando 85% do total das importações chinesas.

Encontro entre Trump e Xi Jinping pode mudar cenário

O presidente americano Donald Trump anunciou que se reunirá com o líder chinês Xi Jinping durante a Cúpula da APEC, em novembro, e a soja será um dos principais temas da pauta. Embora as tensões entre os dois países ainda sejam evidentes, analistas acreditam que há uma tentativa concreta de aproximação diplomática.

Segundo Ronaldo Fernandes, analista da Royal Rural, as recentes declarações públicas de ambos os governos indicam que um acordo comercial está sendo costurado.

“Toda vez que as tensões aumentam, os países criam um problema para depois inventar uma solução. A China pode negociar o acesso às suas terras raras em troca da compra de soja americana — e tem poder de barganha para isso, já que mostrou que pode ficar sem importar dos EUA por um bom tempo”, afirma.

Impactos diretos sobre a soja brasileira

Caso o acordo se concretize, o Brasil pode ser o principal prejudicado. De janeiro a setembro de 2025, a China respondeu por 77% das exportações brasileiras de soja, com alta de 4,83% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Fernandes explica que o preço da soja seria pressionado por diversos fatores.

“O dólar cairia, os preços na bolsa de Chicago subiriam e o prêmio nos portos brasileiros despencaria, podendo ficar negativo nos contratos de fevereiro e março de 2026. Ou seja, a soja brasileira apanharia de todos os lados”, avalia.

Com esse cenário, os analistas estimam uma queda acentuada nos preços internos. De acordo com Luiz Pacheco, da T&F Consultoria Agroeconômica, a saca de soja no interior do Paraná, atualmente cotada a R$ 131, poderia cair para R$ 100. O prêmio de exportação, que hoje está em 167 pontos positivos no porto de Paranaguá (PR), teria redução de 82%.

Brasil segue como pêndulo entre China e EUA

“Hoje, o Brasil é o pêndulo do comércio global de soja”, resume Pacheco. Ele lembra que, caso a produção nacional atinja as 176 milhões de toneladas estimadas pela Conab para a safra 2025/26, a China poderá manter a estratégia de não comprar soja americana por mais um ano. Porém, qualquer problema climático pode inverter esse quadro e devolver o poder de negociação aos Estados Unidos.

China desacelera compras à espera de acordo

Após um primeiro semestre de forte demanda, os chineses reduziram o ritmo de importações da soja brasileira.

“Neste mês, a China comprou apenas um navio de soja do Brasil para embarque em novembro. A demanda segue fraca, mesmo com a necessidade de importar 9 milhões de toneladas entre dezembro e janeiro”, explica Pacheco.

A justificativa chinesa seria o alto custo da soja brasileira, mas, segundo Fernandes, isso serve como pretexto estratégico para diversificar fornecedores.

“Na primeira guerra comercial, o prêmio da soja brasileira chegou a 300 pontos, e hoje está abaixo de 200. A China usou esse argumento para buscar soja no Canadá e na Argentina”, relembra.

Com estoques elevados, o país asiático pode evitar novas compras até fevereiro — ou até que haja um desfecho nas negociações com os EUA.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Claudio Neves/Portos do Paraná

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Internacional

China lança seu maior navio graneleiro 100% elétrico

O maior navio graneleiro totalmente elétrico da China, chamado Gezhouba, foi lançado na cidade de Yichang, localizada na província central de Hubei, marcando um marco importante no desenvolvimento do transporte marítimo verde e inteligente do país, informou a agência estatal Xinhua.

A embarcação, com cerca de 130 metros de comprimento e capacidade máxima de carga superior a 13 mil toneladas, está equipada com 12 unidades de baterias de íon-lítio, que fornecem uma capacidade total de 24.000 kWh.

De acordo com seu desenvolvedor, o navio permite troca rápida de baterias e oferece uma autonomia de até 500 quilômetros.

No quesito tecnologia, o barco conta com um sistema avançado de controle inteligente, que possibilita navegação remota e atracação automática, integrado a redes de comunicação multilink.

O acadêmico da Academia Chinesa de Engenharia, Yan Xinping, destacou que o projeto vai além de uma simples inovação de produto, pois valida com sucesso tecnologias essenciais, como baterias de grande capacidade e sistemas de energia em corrente contínua distribuída.

Estima-se que o navio permitirá economizar cerca de 617 toneladas de combustível por ano e reduzir as emissões anuais de dióxido de carbono em aproximadamente 2.052 toneladas.

FONTE: Portal Portuário
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuário

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